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quarta-feira, 23 de julho de 2014

Amor de Irmãos

Geralmente nutrimos uma noção de nós mesmos que nem sempre corresponde à realidade. Achamos que está tudo bem, que conhecemos a Bíblia, que vivemos de acordo com ela e até criticamos a superficialidade da teologia dos nossos irmãos pentecostais. Perdura, no entanto, uma realidade muito triste: olhamos para as ruínas do lado de fora dos nossos muros, quando a destruição está rondando o sossego do nosso próprio regato.
Você já reparou como as família não tem se preocupado em aplicar o mandamento de amar o próximo dentro de casa? Nossas crianças sabem falar de cor o mandamento que resume a segunda tábua da lei, mas não sabem demonstrar carinho uma pela outra. Certa vez vi uma cena que me entristeceu muito. Um menino morrendo de sono numa igreja desejava se recostar no ombro de sua irmã mais velha, e ela, sem piedade alguma, o empurrava trazendo-lhe frustração e muito incômodo. Enquanto via aquela cena, eu me perguntava: por que irmãos crentes vivem assim? Quanto custa demonstrar compaixão e amor por quem vive ao nosso lado todos os dias e de quem sentiremos muita falta no futuro?
É muito comum o sentimento de frustração e remorso de quem teve oportunidade de amar e não o fez, quando já é tarde demais para correr atrás do prejuízo. Eu fico me lembrando de quando eu convivia com meus irmãos quando eu era criança. Foram muitas oportunidades de demonstrar carinho, atenção, amizade, que já se foram. Hoje moro a seis horas e meia de distância de uma irmã e de um irmão, dez horas do outro e oito horas da outra. Morro de saudades deles e não posso vê-los na hora em que quero. Jamais pensei em minha infância que eu ficaria distante deles. Provavelmente, ficarei a cerca de 12 horas de avião de distância deles no ano que vem. Queria voltar no tempo para fazer cafuné nas minhas irmãs, para andar de mãos dadas com elas no Shopping, para brincar mais com meus irmãos, conversar mais sobre carros, máquinas e games, e brigar menos com todos eles, mas o tempo não volta jamais.
Por que você, que hoje tem seus irmãos perto de você deveria tratá-lo apenas com rivalidade? Trate com amor! O mandamento de amar o próximo começa dentro de casa. Se você não ama a seu irmão, a quem vê, como amará a Deus, a quem não vê? Além disso, a Palavra de Deus nos exorta a amar o próximo não apenas de lábios ou de língua, mas de fato e de verdade. Não é só dizer “eu te amo” de vez em quando; é necessário ir além, fazer favores, buscar água quando ele pedir, pegar a toalha de banho quando ele entra no chuveiro e esquece, sem reclamar. A coisa mais rara hoje em dia é ver um irmão deitado no colo do outro recebendo carinho e afeto. Sim, alguma coisa está profunda e gravemente errada!
Se você leu essas palavras, e se elas pesaram em seu coração, não defenda sua consciência; não formule racionalizações para justificar sua omissão e falta de amor. Admita que você tem sido relapso quanto ao mandamento de amar o próximo dentro de casa. Quer alguém mais próximo do que o irmão ou irmã que mora na mesma casa? Se tem alguém que precisa o tempo todo de nosso amor, é o irmão com quem moramos. Peça perdão a Deus por sua atitude e se esforce a amar de fato e de verdade aquele que passa pelas mesmas lutas e alegrias que você no contexto familiar. Quando vêm as alegrias, vocês estão juntos; quando vêm as tristezas, vocês estão juntos também.
Ame agora, enquanto é tempo. Um dia o conto de fadas vai acabar e a realidade vai colocar milhares de quilômetros de separação. Aí só restará a saudade e a comunicação remota, quiçá a frustração de não ter amado como deveria antes. Infelizmente, será tarde demais.

REV. CHALES MELO

Publicado em: http://www.ipb.org.br/informativos/amor-de-irmaos-1488
Intercâmbio feito por Cícero da Silva Pereira

quinta-feira, 26 de junho de 2014

A Mulher Cristã e as Reflexões sobre Temas Polêmicos Dentro e Fora da Igreja

Na semana passada, exatamente no dia 18/06 o blog Estadão publicou um texto da blogueira Ruth Manus intitulado “A incrível geração de mulheres que foi criada para ser tudo o que um homem NÃO quer.” Confesso que li esse texto várias vezes seguidas para fixar bem em minha mente sobre o assunto que estava sendo tratado e para entender que ele estava sendo escrito por uma autora não cristã.

No mesmo dia, várias mulheres compartilharam o texto, umas concordando e outras dizendo que discordavam completamente da ideia daquele texto. Após algumas discussões com amigos cristãos, percebi que 70% (estatística feita em pensamento rsrs) discordavam do texto e diziam que a autora estava propagando conceitos feministas e os outros 30%, para meu conforto, compartilhavam comigo da mesma ideia de que o texto era uma crítica ao feminismo e aos valores colocados e exigidos das mulheres ditas modernas.

Minha intenção ao escrever esse texto é trazer algumas reflexões sobre certos pontos específicos falados no texto da blogueira Ruth Manus e assim pensarmos eles à luz das Sagradas Escrituras e os envolvendo em assuntos polêmicos dentro da nossa Igreja Cristã.

Em nossa cultura moderna, percebemos predominar cada vez mais, o sentimento de independência entre meninas, jovens e até mulheres já maduras. Quem entre nós, nunca se viu pensando assim? Particularmente, fui criada em um lar não cristão e cresci ouvindo minha mãe dizer que eu deveria ser independente quando mais velha, me identifiquei muito com essa parte do texto: “[...] Somos a geração que foi criada para ganhar o mundo. Incentivadas a estudar, trabalhar, viajar e, acima de tudo, construir a nossa independência. [...]”. Até dentro do casamento a ouvia falar que eu não deveria depender do meu futuro esposo. É até normal ver isso em um lar não cristão, pois estes não crescem estruturados nas Sagradas Escrituras, mas o que mais me deixa triste é ver isso ser dito dentro de um lar cristão e perceber o quanto cada dia mais as mulheres cristãs estão deixando de entender os conceitos bíblicos sobre o seu papel como mulher que deve agradar a Deus.

Martha Peace* uma autora referência para as mulheres cristãs fala assim em seu livro Mulheres em Apuros: “Quando me pergunto ‘Quem sou eu?’ a resposta é: ‘Uma mulher criada por Deus à sua imagem. Minha responsabilidade como criatura de Deus é glorifica-Lo e servi-Lo como Ele merece. Com frequência, isso está no papel bíblico de esposa ou mãe.’”. “Disse então o homem: ‘Esta, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada mulher, porque do homem foi tirada" (Gênesis 2.23). A primeira mulher (Eva) foi criada para ser auxiliadora do homem, os dois não foram criados ao mesmo tempo, Deus criou a mulher após observar que o homem (Adão) se sentia sozinho e precisava de uma auxiliadora. Não é incomum vermos até em famílias não cristãs, onde não existe o entendimento da aliança do casamento como a aliança entre Cristo e a Igreja, as mulheres cumprindo seu papel de esposa e mãe, isso sendo descrito na Palavra para regra para os cristãos, mas que é também vivido pela nossa sociedade como regras morais para o bom andamento desta.

Nos dias de hoje, as mulheres são criadas para viverem “inteiramente independentes”, sem exercer nenhum tipo de submissão, e no que isso tem resultado?  Em mulheres ainda mais dependentes, porém de si mesmas, dentro de uma forma de idolatria maquiada. Quando pensamos na consequência desse fator de não submissão, esse mal tem entrado também em nossas congregações, levando mulheres ao desejo afrontador de tornarem-se “pastoras”, buscando uma liderança bem distante da influência ou submissão a masculina, inteiramente afastadas dos padrões bíblicos. Em uma discussão recente nas redes sociais, uma garota, que dizia-se ovelha de uma “pastora”, falava que ninguém poderia dizer que Deus não se agrada de um pastorado feminino, pois todos deviam vê que as mulheres que se levantam para os ministérios são mulheres “ungidas por Deus”. Tudo bem, mas vamos partir para o que a Palavra de Deus diz: “A mulher deve aprender em silêncio, com toda a sujeição. Não permito que a mulher ensine nem que tenha autoridade sobre o homem. Esteja, porém, em silêncio. Porque primeiro foi formado Adão e depois Eva. E Adão não foi enganado, mas sim a mulher que, tendo sido enganada, se tornou transgressora. Entretanto, a mulher será salva dando à luz filhos - se permanecer na fé, no amor e na santidade, com bom senso.” (1 Timóteo 2.11-15). Essa passagem se refere à ordem no culto, mas também traz valores e ensinos para o papel da mulher cristã na igreja. O que Paulo quer dizer nessa passagem, apesar de muitos se levantarem apontando como um é um tipo de machismo, é que as mulheres não podem e nem devem exercer cargos oficiais em suas igrejas, ofícios como diaconia ou presbiterato. Muitos, cristãos e não cristãos, falam que essa passagem compromete todo o trabalho da mulher na igreja, mas não é bem assim, infelizmente para entender isso é necessário um estudo bem mais detalhado e não posso me ater à isso nesse texto.

Muitas mulheres se veem frustradas também na hora da procura por um companheiro também porque não entendem onde estão errando em seu modo de agir, de se vestir. Ruth Manus diz: “[...] Talvez se eu fosse mais delicada… Não falasse palavrão. Não tivesse subordinados. Não dirigisse sozinha à noite sem medo. Talvez se eu aparentasse fragilidade. Talvez se dissesse que não me importo em lavar cuecas. Talvez... [...]”. A autora é muito sábia nessas palavras ao confrontar que ela foi tão criada para ser totalmente avessa ao cuidado de um homem que ela pensa que talvez agindo dessa determinada forma ela possa encontrar um homem para sua vida.

Há um ponto onde não concordo com a autora que é esse: “[...] não estou aqui, num discurso inflamado, culpando os homens. Não. A culpa não é exatamente deles. É da sociedade como um todo. Da criação equivocada. Da imagem que ainda é vendida da mulher. Dos pais que criam filhas para o mundo, mas querem noras que vivam em função da família. [...]”. Ela fala que a culpa é da sociedade como um todo e nós como cristãos sabemos que a culpa é do pecado. “Quando a mulher viu que a árvore parecia agradável ao paladar, era atraente aos olhos e, além disso, desejável para dela se obter discernimento, tomou do seu fruto, comeu-o e ­o deu a seu ma­rido, que comeu também. Os olhos dos dois se abriram, e perceberam que estavam nus; então juntaram folhas de figueira para cobri­r-se.” (Gênesis 3.6-7). Sabemos que foi aqui onde o pecado entrou no mundo e a partir daí todo mal, toda corrupção, toda impureza, todo desvio advém do pecado que mora no nosso coração.

 A minha intenção com esse texto não foi a de concordar em 100% com a autora do texto polêmico, mas sim de trazer a mente e para a reflexão de que até a sociedade, aqueles que não seguem padrões cristãos, estão percebendo que está existindo algo de errado com os conceitos que antes eram válidos e seguidos para o nosso bem. Que Deus nos dê força e sabedoria para trilharmos caminhos que O agrade em todos os momentos, nós mulheres e aos homens cristãos também, que nossa regra de fé e prática seja a Bíblia e que dela tiremos os nossos “passos” a percorrer nessa peregrinação que ruma à Vida Eterna.

Termino então com uma reflexão ainda de Martha Peace*: “Conforme estudamos as Escrituras e amadurecemos em nossa compreensão acerca do pensamento e das crenças piedosas, adquirimos mais discernimento sobre as formas erradas pelas quais temos sido influenciadas. Em vez de sermos atraídas pela fascinação da filosofia feminista que agrada nossos ouvidos, o autor de Hebreus escreveu que nossas faculdades serão ‘exercitada para discernir não somente o bem, mas também o mal’. (Hebreus 5.14)”.

Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo. (Colossenses 2.8)


LARYSSA LOBO


*Martha Peace em Mulheres em Apuros – Soluções bíblicas para os problemas que as mulheres enfrentam. Editora Fiel, 2010.
*Link do texto da blogueira Ruth Manus: http://blogs.estadao.com.br/ruth-manus/a-incrivel-geracao-de-mulheres-que-foi-criada-para-ser-tudo-o-que-um-homem-nao-quer/


quarta-feira, 11 de junho de 2014

Quando a Familiaridade se Torna algo Perigoso


Uma das boas dádivas que Deus nos concede é a proximidade com coisas boas e pessoas especiais. Mas por mais estranho que possa parecer à primeira vista, isto também pode se tornar um mal. O próprio Cristo nos apresenta essa verdade:

E Jesus lhes dizia: Não há profeta sem honra senão na sua pátria, entre os seus parentes, e na sua casa.
Marcos 6:4

No caso do texto acima, os habitantes de Nazaré rejeitaram Jesus, por não crerem que aquele homem que sempre habitou entre eles, pudesse ser o messias, ainda que os sinais e as escrituras testificassem isto.

Nosso coração pecaminoso pode se habituar com as pessoas, e assim deixar de dá-la o devido valor, valorizando sempre o novo, e desprezando as dádivas fixas e permanentes, numa ingratidão terrível e injustificável.

Isso pode ocorrer com nossos familiares, quando salientamos os seus defeitos e negligenciamos suas virtudes, comparando-os com outros pais e irmãos, que conhecemos somente de maneira superficial. O convívio certamente revelaria outras tantas falhas e pecados. Este processo de ingratidão em face da familiaridade também corrói muitos casamentos, pois nos faz abafar os sentimentos pelos cônjuges, levando muitos a rejeitaram seu próprio jardim se encantarem com o falso viro da grama alheia. Muitos são os exemplos que poderíamos citar, pois isso se manifesta em empregos de longa data, igrejas, pastores e etc.

Mais há uma aplicação ainda mais terrível deste pecado: o habituar-se com os meios de graça ofertados em abundância. Quanto de nós não temos dado pouco valor à pregação da palavra e os sacramentos? O acesso fácil a palavra pode nos levar a uma apatia. Infelizmente, a oferta pode nos levar a desvalorizar este "produto". Que terrível perigo nossa alma corre diante desta postura reprovável!

Que Deus nos ajude a afastar do nosso coração esta acomodação com a rotina religiosa. Que o Espírito conserve em nossos olhos e corações aquele brilho da primeira vez que compreendemos o evangelho em cada pregação que ouvimos e em cada leitura que fazemos. Que cada oração seja única e cheia de afetos. Que cada encontro com Cristo seja único. É preciso agir diferente do povo de Nazaré, pois nossa nação é celestial, e lá todos têm um cântico novo nos lábios.

Rodrigo Ribeiro
Facebook: https://www.facebook.com/rodrigo.ribeiro.14811

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Os Filhos não Estão à Procura de Pais Perfeitos

Embora nossos filhos aprendam a partir do que dizemos, eles aprendem ainda mais através do que somos e do que fazemos. Nossa fé, nossa oração, nosso ensino e nossa vida devem ser partes de um conjunto harmonioso. Sendo assim, a implementação do nosso ensino como pais-profetas necessita ser moldada por Deus.

O principal modelo piedoso para nós como pais-profetas é o Senhor Jesus, o qual superou todos os outros como um verdadeiro profeta, professor, pescador de homens  e fazedor de discípulos. Agimos bem ao fazermos um estudo particular dos Evangelhos com os olhos em como Cristo andou treinando seus discípulos. Um bom professor procura por bons modelos e se esforça constantemente para aprimorar suas habilidades e melhorar seus métodos. Cristo nos oferece o melhor modelo e abundantes recursos aos quais podemos recorrer à medida em que assumimos o tarefa de ensinar e treinar nossos filhos.

Os filhos não estão à procura de pais perfeitos, e eles são incrivelmente generosos. Eles têm uma maneira incomum de saber quem seus pais são e o que eles representam. É difícil guardar nossos segredos de alguém quando vivemos sob o mesmo teto. Nossos filhos estão sempre lendo o livro da nossa vida. Além da Bíblia, a maneira como vivemos a nossa fé dia após dia é o livro mais importante e que sempre será lido por nossos filhos.

O que as crianças precisam ver não é uma mãe perfeita ou pai perfeito, nem, certamente, uma mãe ou pai que nunca dizem: "Eu sinto muito." Eles precisam ver em nós um compromisso inabalável com Jesus Cristo, um amor incondicional por eles, e um forte vínculo amoroso um para com o outro como marido e mulher . Eles precisam ver a mãe e o pai trabalhando ombro a ombro, dos quais as crianças podem dizer : "Minha mãe e meu pai odeiam o pecado, eles amam a Deus, e sua única esperança está em Cristo Jesus. Eles querem, com tudo o que há neles, viver uma vida santa e piedosa . Eu posso ver isso, eu posso sentir isso; Eu sei que é verdade e que é real, e eu quero ser como eles. Eu quero que o Deus do meu pai e da mãe seja o meu Deus." Em particular, o modelo piedoso deve inculcar lentamente nos filhos a convicção de que a vida cristã é um modo de vida o qual proporciona a verdadeira alegria, o verdadeiro propósito e significado da vida, e despertar neles uma espécie de ciúme santo a fim de quererem essas coisas para si mesmos. Conforme nossos filhos leem o livro da nossa vida, eles aprendem como Deus, Cristo, a Bíblia, a fé , a oração e a adoração em família são importantes para nós.

Texto original disponível em: http://www.ligonier.org/blog/children-are-not-looking-perfect-parents/ POR: JOEL BEEKE / 10 de maio de 2014.

TRADUZIDO E EDITADO POR LETÍCIA LIMA

               https://www.facebook.com/leticiaa.limaa

sábado, 17 de maio de 2014

O Conceito Bíblico de Casamento é Fruto de um Cultura Obsoleta e Retrógrada, e por isso não se Aplica à nossa Realidade Social? Com a Palavra, Tim Keller.


Aquilo que a Bíblia ensina sobre casamento não reflete meramente o ponto de vista de uma cultura ou de uma época. Os ensinamentos das Escrituras desafiam a narrativa da nossa cultura ocidental contemporânea da liberdade individual como único caminho para a felicidade. Ao mesmo tempo, confrontam o modo de as culturas tradicionais verem os solteiros como seres humanos incompletos. O livro de Gênesis analisa de modo radicalmente crítico a instituição da poligamia, embora fosse uma prática cultural aceita na época, ao pintar um retrato vívido das desgraças e desintegrações que ela provoca nos relacionamentos familiares, e a dor que ela causa, principalmente para as mulheres. Os autores dos livros do Novo Testamento causaram espanto no mundo pagão ao exaltar a condição duradoura de solteiro como moda de vida legítimo. Em outras palavras, os ensinamentos dos escritores bíblicos desafiavam constantemente suas próprias crenças culturais, e portanto, não eram produtos de meras tradições e prática antigas. Logo, não podemos descartar a visão bíblica como um conceito unidimensionalmente retrógrado  ou culturalmente obsoleto. Pelo contrário, é repleto de ideias e soluções práticas e realistas, bem como de promessas maravilhosas sobre o casamento. E tudo isso é apresentado não apenas na forma de proposições claras, mas também de narrativas vívidas e poesias comoventes. A menos que você consiga olhar para o casamento através das lentes das Escrituras, e não de seus próprios medos ou de seu romantismo, de suas experiências pessoais ou da perspectiva limitada de sua cultura, não será capaz de tomar decisões inteligentes a respeito de seu futuro conjugal.

FONTE: O Significado do Casamento. Timothy Keller e Kathy Keller, tradução de Suzana Klassen. Edições Vida Nova, 2012. Páginas 20 a 22.

Rodrigo Ribeiro

sexta-feira, 11 de abril de 2014

UMP INDICA: II Família.com

Quais os princípios bíblicos para os relacionamentos amorosos entre dois cristãos? É pensando neste vital questionamento que o ministério de casais da IV Igreja Presbiteriana em Campina Grande realizada a segunda edição do Família.com, com debates direcionados para solteiros, namorados e noivos.

As discussões serão mediadas por Laryssa Lobo e terão como tema: namorando, noivando e casando para a glória de Deus.

O evento irá acontecer na IV Igreja Presbiteriana às 20:00h, no sábado dia 12 de Abril.

A UMP recomenda!

Rodrigo Ribeiro

terça-feira, 1 de abril de 2014

Criando Filhos para Morrer

Eis que os filhos são herança do Senhor, e o fruto do ventre o seu galardão.
Salmos 127:3

Os valores do mundo tem uma tendência inequívoca de se distanciar dos parâmetros bíblicos, e isto é um fato até mesmo esperado pois trata-se de um conflito de reinos e de cosmovisões diferentes. Alarmante mesmo é quando a própria igreja, povo de Deus comprado por um alto preço, deixa enveredar-se por caminhos que são sábios aos seus próprios olhos, ignorando os princípios eternos e imutáveis da palavra de Deus. Lamentavelmente isto tem ocorrido com bastante frequência, e, como de costume, a família é um alvo sempre almejado pelo mundanismo, principalmente a criação dos filhos.

Tendo como ponto de partida a reflexão presente no Salmo 127:3, já é possível verificar a flagrante inconsistência dos cristãos que não desejam ter filhos. Quem em sã consciência rejeitaria uma herança preciosa dada por um pai amoroso? Assim são os filhos, e aqueles que pensam como o mundo, colocando seu corpo, sua carreira, e suas finanças como prioridades de suas vidas, evitando filhos por vê-los como empecilhos aos seus projetos pessoais, demostram grande ingratidão contra Deus. Esta passagem é clara nesse sentido.

No entanto, o objetivo do texto vai além disto, e alcança até mesmo aqueles que aceitam esta bendita herança, mas não compreendem que o herdado deverá levar para sempre o nome e a memória daquele que concedeu os bens. Os filhos são herança de Deus e como tal devem levar adiante o legado e a honra daquele que nos presentou com tamanha dádiva. Não foram nos dados para nosso bel prazer e satisfação de carências afetivas. Também não estão sob nossa guarda para que possamos oferecer-lhes benesses matérias sem fim, numa plena e completa overdose de proteção e alegria irresponsável e mimada. Nós devemos esmerar-se para que honrem o legado do Senhor, ainda que isso custe suas vidas, reputações e bem estar. Filhos santos são o galardão do ventre de uma mãe santa!

Devemos refletir com sinceridade: Qual seria a nossa maior alegria como pais?

Ter um filho que teve uma vida gloriosa e próspera aos olhos do mundo, ou ter um filho que se mostrou sempre fiel à Deus ainda que isto lhe custasse caro, talvez até mesmo a vida? Nosso desejo é cevá-los com diversos cuidados e benefícios, sempre na meta de que eles devem ter tudo que não tivermos, ou nosso alvo é instrui-los ao crescimento, afastando-os das conquistas fáceis e sem luta, e dos alvos superficiais de uma sociedade consumista e materialista? Queremos filhos que sejam servidos ou que sirvam ao Senhor e ao próximo?

Vejamos o relato do Anjo que anunciou o nascimento de Zacarias e miremo-nos nos seu exemplo: 
Mas o anjo lhe disse: "Não tenha medo, Zacarias; sua oração foi ouvida. Isabel, sua mulher, lhe dará um filho, e você lhe dará o nome de João.
Ele será motivo de prazer e de alegria para você, e muitos se alegrarão por causa do nascimento dele,
pois será grande aos olhos do Senhor.
Lucas 1:13-15

O prazer de Zacarias tinha nome: João Batista. E este seria um mártir da fé. Não lhe aguardava um futuro fácil, um emprego estável, um concurso federal. Ele não seria aprovado numa faculdade de renome, tão pouco se casaria com uma bela e vistosa jovem de sua vizinhança. Por mais que essas coisas sejam legítimas, este não era o caminho proposto por Deus para João.

Mas nem por isso percebemos pesar em seu pai. A profecia diz exatamente o contrário: ele seria sua alegria. Como homem piedoso e temente, Zacarias tinha como satisfação perceber que o seu filho seria fiel a Deus e cumpriria a vontade do Pai Eterno. As outras coisas são secundárias diante de um futuro tão glorioso. Ele sabia o que era de fato importante, não se deixou levar-se pelas coisas lícitas, mas que podem nos afastar do caminho que glorifica ao Senhor quando entronizados como ídolos do coração. A morte de João pelo evangelho, em que pese a tristeza do luto, produzia a certeza da grande dádiva recebida por aquele pai tão temente ao Senhor. Morrer por Cristo é um privilégio dado a poucos. Teríamos nós esse mesmo sentimento?

É preciso criar filhos que desejem viver menos para si mesmos, e que anelem cada vez mais morrer pelo evangelho. E esse é o grande desafio. Pois nosso coração pode facilmente idolatrar casamento, emprego e tantas outras coisas. Não podemos priorizar as dádivas e esquecer do Deus doador. Honrá-lo, como herança sua, deve ser a prioridade em nossas vidas e nas vidas dos nossos filhos. Esse é o testemunho de Cristo para nós e para nossa futura ou atual descendência:

E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me.
Porque, qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida, a salvará.
Porque, que aproveita ao homem granjear o mundo todo, perdendo-se ou prejudicando-se a si mesmo?

Que este seja nosso desejo como pais, tanto aqueles que já são como os que serão. Aos que já tem filhos, sempre há tempo para corrigir posturas, e ensiná-los a amar a Deus mais do que o presente século e seu conforto temporal. Para os outros, nos quais me inclui, que ainda não receberam esta dádiva, que tenhamos desde já a sabedoria e o temor para prepará-los desde os primeiros passos à seguir o caminhos da cruz, pois assim um dia estaremos com eles e o nosso Cristo desfrutando de sua presença gloriosa na eternidade. Não há desejo mais belo do que esse na face da terra, por isso precisamos de pais com essa disposição santa, contrariando o mundo com os olhos no eterno.

Rodrigo Ribeiro

quarta-feira, 12 de março de 2014

Mulheres Rixosas

Todos desejam um lar agradável. Provavelmente é seguro dizer que ninguém quer viver num lugar miserável, infeliz. Mas está claro que um lar agradável não é algo que se possa comprar com dinheiro. Se fosse assim, as pessoas ricas seriam felizes, e todos sabemos que bem poucas delas o são.

O que é que torna nossos lares verdadeiramente agradáveis? Sem dúvida, é a sabedoria que vem de Deus. Quando há sabedoria em casa, o lar é um prazer. Sendo assim, um lar agradável é aquele que tem uma mulher sábia, virtuosa no seu centro. Provérbios tem muitas descrições vívidas da mulher sábia e da mulher insensata.

Para iniciar, considerem Provérbios 14:1: “A mulher sábia edifica a sua casa, mas a insensata, com as próprias mãos, a derriba.” Ambas as mulheres estão ocupadas, e seu comportamento tem um impacto considerável sobre seus lares e suas famílias. Mas a mulher sábia está construindo, enquanto a insensata está destruindo. Poderíamos argumentar que pelo menos a insensata tem a atenção centrada no seu lar. Certamente – da mesma maneira que uma equipe de demolição tem sua atenção centrada ao direcionar a bola de demolição. O lar é um triste alvo, e que tragédia quando a pessoa designada por Deus para ser a benção principal acaba se tornando uma vergonha e uma destruidora.

Charles Bridges, um pastor do final do século XIX, diz em seu comentário sobre Provérbios, “Muitas são as misérias na vida de um homem; mas nenhuma se iguala àquela que vem de quem deveria ser o esteio da sua vida.” E continua dizendo que a esposa petulante é uma grande calamidade doméstica, e não há saída legal. Um filho rebelde pode pelo menos ser posto para fora de casa, diz ele, mas uma má esposa simplesmente tem que ser suportada.

O livro de Provérbios confirma isso. Uma mulher briguenta, petulante, rixosa, indiscreta, ignorante é uma grande aflição para seu marido e sua família. Seria melhor dormir sobre o teto, ou no deserto, do que suportar a sua raiva e amargura. Salomão diz que seria melhor suportar o mau tempo do que lidar com ela. Afinal, neste caso, o tempo pode ser pior em casa do que fora. Um homem está melhor sozinho do que acompanhado de uma mulher como esta.

A maioria das mulheres cristãs prontamente presume que não estão na categoria das “rixosas e petulantes.” Mas gostaria de refinar isto um pouco para que possamos todos prestar atenção. Já vi mulheres destruírem seus lares, e normalmente isto não acontece em um dia. Foram anos de lamúrias, reclamações, descontentamento, perturbação e outros “pequenos” pecados não tratados. E isto se transformou em profundo ressentimento que acabou com uma espetacular demolição de um lar. “Pequenos pecados” de irritação, desprazer, auto-piedade, e um espírito crítico são como pequenos balanços com malhos. A parede acaba cedendo. Pequenos pecados sempre se transformam em grandes pecados. Cantares diz que as raposinhas estragam o vinhedo. As mulheres precisam ter uma política de tolerância zero com respeito aos seus próprios pecados. Devem se arrepender de todos imediatamente. Mentiras devem ser confessadas. Restituições devem ser feitas. O perdão deve ser buscado em todos os casos. De outra forma, um pecado leva a outro, e logo as coisas que deveriam ser o doce conforto do lar, a mesa de jantar e a cama de casal, tornam-se os palcos da tragédia anunciada.

De que maneira uma mulher pode buscar sabedoria para que isto não aconteça? De que maneira pode transformar seu lar se as coisas já estiverem em um estado de entulho e confusão? Como eu disse acima, o pecado deve ser primeiramente reconhecido e tratado. Mas depois, ela deve considerar a característica da sabedoria descrita em Provérbios e buscá-la diligentemente. “Não sejas sábio aos teus próprios olhos; teme ao Senhor e aparta-te do mal ” (Provérbios 3:7). A mulher sábia busca a sabedoria no Senhor, não em si mesma. Esta humildade permite que ela seja ensinada: “O sábio de coração aceita os mandamentos, mas o insensato de lábios vem a arruinar-se ” (10:8); “O caminho para a vida é de quem guarda o ensino, mas o que abandona a repreensão anda errado ” (10:17). Uma mulher insensata não aceita mandamentos, instrução, crítica, informação ou correção de ninguém. Nem do seu marido, nem do pastor, nem de seus amigos, nem da Palavra. Ela é sábia aos seus próprios olhos e não necessita de nada. Ela justifica seu comportamento para si mesma. Ela conta e reconta sua história em suas próprias palavras e faz os ajustes necessários para garantir que ainda pareça um personagem compassível. Mas os outros personagens da história, a sua família, a vêem de maneira bem diferente.

A mulher sábia não apenas pode ser ensinada, mas também ensina aos outros coisas boas: “Prata escolhida é a língua do justo, mas o coração dos perversos vale mui pouco. Os lábios do justo apascentam a muitos, mas, por falta de senso, morrem os tolos ” (10:20-21). Quando uma mulher sábia fala ao seu marido, isto é alimento. Quando fala aos filhos, eles são abençoados. Ela se torna a fonte de força da sua família, ao invés de drenar sua alegria. Ela é a coroa, trazendo ao seu marido “bem e não mal, todos os dias da sua vida.” (31:12).

Um lar com sabedoria será um “manancial de vida” (10:11). A mulher que busca este tipo de sabedoria necessariamente se tornará alegre, prudente, obediente, disciplinada, respeitosa e submissa ao marido, uma bênção para todos ao seu redor, edificando seu lar. Este é um contraste bem marcante em relação à mulher insensata que está destruindo a sua casa por ser rixosa, barulhenta, indiscreta, ignorante, tolerante consigo mesma, argumentadora, nunca satisfeita, e sempre reclamando. Há uma razão para a repetição em Provérbios deste assunto: as mulheres têm a tendência a tentação comum de serem como torneiras gotejando. E subestimam radicalmente o impacto da sua desobediência: “O gotejar contínuo no dia de grande chuva e a mulher rixosa são semelhantes” (27.15).

Nancy Wilson

Fonte: Monergismo
Extraído de: http://www.internautascristaos.com/textos/artigos/mulheres-rixosas

Intercâmbio feito por Lídia Santos

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Olhando para Cristo na Perda de um Filho

A perda de um filho é dolorosa, profundamente dolorosa.

Há quinze anos, eu e minha esposa experimentamos o nosso primeiro aborto. Eu que seria pai pela primeira vez, de repente, não seria mais. A perda foi tão inesperada. A dor foi intensa no fundo da minha alma. E eu, em meio ao meu próprio sofrimento e pranto, estava tentando cuidar de minha esposa que estava em luto. Durante dois anos e três meses ela lutou com Deus, até o momento em que o entendimento dela sobre Sua soberania foi acompanhado pela torrente do Seu amor.

Há quatro anos, nossas vidas foram abaladas em luto mais uma vez quando uma tentativa de adoção falhou. Eu estava com meu filho construindo beliches para ele e seu futuro irmão, quando o telefone tocou. O pequeno órfão de três anos de idade que, tão desesperadamente precisava de uma família, a quem já tínhamos aprendido a amar como se fosse nosso, que iria levar o meu nome em apenas mais sete dias - esta criança permaneceria órfã, não mais adotável​​. Nossos corações estavam esmagados quando, então, entramos numa estação revigorante, na qual Deus esteve provando o seu valor acima de tudo.

OLHANDO PARA JESUS

Por que o Deus dos céus e da terra dá apenas para tirar? Há tantas razões que eu já aprendi, mas uma observação inesperada é alcançada em Zacarias 12:10.

Mais de 500 anos antes de Getsêmani e Gólgota, Deus declara:
“E derramarei sobre a família de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém um espírito de ação de graças e de súplicas. Olharão para mim, aquele a quem traspassaram, e chorarão por ele como quem chora a perda de um filho único, e lamentarão amargamente por ele como quem lamenta a perda do filho mais velho.” Zc 12:10


Há uma relação direta entre a glória de Cristo e a perda de um filho. A noite triste e a dor torturante, o pulsar da alma e os soluços de perda - são todos concebidos para ser referência para o tipo de dor que os nós devemos sentir com a morte de Cristo em nosso favor.

“Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniqüidades.”
(Isaías 53:5 ) . Foi horrível. Angustiante. Mais terrível do que as palavras podem descrever. Mas nisto, Ele abriu um caminho para a nossa dor ser suportada e nosso sofrimento amenizado - um caminho para que sejamos curados (Isaías 53:4-5 , 1 Pedro 2:24). Nas palavras de Zacarias, no dia em que o próprio Filho de Deus foi ferido, “uma fonte [foi] aberta...para purificá-los do pecado e da impureza" (Zacarias 13:1). Ele tomou o pior tipo de dor para curar a nossa dor final.

AJUDA PROMETIDA

Ouvimos as palavras de Pedro, dizendo: "Este Jesus... vocês o crucificaram." (At 2:23) E com a multidão "rasgamos o coração” e declaramos : “Irmãos, que faremos?” (At 2:37). Nossa dor foi grande, mas em seguida ouvimos as gloriosas verdades soarem em nossos ouvidos, "Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos seus pecados...” (At 2:38) e "Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo." (At 2:21) . A Salvação quebra a tristeza. A glória não vem apesar da dor, mas por causa dela.

Quando o luto da perda é compensado pela fé em Jesus, há misericórdias renovadas em cada amanhecer, tudo porque nós sabemos o que significa olhar para aquele que foi traspassado por nós. Nós temos esperança Naquele que prometeu ajuda para a nossa batalha contra o pecado e para os momentos em que aqueles a quem amamos se vão. Em Cristo, o sofrimento não terá a última palavra.


Traduzido por: Letícia Lima

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

O Homem Abençoado

Nos últimos dias tenho aprendido bastante sobre masculinidade bíblica e tenho percebido o quão alto é o padrão de Deus para os Seus filhos homens. É necessário de nós que além de trabalharmos duro, sejamos capazes de edificar uma família e lidera-la diante de Deus. Tarefas que por natureza já não são fáceis, mas que se tornam ainda mais árduas em consequência do pecado que não apenas atuam em nossa vida, mas marca a sociedade na qual estamos inseridos. Buscar viver de acordo com a Bíblia em uma cultura consumista e pornificada é um grande desafio!

Em minha busca pela masculinidade bíblica tenho experimentado a grande alegria de viver exatamente aquilo que Deus me planejou para viver e isso é algo que traz grande contentamento e satisfação. Mas confesso, que isso nem sempre tem sido algo fácil e as pressões da sociedade às vezes parecem me esmorecer. É o medo de não conseguir um bom emprego após a faculdade, de não encontrar a pessoa certa para casar, de um dia fracassar como marido e pai, de não cumprir a vocação que Deus me entregou... Enfim, são muitas as situações que tentam me impedir de continuar buscando o padrão que Deus estabeleceu para mim como homem em Sua Palavra. Mas em meio a isso tudo, descobri no Salmo 128 um conforto e tranquilizante, me assegurando um futuro certo de acordo com a vontade de Deus.

“Como é feliz quem teme ao Senhor, quem anda em seus caminhos!
Você comerá do fruto do seu trabalho, e será feliz e próspero.
Sua mulher será como videira frutífera em sua casa; seus filhos serão como brotos de oliveira ao redor da sua mesa.
Assim será abençoado o homem que teme ao Senhor!
Que o Senhor o abençoe desde Sião, para que você veja a prosperidade de Jerusalém todos os dias da sua vida,
e veja os filhos dos seus filhos.  Haja paz em Israel!”
Salmos 128:1-6

Esse Salmo fala exatamente sobre o que acontece com as pessoas que temem ao Senhor e andam em seus caminhos, especialmente os homens e a meu ver é o padrão perfeito de um homem realmente bem sucedido.

Primeiro, o autor do Salmo diz que o homem que teme a Deus comerá do fruto do seu próprio trabalho e será próspero. Não, isso não é uma garantia de que todos os homens que temem a Deus serão ricos ou que não enfrentarão problemas financeiros. Mas assegura eles serão capazes de viverem e sustentarem suas famílias a partir do seu próprio esforço, cumprindo assim o dever do homem de trabalhar como estipulado pelo próprio Deus no livro de Gênesis. Além disso, ele nos assegura que seremos felizes. Sim, a felicidade é uma consequência de vivermos a nossa masculinidade de acordo com o que a Bíblia diz, incluindo trabalhar, mesmo sendo essa uma tarefa bastante árdua após a Queda. Isso contradiz totalmente o ideal do mundo, segundo o qual, homens bem sucedidos são aqueles que trabalham pouco, mas tem muito dinheiro. Essa é uma prova de que o sonho de ganhar na loteria para nunca mais trabalhar não traz alegria de verdade, tampouco a satisfação de ser um “macho bíblico”.

Logo em seguida, o autor fala sobre a alegria da família. Nada mais completa um homem do que uma mulher – é claro que há algumas poucas exceções. Há uma necessidade intrínseca a nós homens de sermos líderes, de buscarmos uma companheira e junto com ela edificarmos uma família. Entretanto, por causa do pecado nem sempre conseguimos assumir o nosso papel de liderança da forma correta, do mesmo modo, nem sempre as mulheres conseguem ser submissas a seus maridos, o que acaba levando ao fim muitos casamentos. Entretanto, a promessa desse Salmo é de que o homem que teme a Deus terá uma família abençoada, na qual ele consegue cumprir o seu papel de provedor do lar e sua esposa reconhece o seu lugar de auxiliadora e assim como uma árvore que gera bons frutos, consegue dar à luz a muitos filhos, formando assim a família da aliança. Ao mesmo tempo, salienta que o verdadeiro homem não aquele que “conquista” mais mulheres, mas sim aquele que consegue escolher uma única mulher e ser fiel ao seu lado pelo resto da vida.

Por fim, essas bênçãos que se iniciam no lar abrangem a Igreja e trazem bênçãos para toda a nação. É por isso que o salmista ora para que Deus abençoe Sião, haja paz em Jerusalém e as gerações futuras sejam prósperas. Ele entende que a verdadeira masculinidade é um legado precioso e por isso anseia para que a sua nação como um todo e as próximas gerações experimentem tais bênçãos.

O que mais gosto nesse Salmo não é porque ele simplesmente garante um futuro certo àqueles que decidem viver a verdadeira masculinidade bíblica, mas também estabelece o que realmente significa ser um homem de acordo com a vontade de Deus. Ele reitera o mandato de Gênesis de que o homem deve trabalhar e liderar uma família. Ao mesmo tempo em que termina apontando para uma outra característica de um verdadeiro homem: o apreço pela oração. O verdadeiro homem de Deus é homem que ora por sua família, pelos seus descentes, pela Igreja e pela sua nação.

Temos vivido em nossa sociedade uma verdadeira crise de hombridade e é por isso, que mais do que nunca precisamos ser verdadeiros “machos bíblicos”. Essa não é uma tarefa fácil, mas não é em vão e é a única forma de sermos verdadeiramente felizes e satisfeitos. Em meio às dificuldades podemos ter certeza de que não estamos sozinhos e de que a própria Palavra de Deus nos assegura um futuro bem sucedido de verdade. Que o Salmo 128 nos encoraje a sermos aquilo que a Bíblia nos manda ser.

Igor Sabino

sábado, 4 de janeiro de 2014

Um Chamado às Mulheres Solteiras

“Portanto, uma mulher solteira que vive com aquele dia final em vista e faz de Cristo o seu tudo em tudo aqui, diz algo muito poderoso e bastante claro acerca do seu Salvador.”– John Piper

Esse artigo é para todas vocês mulheres solteiras que já deram uma segunda olhada para o campo missionário. As que ainda não deram, eu peço-lhes que considerem gastar suas vidas proclamando a dignidade de Cristo entre os povos não alcançados, uma vez que temos vivido com os dias finais em vista.

Aqui está a conclusão a que cheguei: Há uma beleza única em nossa solteirice e nós temos primeiramente que entender de que forma esse nosso estado magnifica a Deus. Eu estou certa de que se nós como “um grupo de pessoas” compreendêssemos a razão para nossas vidas de solteiros, nós como um Corpo de crentes seriamos muito mais propensos à ação, ao invés de nos acomodarmos aos confortos do mundo ocidental. Ver essa fase como uma benção ao invés de um “período de espera” nos permite experimentar e magnificar a dignidade de Cristo de um modo único que não será mais possível no casamento. O gênio do John Piper formulou os três pontos seguintes que nos apresentam uma perspectiva de como essa fase tem o poder de mistificar o mundo secular. Contudo, eu realmente oro para que isso fale profundamente aos nossos corações.

1) Uma vida de solteiro que exalta a Cristo carrega o testemunho de que a família de Cristo cresce através da regeneração pela fé e não através da propagação por meio da atividade sexual. A principal coisa que temos a ver é com relação a essa família. Assim, se você nunca se casar e abraçar uma vida de castidade e sem filhos biológicos, e receber isso das mãos do Senhor como um ato de misericórdia e um presente com contentamento, e se juntar ao pobre e aflito, e gastar a si mesma pelo Evangelho, sem autocomiseração; você irá, em uma feminilidade solteira única, magnificar a Cristo de formas que uma mulher casada nunca poderá.

2) Uma vida de solteiro que exalta a Cristo carrega o testemunho de que relacionamentos em Cristo são mais permanentes e mais preciosos do que os relacionamentos em famílias. Se uma mulher solteira se volta sem amarguras ou ressentimentos da ausência de sua própria família e se dedica à criação da família de Deus na igreja, ela encontrará um florescer da sua feminilidade


3) A vida de solteiro de uma mulher que exalta a Cristo carrega o testemunho da verdade de que o casamento é temporário e finalmente dará lugar a um relacionamento que desde o início apontava para Cristo e a Igreja. Dessa forma, não será mais necessário uma figura quando vocês estiverem face a face.

Eu quero ver mais de nós nos unindo ao pobre e aflito. Eles cobrem o mundo. Mas em minha opinião, há uma necessidade ainda maior de nos unirmos aos que estão entre os povos não alcançados – pois eles também são pobres e aflitos sem Deus. O fato de ainda haver povos que não tiveram o Evangelho penetrado em seus corações é a maior tragédia e injustiça social que vejo hoje. Especificamente, eu vejo olhos de touro sobre o Oriente Médio e nós como Igreja precisamos de mulheres ousadas que irão extinguir a si mesmas em palavra, oração e adoração diária a fim de serem flechas preparadas para serem lançadas e atiradas sobre aquele alvo. Nós precisamos estar moldando as nossas ferramentas e nos engajarmos na guerra iminente. Em “The Perseverance of Jesus” (A Perseverança de Jesus), Mike Bickle afirma, “Deus nos faz um flecha com o propósito de nos atirar em Seus momentos estratégicos. Cada pessoa é unicamente moldada por Deus como uma flecha preparada para um alvo específico. Nós temos que abraçar o alvo que Deus criou para nós. Uma flecha tem alvos específicos em diferentes fases da vida de uma pessoa. O tiro da flecha não está limitado à plataforma de um ministério, mas a qualquer designação que Deus nos der.”

O Senhor tem sido estratégico ao usar missionárias solteiras como flechas. Elas tem sido um fator dominante na grande história da missões mundiais, ao modificarem nações. Quando eu olho para o coração de uma mulher eu vejo uma habilidade de se conectar com o coração do Pai Celeste que produz uma compaixão única pelo perdido. Quando Amy Carmichael ouviu Hudson Taylor, fundador da China Inland Mission, falar sobre os não alcançados, ela foi levada a ficar de pé e fazer algo com relação àquelas estatísticas. Aquelas estatísticas não poderiam sustenta-la, contudo. O que sustentou Amy foi o amor do Calvário. Ela disse: “Isso não desperta os nossos corações a ir e ajuda-los, isso não nos faz ansiar por abandonar nossa luxo, nossa excedente abundante luz e ir termos com eles que estão sentados em trevas?” O amor do Calvário não nos desperta a irmos? Isso não deveria nos levar a tomar uma ação? A vida de Amy foi cheia de abandono por Cristo. Ela viveu uma vida de completa entrega ao Senhor por causa da sua revelação do amor do Calvário. Amy escolheu morrer para si mesma quando ela colocou de lado seus desejos pessoais, família e convenções sociais. Ela nunca se casou, pelo contrário, deixou a casa do pai e da mãe a fim de abraçar uma terra de caos como sendo sua. Ela contendeu pelo retorno do Senhor em meio aos não alcançados. Eu acredito que essa perspectiva é chave para nós hoje. Amy esteve na Índia por 55 anos sem licença, o que nos mostra que ela colocou a mão no arado e não voltou atrás. Ela viu o trabalho que estava sendo produzido pelo trabalho no campo muitos anos depois. Labor como o dela não produz resultados instantâneos, mas requer tempo, sangue e suor, e nós deveríamos ir despreocupados se veremos os frutos que produzimos ou não.


Amy abriu mão de sua vida de maternidade para seguir a Cristo em uma terra de trevas e em resposta à sua obediência, o Senhor a abençoou tornando-a mãe de centenas de crianças indianas. Ela foi claramente separada. Ser separado para um trabalho único pelo Senhor requer a graça que somente Ele pode prover. Nó temos que depender dEle diariamente. Que grande aventura eu vejo em uma pessoa abandonar a si mesma pela causa por causa dEle, cujo nome é digno de receber louvor e honra entre os não alcançados.

Todas essas coisas se resumem nisso: Ele é digno? Essa é uma questão com a qual eu e você devemos lutar. Para mim, não há maior alegria do que gastar os meus dias de solteira vivendo ousadamente pelo Senhor entre os não alcançados. Eu estou convencida de que estaria fazendo o mesmo se eu fosse casada e com uma família. Eu tenho entendido, contudo, que há algo único nessa fase em que estou atualmente. I não quero ver nenhum dos meus dias desperdiçados. Eu tenho apenas essa vida e quero falar do meu salvador. Como uma mulher solteira, posso entrar em lugares que outros não podem. Eu sou capaz de ter uma agenda que não é interrompida por outros. Eu sou capaz de ter uma agenda que é planejada pelo Senhor, assim como é mais fácil para mim ter os meus planos “interrompidos” pelo Espírito Santo. Eu escolhi correr essa corrida porque eu tenho sido cativada pelo meu Amado e Ele não está à esquerda ou à direita, mas à frente. É um caminho estreito a seguir. Ele pode ser solitário e desencorajador algumas vezes, mas com o Senhor como nosso sustentador e fundamento da nossa alegria, vejo que vale a pena segui-lo. Ele não é desse mundo e muitos não o entenderão. Esse chamado requer sacrifício, riscos e compromisso, mas Ele é digno de tudo e quando você chega a essa conclusão, você considera uma honra ir e derramar a sua vida entre pelo menos um desses povos. Nós temos uma linda história que nos foi confiada e não podemos ser egoístas em mantê-la apenas para a nossa América do Norte que já tem acesso à ela.

Um missionário trabalhando nas fronteiras do Tibet escreveu essas impressionantes palavras: “Os olhos dos cristãos deveriam se voltar instintivamente para as terras fechadas ao Evangelho nessa era missionária assim como os olhos de um exército conquistador se voltam contra os poucos remanescentes postos avançados do inimigo que resistem aos vencedores e dificultam a completa vitória; sem quais o chefe comandante é impossibilitado de fechar a campanha.”
-Robert Hall Glover

 “Sem reservas. Sem recuar. Sem ressentimentos.” – William Borden (influenciado pelas missões aos muçulmanos na China)

 “Quando o mundo ver milhões de cristãos ‘aposentados’ derramando as últimas gotas de suas vidas com alegria pela causa dos povos não alcançados e com uma visão voltada para o céu, então a supremacia de Deus brilhará.”
-John Piper

“Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos; E clamavam com grande voz, dizendo: Salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono, e ao Cordeiro. E todos os anjos estavam ao redor do trono, e dos anciãos, e dos quatro animais; e prostraram-se diante do trono sobre seus rostos, e adoraram a Deus, Dizendo: Amém. Louvor, e glória, e sabedoria, e ação de graças, e honra, e poder, e força ao nosso Deus, para todo o sempre. Amém.”

Original em: http://www.faimission.org/a-call-to-single-women-to-dig-in-the-middle-east

Texto de  Sarah Racine

Tradução feita por Igor Sabino