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quinta-feira, 17 de julho de 2014

Israel, a Palestina e os Cristãos

Nos últimos dias a mídia internacional tem sido inundada de notícias sobre o conflito Israel-Palestina, uma vez que esse tem sido o maior acirramento do conflito desde 2009. As imagens são chocantes, mísseis israelenses invadindo a Faixa de Gaza e gerando inúmeras vítimas civis, sobretudo crianças e mulheres. Daí não falta posts nas redes sociais escritos por cristãos que ou defendem Israel por crerem que esse ainda é o povo de Deus ou aqueles que embora tenham uma teologia correta com relação aos judeus, movidos por boas intenções, creio eu, assumem a posição do lobby pro-Palestina e acusam Israel de ser a praticamente a única manifestação da depravação humana na terra. Tudo isso me entristece profundamente, pois era contra essa ignorância com relação aos judeus que Paulo adverte a Igreja de Roma (Rm 11.25).

Em primeiro lugar é necessário esclarecermos que o atual Estado de Israel não é o cumprimento de profecias bíblicas, mas que foi criado mediante a soberania de Deus sobre a História a fim de cumprir os Seus próprios propósitos, uma vez que Deus é soberano e rege as nações (Sl 2). Isso, portanto, não significa que os cristãos devem apoiar o Estado judeu em todas as suas políticas e ações. Ao contrário, significa que nós como cristãos devemos ver o Estado de Israel como um Estado secular e pecador igual a qualquer outro, reconhecendo os seus erros e combatendo-os, principalmente as suas práticas abusivas que são implantadas contra os palestinos, as quais violam diretamente os seus direitos humanos e vão contra as atribuições estabelecidas por Deus para os Estados (Rm 13).

Um segundo esclarecimento necessário diz respeito à natureza do verdadeiro povo de Deus hoje em dia. Os judeus que hoje existem não são mais o povo de Deus, uma vez que na Nova Aliança através do sacrifício de Jesus na cruz a salvação se estende a todos os povos, de todas as etnias e nações (Is 19.23-25, Mt 28.19, At 2.11, Ap 5. 8-10). Isso pode ser visto claramente no que Paulo diz aos Gálatas, ao afirmar que os verdadeiros filhos de Abraão não são apenas os judeus, mas os eleitos de todas as nações (Gl 3.6-8). Isso significa que o verdadeiro povo de Deus hoje é formado não apenas por judeus, mas também por alemães, palestinos e árabes! Ainda hoje há judeus que se convertem ao Cristianismo ao reconhecer Yeshua (Jesus) como o messias e esses sim é que passam a ser o povo de Deus, mas não os outros judeus que rejeitam a Jesus, como é a grande maioria dos judeus que compõem o atual Estado de Israel.

Tudo isso me faz crer que se o povo de Deus é formado tanto por judeus quanto palestinos, no atual conflito não devemos ficar nem do lado de Israel tão somente, nem do lado dos palestinos como se eles fossem as únicas vítimas da História. Devemos levar em consideração os princípios bíblicos de justiça e ter em mente que no atual conflito, ambas as partes são injustas e cometem atrocidades mútuas, violando assim a Lei de Deus. Isso não significa, contudo, que devamos ser imparciais, até porque isso é impossível, mas sim que devemos ficar ao lado da Igreja, o povo de Deus e para isso precisamos saber onde eles estão e como tudo isso os afeta.

Infelizmente embora seja o berço do Cristianismo, a atual “Terra Santa” é um dos lugares onde há menos cristãos. Os números são bastante inexatos, mas crê-se que apenas 2% de toda a população de Israel e dos territórios palestinos ocupados (Faixa de Gaza e Cisjordânia) sejam cristãos. Isso se dá devido a dois fatores: conflitos na região e perseguição religiosa. A criação do Estado de Israel em 1948 e os conflitos que o seguiram geraram uma grande onda de refugiados palestinos, entre os quais estavam em sua maioria cristãos, fazendo com que a sua presença na região diminuísse significativamente já a partir daí.

A situação, porém, piorou ainda mais após a Segunda Intifada palestina quando a Autoridade Palestina passou a administrar a Cisjordânia e o Hamas a Faixa de Gaza, o que ocasionou o surgimento da perseguição aos cristãos palestinos, os quais passaram a ser identificados diretamente como aliados ao governo israelense e por isso perseguidos. Tal perseguição advém da própria sociedade palestina, majoritariamente muçulmana, mas é de certo modo legitimada pelos governos da Autoridade Palestina e do Hamas. Os abusos sofridos pelos cristãos na região são vários: há conversões forçadas ao Islã, mulheres cristãs sofrem violência por não usarem o véu islâmico, igrejas são bombardeadas e alguns líderes da igreja até mesmo assassinados. Não é à toa que segundo a Missão Portas Abertas, os territórios palestinos são o 34° lugar em uma escala de 50 em que os cristãos mais sofrem perseguição.

Tanto o Hamas quanto a Autoridade Palestina possuem claramente uma agenda islâmica anti-cristã e isso por si só já seria um grande motivo para os cristãos não os apoiá-lo. Mas por outro lado, e quanto a Israel? Israel é a única democracia do Oriente Médio e teoricamente o Estado assegura o direito de liberdade dos cristãos. Lá também é o único lugar do Oriente Médio em que a população cristã ao invés de diminuir tem crescido. Mas isso não significa que os cristãos não são perseguidos em Israel. Lá a perseguição existe sim e é impetrada por grupos de judeus radicais, os quais tem assento no Parlamento israelense e até criaram uma lei que proíbe a pregação do Evangelho em lugares públicos, como em ônibus. Além disso, também há perseguição por parte de setores mais extremistas da sociedade judaica que não aceita que judeus se convertam ao Cristianismo e persegue a pequena, porém crescente, comunidade de judeus messiânicos, os judeus cristãos. Ao mesmo tempo, o governo israelense também dificulta a migração de judeus messiânicos para Israel.

Tudo isso mostra que tanto em Israel quando na Palestina os cristãos sofrem e que ambos os lados cometem graves erros. Isso porque analisei apenas a questão da liberdade religiosa. No atual conflito entre Israel e o Hamas, por exemplo, é verdade que as bombas lançadas por Israel são proibidas pelas convenções internacionais devido aos danos que podem causar em seres humanos, sendo considerado um crime. Mas por outro lado, e quanto aos civis palestinos que são utilizados pelo Hamas como escudos humanos para se defender dos taques israelenses? Assim, qual deve ser a posição de um cristão diante disso tudo? Creio que Paulo nos diz em Romanos 11.25-27:

Irmãos, não quero que ignorem este mistério, para que não se tornem presunçosos: Israel experimentou um endurecimento em parte, até que chegasse a plenitude dos gentios. E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: "Virá de Sião o redentor que desviará de Jacó a impiedade. E esta é a minha aliança com eles quando eu remover os seus pecados".

            Paulo ao escrever aos Romanos os advertiu sobre a sua ignorância e presunção frente aos judeus. Provavelmente estava surgindo na Igreja alguma espécie de anti-semitismo. Talvez pelo fato de que ainda estivesse muito vívida a imagem de que foram os judeus quem mataram Jesus, o que sabemos ter sido apenas uma expressão da vontade de Deus, pois quem matou Jesus foi o próprio Deus. O fato é que infelizmente ao longo da História a Igreja tem sido ignorante com relação aos judeus e tem sido uma das maiores fontes de anti-semitismo. Vemos isso durante o período da Inquisição da Igreja Católica e até mesmo nos escritos de Lutero, o pai da Reforma que tanto admiramos e por quem somos tão gratos a Deus. Lutero, apesar de ter sido um homem muito piedoso e temente a Deus, era falho. Ele não compreendeu o mistério de Israel do qual Paulo fala em Romanos 11 e segundo alguns historiadores foi quem lançou as bases do anti-semitismo de Hitler. Essa mesma onda de anti-semitismo tem voltado a afetar a Igreja de Cristo nos dias atuais, mas com um novo nome: anti-sionismo!

Muitos cristãos fiéis, por crerem nos pressupostos aqui assumidos no início do texto sobre os judeus e ao verem os erros que o atual Estado de Israel tem cometido contra os palestinos acabam assumindo lobby pro-Palestino, o qual não quer simplesmente o fim da ocupação israelense e justiça para os palestinos, mas sim a destruição do Estado de Israel. Soma-se a isso um grande aumento em escala global do extremismo islâmico, que tem como principais alvos cristãos e judeus. Ou seja, se o Estado de Israel deixar de existir hoje, veremos um banho de sangue judeu maior do que o Holocausto. Um vislumbre que podemos ter disso é a perseguição aos cristãos em contextos islâmicos.

Devemos sim, como cristãos lutar por justiça para os palestinos e criticar determinadas ações do Estado judeu, mas não sermos anti-semitas. Digo isso, porque logo alertar a Igreja a não ser arrogante quanto aos judeus, Paulo revela o “mistério de Israel” que consiste no fato de que os judeus serão reconciliados por Deus após a plenitude dos gentios se completar. Isso significa que após o Evangelho do Reino ser pregado a todos os povos (Mt 24.12), haverá um avivamento entre os judeus e um grande número deles será salvo, completando assim o número de eleitos e preparando o caminho para a volta de Cristo. Entretanto, vale salientar que para que a plenitude dos gentios se complete eleitos de todas as nações devem ter ouvido a pregação do Evangelho.

Hoje os povos menos alcançados pelo Evangelho são exatamente aqueles que mais odeiam os judeus: são as diversas etnias árabes e os povos do Oriente Médio que professam o Islã. Os palestinos mesmo são considerados um povo não alcançado pelo Evangelho. O Islã é a última fronteira missionária para o Cristianismo e o Evangelho tem que voltar à Jerusalém, completando assim a plenitude dos gentios para que haja o avivamento entre os judeus e assim a paz seja estabelecida no Oriente Médio. Ou seja, Jesus, o Príncipe da Paz e o Seu Evangelho são a solução para o conflito entre árabes e judeus. O que os dois povos precisam é o Evangelho!

Paulo fala que a conversão dos gentios levará os judeus ao ciúme e assim eles serão novamente enxertados na oliveira, que é Jesus. Por isso, o papel de um cristão diante do conflito Israel-Palestina é orar para que o Evangelho seja pregado entre os árabes. Orar por um avivamento na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. Um cristão de verdade deve amar os palestinos, pois assim estará também amando aos judeus e a Cristo. É por isso que como cristãos devemos tomar o lado da Igreja. Devemos fortalecer a Igreja nos territórios palestinos e em Israel. Devemos nos levantar contras as injustiças cometidas em ambos os lados. Mas acima de tudo devemos pregar o Evangelho a eles. A salvação dos judeus passa pela salvação dos palestinos. A paz na Faixa de Gaza é a paz em Israel e vice-versa.

Uma das coisas que tem me incomodado é perceber como no Oriente Médio muitos vêem no Islã a solução para o conflito e não temem divulgar isso. Aqui no Ocidente, sobretudo na academia, crer-se que ideologias humanistas como o Marxismo é que fará isso. Mas se realmente somos cristãos e cremos que a Bíblia é a palavra de Deus, veremos que é o Evangelho é que é a solução para todos os problemas. Por que, então, tememos afirmar isso?

É por isso que oro a Deus para que os cristãos da minha geração não ignorem o mistério de Israel. Que não cometamos os erros que a Igreja cometeu no passado com relação aos judeus. Que amemos os judeus, mas também amemos os palestinos. Que nos lembremos que a maior injustiça social é a falta de pregação fiel do Evangelho e a maior ocupação é a ocupação espiritual por sofismas e falsas ideologias que se opõem a Cristo. Que uma das nossas demonstrações de amor por Cristo seja amar os judeus e consequentemente os palestinos.

Igor Sabino

Graduando em Relações Internacionais pela UEPB
Facebook: https://www.facebook.com/igorhsabino

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Em que Crê um Cristão Reformado?

Muitos irmãos em Cristo devem ter percebido que me identifico sempre como um "cristão reformado", apesar de, logicamente, ser um evangélico. Talvez alguns já indagaram a si próprios sobre o que significa essa expressão, porém nunca tiveram coragem de perguntar. Escrevo este artigo com o objetivo de satisfazer a curiosidade de todos aqueles que ficam com um nó na cabeça sempre que ouvem ou lêem essa expressão de minha parte.

Um cristão reformado é alguém que crê na doutrina bíblica conforme expressa pela Teologia Reformada, elaborada no tempo da Reforma Protestante. Como já foi dito anteriormente, a Reforma foi o maior avivamento da história da igreja, tendo como marco inicial a publicação das 95 Teses contra a venda de indulgências, por Martinho Lutero, em 31 de outubro de 1517. Depois de Lutero surgiram muitos outros reformadores, entre eles João Calvino. Enquanto Lutero foi o responsável pela recuperação da doutrina da justificação pela fé, Calvino recuperou a doutrina da soberania de Deus. E foi sobre essas doutrinas que se construiu a chamada Teologia Reformada, que nada mais é do que uma sistematização da doutrina bíblica.

Para que a Teologia Reformada fique mais clara a todos, gostaria de fazer uma breve confissão de fé sobre o que creio como cristão reformado. Não tenho a pretensão de ser exaustivo nesta confissão, pois para isso já existem as confissões de fé históricas. Desejo apenas apresentar a fé reformada de forma resumida para aqueles que ainda não a conhecem.

Em primeiro lugar, creio como reformado que a Bíblia deve ser interpretada seguindo o modelo histórico-gramatical. Isto significa que, por ser um livro inspirado pelo Espírito Santo (II Tm.3.16), a Bíblia deve ser interpretada em espírito de oração e na total dependência do Espírito, que ilumina nossa mente para que possamos compreender seu verdadeiro significado (I Co.2.10-16). Porém, como a Bíblia também é um livro humano, no sentido de que foi escrita por seres humanos usados por Deus (II Pe.1.21), devemos interpretá-la usando regras de interpretação, a que damos o nome de Hermenêutica Bíblica. Essa interpretação é histórico-gramatical porque deve levar em consideração o contexto histórico em que a passagem analisada foi escrita (autor, destinarários, etc) e também o contexto gramatical no qual está inserida (tipo de literatura, versículos anteriores e posteriores, etc).

Neste ponto discordo dos neo-pentecostais, que muitas vezes interpretam a Bíblia alegoricamente, atribuindo um significado simbólico ou espiritual diferente do significado pretendido pelo escritor original do texto. Também discordo dos dispensacionalistas que, sob o pretexto de interpretarem a Bíblia literalmente, acabam pegando as passagens em seu sentido literal mesmo em escritos poéticos e proféticos, cheios de símbolos e figuras, chegando a interpretações precipitadas sobre o texto bíblico.

Em segundo lugar, creio como reformado na justificação pela fé. A justificação é um ato legal, no qual Deus declara que o pecador é justo (Rm.3.22-26; 4.5), não por alguma obediência ou boa obra dele próprio (Ef.2.8), nem por algo operado nele pelo próprio Deus, mas somente por causa da obediência perfeita de Cristo à lei (Rm.5.18-19). Essa justificação é composta de dois processos: o negativo, que consiste no perdão de pecados (Rm.4.6-8), e o positivo, que consiste na imputação da justiça de Cristo (II Co.5.21). O pecador é justificado somente pela fé (Rm.3.28).

Neste ponto discordo de diversas visões sobre a justificação pela fé. Discordo dos católicos, que crêem que a justificação é uma mudança moral do pecador, uma infusão de justiça (e não imputação), confundindo justificação com santificação, e fazendo, assim, com que ela dependa não apenas da fé, mas também das boas obras (Rm.4.1-5). Discordo de muitos dispensacionalistas, que freqüentemente negam que a justificação consista também da imputação da justiça de Cristo, fazendo ela consistir apenas em perdão de pecados, e considerando a fé como sendo, ela própria, a justiça que vem de Deus. Discordo também daqueles que ensinam que no Antigo Testamento a justificação era pela obediência à lei, pois as Escrituras são muito claras em afirmar que o homem nunca foi justificado pela lei (Rm.3.20), e a fé sempre foi a condição para justificação, mesmo no Antigo Testamento (Rm.4.3).

Em terceiro lugar, creio como reformado na soberania de Deus. Por soberania de Deus deseja-se mostrar o controle absoluto de Deus sobre toda Sua criação (Mt.6.26; 10.29), e todos os acontecimentos passados, presentes e futuros, sendo Ele o Senhor da história (Dn.4.35). Deus não é somente o Criador, é também o Preservador do Universo, sustentando todas as coisas pela Palavra do Seu poder (Hb.1.3). Ele é quem determina tudo o que acontece, Sua vontade é totalmente soberana (Is.46.10), inclusive sobre nossas vontades (Fp.2.13). Logo, não existe, como muitos dizem, um livre-arbítrio. Existe sim uma liberdade e responsabilidade humana, mas que é limitada pela vontade soberana de Deus.

Nisto discordo de diversos ramos cristãos, em diversos aspectos. Discordo daqueles que crêem que a oração pode mudar a vontade de Deus, fazendo orações "determinatórias", pois em Deus não há mudança, nem sombra de variação (Tg.1.17); nossas orações são respondidas quando feitas segundo Sua vontade (Mt.6.10; I Jo.5.14) e mudam apenas acontecimentos. Discordo daqueles que pensam que certas coisas acontecem fora do controle de Deus, como catástrofes naturais, guerras ou o problema do mal no mundo, pois tudo isso está em Seus planos e foi por Ele determinado, como demonstram diversas passagens do Antigo e Novo Testamento (Gn.50.20; Rm.8.28). Discordo também daqueles que pensam poder determinar o seu próprio destino, como se o poder da vida ou da morte estivesse em suas próprias mãos (Dt.32.39).

Em quarto lugar, creio como reformado na soberania de Deus especificamente em relação à salvação(Rm.8.29-30). Isso foi perfeitamente expresso num documento chamado Cânones de Dort, elaborado entre 1618 e 1619, onde a salvação é apresentada em 5 pontos: depravação total, eleição incondicional, expiação limitada, chamada eficaz e perseverança dos santos.

Depravação total significa que o homem foi de tal forma afetado pelo pecado que é totalmente incapaz de se salvar sozinho ou mesmo contribuir, por pouco que seja, nessa salvação (Rm.3.9-20). A depravação total mostra que "todos pecaram e carecem da glória de Deus" (Rm.3.23), que os pecadores estão "mortos em delitos e pecados" (Ef.2.1) e que "todo aquele que comete pecado é escravo do pecado" (Jo.8.34). Um morto espiritual não pode fazer nada para viver, e um escravo não tem vontade própria. O poder para ressuscitá-lo espiritualmente tem que vir de fora, e para ser livre precisa antes ser liberto pelo Filho (Jo.8.36) . Por isso, ninguém pode escolher a Jesus por si próprio para ser salvo, nem fazer uso de um tipo de livre-arbítrio para aceitar ou rejeitar a salvação alcançada por Cristo.

Eleição incondicional significa que Deus, somente pela Sua soberana vontade, escolheu desde toda a eternidade (Ef.1.4) uma multidão de "todos os povos, tribos, línguas e nações" (Ap.7.9) para serem salvos de seus pecados e herdarem a vida eterna. Porém, Ele não escolheu a todos (Rm.9.13). Essa escolha não se baseou em nada de bom ou que agradasse a Deus presente nos próprios pecadores , ou alguma fé que Ele tivesse previsto pela Sua presciência (Rm.9.11); pelo contrário, foi totalmente pela Sua maravilhosa graça que Ele os escolheu soberanamente, para o louvor da Sua glória (Rm.9.14-18; Ef.1.5,6,11,12). Aqueles que não foram escolhidos estão destinados à condenação eterna no inferno, sem que Deus seja culpado pelo seu destino ou pelos seus pecados. Deus salva uns para demonstrar a Sua graça, e condena outros para demonstrar Sua justiça (Rm.9.19-24). Outra coisa interessante a se observar é que Deus não era obrigado a salvar ninguém de seus pecados, nem deixaria de ser um Deus amoroso se não o fizesse. Logo, o fato de Deus salvar uma multidão da humanidade por pura graça já é uma demonstração infinita de amor e misericórdia, acima de toda comparação.

Expiação limitada significa que o valor da morte de Cristo é absolutamente infinito e poderoso para perdoar todos os pecados daqueles que Deus escolheu, e apenas desses (Is.53.11-12). Dizer que Cristo morreu pelo mundo não significa que Ele morreu por todas as pessoas do mundo, mas por pessoas de todas as partes do mundo (Jo.3.16; I Jo.2.2). Logo, Cristo não morreu por todos os homens literalmente; apenas pelos escolhidos de Deus, que são Suas ovelhas e Sua Igreja (Jo.10.11,15; 17.9; Ef.5.5-27). Porém, essa expiação dá aos eleitos uma salvação eterna, pois, perdoados de todos os seus pecados pelo sacrifício de Cristo, e tendo sido imputada a eles a justiça de Cristo, eles já não podem ser condenados; eles tem, agora, a vida eterna (Jo.5.24).

Chamada eficaz nos fala sobre como Deus salva os Seus escolhidos. Deus usa a pregação do evangelho como meio de chamar os eleitos para Si mesmo (Rm.10.14-17). O evangelho deve ser pregado a todas as pessoas (Mc.16.15), pois não sabemos quem Deus escolheu, e a Palavra se tornará eficaz na vida daqueles que foram eleitos antes da fundação do mundo (At.13.48). O Espírito Santo irá agir na vida dos eleitos, operando a regeneração (ou novo nascimento- Jo.3.3-8) pela Palavra (I Pe.1.23), tornando-os dispostos a responderem positivamente ao convite do evangelho (At.16.14). É nesse momento que os eleitos recebem a capacidade de "escolher a Deus" e receber a Cristo (Jo.6.65), arrependendo-se de seus pecados e tendo fé em Cristo para salvação. Tanto o arrependimento como a fé são dons de Deus, dados no momento da regeneração (At.5.31; 11.18; Ef.2.8; Fp.1.29; II Tm.2.25). Por isso, ninguém deve se achar melhor que os outros por ter se arrependido ou ter tido fé, porque essa capacidade é algo sobrenatural dado por Deus. Dizer que essa chamada aos eleitos é eficaz significa que é impossível a um eleito resistir ao convite do Espírito Santo, pelo evangelho, no seu coração (Is.43.13).

Perseverança dos santos significa que aqueles que foram eleitos por Deus, desde o dia em que foram salvos, não poderão mais perder essa salvação (Jo.6.39; Rm.8.30; Fp.1.6). Como Cristo morreu por todos os seus pecados - passados, presentes e futuros - nenhum pecado pode, agora, levá-los à condenação: "Nenhuma condenação há para aqueles que estão em Cristo" (Rm.8.1). Uma vez salvo, salvo para sempre. Eles têm a vida eterna e, se é eterna, não pode acabar um dia (Jo.10.28-29). Nada, agora, pode separá-los do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor (Rm.8.35-39). Porém, isso não significa que os eleitos nunca mais pecarão, porque isso certamente irá acontecer (I Jo.1.8-10). Mas como eles foram regenerados, seu prazer agora não é mais o pecado, mas a santidade (I Jo.3:6-10). Uma pessoa que viva em pecado e alegue ter sido salva deve ter sua salvação seriamente questionada. Um cristão pode até cometer um pecado terrível, porém, esse pecado certamente requererá uma disciplina da parte de Deus, não com o objetivo de fazê-lo pagar pelo seu pecado, que ja foi pago na cruz por Cristo, mas com a finalidade de aperfeiçoá-lo, para que seja participante da santidade de Deus (Hb.12.5-13). Davi foi um exemplo dessa disciplina de Deus, no caso de Bate-Seba (II Sm.11 e 12).

Em quinto lugar, creio como reformado que o "fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre", como diz o Breve Catecismo de Westminster. Logo, um reformado tenta viver uma vida que glorifique a Deus em todos os aspectos, e entende que Deus é adorado e glorificado em todas as áreas de sua vida: no trabalho, na família, na sociedade, no lazer, na igreja, etc. "Quer comais, quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus" (I Co.10.31), como diz o apóstolo Paulo. A busca da glória de Deus e a adoração cheia de amor que brota do coração de um cristão reformado é a aplicação prática e conseqüência da doutrina da soberania de Deus. Pode-se perceber isso no próprio Paulo que, depois de discorrer sobre o assunto da soberania de Deus dos capítulos 9 a 11 de Romanos, encerra o assunto com adoração: "Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem deu primeiro a ele, para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém." (Rm.11.33-36).

Este é um pequeno resumo do que eu creio como reformado. Digo com segurança e convicção que essa é a doutrina original dos evangélicos, mas que, infelizmente, foi abandonada com o tempo. Tenho buscado um retorno ao evangelho bíblico conforme ensinado pelos reformadores, nossos pais na fé, e creio que esse é o único caminho para um verdadeiro avivamento na igreja evangélica moderna. O segredo do avivamento não é inovar, mas olhar para o passado e restaurar o que se perdeu: "Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas." (Jr.6.16).


Minha sincera oração é que Deus utilize este artigo para abrir os olhos de muitos irmãos em Cristo às verdades esquecidas da Palavra de Deus, e que assim, despertos para o evangelho eterno, possam ter seus corações em chamas por essas mesmas verdades que custaram o sangue de nossos pais!

André Aloísio 
Publicado em: http://teologia-vida.blogspot.com.br/2006/10/em-que-cr-um-cristo-reform_116136941580431401.html

Intercâmbio feito por Walisson Arruda

sábado, 21 de junho de 2014

O que a Oração pelos Perdidos Revela Sobre nossa Crença na Soberania de Deus na Salvação? Com a Palavra, J. I. Packer

"Quando você ora por pessoas não convertidas, você o faz com base no pressuposto de que Deus tem o poder de levá-las à fé. Você suplica a Deus para fazer exatamente isso, e sua confiança em pedir repousa na certeza de que Ele é capaz de fazer o que você pede. E, de fato, Ele é: essa convicção, que motiva a sua intercessão, é a verdade do próprio Deus, escrita em seu coração pelo Espírito Santo. Então, na oração — e o cristão é mais lúcido e sábio do que nunca quando ora — você sabe que é Deus quem salva os homens; você sabe que o que faz os homens se voltarem para Deus é a obra graciosa do próprio Deus ao atraí-los para si; e o conteúdo das suas orações é determinado por esse conhecimento. Assim, por meio de sua prática intercessória, não menos do que agradecer por sua conversão, você reconhece e confessa a soberania da graça de Deus. E assim fazem todos os cristãos em todos os lugares."
J.I. Packer, citado pelo Dr. Sam Storms, sobre quem pode ou não orar pela conversão de perdidos.
"Escolhidos: Uma exposição da doutrina da eleição", em breve, pela Editora Anno Domini
FONTE: Facebook de Andrew McAlister

Rodrigo Ribeiro

quinta-feira, 24 de abril de 2014

A Espera de um Desesperado

Sim, somos desesperados desde sempre. Desesperados porque a hora passa de forma rápida e não dá tempo para fazer tudo e desesperados porque a hora não passa e aqueles momentos esperados não chegam rápido.

Exercitar a espera e adquirir a paciência são exercícios que exigem muito e nem sempre estamos dispostos a pelejar por isso. "Poxa, não tenho paciência suficiente para ser uma pessoa que sabe esperar". (Bem assim não é?).

Essa é a história de Jairo: Marcos: 5. 22. Chegou um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo e, logo que viu a Jesus, lançou-se lhe aos pés. 23. E lhe rogava com instância, dizendo: Minha filhinha está nas últimas; rogo-te que venhas e lhe imponhas as mãos para que sare e viva. 24. Jesus foi com ele, e seguia-o uma grande multidão, que o apertava.

Sua filha estava morrendo e ele correu ao saber que Jesus estava por perto, correu, implorando-O que fosse até sua filha para curá-la.

No meio do caminho de Jairo apareceu a mulher com fluxo de sangue, que tocando as vestes de Cristo, desejando a cura, fez acender nEle o desejo de saber quem havia tocá-lo, pois sentia grande fraqueza após a cura.

"Imagina a ansiedade de Jairo com tudo isso; a irritação dos discípulos; a paciência e a calma de Jesus. Aquela mulher que sofria de uma doença crônica que estava recebendo atenção, em vez da garotinha que sofria de uma doença fatal." (A cruz do Rei - Tim Keller).

Podemos pensar que como pode Jesus deixar a garotinha padecendo em sua casa, dando atenção à outra pessoa, ao invés de ir logo cuidar dela. Mas essa é uma das lições da passagem. O tempo de Deus é diferente do nosso. A execução dos planos Soberanos cabem somente ao Pai e nós, como desesperados, queremos tudo logo e agora, nada de daqui a pouco nos satisfaz.

"Ele se fez fraco para que possamos ser fortes. Não há nada mais aterrorizante para uma criança do que soltar a mão dos pais quando está no meio de uma multidão ou no escuro, mas isso não é nada, se comparado com a perda do próprio Jesus. A mão dele escapou da mão do Pai na cruz. Ele foi para o sepulcro para que pudéssemos ser tirados de lá, ressurretos. Jesus soltou a mão do Pai para que soubéssemos que, uma vez que estivesse segurando nossa mão, ele jamais nos abandonaria." (A cruz do Rei - Tim Keller).


Laryssa Lobo

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Bendito O Deus que não Atende Todas as Nossas Orações!

Deus é onisciente. Este é um de seus mais conhecidos atributos. No entanto este conhecimento é muitas vezes superficial e inadequado, ou no mínimo, não traz como reflexo nenhuma aplicação prática para nossa fé. Compreender este importante atributo é um recurso indispensável para todos aqueles que necessitam descansar seus corações na sabedoria inefável do Poderoso Deus. Se formos conscientes de nosso estado, todos serão unanimes em reconhecer que esta necessidade é geral, e alcança cada um de nós.

A onisciência de Deus não significa somente que ele sabe de todas as coisas, mas também que ele sempre escolhe os melhores caminhos nos momentos mais oportunos possíveis. É um atributo que nos revela uma sabedoria perfeita, inalcançável. Deus faz tudo da melhor forma possível. Ele controla de modo esplendoroso todos os meios assim como o fim de todas as coisas. Ele o faz com absoluta maestria, ainda que tais caminhos sejam absurdos por diversas vezes aos nossos frágeis olhos carnais.

Mas este atributo não é comunicado a nós, ou seja, nós não somos oniscientes. Sendo assim Ele não seria bondoso para conosco se SEMPRE atendesse os nossos pedidos, que muitas vezes nos fariam mal no fim das contas. As teologias que colocam o poder nas palavras dos homens, vindicando para si o direito de emitir decretos nos quais Deus torna-se um mero agente de suas "sábias" decisões, são heresias que não compreendem nem a infinita sabedoria de Deus, e tão pouco reconhecem as imensas limitações do intelecto humano.

Mas tenho uma excelente notícia: Ele é bom! Tão bom que nós diz não!

Veja o exemplo dos discípulos:

Então, aproximou-se de Jesus a mãe dos filhos de Zebedeu com seus filhos e, prostrando-se, fez-lhe um pedido.

"O que você quer? ", perguntou ele. Ela respondeu: "Declara que no teu Reino estes meus dois filhos se assentarão um à tua direita e o outro à tua esquerda".
Disse-lhes Jesus: "Vocês não sabem o que estão pedindo. Podem vocês beber o cálice que eu vou beber? " "Podemos", responderam eles. (Mateus 20:20-22)

Eles queriam beber do cálice de Cristo. Ficar ao seu lado quando fosse erguido. Pensavam que isto significaria glória em Israel, reinando com Ele. Mas isto na verdade significa: Cruz, morte e humilhação. Aqueles posições seriam ocupados por dois ladrões crucificados co, Cristo. Jesus sabia o quão terrível seria o seu destino, ainda que os discípulos não o compreendessem, e por isso foi compassivo com eles, negando suas tolas pretensões. Eles não sabiam o que pediam, mas o mestre sempre soube o que lhes daria.

Em outra narrativa bíblica, percebemos Pedro em uma petição ainda mais nociva, mas que detinha uma aparência de extrema piedade. Obviamente esse pedido partiu de uma compreensão equivocada do discípulo, apesar de sua ótima intenção de preservar seu mestre tão amado, mas se fosse atendido teria consequências irreparáveis:

Desde então começou Jesus a mostrar aos seus discípulos que convinha ir a Jerusalém, e padecer muitas coisas dos anciãos, e dos principais dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia.
E Pedro, tomando-o de parte, começou a repreendê-lo, dizendo: Senhor, tem compaixão de ti; de modo nenhum te acontecerá isso.


No entanto, como o decorrer do texto demostra, Jesus o repreendeu severamente. Ainda que seu pedido fosse compreensivo diante do carinho que tinha por Cristo, as consequências daquilo seriam terríveis. Se Jesus fosse poupado, Pedro não teria salvação. Todos nós estaríamos no inferno! Os nossos pedidos mais sinceros, por causa das inclinações de nosso coração, podem nos levar a caminhos de morte. Foi isto que ocorrera com Pedro.

GLÓRIA A DEUS, POIS ELE NOS DIZ NÃO!

Não sabemos o que pedimos, mas devemos saber a quem pedimos. Ele é totalmente digno de confiança! E é por saber que ele nos dirá não quando o nosso pedido for nossa armadilha, é que podemos abrir nossos lábios e corações para clamar a Ele com todas as nossas forças. Nosso Deus é tão bom que nos diz não. E há mais amor nesses desejos negados, no que numa prece atendida com consequências negativas inimagináveis.

Clamemos aquele que sempre cumpre sua vontade perfeita! Ele sabe escutar nossas orações e adequá-las ao seu plano soberano e imutável!

Rodrigo Ribeiro
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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

A Esperança que Supera o Caos. Texto: Habacuque 3.1-19.

Na década de 70, Roberto Carlos tentou poetizar sua fé com a ilustração de uma montanha. Ele cantava:

"Eu vou seguir uma luz lá no alto eu vou ouvir / Uma voz que me chama eu vou subir / A montanha e ficar bem mais perto de Deus e rezar / Eu vou gritar para o mundo me ouvir e acompanhar /Toda minha escalada e ajudar / A mostrar como é o meu grito de amor e de fé"

A montanha continuou sendo usada como uma ilustração para poetizar a vida. Entretanto, já não é a fé que vira poesia, mas o falta de esperança. No afã de enfrentar a dor, nosso tempo tentou tirar proveito da ignorância. Alguns acharam que é melhor dar sentido para o mundo retirando dele o sentido. Nosso tempo substituiu a esperança pelo desespero. Penso que a canção “A montanha” dos Engenheiros ilustra essa atitude:

"Nem tão longe que eu não possa ver /Nem tão perto que eu possa tocar / Nem tão longe que eu não possa crer que um dia chego lá
Nem tão perto que eu possa acreditar que o dia já chegou / Pro alto da montanha, num arranha-céu / Sem final feliz ou infeliz...atores sem papel / No alto da montanha, à toa, ao léu"

Para muitas pessoas o sentido da vida pode estar perto, mas não podemos tocar nele. Na vida podemos até ter fé, mas ele nunca se realiza. Queremos contar o que existe lá no alto, mas não podemos contar porque não conseguimos ver nada. No alto da montanha o homem pós-moderno decidiu viver sem final feliz, sem destino, à toa, ao léu.

Apesar de todo o reducionismo pós-moderno, lá no fundo da alma, as pessoas desejam algo mais que aponte para uma realidade de paz e tranquilidade transcendente. Por mais que a filosofia tente entender a vida, a medicina avence e que os psicólogos entendam os recessos do comportamento humano, as pessoas continuam com uma fome espiritual. Por mais que nosso mundo tente poetizar o desespero, outros tentam fazer a poesia da esperança.  Habacuque também fez a experiência de cantar e poetizar a esperança contra toda forma de desespero e caos. Através do seu salmo encontramos um mapa que indica o caminho da esperança que supera o caos. Vejamos, pois o que nos ensina o texto sagrado:

A esperança que supera o caos:

   I.        Clama perante a face de Deus. (1-2)

O profeta que antes expos sua agonia de alma diante do caos, agora se apresenta diante da face de Deus com outro espírito. Sua alma não estava mais agitada como se fosse um mar revolto de incertezas. Deus havia falado de uma forma tão clara que a visão precisava ser compartilhada em tábuas de argila para que até aquele que passava correndo pudesse entender os desígnios de Deus. Depois de tudo isso, Habacuque conclui a profecia com um salmo de adoração que revela, sobretudo em quem estava fundamentada a esperava que supera o caos – era em Deus que a esperava de Habacuque estava fundamentada. A primeira parte do salmo de Habacuque é uma oração. Perante a face de Deus, o profeta abriu sua alma dizendo:

"Tenho ouvido, ó Senhor, as tuas declarações, e me sinto alarmado; aviva a tua obra, ó Senhor, no decorrer dos anos, e, no decurso dos anos, faze-a conhecida; na tua ira, lembra-te da misericórdia." (Habacuque 3:2, RA)

Veja que nesta breve oração, Habacuque expressa questões importantíssimas que apontam para uma piedade que foi formada por Deus, uma piedade depurada por Deus no cadinho das provações e da disciplina. Devemos notar pelos quatro pontos da oração de Habacuque para assim entendermos qual a natureza daquela esperança que supera o caos.

1.  Habacuque orou com base nos desígnios de Deus. Quando o profeta disse:“Tenho ouvido, ó Senhor, as tuas declarações” – ficou evidente o caráter prioritário da Palavra do Senhor em sua vida. Habacuque aprendeu a orar com base na Palavra. Em sua mente havia uma recordação recorrente dos atos salvadores de Deus. Aqui vemos claramente que a esperança que supera o caos não está dentro de nós. O Deus da Esperança, totalmente soberano e amoroso decide falar, e quando ele fala seus desígnios são revelados. Aqui vemos que a experiência de fé de Habacuque era plenamente orientada pelas Palavras. Habacuque mostra que não basta apenas força de vontade para viver. O justo vive pela fé. O justo entende que a Palavra de Deus é suficiente para organizar e orientar a vida. É por isso que antes de orar e cantar o profeta escuta o que Deus tem a dizer.

2.  Habacuque estava profundamente comovido em temor enquanto orava. O texto sagrado diz que o profeta sentiu-se “alarmado”. Isto mostra que o profeta era um homem que dava atenção a escola de Deus, mas ele não fazia este exercício de ouvir, como se fosse um ato intelectual frio e mecânico. Quanto mais ele ouvia falar de Deus, mas ele comovia sua alma em temor confiante e obediente. Não sabemos exatamente do Habacuque ouviu para ficar alarmado, mas em algumas passagens da bíblia, como por exemplo, o salmo 77, vemos como os fatos do êxodo marcaram a memoria do povo de Deus:

"Recordo os feitos do Senhor, pois me lembro das tuas maravilhas da antiguidade. Considero também nas tuas obras todas e cogito dos teus prodígios. O teu caminho, ó Deus, é de santidade. Que deus é tão grande como o nosso Deus? Tu és o Deus que operas maravilhas e, entre os povos, tens feito notório o teu poder. Com o teu braço remiste o teu povo, os filhos de Jacó e de José. Viram-te as águas, ó Deus; as águas te viram e temeram, até os abismos se abalaram. Grossas nuvens se desfizeram em água; houve trovões nos espaços; também as suas setas cruzaram de uma parte para outra. O ribombar do teu trovão ecoou na redondeza; os relâmpagos alumiaram o mundo; a terra se abalou e tremeu. Pelo mar foi o teu caminho; as tuas veredas, pelas grandes águas; e não se descobrem os teus vestígios. O teu povo, tu o conduziste, como rebanho, pelas mãos de Moisés e de Arão." (Salmos 77:11-20, RA)

Provavelmente Habacuque estava lembrando estes fatos, contudo ele não fez este exercício de memória de uma forma fria e distante. Enquanto ele recordava sua alma se dispunha a orar, em sua boca havia um cântico de louvor a Deus, em seu coração havia um profundo sentimento de temor.

3.  Habacuque clamava por uma ação de Deus em seu tempo. Devidamente fortalecido, consolado, animado, educado e orientado pelas Promessas de Deus Habacuque pede ao Senhor: “aviva a tua obra, ó Senhor, no decorrer dos anos, e, no decurso dos anos, faze-a conhecida”. (Faz entre nós o que fizestes entre eles. Opera entre nós como operaste entre eles). Em termos simples o profeta estava pedindo: Faz de novo Senhor! Assim como o Senhor libertou, disciplinou, puniu os ímpios e salvou o povo nas horas críticas – eu te peço: Faz outra vez Senhor!

4.  Habacuque pedia pela misericórdia do Senhor. O profeta sabia que Deus estava preparando um plano para disciplinar o povo. Habacuque não questionou a justiça divina, antes ele apelou para a compaixão de Deus dizendo: “na tua ira, lembra-te da misericórdia.” Habacuque foi contado entre aqueles que aprenderam a contar com a misericórdia do Senhor que se renova a cada manhã. Ciente do caos, ciente da sua total irrelevância, ciente de sua falta de controle seja sobre o caos, ou seja, sobre Deus, ciente da maldado do coração o profeta considerou importante apenas pedir por misericórdia divina.

A Esperança que supera o caos se apoia na promessa de Deus. Essa esperança não começa, ou nasce a partir do homem, mas é um dom de Deus. A esperança no Senhor deve despertar em nós uma genuína experiência de piedade. Com Habacuque aprendemos que não podemos lembrar a história dos atos salvadores de Deus de uma forma meramente intelectual. Devemos entender que todas as vezes que ouvimos a Palavra somos confrontados a andar pelo caminho da adoração e obediência ao Deus vivo.

Ao ouvir a Palavra de Deus deveríamos pedir: Senhor! Eu não quero ser um conhecedor da Bíblia cuja alma não sente o alarme diante da revelação do Deus Soberano e Salvador. Não quero ser dominado pelas experiências irracionais, e também não quero uma racionalidade apática. Quero viver pela fé, para viver de uma maneira autêntica a experiência do coração que canta, ora e se alarma dentro da alma.

A esperança que supera o caos clama perante a face de Deus. Habacuque não foi dilacerado pelo caos do seu mundo, porque Deus resplendeu com a luz da Sua verdade no coração do seu profeta. Habacuque passou a conhecer o Senhor de uma forma muito mais íntima. O profeta se agarrou em Deus. Habacuque não se agarrou num deus segundo o seu coração, antes ele buscou o Deus revelado e clamou: Faz novamente hoje como o Senhor fez no passado! Essa oração precisa ser também a nossa prece nos dias de hoje. Deveríamos clamar através dos nossos cânticos, no interior do nosso quarto, nas reuniões públicas da congregação: Faz novamente Senhor! Discipline nosso coração! Salva nossos lares! Salva meus filhos! Salva tua igreja da frieza! Desmascara os falsos profetas! Enche nosso coração de alegria! Dá-nos força nas calamidades! Consola-nos em nossas agonias! Faz novamente hoje como o Senhor fez no passado!

A oração de Habacuque nos ensina que nas crises não podemos recorrer a um deus que feito por mãos humanas. Se não podemos lidar com o caos que se agiganta, como poderemos controlar a divindade? A esperança que supera o caos clama perante a face de Deus por misericórdia. Ele justo e disciplinará nossa alma quando precisarmos, mas ele também é misericordioso. Não podemos barganhar a misericórdia. Ela é dada e nunca comprada. Lutero chama essa experiência de viver na “confiança nua e crua na misericórdia de Deus”. É a misericórdia de Deus nos dá esperança – se não fosse a compaixão do Senhor certamente seríamos consumidos.

A esperança que supera o caos:

 II.        Medita sobre os poderosos feitos de Deus. (3-16)

O salmo de Habacuque contém uma extensa e profunda reflexão sobre os poderosos feitos de Deus. Definitivamente Habacuque se dispôs para trazer a memoria aquilo que dá esperança.

1.  Habacuque recordou do governo soberano de Deus na história (3-6).

"Deus vem de Temã, e do monte Parã vem o Santo. A sua glória cobre os céus, e a terra se enche do seu louvor. O seu resplendor é como a luz, raios brilham da sua mão; e ali está velado o seu poder. Adiante dele vai a peste, e a pestilência segue os seus passos. Ele pára e faz tremer a terra; olha e sacode as nações. Esmigalham-se os montes primitivos; os outeiros eternos se abatem. Os caminhos de Deus são eternos." (Habacuque 3:3-6, RA)

O profeta estava lembrando o caminho de Deus feito no passado para ajudar o seu povo no êxodo e nas conquistas. Habacuque recorda do tempo em que Deus falou para guiar seu povo através de Moisés, bem como do tempo que a Juíza Débora foi levantada e terra ficou em paz.

2.  Habacuque recordou a soberania de Deus sobre a natureza (7-11).

"Vejo as tendas de Cusã em aflição; os acampamentos da terra de Midiã tremem. Acaso, é contra os rios, Senhor, que estás irado? É contra os ribeiros a tua ira ou contra o mar, o teu furor, já que andas montado nos teus cavalos, nos teus carros de vitória? Tiras a descoberto o teu arco, e farta está a tua aljava de flechas. Tu fendes a terra com rios. Os montes te vêem e se contorcem; passam torrentes de água; as profundezas do mar fazem ouvir a sua voz e levantam bem alto as suas mãos. O sol e a lua param nas suas moradas, ao resplandecer a luz das tuas flechas sibilantes, ao fulgor do relâmpago da tua lança." (Habacuque 3:7-11, RA)

Aqui o profeta lembra a maneira como Deus fendeu os mares para salvar o seu povo e punir os ímpios. Deus pune o ímpio com suas flechas. A terra treme e uma grande tempestade escurece o mundo para que as luzes das flechas de Deus rasguem a terra como um relâmpago.

3.  Habacuque recordou a graça e justiça de Deus (12-15).

"Na tua indignação, marchas pela terra, na tua ira, calcas aos pés as nações. Tu sais para salvamento do teu povo, para salvar o teu ungido; feres o telhado da casa do perverso e lhe descobres de todo o fundamento. Traspassas a cabeça dos guerreiros do inimigo com as suas próprias lanças, os quais, como tempestade, avançam para me destruir; regozijam-se, como se estivessem para devorar o pobre às ocultas. Marchas com os teus cavalos pelo mar, pela massa de grandes águas. Ouvi-o, e o meu íntimo se comoveu, à sua voz, tremeram os meus lábios; entrou a podridão nos meus ossos, e os joelhos me vacilaram, pois, em silêncio, devo esperar o dia da angústia, que virá contra o povo que nos acomete." (Habacuque 3:12-16, RA)

Habacuque a marcha de Deus como uma atividade militar que representar a ira de Deus contra os ímpios. O profeta vê Deus pisando a maldade do mundo tal como um debulhar dos grãos. Habacuque medita nas vezes em que Deus puniu o ímpio, mas com graça Deus também usou de misericórdia para salvar o seu povo.

Agora veja uma coisa de extrema importância: O profeta Habacuque meditou acerca do governo de Deus sobre a história e sobre a natureza; Ele contemplou em seus pensamentos a intervenção do Senhor no mundo para punir o ímpio e salvar o seu povo. Habacuque não conseguiu contemplar tais maravilhas sem vê-las aplicadas em sua própria vida. O profeta descreve o abalo de sua alma dizendo:

"Ouvi-o, e o meu íntimo se comoveu, à sua voz, tremeram os meus lábios; entrou a podridão nos meus ossos, e os joelhos me vacilaram, pois, em silêncio, devo esperar o dia da angústia, que virá contra o povo que nos acomete." (Habacuque 3:16, RA)

Enquanto meditava Habacuque estava contemplando não só o mundo e a natureza. Ele estava naquele momento se vendo como parte da história e de uma criação debaixo do governo de Deus. Ele estava cada vez mais convicto da soberania e governo de Deus sobre a sua vida. Ele sabia que o seus inimigos seria punidos e que Deus o salvaria. Diante de tudo isso ele se comove, seus lábios tremem, suas forças fenecem, seus joelhos dobram para esperar pacientemente o dia em que seria cumprida toda a vontade de Deus.

Irmãos e irmãs, considerando alguns aspectos fico pensamento seriamente sobre a condição de Habacuque e a nossa. O profeta tinha apenas uma parte da Bíblia que temos hoje, e o que foi revelado a ele foi o suficiente para que sua alma se comovesse diante de tamanho amor soberano e da justiça perfeita de Deus. Habacuque temeu e tremeu diante de Deus. Nós temos a bíblia toda, temos a revelação perfeita e completa de Jesus Cristo de Nazaré. Entretanto, muitos já não se comovem mais; muitos não tremem mais os lábios; não sentem no espigão da alma que esta Palavra de Deus tem haver com as nossas vidas.

Não estou defendendo a entrada do emocionalismo irracional na Igreja – não interpretem errado o que eu estou dizendo dessa maneira. O que quero dizer é que o Senhor da história tem um plano também para a tua história. O Senhor da natureza olha também para a natureza do teu coração. O Senhor que derrubou reinos e humilhou reis se acampa ao redor da tua vida para te salvar. O Senhor que puniu Babilônia um dia punirá todo mal que existe neste mundo e se for preciso ele disciplinará a tua vida. Tudo isto tem haver com a sua vida hoje e agora! Entenda hoje em Nome de Jesus que Deus tem propósitos em Tua vida! Ele organizou a história para enviar Jesus Cristo na Plenitude dos tempos para salvar tua vida e transformar a tua história. O Deus que rege a natureza é mesmo Deus que age em nossa natureza carnal e gera faz uma nova criatura.

A esperança que supera o caos medita nos atos poderosos de Deus. A esperança que supera o caos sabe que o Senhor dá história está envolvido com a nossa história. O Senhor que rege a natureza trabalha até agora formar uma nova humanidade em Cristo! O Senhor que derrubou a Babilônia é mesmo que derruba os ímpios em nossos dias. Tudo tem haver com você – tem haver com a sua vida aqui e agora.

A esperança que supera o caos:

III.        Rende louvores a Deus. (17-19)

Habacuque em seu salmo conclui com uma declaração de louvor ao Senhor. Antes ele esteve aflito. Sua alma inquiridora entrega queixas e lamentos diante de Deus. Entretanto chegou o tempo quem o Senhor colocou um novo cântico nos lábios de Habacuque. O profeta aprendeu uma forma de poetizar a vida mesmo que tudo ao redor estivesse se revolvendo no mais intenso caos.  Pelos três lições podem ser aprendidas a partir da expressão de louvor de Habacuque:

1.  Deus deve ser louvado independente das circunstâncias. O profeta é enfático:

"Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação." (Habacuque 3:17-18, RA)

O declara que sua alegria e o seu cântico não estavam condicionados as circunstâncias. Mesmo que ele tivesse que viver a margem de tudo que a sua geração considerava essencial, ainda assim o seu coração estaria louvando o Senhor. É como se ele estivesse dizendo: Ainda que um dia todas essas coisas venham a faltar, o Senhor não me faltará.

2.  O Senhor mesmo deve ser a nossa alegria. Habacuque deixa claro que a sua alegria estava em Deus. Deus mesmo era a razão do louvor.

"todavia, eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação." (Habacuque 3:18, RA)

O profeta estava satisfeito, pleno, completo em saber no fundo da sua alma que Deus estava comprometido com a sua salvação. Habacuque tinha a plena certeza de que o Senhor que fez a aliança salvará um povo para si mesmo. O profeta se alegra em saber que o fundamento do seu relacionamento com Deus é o próprio Deus que soberanamente estabeleceu a aliança.

3.  Deus deve ser louvado por sua providência. O profeta disse:

"O Senhor Deus é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar altaneiramente. Ao mestre de canto. Para instrumentos de cordas." (Habacuque 3:19, RA)

Aqui há um reconhecimento de que é Senhor quem nos fortalece, ele é que nos mostra o caminho da alegria, é ele que nos dá uma razão para cantar. Habacuque exalta o Deus que fortalece o seu povo para caminhar sem tropeçar.

Irmãos e irmãs, a esperança que supera o caos rende louvores a Deus de uma forma alegre, racional e independente das conjunturas. Mesmo que o mundo esteja no mais profundo caos, aquele que espera em Deus encontra em Deus a razão para poetizar a vida. Em meio ao caos um dia podemos até viver a margem de muitas coisas que as pessoas consideram como essenciais para viver.

Nessa hora, quando as coisas são tiradas vemos que a alegria da alma é saber que nunca seremos desamparados por Deus. Temos um salvador que nos guarda do inimigo, e que em Cristo nos livra da condenação eterna. Temos um salvador que cuida de nós nos lugares mais improváveis da vida, inclusive nas crises. Não somos blindados contra as crises, mas é dentro delas que do Senhor recebemos a força para cantar e andar.

"Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece." (Filipenses 4:11-13, RA)

"Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor." (Romanos 8:37-39, RA)


Conclusão.

Deus envia crises para disciplinar nossa alma. O Senhor levanta seus instrumentos para que a sua mensagem seja claramente pregada em nossos dias. Em meio ao caos recebemos de Deus uma mensagem de exortação, fé e esperança. Com os olhos da esperança em Deus superamos o mundo caótico. Na esperança pedimos: Como o Senhor fez no passado, faz novamente Senhor! 

Na esperança meditamos na Palavra de Deus e descobrimos que estamos envolvidos com essa história. O Deus da história, que rege a natureza também está envolvido com a nossa história e com a nossa natureza. O Deus que derrubou os tiranos também derrubará os ídolos de hoje, e também ele fará tombar nossa arrogância e dura servir para nos disciplinar em amor. 

Na esperança encontramos a razão para cantar. Deus é a nossa esperança. Mesmo que tudo que é tido por essencial neste mundo seja tirado de nós, a esperança nos ajudará a atravessar o deserto do caos pulando de alegria e poetizando a vida – não porque temos forças em nos mesmo para isto, mas porque o Senhor é a nossa força e a nossa alegria.


Rev. Francisco Macena

Intercâmbio feito por Walber Arruda