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quarta-feira, 14 de maio de 2014

A Prioridade da Obediecência

Porém Samuel disse: Tem porventura o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do SENHOR? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros. (1 Samuel 15.22)

 Todos nós conhecemos a história. O Rei Saul recebeu a ordem de não tomar despojos dos amalequitas, mas destruir tudo, incluindo os animais. Quando o profeta Samuel descobriu que Saul tinha poupado muitos animais para o seu próprio uso, ele o condenou firmemente por sua desobediência. O Rei Saul tentou justificar suas ações dizendo que tinha guardado os melhores dos animais a fim de usá-los para as ofertas de sacrifício a Deus. Pouco impressionado, Samuel fala no lugar de Deus: “Obedecer é melhor do que o sacrificar”. E como resultado da “rejeição” de Deus por Samuel, Deus rejeitou Samuel — seu reino seria tomado e dado a outro.
Mas observe as palavras de Samuel — Obedecer é melhor do que o sacrificar”. Sem dúvida, em certo nível, e pensando nisso à luz da revelação mais completa do Novo Testamento, percebemos que se não há sacrifício para o pecado, não temos nada em absoluto. Nesse sentido, não existe nada mais importante que o sacrifício.
Mas não é isso o que Samuel tinha em mente. Saul tinha oferecido sacrifício ao Senhor — e isso é algo bom! Mas nessa ocasião Deus rejeitou o sacrifício. A adoração de Saul era inaceitável. Por quê? Porque a desobediência de Saul ao mandamento de Deus mostrou que sua “adoração” era uma farsa. Deus não aceitará a adoração do desobediente.
Dois pontos principais de aplicação emergem a partir disso. Primeiro, Deus espera que o obedeçamos, e nos considera responsáveis aqui. Deus não oferece sugestões. Ele dá mandamentos. E nós, suas criaturas, somos obrigados a obedecê-lo. Não devemos selecionar e escolher — devemos obedecer!
Segundo, não devemos fingir que adoramos a Deus, se não obedecemos aos seus mandamentos. Podemos ir com a maré — ir na igreja, dar o dízimo, cantar os hinos, orar — mas se formos desobedientes, nossa adoração não será aceitável.
Isso é fascinante e de significado imenso, e é um corretivo muito necessário para o nosso pensamento natural. Quando pecamos — desobedecemos à Palavra de Deus — nossa tendência, em vez de se arrepender, é justificar esse pecado envolvendo-nos ainda mais fortemente na adoração. Asseguramo-nos de ir à igreja. Cantamos os hinos de coração. Damos dinheiro extra na hora das ofertas. E, talvez inconscientemente, queremos pensar que tudo isso compensa o pecado, que de alguma forma nossa boa adoração compensará a nossa desobediência. Mas podemos estar certos que Deus não é tão facilmente enganado. Nem ele é tão facilmente subornado.
Mais tarde na história de Israel o profeta Isaías condenou a nação por sua adoração. Ele condenou seus sacrifícios e ofertas — tudo o que Deus ordenou! Mas era tudo uma farsa, um ritual vazio e insincero, pois eram um povo desobediente.
No Novo Testamento o apóstolo faz o mesmo. Ele diz aos coríntios que a sua observância da Ceia do Senhor tinha trazido sobre eles o desprazer e a disciplina de Deus. A forma como eles estavam tratando uns aos outros na congregação era pecadora, e assim, a adoração deles era indigna de Deus. Aqui novamente a adoração é de acordo com o mandamento de Deus, mas foi rejeitada por causa de desobediência.
Tudo isso para dizer que Deus espera sinceridade na adoração. Não ousemos brincar com ele. Não podemos selecionar e escolher quais leis obedeceremos. E tendo desobedecido a Deus, não finjamos adorá-lo. Deus exige sinceridade na adoração!
Fred Zaspel
Tradução: Felipe Sabino—  janeiro de 2012.
Fonte da tradução: http://www.monergismo.com/fred-zaspel/a-prioridade-da-obediencia/

Intercâmbio feito por Lídia Santos

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Somos Escravos de Cristo?

Todos nós temos uma imagem muito negativa sobre a escravatura, principalmente nos moldes praticados na história do Brasil. Paulo e Timóteo, no primeiro versículo de Filipenses se apresentam como servos (escravos) de Cristo. Na verdade, no original grego a palavra utilizada é doulos (pronuncia-se dulos) e significa escravo.

No Antigo Testamento, as pessoas com um relacionamento mais íntimo e obediente a Deus eram chamadas de servas do Senhor, em uma conotação positiva na medida em que coloca o serviço a Deus em posição de destaque. Moisés, nesse sentido, era um verdadeiro servo do Senhor. Um dos objetivos da vida cristã é de chegar, no final da jornada, e escutar do nosso Senhor: “Servo bom e fiel, foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei. Entra no gozo do teu Senhor”.

No tempo de Paulo, sob a dominação do império romano, a pessoa poderia ser escravizada por quatro razões principais: por dívida, por conquista militar, por livre vontade e por ser filho de escravos. Por que Paulo e Timóteo afirmavam serem escravos de Cristo?

Se Cristo pagou a nossa dívida na cruz, somos sua legítima propriedade, assim somos: escravos por dívida. Se, de fato, Deus nos conquistou e nos libertou do Império das Trevas para o Reino do Filho do seu amor, somos agora escravos por conquista militar. Também não somos obrigados a servir, fomos conquistados pelo seu grande amor, somos, portanto, escravos por livre vontade, a partir da obra regeneradora do Espírito. Como no ritual prescrito no Antigo Testamento, esse tipo de servo tinha as orelhas furadas, representando que desejava servir por toda a vida ao seu Senhor. .

Compreender que somos servos (escravos) honrados por servir a um Deus grande, bom e verdadeiro, ao mesmo tempo, não tendo direito algum em rebelar-se contra o nosso Senhor, pois dele somos propriedade, implica em uma disposição de em tudo honrar o seu santo nome: em nossas ações e reações, em nossas atitudes e pensamentos.

Fiquemos com o exemplo de Cristo, que sendo Deus a si mesmo se esvaziou tomando a forma de SERVO/ESCRAVO, sendo obediente até a morte e morte de Cruz . Sigamos o exemplo de Timóteo que buscou não priorizar os seus próprios interesses (Fp. 2). Sigamos também o exemplo de Paulo para o qual o viver era Cristo (Fp. 1:21). Que Deus nos ajude nesse santo, mas difícil e honroso propósito.

Pb. André Augusto Diniz Lira

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O Dia do Senhor. Uma Breve Reflexão.

O filme Carruagens de fogo conta a história da Equipe de Atletismo Britânica que foi aos jogos olímpicos de 1924 em Paris. Entre eles estava o missionário presbiteriano escocês Eric Liddel. No dia do embarque pra Paris, algo inusitado acontece. Um repórter pergunta a Liddel como ele está preparado para as eliminatórias dos 100 m no próximo 6 de julho, um... DOMINGO? Ao saber disto, ele entra em crise, pois o desejo e alegria de correr entram em confronto com a guarda do Dia do Senhor. O que Eric fez? Deus antes do Rei.

O que aconteceu? Um atleta cedeu lugar a Eric na prova dos 400m, que seria na terça. Eric simplesmente venceu a corrida e ainda de quebra estabeleceu o novo recorde mundial da prova.

Nós temos esquecido este mandamento tão importante da Palavra de Deus e temos vivido como se Deus não se importasse com isto. Ele se importa e muito, a ponto de este ser parte do decálogo. (Ex 20) Instruções claras que Deus deu a seu povo.

Por que guardar o domingo e o santificar? Por que não é qualquer um que está mandando. É o próprio Deus, que nos livrou do pecado e nos chama para sermos santos. (Ex 20.1)

Como guardar o dia do senhor?

Para termos uma visão adequada do Santo descanso no Dia do Senhor, precisamos ter uma visão adequada do trabalho, que também é ordenado, quando Deus diz "seis dias trabalharás". Deus fez o mundo em seis dias e no sétimo descansou (cessou a obra da criação). Isto nos dá a visão que devemos ter do trabalho. Deus criou todas as coisas para a sua lória. Devemos trabalhar para a sua glória.

Mas há também o mandamento do descanso (Ex 20.10). Quando guardamos o sábado confiamos na santa providência de Deus. Dele vem o nosso sustento. Não precisamos, para viver dignamente aqui, nos forçarmos a trabalhar e cuidar dos afazeres comuns no domingo e nem estudarmos, senão as Santas Escrituras. Nós temos seis dias para cuidar dessas coisas. Mas o domingo é o santo descanso do Senhor. Quando fazemos isto deliberadamente, estamos dizendo que não confiamos em Deus para nos prover o sustento ou para fazer sua vontade de nos dar a aprovação num concurso ou vestibular. Ou seja, profanamos o Santo Nome do Senhor e oramos o Pai Nosso em vão.

Quando guardamos o Dia do Senhor, valorizamos o sacrifício de Cristo no Calvário e testemunhamos que nEle encontramos descanso para a nossa alma. Sendo assim, quando , deliberadamente, não guardamos o Dia do Senhor, profanamos o sacrifício de Cristo e não testemunhamos aos ímpios da grande salvação que nos alcançou. O próprio Jesus guardava o Dia do Senhor, como de costume, segundo Lc 4 estava sempre na sinagoga a pregar ou estudar as Escrituras.

O Dia do Senhor não deve ser guardado por legalismo ou mero exercício religioso, mas com alegria.

Ao ordenar as festas que o seu povo devia fazer, Deus começa com o sábado, o santo dia do senhor (Êx 20). Que Deus nos dê uma coração que ame o Dia do Senhor e que vivamos este dia intensamente e com o coração alegre, pois é ordem de Deus o festejarmos. Que não seja um peso, um enfado ou mero exercício religioso, mas uma expressão de confiança no nosso Deus.


No domingo da corrida, o que Eric Liddel fez? Eric estava na igreja pregando a Palavra de Deus (Is 40) . Recorde mundial. O que o motivou? A FÉ e a OBEDIÊNCIA a Deus.

Presb. Cícero da Silva Pereira

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Qual a Natureza do Primeiro Pecado? Com a Palavra, Franklin Ferreira

É essencial entender corretamente a natureza do primeiro pecado. Muitos cristãos têm a ideia errônea de que a questão em jogo era se o ser humano tomaria ou não do fruto da árvore proibida. Em outras palavras, a questão era apenas a de obedecer ou não a um mandamento específico de Deus. Então, sob essa perspectiva, a solução do pecado é entendida como uma questão ligada à obediência. Tal maneira de pensar propõe que a essência do discipulado, da santificação e da vida cristã consiste em obedecer às leis de Deus. O resultado é o legalismo, ou algo até pior, a noção de salvação por meio das obras. Mas tal pensamento não entende o ponto principal da questão. (...) Na verdade, ele implica uma mudança radical na cosmovisão do homem. (...) Adão e Eva enfrentaram uma escolha clara. Acreditariam na palavra de Deus, que representava para eles a própria autoridade de Deus? Ou elevariam sua própria razão acima da palavra de Deus, a fim de avaliá-la e decidir por si mesmos se seria a verdade ou não? Quem seria a autoridade final, Deus ou homem?

FERREIRA, F. Teologia Sistemática. p. 452. São Paulo: Vida Nova, 2007. 

Intercâmbio feito por Rodrigo Ribeiro

sexta-feira, 7 de junho de 2013

O que vem Depois da Graça? Com a Palavra Ricardo Barbosa

A ruptura que muitos cristãos fazem entre o Antigo e o Novo Testamento, entre lei e graça, entre mandamento e amor, compromete tragicamente a formação do caráter cristão. O processo que envolve o crescimento e o amadurecimento cristão requer obediência consciente e diligente. Uma passagem bíblica que expressa bem isto está em 2 Pedro 1.4-7: “[...] ele nos deu as suas grandes e preciosas promessas, para que por elas vocês se tornassem participantes da natureza divina e fugissem da corrupção que há no mundo [...]. Por isso mesmo, empenhem-se para acrescentar à sua fé a virtude, à virtude o conhecimento; ao conhecimento o domínio próprio [...]”.
 
As promessas foram cumpridas em Cristo. O propósito de Deus para o ser humano foi revelado. O caminho do crescimento espiritual foi escancarado com a vida, morte e ressurreição de Cristo. Maturidade cristã é tornar-se participante da natureza divina, revelada em Cristo. É por causa disso que devemos abandonar a corrupção que existe no mundo e nos entregar, deliberadamente, às virtudes, ao domínio próprio, à perseverança e a tudo o que nos leva a ser semelhantes a Cristo.
 
É possível fazer isto sozinho? Não. Jesus afirmou: “[...] sem mim nada podeis fazer” (Jo 15.5). Somente a graça de Deus pode realizar isto em nós. Porém, se eu nada fizer, nada será feito. É aqui que a obediência e o amor se encontram na experiência da fé. Os mandamentos de Deus não são uma negação de sua graça e amor, são sua afirmação. É a obediência aos mandamentos que nos leva a experimentar o amor divino.
 
Pedro afirma que precisamos nos empenhar para acrescentar à nossa fé a virtude, o domínio próprio, a perseverança, a piedade, a fraternidade e o amor. Sou eu que tenho de me empenhar. A responsabilidade é minha. Ninguém fará isto por mim. Consigo fazer isto por conta própria? Não. Preciso da graça de Deus. Contudo, se eu não me esforçar para fazer, nada será feito.
 
A formação do caráter cristão requer uma experiência intensa e poderosa com a graça de Deus. Deus, em Cristo, nos revelou seu amor, cumprindo por meio dele todas as promessas. Fomos salvos, regenerados e transportados do império das trevas para o seu reino de amor, justiça e paz. O caminho foi trilhado por ele, ele é o primogênito da nova criação. Sua vida consistiu em fazer a vontade do Pai e realizar a sua obra.

A formação do caráter cristão requer a mesma obediência aos mandamentos de Deus. Um cristão passivo e apático jamais experimentará o real significado da graça divina e, mais cedo do que imagina, perceberá a fragilidade de seu amor por Deus. Não deixamos de obedecer a Deus por falta de amor, deixamos de amá-lo por não obedecer-lhe.

Trechos do artigo de mesmo título do autor na edição 341 da revista Ultimato

Ricardo Barbosa de Sousa é pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto e coordenador do Centro Cristão de Estudos, em Brasília.


Presb. Cícero da Silva Pereira

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A dicotomia sagrado/secular na Igreja Evangélica Brasileira


                     Irmãos amados, hoje, quero levá-los a refletir sobre um assunto que tem ganhado espaço na Igreja Evangélica Brasileira em nossos dias. A dicotomia sagrado/secular tem moldado o pensamento e as ações de muitos de nossos irmãos, trazendo conceitos diversos e inversos à realidade que as Escrituras traçam para o viver cristão.

            Quero começar nossa reflexão pelo texto de João 1.12, que nos revela quem somos. Se, de fato, cremos no Senhor Jesus Cristo como nosso Salvador, e fomos amorosa e soberanamente eleitos pelo Pai, nos tornamos filhos de Deus. Isto não é motivo para se ter orgulho ou bater no peito em sinal de superioridade moral em relação ao restante do mundo. Antes, é motivo para que dia após dia nos humilhemos perante Ele e busquemos incessantemente agradá-Lo em tudo. O filho procura obedecer ao pai terreno, a fim de não sofrer sanções por seu comportamento transgressor. Por que, muito mais, não buscaríamos obedecer Àquele que nos criou e amou de tal maneira que deu Seu Filho unigênito para que não perecêssemos, mas tivéssemos a vida eterna (João 3.16)? Ser filho de Deus não é status, é privilégio e responsabilidade.

            Desse modo, precisamos viver como filhos de Deus em todas as áreas de nossa vida. Ser crente na igreja é fácil até demais. Ser alguém que reflete a glória de Deus exige muito mais de nós. Dividir as práticas entre sagradas e seculares não é demonstração de maturidade; é demonstração de fraqueza, e revela aquilo que não está devidamente transformado em nosso ser, o que ainda nos liga ao velho homem, aquilo que não deixamos e, portanto, não nos arrependemos de ter feito. Quando eu tenho dois comportamentos, inevitavelmente, um deles (senão os dois) estará desagradando ao Senhor. Se há algo em mim que não pode ser mostrado na igreja, mas fica recluso ao recôndito do meu quarto, então isto precisa ser consertado.

            Somos, segundo o texto de Mateus 5.13, sal da terra. Talvez você já tenha se cansado de ouvir que nós “precisamos fazer a diferença”. É, eu também. Sabe por quê? Porque não conseguimos tirar isso do papel, do discurso. Se somos sal da terra, é nosso dever viver de forma santa por onde passarmos, para que Cristo, que vive em nós, seja evidenciado em cada palavra, atitude e pensamento, e as pessoas que não conhecem do Seu amor, enxerguem a diferença de possuí-lo em suas vidas. Se trato o tempo que passo fora da igreja (e este tempo é enorme) como o dedicado à minha vida secular, provavelmente não farei a mínima diferença nos ambientes que estiver. Comungarei de opiniões e compactuarei com situações que meu Deus desaprova. Serei facilmente tragado pelas tentações e alienações mundanas.

            Quando eu entendo o peso de ser chamado sal da terra, não me importo de ser excluído do grupo das piadas imorais ou do “vinhozinho” do happy hour. Na realidade, hora feliz é quando estou aos pés do meu Senhor. Não fico tentando me amoldar à linguagem e ao modus vivendi do presente século, mas procuro arduamente viver à maneira que Jesus ordenou. Não há divisão entre secular e sagrado, pois tudo faço para agradar o Deus da minha vida, verdadeiramente.

            João 8.12 aponta para Cristo, a luz do mundo. Quem nele anda, não mais está em trevas. Quem vive em dualidade é semelhante ao que, ao entrar em casa, liga o abajur da sala, mas não acende a luz do quarto. Não podemos ter um pouco de luz em nossas atitudes na igreja e total escuridão fora dela. Estaremos caminhando como completos cegos. Não podemos achar que dentro de nossas comunidades devemos ser exemplares, mas que fora da vista de nossos pastores a vida é nossa e somos donos dos nossos narizes. Não podemos achar que Deus só nos vê na igreja, cantando, levantando a mão e ouvindo sermões, mas que lá fora Ele não se importa se eu deixar a vida, ou o mundanismo, me levar. Não se engane, irmão, Deus não apenas nos vê em todo lugar, mas sonda o mais profundo de nossos corações.

            A presença dessa dicotomia tem causado estragos devastadores na Igreja Evangélica Brasileira e, se você não percebeu, comece a observar, por exemplo, os cultos da sua comunidade. A frequência já não é tão grande assim, afinal posso cultuar a Deus em casa mesmo; a atenção já não é mais tão presente, pois vivemos, sim, a época do “comichão nos ouvidos”. Você pode estar se perguntando: o que isso tem a ver com a tal dicotomia sagrado/secular? Vou te dar alguns exemplos de como essa questão tem nos afetado e muito. Convivemos com membros de igreja que sonegam o dízimo e os impostos de seus estabelecimentos comerciais também; rapazes que falam o evangeliquês na igreja, mas fora dela reproduzem a linguagem torpe das ruas; moças que se vestem recatadamente na igreja, mas se liberam e abusam da ousadia nos ambientes sociais “seculares”; pessoas que sobem à Casa do Senhor para entoar louvores a Deus aos domingos, mas passam a semana inteira distante da Palavra e do procedimento no qual deveriam ser exemplos (I Timóteo 4.12).

            Isto exponho não para que as pessoas conheçam as mazelas e problemas conjunturais da atualidade na Igreja Evangélica Brasileira, mas com o fim de nos fazer pensar que muito do que temos vivido não é sequer parecido com o Evangelho e, portanto, não podemos usar como parâmetro. É vital que voltemos ao Evangelho bíblico e resgatemos os sagrados valores que devem permear nossa conduta dentro e fora da igreja, junto com nossos irmãos e colegas de trabalho, amigos de ministério e com o pessoal que mora na nossa rua. Em todo tempo sejam alvas as nossas vestes e o que façamos seja para a glória do Senhor, que nos deu o poder de nos tornarmos seus filhos. Honremos esta grande dádiva! Vivamos para Ele!

Jorge Alberto

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Somos Verdadeiros Discípulos?

“Disse, pois, Jesus, aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sois meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.”   
                                                                                                                                                                     Jo 8:31-32 

   Observando atentamente o discurso do Senhor Jesus nos versos acima, podemos retirar lições importantíssimas para nossas vidas, além de sermos levados a nos questionar se somos verdadeiramente seus discípulos. Para que possamos interpretar de forma fiel o assunto tratado por Ele e compreender o seu objetivo ao usar essas palavras, é interessante observamos o contexto da passagem, a partir de João 8:21 até o verso 30, seguindo abaixo:

Estando na Judeia, Jesus fala aos judeus a respeito da sua morte de forma indireta (v.21), e os líderes daquele povo não compreendem as suas palavras (vs.22-27). Prosseguindo o seu discurso, Jesus deixa claro que os que não crerem nEle morrerão sem perdão dos pecados (v.24). Ele mostra sua dependência do Pai (v.28,29), e ressalta sua deidade quando se intitula de “EU SOU QUEM SOU¹”. Daí em diante, muitos judeus crêem nele (v.30).

A partir de então, entramos nos versos com os quais iniciamos: “Disse, pois, Jesus, aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sois meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” Jo 8:31-32Vamos começar a observar os versículos. Note que há uma linha de raciocínio entre eles. Veja no texto que: Junto à fé (“haviam crido”) tem de vir necessariamente a permanência na Palavra e, por conseguinte, o conhecimento da verdade e a liberdade.

Vejamos como seria se Jesus, nesse discurso, tivesse utilizado algumas negativas em suas frases, apenas invertendo o sentido: Se vós NÃO permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente NÃO sois meus discípulos; e NÃO conhecereis a verdade, e a verdade NÃO vos libertará. Perceba que o crucial nesse discurso de Cristo aos que creram Nele é a Permanência na Palavra, ou em outras palavras, a obediência aos seus ensinamentos. O conhecimento da verdade e a liberdade vêm atrelados a ela. É imprescindível, portanto, que um cristão evidencie essa obediência, visto que ela é intimamente associada à fé genuína, caso contrário, há fortes riscos de o mesmo não ter sido regenerado pelo Espírito Santo, de não ser verdadeiramente discípulo de Cristo, de não ser um verdadeiro cristão. Tenhamos cuidado! Vigiemos!

 A verdade exposta pelo nosso Mestre é que só são discípulos os que permanecem na Palavra. Mas como isso se dá? É possível permanecer na Palavra? A resposta é dura, mas ao mesmo tempo traz conforto aos nossos corações: Para o ser humano é irrevogavelmente impossível. Não podemos viver em obediência à Palavra por nossas próprias forças. Nós só podemos hoje viver como cristãos verdadeiros por causa daquilo que Jesus Cristo fez por nós.

Em 1 Jo 2:3-6, o autor deixa essa verdade ainda mais clara para nós. Veja: “E nisto sabemos que o conhecemos: se guardarmos os seus mandamentos. Aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade. Mas qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Deus está nele verdadeiramente aperfeiçoado; nisto conhecemos que estamos nele. Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou.

 Difícil mesmo para nós é andar como Cristo andou. Todos os dias nos deparamos com situações que nos impulsionam a desobedecer à Palavra, e trava-se uma luta entre o que é abominável e o que é amável aos olhos de Deus. Caímos muitas vezes, mas não podemos desanimar. O fato é que permanecer no erro é caminho de morte. O caminho da vida é estreito, mas não estamos sós, como vemos em 1 Jo 2:1,2: “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo; e ele é a propiciação não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro.”

Joel Beek, na Conferêcia Fiel 2012, palestrou a respeito da segurança da salvação, ou como vimos, sobre a segurança de sermos verdadeiros discípulos de Cristo. Ele disse: O problema é que muitos recebem a Jesus somente como um salvador, porque amam não ir para o inferno ou como um protetor, pois amam a sentir-se seguros, mas não o recebem como Ele realmente é: um Salvador totalmente belo que me salva de todos os meus pecados e que também é o Senhor e o Tesouro supremo de toda a minha vida. Essa é a diferença entre a segurança falsa e verdadeira. Na segurança falsa, a pessoa quer que Jesus o ajude de toda forma, mas a pessoa não deseja mudar – quer tanto Jesus como o mundo. Contudo, a fé verdadeira almeja por mudança; deseja receber a Cristo como Ele realmente é,  tomar sua cruz e segui-lo.

Ter segurança da salvação nos impulsiona a permanecer na Palavra. E permanecer na Palavra é negar a própria vontade, obedecer as instruções de Deus, buscar santidade. É ser moldado pelo caráter divino, é não ter a vida como preciosa, é considerar os desejos desse mundo como abrolho quando comparados ao desejo de agradar ao Pai. Permanecer na Palavra é ter um coração grato pelo sacrifício de Cristo, pela abundante graça derramada,  sabedores de que nada podemos, nada somos e nada temos sem Cristo. Permanecer na Palavra é, portanto,  uma evidência notável de um cristão que teme a Deus e coloca toda a sua esperança Nele e em nada mais.
         
  Apesar de toda nossa fragilidade, de nossas inúmeras falhas, esta é nossa segurança: “Precisamos ter em mente que Deus não perde nenhum daqueles que Ele escolheu, comprou e chamou (Jo 6:39). Ele os preserva e leva seguramente cada um deles ao céu. Ele realiza isso assegurando que cada cristão verdadeiro persevere no caminho de Cristo e continue na fé até o fim. A maravilhosa verdade é que nenhum cristão verdadeiro jamais será perdido”.² Perseveremos em obediência, permaneçamos na Palavra, vivamos como verdadeiros discípulos!

Que Deus continue abençoando sua vida!
                                                             
Letícia Lima

Leitura recomendada: “E quem disse que seria fácil?”. Segue o link: http://ump-da-quarta.blogspot.com.br/2012/11/e-quem-disse-que-seria-facil.html

¹  “EU SOU QUEM SOU” nome que Deus usou sobre si mesmo no Velho Testamento quando falou com Moisés (Êx. 3:14-15). Jesus usa o nome divino “EU SOU QUEM SOU” (Jo 8:24,28; 13:19) para falar sobre si mesmo no Novo Testamento. Cristo diz, em outras palavras, que Ele e o Pai são um, que Ele é Deus (Jo 5:18; 10:30,33; 14:7-11).
²  Benton,  John; Peet, John. As Doutrinas da Graça. São Paulo: Cultura Cristã, 2008. P.89

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Existem limites à obediência? Com a palavra: Augustus Nicodemus e Minka Schalkwijk


A pergunta é pertinente, pois muitos pais, não conhecendo a Deus nem a sua palavra, são cruéis com os filhos, maltratam-nos e exigem deles coisas absurdas. Há muitos jovens cristãos cujos pais permanecem na ignorância de Deus. Mas é preciso ir ainda mais longe e lembrar que existem até mesmo pais evangélicos que exigem coisas absurdas dos seus filhos, ensinando-os o que não convém e dando conselhos e orientações por vezes contrários ao ensinamento claro nas escrituras.[...]

Um princípio geral da ética bíblica é: quando dois mandamentos se conflitam, o maior deve prevalecer..

Vemos um exemplo disso na decisão dos apóstolos em desobedecer às ordens do Sinédrio – a autoridade religiosa e civil de Israel – para obedecer a Deus: “Antes importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5.29). Nossa obediência como cristãos às autoridades constituídas vai até onde começa a ser desobediência a Deus. Devo obedecer aos homens naquilo que não é repugnante à vontade de Deus. Por exemplo, somos sempre submissos ao governo, porém na hora em que este promulgar uma lei proibindo o compartilhar da nossa religião com outra pessoa, visando ganhá-la para Cristo, devemos ser os primeiros a desobedecer ao governo. Nesse ponto, a autoridade civil está em conflito com a autoridade divina. O mandamento humano está em conflito com o mandamento ”ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura”.
Então, em caso de conflito ético, prevalece o maior mandamento, ou seja, aquele claramente exposto nas Escrituras. [...]

Lopes, Augustus Nicodemus. A Bíblia e Sua Família – Exposições bíblicas sobre o casamento, família e filhos. 2001 Editora Cultura Cristã. Págs. 130-131.

Minka (sua esposa) leu, corrigiu e acrescentou ao material.

Karlla Christina