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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Como saber se Estamos Realmente Pregando o Evangelho? Com a Palavra, Martin Lloyd-Jones

É verdade que, onde abundou o pecado, superabundou a graça; então, permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? A genuína pregação do evangelho da salvação somente pela graça sempre leva à possibilidade desta censura ser lançada contra a graça. Não existe melhor teste
para sabermos se um homem está realmente pregando o evangelho do Novo Testamento: algumas pessoas o entendem mal e o interpretam de maneira errada, de modo que chegam à seguinte conclusão: visto que fomos salvos apenas pela graça, realmente não importa tudo que fazemos, podemos continuar pecando como queremos, pois isto redundará em mais glória da graça de Deus.

Este é um excelente teste para avaliarmos a pregação do evangelho. Se minha pregação deixa de expor o evangelho ao ponto de gerar este mal-entendido, realmente não estou proclamando o evangelho. Pretendo explicar o que estou afirmando. Se um homem anuncia a justificação por meio de obras, jamais teremos aquele entendimento errado. Se ele diz: Você deseja ir ao céu? Então precisa parar de cometer pecados, viver um vida repleta de boas obras e observar certas coisas até à sua morte, deste modo será um cristão e irá ao céu, quando morrer. O pregador da mensagem acima não será acusado de ter dito: Continuemos a pecar, para que a graça seja abundante. Mas todo fiel pregador que anuncia o evangelho tem sido acusado de anunciar uma mensagem que estimula a pecar! Todos eles têm sido acusados de antinomianismo (estar contra a lei). Eu poderia falar a todos
os ministros do evangelho: SE A SUA PREGAÇÃO DO EVANGELHO NÃO TEM SIDO ENTENDIDA DAQUELA MANEIRA ERRADA, VOCÊ DEVE EXAMINAR SEUS SERMÕES NOVAMENTE; é melhor certificar-se de que está realmente proclamando a salvação anunciada no Novo Testamento aos ímpios, pecadores, mortos em seus delitos e pecados, inimigos de Deus. Existe um certo elemento de perigo na apresentação da doutrina da salvação.

Publicado originalmente na Revista Fé para Hoje n° 4 da Editora Fiel

Com a palavra feita por Rodrigo Ribeiro

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Apologética da Gentileza

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NOTA: O que se segue é um sermão pregado pelo pastor Jonas Madureira no dia 24/05/14 no culto “Inter Jovens” realizado na Igreja Batista Maranata em São José dos Campos, SP. Não se trata de uma transcrição integral do sermão, embora grande parte dele tenha sido transcrita. Alguns trechos foram adaptados para a linguagem formal e a essência da mensagem não foi alterada.
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“Antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós, fazendo-o, todavia, com mansidão e temor, com boa consciência” (1Pedro 3.15-16a).
Quando paramos para pensar em apologética, a imagem que mais se assimila é a de alguém beligerante que discorda de todos. Porém, a palavra “apologética” na tradição cristã tem origem jurídica. Os primeiros apologetas do cristianismo não ficariam o dia inteiro no Facebook respondendo a perguntas que as pessoas fazem sobre teologia. Eles iriam para o contexto de uma defesa jurídica porque, se fizessem uma boa defesa de que o cristianismo é razoável, que não é uma religião ateísta – como eram acusados os cristãos –, que não praticavam canibalismo – isto por conta da ceia – evitariam a morte. Esses apologetas, portanto, entram no cenário porque estão diante de alguns cristãos que serão lançados aos leões e a defesa que farão pode salvá-los.
A apologética, no início, tem o tom de mostrar a relevância do evangelho, mas com a finalidade de defendê-lo, pois a defesa dele garantiria a prática cristã, a vida baseada no evangelho. O contexto de uma vida baseada no evangelho, na ocasião, era uma vida marginalizada. A ideia era defender o evangelho para mostrar que os cristãos não eram nocivos à sociedade, que não deveriam ser tratados como estavam sendo tratados.
Curvar-se diante de Cristo não significava que eles não obedeciam às leis. Eles queriam ter o direito de dizer que somente Cristo era o Senhor, mas isso não significava que César não tinha que ser respeitado. Ao não se curvarem diante do imperador, não significava que não respeitavam César com toda autoridade que lhe era concedida.
A tarefa do apologista, então, era a de um advogado, de fornecer as peças de um argumento para mostrar que aquele que está sendo acusado é inocente.
Do que estamos sendo acusados hoje? Do que a igreja está sendo acusada? Diante de uma acusação, nossa primeira reação pode ser a reação de simplesmente responder com a mesma medida, de odiar aqueles que nos odeiam, de responder com perseguição, com aspereza.
Pedro, ao escrever essas palavras, escreve-as para forasteiros, para pessoas que estão no contexto que não é o habitat natural delas. É um mundo diferente. Diante disso, eles ainda vivem debaixo do evangelho. O evangelho exige que eles, por natureza, adotem padrões que a cultura rejeita. Pedro sabe que aquela comunidade está sofrendo.
Ao defendermos o evangelho, não precisamos falar grosso ou gritar para que ele mexa com as estruturas de alguém. Mesmo que falemos com toda gentileza, o evangelho tem garras. Ele vai mexer com a estrutura de toda e qualquer cultura. Pedro sabe que não conseguiremos evitar o confronto do mundo. Os primeiros defensores enfrentavam essa oposição. Lutero dizia que sempre que o evangelho fosse pregado geraria conflito. Nesse contexto é que apresentaremos o evangelho. Irão nos perguntar a razão da esperança que há em nós e o desafio de Pedro é que estejamos preparados para isso.
Para que possamos responder, precisamos aprender a ouvir e a perguntar. O que as pessoas à nossa volta estão nos perguntando? As pessoas querem saber se somos inteligentes ou que, no fundo, quando entram num debate, querem saber o porquê você acredita naquilo que você diz ser o evangelho? Esta é a pergunta mais importante que o apologeta deve responder. Quando perguntamos por que acreditamos no evangelho, fazemos um exercício de reflexão, para saber o porquê acreditamos. Refletimos na razão de nossas atitudes, e no por que cremos naquilo que cremos.
Pedro usa palavras que tentam despertar em cada um a resposta da esperança que há em nós. Para isso, temos que fazer uma reflexão sobre aquilo que cremos. Vivemos num contexto onde aquilo que chamamos de evangelho está diluído, é superficial. As pessoas não sabem o que significa o evangelho. Eu acho que esperamos que o evangelho seja algo simples, mas confundimos algo simples com algo simplista, de tal forma que não queremos mais mastigar o evangelho, queremos que alguém o mastigue por nós. Não queremos pensar. O evangelho só vai transformar você se você mastigá-lo. Se você não entendeu o evangelho e não tem convicção dele, não há como você defendê-lo. Como você defende algo do qual não acredita? Se você não acreditar naquilo que está pregando, terá que defender a técnica do cinismo, como vendedores que não acreditam na qualidade do produto. Não dá pra fazer isso com o evangelho. Ou acreditamos no evangelho ou não conseguiremos defendê-lo. O evangelho deve ter o padrão que toca o seu coração e faz você admirá-lo. Para sustentar o evangelho, precisamos admirá-lo e, para admirá-lo, precisamos nos aprofundar nele.
Lewis e o cristianismo “água-com-açúcar”
Quero apresentar um apologeta da gentileza por excelência. C. S. Lewis.
Em seu livro “Cristianismo Puro e Simples”, Lewis explica por que o ateísmo é simplista. Mas ele diz que há também o cristianismo simplista, que é o cristianismo “água-com-açúcar”, aquele cristianismo de respostas prontas, que não nos faz pensar. Ele diz:
“Pois bem, então o ateísmo é simplista. E vou lhes falar de outro ponto de vista igualmente simplista que chamo de ‘cristianismo água-com-açúcar’. De acordo com ele, existe um bom Deus no Céu e tudo o mais vai muito bem, obrigado – o que deixa completamente de lado as doutrinas difíceis e terríveis a respeito do pecado, do inferno, do diabo e da redenção. Os dois pontos de vista são filosofias pueris.”
Ele compara esse tipo de cristianismo com o ateísmo porque é o tipo de cristianismo que tentar tirar do evangelho a força de desestabilização de estrutura de nós mesmos. É o tipo de cristianismo que, quando você estiver passando por dificuldades, lhe dirá coisas do tipo: “Menino, vá orar, você está em pecado”.
Não conseguimos aprofundar uma questão, queremos respostas simplistas. Não queremos pensar na profundidade. Ser simples é uma coisa, ser simplista é outra. O evangelho é simples como a luz, mas isso não significa que seja fácil de entender. A luz é entendida tanto como uma onda como uma partícula e nenhum dos dois entendimentos está errado. É algo que não se resolve, é complexo. Você quer que Deus seja assim simples? Você acredita que, por causa dessa simplicidade de Deus, você está diante de algo simplista? A riqueza de Deus está no fato de Ele ser simples, mas isso demanda profundidade. O evangelho exige profundidade de mim e de você. Vivemos num contexto hoje onde as pessoas pagam dobrado para fazer coisas em vez de pensar. Por isso passamos tanto tempo no videogame. É legal, mas não dá em nada. Você sai de uma partida depois de várias horas e deve se perguntar: “Legal, e aí? Puxa, quanta coisa poderia ter feito nesse tempo!”
Por que passamos horas em frente ao videogame ou no shopping? Sabe por quê? Porque pensar dói. Porque pensar exige um movimento doloroso.
A alegoria da caverna de Platão
Todos nós conhecemos a alegoria da caverna. O que Platão dizia que aconteceria se aqueles prisioneiros fossem libertos de suas correntes e vissem a luz, se vissem o sol brilhando? O que aconteceria se vissem que o mundo deles não se resume àquela “caixinha”, mas que existe um mundo superior e que aquilo são apenas sombras? Eles sofreriam. Ficariam cegos por causa da luz, sentiriam dor porque não estão acostumados a fazerem isso.
Similarmente, você somente irá se sentir à vontade quando começar a estudar o evangelho. No início, terá sono. Só quando começarmos a praticar é que não irá doer. Isso exige de nossa parte um movimento que dói. Temos que ler o texto bíblico várias vezes. Dói. Com o passar do tempo, porém, esse movimento se torna comum e deixa de doer, você se acostuma.
Quando o prisioneiro fica cego, isto é o símbolo da ignorância. Quando alguém se converte e se depara com o evangelho, fica cego, ignorante. Isto acontece, por exemplo, com pessoas que vão à igreja pela primeira vez. Não sabem o que fazer. A constatação da ignorância não é algo gostoso. Temos dificuldade de reconhecer nossa ignorância.
Como podemos resumir o evangelho em três minutos? Isso diz muito sobre se compreendemos ou não o evangelho. No momento de olharmos para a luz, podemos ficar cegos. Mas a cegueira passa com o tempo.
O texto da caverna é a alegoria de que todos estão presos. Platonismo e cristianismo se parecem bastante, mas possuem muitos contrapontos. No caso da caverna, é o homem que se liberta. Basta que ele reflita sobre a realidade à sua volta. Em contrapartida, no cristianismo, nós é que somos libertos pelo Espírito Santo. Somente Ele liberta nosso coração para enxergarmos o evangelho.
Para pregarmos o evangelho, para que possamos defendê-lo e o anunciarmos, temos que nos aprofundar. As pessoas se aproximarão não por causa de argumentos, mas por causa de nosso testemunho. Somente pelo Espírito Santo seremos libertos. Não adianta explicarmos através da lógica que o evangelho é a verdade se não aceitarmos a Bíblia na cabeça. A obra é do Espírito Santo.
Quando alguém enxerga a realidade, porém, ele volta para a caverna para tentar libertar os demais. Fazemos a mesma coisa quando conhecemos o evangelho. Nasce em nós o desejo de ir à caverna para proclamá-lo. Isso, no entanto, só irá acontecer quando admirarmos o evangelho. Antes de desenvolvermos qualquer argumento, o que você e eu precisamos é da experiência do evangelho. Ele não é um folheto evangelístico, é o fundamento da igreja. Também não é apenas uma mensagem para ganhar pessoas para Cristo, é o fundamento da igreja. Enquanto não nos aprofundarmos nesse evangelho e fizermos dele nossa reflexão diária e o tema de nossa vida, não conseguiremos falar da Palavra de Deus ao mundo.
O que é o evangelho?
Gostaria de encerrar pensando no evangelho.
O que é o evangelho? Imagine um artista que está focado em sua obra e nada desvia sua atenção dela. Ele é perito na obra. Ele é o ser criador. Ele não falha. É da natureza do barro estragar, mas é da natureza do oleiro criar. Embora o barro esteja estragado, o oleiro não o joga fora, ele pega o mesmo barro e cria novamente. Isso é redenção.
Deus criou o mundo de uma maneira perfeita e maravilhosa e estragamos tudo. Mas não é o fim. A natureza do Criador também é a natureza do redentor. Temos a natureza da destruição, mas Ele tem a natureza da redenção. Eu e a você podemos estragar histórias lindas que Deus está criando, mas não temos o poder de estragar a história eterna que Deus prepara para nós. Não podemos destruir Deus. Enquanto Deus existe, há redenção dos estragos.
Não é bonito o evangelho, a história de Deus? Ele cria tudo de maneira perfeita porque Ele é perito. Ele não desiste. Esta é a história do evangelho. Você não pode fazer um estrago tão grande para o qual não haja redenção. Para defender o evangelho, temos que amá-lo, admirá-lo. Como está nossa admiração pelo evangelho pela obra de redenção? O peso de nossa admiração representa o peso de nosso amor às respostas que são feitas ao nosso tempo. Não só apresentando e defendendo o evangelho de uma maneira lógica, mas, sobretudo, fazendo com carinho e gentileza, que só os seres dóceis podem ter diante dos seres brutos. Que o evangelho seja dito de uma forma dócil, mas não de uma forma domesticada, ou seja, uma forma que não desestabilize. Não espere que a pregação do evangelho não mexa com as estruturas das pessoas. Não temos que ficar chateados quando alguém nos ofende. Isso irá acontecer sempre quando pregarmos o evangelho. O que não pode faltar em mim e em você é o amor. Amor por Deus e por pessoas, ou seja, que não iremos humilhá-las. Não temos que mostrar que somos inteligentes. Estamos aqui para pregarmos o evangelho e mostrar o que ele tem feito conosco.

Jonas Madureira
Publicado em: http://tuporem.org.br/?p=3535
Intercâmbio feito por Walber Arruda

quinta-feira, 6 de março de 2014

Paul Washer no Brasil: um Mensageiro Precursor

Estes dias ocorreu aqui em Campina Grande – PB, o 16° Encontro para a Consciência Cristã, realizado pela VINACC e um dos principais preletores foi o pastor norte-americano Paul Washer. Confesso que meu coração aguardava ansioso por esse evento desde o ano passado quando foi anunciado. Lembro-me de frequentar a Consciência Cristã desde que era criança quando o projeto ainda não tinha a dimensão que hoje tem. Antes as palestras ocorriam em um lugar tão pequeno que eu ficava sentado no colo da minha mãe para sobrar mais lugares. Hoje, em sua 16° edição, o encontro é referência em toda a América Latina e praticamente pára Campina Grande durante o carnaval. Não pude conter minha alegria ao ver esse ano o resultado de tantos esforços, de tanta oração.
Nunca me esquecerei daquela representação do tabernáculo montada mesmo no centro de onde ocorre o “Maior São João do Mundo” repleta de pessoas sedentas pela pregação do verdadeiro Evangelho. Isso sem se falar nos eventos paralelos. As palestras sobre missões com o Dr. Russel Shedd e o Ronaldo Lidório eram lotadas. Creio que muitos trabalhadores foram levantados para o sertão nordestino e as nações. Isso sem falar nas centenas de jovens buscando aprender com o Adauto Lourenço e a Norma Braga como influenciarem a academia brasileira. Mas o ápice de tudo isso sem dúvidas foram as exposições do Paul Washer e vou explicar o porquê.
A primeira pregação do Paul Washer foi no sábado pela manhã, logo após o gênio do Jonas Madureira (como já disse no Instagram, quero ser como ele quando crescer! Hahaha) expor acerca do niilismo que acomete nossa sociedade pós-moderna foi a vez do Paul. Um homem alto, bem forte, mas com um rosto um tanto “acabado”, um ar de cansado, preocupado. Quando subiu ao púlpito, sua mensagem centrou-se unicamente no Evangelho de Cristo. E aos poucos fui me vendo diante não de um pastor qualquer, nem um mestre doutor em teologia, até porque como ele mesmo falou, havia homens ali que ultrapassam e muito a ele em seu conhecimento teológico.
Vi diante de mim um profeta como Elias e João Batista. Um homem de coragem, firme em suas posições e em seu ataque aos falsos profetas da prosperidade e do movimento de cura. Um homem cuja maior preocupação não era em momento algum nos fazer confortáveis, mas anunciar apenas a Cristo e sua obra. Aliás, isso foi o único tema dos seus sete sermões e a razão de repreender os aplausos diversas vezes. Nos bastidores não era diferente, amigos próximos relataram o temor e tremor que ele sentia antes de pregar. Eu mesmo não pude me encontrar pessoalmente com ele porque quando fui estava de jejum e não saiu para jantar nem antes nem depois de pregar. Por diversas vezes preferiu comer no Subway a uma churrascaria.
Diferente de muitos astros da nossa indústria gospel, ele não demonstrou nem um pouco se importar com a sua aparência. Usou o mesmo terno todos os dias do evento e deixou todos nós supressos ao afirmar que há 14 anos dirige o mesmo carro, um jipe velho, que segundo seus filhos parece um “grande tomate amassado” e acrescentou que se alguém lhe desse um carro novo ele venderia e usaria o dinheiro para missões. Sua voz, às vezes fraca e trêmula dizia: “Eu não choro porque não tenho coisas. Eu choro porque não sou com Jesus.” Em outros momentos, não tinha medo de exortar-nos: “Você vai à igreja por causa da música que é profissional? Isso dá nojo!”.
Não consegui em momento algum olhar para o Paul Washer e não lembrar de João Batista, o “mensageiro precurssor”, a “voz que clama no deserto”. Homem, falho e fraco, mas cuja única razão de viver é preparar o caminho para Cristo em meio de uma sociedade corrupta e blasfema. Um verdadeiro profeta da nossa geração, que abre a boca não para relatar sonhos e visões mentirosas a fim de enganar multidões, mas que abria a Bíblia para anunciar a graça e juízo de Deus sobre os pecadores.
Sinceramente nunca me esquecerei do que ouvi ontem, e ainda hoje ao lembrar, as lágrimas correm pelo meu rosto. O Paul me lembrou o quanto meu coração é depravado e imundo, o quanto eu sou falho e mesmo após a salvação preciso da graça de Deus para ser santo e vencer o pecado. Como disse ele, as vezes é preciso que Deus dê um “pé na bunda” de seus filhos e os impeça de seguir seus próprios caminhos. Foi exatamente assim que me senti. Foi como se Deus me dissesse: “Já basta! Eu sei o que está por trás do seu extremismo, do seu aparente zelo por mim. Eu conheço o seu coração e vejo suas motivações erradas, o orgulho, a presunção. Mas está na hora de você cair do cavalo. Se eu te ofereci graça, porque você quer oferecer a Lei aos outros?”
Enfim, não fui à Consciência Cristã para ver um homem vestido de roupas caras ou que me massageasse o meu ego. Fui para ser quebrado, moído, para ficar no chão mesmo, para ser lembrado que eu não sou nada, que eu sou podre. Fui para ouvir um profeta, para ouvir o verdadeiro Evangelho de um Deus que é amor e por isso é justiça.
Depois de tudo isso, me defino em uma única frase: “Sou apenas um garoto cheio de falhas tentando imitar Seu Pai.”
Igor Sabino
Publicado originalmente em: http://colunas.gospelmais.com.br/paul-washer-brasil-um-mensageiro-precursor_8896.html

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Ofendidos pelo Evangelho

Desde então muitos dos seus discípulos tornaram para trás, e já não andavam com ele. (João 6:66)

Geralmente os pregadores costumam julgar o resultado de sua pregação pelo contentamento nos rostos dos irmãos e elogio dos visitantes após sua ministração. A aprovação dos ouvintes é sinal que tudo foi bem. Certo? Errado. A Bíblia nos mostra o contrário.

O Maior dos pregadores, Jesus, experimentou o dessabor de ser abandonado por muitos de seus seguidores após ter proferido duras palavras em Cafarnaum, a tal ponto de escandalizar seus discípulos mais próximos que diziam: “Duro é este discurso; quem o pode ouvir?” (Jo 6:60). A adesão e aprovação inicial do povo ao ministério do Senhor Jesus transformou-se em rejeição e abandono após um único sermão. Muitos o abandonaram e o curioso é que apesar da reação negativa do público, Jesus não mudou o tema dos sermões subsequentes para atrair de volta aos ofendidos.

A ofensa da Palavra de Deus foi o motivo por que muitos dos profetas bíblicos foram perseguidos e mortos (At 7:52).  Homens que não se importaram em falar daquilo que o povo queria ouvir, mas, fielmente proclamaram uma mensagem dura e confrontante. O diácono Estevão, por exemplo, enfrentou a fúria de judeus que se opuseram veementemente à sua pregação. Eles taparam os ouvidos por não suportarem a verdade do Evangelho e como resultado Estevão foi martirizado (At 7:54-58). Os arautos de Deus não receberam aplausos, mas, em maior das vezes, resignação, oposição e perseguição. Mesmo assim podemos afirmar que o ministério deles foi frutuoso, pois gerou insatisfação no coração dos ouvintes.

Fazer do agrado popular termômetro para medir resultado dos sermões não é um critério confiável, muitas vezes o satisfação geral revela apenas que a consciência do ouvinte em nada foi incomodada; John Preston, ministro puritano do século dezessete, ressaltou que “não há um sermão que, sendo ouvido, não nos ponha mais perto do céu ou do inferno”. Portanto, seja qual for o resultado da pregação ela irá gerar grande insatisfação nos receptores, seja com o Deus Justo e Bom, seja com sua própria natureza carnal. Ante a pregação o pecador será movido por grande desagrado, que salvará ou condenará sua alma eternamente.


É preciso entender que só através da santa ofensa da pregação os ofensores (Cl 1:21) poderão ter consciência do quanto tem ofendido o Deus Justo, Santo e Bom, e assim, terão oportunidade de se desviarem do caminho da perdição. Se as pessoas sentem-se ofendidas por sua pregação este é sinal que tudo está indo bem. Continue fiel às Escrituras.

Ericon Fábio

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

8 Características da Santificação

Uma das coisas que eu mais gostava no meu trabalho anterior era a ligação direta entre o quão duro eu trabalhei e os resultados que eu vi depois. Se eu apenas abaixei minha cabeça e persisti duro eu poderia chegar onde eu queria. Era um papel independente e eu gostava do fato de que minha produção repousava sobre os ombros de ninguém, mas nos meus próprios.
Grande parte da minha frustração em crescer como um cristão é porque a santificação não é exatamente como o meu trabalho. Sim, o meu esforço afeta o meu crescimento, mas não posso simplesmente produzir o resultado desejado do meu desempenho sozinho. Estou aprendendo que, embora eu certamente possa desempenhar um papel na minha maturidade, eu não posso simplesmente fazê-lo através do trabalho duro. Isto não só mudou minha formação espiritual, mas muda a forma como eu encorajo outros crentes. Quando um irmão vem me compartilhar uma luta contra o pecado eu percebo que eu não posso simplesmente levá-lo para o tapete para não trabalhar duro o suficiente, mas eu tenho que levá-lo para a cruz para descansar na obra de Cristo por ele. Acho que muitos cristãos estão genuinamente desejando crescer, mas eles acabam levantando suas mãos em desânimo, dizendo: "Estou tentando, mas as coisas não parecem mudar." Eu acho que como os crentes cansados​​, podemos nos sentir frustrados ao nos sentirmos livre quando nós tomamos o jugo próprio em nossas próprias costas, coloque-o em Jesus.

O Evangelho centrado na santificação tornando-se (crescente) a ser (identidade), fazendo realizações e provisão para nós, sendo o catalisador da nossa vida de Cristo. Aqui estão oito características de santificação centrada no Evangelho que enquadra a nossa teologia da doutrina e ao mesmo tempo dirige a nossa prática.

1.    NOVAS, NÃO CONSELHOS

“mas a palavra do Senhor permanece para sempre". Essa é a palavra que foi anunciada a vocês.." “(1 Pedro 1.25)

O evangelho é antes de tudo um anúncio. Ele é uma notícia sobre os acontecimentos históricos relacionados com a vida, morte e ressurreição do Deus-homem Jesus. E é uma boa notícia, porque os eventos têm significado pessoal; eles vêm para nós para que possamos ser resgatados do nosso pecado e reconciliados com Deus. Eu faço aos meus irmãos e irmãs em Cristo bem quando eu recorro a oferecer sábios conselhos, dando opiniões, ou deixando de lado as últimas máximas espirituais.

Para o Evangelho permanecer no centro, devemos lembrar regularmente uns aos outros as boas novas de Jesus Cristo. Nós recontar este feito, o objetivo, a notícia histórica e descompactar as aplicações intermináveis ​​jorrando disso. Se a maioria das minhas conversas soar como "você deve tentar fazer isto ou aquilo" em vez de "Jesus já fez isso por você", então eu estou indo para o mar tempestuoso de conselho e de opinião.

"Aconselhamento muitas vezes se disfarça como o Evangelho. Mensagens cheias de conselhos para ajudar as pessoas a melhorar suas vidas ou virar uma nova folha estão em contradição com a natureza do Evangelho – Veja também: 1 Coríntios. 15.1-8; Efésios 1.13-14 e Atos 15.6.

2. ARREPENDIMENTO, não resolve

"Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros para serem curados. A oração de um justo é poderosa e eficaz." (Tiago 5.16)

O evangelho nos agarra e nos sacode de volta para a realidade que rapidamente é esquecida: o pecado é um grande negócio e nossos corações estão cheios dele. Evito pensar em mim mesmo ou meu pecado nestes termos fortes. Tenho notado que, em vez de confessar meu pecado, eu me contento em rezar para que eu consiga "fazer melhor." Em vez de ver a minha língua de corte como o pecado exigindo humilde arrependimento eu poderia piamente dizer: "Eu não fiz um bom trabalho no minha discurso esta semana e eu preciso ter uma prioridade mais alta para fazer. "Através da minha linguagem de " tentar ser mais difícil "ou" ser mais disciplinado " eu crio a miragem de ser uma boa pessoa. Tudo o que eu preciso, eu digo a mim mesmo, para cavar mais fundo em meus reservatórios internos de força e bondade. Na realidade, eu preciso de mais dependência em Deus e auto-humilhação e menos determinação auto-suficiente e ignorância a Deus.

"Na confissão, tornamo-nos autenticamente cristão, concordando com Deus sobre o nosso pecado, merecendo julgamento e confiando na sua Graça que perdoa o pecado. Voltamos à realidade da Graça, em Cristo, que por sua vez reivindica a obediência real". Veja também: 1 João 1.8-9; Ps. 32:5, 2 Coríntios 7.10 e Apocalipse 2.5.

3. Necessitados, não auto-suficientes

"Mas ele nos concede graça maior. Por isso diz a Escritura: "Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes" (Tiago 4.6)

Uma vez que nos voltamos para o arrependimento do pecado em vez de melhorar os nossos pontos fracos, torna-se claro que não podemos sair do problema que nos metemos. Não só precisamos de mais disciplina. O problema principal não é que eu não estou dando-lhe tudo o que tenho ou tentando com vigor pouco suficiente. O evangelho nos liberta, permitindo que Deus esteja no comando da minha santificação. Quando eu parar de confiar em mim e nos meus recursos e passar a ter confiança em Deus, eu verei Ele possui o poder que eu precisava o tempo todo.

Deus promete ajuda aos humildes, mas deixa o auto-suficiente para os seus próprios recursos. Minha geração ri quando Stuart Smalley (artista de humor) se levantou, olhando para o espelho e disse: "Eu sou bom o suficiente. Eu sou forte o suficiente. "Infelizmente, não conseguimos ver que esse tipo de pensamento tinha nos evidenciado em como vivemos nossas vidas.

"Este hematomas nos faz estabelecer um preço alto a Cristo. Então o evangelho torna-se o evangelho de fato, em seguida, as folhas de figueira de moralidade nos fará nenhum bom. “ Veja também: Romanos 8.9-11, 13; Filipenses 2.12-13; Efésios 3.16, Gálatas 5.16-17, 25 e Colossenses 2.20-23.

4. TRANSFORMAÇÃO DE CORAÇÃO, NÃO modificação de comportamento

"Porei minhas leis em suas mentes, e gravá-los em seus corações." (Hb 8.10)

A visão bíblica da santificação exige uma verdadeira mudança de coração, a fim de ter os efeitos a longo prazo de refletir Cristo (fruto). Coração transformação leva tempo e trabalho. Por a maioria das pessoas "não ter tempo" e não gostar de trabalho, tentamos encurtar este processo, simplesmente alterando alguns comportamentos. Uma vez que a pessoa não realmente mudou - incluindo suas motivações e desejos - uma solução míope na melhor das hipóteses.

Se os outros são menos ofendidos com minhas palavras, então eu suponho que já corrigi o problema. Apesar da melhor versão de mim do lado de fora, o coração permanece inalterado. Podemos saber isso cognitivamente, mas pensar em como muitas vezes quando alguém compartilha uma luta contra o pecado, a primeira coisa que eles dizem é como trabalhar sobre o comportamento. Estas podem ser estratégias úteis, mas não são soluções. Cuidados com a raiz o e fruto acabará por amadurecer.

"É muito fácil transformar o combate da fé em lista de verificar a santificação. Cuide de alguns maus hábitos, desenvolva um par de bons, e você está pronto. Uma lista moral não leva em consideração os ídolos dos corações. Pode até não ter o Evangelho como parte da equação." Veja também: Mateus 15.19-20; 23.25-28, Lucas 6.43-45 e 2 Coríntios 3.3.

5. Liberdade em Cristo, não escravidão A LEI

"Para a liberdade Cristo nos libertou; Firmes, portanto, e não se submeter novamente a um jugo de escravidão" (Gálatas 5.1)

A promessa do evangelho é que no momento que temos fé a nossa condenação é removida e somos declarados justos, com os resultados de plena aceitação e amor paternal. Corações mudados por causa da Graça é dado uma motivação mais forte do que uma pessoa que se esforça para merecer o favor de Deus por meio de obras. A Graça nos motiva em alegria por causa de uma redenção merecida e agora podemos viver em gratidão e amor por Cristo. Procuramos crescer em santificação, não para receber favor, mas como resultado de se deleitar em tal favor. Isso não elimina o papel da lei por completo, mas muda nossa relação com ela.

A diferença entre santificação centrada no evangelho e suas falsificações com base no desempenho é que os avisos sinceros de obediência geram gratidão e o resto provoca somente o cumprimento externo de culpa. O fruto do Espírito não são o que nós trazemos a Deus para aprovação. Eles são o resultado de andar na liberdade que Cristo traz para nós, livres do poder escravizante da lei.

"Mesmo o cristão que busca sempre obediência pode perder esta transformando vista desse ponto. Eu posso olhar exteriormente muito diligente na fé e ser obediente em boas obras, boas palavras e boas maneiras, mas se por dentro é tudo o resultado de uma insegurança sobre a minha posição perante Deus, o trabalho mais difícil que eu possa reunir será um tanto sem valor. A busca somente pelo desempenho simplesmente leva à exaustão".  Veja também: Romanos 5.1, 8.1, 15-16 e Gálatas 5.14-16.

6. Sob o domínio de Cristo, e não fora dele

"Ele nos libertou formar domínio das trevas e nos transportou para o reino do seu Filho amado." (Colossenses 1.13)

No evangelho, Deus amontoa uma boa notícia em cima de uma boa notícia. Nós não só estamos libertos da escravidão do pecado e de Satanás, mas também estamos redimidos para o reino do Filho. Nós recebemos a orientação, proteção e presença do todo-poderoso rei. Imagine se Deus tivesse libertado Israel em Êxodo - pessoas que tinham sido escravos todas as suas vidas - e, em seguida, deixou-os no deserto. Faltava-lhes sabedoria, entendimento da justiça, e do conhecimento de como viver de forma consistente com o porque eles foram criados. Felizmente, para Israel após o êxodo e para os cristãos, depois de redenção em Cristo, Deus não nos deixará como refugiados, mas faz-nos cidadãos de pleno direito.

Quando eu vejo a santificação através de lentes centradas no Evangelho, vivendo sob o governo e reinado de Jesus, não roubam minha alegria, mas maximizam-na. O conceito bíblico do reino une Evangelho e a lei. A lei de Deus para aqueles que já estão no reino não é um critério para a cidadania. Em vez disso, ela é tanto uma demonstração de seu cuidado e de Graça, uma vez que é a sua autoridade. No reino de Cristo, as suas leis são para não ser odiado, mas para ser amado, e sua regra não é terrível, mas maravilhosa.

"O evangelho do reino é o anúncio de que a vida com Deus, sob o governo de Deus, faz-se imediatamente disponível para nós através de Jesus, nosso Rei. Ele chega como aquele que restaura as regras, e permite o acesso ao reino de Deus ". Veja também: Romanos 6.6-7, 22; 1 Coríntios 6.20,  Exôdo 20.1-2 e Mateus 13.44-45.

7. Em comunidade, e não o isolamento

"E vamos considerar como agitar um ao outro ao amor e às boas obras." (Hebreus 10.24)

Muitas das frustrações e carências na vida cristã ocorre a partir da tentativa de  treinar uma equipe de esporte em nosso próprio país. O garoto jogando basquete sozinho em sua garagem nunca se torna grande sem treinamento instrucional, as forças complementares de seus companheiros de equipe, e a nitidez de habilidades que somente outras pessoas vêem. Quando começamos a pensar que somos fortes o suficiente e bom o suficiente por conta própria acreditamos em mentiras auto-suficientes que se opõem a um Evangelho de necessidade. Se você não estiver em uma comunidade bíblica focada em Jesus e ancorada na autoridade da Palavra, quem vai fazer confrontamento difíceis, quando você escolher o pecado ou partilhar as suas alegrias ,quando Deus é fiel? Quem falará o Evangelho da Graça, quando você acha que já estragou tudo? Quem vai orar com você quando você se sentir sozinho ou abalado em sua fé?

Santificação dentro da comunidade é uma via de mão dupla. Deus nos amadurece como os outros nos amam em palavras e atos , mas também nos fortalece , esticando -nos a partilhar a nossa fé , servir com nossos dons , e entrar em relacionamentos bagunçados, quando a maioria serão assim, é claro. Estar conectado a uma igreja e comprometendo-se a crescer em maturidade ao lado de outros não é uma opção. Santificação centrada no Evangelho só acontece quando você humildemente receber o Evangelho e os dons dos outros crentes que vêem para você, em seguida, obstinadamente comprometer a fazer o mesmo por eles em troca.

"Estamos a ser santificado pela vida, vivendo juntos, estamos honrando a Deus e sendo marcados pelo crescimento e maturação. Bonhoeffer ancora o objetivo da comunidade cristã... ‘Uma comunidade que dá vida é aquela que está sendo continuamente transformada pelo Evangelho como um povo’. Veja também:  Hebreus 10.24-25; 1 Tessalonicenses  5.11, Colossenses 3.16; 1 Coríntios  12.25 e Gálatas 6.1-3.

8. PROGRESSÃO, não a perfeição

"Mas uma coisa eu faço: Esquecendo o que fica para trás e avançando para as que estão adiante" (Filipenses 3.13)

Infelizmente, muitas vezes falamos de uma maneira que promove a mal entendido sobre o que a vida cristã realmente é. Nossa fala pode fazer soar como a vida do cristão deve ser caracterizada por completa vitória sobre o pecado, em vez de contínuo arrependimento do pecado. Martin Luther fornece um bom contrapeso em uma Tese de suas famosas 95 teses: "Quando nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo disse:" Arrependei-vos ", ele pretende que toda a vida dos fiéis fosse penitência ". Nesta vida, permaneceremos sempre simultaneamente pecadores e santos, pessoas que foram justificadas mas que ainda permanecem incomodadas pelo pecado interior.

Os puritanos retrataram esta perseverança ao longo da vida em seu retrato do cristão carregando um peso nas costas, mas com a Palavra em sua mão em sua peregrinação para a cidade celestial. Nós nunca chegaremos a perfeição nesta vida, devemos diariamente trazer nossos pecados diante de Deus e receber a graça fresca de sua mão. Nós não devemos só confessar os nossos pecados, mas nós devemos olhar pela fé em Cristo para encontrar a garantia de nosso perdão e a ajuda a mudar. É por isso que muitas liturgias da igreja incluem a confissão do pecado e da garantia de perdão, modelando o ritmo de nossas próprias vidas. Tão certo como o sol surge depois da noite assim também nós acordamos diariamente na necessidade da Graça que perdoa e graça de perseverar.


"Esta vida, portanto, não é justiça, mas crescimento em justiça, a saúde, mas não cura, não sendo, mas tornando-se, não descansar, mas o exercício. Nós não somos ainda o que havemos de ser, mas estamos crescendo em direção a ela. O processo não está terminado, mas está acontecendo. Este não é o fim, mas é a estrada. Todos os que ainda não brilham em glória, mas tudo está sendo purificado". Veja também: Filipenses 3.12-14, 20-21; 1 Tessalonicenses  5.23  e 1 Pedro 5.10.

Dustin Crowe

Traduzido e Editado por: LARYSSA LOBO


Publicação Original: http://gcdiscipleship.com/8-characteristics-sanctification/

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

O Mercado de Evangelhos

Embora seja inegável que exista muita diversidade entre os homens, certos elementos comuns estão presentes em todos, visto que são inerentes a própria humanidade. Estas características comuns tem origem na criação, e por isso ultrapassam as barreiras socioculturais. Um destes traços unificadores dos seres humanos é aquilo que Calvino chamava de sensu divinitatis (senso de divindade) e semen religionis (semente da religião), ou seja, todo o homem é inerentemente religioso.

Este conceito reformado tem amparado inegável nas Escrituras, pois Paulo na epístola aos Romanos (Rm 1.19-25) afirma categoricamente que Deus se revela na criação, de modo que todos os conhecem, mas os incrédulos simplesmente o rejeitam, adorando a criatura no lugar do criador, sendo, portanto indesculpáveis.
Deste modo podemos observar a semente da religião em todos os seres humanos, até mesmo no mais convicto e engajado ateu, visto que este indivíduo direciona toda a sua devoção e amor final para a sua ideologia ateísta, para o potencial humano (humanismo) ou até mesmo para si mesmo, sendo antes de tudo um idolatra.

É nesse sentido, tendo como pano de fundo o carácter essencialmente religioso dos homens, que o tem sido apresentado diversos paliativos para aplacar a inevitável necessidade de redenção que a lei moral inculcada no coração do homem teima em vindicar a todo instante (Rm 2.15). A prateleira de pseudos evangelhos não tem fim!

Para aqueles que localizam no cerne do problema humano a carência, temos um evangelho terapêutico-romântico, onde a salvação e a redenção do homem estão no amor. Qualquer canção com este conteúdo caminha para um inevitável sucesso. Este evangelho está em alta na nossa sociedade.

Por outro lado, alguns pensam que o principal problema do homem é a desigualdade social ou outras questões de carácter econômico e por isso direcionam a sua religiosidade para as ideologias políticas. Enquadram as categorias do reino de Deus em posições de esquerda e direita e morrem por projetos materialistas que dispensam a verdadeira redenção transcendental. Eis um evangelho político e ideológico.

Assim como o anterior, também temos outros paliativos para o impulso religioso do homem, como a busca desenfreada por prazer e a até o louco e frenético mundo dos shoppings centers, os templos do evangelho consumista. Compre, se satisfaça e assim seja feliz. O santo cartão de crédito irá nos redimir dos males existências, ou no mínimo nos entorpecer, mas no final do mês a fatura nos levará a nocaute mais uma vez. O evangelho do aqui e do agora é meramente temporário.

Diante deste cenário, em meio à imensa variedade de falsos evangelhos, qual o único reduto da verdade? De onde sairá à resposta uníssona e clara a respeito da salvação dos homens? Da igreja! De nenhum lugar mais poderá ecoar a mensagem de vida eterna. É no púlpito que o pecado deve ser apresentado como real problema do homem. As guerras, os problemas de relacionamento, a desigualdade e todo o restante são meros sintomas. O pecado é a doença e ele leva a morte. Ou melhor, já nos matou (Rm 6.23).

Só depois de identificar com precisão a doença, será possível buscar o medicamento correto: o evangelho de Jesus Cristo. Somente Nele o homem irá satisfazer seu impulso religioso de forma plena, em harmonia com o Pai, escapando assim da ira vindoura destinada aos idolatras, aos que se enveredam nos caminhos de morte dos falsos evangelhos (I Co 6.9-10).

Concluo essa reflexão com a solene lembrança das palavras do Dr. Martins Lloyd-Jones, que ao tratar deste assunto, afirmava que uma igreja que tem focado sua pregação em entretimento, questões de relacionamento ou análises políticas, em detrimento da pregação pura do evangelho, é como um médico que poupa seu paciente das dores com analgésicos, mas que não diagnostica seu paciente, que no fim das contas acaba morrendo achando que estava curado, pois não sentia mais dores. Qual seria nossa conduta diante de tal profissional?

A igreja não pode esquecer que ela é baluarte da verdade (I Tm 3.15)! Se nos calarmos, e buscarmos outros discursos que podem ser encontrados facilmente em outras instituições, negligenciaríamos as pessoas do único lugar em que podem encontrar o verdadeiro evangelho, a mensagem simples e louca de que o Filho de Deus, encarnou e morreu por pecados, ressuscitando para que eles fosse salvos pela graça mediante a fé (I Pe 2.18). Somente este Cristo é resposta para os anseios inatos do homem.

A igreja não pode se calar. Os púlpitos não podem abandonar as velhas verdades do evangelho. Em meio ao turbilhão de engodos, levantamos bem alto a bandeira de Jesus Cristo, o único mediador entre Deus e os homens(I Tm 2.5). Eis o evangelho verdadeiro! E para salvar aqueles que pertencem ao Pai nem precisa pexinxar ou gritar mais alto no mercado, basta ser fiel.

Rodrigo Ribeiro

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

De Spurgeon para Rob Bell

Cada geração de bom grado costuma querer forjar ser próprio “evangelho”, e a geração presente não tem estado atrás nesse desejo mórbido. Muitos estão prontos para se ligar a líderes neste projeto presunçoso. Alguns teólogos, pastores... alcançam a eminência minando o evangelho que eles fingem defender, e forjam novas teorias sobre as bigornas de sua própria fantasia.

Homens que nunca teriam sido conhecidos se tivessem agido honestamente, ganharam notoriedade barata vendendo heresia enquanto fingiam vestir a roupa e comer o pão da ortodoxia. A forma mais elegante deste mal agora é a produção de novidades no que diz respeito ao futuro e a punição dos ímpios. Falsos profetas profetizam coisas agradáveis e falam de uma esperança “maior” do que a descrita por Deu, ou seja, de que os homens possam viver muitos como eles gostam segundo suas mentes caídas e corações irregenerados, e de que de uma forma ou de outra, o “amor” operará sobre o destino, e os justos e os ímpios estarão em pé de igualdade no Dia do Juízo. O “amor” tem sido a palavra mais usada no propagação de heresias.  Esta é a velha doutrina da mentira com a qual o pecador abençoa-se em seu coração, dizendo: “Terei paz, ainda que ande na teimosia do meu coração.” É óbvio que doutrinas como essas encontraram aconchego nos corações mundanos e irregenerados. Um líder não poderia enveredar-se por caminhos mais diabólicos do que esse.

O castigo sobre o pecado foi algo do qual o homem duvidou desde o início em sua loucura. Essa heresia – de o amor fingiria não ver a desobediência, esteve presente no Jardim do Éden. Mas o que aconteceu? Deus não cumpriu sua ameaça? O chefe, que inspira a todos os líderes que flertam com o universalismo disse a muito tempo atrás: “Você não morrerá – Coma o fruto!” – Parecem palavras de esperança... Como se dissesse: “Deus é amor, a morte e destruição não entrará no mundo por causa de um fruto” – Com essas palavras de “esperança” o filósofo serpente tentou a mulher e arruinou a nossa raça. Satisfeito com o seu sucesso, ele continua a usar o mesmo artifício – não disfarçado de serpente, mas de pastores, líderes... Ele usa o mesmo artifício, afirma que o pecado é trivial, ou que alguma “sinceridade” pode removê-lo, ou que o inferno é temporário, ou que a alma será aniquilada, ou alguma outra forma dessa mesma mentira radical pronunciada na aurora da existência humana por uma serpente: “a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis.” - Gênesis 3:4

O grito perpétuo da serpente ecoa de púlpitos ainda: “Você certamente não irá sofrer daquilo que Deus ameaça... Ele não fará isso... você pode pecar, viver em pecado, mas um Deus de amor não fará nada a respeito, são ameaças vazias, Ele mente... há uma esperança maior do que o sangue derramado na cruz que deixou evidente o ódio de Deus ao pecado...”

Neste falso refúgio, na há Cristo – Não o revelado nas Escrituras – não há verdadeira fé nele, e certamente não há nada que conduza a santidade. Mas, como não podia deixar de ser, o homem que ama seus pecados adora a pregação que a serpente fez no Jardim: “...Certamente não morrereis.” - Gênesis 3:4 – É a maior de todas as tragédias quando o único esconderijo do homem é construído no refúgio da mentira.

Josemar Bessa

Intercâmbio feito por Walber Arruda
Facebook: https://www.facebook.com/walber.arruda.73

terça-feira, 30 de julho de 2013

O Justo pelos Injustos

“Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio Dele como propiciação pelos nossos pecados.” I João 4.9-10

            O homem foi criado a imagem e semelhança de Deus: justo, bom e santo, tendo livre acesso a vontade de Deus. Por sua própria vontade o homem desobedeceu ao mandamento da vida, quebrando a aliança com o Pai e corrompendo sua natureza perfeita, perdendo assim o privilegio e o livre acesso a Deus, juntamente com a incapacidade de fazer o bem, recebendo sobre si a maldição do pecado e a morte corporal e espiritual.

“Porque todos pecaram e destituídos estão da gloria de Deus.” Rm 3:23

            O homem estava incapaz de buscar a Deus, “como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda, não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só.” Rm 3.10-12. Sua inclinação era para as coisas da carne, não agradando ao Senhor trazendo assim inimizade contra Ele, condenação e morte eterna.

            Fomos criados perfeitos
, porém pecamos e desagradamos a Deus com isso estamos destituídos da gloria Dele. Merecíamos através do justo julgamento o castigo e de maneira nenhuma poderíamos pagar esta divida, pois somos criaturas e não suportaríamos o peso da ira de Deus contra o pecado. Mas o próprio Senhor em seu eterno plano de redenção nos enviou o seu Filho, que seria o grande Salvador e justificador de muitos. “O próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos”. Mc10.45

            Deus precisaria de um mediador que ao mesmo tempo fosse totalmente homem, porém perfeito e justo, e totalmente Deus, santo. Mediador esse que imaculado levou sobre si os pecados da humanidade, pois ninguém maculado pelo pecado pagaria o pecado dos outros homens, ”Visto que a morte veio por meio de um só homem,também a ressurreição dos mortos veio por meio de um só homem.” (I co 15.21), e ao mesmo tempo ser um Deus, porque somente um verdadeiro Deus poderia cumprir fielmente a lei, sem pecado.

            E sendo Jesus Cristo o próprio Deus Santo, justo e imaculado, pois “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.”Joao1.1, foi enviado ao mundo como foi anunciado pelos profetas,onde se fez carne e habitou entre nós assumindo a natureza humana, porém sem pecado, “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade”.
Jo1.14.

            O Senhor Jesus, pela sua perfeita obediência ao Pai, pagou perfeitamente a dívida de todos aqueles a quem o Pai escolheu, sendo justificados através da morte na cruz e da ressurreição de Cristo, por qualquer coisa feita por nós, mas imputando em nós, mediante a fé, os méritos de Cristo, satisfação e a obediência, tornando Deus propício a nós, fazendo a propiciação dos nossos pecados de uma vez por todas sendo Ele o Filho de Deus.    

“Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito.”
1Pedro 3.18

              Que possamos ter um coração grato diante desse Deus justo e misericordioso. Que o nosso coração se regozije diante desse maravilhoso Evangelho da graça e que tenhamos a consciência de que o fim supremo do evangelho é unicamente a Glória de Deus, o que torna em Boas-novas todos os acontecimentos do evangelho.

Ruan Medeiros