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terça-feira, 2 de setembro de 2014

O Cachorro e o Espelho

Uma das características marcantes do fundamentalismo é a criação de "eixos do mal". Tal postura maniqueísta consiste em simplificar a leitura da realidade, elegendo inimigos a serem a abatidos a fim de que a paz ou prosperidade seja mantida/conquistada. Neste quadro podemos enxergar diversos segmentos religiosos e ideológicos.

No entanto não é somente a religião strito sensu que utiliza-se deste expediente. Até mesmos os anti-religiosos o fazem, pelo menos uma boa parte deles, os denominados neo-ateístas, filhos híbridos de Richard Dawkins e leitores de Dan Brow. No livro "Deus, um delírio", o primeiro citado, afirma que a origem dos males de nossa sociedade repousa na religião, e esta manifestação nociva deve ser combatida e extirpada.

O que muitos não percebem é que Dawkins é um fundamentalista, e seus seguidores também aderem ao seu maniqueísmo primitivo. O que somente comprova que os homens se comportam como cachorros latindo em frente do espelho, vociferando contra aquilo que eles mesmo são: religiosos. Não existe ninguém que escape do senso de divindade inerente a cada homem, conforme Calvino afirmava em sua Insitutas. A diferença é somente que alguns o aceitam e buscam a divindade, outros se rebelam e entregam de forma explícita ao combate. Ambos são idolatras quando não direcionam sua devoção ao Deus revelado nas Escrituras Sagradas, mesmo que seja uma idolatria direcionada à razão.

Diante de sábios que demostram sua loucura, só me resta faz coro a Bíblia, fonte da verdadeira religião: Diz o tolo em seu coração: "Deus não existe! " Corromperam-se e cometeram injustiças detestáveis; não há ninguém que faça o bem. (Salmos 53:1).

Rodrigo Ribeiro

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

SOBRE APOLOGÉTICA: O ponto mais positivo (talvez o único) do filme Deus Não Está Morto.


Você com certeza já deve ter escutado alguém falar "Deus não precisa ser defendido". É bem comum ouvir isso quando se fala de apologética nas igrejas. Muitos olham para a apologética como uma prática teológica prepotente que tenta defender a Deus e a fé através de raciocínios humanos. Argumentam que Deus é maior e não precisa ser defendido por homens pequenos. Nesse sentido, Deus Não Está Morto fez um grande serviço ao que pensam dessa maneira ao despertar um interesse pelo assunto. Na verdade, ao fazer apologética estamos apenas cumprindo o chamado de 1 Pedro 3:15:

"Antes, santifiquem Cristo como Senhor no coração. Estejam sempre preparados para responder a qualquer que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês."

Creio que esse é um chamado para todos e quero, rapidamente, desmitificar alguns conceito e dar alguns conselhos sobre nossa defesa da fé. Vamos começar pelos mitos:

Mito 1: Apologética é somente para pastores, teólogos e cientistas cristãos. Não, o chamado de Pedro é para todos. Como você tem respondido aos que pedem a razão da sua esperança?

Mito 2: Eu preciso estudar filosofia, biologia, física quântica e evolucionismos para ser um apologeta. Não, o conhecimento bíblico é suficiente. Não devemos desprezar o conhecimento, mas é somente na Escritura que encontramos a razão da nossa esperança.

Mito 3: Apologética é feita apenas nos seminários teológicos, nas universidades e debates científicos. Não, a defesa da fé deve ser feita em todo lugar que existir um cristão. Nossa esperança deve ser explicada em cada casa, rua, empresa e colégio desse mundo.

Mito 4: Apologética atrapalha o evangelismo. De maneira nenhuma, uma boa defesa da fé trabalha junto com o evangelismo para ganhar almas. Ao defender estamos apresentando o evangelho.

Entendo que apologética também é tarefa nossa e que deve ser feita em todos os lugares, vamos aos conselhos simples e práticos:

1. Estude a palavra. Esse é o único conhecimento que, no final das contas, importa. Uma apologética vencedora é aquela que apresenta o evangelho fielmente.

2. Não vise ganhar debates. O mundo é hostil ao evangelho e a tendência é que mesmo ganhando nós saiamos deles derrotados. Uma apologética vencedora não ganha debates, ganha corações.

3. Não deixe de orar. Só se ganha corações através da obra do Espírito que chama pessoas através da proclamação do evangelho. Defenda a fé na dependência do Espírito e em oração.

4. Não caia no discurso da neutralidade. Não existe ambiente religiosamente neutro, nem mesmo o científico ou acadêmico. Quando alguém te convida para um debate neutro geralmente está te convidando para um debate segundo pressupostos do ateísmo. Fique com os seus pressupostos, use a palavra, não tente fazer apologética apenas com argumentos humanos (neutros). É aqui que começo nossa derrota.

5. Identifique os elementos da sua cultura que apontam para uma necessidade de Deus e vazio existencial. Use sua cultura para apresentar a Deus de uma forma mais ilustrativa com Paulo vez em Atenas em Atos 17.

6. Não faça isso apenas pela internet. Apologética pessoal é muito mais eficaz, pois podemos demonstrar nossas emoções, sentimentos e cuidado para com o outro.

E pra finalizar, antes que saiamos por ai defendo fielmente nossa fé, lembremo-nos do versículo seguinte de 1 Pedro 3:15:

"Contudo, façam isso com mansidão e respeito, conservando boa consciência, de forma que os que falam maldosamente contra o bom procedimento de vocês, porque estão em Cristo, fiquem envergonhados de suas calúnias." (1 Pedro 3:16)

Que nossa fé seja defendida e proclamada em todos os lugares por todos os cristãos! #SolaScriptura

Pedro Pamplona
Publicado em: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=706122989462876&set=a.101636046578243.3692.100001955438804&type=1&theater&notif_t=like

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Apologética da Gentileza

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NOTA: O que se segue é um sermão pregado pelo pastor Jonas Madureira no dia 24/05/14 no culto “Inter Jovens” realizado na Igreja Batista Maranata em São José dos Campos, SP. Não se trata de uma transcrição integral do sermão, embora grande parte dele tenha sido transcrita. Alguns trechos foram adaptados para a linguagem formal e a essência da mensagem não foi alterada.
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Antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós, fazendo-o, todavia, com mansidão e temor, com boa consciência” (1Pedro 3.15-16a).
Quando paramos para pensar em apologética, a imagem que mais se assimila é a de alguém beligerante que discorda de todos. Porém, a palavra “apologética” na tradição cristã tem origem jurídica. Os primeiros apologetas do cristianismo não ficariam o dia inteiro no Facebook respondendo a perguntas que as pessoas fazem sobre teologia. Eles iriam para o contexto de uma defesa jurídica porque, se fizessem uma boa defesa de que o cristianismo é razoável, que não é uma religião ateísta – como eram acusados os cristãos –, que não praticavam canibalismo – isto por conta da ceia – evitariam a morte. Esses apologetas, portanto, entram no cenário porque estão diante de alguns cristãos que serão lançados aos leões e a defesa que farão pode salvá-los.
A apologética, no início, tem o tom de mostrar a relevância do evangelho, mas com a finalidade de defendê-lo, pois a defesa dele garantiria a prática cristã, a vida baseada no evangelho. O contexto de uma vida baseada no evangelho, na ocasião, era uma vida marginalizada. A ideia era defender o evangelho para mostrar que os cristãos não eram nocivos à sociedade, que não deveriam ser tratados como estavam sendo tratados.
Curvar-se diante de Cristo não significava que eles não obedeciam às leis. Eles queriam ter o direito de dizer que somente Cristo era o Senhor, mas isso não significava que César não tinha que ser respeitado. Ao não se curvarem diante do imperador, não significava que não respeitavam César com toda autoridade que lhe era concedida.
A tarefa do apologista, então, era a de um advogado, de fornecer as peças de um argumento para mostrar que aquele que está sendo acusado é inocente.
Do que estamos sendo acusados hoje? Do que a igreja está sendo acusada? Diante de uma acusação, nossa primeira reação pode ser a reação de simplesmente responder com a mesma medida, de odiar aqueles que nos odeiam, de responder com perseguição, com aspereza.
Pedro, ao escrever essas palavras, escreve-as para forasteiros, para pessoas que estão no contexto que não é o habitat natural delas. É um mundo diferente. Diante disso, eles ainda vivem debaixo do evangelho. O evangelho exige que eles, por natureza, adotem padrões que a cultura rejeita. Pedro sabe que aquela comunidade está sofrendo.
Ao defendermos o evangelho, não precisamos falar grosso ou gritar para que ele mexa com as estruturas de alguém. Mesmo que falemos com toda gentileza, o evangelho tem garras. Ele vai mexer com a estrutura de toda e qualquer cultura. Pedro sabe que não conseguiremos evitar o confronto do mundo. Os primeiros defensores enfrentavam essa oposição. Lutero dizia que sempre que o evangelho fosse pregado geraria conflito. Nesse contexto é que apresentaremos o evangelho. Irão nos perguntar a razão da esperança que há em nós e o desafio de Pedro é que estejamos preparados para isso.
Para que possamos responder, precisamos aprender a ouvir e a perguntar. O que as pessoas à nossa volta estão nos perguntando? As pessoas querem saber se somos inteligentes ou que, no fundo, quando entram num debate, querem saber o porquê você acredita naquilo que você diz ser o evangelho? Esta é a pergunta mais importante que o apologeta deve responder. Quando perguntamos por que acreditamos no evangelho, fazemos um exercício de reflexão, para saber o porquê acreditamos. Refletimos na razão de nossas atitudes, e no por que cremos naquilo que cremos.
Pedro usa palavras que tentam despertar em cada um a resposta da esperança que há em nós. Para isso, temos que fazer uma reflexão sobre aquilo que cremos. Vivemos num contexto onde aquilo que chamamos de evangelho está diluído, é superficial. As pessoas não sabem o que significa o evangelho. Eu acho que esperamos que o evangelho seja algo simples, mas confundimos algo simples com algo simplista, de tal forma que não queremos mais mastigar o evangelho, queremos que alguém o mastigue por nós. Não queremos pensar. O evangelho só vai transformar você se você mastigá-lo. Se você não entendeu o evangelho e não tem convicção dele, não há como você defendê-lo. Como você defende algo do qual não acredita? Se você não acreditar naquilo que está pregando, terá que defender a técnica do cinismo, como vendedores que não acreditam na qualidade do produto. Não dá pra fazer isso com o evangelho. Ou acreditamos no evangelho ou não conseguiremos defendê-lo. O evangelho deve ter o padrão que toca o seu coração e faz você admirá-lo. Para sustentar o evangelho, precisamos admirá-lo e, para admirá-lo, precisamos nos aprofundar nele.
Lewis e o cristianismo “água-com-açúcar”
Quero apresentar um apologeta da gentileza por excelência. C. S. Lewis.
Em seu livro “Cristianismo Puro e Simples”, Lewis explica por que o ateísmo é simplista. Mas ele diz que há também o cristianismo simplista, que é o cristianismo “água-com-açúcar”, aquele cristianismo de respostas prontas, que não nos faz pensar. Ele diz:
“Pois bem, então o ateísmo é simplista. E vou lhes falar de outro ponto de vista igualmente simplista que chamo de ‘cristianismo água-com-açúcar’. De acordo com ele, existe um bom Deus no Céu e tudo o mais vai muito bem, obrigado – o que deixa completamente de lado as doutrinas difíceis e terríveis a respeito do pecado, do inferno, do diabo e da redenção. Os dois pontos de vista são filosofias pueris.”
Ele compara esse tipo de cristianismo com o ateísmo porque é o tipo de cristianismo que tentar tirar do evangelho a força de desestabilização de estrutura de nós mesmos. É o tipo de cristianismo que, quando você estiver passando por dificuldades, lhe dirá coisas do tipo: “Menino, vá orar, você está em pecado”.
Não conseguimos aprofundar uma questão, queremos respostas simplistas. Não queremos pensar na profundidade. Ser simples é uma coisa, ser simplista é outra. O evangelho é simples como a luz, mas isso não significa que seja fácil de entender. A luz é entendida tanto como uma onda como uma partícula e nenhum dos dois entendimentos está errado. É algo que não se resolve, é complexo. Você quer que Deus seja assim simples? Você acredita que, por causa dessa simplicidade de Deus, você está diante de algo simplista? A riqueza de Deus está no fato de Ele ser simples, mas isso demanda profundidade. O evangelho exige profundidade de mim e de você. Vivemos num contexto hoje onde as pessoas pagam dobrado para fazer coisas em vez de pensar. Por isso passamos tanto tempo no videogame. É legal, mas não dá em nada. Você sai de uma partida depois de várias horas e deve se perguntar: “Legal, e aí? Puxa, quanta coisa poderia ter feito nesse tempo!”
Por que passamos horas em frente ao videogame ou no shopping? Sabe por quê? Porque pensar dói. Porque pensar exige um movimento doloroso.
A alegoria da caverna de Platão
Todos nós conhecemos a alegoria da caverna. O que Platão dizia que aconteceria se aqueles prisioneiros fossem libertos de suas correntes e vissem a luz, se vissem o sol brilhando? O que aconteceria se vissem que o mundo deles não se resume àquela “caixinha”, mas que existe um mundo superior e que aquilo são apenas sombras? Eles sofreriam. Ficariam cegos por causa da luz, sentiriam dor porque não estão acostumados a fazerem isso.
Similarmente, você somente irá se sentir à vontade quando começar a estudar o evangelho. No início, terá sono. Só quando começarmos a praticar é que não irá doer. Isso exige de nossa parte um movimento que dói. Temos que ler o texto bíblico várias vezes. Dói. Com o passar do tempo, porém, esse movimento se torna comum e deixa de doer, você se acostuma.
Quando o prisioneiro fica cego, isto é o símbolo da ignorância. Quando alguém se converte e se depara com o evangelho, fica cego, ignorante. Isto acontece, por exemplo, com pessoas que vão à igreja pela primeira vez. Não sabem o que fazer. A constatação da ignorância não é algo gostoso. Temos dificuldade de reconhecer nossa ignorância.
Como podemos resumir o evangelho em três minutos? Isso diz muito sobre se compreendemos ou não o evangelho. No momento de olharmos para a luz, podemos ficar cegos. Mas a cegueira passa com o tempo.
O texto da caverna é a alegoria de que todos estão presos. Platonismo e cristianismo se parecem bastante, mas possuem muitos contrapontos. No caso da caverna, é o homem que se liberta. Basta que ele reflita sobre a realidade à sua volta. Em contrapartida, no cristianismo, nós é que somos libertos pelo Espírito Santo. Somente Ele liberta nosso coração para enxergarmos o evangelho.
Para pregarmos o evangelho, para que possamos defendê-lo e o anunciarmos, temos que nos aprofundar. As pessoas se aproximarão não por causa de argumentos, mas por causa de nosso testemunho. Somente pelo Espírito Santo seremos libertos. Não adianta explicarmos através da lógica que o evangelho é a verdade se não aceitarmos a Bíblia na cabeça. A obra é do Espírito Santo.
Quando alguém enxerga a realidade, porém, ele volta para a caverna para tentar libertar os demais. Fazemos a mesma coisa quando conhecemos o evangelho. Nasce em nós o desejo de ir à caverna para proclamá-lo. Isso, no entanto, só irá acontecer quando admirarmos o evangelho. Antes de desenvolvermos qualquer argumento, o que você e eu precisamos é da experiência do evangelho. Ele não é um folheto evangelístico, é o fundamento da igreja. Também não é apenas uma mensagem para ganhar pessoas para Cristo, é o fundamento da igreja. Enquanto não nos aprofundarmos nesse evangelho e fizermos dele nossa reflexão diária e o tema de nossa vida, não conseguiremos falar da Palavra de Deus ao mundo.
O que é o evangelho?
Gostaria de encerrar pensando no evangelho.
O que é o evangelho? Imagine um artista que está focado em sua obra e nada desvia sua atenção dela. Ele é perito na obra. Ele é o ser criador. Ele não falha. É da natureza do barro estragar, mas é da natureza do oleiro criar. Embora o barro esteja estragado, o oleiro não o joga fora, ele pega o mesmo barro e cria novamente. Isso é redenção.
Deus criou o mundo de uma maneira perfeita e maravilhosa e estragamos tudo. Mas não é o fim. A natureza do Criador também é a natureza do redentor. Temos a natureza da destruição, mas Ele tem a natureza da redenção. Eu e a você podemos estragar histórias lindas que Deus está criando, mas não temos o poder de estragar a história eterna que Deus prepara para nós. Não podemos destruir Deus. Enquanto Deus existe, há redenção dos estragos.
Não é bonito o evangelho, a história de Deus? Ele cria tudo de maneira perfeita porque Ele é perito. Ele não desiste. Esta é a história do evangelho. Você não pode fazer um estrago tão grande para o qual não haja redenção. Para defender o evangelho, temos que amá-lo, admirá-lo. Como está nossa admiração pelo evangelho pela obra de redenção? O peso de nossa admiração representa o peso de nosso amor às respostas que são feitas ao nosso tempo. Não só apresentando e defendendo o evangelho de uma maneira lógica, mas, sobretudo, fazendo com carinho e gentileza, que só os seres dóceis podem ter diante dos seres brutos. Que o evangelho seja dito de uma forma dócil, mas não de uma forma domesticada, ou seja, uma forma que não desestabilize. Não espere que a pregação do evangelho não mexa com as estruturas das pessoas. Não temos que ficar chateados quando alguém nos ofende. Isso irá acontecer sempre quando pregarmos o evangelho. O que não pode faltar em mim e em você é o amor. Amor por Deus e por pessoas, ou seja, que não iremos humilhá-las. Não temos que mostrar que somos inteligentes. Estamos aqui para pregarmos o evangelho e mostrar o que ele tem feito conosco.

Jonas Madureira
Publicado em: http://tuporem.org.br/?p=3535
Intercâmbio feito por Walber Arruda

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Em Defesa da Fé

Texto: Jd. 1: 1-4: “1Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago, aos chamados, amados em Deus Pai e guardados em Jesus Cristo, 2a misericórdia, a paz e o amor vos sejam multiplicados. 3Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos. 4Pois certos indivíduos se introduziram com dissimulação, os quais, desde muito, foram antecipadamente pronunciados para esta condenação, homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo.

Introdução
Judas tinha originalmente planejado escrever uma carta celebrando as grandes verdades da "comum salvação" que ele compartilhava com seus leitores (v. 3). Mas a notícia alarmante de que falsos mestres tinham invadido as congregações, ameaçando a ortodoxia (v. 4), o obrigou a mudar seus planos. Assim, ele escreveu denunciando os falsos mestres e seu estilo de vida sem Deus, advertindo seus leitores e chamando-os para "batalhar pela fé", de modo a proteger a verdade do evangelho (v. 3). O Novo Testamento repetidamente nos adverte do perigo que os falsos mestres apóstatas representam para a igreja. Tanto Jesus (Mt 7:15) como Paulo (At. 20:29) comparou estas pessoas com lobos ferozes. "Muitos falsos profetas surgirão", advertiu Jesus, e “enganarão a muitos" (Mt 24:11). Paulo advertiu a Timóteo: "Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos, alguns abandonaram a fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios" (1 Tm. 4:1). Pedro e João também alertaram para esses pretendentes espirituais (2Pe. 2, 3; 1Jo. 4:1-3; 2Jo. 7), assim como Judas relata em sua breve epistola de um capitulo. Judas condena com muito vigor – como deveríamos fazer hoje – os falsos mestres que estavam infiltrados na igreja em sua época, e, por consequência, todos os que ainda estavam por vir.  Em nossa cultura pós-moderna, em que a verdade é considerada relativa e a tolerância é valorizada acima de tudo, o apelo de Judas para a pureza doutrinária é urgente e inegociável. Como observa Thomas R. Schreiner:  “A mensagem de Judas fala sobre julgamento e é especialmente relevante para as pessoas de hoje, para as nossas igrejas que são propensas ao sentimentalismo, que sofrem de colapso moral, e muitas vezes deixam de pronunciar uma palavra definitiva do julgamento por causa de uma definição inadequada de amor.” Sem dúvida, a maior ameaça para a igreja sempre foi e sempre será o falso ensino, um outro “evangelho”. A sutileza desse falso ensino torna-se uma espécie de veneno espiritual que causa grandes danos e produzem muitas vitimas espirituais e as consequências são eternas.  Em sua exortação aos presbíteros de Éfeso, o apóstolo Paulo ecoou a admoestação do Senhor: “Eu sei que, depois da minha partida, lobos vorazes, penetrarão no meio de vocês e não pouparão o rebanho. E dentre vocês mesmos se levantarão homens que torcerão a verdade, a fim de atrair os discípulos.” (At. 20:29–31). O resto das advertências que se encontra no Novo Testamento contém registros semelhantes, instruindo os crentes a se protegerem contra a natureza enganosa do falso ensino (Mt 24:10-14; 2 Ts. 2: 3-12; 1Tm. 4:1 -3; 2Tm. 3:1-9, 2 Pe. 2:1; 3:7; 1 Jo. 2:18-19; 4:1-3; 2Jo. 7-10; Tg. 5:1-6).

A mensagem desta epístola nos fala do comprometimento e da defesa da "fé que uma vez por todas foi entregue aos santos" (v. 3). A batalha aqui é pela pureza do evangelho, é o resgate da verdadeira ortodoxia.

Primeiro precisamos entender como Judas agiu em defesa da verdadeira ortodoxia nos seus dias. A preocupação de Judas aqui é sincera e pastoral por seus leitores. Essa preocupação longe de ser um sentimentalismo raso, nasceu da convicção profunda e crucial de defender a verdade de Deus. É bem verdade que a exortação não era a intenção inicial de Judas. Ele escreveria acerca da “salvação comum” que ele compartilhava com seus leitores. A exortação foi motivada por uma obrigação diante dos fatos que estavam trazendo prejuízo para o desenvolvimento da igreja naquela época. Vejam a exortação: “Exorto-vos a batalhardes diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos”.

Batalhar diligentemente significa defender a verdade sempre e vigorosamente. É justamente aquilo que Paulo fala a Timóteo: “Este é o dever de que te encarrego, ó filho Timóteo, segundo as profecias de que antecipadamente foste objeto: combate, firmado nelas, o bom combate” (1Tm. 1: 18). A fé aqui é a própria ortodoxia cristã que estava sob ataque e precisava ser defendida.  A doutrina dos apóstolos, o bom deposito sagrado da verdade cristã estava sob ataque e os inimigos já procuravam solapar as grandes doutrinas fundamentais, a verdade objetiva de Deus (isto é, tudo o que pertence a nossa comum salvação). Semelhantemente Paulo admoestou Timóteo para proteger a fé (2Tm 1:13-14): “Mantém o padrão das sãs palavras que de mim ouviste com fé e com o amor que está em Cristo Jesus. Guarda o bom depósito, mediante o Espírito Santo que habita em nós. Paulo também disse aos Gálatas (Gl. 1:9): “Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema. O apóstolo João semelhantemente escreveu: “Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus; o que permanece na doutrina, esse tem tanto o Pai como o Filho. Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem lhe deis as boas-vindas. Porquanto aquele que lhe dá boas-vindas faz-se cúmplice das suas obras más. (2Jo. 1: 9-11).

A exortação de Judas tinha um grupo especifico: os falsos mestres – v. 4a –“Pois certos indivíduos se introduziram com dissimulação”. A presença dos falsos mestres já era evidente nos dias de Judas,  não era meramente hipotético, já estavam presentes na igreja. A palavra traduzida aqui por introduziram com dissimulação (pareisduō) aparece somente uma vez no Novo Testamento. Ela tem a conotação de escorregar em secreto com uma má intenção. No grego clássico significa a astúcia de um advogado que, através da argumentação inteligente, infiltra-se nas mentes dos funcionários nos tribunais e corrompem o seu pensamento. Eles se infiltram na igreja clandestinamente com o objetivo de propagar o engano. Essa infiltração mina a comunhão, a adoração, o evangelismo.

A igreja sucumbe aos erros tanto na doutrina (ortodoxia) como na pratica (ortopraxia). Na igreja de hoje, tal infiltração tem permeado muitos setores e assumido muitas formas. Os falsos mestres escrevem livros, falam no rádio, na televisão, ensinam em seminários (liberais), pregam nos púlpitos (falsos apóstolos), e têm sites na Internet. Eles se disfarçam como mensageiros da verdade (2Co. 11: 14), mas são ambiciosos que se preocupam com seu próprio ventre e o enriquecimento é seu alvo principal. Judas nos dá um retrato desses falsos mestres. Seu caráter – “homens ímpios” – Não temiam a Deus; eram desprovidos de qualquer tipo de reverencia a Deus; não adoravam a Deus corretamente. Sua conduta – “transforma em libertinagem a graça de nosso Deus” - Distorciam a liberdade em licenciosidade e transformam-na em permissão para pecar.

Esses falsos mestres se entregavam a luxuria, aos seus desejos carnais e se desculpavam dizendo que o que acontecia na carne não afetaria o espiritual. Era justamente esse ensino herético que Paulo combate em Romanos, o antinomianismo. “Pequem porque a graça ficara mais evidente”. Paulo diz: “Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? De modo nenhum! Esse ensino pervertia a graça do nosso Deus. A graça de Deus se manifestou com um propósito muito diferente, ou seja, “educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente (Tt. 2: 12)". Qualquer insinuação de que a graça dá aos cristãos a liberdade para atuar de forma carnal é heresia. Suas crenças – “negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo”. Eles negavam o governo absoluto e justo do Senhor Jesus. Eles negavam sua divindade. Eles negavam sua morte vicária e ressurreição. Eles negavam todas as doutrinas essências acerca de sua Pessoa e obra. Eles se opunham de forma dogmática e ferrenha ao evangelho, ao valor do sangue precioso de Cristo e ao fato de Ele ser o único caminho para salvação, como está descrito nas Escrituras. 

Judas diz que haverá uma sentença para os falsos mestres. Serão punidos como foram os falsos mestres de Israel (v. 5) , os anjos que não guardaram seu principado (v. 6), os gentios (v. 7). O pretérito perfeito sugere que a uma longa condenação pronunciada por Deus há todos os apóstatas.  Observem os versos 14-15: “Para estes também profetizou Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que veio o Senhor com os seus milhares de santos, para executar juízo sobre todos e convencer a todos os ímpios de todas as obras de impiedade, que impiamente cometeram, e de todas as duras palavras que ímpios pecadores contra ele proferiram”.

Segundo, como a igreja hoje deve se posicionar com o proposito de resgatar a verdadeira ortodoxia?
Antes de qualquer coisa, precisamos voltar para as Escrituras. Só a Escritura é a regra inerrante da vida da igreja. Mas infelizmente, a igreja evangélica atual é uma igreja guiada, por vezes, pela cultura; é uma igreja secularizada e guiada por aquilo que chamamos de pragmatismo religioso. À medida que a autoridade bíblica é abandonada, suas verdades se enfraquecerão na consciência cristã, suas doutrinas perderam sua proeminência, e a igreja vai ser cada vez mais esvaziada de sua integridade, autoridade moral e discernimento.

Temos que entender que a Escritura nos conduz além de nossas necessidades percebidas para nossas necessidades reais, e libertar-nos do hábito de nos enxergar por meio das imagens sedutoras, clichês, promessas e prioridades da cultura massificada. É só à luz da verdade de Deus que nós nos entendemos corretamente e abrimos os olhos para a provisão de Deus para a nossa sociedade. A Bíblia, portanto, precisa ser ensinada e pregada na igreja. Os sermões precisam ser exposições da Bíblia e de seus ensinos, não a expressão de opinião ou de ideias da época. Não devemos aceitar menos do que aquilo que Deus nos tem dado.

O povo de Deus precisa estar preparado doutrinariamente falando, para combater as heresias ou os falsos mestres. O dever de batalhar pela fé não pertence exclusivamente aos pastores consagrados ao ministério da Palavra, embora eles tenham uma responsabilidade especial. Batalhar pela fé é o dever de todo crente verdadeiro. “Precisamos obter um sentimento completamente novo da preciosidade da doutrina bíblica. Como igreja, precisamos conhecer a profundidade, a beleza e o valor da verdade doutrinária. Existe uma fé digna de contendermos por ela... A melhor coisa que podemos fazer para que sejamos uma igreja eficaz em batalhar pela fé é nos tornarmos uma igreja bem fundamentada na fé — “Edificando-vos na vossa fé santíssima”. Estudem! Meditem! Edifiquem! Cresçam! Há muitas verdades maravilhosas a aprendermos sobre Deus. E a melhor defesa da fé é conhecer tais verdades e amá-las.” - John Piper

Precisamos batalhar pela fé - Tal como os Pais da Igreja Primitiva repudiaram aqueles ensinos e reivindicações confiando e apelando exclusivamente para as Sagradas Escrituras, assim também devemos fazer. Desde o primeiro dia de Judas, até agora, os verdadeiros crentes sempre batalharam pela pureza do evangelho e nós que estamos aqui precisamos seguir nessa mesma perspectiva ortodoxa. Vigorosos e corajosos em defender a ortodoxia cristã, mesmo que isso custe a nossa própria vida.  A fé que hoje nutrimos foi preservada para nós à custa do sangue de centenas de reformadores (JOHN HUSS; JERÔNIMO SAVONAROLA; JERÔNIMO DE PRAGA; JONH HOOPER; WILLIAM TYNDALE). De 1555 a 1558, a ra­inha Maria, a católica que reinou na Inglaterra, queimou na fogueira 288 reformadores protestantes — homens como John Rogers, John Hooper, Rowland Taylor, Robert Ferrar, John Bradford, Nicholas Ridley, Hugh Latimer e Thomas Cranmer. E por que eles foram queimados? Porque permaneceram firmes em favor de uma verdade — a verdade de que a presença real do corpo de Jesus não está na eucaristia, e sim no céu, à direita do Pai. Por essa verdade, eles suportaram o agonizante sofrimento de serem queimados vivos. O sangue dos mártires é um poderoso testemunho de que a fé “uma vez por todas” entregue aos santos é digna de batalharmos por ela. Não podemos ser tímidos diante de tão grande tarefa que temos pela frente. Somos detentores das verdades pelas quais os homens podem ser salvos.

Como dizia Lutero: “Qualquer ensinamento que não se enquadre nas Escrituras deve ser rejeitado, mesmo que faça chover milagres todos os dias”. Ou como afirmava Francis Schaeffer: “Se não tornarmos clara nossa posição, com palavras e obras, em favor da verdade e contra as falsas doutrinas, estaremos edificando um muro entre a próxima geração e o evangelho”. E nas belas palavras do Dr. Rienk Bouke Kuiper (Antigo presbiteriano do século  XVIII): “A igreja de hoje não tem dever mais solene do que conservar a pureza da doutrina”.

Que Deus nos encoraje para que honremos seu Santo Nome e saíamos em defesa da "fé que uma vez por todas foi entregue aos santos". E que possamos estar dispostos á irmos até as últimas consequências pela verdade do evangelho.


Rev. Edvaldo Miranda (Pastor da Igreja Presbiteriana de Lagoa Seca - PB)

terça-feira, 11 de março de 2014

Examinando os espíritos: do docetismo ao neopentecostalismo





1
 Amados, não creiam em qualquer espírito, mas examinem os espíritos para ver se eles procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo.
2 Vocês podem reconhecer o Espírito de Deus deste modo: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne procede de Deus;
3 mas todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus. Esse é o espírito do anticristo, acerca do qual vocês ouviram que está vindo, e agora já está no mundo.
4 Filhinhos, vocês são de Deus e os venceram, porque aquele que está em vocês é maior do que aquele que está no mundo.
5 Eles vêm do mundo. Por isso o que falam procede do mundo, e o mundo os ouve.
6 Nós viemos de Deus, e todo aquele que conhece a Deus nos ouve; mas quem não vem de Deus não nos ouve. Dessa forma reconhecemos o Espírito da verdade e o espírito do erro.
7 Amados, amemo-nos uns aos outros, pois o amor procede de Deus. Aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus.
8 Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor.
9 Foi assim que Deus manifestou o seu amor entre nós: enviou o seu Filho Unigênito ao mundo, para que pudéssemos viver por meio dele.
10 Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.

( 1ª João, capítulo 4.1-10)

A primeira carta do Apóstolo João foi provavelmente escrita em algum ponto das últimas décadas do século I (85 – 95 d.C.), possivelmente antes do exílio na Ilha de Patmos (Apocalipse 1.9), mas em um contexto onde Jerusalém já havia sido destruída (70 d.C.), os cristãos estavam espalhados por quase todo o Império Romano e provavelmente todos os outros apóstolos e Paulo já estavam mortos, ou seja, toda uma geração tinha se passado. O público original da carta é desconhecido, provavelmente seriam cristãos com quem João tinha relação próxima e em termos gerais, 1ª João foi escrita para transmitir os frutos do trabalho da vida dos apóstolos e advertir e instruir sobre falsos ensinos. [1]
No capítulo 4 de 1ª João estão presentes as advertências e instruções acerca de alguns dos falsos mestres no meio dos cristãos do século I. Observe o que diz no verso 1 “examinem os espíritos para ver se eles procedem de Deus”. A palavra espíritos tem significado de ‘pessoas’ e não almas vagantes e a palavra examinar (do grego dokimazō , palavra sinônima de provar’ ou ‘testar’) tem relação com um termo usado na metalurgia para avaliar a pureza do metal. Isto faz referencia o fato de que não devemos acreditar em tudo o que ouvimos  de alguém como palavra inspirada por Deus. João tenta expor a ideia que podemos associar aos bereanos (Atos 17.11), que examinavam, nas escrituras, tudo o que os apóstolos pregavam e também esta associada à ideia contida no texto Não tratem com desprezo as profecias, mas ponham à prova [dokimazo] todas as coisas e fiquem com o que é bom” (1ª Ts 5.20 e 21).
Tais advertências e fazem referencia ao ensino chamado de “docetismo”, uma crença afirmava de várias vertentes, uma delas dizia que uma divindade passou a habitar em Jesus após seu batismo e o deixou momentos antes da crucificação. Outro ramo dessa crença afirma que Jesus era um espírito que parecia um ser humano, passando por experiências humanas (sofrimento e morte). Após uma geração de apóstolos e outros seguidores que andaram literalmente com o Deus Filho, chamado Jesus, este geração a qual João escreve mais ou menos aos 100 anos de idade é “nova” e havia se envolvido com esses falsos ensinamentos a cerca da divindade de Jesus. A preocupação com tais ensinos é simples: constituem Heresia. João sabia disto e argumenta, com a autoridade que possui como apostolo ensinado diretamente por Cristo, nos versos 2 e 3 do capítulo 4, que os cristãos podem discernir entre aqueles falam pelo Espírito de Deus e aqueles que não falam de maneira simples e direta: todos os que professam fé que Jesus Cristo veio como carne fala pelo Espírito de Deus, mas os que negam falam pelo espírito do anticristo.
Nos versos 4 e 5, João confirma que aqueles que creem na verdade do Evangelho de Cristo, assim o fazem por possuírem o maior dos espíritos, contudo aqueles que estavam sendo guiados pelo mundo, ouviam as coisas do mundo. Aqueles que eram de Deus acreditariam nas palavras de João e dos demais verdadeiros cristãos acerca desse ensino. Vejam o verso 6: “Nós viemos de Deus, e todo aquele que conhece a Deus nos ouve, mas quem não vem de Deus não nos ouve” . A seguir, nos versos 7, 8, e 9,  João fala a respeito do amor de uns para com os outros e fecha reafirmando o amor de Deus para com os homens no final do verso 10  “... enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” . João queria novamente enfatizar que Cristo não somente veio como homem, mas também morreu como homem, pelos nossos pecados. A crença do docetismo punha em xeque não somente a encarnação, mas também validade do sacrifício e da ressurreição. Lembremos do que Paulo diz em 1ª Corintios 15.14 se Cristo não ressuscitou, é inútil a nossa pregação, como também é inútil a fé que vocês têm .
Para que o leitor entenda onde quero chegar e entenda a gravidade deste assunto, Segundo Franklin Ferreira,
Para os docetas [...] Cristo não foi plenamente encarnado na carne, pois a matéria é intrinsecamente má. As epístolas de Colossenses e João argumentam contra esta noção pré-gnóstica. Esta posição tem reaparecido atualmente no ensino dos evangelistas da prosperidade.[2]
               
                O atual pseudoevangelho da prosperidade não somente tem maculado a igreja no que se refere às bênçãos materiais, financeiras e relativas à cura, mas os pregadores neopentecostais tem negado a divindade de Cristo. Esses tais têm adequado a verdadeira Palavra às suas palavras e não às de Deus. Eles vem construindo discursos a seu gosto corrupto, pois eles não são de Deus. Fujamos destes, eles não falam em nome de Deus!


[1] Bíblia de Estudo de Genebra. 2. ed. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil; São Paulo: Cultura Cristã, 2009. pág. 1696.
[2] FERREIRA. Franklin, MYATT. Alan, Teologia Sistemática: uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual. São Paulo: Vida Nova. 2008. P. 487.



Felipe Medeiros

www.facebook.com/felipealexandremedeiros

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

UMP INDICA: Evolução X Deus

É comum ouvirmos falar da grande batalha cravada entre A fé e a ciência. Mas a cada dia vem ficando mais claro que essa luta na verdade não existe. A fé, cada vez mais vem provando ser muito racional, onde a própria ciência, por mais que tente o contrário, acaba se rendendo a seus pés e comprovando sua autenticidade.

É evidente que muitos fecham os olhos para isso, principalmente dentro de nossos centros de ensino. (Universidade, escolas...) Onde qualquer elemento de fé cristã é tratado de forma jocosa e fantasiosa. Levando a grande maioria a pensar que Crer é abrir mão de pensar. 

Esse vídeo se propõe a provar que isso não é nem de perto a verdade. Que Crer é também pensar. E por sinal, a Fé cristã chega a ser muito mais lógica que toda a “mentira cientifica” contada em nossas escolas.

O diretor do vídeo vai até uma Universidade renomada dos EUA, e entrevista vários ditos “ATEUS” acerca do que eles acreditam. Tal documentário mostra claramente o quão insano pode ser se crer em elementos já chumbados como “verdades científicas”, como Evolução, Big bang, e outras mais. Ao longo do vídeo a maioria dos entrevistados admitem que acreditar na evolução é questão de fé, e uma fé absolutamente cega.
Por fim, ao confundir a cabeça daqueles alunos e professores, e colocar a duvida sobre qual é realmente a verdade, o entrevistador acha uma brecha para evangeliza-los.

O documentário é muito instrutivo, e bem elaborado. Todo Cristão deveria assisti-lo e procurar saber mais a respeito do tema. Pois temos a verdade e muitas vezes não atentamos para isto. Crer é também pensar.


Assista ao documentário:

Guilherme Barros

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Entrando pela Porta dos Fundos

Há um bom tempo um canal do Youtube vem fazendo um sucesso viral nas redes sociais. No início suas brincadeiras agradavam a todos, com seu humor despreocupado, crítico e inteligente. Mas ultimamente seus vídeos estão cada vez mais carregados de desrespeito contra a fé cristã, e blasfêmia contra o próprio Deus.  Como consequência disto os Cristãos tem se levantado contra tal canal, e inclusive com ameaças de entrar com um processo por desrespeito a fé alheia. Por outro lado, um grande grupo de “ateus militantes” (que se julgam seres mais evoluídos e com um pensamento mais elevado e intelectual) e alguns “pseudocristãos” se utilizam de tais vídeos para debochar dos fiéis, e humilhar sua fé.

Diante de todo esse cenário tracei algumas breves reflexões sobre como devemos enxergar essa situação e como agir mediante tal afronta:

1. Na maioria das vezes nos comportamos como hipócritas. Pois da mesma maneira que o “Porta dos Fundos” faz chacota do Cristianismo, já o fez com várias outras religiões. E quando isso acontece não nos levantamos contra, mas fazemos coro a eles nas chacotas.

 Devemos lutar com a mesma intensidade pelos direitos dos outros, com a que lutamos pelos nossos. Não devemos concordar com a adoração a outros deuses, mas não devemos zombar dos que o fazem e sim, ensiná-los o que é certo com toda longanimidade e doutrina.

2. Tais vídeos são reflexos de uma sociedade cada vez mais distante de Deus, aonde os valores morais vão ficando cada vez mais esquecidos. Onde o correto e o errado é em ultima análise, só uma questão de ponto de vista.

Esta era é chamada de Pós-modernismo, que nada mais é do que um fiel retrato da sociedade descrita em Romanos 1. Sociedade tal destituída de valores morais, cegos em seu próprio entendimento e entregue por Deus a seus desejos pecaminosos.

O “Porta dos fundos” não é uma exceção, ela é a melhor descrição possível da depravação total do homem.

3. Jesus falou sobre duas portas. Uma, que é o próprio Cristo, conduz a salvação. Ela é a mais estreita, ou seja, entrar por ela não é fácil. Adentrá-la é negar-nos a nós mesmos, e nos redemos ao Senhorio de Cristo, abrindo mão da nossa vontade, reconhecendo que não somos nada, apenas pecadores imundos. E confessando a Cristo como o Senhor de toda a terra, que faz tudo de acordo com sua vontade. Sem precisar de nossa opinião.

E a outra porta, eu vou chamá-la de “Porta dos fundos”. Esta conduz a condenação. Por ela entrarão todos àqueles que querem ser os donos de seus próprios umbigos. Que não admitem que um ser superior dite o que eles devem e o que não devem fazer. Também entrarão aqueles que se acham inteligentes demais para acreditar que Deus existe, preferindo acreditar em homens falhos com vãs filosofias que se contradizem a cada novo dia, do que na Palavra de Deus, que é a verdade e  permanece para sempre.  Tais pessoas além de estarem caminhando em passo largo para o inferno o fazem zombando dos que estão no caminho certo, se enganando sem saber o que os espera.

4. E por fim chegamos à conclusão de que devemos sim defender nossa fé, mas nunca devemos achar que Jesus precisa de nossa defesa, ou de nossa ajuda. Ele não é um coitadinho que se entregou pelo mundo, e depois de ser rejeitado por ele está em depressão. E que chora cada vez que é humilhado, e seu nome profanado.

Na verdade, o messias que veio a primeira vez como o cordeiro amoroso, que veio trazer salvação para o mundo mostrando toda sua simplicidade, humildade e misericórdia, um dia voltará como Rei soberano, governador de toda terra, pronto para fazer justiça aos que passaram toda a vida profanando seu nome.

O capítulo 6 de Apocalipse mostra que os ímpios pedirão para que as montanhas caiam por cima deles os esmagando para que eles possam morrer e se livrar da ira do cordeiro.

Nesse dia não haverá mais misericórdia, a mão de Deus que estava estendida para os pecadores se fechará. Eles vão tentar argumentar, vão tentar se esconder, mas não vão conseguir, e pagarão por cada ofensa, cada insulto, cada blasfêmia, cada vídeo em que denegriram o nome santo do Senhor. E toda língua, inclusive as dos atores e produtores  do canal “Porta dos Fundos” confessará que JESUS CRISTO É O SENHOR ,ainda que seja debaixo de Sua ira!


Ainda há tempo, a mão ainda está estendida, entre pela porta da frente, a estreita. E esqueça a porta dos fundos.

Guilherme Barros
Facebook: www.facebook.com/GuilhermeBarroos

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

A Arrogância Evangélica

A Igreja cristã protestante sempre foi conhecida por sua postura firme e convicções resolutas em relação a sua fé. As firmes convicções doutrinárias defendidas ao longo do tempo e a resistência à união com falsas crenças, culminaram por atrair a antipatia de muitos, se tornando alvo de críticas, com acusações de serem arrogantes, radicais, intolerantes, alienados, entre outros termos pejorativos. Críticas estas vindas por parte daqueles que não confessam a religião revelada nos Escritos sagrados e querem a todo custo promover a união de todos os credos num movimento da religião moderna conhecido por ecumenismo.

O ecumenismo nos moldes atuais nada mais é do que uma tentativa humana de unir todos os credos, pretendendo assim, abraçar todas as diferenças em nome da paz. Apontando a tolerância como elo de harmonia entre as diferenças, o movimento apresenta um aparente discurso inclusivista e livre de qualquer preconceito.

Agora atentemos para o seu significado bíblico. Ecumenismo vem de uma palavra grega que originalmente significa “todo o mundo habitado” (Mt 24.14; At 17.26; Hb 2.5). O ecumenismo bíblico, por sua vez, é totalmente diferente da união sincretista da religião moderna, pois trata da unidade de um grande povo formado não exclusivamente por uma linhagem segundo a carne, mas que abarca pessoas de diferentes raças, tribos e nações, e que tem em comum a semente da fé em Cristo Jesus. Escolhidos segundo a graça eletiva de Deus, revelada primeiramente em Abraão, mas estendida a todos os santos espalhados pela terra e que estarão diante do trono de Deus glorificando-o para sempre.

Fica evidente que o posicionamento reformado deve-se aquilo que as Escrituras apontam como a verdadeira unidade religiosa e nada tem haver com ódio e intolerância, como propagado pelos que defendem o pluralismo religioso. O Senhor Jesus orou para que todos fossem um, mas enfatizou que esta unidade só poderia ser possível se fincada na verdade. “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17.17); “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um [...]” (Jo 17.21,22). Portanto, fora deste princípio qualquer tentativa de comunhão será falsa e danosa para o povo de Deus.

A luta pela verdade sobrepõem-se a qualquer outra tentativa de unidade religiosa. Martinho Lutero sintetizou bem a condição bíblica de unidade quando considerou que deveríamos buscar a paz, se possível, mas a verdade a todo custo. Então, o que eles chamam de arrogância, é na verdade a firme convicção de fé reformada. Temos certeza sobre no que cremos e isto não nos foi revelado por homens, mas pelo próprio Deus através das Escrituras. Esta sociedade pós moderna rotula de arrogantes aos que tem certeza no que crêem, pois eles mesmo não sabem no que acreditam, crêem em tudo e em nada ao mesmo tempo, estão completamente perdidos, pois negam-se a glorificar a Deus (Rm 1.21).

Outra acusação leviana sofrida pelos protestantes é a de causarem divisão e discórdia na Igreja por motivos supérfluos. Mas este nunca foi o interesse dos reformados, aliás, vale ressaltar que nem foi esta também a intenção dos primeiros reformadores, que procuraram manter a unidade evangélica de forma coerente com as Escrituras, objetivo este impossível de ser alcançado por motivos históricos já bem conhecidos.

Em suma, não importa que sejamos falsamente tidos por arrogantes, e tachados por cristãos extremistas, lutemos juntos pela fé evangélica (Fl 1.27) com coragem e ousadia para denunciarmos o falso ecumenismo, disfarçado de tolerância e harmonia, mas que na verdade representa uma séria ameaça à unidade orgânica da Igreja do Senhor Jesus. Descansemos no que disse o Apóstolo Pedro inspirado por Deus: Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus (1 Pe 4.14).

Ericon Fábio