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sábado, 13 de setembro de 2014

O que Significa a Expressão "Meios de Graça"? Com a Palavra Earl Blackburn

O Dicionário Aurélio define a palavra meio como recurso empregado para alcançar um objetivo. Por conseguinte, os meios da graça são os instrumentos pelos quais Deus transmite bênçãos ao seu povo. O Catecismo de Westminster define a expressão meios da graça como os recursos visíveis e comuns pelos quais Cristo transmite à sua igreja os benefícios de sua mediação [ou seja, de sua morte].

Ilustrando isso, pense em uma mangueira de jardim. A mangueira não é especial em si mesma, porém é o canal pelo qual flui a água que produz vida e refresca. O mesmo acontece com os meios da graça. Em si mesmos, eles nada possuem de especial, mas são os instrumentos ou os canais pelos quais fluem as bênçãos divinas que outorgam vida e refrigeram a alma. Através dos meios da graça, Deus concede força, paz, conforto, instrução, disciplina, orientação, alegria e muitas outras coisas necessárias à vida cristã.

Ainda que a expressão meios da graça não se encontre na Bíblia, é uma designação adequada para aquilo que está ali ensinado. Há dois tipos de meios da graça: os particulares e os públicos. [...]

Quais os meios particulares da graça?

1. O primeiro destes é a leitura da Palavra de Deus
2. O segundo meio particular da graça é a oração.
3. O terceiro meio particular da graça é a meditação

Quais os meios públicos da graça?

1. Reunir-se para adoração é o primeiro destes meios.
2. O segundo meio público da graça são as ordenanças do evangelho (batismo e santa ceia)
3. Comunhão com irmãos e irmãs em Cristo é o terceiro meio público da graça
4. O quarto meio público da graça é a oração coletiva.

[...]Um Pai amoroso, sábio e gracioso, que habita nos céus, outorgou aos seus filhos estes meios para o bem deles (cf. Dt 10.13). Ele não os deu a fim de colocar seus filhos em escravidão a regras estabelecidas pelo homem, mas para abençoar, fortalecer e encorajá-los. Os meios particulares da graça nos foram concedidos para sustentar-nos em nossa vida cristã diária, em um mundo de atividades cotidianas. Os meios públicos da graça são para nosso benefício, na igreja local pertencente ao Senhor Jesus Cristo. Praticá-los agora resultará em crescimento e frutificação de nossa vida cristã. Utilizar estes meios designados por Deus redundará em glória para Ele, expansão de seu reino e nos proporcionará retidão, paz e alegria.

Rodrigo Ribeiro
Extraído da Revista Fé para hoje n° 3, 1999.
Para ler o artigo completo esta revista está disponível para download gratuitamente no site do ministério Fiel.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

3 Formas de Orar por seu Inimigo

"Vocês ouviram o que foi dito: 'Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo”. Disse Jesus em seu famoso sermão do monte,” Mas eu digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem” (Mateus 45:13-14)

Se você já se perguntou por que muitas pessoas se recusaram a seguir Jesus durante a sua vida, você acabou de ler um desses motivos.

Em nossos dias, temos usado tanto o termo "inimigo", que esta palavra perdeu muito do seu valor impactante. Hoje, "inimigo" é usado principalmente em referência a pessoas que são rudes conosco ou que nos tratam com grosserias. Nós até mesmo usamos a expressão "inimiga" para se referir a uma pessoa que finge ser amiga ou para alguém que realmente é um amigo, mas que também se caracteriza como rival.

Mas nos dias de Jesus, os judeus em Israel tinham inimigos reais. Durante toda a sua jornada de existência como um povo, eles tinham germinado muitos inimigos - da escravidão no Egito para o estado de ocupação por seu mais recente inimigo, o Império Romano.  Dizer-lhes para amar e orar pelos inimigos era semelhante a dizer aos cristãos no Iraque para amar e orar pelo Estado Islâmico.

No entanto, é exatamente o que Jesus estava dizendo. Quando Jesus deu o mandamento de amar e orar por nossos inimigos Ele sabia que um dia iria exigir oração por grupos extremistas islâmicos como o ISIS e Al-Qaeda que assassinam sua Noiva.  Jesus estava dizendo que quando pensamos dessas pessoas, já nem sequer deemos vê-los como inimigos. Como John MacArthur explica, "não devemos ser inimigos daqueles que podem ser inimigos para nós. Da perspectiva deles, nós somos inimigos; mas a partir de nossa perspectiva, eles devem ser nossos vizinhos. "

Mas como podemos fazer isso? Como devemos orar por esses vizinhos que querem assassinar membros de nossa família? Essa tarefa é difícil, mas existem três maneiras específicas de orar por aqueles que estão envolvidos na perseguição contra os cristãos:

1. Orar por sua conversão

Há duas razões principais para que não oremos pela conversão dos extremistas islâmicos. A primeira razão é que nós acreditamos que é absurdo pensar que eles vão se tornar cristãos. A segunda razão é que temos medo de que eles possam realmente se converter.

A primeira razão é mais comum, uma vez que orar para terroristas se converterem parece ser um apelo inútil. Reconhecemos a verdade teológica de que Deus pode fazer por eles o que ele fez por nós: proporcionar o dom da graça para que eles possam ser salvos (Efésios 2: 8). Mas olhamos para a situação "realista" e nos dizemos que a probabilidade de conversão genuína é tão perto de zero que seria um desperdício do nosso tempo (e do de Deus) se preocupar em pedir. 

Sem dúvida, tais conversões são improváveis ​​e raras. No entanto, devemos orar por elas de qualquer maneira. Se realmente amamos o nosso inimigo, como poderíamos não, pelo menos, rogar a Deus em seu nome?

Outra, menos freqüente, razão pela qual não oramos pela sua conversão é porque nós tememos que eles possam realmente se arrepender. Como Jonas em Nínive, queremos que os nossos inimigos recebam suas justas penas, não misericórdia e perdão. Considere todos os cristãos que obedientemente oraram pelos nazistas. Como eles se sentiriam se eles descobrissem que Hitler, nos momentos antes de sua morte, tinha realmente se arrependido de seus pecados e foi perdoado por Deus? Muitos desses cristãos teriam se sentido enganado, como se fosse injusto de Deus perdoar esses crimes horríveis. Eles provavelmente iriam querer reclamar, como Jonas fez quando Deus poupou os ninivitas, "Eu sabia que tu és Deus misericordioso e compassivo, muito paciente, cheio de amor e que prometes castigar, mas depois te arrependes." (Jonas 4: 2)?

Mas é exatamente porque ele é um Deus clemente e compassivo que devemos orar pela conversão dos nossos inimigos. Como poderíamos fazer algo além do que pedir a Deus para mostrar-lhes a mesma graça que nos foi mostrado?

2. Ore para que o mal que eles fazem seja contido

Não há dicotomia em orar para o bem de nosso inimigo e orar para que suas más ações sejam contidas. É para o seu benefício, bem como o nosso, que eles sejam impedidos de cometer mais maldade. Para aqueles que endureceram seu coração contra Deus, seria melhor que a sua vida fosse encurtada do que se continuasse a perseguir seus filhos.

A proteção de inocentes de serem mortos pode exigir que os governos humanos  tomem uma ação militar contra os extremistas islâmicos. Estamos autorizados a apoiar o uso da força apenas para restringir esse mal. Mas devemos lembrar que, enquanto a morte dos terroristas pode ser a única forma eficaz de coibir suas ações, não devemos regozijar-nos o seu sofrimento ou morte (Provérbios 24:17).

3. Ore para que eles recebam a justiça divina

Assim como buscamos a justiça na terra das autoridades governamentais devidamente estabelecidas, podemos buscar a justiça divina de nosso Deus santo. Como John N. Day diz: "ao passo que amor e bênçãos são a ética característica dos crentes de ambos os Testamentos, julgar e pedir vingança divina são de extrema ética e podem ser expressos em circunstâncias extremas, contra endurecido, enganosidade, violência, imoralidade e pecadores injustos”.

Ao pedir que a justiça divina seja feita, devemos ter o cuidado de proteger os nossos motivos. Orar por justiça divina pode ser uma maneira de contornar o nosso dever de amar o nosso inimigo. É certo que devemos deixar a vingança para Deus, não devemos esquecer o que é ordenado de nós. Como Paulo escreve em Romanos 12: 19-21 :.

Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor.
Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça.
Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.

Em nossas orações, o pedido de justiça divina deve ser incluído como última opção, um apelo, para que se faça o necessário para aqueles que nem se voltarão para Deus, nem se afastarão da prática do mal.


Como ex-inimigos de Deus, devemos ser gentis e agradecidos por estarmos autorizados a orar por nossos inimigos atuais, com a certeza de que Jesus vai nos ouvir. Nós deveríamos ser gratos o suficiente pela graça de Deus, que nós deveramos deseja-la para os nossos inimigos também. Mas se eles se recusam e endurecem seus corações contra aquele que iria poupá-los, então devemos pedir que recebam o castigo divino, devido a todos para além da justiça de Cristo. 

Joe Carter
Publicado em: http://thegospelcoalition.org/article/3-ways-to-pray-for-our-enemies

Traduzido por Thiago Barros

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Falando sobre “Homens-Meninos”

Ela era uma amiga cristã solteira (totalmente apenas amigos), destilando a sua frustração acerca dos homens imaturos. Isso era casual, porque esse tipo de desabafo é comum. O café havia acabado. E isso foi um corte profundo.
“Homens cristãos… ugh.”
Como um homem estudante universitário sem esposa, trabalho fixo, e sem independência financeira, eu me contorci com mal-estar e insegurança. Ela não estava me atacando; apenas emitindo uma queixa comum ao universo. As palavras fluíram sem esforço da sua boca como se ela as houvesse dito um milhão de vezes antes e eu estava despreparado para os adjetivos que seguiriam ao longo da conversa: “imaturo”, “infantil”, “fraco”, “patético”. Espere um pouco... “Homens-Meninos”
É entendível, mas eu posso por favor dizer isso? Isso não está bem. O termo “homens-meninos” (às vezes, “homens-crianças”, “homens-garotos”, etc.) é uma calúnia. Ele é usado para humilhar pessoalmente e rebaixar uma classe de cristãos. Ela expressa desprezo e arrogância exposições. E, pior de tudo, ele define o valor dos seres humanos à imagem de Deus de acordo com seu desempenho de gênero.

 

O problema não é preguiça


 “Mas”, você diz, “há um monte de homens cristãos que expressam comportamentos desapontadores.” Isso é verdade, mas eu não estou convencido de que categorias como pecaminosidade ou preguiça, explicações comuns, possam claramente explicar essa questão. Talvez preguiça aponte para além dela – talvez seja um sintoma de um problema mais sistemático. Vamos interpretar o clássico comportamento “homem-menino” através dês outras lentes que não a preguiça:
Adiar o casamento pode ajudar: evitar dividir espaço fisicamente, espiritualmente, emocionalmente e espiritualmente e se retirar a um espaço pessoal.
Negligenciar a Bíblia e igreja pode ajudar: evitar intimidade divina e se retirar em uma vida pessoal.
Flutuar sem ambições pode ajudar: evitar horas de trabalho e se retirar em tempo pessoal.
Jogar vídeo games cronicamente pode ajudar: evitar realidade externa e se retirar em uma vida virtual.
Viver em casa pode ajudar: evitar pressões externas e se retirar em confortos internos.

 

As folhas de figueira modernas

“Preguça” é uma descrição superficial. “Evitar” nos move além de uma explicação do coração. As Escrituras nos dizem que o coração é sempre ativo (Gênesis 6.5, Deuteronômio 11.6, Jeremias 17.5, 1 Pedro 1.22), então a nossa descrição do coração deveria sempre está na voz ativa (Eu não digo que evitar é o problema, mas isso nos ajuda a chegar um pouco mais fundo do que o conceito de preguiça”. “Evitar” abre portas para uma série de outras palavras ativas e hóspede de outras realidades do coração: medo (“E se eu falhar?”), ansiedade (“Eu não consigo lidar com isso!”), depressão (“Eu odeio a mim mesmo/minha vida), sentimentos de insuficiência (“Eu não sou suficiente”), auto-depreciação (“Eu sou estúpido/sujo/indesejável”), vergonha (“Deus e meu próximo tem nojo de mim”) e muitos outros. Eu preferiria escapar a ser publicamente envergonhado” (cf. Apocalipse 6.16).

Essas categorias nos dão uma nova perspectiva. “Homens-meninos” não são nem a primeira nem a última luta de ser homem, mas de ser um ser humano. Solteirice, solidão, video games e a casa da mamãe são as folhas de figueira modernas – coberturas feitas manualmente para homens despidos de competência e profundamente envergonhados de sua inabilidade de se engajar com as realidades da vida por causa de suas experiências com o Opressor (Isaías 14.4), que busca espalhar confusão e caos entre o povo de Deus (João 8.44, 2 João 7, Apocalipse 12.10).

 

A solução não é “tente duro”

A necessidade do dia não é para a igreja de Jesus Cristo arrancar as folhas, mas começar a vesti-los com as vestimentas do Evangelho feitas por Deus (Gênesis 3.21). A solução para a imaturidade entre os jovens garotos cristãos não é lembrá-los verdades ou instituir regulagens, mas uma Pessoa, que não evitou realidades, mas que as encarou por nossa causa: Jesus (Lucas 2.52, Filipenses 2.6-9) – Jesus, com sua intercessão, caridade e graça. O que as mulheres cristãs solteiras fazem acerca disso além de criar um nome para defini-los?  Aqui estão algumas formas que podem ajudar:

1.     Oração Intercessória
Ore por mais pais que seriamente assumam o seu papel de ensinar os seus filhos a como se engajar com o mundo, não evitá-lo. Ore para que homens em geral faça o mesmo por garotos sem pais. Ore para que os homens mudem, não apenas em um nível comportamental, mas em um nível do coração – se movam a Deus e ao próximo em meio ao pecado que habita e a opressão externa (Lucas 10.27).

2.     Caridade
Fale bem dos outros (Efésios 4.31). Trate os jovens homens imaturos da mesma forma que você trata qualquer outro assunto na igreja: com diligência, fidelidade e amor, os mesmos traços que Paulo inclui em seu imperativo de “serem homens” (1 Coríntios 16.13-14). Isso significa que as mulheres não reajam com cinismo ou usando o termo “homens-meninos” (Efésios 4.29).

3.    
Deus está disciplinando homens imaturos a crescerem por eles mesmos (Hebreus 12.11). Ele não precisa dos seus comentários sarcásticos para ajudar (Provérbios 11.12). Confie que Deus não tem abandonado homens à imaturidade, mas está terminando a obra que Ele começou (Filipenses 1.6).

4.     Graça
Toda tentação é comum à humanidade (1 Coríntios 10.13). O medo de que existe no coração de um homem pode se manifestar por si mesmo de formas (específicas a cada gênero) diferentes em sua vida. Não importa quem você namore, ele será um homem pecador (Romanos 3.23) que é imaturo e medroso, e se ele é cristão, Deus está vencendo o mal que está contra ele e nele (Filipenses 2.13; Romanos 16.20). Eu não estou dizendo que Jesus quer que você namore um perdedor. Ele não quer. Tudo o que eu estou dizendo é isso: Não apenas namore um cristão centrado no Evangelho; namore como um Cristão centrado no Evangelho (1 Pedro 4.8).

Søren Kierkegaard disse que a natureza de uma mulher “tem afetuosamente equipado-a com um instinto sensível que em comparação a reflexão masculina mais superior é nada.” Irmãs, provem que Kierkegaard está certo. Superem-nos em oração, caridade, fé e graça e nós homens tentaremos superar vocês em disciplina piedosa e ambição. Então, talvez o temor daquele que “nos ajuda em nossa fraqueza” irá florescer em seu devido curso (Romanos 8.26).


Original: http://www.desiringgod.org/blog/posts/talking-about-man-boys


Traduzido por Igor Sabino

terça-feira, 15 de julho de 2014

Confiar em Deus quando a Vida não faz Sentido

Recentemente, vi uma foto de uma mulher envolta em lágrimas, de pé, sobre o caixão de seu marido que ela perdeu na Guerra do Vietnã. Seu corpo tinha desaparecido há trinta anos. Agora, finalmente, os seus restos mortais foram encontrados e levados para casa para solo americano. Durante trinta anos, esta viúva não tinha respostas. Durante trinta anos, ela, sem dúvida, se perguntou se ele estava realmente morto, ou talvez, apenas talvez, se ele vivia em algum lugar. Finalmente, a verdade, por mais dolorosa que fosse, estava diante dela. Ela conseguiu parar de ter dúvidas.

Olhando para a foto, eu pensei sobre a dor que todos nós teremos de percorrer nesta vida; dor que nem sempre fazem sentido para nós, deste lado da eternidade.

Vivendo em um pesadelo

Em um nível pessoal, o meu marido e eu aprendemos bem nos últimos anos que o mundo pode fazer sentido um dia e depois desequilibrar no outro. Nosso senso de inocência e segurança foi roubado de nós por circunstâncias além do nosso controle. Quando todas as peças ficarem deitadas no chão em torno de nós, não tivemos respostas.

Infelizmente, nós nos encontramos falando duas falsas noções sobre Deus: ou Ele deve estar nos disciplinando ou, pior ainda, Ele nos abandonou. Eu me senti como se estivéssemos vivendo em um pesadelo que era inevitável. Cada dia, eu olhava para o meu marido e filhos, imaginando se algum dia iríamos sentir a verdadeira alegria novamente. Como Naomi, quando ela voltou de Moabe para Judá, eu me senti preso em amargura e dor.

Lições na noite

Como foram passados um ano e, em seguida, alguns meses, que ainda não tinha terminado. Oramos e gradualmente estas verdades começaram a fazer sentido:

Deus pode lidar com a nossa dor melhor do que qualquer ser humano. Passar por uma crise que nos fez não poder conversar com muitas pessoas, ensinou a mim e ao meu marido novamente que a nossa ajuda e conforto deve vir, em primeiro lugar, de Deus.

Uma razão pela qual Deus nos envia provações é para nos preparar para futuros julgamentos. Deus muitas vezes graciosamente nos prepara, involuntariamente, para futuros testes. Dois anos antes, passamos por uma crise de saúde com um de nossos filhos que abalou o nosso mundo, mas, em última análise, fortalecemos a nossa fé.
Deus conhece cada centímetro do caminho que nossos pés vão pisar nesta vida. Do começo ao fim é marcado por Ele, e nada O leva de surpresa, mesmo quando nos sentimos ofuscados. Ele está lá para nos fortalecer, nos confortar, e conceder-nos sabedoria.

O objetivo da oração é para confiar nossas vidas a Deus, não para obter respostas rápidas. Quando oramos, podemos ter certeza de que nossas preocupações e cuidados não são apenas conhecidos por Deus, mas que nós as rendemos a Ele. Ele já conhece as nossas preocupações mais profundas, mas quando oramos, estamos reconhecendo a nossa dependência de Deus.

Podemos ter de esperar 30 anos para a clareza, ou sessenta, ou. . . até a eternidade antes de sabermos exatamente algo, por isso temos de suportar as estações particulares de vida. No entanto, embora possa parecer que o mundo está quebrado além do reparo impossível, Deus é perfeitamente capaz de pegar as peças quando não podemos. Através da obra de Seu Filho em nosso nome, Ele cura. Ele sustenta. Ele permite-nos não para continuarmos existindo, mas para nos aventurar em uma relação mais profunda com Ele e com os outros.

O que Deus lhe ensinou quando o mundo foi abalado e as circunstâncias não pareciam fazer sentido?


TRADUZIDO E EDITADO POR: LARYSSA LOBO
https://www.facebook.com/laryslobo

Copyright Revive Our Hearts. Taken from Nancy Leigh DeMoss' Becoming a Woman of Discretion. Used with permission. www.TrueWoman.com.

sábado, 21 de junho de 2014

O que a Oração pelos Perdidos Revela Sobre nossa Crença na Soberania de Deus na Salvação? Com a Palavra, J. I. Packer

"Quando você ora por pessoas não convertidas, você o faz com base no pressuposto de que Deus tem o poder de levá-las à fé. Você suplica a Deus para fazer exatamente isso, e sua confiança em pedir repousa na certeza de que Ele é capaz de fazer o que você pede. E, de fato, Ele é: essa convicção, que motiva a sua intercessão, é a verdade do próprio Deus, escrita em seu coração pelo Espírito Santo. Então, na oração — e o cristão é mais lúcido e sábio do que nunca quando ora — você sabe que é Deus quem salva os homens; você sabe que o que faz os homens se voltarem para Deus é a obra graciosa do próprio Deus ao atraí-los para si; e o conteúdo das suas orações é determinado por esse conhecimento. Assim, por meio de sua prática intercessória, não menos do que agradecer por sua conversão, você reconhece e confessa a soberania da graça de Deus. E assim fazem todos os cristãos em todos os lugares."
J.I. Packer, citado pelo Dr. Sam Storms, sobre quem pode ou não orar pela conversão de perdidos.
"Escolhidos: Uma exposição da doutrina da eleição", em breve, pela Editora Anno Domini
FONTE: Facebook de Andrew McAlister

Rodrigo Ribeiro

quarta-feira, 18 de junho de 2014

A Trindade e a Vida Cristã

A trindade, embora uma doutrina cardinal do cristianismo, às vezes não recebe a devida atenção. Isso se dá mesmo por parte daqueles que reconhecem a importância e a necessidade de sermos trinitarianos, de abraçarmos a fé num Deus que é um em substância e essência, mas três em Pessoa: Pai, Filho e Espírito Santo. A experiência de Sam Alberry, infelizmente, não é coisa rara:
Quando jovem cristão, eu tinha um entendimento básico que, oficialmente, Deus era uma Trindade. Mas não oficialmente, isso quase não fazia diferença na minha vida cristã. Eu orava a Deus. Sabia que Jesus tinha morrido por meus pecados. Eu lia a Bíblia e tentava viver a vida de uma maneira que agradasse ao meu Pai celestial. Nunca me ocorreu ir além disso. A doutrina da Trindade estava cuidadosamente arquivada na gaveta de “Coisas que todos os bons cristãos creem” e, então, nunca mais revista.[1]
Gostamos de enfatizar a importância da justificação pela fé. Alegamos, seguindo Lutero e tantos outros, que ela é a doutrina pela qual a Igreja cai ou fica de pé. Embora reconheçamos a importância da bendita verdade de que somos justificados unicamente por causa de Cristo, por termos fé nele, como nosso Salvador e Substituto, há algo ainda mais fundamental. É a doutrina de Deus.
Se não conhecermos o Deus verdadeiro, que se revela na sua Palavra de maneira infalível, qualquer outro conhecimento será deturpado e carente de significado. Antes de conhecermos a obra da salvação, devemos conhecer o Deus que nos salva. Assim, creio que Bavinck coloca a questão de uma forma mais bíblica:
A doutrina da Trindade é de importância incalculável para a religião cristã. Todo o sistema cristão de crença, toda a revelação especial fica de pé ou cai com a confissão da doutrina da Trindade. Ela é o núcleo da fé cristã, a raiz de todos os seus dogmas, o conteúdo básico da nova aliança.[2]
Sim, devemos conhecer o Deus que se revela. E ele, ao se autorrevelar, nos informa que é uma Trindade. A partir do que encontramos na Bíblia, a autorrevelação de Deus, podemos dizer que o ensino bíblico sobre a Trindade abrange quatro afirmações essenciais:
  1. Há um e somente um Deus vivo e verdadeiro;
  2. Este único Deus existe eternamente em três pessoas — Deus o Pai, Deus o Filho e Deus o Espírito Santo;
  3. Essas três pessoas são completamente iguais em atributos, cada uma com a mesma natureza divina;
  4. Embora cada pessoa seja plena e completamente Deus, as pessoas não são idênticas.
As diferenças entre Pai, Filho e Espírito Santo estão fundamentadas na forma como eles se relacionam um com o outro e o papel que cada um desempenha ao realizar o propósito divino.
A unidade da natureza e a distinção de pessoas da Trindade podem ser ilustradas nas seguintes afirmações adicionais:
  • O Pai é Deus;
  • O Pai não é o Filho;
  • O Pai não é o Espírito Santo;
  • O Filho é Deus;
  • O Filho não é o Pai;
  • O Filho não é o Espírito Santo;
  • O Espírito Santo é Deus;
  • O Espírito Santo não é o Pai;
  • O Espírito Santo não é o Filho.
Ao longo da história da Igreja cristã, diversos credos, confissões e catecismos tentaram resumir e apresentar as principais doutrinas do cristianismo. Como era de se esperar, os documentos que se mantiveram fieis à Escritura apresentam a doutrina da Trindade de maneira clara. Aqui, vale citar as três perguntas e respostas do Breve Catecismo de Westminster:
Pergunta 4. O que Deus é?
Resposta: Deus é espírito, infinito, eterno e imutável em seu ser, sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade.
Pergunta 5. Há mais de um Deus?
Resposta: Há um só Deus, o Deus vivo e verdadeiro.
Pergunta 6. Quantas pessoas há na Divindade?
Resposta: Há três pessoas na Divindade: O Pai, o Filho e o Espírito Santo, e estas três pessoas são um Deus, da mesma substância, iguais em poder e glória.
Devemos deixar claro que o ensino sobre a Trindade não é uma verdade descoberta pelo homem, mas revelada por Deus. E trata-se de uma revelação especial, disponível apenas na Escritura Sagrada. Deus se revela na criação também, mas inúmeras verdades só são encontradas na Bíblia. A Trindade é uma delas, ao lado das duas naturezas de Cristo e tantas outras doutrinas gloriosas. Contemplar o céu e as demais obras da criação podem me apontar para a existência de um Criador, de um Deus, mas não para a existência de um Deus que subsiste em três Pessoas. É por isso que o Evangelho deve ser pregado, pois somente nele temos a revelação plena e salvífica de Deus. Sim, ninguém será salvo sem conhecer a Trindade.
O objetivo deste artigo é analisar como a doutrina da Trindade se relaciona com a vida cristã. Antes disso, veremos alguns erros a se evitar.

A Trindade e alguns erros comuns

Durante toda a história da Igreja, muitos tentaram simplificar a doutrina da Trindade, torná-la mais “palatável”, mais fácil de crer. Mas ao fazê-lo, eles acabaram não representando o que a Escritura ensina verdadeiramente, e terminaram com uma doutrina da Trindade bem diferente da doutrina bíblica.
Os erros mais comuns, que ainda persistem em nossos dias, são os seguintes: triteísmo, monarquismo e modalismo.
triteísmo ignora a afirmação bíblica recorrente de que Deus é um. Essa heresia afirma que há três deuses, que são do mesmo tipo e, todavia, distintos e separados um do outro. Devemos cuidar para que não sejamos triteístas quando pensamos sobre Deus, mesmo que não verbalizemos isso. O alerta é oportuno, pois alguns cristãos tendem a pensar em “Deus mais em trindade do que unidade.[3] Eles pensam nele mais facilmente como Três do que como Um-em-Três ou Três-em-Um”.[4] Note que o triteísmo é uma forma de politeísmo.
monarquismo é o erro daqueles que não reconhecem a igualdade das Pessoas da Trindade. Alguns pensam que o Filho é menos Deus que o Pai, e o Espírito Santo menos Deus que o Filho. Ou pensam que há uma subordinação ontológica das Pessoas. É verdade que na economia da salvação há uma subordinação do Filho ao Pai, e do Espírito ao Filho e ao Pai. Mas isso não está ligado à essência das Pessoas, pois os três são Deus. Trata-se do cumprimento do Pacto, do Acordo feito entre as três Pessoas. O Filho deliberadamente aceitou ser subordinado ao Pai para resgatar o seu povo, e o Espírito aceitou ser subordinado ao Filho e ao Pai para aplicar a salvação adquirida pelo Filho.
Por último, o modalismo é a heresia de que não existem três Pessoas na Trindade. Há um Deus, que é apenas uma Pessoa, mas que se revela de diversos modos (daí o nome modalismo). Portanto, existem vários modos, diversas maneiras de Deus se revelar à humanidade. Em tempos diferentes, ele se revela como Pai, como Filho e então como Espírito Santo.[5]
Tendo visto rapidamente alguns erros comuns sobre a doutrina da Trindade, vejamos a relevância dessa verdade para a vida cristã.

A Trindade e o Fim Principal do Homem

Nenhum cristão verdadeiro ousaria dizer que o ensino sobre Deus é irrelevante, ou de pouca praticidade. Longe disso! Aquele que foi salvo deseja conhecer mais e mais o Deus que o salvou.
Para o cristão reformado[6], a primazia do conhecimento de Deus é ainda mais nítida. Afinal, oBreve Catecismo de Westminster, um dos belos e antigos símbolos de fé da tradição reformada, começa com a seguinte pergunta: Qual é o fim principal do homem?
A resposta, que mesmo as crianças da família da aliança conhecem,[7] não poderia ser mais bela e bíblica:
O fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre.[8]
Embora a necessidade e obrigação de conhecermos e prosseguirmos em conhecer a Deus (Oseias 6.3) seja uma verdade abraçada e afirmada com vigor pelos cristãos, o mesmo não acontece com a Trindade. Muitos consideram a Trindade uma doutrina obscura, estranha, difícil demais para merecer a nossa atenção. Uma doutrina que não pode ser negada, mas que deve ser deixada de lado; afinal, é mais seguro, a fim de evitarmos alguma heresia ao lidar com tão “perigosa” doutrina.
Além disso, não poucos lutam e não conseguem encontrar alguma praticidade na doutrina de que Deus existe em três Pessoas distintas e igualmente gloriosas.
A ideia subjacente a esse pensamento é que ensinar sobre a Trindade não é diferente de ensinar sobre Deus. Contudo, o Deus que existe é uma Trindade. Se em nosso forço diário para conhecermos a Deus não buscarmos conhecer o Deus que é uma Trindade, estaremos atrás de um falso deus, um deus criado pela nossa imaginação pecaminosa.
Em outras palavras, se haveremos de cumprir o nosso fim principal, devemos necessariamente aprender sobre a Trindade. Nada pode ter mais relevância prática do que a doutrina sobre Deus, e o Deus que existe é uma Trindade.
Conhecer a Deus, conhecer como ele realmente é, conhecê-lo como revelado na Bíblia, é conhecê-lo como o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

A Trindade e a Salvação

Quando as pessoas são salvas, geralmente elas não percebem que algo trinitariano lhes aconteceu. Mas “algo trinitariano” é precisamente o que aconteceu na salvação: todo aquele que é salvo foi trazido pelo Pai (Jo 6.44) e levado pelo Espírito a confessar que Jesus é Senhor (1Co 12.3).
O Evangelho nos dá tremendo discernimento sobre a Trindade, pois no Evangelho vemos o Pai enviando o Filho, revestido de poder pelo Espírito Santo, para receber a ira do Pai e nos colocar em eterna comunhão com Deus.
Voltando à alegação, por parte de alguns, que a Trindade é irrelevante, ou no mínimo uma doutrina “opcional”. Ora, nenhum cristão argumentaria que o Evangelho é opcional. Afinal, o Evangelho é o poder de Deus, para salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16). Todavia, o Evangelho é uma realidade trinitariana. O Evangelho torna-se ininteligível sem um conceito das Pessoas distintas de Deus.
Em 1 João 4.14, por exemplo, lemos que “o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo”. Este simples versículo abre os nossos olhos para as pessoas da Trindade trabalhando em prol da nossa salvação.
A Trindade é indispensável para entendermos o Evangelho. Sem ela, “todo o plano da redenção fica em pedaços”[9].

A Trindade e a Oração

A falta do entendimento da Trindade é muitas vezes revelada na forma como oramos. Não poucas vezes as pessoas da Trindade são confundidas nas orações do povo de Deus.
― Ó Pai, Deus de amor, te agradecemos por ter morrido em nosso lugar.
Essa é, infelizmente, uma oração comum, mas revela um erro grosseiro por não distinguir as Pessoas da Trindade. Somente o Filho encarnou e somente o Filho morreu em favor do seu povo. O Pai, nem o Espírito fez isso.[10]
A nossa oração é, ou ao menos deveria ser trinitariana. O nosso Senhor ensinou claramente que devemos orar ao Pai (Lucas 11.2), em nome de Jesus (isto é, por causa dos seus méritos), e no poder do Espírito Santo.
“Orando no Espírito Santo” (Judas 20), é o que devemos fazer. É ele, a Terceira Pessoa da Trindade, quem desperta em nós o desejo de orar, e quem intercede por nós, pois não sabemos orar como convém. É Paulo quem nos ensina isso claramente:
Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. (Romanos 8.26)
Todas as três pessoas da Trindade estão presentes na verdadeira oração. Dirigimo-nos ao Pai, o Filho conseguiu esse livre acesso, e o Espírito nos capacita e nos auxilia neste santo dever.

 A Trindade e a Adoração

O verdadeiro culto cristão é trinitariano. É algo inescapável. Deixe-me explicar.
Gosto como Tim Chester coloca isso:
Nossa adoração é inevitavelmente trinitariana. O Pai e o Filho se deleitam um no outro, na alegria do Espírito e juntos participamos desse deleite (Lucas 10.21-22).[11]Mas frequentemente perdemos a percepção disso quando não é algo explícito na forma como moldamos a nossa adoração. Mas a Trindade impacta nossa adoração (quer percebamos ou não)! Mesmo quando nossa adoração é fraca e desfigurada pelo pecado, o Espírito nos conecta a Cristo nosso Sacerdote, que nos representa diante do Pai na congregação celestial (Hb 2.11-13).[12]
Em outras palavras, a verdade da Trindade deveria estar explícita em nosso culto comunitário: nas orações, nos hinos e, sobretudo, na pregação. Contudo, mesmo quando isso não acontece, o culto ainda é trinitariano. O motivo é belo e enche o coração de alegria: a Trindade está trabalhando para nos perdoar e tornar o nosso culto aceitável.
Todavia, isso não é escusa para não trabalharmos em busca de um culto cada vez mais trinitariano. A nossa liturgia deve ser evidentemente triúna, e não apenas os ministros do Evangelho, mas toda a congregação deve ser capaz de explicar o motivo de ser assim.

A Trindade e “Deus como Amor”

Em 1 João 4.8, lemos que “Deus é amor”. Mesmo crianças podem entender que o amor exige a existência de mais de uma pessoa. Assim, se Deus é amor, entendemos que Deus é tanto o amante como o amado.
Mas se Deus não fosse uma Trindade, ele não poderia ser amor. Ele existiria durante uma eternidade “passada”,[13] isto é, antes de ter criado, sozinho, sem amar e sem ser amado.
A ideia de que Deus precisa de nós, de que ele precisava criar, é uma ideia de quem não entendeu a Trindade. Deus não estava sozinho, não estava em busca de alguém para amar ou por quem ser amado. Ele já amava e era amado antes da fundação do mundo. Vejamos:
Portanto, a criação não é Deus em busca de amor, mas Deus derramando o seu amor, jorrando o seu amor. O fato de ele nos criar, mesmo sem precisar, nos revela o seu amor. Se ele não estava carente de companhia (e de fato não estava!), se não necessitava da criação (longe disso!), e mesmo assim decidiu ir adiante e criar, só podemos exclamar: quão grande é esse amor!

Uma Palavra de Cautela

Não precisamos e não devemos simplificar o conceito da Trindade. Mas permitir que a explicação da Trindade seja complexa não significa entrar em todos os detalhes da Trindade econômica, muito menos nas noções especulativas a partir dos debates acadêmicos.
A Trindade não é um mistério, pois está revelada na Escritura.[14] Trata-se de uma verdade que Deus nos apresentou em sua Palavra inspirada, inerrante e infalível. Por outro lado, ela é um mistério[15] no sentido de não sabermos diversas coisas; na Escritura, não nos foi revelado tudo acerca da existência de Deus como uma Trindade. Não há uma descrição detalhada e exaustiva de como a Trindade “funciona”.
Portanto, devemos lidar apenas com aquilo que a Escritura nos revela acerca do Deus que existe, do Deus que é uma Trindade. Não nos é lícito especular sobre inúmeras verdades, muito menos a verdade sobre Deus. E mais: não apenas não sabemos tudo sobre Deus, mas não podemos, e nunca poderemos saber! Eu explico:
As Pessoas da Trindade são plenamente conhecidas apenas uma pelas outras. Deus é um ser Infinito e nós, seres finitos, não podemos saber tudo o que é possível saber sobre ele. Digo possível, pois, como já dissemos, trata-se de algo possível e factual entre as Pessoas da Trindade. Jesus diz em Mateus 11.27:
Ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho…
É verdade que ao final Jesus diz: “e aquele a quem o Filho o quiser revelar”. Mas não se trata de uma revelação completa. Esta não é uma interpretação forçada, pois é corroborada por outras passagens, dentre elas 1 Coríntios 2.11:
Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus.
O Pai conhece o Filho, o Filho conhece o Pai e ambos conhecem e são conhecidos pelo Espírito de uma forma que nunca estará acessível a nós, criaturas. A distinção Criador-criatura é instransponível. Alguns reconhecem isso, mas acham que a distinção e a limitação de conhecimento serão eliminadas no céu, após sermos glorificados. É claro que teremos um conhecimento mais claro e abrangente de quem Deus é, mas ainda será um conhecimento muitíssimo limitado. Afinal, seremos glorificados, mas não deixaremos de ser criaturas.
Este é o nosso Deus. Prostremo-nos diante dele.
FELIPE SABINO

[1] Sam Allberry, Connected: Living in the light of the Trinity (Nottingham: IVP, 2012), p. 13.
[2] Herman Bavinck, Dogmática Reformada — Deus e a Criação, Volume 2 (São Paulo: Cultura Cristã, 2012), p. 341. Ênfase adicionada.
[3] Ou seja, embora usemos o termo Trindade, devemos pensar em Deus como triunidade, como um Deus triúno. Há unidade na pluralidade!
[4] Stuart Olyott, What the Bible Teaches about The Trinity (Darlington, England: EP Books, 2011), 88.
[5] A tentativa de explicar a Trindade como a água em seus três estados (líquido, gasoso e sólido) é claramente uma visão modalista. Vale lembrar que qualquer analogia para a Trindade é inapropriada, pois não se trata de uma realidade presente e descoberta na criação. Conhecemos a Trindade somente mediante revelação proposicional do Criador, em sua Palavra.
[6] Ou seja, que creem naquilo que é comumente chamado de Teologia Reformada. Para os não familiarizados com a Teologia Reformada, recomendo as seguintes leituras: O que é teologia reformada, de R. C. Sproul; Calvinismo, de Abraham Kuyper; Vivendo para a glória de Deus, de Joel Beeke.
[7] Na verdade, o Breve Catecismo de Westminster, embora usado em nossos dias para instrução de adultos, foi criado para o ensino das crianças.
[8] Ou, como sugerem alguns amigos, “deleitar-se nele para sempre”.
[9] Stuart Olyott, What the Bible Teaches about The Trinity (Darlington, England: EP Books, 2011), 98.
[10] É claro, muitos dos que oram assim o fazem por ignorância, sem perceberem o que estão fazendo. Aliás, não poucos soltam essas “pérolas” devido ao nervosismo quando oram em público. A despeito da não intencionalidade desses cristãos, orar dessa maneira é afirmar a heresia do modalismo.
[11] Naquela hora, exultou Jesus no Espírito Santo e exclamou: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém sabe quem é o Filho, senão o Pai; e também ninguém sabe quem é o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar. (Lucas 10.21-22)
[12] Credo Magazine, Abril 2013, p. 18.

[13] Como Deus criou o próprio tempo, não existe uma eternidade passada.
[14] Diferente do uso popular do termo, mesmo por grandes teólogos, mistério não é algo desconhecido, algo nebuloso, muito menos um conhecimento místico. Antes, é um conhecimento que estava oculto, que era desconhecido, mas foi posteriormente revelado por Deus. O termo é muito usado pelo apóstolo Paulo e pode ser visto em diversas passagens, das quais citamos três: “Mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória” (1 Coríntios 2.7);   “Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos” (1 Coríntios 15.51); “O mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos” (Colossenses 1.26).
[15] Não há contradição aqui. Estou simplesmente dizendo que sabemos alguma coisa, mas não tudo (longe disso!).

FONTE ORIGINAL: https://www.facebook.com/l.php?u=http%3A%2F%2Freforma21.org%2Fartigos%2Fa-trindade-e-a-vida-crista.html&h=vAQGg0k2v

Intercâmbio feito por Lídia Santos