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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Como saber se Estamos Realmente Pregando o Evangelho? Com a Palavra, Martin Lloyd-Jones

É verdade que, onde abundou o pecado, superabundou a graça; então, permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? A genuína pregação do evangelho da salvação somente pela graça sempre leva à possibilidade desta censura ser lançada contra a graça. Não existe melhor teste
para sabermos se um homem está realmente pregando o evangelho do Novo Testamento: algumas pessoas o entendem mal e o interpretam de maneira errada, de modo que chegam à seguinte conclusão: visto que fomos salvos apenas pela graça, realmente não importa tudo que fazemos, podemos continuar pecando como queremos, pois isto redundará em mais glória da graça de Deus.

Este é um excelente teste para avaliarmos a pregação do evangelho. Se minha pregação deixa de expor o evangelho ao ponto de gerar este mal-entendido, realmente não estou proclamando o evangelho. Pretendo explicar o que estou afirmando. Se um homem anuncia a justificação por meio de obras, jamais teremos aquele entendimento errado. Se ele diz: Você deseja ir ao céu? Então precisa parar de cometer pecados, viver um vida repleta de boas obras e observar certas coisas até à sua morte, deste modo será um cristão e irá ao céu, quando morrer. O pregador da mensagem acima não será acusado de ter dito: Continuemos a pecar, para que a graça seja abundante. Mas todo fiel pregador que anuncia o evangelho tem sido acusado de anunciar uma mensagem que estimula a pecar! Todos eles têm sido acusados de antinomianismo (estar contra a lei). Eu poderia falar a todos
os ministros do evangelho: SE A SUA PREGAÇÃO DO EVANGELHO NÃO TEM SIDO ENTENDIDA DAQUELA MANEIRA ERRADA, VOCÊ DEVE EXAMINAR SEUS SERMÕES NOVAMENTE; é melhor certificar-se de que está realmente proclamando a salvação anunciada no Novo Testamento aos ímpios, pecadores, mortos em seus delitos e pecados, inimigos de Deus. Existe um certo elemento de perigo na apresentação da doutrina da salvação.

Publicado originalmente na Revista Fé para Hoje n° 4 da Editora Fiel

Com a palavra feita por Rodrigo Ribeiro

sábado, 13 de setembro de 2014

O que Significa a Expressão "Meios de Graça"? Com a Palavra Earl Blackburn

O Dicionário Aurélio define a palavra meio como recurso empregado para alcançar um objetivo. Por conseguinte, os meios da graça são os instrumentos pelos quais Deus transmite bênçãos ao seu povo. O Catecismo de Westminster define a expressão meios da graça como os recursos visíveis e comuns pelos quais Cristo transmite à sua igreja os benefícios de sua mediação [ou seja, de sua morte].

Ilustrando isso, pense em uma mangueira de jardim. A mangueira não é especial em si mesma, porém é o canal pelo qual flui a água que produz vida e refresca. O mesmo acontece com os meios da graça. Em si mesmos, eles nada possuem de especial, mas são os instrumentos ou os canais pelos quais fluem as bênçãos divinas que outorgam vida e refrigeram a alma. Através dos meios da graça, Deus concede força, paz, conforto, instrução, disciplina, orientação, alegria e muitas outras coisas necessárias à vida cristã.

Ainda que a expressão meios da graça não se encontre na Bíblia, é uma designação adequada para aquilo que está ali ensinado. Há dois tipos de meios da graça: os particulares e os públicos. [...]

Quais os meios particulares da graça?

1. O primeiro destes é a leitura da Palavra de Deus
2. O segundo meio particular da graça é a oração.
3. O terceiro meio particular da graça é a meditação

Quais os meios públicos da graça?

1. Reunir-se para adoração é o primeiro destes meios.
2. O segundo meio público da graça são as ordenanças do evangelho (batismo e santa ceia)
3. Comunhão com irmãos e irmãs em Cristo é o terceiro meio público da graça
4. O quarto meio público da graça é a oração coletiva.

[...]Um Pai amoroso, sábio e gracioso, que habita nos céus, outorgou aos seus filhos estes meios para o bem deles (cf. Dt 10.13). Ele não os deu a fim de colocar seus filhos em escravidão a regras estabelecidas pelo homem, mas para abençoar, fortalecer e encorajá-los. Os meios particulares da graça nos foram concedidos para sustentar-nos em nossa vida cristã diária, em um mundo de atividades cotidianas. Os meios públicos da graça são para nosso benefício, na igreja local pertencente ao Senhor Jesus Cristo. Praticá-los agora resultará em crescimento e frutificação de nossa vida cristã. Utilizar estes meios designados por Deus redundará em glória para Ele, expansão de seu reino e nos proporcionará retidão, paz e alegria.

Rodrigo Ribeiro
Extraído da Revista Fé para hoje n° 3, 1999.
Para ler o artigo completo esta revista está disponível para download gratuitamente no site do ministério Fiel.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Fabiano, o Soldados Amarelo e o Governo Perfeito (ou o Antídoto para nossas Vidas Secas)

Por Rodrigo Ribeiro

Fabiano é um personagem clássico da nossa literatura, oriundo das páginas do livro Vidas Secas do alagoano Graciliano Ramos, escrito em 1938, mas que permanece extremamente atual. A trama gira em torno de Fabiano e sua família lutando pela sobrevivência no sertão, propiciando um relato da saga dos retirantes e sua luta contra a seca.

O personagem é marcado pelo dilema com suas próprias limitações: ele julga-se limitado por sua falta de educação. Considera-se um bicho, alguém só pode utilizar sua força, visto que tem extrema dificuldade em pensar e se comunicar. Não se acha digno de ser chamado de homem, parece mais com os animais com os quais se relaciona com maior facilidade. Com relação aos homens, limita-se a obedecer.

Em determinado momento do livro, o vaqueiro envolve-se em uma confusão e acaba injustamente sendo especando e preso por um “soldado amarelo”. Neste momento sua cosmovisão acanhada entra em crise. Ele sempre se postou a favor do governo, afirmando até em certas ocasiões que apanhar do governo não era desfeita. Visualiza o governo como algo distante e perfeito. Mas diante dele estava um soldado amarelo que o oprimia injustamente. Como conciliar a idealização do governo com o homem que o representava de maneira tão falha e arbitrária?

E é aqui Fabiano se assemelha a muitos de nós, até mesmo os mais intelectuais que escondem seus pressupostos primitivos por detrás de toda a pompa acadêmica. Mas em essenciais nos assemelhamos muitos a esse vaqueiro. De que maneira? Sempre lidamos com as idealizações dos distantes. A messianização. Depositamos nossas esperanças em governos, ideologias, denominações e homens idealizados. E não percebemos que todos os governos são compostos de soldados amarelos injustos. O mesmo se aplica até mesmo às igrejas. Onde há homens, não cabe idealização.

É precisamente isto que acontece com o intelectual de esquerda que mira todas as suas esperanças em um estado idealizado que combaterá as injustiças do mercado cruel. O problema é que o estado é composto por homens. E homens são sempre cruéis a parte da graça de Deus. O mesmo se aplica aos que idolatram o mercado. Este também tem seus soldados. Diante disso tudo, somos todos “Fabianos”.

Mas reconhecer isso é o inicio da reação. Precisamos direcionar nossas esperanças para o lugar onde serão plenamente saciadas: JESUS CRISTO. Ele não tem falhas morais, nem promove injustiça alguma. Ele não é um soldado amarelo, mas sofreu a injustiça por parte dos soldados romanos em nosso favor. Ele sim é perfeito e sem mácula. Seu governo não tem fim. Somente Ele saciará nossa sede. Com ele não haverá mais vidas secas!

Rodrigo Ribeiro

terça-feira, 2 de setembro de 2014

O Cachorro e o Espelho

Uma das características marcantes do fundamentalismo é a criação de "eixos do mal". Tal postura maniqueísta consiste em simplificar a leitura da realidade, elegendo inimigos a serem a abatidos a fim de que a paz ou prosperidade seja mantida/conquistada. Neste quadro podemos enxergar diversos segmentos religiosos e ideológicos.

No entanto não é somente a religião strito sensu que utiliza-se deste expediente. Até mesmos os anti-religiosos o fazem, pelo menos uma boa parte deles, os denominados neo-ateístas, filhos híbridos de Richard Dawkins e leitores de Dan Brow. No livro "Deus, um delírio", o primeiro citado, afirma que a origem dos males de nossa sociedade repousa na religião, e esta manifestação nociva deve ser combatida e extirpada.

O que muitos não percebem é que Dawkins é um fundamentalista, e seus seguidores também aderem ao seu maniqueísmo primitivo. O que somente comprova que os homens se comportam como cachorros latindo em frente do espelho, vociferando contra aquilo que eles mesmo são: religiosos. Não existe ninguém que escape do senso de divindade inerente a cada homem, conforme Calvino afirmava em sua Insitutas. A diferença é somente que alguns o aceitam e buscam a divindade, outros se rebelam e entregam de forma explícita ao combate. Ambos são idolatras quando não direcionam sua devoção ao Deus revelado nas Escrituras Sagradas, mesmo que seja uma idolatria direcionada à razão.

Diante de sábios que demostram sua loucura, só me resta faz coro a Bíblia, fonte da verdadeira religião: Diz o tolo em seu coração: "Deus não existe! " Corromperam-se e cometeram injustiças detestáveis; não há ninguém que faça o bem. (Salmos 53:1).

Rodrigo Ribeiro

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Os Oráculos de Pítia

Pítia era uma sacerdotisa do templo de Apolo, famoso por suas previsões dúbias que acabavam por agradar todos os que consultavam os seus oráculos. Pois suas palavras ambíguas sempre poderiam ser interpretadas conforme o desejo do consultante.


Conta-se que o Rei Creso, monarca grego, antes do confronto com a Pérsia a consultou e obteve como resposta: "Se fores a guerra, destruirás um grande império." O rei ficou sobremaneira confiante e foi a guerra. Resultado: uma grande derrotado se abateu sobre ele. A profetiza defendeu seu oráculo afirmando que o reino a ser destruído era exatamente o dele.

Os oráculos do nosso Deus, no entanto, são diferentes do de Pítia em sua forma e eficácia. Eles são tão certeiros e claros que até mesmo quando os homens tentam burlá-los, ainda assim cumprem-se. Como por exemplo no caso do ímpio Rei Acabe, que ao consultar o profeta Miqueías recebeu a previsão da parte de Deus que a batalha contra os sírios seria perdida e ele seria morto. O rei disfarçou-se de soldado comum, mas uma flecha o atingiu no final da batalha e ele morreu (2 Crônicas 18). A palavra de Deus é direta e infalível naquilo que diz. A prova maior é a vinda, a morte e ressurreição de Cristo que permeiam todo o Antigo Testamento.

Ademais, o próprio apóstolo Pedro nos afirma que "Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. (2 Pedro 1:20), em oposição à liberdade interpretativa que a ambiguidade da profetisa Pítia permitia.

Diante de tudo isso, é com pesar que precisamos constatar que muito daquilo que é propagado hoje como profecia da parte de Deus, em regra nos cultos pentecostais, assemelham-se muito mais ao padrão genérico e impreciso encontrado nos templos de Apolo do que às profecias bíblicas. A palavra de Deus é certa, clara e cumpre-se sempre. Os que afirmam ter revelações da parte de Deus, deveriam atentar para isso com temor, sob pena de serem meros pagãos transvestidos com vestimentas cristãs.

Seguro mesmo somente as Escrituras inerrantes que nos guiam no caminho da verdade, e nos garante a vitória final, não de forma dúbia como Pítia, mas certa e induvidosa, por conta do nosso general: Cristo!

Presb. Rodrigo Ribeiro

sábado, 21 de junho de 2014

O que a Oração pelos Perdidos Revela Sobre nossa Crença na Soberania de Deus na Salvação? Com a Palavra, J. I. Packer

"Quando você ora por pessoas não convertidas, você o faz com base no pressuposto de que Deus tem o poder de levá-las à fé. Você suplica a Deus para fazer exatamente isso, e sua confiança em pedir repousa na certeza de que Ele é capaz de fazer o que você pede. E, de fato, Ele é: essa convicção, que motiva a sua intercessão, é a verdade do próprio Deus, escrita em seu coração pelo Espírito Santo. Então, na oração — e o cristão é mais lúcido e sábio do que nunca quando ora — você sabe que é Deus quem salva os homens; você sabe que o que faz os homens se voltarem para Deus é a obra graciosa do próprio Deus ao atraí-los para si; e o conteúdo das suas orações é determinado por esse conhecimento. Assim, por meio de sua prática intercessória, não menos do que agradecer por sua conversão, você reconhece e confessa a soberania da graça de Deus. E assim fazem todos os cristãos em todos os lugares."
J.I. Packer, citado pelo Dr. Sam Storms, sobre quem pode ou não orar pela conversão de perdidos.
"Escolhidos: Uma exposição da doutrina da eleição", em breve, pela Editora Anno Domini
FONTE: Facebook de Andrew McAlister

Rodrigo Ribeiro

sexta-feira, 13 de junho de 2014

De que Forma Prática nós podemos Amar os Nossos Inimigos ou as Pessoas que não Temos Afeto Algum? Com a Palavra, C. S. Lewis

Normalmente, a afeição natural deve ser encorajada. No entanto, seria um erro pensar que o caminho que para obter a caridade consiste em sentar-se e tentar fabricar bons sentimentos [...] A regra comum a todos nós é perfeitamente simples. Não perca tempo perguntando-se se você "ama" o próximo ou não; aja como se o amasse. Assim que colocamos isso em prática, descobrimos um dos maiores segredos. Quando você se comporta como se tivesse amor por alguém, logo começa a gostar dessa pessoa. Quando você faz mal a alguém de quem não gosta, passa a desgostar mais ainda dessa pessoa. Já se, por outro lado, lhe fizer algo bom, verá que a aversão diminui [...] Sempre, porém, que fizermos o bem ao próximo por ele ser um "eu" igual a nós, criado por Deus, que deseja sua própria felicidade como nós desejamos a nossa, teremos aprendido a amá-lo um pouco mais, ou, no mínimo, a desgostar dele um pouco menos [...] O ímpio trata bem algumas pessoas por que "gosta" delas; o cristão, tentando tratar a todos com bondade, tende a gostar de um número cada vez maior de pessoas no decorrer do tempo - inclusive de pessoas de quem ele não imaginaria que um dia viesse a gostar. 

FONTE: O Significado do Casamento. Timothy Keller e Kathy Keller, tradução de Suzana Klassen. Edições Vida Nova, 2012. Páginas 122. Extraído de Mere Christianity. Harper San Francisco, 2001, p. 130-1.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Quando a Familiaridade se Torna algo Perigoso


Uma das boas dádivas que Deus nos concede é a proximidade com coisas boas e pessoas especiais. Mas por mais estranho que possa parecer à primeira vista, isto também pode se tornar um mal. O próprio Cristo nos apresenta essa verdade:

E Jesus lhes dizia: Não há profeta sem honra senão na sua pátria, entre os seus parentes, e na sua casa.
Marcos 6:4

No caso do texto acima, os habitantes de Nazaré rejeitaram Jesus, por não crerem que aquele homem que sempre habitou entre eles, pudesse ser o messias, ainda que os sinais e as escrituras testificassem isto.

Nosso coração pecaminoso pode se habituar com as pessoas, e assim deixar de dá-la o devido valor, valorizando sempre o novo, e desprezando as dádivas fixas e permanentes, numa ingratidão terrível e injustificável.

Isso pode ocorrer com nossos familiares, quando salientamos os seus defeitos e negligenciamos suas virtudes, comparando-os com outros pais e irmãos, que conhecemos somente de maneira superficial. O convívio certamente revelaria outras tantas falhas e pecados. Este processo de ingratidão em face da familiaridade também corrói muitos casamentos, pois nos faz abafar os sentimentos pelos cônjuges, levando muitos a rejeitaram seu próprio jardim se encantarem com o falso viro da grama alheia. Muitos são os exemplos que poderíamos citar, pois isso se manifesta em empregos de longa data, igrejas, pastores e etc.

Mais há uma aplicação ainda mais terrível deste pecado: o habituar-se com os meios de graça ofertados em abundância. Quanto de nós não temos dado pouco valor à pregação da palavra e os sacramentos? O acesso fácil a palavra pode nos levar a uma apatia. Infelizmente, a oferta pode nos levar a desvalorizar este "produto". Que terrível perigo nossa alma corre diante desta postura reprovável!

Que Deus nos ajude a afastar do nosso coração esta acomodação com a rotina religiosa. Que o Espírito conserve em nossos olhos e corações aquele brilho da primeira vez que compreendemos o evangelho em cada pregação que ouvimos e em cada leitura que fazemos. Que cada oração seja única e cheia de afetos. Que cada encontro com Cristo seja único. É preciso agir diferente do povo de Nazaré, pois nossa nação é celestial, e lá todos têm um cântico novo nos lábios.

Rodrigo Ribeiro
Facebook: https://www.facebook.com/rodrigo.ribeiro.14811

sábado, 7 de junho de 2014

Onde o Espírito Santo está Atuando?

A importância do Espírito Santo e sua obra, assim como a sua divindade, a priori, são elementos comuns aos cristãos, sendo inclusive uma forma de identificar aqueles que destoam do pensamento ortodoxo. No entanto, na prática, a atuação do Espírito tem sido um elemento de contrastes entre as igrejas reformadas e as pentecostais, sendo aquelas acusadas de frias, por causas de seus cultos onde o Espírito não se faz presente, ou no mínimo, não tem o devido lugar ou espaço. Qual a razão desta afirmação por partes dos irmãos pentecostais? Eles estão corretos em seu entendimento?

De que forma podemos “medir” a presença do Espírito em um culto? O encontraremos somente onde há barulho e êxtase? O perceberemos tão somente quando presentes as cordas vocais estridentes e as manifestações extraordinárias? Infelizmente esse é um pensamento muito comum no evangelicalismo brasileiro, em que pese o fato de ser uma realidade também presente em todo o mundo, ao ponto do Anglicano John Stott, afirmar que para muitos a principal manifestação do Espírito é o barulho. Onde não há a presença dos dons extraordinários do Espírito, este está ausente para muitos. Mas esta é a maneira realmente bíblica de tratar o assunto? Vejamos o que o próprio Cristo nos ensina a respeito de onde podemos encontrar o Consolador:

1. O encontraremos onde a verdade for conhecida e proclamada:
Mas quando o Espírito da verdade vier, ele os guiará a toda a verdade.
João 16:13

Sempre que a palavra de Deus for pregada com fidelidade, esta ação deve-se ao labor do Espírito, que capacita o pregador e fala através Dele, e também prepara o coração dos ouvintes para compreender as verdades bíblicas. Sem esta ação sobrenatural do Espírito todos os esforços dos mestres e pastores são vãos. É o Espírito, mediante a Palavra que Ele mesmo inspirou, que instrui e alimenta a Igreja de Cristo.

2. O encontraremos onde pecadores se arrependem e creem em Cristo:
Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo.
João 16:8

O homem natural é cego para as coisas Espirituais, e jamais conseguirá por si só compreender seu estado de pecado, e assim arrepender-se e crer em Cristo para a vida eterna. A salvação só se dá mediante a ação do Espírito retirando as escamas de seus olhos, vivificando-o, operando a regeneração. Só herdará a vida eterna quem nascer de novo, e somente o Espírito pode efetuar esta obra no coração do homem. Não há conversão em a obra do Espírito, aplicando o evangelho aos corações dos homens.


3. Ele está onde CRISTO é reconhecido como Deus e exaltado:
"Quando vier o Conselheiro, que eu enviarei a vocês da parte do Pai, o Espírito da verdade que provém do Pai, ele testemunhará a meu respeito.
João 15:26

Como poder crer em Cristo e nas Escrituras? O testemunho interno do Espírito! Este é o ministério Dele, nos fazer cada vez mais firmes em Cristo. Sempre que crescemos na graça e no conhecimento, amando e confiando mais em Jesus, anelando que ele seja cada vez mais exaltado e glorificado em nossas vidas, podemos perceber, por excelência, a obra do Espírito. Sua missão é cristocêntrica. Ele é um farol que lança luz sobre a obra de Cristo. E certamente este é um parâmetro infalível para medir a validade de qualquer manifestação feita em nome do Espírito: Ele aponta para Cristo? Se aponta somente para homens, certamente não está de acordo com aquilo que a Escritura nos revela sobre o Espírito.

Este é o ministério do Consolador: Aplicar a verdade das Escrituras no coração de pecadores levando-os a amar a Cristo e odiar os seus pecados. Se você observa estas coisas em sua igreja, ali está o Espírito de Deus, ainda que não haja movimentos pirotécnicos. Quem afirmar o contrário, tem uma compreensão equivocada das Escrituras. Onde Cristo é honrado, o Espírito está presente. Sua presença não se mede pelo calor ou pelo barulho, mas sim pela reverência e amor ofertados a Cristo.

Rodrigo Ribeiro
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terça-feira, 3 de junho de 2014

Solteiro, sim. Livre? Nunca!

Em decorrência da proximidade das comemorações relativas ao dia dos namorados, o clima artificial de romantismo tem se intensificado sob as hostes comerciais da mídia, que milita contra os valores familiares nos outros dias do ano, mas que no mês de maio concede uma trégua oportuna. Neste período é comum que os solteiros sintam-se excluídos, mas esta é uma realidade que também não perdura, em regra, durante o restante do ano. Muitos se orgulham de sua "solteirice", e revelam uma grande aversão a relacionamentos sérios, que envolvam abnegação e sacrifício mútuo. A premissa básica destas pessoas é que sem relacionamentos, o que impera é a liberdade plena.

Segundo Tim Keller, em seu livro “O Significado do Casamento”, esta visão é fruto de uma mudança de paradigma no que diz respeito aos conceitos de casamento e família, que antes eram vistos como um dever, um compromisso a ser alcançados pelos homens que desejam se desenvolver como tais, mas que hoje é visto como um empecilho desnecessário aos novos alvos da sociedade pós-moderna: o prazer sem restrições e uma busca egoísta por autoafirmação e satisfação, conduzido a uma espécie de consumismo nos relacionamentos e uma a eterna adolescência.

 De fato, o casamento, e o namoro e noivado como relacionamentos que o prenunciam, exigem comprometimento e renúncia, palavras abominadas pelas pessoas de nossa sociedade. No entanto esta concepção de "solteirice", como uma fase da vida absolutamente livre, não tem o mínimo respaldo bíblico, pois o cristão é comissionado ao serviço, e isto irá acontecer indecentemente de status no facebook. A bem da verdade, todo cristão é um escravo:

Pois aquele que, sendo escravo, foi chamado pelo Senhor, é liberto e pertence ao Senhor; semelhantemente, aquele que era livre quando foi chamado, é escravo de Cristo.

1 Coríntios 7:22

Este mesmo princípio é reafirmado em diversas outras passagens, e inclusive colocada por Paulo explicitamente em Gálatas, quando ela nos intima a sermos servos uns dos outros (Gálatas 5:13). E esta é a grande verdade a ser compreendida: sempre seremos servos, por amor a Cristo. No casamento, esta sujeição mútua, conforme Efésios, se revela na submissão da esposa, no amor sacrificial do marido, e também na obediência dos filhos e na responsabilidade dos pais. Mas ainda que algum cristão não esteja vinculado a família alguma, ele está unido a outros irmãos pelos vínculos da cruz e assim também deve servir a esta família na fé.

Um jovem sente-se tentando a não se envolver com um alguém do sexo oposto, pois despreza a noção que terá de aprender sacrificar suas vontades em benefício de outro? Isso não é exclusividade de maridos, pois João se dirige a todos nós quando afirma: “Nisto conhecemos o amor, em que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar a nossa vida pelos irmãos” (I Jo 3:16). De igual modo pode uma jovem sentir-se inclinada a fugir de relacionamentos em virtude de uma resistência a qualquer noção de submissão que limite sua liberdade, mas não se apercebe que todos nós recebemos a seguinte limitação: “Ninguém busque o seu próprio interesse; e, sim, o de outrem” (I Co 10:24).

Um cristão solteiro não pode jamais fugir de relacionamentos por causa de uma resistência em se sujeitar-se e sacrificar-se por outros, pois somos escravos de Cristo e uns dos outros. Os mandamentos para a família não são estranhos a nós, mas, na verdade, são apenas o mesmo princípio posto para todos, só que em uma intensidade muito maior, proporcional ao compromisso firmado na família da aliança. Aliás, Paulo, escrevendo aos coríntios, advoga inclusive que os que tem o dom, continuem solteiros e assim sirvam com ainda mais afinco causa de Cristo. Assim sendo, fica claro que a solteirice não implica em menos abnegação, pelo contrário, significa maiores possiblidade de serviço e entrega. 

Rejeite a noção mundana de liberdade. Ela só ecoa a antiga tentação da serpente. Sirva sempre, seja como solteiro ou casado. Somos todos escravos de um mesmo Senhor.

Rodrigo Ribeiro

sábado, 17 de maio de 2014

O Conceito Bíblico de Casamento é Fruto de um Cultura Obsoleta e Retrógrada, e por isso não se Aplica à nossa Realidade Social? Com a Palavra, Tim Keller.


Aquilo que a Bíblia ensina sobre casamento não reflete meramente o ponto de vista de uma cultura ou de uma época. Os ensinamentos das Escrituras desafiam a narrativa da nossa cultura ocidental contemporânea da liberdade individual como único caminho para a felicidade. Ao mesmo tempo, confrontam o modo de as culturas tradicionais verem os solteiros como seres humanos incompletos. O livro de Gênesis analisa de modo radicalmente crítico a instituição da poligamia, embora fosse uma prática cultural aceita na época, ao pintar um retrato vívido das desgraças e desintegrações que ela provoca nos relacionamentos familiares, e a dor que ela causa, principalmente para as mulheres. Os autores dos livros do Novo Testamento causaram espanto no mundo pagão ao exaltar a condição duradoura de solteiro como moda de vida legítimo. Em outras palavras, os ensinamentos dos escritores bíblicos desafiavam constantemente suas próprias crenças culturais, e portanto, não eram produtos de meras tradições e prática antigas. Logo, não podemos descartar a visão bíblica como um conceito unidimensionalmente retrógrado  ou culturalmente obsoleto. Pelo contrário, é repleto de ideias e soluções práticas e realistas, bem como de promessas maravilhosas sobre o casamento. E tudo isso é apresentado não apenas na forma de proposições claras, mas também de narrativas vívidas e poesias comoventes. A menos que você consiga olhar para o casamento através das lentes das Escrituras, e não de seus próprios medos ou de seu romantismo, de suas experiências pessoais ou da perspectiva limitada de sua cultura, não será capaz de tomar decisões inteligentes a respeito de seu futuro conjugal.

FONTE: O Significado do Casamento. Timothy Keller e Kathy Keller, tradução de Suzana Klassen. Edições Vida Nova, 2012. Páginas 20 a 22.

Rodrigo Ribeiro

sábado, 12 de abril de 2014

O que uma Esposa Espera de seu Marido? Com a Palavra Wanda Assumpção

Desde que Eva foi criada, muita coisa tem mudado na vida das mulheres, mas as coisas mais importantes, aquelas que nos trazem felicidade e realização, permanecem inalteradas por fazerem parte da essência da nossa feminilidade.
Ainda hoje, a esposa precisa que seu marido lhe dê três coisas que satisfarão as necessidades básicas do seu coração: segurança, liberdade e honra. E as três derivam do conceito do amor agape, o amor doador, sacrificial com que o marido é ordenado a amar sua esposa (Ef. 5:25).
O amor do marido traz segurança à esposa
É o amor que toma a iniciativa e o homem foi especialmente capacitado por Deus para ser o iniciador, o que busca, que corteja, que conquista, o que já faz parte da sua natureza. A mulher que é assim conquistada sente-se segura na sua feminilidade, na sua natureza mais responsiva.
O marido amoroso não apenas conquista o amor da esposa mas o alimenta através de atos carinhosos, como dar a mão a ela quando estão juntos; de palavras amorosas e elogiosas, pois sabe que a mulher é atraída pelo que ouve; de pequenos gestos e sacrifícios que para ele talvez nem façam muito sentido, como dar um presentinho, um ramalhete de flores, assistir a um filme romântico com ela ou planejar algum momento especial só para os dois; de respeito pela pessoa feminina que ela é, por sua maneira diferente de pensar e de se expressar.
O marido que trata a esposa como rainha terá uma rainha por esposa.
O amor do marido liberta a esposa
O amor doador nunca cerceia, antes visa a libertação da pessoa amada para ser tudo o que Deus a fez para ser. Ele não quer transformar a outra à sua própria imagem, mas se regozija na sua singularidade e beleza. “O amor edifica” (1 Cor. 8:1b), ajuda a esposa a crescer, a amadurecer, a revelar-se na sua essência. Reconhece seus dons particulares e encoraja-a a desenvolvê-los, provendo os meios para que ela possa fazê-lo, mesmo que isso envolva sacrifício pessoal. Ele não compele nem força, antes apoia, estende a mão, colabora.
O amor do marido honra a esposa
O amor do marido é como um manto sobre os ombros da esposa, símbolo de sua proteção e cuidado. Debaixo dele, ela sente-se valorizada, importante, respeitada por ser quem é, como é. Não precisa temer sua própria fragilidade nem o passar dos anos e a chegada das rugas e dos cabelos brancos, pois sabe que o marido vê nela a beleza que nunca diminui nem acaba mas que se renova e viceja a cada nova fase da vida.
O marido que ama a esposa como Cristo amou a igreja procura o aperfeiçoamento, o crescimento, o amadurecimento e a restauração da pessoa que sua esposa foi criada para ser, o que redundará em felicidade e gozo para ele próprio. Esse é o mistério do amor no relacionamento conjugal. Simbolizado pela redondeza contínua das alianças de ouro, ele dá início a um processo infindo de doação que conduz ao paradoxo de que é dando que se recebe, é doando a si mesmo que se cresce, é libertando que se liberta.

Fonte: Monergismo
http://www.monergismo.com/textos/familia_casamento/esposa_espera_esposo_wanda.htm

Rodrigo Ribeiro

terça-feira, 1 de abril de 2014

Criando Filhos para Morrer

Eis que os filhos são herança do Senhor, e o fruto do ventre o seu galardão.
Salmos 127:3

Os valores do mundo tem uma tendência inequívoca de se distanciar dos parâmetros bíblicos, e isto é um fato até mesmo esperado pois trata-se de um conflito de reinos e de cosmovisões diferentes. Alarmante mesmo é quando a própria igreja, povo de Deus comprado por um alto preço, deixa enveredar-se por caminhos que são sábios aos seus próprios olhos, ignorando os princípios eternos e imutáveis da palavra de Deus. Lamentavelmente isto tem ocorrido com bastante frequência, e, como de costume, a família é um alvo sempre almejado pelo mundanismo, principalmente a criação dos filhos.

Tendo como ponto de partida a reflexão presente no Salmo 127:3, já é possível verificar a flagrante inconsistência dos cristãos que não desejam ter filhos. Quem em sã consciência rejeitaria uma herança preciosa dada por um pai amoroso? Assim são os filhos, e aqueles que pensam como o mundo, colocando seu corpo, sua carreira, e suas finanças como prioridades de suas vidas, evitando filhos por vê-los como empecilhos aos seus projetos pessoais, demostram grande ingratidão contra Deus. Esta passagem é clara nesse sentido.

No entanto, o objetivo do texto vai além disto, e alcança até mesmo aqueles que aceitam esta bendita herança, mas não compreendem que o herdado deverá levar para sempre o nome e a memória daquele que concedeu os bens. Os filhos são herança de Deus e como tal devem levar adiante o legado e a honra daquele que nos presentou com tamanha dádiva. Não foram nos dados para nosso bel prazer e satisfação de carências afetivas. Também não estão sob nossa guarda para que possamos oferecer-lhes benesses matérias sem fim, numa plena e completa overdose de proteção e alegria irresponsável e mimada. Nós devemos esmerar-se para que honrem o legado do Senhor, ainda que isso custe suas vidas, reputações e bem estar. Filhos santos são o galardão do ventre de uma mãe santa!

Devemos refletir com sinceridade: Qual seria a nossa maior alegria como pais?

Ter um filho que teve uma vida gloriosa e próspera aos olhos do mundo, ou ter um filho que se mostrou sempre fiel à Deus ainda que isto lhe custasse caro, talvez até mesmo a vida? Nosso desejo é cevá-los com diversos cuidados e benefícios, sempre na meta de que eles devem ter tudo que não tivermos, ou nosso alvo é instrui-los ao crescimento, afastando-os das conquistas fáceis e sem luta, e dos alvos superficiais de uma sociedade consumista e materialista? Queremos filhos que sejam servidos ou que sirvam ao Senhor e ao próximo?

Vejamos o relato do Anjo que anunciou o nascimento de Zacarias e miremo-nos nos seu exemplo: 
Mas o anjo lhe disse: "Não tenha medo, Zacarias; sua oração foi ouvida. Isabel, sua mulher, lhe dará um filho, e você lhe dará o nome de João.
Ele será motivo de prazer e de alegria para você, e muitos se alegrarão por causa do nascimento dele,
pois será grande aos olhos do Senhor.
Lucas 1:13-15

O prazer de Zacarias tinha nome: João Batista. E este seria um mártir da fé. Não lhe aguardava um futuro fácil, um emprego estável, um concurso federal. Ele não seria aprovado numa faculdade de renome, tão pouco se casaria com uma bela e vistosa jovem de sua vizinhança. Por mais que essas coisas sejam legítimas, este não era o caminho proposto por Deus para João.

Mas nem por isso percebemos pesar em seu pai. A profecia diz exatamente o contrário: ele seria sua alegria. Como homem piedoso e temente, Zacarias tinha como satisfação perceber que o seu filho seria fiel a Deus e cumpriria a vontade do Pai Eterno. As outras coisas são secundárias diante de um futuro tão glorioso. Ele sabia o que era de fato importante, não se deixou levar-se pelas coisas lícitas, mas que podem nos afastar do caminho que glorifica ao Senhor quando entronizados como ídolos do coração. A morte de João pelo evangelho, em que pese a tristeza do luto, produzia a certeza da grande dádiva recebida por aquele pai tão temente ao Senhor. Morrer por Cristo é um privilégio dado a poucos. Teríamos nós esse mesmo sentimento?

É preciso criar filhos que desejem viver menos para si mesmos, e que anelem cada vez mais morrer pelo evangelho. E esse é o grande desafio. Pois nosso coração pode facilmente idolatrar casamento, emprego e tantas outras coisas. Não podemos priorizar as dádivas e esquecer do Deus doador. Honrá-lo, como herança sua, deve ser a prioridade em nossas vidas e nas vidas dos nossos filhos. Esse é o testemunho de Cristo para nós e para nossa futura ou atual descendência:

E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me.
Porque, qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida, a salvará.
Porque, que aproveita ao homem granjear o mundo todo, perdendo-se ou prejudicando-se a si mesmo?

Que este seja nosso desejo como pais, tanto aqueles que já são como os que serão. Aos que já tem filhos, sempre há tempo para corrigir posturas, e ensiná-los a amar a Deus mais do que o presente século e seu conforto temporal. Para os outros, nos quais me inclui, que ainda não receberam esta dádiva, que tenhamos desde já a sabedoria e o temor para prepará-los desde os primeiros passos à seguir o caminhos da cruz, pois assim um dia estaremos com eles e o nosso Cristo desfrutando de sua presença gloriosa na eternidade. Não há desejo mais belo do que esse na face da terra, por isso precisamos de pais com essa disposição santa, contrariando o mundo com os olhos no eterno.

Rodrigo Ribeiro

sexta-feira, 14 de março de 2014

Por Que um Deus Triúno Criaria o Mundo? Com a Palavra, Tim Keller

O Pai, o Filho e o Espírito caracterizam-se em sua essência por um amor que se doa pelo outro. [...] Se este mundo foi criado por um Deus triúno, relacionamentos de amor são a essência da vida.

Veja bem, diferentes visões de Deus trazem implicações diferentes. Se Deus não existe – se estamos aqui por mero acaso, estritamente em consequência da seleção natural -  então, o que eu e você chamamos de amor não passa de uma reação química do cérebro. Os biólogos evolucionistas dizem que não há em nós nada que não esteja lá por ter ajudado nossos ancestrais a passar adiante com maior êxito nosso código genético. Se você sente amor, isso se dá apenas pelo fato de essa combinação de fatores químicos capacitar a sua sobrevivência a levar as partes do corpo para os ocais que eles precisam estar para transmitir seu código genético. Isto é tudo que é o amor: pura química. Por outro lado, se Deus existe, mas é unipessoal, houve um tempo em que Deus não era amor. Antes que ele criasse o mundo, quando havia apenas ama pessoa divina, não havia a quem amar, pois o amor só pode existir em um relacionamento. Se um Deus unipessoal tivesse criado o mundo e os que nele habitam, tal Deus em essência não seria amor. Seria poder e grandeza, possivelmente, mas não amor. No entanto, se por toda a eternidade, sem que tenha havido inicio ou fim, a realidade suprema é uma comunhão de pessoas que conhecem e amam umas às outras, então a realidade suprema tem a ver com relacionamentos de amor.

Por que um Deus triúno criaria o mundo? Se ele fosse um Deus unipessoal, você poderia dizer: “Bem, ele criou o mundo para que tivesse seres que o amassem e o adorassem, que lhe trouxessem alegria.”. Mas o Deus triúno já tinha tudo isso – e em si mesmo recebia amor de uma forma muito mais pura e poderosa do que os seres humanos poderiam lhe dar. Então, por que iria nos criar? Há somente uma resposta. Ele deve ter nos criado não para receber alegria, mas para dar. Ele deve ter-nos criado para nos convidar a entrar na dança, para dizer: Se você me glorificar, se centralizar a sua vida em torno de mim, apreciar minha beleza por aquilo que sou em mim mesmo, então você entrará na dança, que é o motivo pela qual você foi criado. [...] Você é feito para entrar na dança divina com a Trindidade.



KELLER, Timothy. Capitulo 1: A Dança. In: A Cruz do Rei: a história do mundo na vida de Jesus, tradução de Maria K. A. de Siqueira Lopes. São Paulo, SP: Sociedade Religiosa Edições Vida Nova, 2012.
Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Qual a Natureza do Primeiro Pecado? Com a Palavra, Franklin Ferreira

É essencial entender corretamente a natureza do primeiro pecado. Muitos cristãos têm a ideia errônea de que a questão em jogo era se o ser humano tomaria ou não do fruto da árvore proibida. Em outras palavras, a questão era apenas a de obedecer ou não a um mandamento específico de Deus. Então, sob essa perspectiva, a solução do pecado é entendida como uma questão ligada à obediência. Tal maneira de pensar propõe que a essência do discipulado, da santificação e da vida cristã consiste em obedecer às leis de Deus. O resultado é o legalismo, ou algo até pior, a noção de salvação por meio das obras. Mas tal pensamento não entende o ponto principal da questão. (...) Na verdade, ele implica uma mudança radical na cosmovisão do homem. (...) Adão e Eva enfrentaram uma escolha clara. Acreditariam na palavra de Deus, que representava para eles a própria autoridade de Deus? Ou elevariam sua própria razão acima da palavra de Deus, a fim de avaliá-la e decidir por si mesmos se seria a verdade ou não? Quem seria a autoridade final, Deus ou homem?

FERREIRA, F. Teologia Sistemática. p. 452. São Paulo: Vida Nova, 2007. 

Intercâmbio feito por Rodrigo Ribeiro

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Bendito O Deus que não Atende Todas as Nossas Orações!

Deus é onisciente. Este é um de seus mais conhecidos atributos. No entanto este conhecimento é muitas vezes superficial e inadequado, ou no mínimo, não traz como reflexo nenhuma aplicação prática para nossa fé. Compreender este importante atributo é um recurso indispensável para todos aqueles que necessitam descansar seus corações na sabedoria inefável do Poderoso Deus. Se formos conscientes de nosso estado, todos serão unanimes em reconhecer que esta necessidade é geral, e alcança cada um de nós.

A onisciência de Deus não significa somente que ele sabe de todas as coisas, mas também que ele sempre escolhe os melhores caminhos nos momentos mais oportunos possíveis. É um atributo que nos revela uma sabedoria perfeita, inalcançável. Deus faz tudo da melhor forma possível. Ele controla de modo esplendoroso todos os meios assim como o fim de todas as coisas. Ele o faz com absoluta maestria, ainda que tais caminhos sejam absurdos por diversas vezes aos nossos frágeis olhos carnais.

Mas este atributo não é comunicado a nós, ou seja, nós não somos oniscientes. Sendo assim Ele não seria bondoso para conosco se SEMPRE atendesse os nossos pedidos, que muitas vezes nos fariam mal no fim das contas. As teologias que colocam o poder nas palavras dos homens, vindicando para si o direito de emitir decretos nos quais Deus torna-se um mero agente de suas "sábias" decisões, são heresias que não compreendem nem a infinita sabedoria de Deus, e tão pouco reconhecem as imensas limitações do intelecto humano.

Mas tenho uma excelente notícia: Ele é bom! Tão bom que nós diz não!

Veja o exemplo dos discípulos:

Então, aproximou-se de Jesus a mãe dos filhos de Zebedeu com seus filhos e, prostrando-se, fez-lhe um pedido.

"O que você quer? ", perguntou ele. Ela respondeu: "Declara que no teu Reino estes meus dois filhos se assentarão um à tua direita e o outro à tua esquerda".
Disse-lhes Jesus: "Vocês não sabem o que estão pedindo. Podem vocês beber o cálice que eu vou beber? " "Podemos", responderam eles. (Mateus 20:20-22)

Eles queriam beber do cálice de Cristo. Ficar ao seu lado quando fosse erguido. Pensavam que isto significaria glória em Israel, reinando com Ele. Mas isto na verdade significa: Cruz, morte e humilhação. Aqueles posições seriam ocupados por dois ladrões crucificados co, Cristo. Jesus sabia o quão terrível seria o seu destino, ainda que os discípulos não o compreendessem, e por isso foi compassivo com eles, negando suas tolas pretensões. Eles não sabiam o que pediam, mas o mestre sempre soube o que lhes daria.

Em outra narrativa bíblica, percebemos Pedro em uma petição ainda mais nociva, mas que detinha uma aparência de extrema piedade. Obviamente esse pedido partiu de uma compreensão equivocada do discípulo, apesar de sua ótima intenção de preservar seu mestre tão amado, mas se fosse atendido teria consequências irreparáveis:

Desde então começou Jesus a mostrar aos seus discípulos que convinha ir a Jerusalém, e padecer muitas coisas dos anciãos, e dos principais dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia.
E Pedro, tomando-o de parte, começou a repreendê-lo, dizendo: Senhor, tem compaixão de ti; de modo nenhum te acontecerá isso.


No entanto, como o decorrer do texto demostra, Jesus o repreendeu severamente. Ainda que seu pedido fosse compreensivo diante do carinho que tinha por Cristo, as consequências daquilo seriam terríveis. Se Jesus fosse poupado, Pedro não teria salvação. Todos nós estaríamos no inferno! Os nossos pedidos mais sinceros, por causa das inclinações de nosso coração, podem nos levar a caminhos de morte. Foi isto que ocorrera com Pedro.

GLÓRIA A DEUS, POIS ELE NOS DIZ NÃO!

Não sabemos o que pedimos, mas devemos saber a quem pedimos. Ele é totalmente digno de confiança! E é por saber que ele nos dirá não quando o nosso pedido for nossa armadilha, é que podemos abrir nossos lábios e corações para clamar a Ele com todas as nossas forças. Nosso Deus é tão bom que nos diz não. E há mais amor nesses desejos negados, no que numa prece atendida com consequências negativas inimagináveis.

Clamemos aquele que sempre cumpre sua vontade perfeita! Ele sabe escutar nossas orações e adequá-las ao seu plano soberano e imutável!

Rodrigo Ribeiro
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