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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Absalão e as Antigas Estratégias da Política Moderna

Nestes dias que antecedem o pleito para escolha popular dos magistrados em nosso País, são nitidamente observáveis as estratégias de campanha dos candidatos, que se utilizam de diversos meios para conquistar a confiança do povo e lograr êxito nas eleições que se aproximam. Geralmente os candidatos agem de maneira leviana e sem qualquer tipo de pudor e ética. A história Bíblica nos mostra que tais práticas não são recentes. Bem antes mesmo que os cientistas políticos identificassem estas artimanhas eleitoreiras, a Palavra de Deus já revelava os intentos perversos dos homens em busca do “trono”, como ocorreu com Absalão, um dos filhos do rei Davi.

As Escrituras relatam a conspirata por parte de Absalão para com seu pai, afim de usurpar a coroa real e se tornar o líder daquela nação (2 Samuel 15.1-12). Observemos seus artifícios:

Atrair a simpatia do povo: Ciente de que Davi gozava de grande empatia e prestígio por parte dos israelitas, Absalão procurou se aproximar da população. Sua primeira medida foi ir para o corpo a corpo com o povo para furtar o coração do povo. Sua presença diária à porta da Cidade para receber cada um daqueles que buscavam ao rei Davi. Com aparente cordialidade, sutilmente ele foi atraindo a simpatia de seus conterrâneos, e entre abraços e beijos, foi conquistando a lealdade dos homens de Israel. Fato semelhante a este acontece em épocas de campanha eleitoral. É comum nos esbarrarmos em candidatos que estão a cada esquina, cumprimentando e acenando atenciosamente gratuitamente, impulsionados pela busca exacerbada por votos.

Instigar o povo contra o rei: Não demorou muito para que Absalão começasse a provocar na população de Israel um sentimento de indignação em relação ao Rei Davi. O filho usurpador acusava o monarca de dá pouca atenção as demandas trazidas pelos moradores da região. “Então, Absalão lhe dizia: Olha, a tua causa é boa e reta, porém não tens quem te ouça da parte do rei.”. Sua presença diária com o povo, somada as críticas ao atual governo, ao mesmo passo que causava ira, provocava instintivamente o desejo de mudança dentre o povo. Levar o povo a uma reflexão é totalmente legítimo, mas se valer de acusações levianas e infundadas é uma manobra repugnante. O rei Davi, não foi conhecido por ingerência, mas foi um brilhante governante para Israel.

Fazer promessas de melhoria: Mas Absalão não apenas apresentava as falhas do governo de seu pai, mas apresentava-se como o solucionador de tais problemas. As promessas também faziam parte da estratégia para obter o trono real. "Quem me dera ser designado juiz desta terra! Todos os que tivessem uma causa ou uma questão legal viriam a mim, e eu lhe faria justiça", este era o discurso de Absalão, como aquele que seria capaz de resolver as falhas do reinado de Davi. O governo vigente era injusto, mas ele era justo, a administração atual era ausente, mas ele estaria sempre presente assistindo o povo em suas necessidades. Um discurso de esperança.  E a cada quatro anos aparecem messias por todos os lados, se apresentando como real solução para os problemas sociais e econômicos da nação, como Absalão.

Conquistar seguidores: Não demorou muito para que o filho do rei conquistasse um número cada vez crescente de seguidores. A escolta composta de cinquenta homens (v.15) em quatro anos quadruplicou. A conspiração ganhou força, e cresceu o número dos que seguiam Absalão. Ao retornar de Hebrom (2 Sm 15.10), onde se proclamou rei, para dá sua cartada final, já eram duzentos homens. Seus aliados sequer suspeitavam que estavam sendo usados por Absalão para tomar o poder de Davi. Os israelitas foram ingenuamente enganados e participavam ativamente do plano de Absalão. Uma massa alienada a serviço de um político inescrupuloso, este era o cenário de Israel. Uma adesão em massa pode ser letal para qualquer sociedade, quando seus militantes lutam em prol de objetivos particulares de seus comandados em detrimento de melhorias para toda sociedade.

Apesar de toda investida, ao final de sua empreitada, Absalão não logrou êxito. Foi morto no campo de batalha, no “bosque de Efraim”, antes de alcançar o posto tão almejado. Deus preservou o reinado de Davi, para cumprir a aliança que havia estabelecido com seu servo (2 Sm 7.16). Apontando assim para o messias prometido que viria de sua descendência (Ap 5.5), cujo trono, é para todo sempre.

As similaridades das atitudes de Absalão com a dos políticos atuais em busca do poder, principalmente neste período eleitoral, são bastante claras. É certo que a monarquia é totalmente distinta do regime democrático, mas traçando uma paralelo comportamental, só muda o sistema de governa, pois os homens continuam se valendo das mesmas práticas pecaminosas. Independente de formas de governo a luta pelo poder, incorre sempre pelos mesmos córregos mal cheirosos da politicagem. Por trás da disputa legítima pelo magistrado, existem interesses mesquinhos de homens que querem o poder pelo poder. Para estes, os meios justificam os fins. Eles estão dispostos a caluniar, perseguir, usar e furtar o coração do povo. É preciso ter cuidado com os muitos “Absalões” que estão à procura de nosso voto.

Que o Senhor nos dê discernimento em nossas escolhas, para que possamos votar de maneira sábia.

Ericon Fábio

sábado, 30 de agosto de 2014

Porque os Cristãos não podem deixar de Votar? Com a Palavra Joel Beeke

Parece razoável concluir que a maioria dos calvinistas de gerações anteriores teriam achado inconcebível não votar e não acompanhar as notícias políticas do momento.

Estes acontecimentos são obras da providência de Deus; obedecer e corresponder às Suas obras é um elemento básico do viver cristão. O motivo para o envolvimento político é a obediência a Deus e o desejo de serví-lo em cada área de nossa vida.

Como diz Miquéias 6:8: "O que o Senhor pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com seu Deus".

À parte de qualquer bem que nosso envolvimento possa produzir, há mais uma razão fundamental para o envolvimento cívico: isso nos dá a oportunidade de glorificar a Deus na esfera pública. Somos chamados a glorificar a Deus em tudo que fazemos e em todos os aspectos de Sua criação.

Extraído de: bereianos.blogspot.com.br

Ericon Fábio

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Como Você se Chama?

Conta-se que certa vez um dos soldados da milícia de Alexandre “o Grande”, acovardou-se perante um prisioneiro inimigo negando-se a matá-lo. Bastante contrariado ao saber do episódio, Alexandre resolveu indagar seu acuado soldado e vendo-o Imperador perguntou como se chamava o covarde combatente: “Meu nome é Alexandre, senhor!”, respondeu. Curiosamente, o guerrilheiro possuía exatamente o mesmo nome de seu líder. Furioso, Alexandre “O grande” lhe chamou a atenção, dizendo: “Soldado, ou você muda de nome, ou muda de atitude!”

Fictícia ou não, essa história nos serve para ilustrar sobre o nome de Cristo que muitos tem usado de maneira desonrosa. Milhões de pessoas são conhecidas como cristãs em todo o mundo, mas uma minoria tem levado à sério o verdadeiro significado desse nome e suas implicações práticas para a vida daqueles que assim são conhecidos, tornando o nome inócuo, e longe de seu verdadeiro significado. É evidente, que muitos têm se apossado dessa terminologia sem fazer a mínima ideia de que, ou principalmente, de Quem se trata, uma vez que o cristianismo se refere exclusivamente a uma Pessoa – Jesus Cristo.

O termo cristão foi o apelido dado aos seguidores de Jesus na cidade de Antioquia (At 11.26). Os “pequenos Cristos” ganharam esta nomenclatura devido ao testemunho fiel, demonstrado através de suas vidas que imitavam muito claramente os passos de seu Mestre. Estes buscavam zelosamente não envergonhar o nome que possuíam, pois tinham a consciência de quão precioso era ser conhecidos pelo nome de Cristo. Além disto, defender o cristianismo era está preparado para enfrentar diversas perseguições.

Foi pelo nome de Jesus Cristo que os apóstolos se alegraram mesmo em meio de muitos sofrimentos: “E eles se retiraram do Sinédrio regozijando-se por terem sido considerados dignos de sofrer afrontas por esse Nome” (At 5.41). Vários discípulos morreram por defenderem esse Nome, pois para eles o Salvador era mais importante que suas próprias vidas (At 20.24); Em face da morte Inácio de Antioquia, um dos pais da Igreja, escreveu aos irmãos de Esmirna: “É somente no nome de Jesus Cristo e por causa de compartilhar seus sofrimentos que eu posso enfrentar tudo isso”. Assim, o bispo de Antioquia foi martirizado.

Estes cristãos, verdadeiramente, fizeram jus ao nome de quem eram chamados, mostrando que ser cristão é bem mais que uma nomenclatura, um status, ou uma profissão de fé, mas um assemelhar-se com Cristo, seguindo o exemplo que Cristo deixou: “Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos” (1 Pe 2.21).

Ainda que o termo Cristão tenha caído em uso comum, nós, os que assim somos conhecidos, precisamos refletir seriamente sobre a forma como temos utilizado este nome. É hora de mudar de nome ou mudar de atitude, como o soldado do exército de Alexandre fora desafiado. Enquanto nossa vida não for um reflexo do caráter dAquele a quem dizemos estar seguindo, não podemos nos apropriar indevidamente de seu santo Nome, desonrando ao Senhor Jesus, e, igualmente, a todos aqueles que antes de nós defenderam com temor e paixão este Nome, até os nossos dias. Precisamos ser conformados à imagem de Cristo (Rm 8.29), e andar assim como ele andou (1 Jo 2.6), para assim podermos ser chamados como Ele é.

Atente para isso! Hoje, podemos facilmente nos camuflar em meio a massa cristã que se prolifera dia após dia, mas chegará o dia em que não poderemos mais esconder nossa verdadeira identidade, pois o Deus que revela o que está em oculto (Mc 4.22) haverá de revelar os seus filhos (Is 43.1), e irá desmascarar os falsos cristãos. E assim todos verão a diferença entre os chamados cristãos, e os cristãos chamados.


“Aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou.” (1 Jo 2.6).

Ericon Fábio

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Missões na Web

A igreja tem a missão primordial de evangelizar. Esta é a ordem do Senhor Jesus para todos nós (Mc 16:15,16; Mt 28:18,19). É certo que desde que esta tarefa nos foi entregue a mais de dois mil anos, houve mudanças significativas nos meios de comunicação entre as pessoas. O compartilhamento de informações que outrora acontecia unicamente através da oralidade (ou) de forma escrita, agora dá-se também através do rádio, televisão e mais atualmente pela web, o que chamamos de meios de comunicação de massa.

Desde a popularização da internet, ela tem sido um dos veículos mais utilizados pela Igreja na tarefa de evangelizar. Há uma propagação abundante da Palavra de Deus, seja através de redes sociais, blogs ou sites. E a apropriação destes novos meios tem possibilitado um avanço formidável na transmissão do Evangelho, meio mais eficaz atualmente que a própria Televisão. Lembremos que no Brasil grande parte das programações evangélicas exibidas nas TVs abertas são produzidas por denominações neo-pentecostais, o que dispensa maiores comentários.

Em contrapartida o ambiente virtual possibilita uma presença mais democrática. E é deste espaço que nós devemos nos valer, pois tem sido outra grande porta aberta para a evangelização. Este auxílio é um privilégio que outras gerações não tiveram oportunidade de desfrutar, contudo fizeram um excelente trabalho de evangelização. Com as facilidades que temos hoje, nossa responsabilidade é ainda maior. Estas múltiplas formas de comunicar o Evangelho nos tira qualquer justificativa por não levarmos as Boas Novas aos perdidos.

A internet é um excelente campo missionário, principalmente através das redes sociais, que nos possibilita a oportunidade de mantermos contato com centenas de pessoas diariamente. Nossas postagens podem ser vistas e compartilhadas por amigos, amigos dos amigos, e até por desconhecidos. As mensagens transpõem espaços geográficos, chegando a lugares que possivelmente jamais teremos oportunidade de visitar. E tudo isto acontecendo numa velocidade incrível.

Mas, embora esta conexão em rede nos ofereça muitas facilidades, também devemos considerar algumas ciladas do evangelismo virtual, como por exemplo, a impessoalidade e o comodismo. 

O discipulado é parte importante do evangelismo, e este acompanhamento virtual não é tão eficaz quanto o pessoal, embora em casos onde não seja possível um contato direto possamos recorrer a mediação online, mas nestes casos o ideal é utilizá-la como um recurso secundário, complementando conversações reais já iniciadas; as múltiplas facilidades proporcionadas pela internet, quando podemos interagir com dezenas de pessoas sem ao menos levantar de nossa cadeira, pode nos causar certa indisposição para praticar os métodos mais tradicionais, gerando o perigoso comodismo. Lembremos que não precisamos necessariamente pedir o facebook de alguém para podermos compartilhar a nossa fé quando temos a oportunidade de conversar com ela ao vivo.


Cientes de algumas emboscadas da web, devemos aproveitar ao máximo a liberdade que gozamos de compartilhar o Evangelho sem restrições. Que possamos fazer bom uso de nossas páginas, pregando aos milhares de internautas que perambulam perdidos pela Grande Rede. Cabe a nós fazer bom uso destas novas ferramentas que se apresentam para que Cristo seja conhecido por todos os homens e estes possam ter esperança de salvação. 

Missionário Ericon Fábio

segunda-feira, 19 de maio de 2014

O Padrão Fifa e o Padrão Cristão de Qualidade

E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor,
e não aos homens (...) Cl 3:23

Os preparativos para o mundial de futebol que acontece aqui no Brasil tem sido um dos assuntos mais discutidos em nossos dias. Todos ficamos impressionados com o nível de exigência da Fifa (Federação Internacional de Futebol) com os preparativos para a realização do grande evento esportivo. Tal grau de perfeccionismo exigido acabou por popularizar em nosso país o termo “Padrão Fifa de Qualidade”.

Como cristãos nós também possuímos um excelente Padrão de Qualidade!

 A Bíblia nos chama atenção quanto à necessidade de sermos zelosos no desempenho de nossas tarefas como um todo: "Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus" (1Co 10.31). O sistema calvinista observa que o cristão não deve fazer distinção perante seus afazeres, entendendo que tudo deve ser feito visando a glória de Deus em todo e qualquer empreendimento realizado. Sendo igualmente importantes todos os afazeres, das mais simples às mais complexas atividades, remuneradas ou voluntárias, profissionais ou recreativas.

Este padrão de qualidade é norteado por uma concepção correta de qual seja o propósito da vida humana, fazer tudo para o Senhor (Rm 14:7) e glorificá-lo nos mais diversos âmbitos de suas ações. Este é naturalmente o agente propulsor de todos os nossos afazeres.  E este entendimento desfaz por completo o pensamento daqueles que equivocadamente tratam de forma diferenciada suas ocupações, julgando-as por menos ou mais importantes.

Existem crentes que pensam que atividades tidas como secular, como trabalhar, e estudar, por exemplo, podem ser feitas de qualquer jeito, superestimando apenas os trabalhos desenvolvidos na Igreja; outros, por sua vez, dão maior ênfase às atividades mundanas, sendo relapsos quanto as funções eclesiásticas.

Mas a Palavra de Deus não faz este tipo de distinção, mas encoraja a fazer tudo “como ao Senhor” e para a glória de dEle, e isto incluiu toda e qualquer ação do cristão, como bem afirmou Willian Tyndale: “Há uma diferença entre lavar louças e pregar a palavra de Deus; mas no tocante a agradar a Deus; nenhuma em absoluto” [1].

Nosso trabalho deve ser feito com tal empenho perante os homens que estes glorifiquem a Deus por meio de nosso labor:  “mantendo exemplar o vosso procedimento no meio dos gentios, para que, naquilo que falam contra vós outros como de malfeitores, observando-vos em vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação”. (1 Pe 2:12). Portanto, nosso exemplo de competência e submissão na vida profissional, bem como nosso zelo no lar, e dedicação nos estudos e em todos os demais âmbitos de nossas ações devem culminar em honras e louvor ao Criador. Nossa fé deve nos encorajar a realizar com máximo de diligência tudo aquilo que nos foi confiado. Sendo desprezível, pecaminoso e inconcebível todo desleixo e falta de empenho nas obras para as quais o Senhor nos designou, seja na Igreja ou fora dela.

Que Deus nos ajude para que nosso padrão de qualidade seja por demais elevado, e que esta consciência de estarmos sempre fazendo tudo “como se fosse pra Deus”, aumente sobremaneira nossos esforços. Afinal de contas, se homens buscando sua própria glória empenham todas suas aptidões e talentos fazendo o melhor que podem, temos motivos de sobras para fazermos todas nossas tarefas com muito mais excelência, pois a glória de Deus é nosso objetivo maior. E que motivação nós temos! Se levarmos isto realmente a sério, nenhum Padrão Fifa será mais elevado quanto o Padrão Cristão de Qualidade.


[1] RYKEN, Leland. Santos no Mundo: Os Puritanos como Realmente eram. 2. Ed. São José do Campos, SP: Editora Fiel, 2013. pp. 61,62.

Ericon Fábio

quinta-feira, 13 de março de 2014

Não Desperdice o seu Namoro


Eis por que deixará o homem a seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne. (Efésios 5:31)

Você já desperdiçou alguma coisa na vida? Aquele precioso tempo, dinheiro, trabalho, ou, seja lá o que tenham sido investidos com tanto empenho e expectativas. Ao final, perceber que nos acarretou somente prejuízo, é frustrante. E imagine só isso se tratando de namoro, em que geralmente são relacionamentos duradouros, cheios de sonhos e idealizações. Você não iria querer desaproveitá-lo, não é mesmo?!

O pior é que namoros tendem a ser verdadeiros desperdícios. Mas não pense que estou falando sobre aquele tipo de relacionamento longo, mas que no final não dão certo por não acabarem em casamento. É claro que, fatalmente isto deixará a impressão de que todo aquele tempo foi perdido. Mas, nem todo namoro que dá errado é desperdício, como nem todo namoro que dá certo quer dizer que ele tenha sido bem aproveitado.
O que estou querendo dizer, então?!

É que devemos entender como perda todo e qualquer namoro, independentemente de qual tenha sido seu desfecho, no qual não tenha sido observado o ponto mais importante dele: que se entenda através da Palavra de Deus, qual o papel do esposo e da esposa na estruturação familiar. Este é o ponto crucial do namoro, que dirá se o relacionamento valeu ou não, a pena. Um relacionamento verdadeiramente levado a sério, é aquele, cujo, os envolvidos se preocupam em aprender mutuamente o que a Palavra de Deus diz sobre casamento e buscam com disposição de coração preparar-se para a vida a dois, de modo que glorifiquem a Deus.

Ler Efésios 5:22-31 e Colossenses 3:18-19, poderá ser um bom começo. Neles estão contidos preceitos Bíblicos fundamentais para o futuro matrimônio. A Bíblia mostra claramente, que há uma distinção entre os papéis de marido e mulher, e que precisam ser prontamente levados a sério desde o “namoro-noivado” para que não haja confusões e distorções quanto ao papel que cada um terá de desempenhar.

Se estes princípios bíblicos forem negligenciados, não importa quanto tempo se teve de relacionamento, nem quantas centenas de presentinhos tenham sido guardados como recordação, tampouco, as eternas juras de amor descritas nas pilhas de cartas, essas coisas de nada valerão. Terão sido total desperdício! O importante é procurar saber o quanto antes, qual sua função no casamento. Pois, você pode ter sido um(a) ótimo(a) namorado(a), e não obstante ser uma tragédia como marido ou esposa, se não entender suas atribuições como tal.

Veja o alerta de Martinho Lutero: “Hoje em dia tem-se mais que ver com o casamento do que com todos os outros assuntos. [...] tenho observado muitos casais unirem-se em tão grande paixão que estavam prestes a se devorarem em amor, mas após uma metade de ano um fugiu do outro.”


Portanto, o caráter meramente recreativo de casais que apenas se preocupam apenas com entretenimento, passeios e troca de presentes, (por mais legal que tudo isso seja) em nada irá acrescentar no amadurecimento para encarar o grande desafio por vir. É tempo de fazer uma análise sincera de como você tem aproveitado seu namoro. De fato, tem sido priorizado o que realmente é importante? Olhe lá para frente e observe se aquilo que tem sido cultivado e aprendido no presente irá refletir positivamente no futuro. Se seu namoro aponta para um casamento centrado do ponto de vista bíblico. Não permita que ele se torne apenas um passatempo, cheio de diversões, mas desprovido de significado. Lembre-se que namorar é preparar-se diligentemente para a longa jornada que será trilhada junto de seu futuro cônjuge.

Chega de perder tempo!

Ericon Fábio

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Ofendidos pelo Evangelho

Desde então muitos dos seus discípulos tornaram para trás, e já não andavam com ele. (João 6:66)

Geralmente os pregadores costumam julgar o resultado de sua pregação pelo contentamento nos rostos dos irmãos e elogio dos visitantes após sua ministração. A aprovação dos ouvintes é sinal que tudo foi bem. Certo? Errado. A Bíblia nos mostra o contrário.

O Maior dos pregadores, Jesus, experimentou o dessabor de ser abandonado por muitos de seus seguidores após ter proferido duras palavras em Cafarnaum, a tal ponto de escandalizar seus discípulos mais próximos que diziam: “Duro é este discurso; quem o pode ouvir?” (Jo 6:60). A adesão e aprovação inicial do povo ao ministério do Senhor Jesus transformou-se em rejeição e abandono após um único sermão. Muitos o abandonaram e o curioso é que apesar da reação negativa do público, Jesus não mudou o tema dos sermões subsequentes para atrair de volta aos ofendidos.

A ofensa da Palavra de Deus foi o motivo por que muitos dos profetas bíblicos foram perseguidos e mortos (At 7:52).  Homens que não se importaram em falar daquilo que o povo queria ouvir, mas, fielmente proclamaram uma mensagem dura e confrontante. O diácono Estevão, por exemplo, enfrentou a fúria de judeus que se opuseram veementemente à sua pregação. Eles taparam os ouvidos por não suportarem a verdade do Evangelho e como resultado Estevão foi martirizado (At 7:54-58). Os arautos de Deus não receberam aplausos, mas, em maior das vezes, resignação, oposição e perseguição. Mesmo assim podemos afirmar que o ministério deles foi frutuoso, pois gerou insatisfação no coração dos ouvintes.

Fazer do agrado popular termômetro para medir resultado dos sermões não é um critério confiável, muitas vezes o satisfação geral revela apenas que a consciência do ouvinte em nada foi incomodada; John Preston, ministro puritano do século dezessete, ressaltou que “não há um sermão que, sendo ouvido, não nos ponha mais perto do céu ou do inferno”. Portanto, seja qual for o resultado da pregação ela irá gerar grande insatisfação nos receptores, seja com o Deus Justo e Bom, seja com sua própria natureza carnal. Ante a pregação o pecador será movido por grande desagrado, que salvará ou condenará sua alma eternamente.


É preciso entender que só através da santa ofensa da pregação os ofensores (Cl 1:21) poderão ter consciência do quanto tem ofendido o Deus Justo, Santo e Bom, e assim, terão oportunidade de se desviarem do caminho da perdição. Se as pessoas sentem-se ofendidas por sua pregação este é sinal que tudo está indo bem. Continue fiel às Escrituras.

Ericon Fábio

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Segundo o Relato de Gênesis 5, os Seres Humanos Pré-Diluvianos Viviam entre 900 e 1.000 anos. Seria Possível, do Ponto de Vista da Ciência, que essa Longevidade fosse Verdadeira? Com a Palavra, Adauto Lourenço.

A resposta é sim. Podemos explicar como isso seria possível. Para isso vamos avaliar duas áreas de interesse.

Nós, seres humanos, somos compostos por pequenas células. Células morrem. Mas antes de morrerem elas se duplicam, dando origem a novas células. Assim, a longevidade está ligada ao processo de duplicação celular.

Dentro do núcleo de cada célula existe o que chamamos de cromossomos, que são estruturas organizadas do DNA (ácido desoxirribonucleico). No DNA fica guardada a informação genética de cada organismo vivo. O ser humano, por exemplo, possui 23 pares de cromossomos: 23 foram herdados do pai e 23 da mãe.

Nas extremidades de cromossomo existe um telômero. Os telômeros são pequenas repetições genética, sendo que a cada divisão celular, uma repetição é “deletada”. Portanto, o número de repetições presentes num telômero determina quantas vezes uma célula poderá ser duplicada. Uma célula não se duplica mais quando seu telômero já foi utilizado até o final.

Portanto os telômeros são responsáveis pelo processo de envelhecimento no nível celular e determinam um limite para a longevidade de um organismo.

Sabemos assim que a longevidade de um organismo está ligada com a estrutura dos telômeros.

Mas como explicar uma longevidade tão grande, como a encontrada em Gênesis? As células daqueles indivíduos não morriam?

Não podemos afirmar categoricamente que não morriam. No entanto, a ciência conhece mecanismos celulares que tornam às células praticamente imortais. Infelizmente os mecanismos conhecidos são utilizados por células cancerígenas que, basicamente, são células que “esqueceram” como morrer.

O que queremos mostrar aqui é que existem mecanismos celulares, conhecidos pela ciência, que permitem uma grande longevidade das células, resultando assim uma grande longevidade dos organismos (por exemplo, seres humanos) formados por células.


Lourenço, Adauto. Gênesis 1 e 2. A Bíblia e a História.1ª Ed. São José dos Campos, SP: Fiel 2011. Cp. 1; p. 31-32.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Decepcionados com a Igreja

Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia. (Hb 10:25)

Tem sido cada vez mais crescente o número de crentes que tem desistido da Igreja. As causas são as mais diversas possíveis, mas desejo nesse texto apontar alguns motivos mais voltados para fatores relacionais, pois tenho observado que boa parte desta debandagem tem sido ocasionada por decepções, desavenças, brigas por poder, etc.  Por isso não são poucos aqueles abandonam as Congregações tentando cultivar sua fé em Cristo, mas, bem longe de qualquer denominação. Eles estão com suas almas gravemente feridas, estão decepcionadas com a Igreja e não toleram mais as muitas imperfeições do “povo” de Deus.
Se fossemos citar todos os problemas das comunidades evangélicas certamente teríamos que escrever um livro com centenas de páginas e tenho dúvidas se o compendio seria suficiente para abarcar todos as deficiências, tantas que são. Parte dos Evangelhos, das Cartas Paulinas, das Epístolas Gerais e até alguns capítulos do livro de Apocalipse se dedicam em apontar, exortar e tratar dos muitos pecados existentes na religião judaico-cristã. O que esperar então da Igreja atual, senão, que também continue a enfrentar as mesmas dificuldades.
Mas porque tantos tem se afastado das comunidades evangélicas? Pontuo algumas razões:
Falsa visão da Igreja. Muitos imaginam que a Igreja é um lugar composto só de pessoas redimidas, o que está longe de ser verdade. Ímpios podem estar infiltrados nos corais, nos departamentos, e até nos púlpitos (1 Jo 2:19; Mt 7:15;). Estamos em convívio constante com não-regenerados que dividem espaço do mesmo banco conosco. Eles são instrumentos de tropeço para atrapalhar os Filhos de Deus (Gl 2:4). Os filhos do Diabo também costumam frequentar a Igreja de Deus na terra. Só que eles usam disfarces quase perfeitos. Suas roupas de ovelhas só não são capazes de enganar o Supremo Pastor que conhece bem cada um de seus cordeirinhos. Já nós, não somos tão perspicazes. É preciso lembrar de que o joio e o trigo estão juntos na mesma plantação e só serão separados na colheita (Mt 13:24-30).
Critérios exagerados de perfeição: Há muitos santos na Igreja do Senhor (graças a Deus!), mas cada um deles se encontra em estágios diferenciados de santificação. Falamos da santificação progressiva, assim como define alguns teólogos, como processo de crescimento espiritual do crente, ainda incompleto. Mesmo para estes santos em aperfeiçoamento há a possibilidade de tropeços desintencionais. Deslizes que todos os fiéis estão sujeitos a passar por mais vigilantes que sejam. Até o irmão mais piedoso de nossa congregação pode nos entristecer com alguma falta. Quando nossos critérios são exagerados idealizamos o ser perfeito, corremos o grande risco da desilusão. É que este é um critério muito pesado para pessoas imperfeitas como nós. Todo e qualquer lugar onde houver gente, mesmo que esta gente seja eleita, ali também existirá toda sorte de problemas.
Intolerância com as diferenças: Nada pode amadurecer mais um crente do que o convívio duradouro com a Igreja. Pois é através deste relacionamento intenso que descobrimos os defeitos e as diferentes personalidades uns dos outros à medida que somos desafiados a compreender, tolerar e perdoar. Deus permite que em nosso meio haja discordâncias e decepções para que sejamos aperfeiçoados na comunhão. Os primeiros líderes cristãos enfrentaram desacordos entre si, no entanto isto não provocou intrigas, nem ressentimentos duradouros (At 15.39; 1 Co 9:6; Cl 4:10; Fm 24; 2 Tm 4:11; Gl 2:14). Se desejamos viver longos anos e até uma vida inteira dentro de uma Congregação, temos alto preço a pagar: A renúncia do nosso orgulho e a liberação de perdão. Deve ser por isso que a Bíblia trata tanto sobre estes assuntos. Pena que alguns ao se depararem com tal situação preferem abandonar o barco, a saída de emergência sempre parece o caminho mais fácil. Temos que aprender a lidar de forma madura com as diferenças, entendendo que temos nossas opiniões e preferências e isto não é motivo de nos afastarmos, mas com mansidão e espiritualidade resolvermos nossos conflitos.

Elevada Autoestima Espiritual: Geralmente somos tentados a nos julgarmos mais santos do que os outros. Elevando assim o critério com o qual julgamos os demais. E isto nos expõe um terrível erro: não enxergarmos nossos defeitos e só observamos os defeitos dos irmãos (Mt 7.3). É provável que uma pessoa pouco tolerante com outras, se torne muito tolerante com ela mesmo. Não é correto hiperdimensionar os defeitos alheios e minimizar os nossos. Sem contar que crentes com espiritualidade autoestimada custam a reconhecer suas fraquezas e se mostram resistentes quando repreendidas e confrontadas com seus defeitos. Preferem deixar de congregar ao ter que humildemente reconhecer que também são pecadoras, sujeitas a tropeços. Sentem-se santas demais para viverem com pobres pecadores. Quanto a isto Salomão nos traz um alerta solene: Não sejas demasiadamente justo, nem demasiadamente sábio; por que te destruirias a ti mesmo? (Ec 7:16). E Paulo Completa: Por isso, pela graça que me foi dada digo a todos vocês: Ninguém tenha de si mesmo um conceito mais elevado do que deve ter; (Rm 12.3ª; ver 1Tm 1:15). Irmãos que agem desta forma carregam uma falsa imagem deles mesmos e dificilmente se tornam suficientemente humildes para também reconhecerem que não são imperfeitos.
Escândalos no meio do Povo: Este me parece ser o principal motivo porque muitos crentes desistem de congregar. Poucas coisas nos desapontam mais do que ver escândalos na Igreja: desvio de conduta moral, finanças obscuras, brigas por poder... Situações semelhantes a estas vem sendo cada vez mais frequentes, principalmente com líderes. Mas será que deveríamos ser pegos de surpreso com tais notícias?! Não. A Palavra de Deus nos mostra que eles iriam ocorrer. O Senhor Jesus alertou quanto aos escândalos no meio de Seu povo: “E disse aos discípulos: É impossível que não venham escândalos”, mas prometeu punir os responsáveis: ”mas ai daquele por quem vierem! (Lc 17:1)”. Sabedor dos danos causados pelos escândalos, o Senhor já nos deixou o alerta. Devemos nos resguardar na confiança em Deus que é Justo Juiz e Senhor de Sua Igreja. Todos aqueles que envergonham o Evangelho haverão de prestar contas diante de dEle. Quem deve se afastar da Igreja são os escandalizadores (Mt 18:17; Rm 16:17), mas por vezes ocorre o contrário, os fiéis se afastam. 
Desejo fazer uma última consideração. Creio que até podemos ter motivos legítimos para abandonar a Igreja, como estes citados acima, mas em nenhum lugar na Bíblia encontramos conselhos para que os crentes se afastem. Pelo contrário, a Palavra sempre nos encoraja a continuarmos congregando, admoestando os irmãos e desfrutando de comunhão com os santos (Sl 133:1; Rm 15:14; Hb 10:25; Jd 1.3; Tg 5:16). Busquemos ao Senhor da Igreja, pois só ele pode nos sustentar, animar e nos fortalecer. Lembre-se que você faz parte de um corpo (Ef. 3:6; 1 Co 12:12) e não pode sobreviver sem ele, seu lugar é a Igreja do Senhor. Que mesmo imperfeita o Senhor pagou alto preço para que ela viva unida, assim como a perfeita unidade entre o Pai e o Filho (Jo 17:11).
Se você está afastado, retorne. Se está decepcionado, ore. Se magoado, perdoe. Se orgulhoso, humilhe-se. Não perca tempo. Volte agora!


Miss. Ericon Fábio

sábado, 4 de janeiro de 2014

Como devemos enxergar o mundo? Com a Palavra, Ericon Fábio


"A terra estava corrompida à vista de Deus e cheia de violência". Gn 6.11

Os homens da época de Noé estvavam enxergando o mundo de maneira bem distorcida da realidade. Embora a terra estivesse corrompida pela maldade e o coração humano manchado pelo pecado, seus olhos estavam vendo um mundo colorido, cheio de brilho e prazeres. Eles festejavam seus casamentos polígamos, elaboravam leis segundo seus próprios preceitos, derramavam sangue alheio ao bel-prazer, mas para eles tudo estava indo bem.

A sociedade contemporânea também vive um mundo aquém da realidade. Suas lentes não conseguem detectar a calamidade moral e espiritual que eles mesmos se encontram. Seus óculos estão embaçados e lhes dão uma visão de um falso universo, e quando percebem que algo está errado são incapazes de atribuir tal problema a questões de ordem espiritual, mas apenas analisam-na superficialmente.

Só quando os homens lançarem fora suas lentes estragadas e passarem a observar o mundo com as lentes de Deus (Sua Palavra) é que eles terão a verdadeira noção de sua desgraça e clamarão por misericórdia em tempo oportuno.

Clamemos por estes, e proclamemos as boas novas de Salvação!


Ericon Fábio é obreiro da JMN-IPB, responsável pelo Campo Missionário de Fagundes, em parceria com a IV Igreja Presbiteriana de Fagundes


Presb. Cicero da Silva Pereira
@ciceroeiris

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Festa Completa

Estamos no Natal. Há mais de dois mil anos atrás o mundo presenciava um momento singular em sua história, o nascimento de Jesus Cristo. Aquele que veio para salvar a humanidade e restaurar a comunhão dos homens com Deus. E, diferentemente da pompa dos festejos natalinos atuais, em que as luzes e festas adornam as praças, na noite em que o Prometido de Deus veio a Terra, não existiu nenhuma destacada comemoração para marcar esta data.

Uma humilde estrebaria serviu de amparo para Jesus. O Rei prometido por Deus (Mq 5.2) não nasceu em palácio, sequer havia espaço para ele em alguma hospedagem. Sua cama foi um berço improvisado entre animais num curral. Seu ministério seria assim, o Filho do homem não teria lugar para reclinar a cabeça (Mt 8.20), mas de favores pousaria.

Também não foram muitas as visitas recebidas na ocasião de seu nascimento, que só não passou completamente despercebido, devido à presença de pastores e magos, informados do ocorrido por meios especiais revelações (Mt 2.2; Lc 2.10). Esta também seria uma amostra da rejeição e sofrimento que o Filho de Deus haveria de enfrentar, tanto dos que o perseguiriam, quanto de seus discípulos e amigos próximos que o abandonariam ao longo de seu ministério (Jo 6.66; Mt 26.56).

O palco que recebeu o Salvador foi a pequena cidade de Belém, assim como diziam as profecias: “E tu, Belém-Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade”(Miquéias 5. 2). Um povoado da Judéia, discriminado por ser uma região de pouco prestigio. O Cidadão dos céus agora se tornava um filho natural da pequena cidade de Belém.

Assim foi a primeira vinda de Jesus, caracterizada pela humildade (Mc 10.45). Ele esvaziou-se de toda glória, e assumiu a forma de servo. Servo sofredor (Fl 2.7; Is 53.3). Seu propósito era satisfazer plenamente a justiça de seu Pai, reconciliando os quebrantados, e lhes garantindo a sublime herança celeste (CFW cap. VII.V). Obra esta consumada perfeitamente na cruz do calvário.

Sua segunda vinda será um contraste com o evento ocorrido há dois milênios. Se seu nascimento ocorreu de forma discreta e quase imperceptível, sua volta será marcada por um triunfante espetáculo. O Filho do homem, virá cheio de esplendor e glória. E não poucos o verão, como aquele grupo seleto na Judéia, mas todo o olho será testemunha da gloriosa e irradiante vinda do Reis dos Reis e Senhor dos Senhores (Mt 24.27; Ap 19.16).

Celebremos a vinda do EMANUEL, o Deus que veio ter conosco (Is 7.14; Mt 1.23), o Verbo que se fez carne e habitou entre nós (Jo 1.1). Aquele que desceu do céu e se fez homem, semelhante a nós. Celebremos sua primeira vinda com voz de folguedo e alegria, ao passo que nos lembramos da bendita promessa que Ele fez:  Certamente cedo venho. Amém. Ora vem, Senhor Jesus (Ap 22.20). Que neste Natal, cada expressão de gratidão seja acompanhada de súplicas pelo retorno do dono da festa, que cedo irá voltar (At 1.11). Com Ele o nosso regozijo será completo.

Feliz Natal!

Ericon Fabio

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

A Arrogância Evangélica

A Igreja cristã protestante sempre foi conhecida por sua postura firme e convicções resolutas em relação a sua fé. As firmes convicções doutrinárias defendidas ao longo do tempo e a resistência à união com falsas crenças, culminaram por atrair a antipatia de muitos, se tornando alvo de críticas, com acusações de serem arrogantes, radicais, intolerantes, alienados, entre outros termos pejorativos. Críticas estas vindas por parte daqueles que não confessam a religião revelada nos Escritos sagrados e querem a todo custo promover a união de todos os credos num movimento da religião moderna conhecido por ecumenismo.

O ecumenismo nos moldes atuais nada mais é do que uma tentativa humana de unir todos os credos, pretendendo assim, abraçar todas as diferenças em nome da paz. Apontando a tolerância como elo de harmonia entre as diferenças, o movimento apresenta um aparente discurso inclusivista e livre de qualquer preconceito.

Agora atentemos para o seu significado bíblico. Ecumenismo vem de uma palavra grega que originalmente significa “todo o mundo habitado” (Mt 24.14; At 17.26; Hb 2.5). O ecumenismo bíblico, por sua vez, é totalmente diferente da união sincretista da religião moderna, pois trata da unidade de um grande povo formado não exclusivamente por uma linhagem segundo a carne, mas que abarca pessoas de diferentes raças, tribos e nações, e que tem em comum a semente da fé em Cristo Jesus. Escolhidos segundo a graça eletiva de Deus, revelada primeiramente em Abraão, mas estendida a todos os santos espalhados pela terra e que estarão diante do trono de Deus glorificando-o para sempre.

Fica evidente que o posicionamento reformado deve-se aquilo que as Escrituras apontam como a verdadeira unidade religiosa e nada tem haver com ódio e intolerância, como propagado pelos que defendem o pluralismo religioso. O Senhor Jesus orou para que todos fossem um, mas enfatizou que esta unidade só poderia ser possível se fincada na verdade. “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17.17); “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um [...]” (Jo 17.21,22). Portanto, fora deste princípio qualquer tentativa de comunhão será falsa e danosa para o povo de Deus.

A luta pela verdade sobrepõem-se a qualquer outra tentativa de unidade religiosa. Martinho Lutero sintetizou bem a condição bíblica de unidade quando considerou que deveríamos buscar a paz, se possível, mas a verdade a todo custo. Então, o que eles chamam de arrogância, é na verdade a firme convicção de fé reformada. Temos certeza sobre no que cremos e isto não nos foi revelado por homens, mas pelo próprio Deus através das Escrituras. Esta sociedade pós moderna rotula de arrogantes aos que tem certeza no que crêem, pois eles mesmo não sabem no que acreditam, crêem em tudo e em nada ao mesmo tempo, estão completamente perdidos, pois negam-se a glorificar a Deus (Rm 1.21).

Outra acusação leviana sofrida pelos protestantes é a de causarem divisão e discórdia na Igreja por motivos supérfluos. Mas este nunca foi o interesse dos reformados, aliás, vale ressaltar que nem foi esta também a intenção dos primeiros reformadores, que procuraram manter a unidade evangélica de forma coerente com as Escrituras, objetivo este impossível de ser alcançado por motivos históricos já bem conhecidos.

Em suma, não importa que sejamos falsamente tidos por arrogantes, e tachados por cristãos extremistas, lutemos juntos pela fé evangélica (Fl 1.27) com coragem e ousadia para denunciarmos o falso ecumenismo, disfarçado de tolerância e harmonia, mas que na verdade representa uma séria ameaça à unidade orgânica da Igreja do Senhor Jesus. Descansemos no que disse o Apóstolo Pedro inspirado por Deus: Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus (1 Pe 4.14).

Ericon Fábio

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Regeneração: A Carta de Alforria da Alma


Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados. (Ef 2:1)

A carta de alforria era o documento que garantia o direito de liberdade a um escravo, concedida por seu proprietário. A Bíblia descreve o homem comum como um servo do pecado, inclinado às práticas de desobediência a Deus. (Rm 6.16). E o mesmo também permanece subjugado até que lhe seja concedido o atestado de soltura espiritual, concedido exclusivamente pelo Espírito Santo, através da Obra de Cristo (Tt 3:4-6).
A ação atribuída a este ato do Espírito é chamada de Regeneração, ou Novo Nascimento: o meio pelo qual o homem abandona o terrível estado de escravidão que se encontra, tornando-se nova criatura (Jo 3:3-6). Essa transformação não ocorre por livre escolha e desejo do escravizado, pois o mesmo se encontra totalmente incapaz de tomar qualquer decisão desta ordem. Pois a Bíblia é enfática ao afirmar que o homem natural é servo do pecado (Rm 6:17). A raça humana está terrivelmente depravada. Não importa quem sejam, nem o que façam, todos estão aprisionados à sua natureza corrompida (Rm 3.23).

O fato mais curioso é que, diferentemente do escravo comum que deseja adquirir sua liberdade a todo custo. O homem natural não demonstra a mínima insatisfação com sua vida iníqua. Sente-se confortável com as práticas que comete e vive em declarada e espontânea afronta ao Criador (Cl 1:21; Rm 5:10). Ele é como um servo que ao receber Carta de Alforria do seu senhor, ver os portões abertos das senzalas, mas nega-se a ir embora, preferindo permanecer sujeito àquele que lhe aprisionou. Da mesma forma, porta-se o ímpio com relação a sua permanente condição de pecador.

Sendo assim, o homem nem quer, nem pode deixar de ser escravo. Seu estado espiritual é de morte. Portanto, ainda que as portas da prisão estejam escancaradas e suas algemas destrancadas, ele permaneceria inalteravelmente inerte, como todo ser sem vida.

Em meio a tudo isto, surge-nos uma pergunta: Como um indivíduo nesta situação pode de forma autônoma, e espontaneamente, buscar uma mudança, à parte do Espírito, ou mesmo de forma sinérgica? Os defensores do livre-arbítrio cometem um terrível equívoco ao presumir que a criatura pode optar pela liberdade ou não de sua alma. Algo impossível para alguém que está morto, portanto, totalmente incapaz de esboçar alguma atitude que altere sua condição. O mesmo depende indubitavelmente dAquele que sopra onde quer (Jo 3.8).

Portanto, a transformação do homem é obra particular e exclusiva do Espírito Santo. Apenas por seu intermédio o pecador é regenerado, e a partir daí todos os seus atos de arrependimento surgirão em conseqüência à ação realizada pelo Espírito de Deus em seu coração.  Somente através deste agir sobrenatural, o homem pode gozar de plena liberdade espiritual. Por meio privativo do Regenerador, o servo do pecado poderá ver-se livre uma vez por todas da escravidão que assolava sua alma. A carta de alforria é definitiva e quem a concede é Poderoso para libertar o pobre pecador das enegrecidas e sujas prisões da perdição e transportá-lo para o Reino de Deus em total segurança (Cl 1:13) .

Ericon Fábio

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Mais que Vencedores

Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele
que nos amou. ( Rm 8.37)


Sabemos de muitas batalhas que perduraram durante anos. Temos por exemplo, a Guerra dos Cem Anos, como ficou conhecida a disputa entre Ingleses e Franceses no século XIV. Este é o combate mais duradouro relatado pela História. Nós cristãos também participamos de um prolongado conflito, só que espiritual. O seu tempo de duração se estende durante toda a vida do crente neste mundo. O seu objetivo não é outro, senão, vencer.

Diferentemente dos sangrentos conflitos que marcam as guerras entre os seres humanos, nossa luta não é contra o sangue nem a carne (Ef 6.12). Nossos inimigos são espirituais e não usam armas físicas ou químicas para guerrear. É preciso estarmos atentos para resistirmos às investidas dos opositores, que são muitos.

O mais sagaz de todos é o diabo. Ele anda ao derredor dos crentes, procurando tragá-los no momento oportuno. O astuto Satanás não descansa até que tenha alcançado seu propósito de tombar os seguidores de Cristo; a natureza pecaminosa também é um temível opositor do cristão. Na verdade esta é a única batalha em que o guerreiro luta contra si mesmo. Quão tenebroso é saber que o perigo vive mora dentro de nós; ainda existe o Mundo com seu sistema maldito que domina este século. Com seus muitos intentos, tenta abater a fé dos eleitos.  Que terríveis ataques tem de enfrentar os soldados de Cristo.

Os muitos inimigos e as diversas batalhas ora vencidas, ora perdidas trazem exaustão para o valente guerreiro. Nem sempre o crente está forte o suficiente para enfrentar a peleja. É provável que durante sua trajetória ocorra alguma derrota. Os valentes de Deus também podem experimentar momentos de fracasso, como de vários grandes homens da Bíblia: Noé, Abraão, Sansão, Davi... Tropeços, infelizmente acontecerão na caminhada, trazendo muitas angústias para o servo de Deus.

Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo. (1 Co 15.57)

Quem poderá ajudar este pobre aflito, fraco e debilitado, que não aguenta mais lutar? Como vencer esta guerra que não dá tréguas? Qual o cristão que por mais fiel que seja poderia vencer as investidas dos inimigos de sua alma? Será que há algum super crente, forte o bastante para resistir firme até o fim sem o auxílio do seu Senhor? Não há.

Se contássemos com a força do nosso braço, há muito que já teríamos sido totalmente destruídos. Mas graças a Deus, que por intermédio de Cristo nos socorre em tempo oportuno e não permite a nossa derrota. E quando o impiedoso oponente velozmente se aproxima para aplicar o último golpe de espada e sacramentar a nossa derrota, Cristo, o nosso General, intervêm e nos garante a vitória que Ele mesmo já conquistou na cruz do Calvário. Aleluia! Não há nada que possa ameaçar nosso triunfo.

Qual motivação maior precisamos para lutar, senão, esta maravilhosa garantia do Cordeiro:

Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no meu trono. (Ap 3.21)

Ele venceu! O Leão da Tribo de Judá destruiu todos os nossos adversários para que triunfássemos com ele na glória do Pai. Nenhum adversário foi páreo para o Filho de Deus. Não importa quão árdua esteja sendo esta batalha, perseveraremos firmes nesta carreira. Ao findar que logo se aproxima haveremos de receber as honras preparadas para os fiéis combatentes. Sigamos firmes porque já somos mais que vencedores, em Cristo Jesus.


Ericon Fábio