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sábado, 2 de agosto de 2014

O Que é a Teologia da Glória? Com a Palavra, R.C. Sproul Jr


Existe uma tensão apropriada na relação entre os cristãos e o mundo. Servimos a um Senhor que veio para trazer vida abundante (João 10.10), que venceu o mundo (João 16.33), que está sujeitando todas as coisas aos seus pés (Efésios 1.22), que verá todo joelho se dobrar e toda língua confessar que Ele é Senhor, para a glória do Pai (Filipenses 2.10). Jesus é o segundo Adão que teve sucesso onde o primeiro Adão fracassou, não somente por obedecer à lei de Deus perfeitamente, não somente por expiar nossa falha em guardar a lei, mas por cumprir o mandato de domínio. A igreja, que é a segunda Eva, ou noiva do segundo Adão, é uma ajudadora idônea de Jesus para cumprir esse chamado. Estamos em união com ele, ossos de seus ossos. Devemos estar engajados em insistir sobre os direitos régios do Rei Jesus.
O problema é que nós, como os discípulos antes de nós, frequentemente somos mais zelosos pelo nosso próprio sucesso, pela nossa própria glória do que o somos pelo reino. Eles queriam saber quem seria o primeiro no reino. Muitas vezes fazemos o mesmo. A noção de “a teologia da glória” é um meio de nos advertir contra essa tentação. Fundamentada no pensamento luterano, somos lembramos que as armas da nossa guerra não são carnais (2 Coríntios 2.10), que o primeiro será o último e o último será o primeiro (Mateus 20.16). Somos chamados a morrer pelos nossos inimigos, e não a matá-los; a dar livremente em vez de tomar; a oferecer a outra face; e até mesmo a viver em paz e quietude com todos os homens, tanto quanto possível. Isso os luteranos chamam sabiamente de “a teologia da cruz”. Devemos viver vidas de sacrifício.
Um retrato desequilibrado do lado da glória é encontrado no evangelho da prosperidade. Essa heresia ensina que é a vontade de Deus que todos nós desfrutemos de grande saúde e riqueza, que como filhos do Rei todos devemos viver como príncipes. Um retrato desequilibrado do lado da cruz é encontrado na heresia ascética – não coma, não beba, não toque. Aqui as bênçãos de Deus são malvistas, vistas como sinal de mundanismo e não como dons das mãos de Deus. Aqui a pobreza é vista como uma virtude em si mesma. O pior de tudo é que essa perspectiva pode se degenerar numa negação do reinado de Cristo sobre todas as coisas.
Nosso chamado não é buscar nosso próprio conforto, muito menos nossa glória. Antes, somos chamados a tornar conhecida a glória do nosso Rei. Devemos tornar visível o reino invisível de Deus. Contudo, fazemos isso através de meios ordinários. À medida que trabalhamos fielmente, em vez de subir a escada financeira, à medida que trocamos fraldas, em vez de contar o nosso ouro, à medida que Ele é exaltado e nós humilhados, não estamos evitando a glória da cruz, mas sim abraçando a glória da cruz. Vivemos morrendo. Vencemos perdendo. Conquistamos recuando. Nos orgulhamos de nossa fraqueza.
Jesus reina. Mas quanto a nós, seus súditos, não são muitos os sábios, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres. Portanto, aquele que se gloria glorie-se no Senhor. Quando mais manifestamos a Cristo e ele crucificado, mais manifestamos o seu reinado soberano.
Fonte: http://www.monergismo.com/rcsprouljr/o-que-e-a-teologia-da-gloria/

Presb. Cícero da Silva Pereira

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Israel, a Palestina e os Cristãos

Nos últimos dias a mídia internacional tem sido inundada de notícias sobre o conflito Israel-Palestina, uma vez que esse tem sido o maior acirramento do conflito desde 2009. As imagens são chocantes, mísseis israelenses invadindo a Faixa de Gaza e gerando inúmeras vítimas civis, sobretudo crianças e mulheres. Daí não falta posts nas redes sociais escritos por cristãos que ou defendem Israel por crerem que esse ainda é o povo de Deus ou aqueles que embora tenham uma teologia correta com relação aos judeus, movidos por boas intenções, creio eu, assumem a posição do lobby pro-Palestina e acusam Israel de ser a praticamente a única manifestação da depravação humana na terra. Tudo isso me entristece profundamente, pois era contra essa ignorância com relação aos judeus que Paulo adverte a Igreja de Roma (Rm 11.25).

Em primeiro lugar é necessário esclarecermos que o atual Estado de Israel não é o cumprimento de profecias bíblicas, mas que foi criado mediante a soberania de Deus sobre a História a fim de cumprir os Seus próprios propósitos, uma vez que Deus é soberano e rege as nações (Sl 2). Isso, portanto, não significa que os cristãos devem apoiar o Estado judeu em todas as suas políticas e ações. Ao contrário, significa que nós como cristãos devemos ver o Estado de Israel como um Estado secular e pecador igual a qualquer outro, reconhecendo os seus erros e combatendo-os, principalmente as suas práticas abusivas que são implantadas contra os palestinos, as quais violam diretamente os seus direitos humanos e vão contra as atribuições estabelecidas por Deus para os Estados (Rm 13).

Um segundo esclarecimento necessário diz respeito à natureza do verdadeiro povo de Deus hoje em dia. Os judeus que hoje existem não são mais o povo de Deus, uma vez que na Nova Aliança através do sacrifício de Jesus na cruz a salvação se estende a todos os povos, de todas as etnias e nações (Is 19.23-25, Mt 28.19, At 2.11, Ap 5. 8-10). Isso pode ser visto claramente no que Paulo diz aos Gálatas, ao afirmar que os verdadeiros filhos de Abraão não são apenas os judeus, mas os eleitos de todas as nações (Gl 3.6-8). Isso significa que o verdadeiro povo de Deus hoje é formado não apenas por judeus, mas também por alemães, palestinos e árabes! Ainda hoje há judeus que se convertem ao Cristianismo ao reconhecer Yeshua (Jesus) como o messias e esses sim é que passam a ser o povo de Deus, mas não os outros judeus que rejeitam a Jesus, como é a grande maioria dos judeus que compõem o atual Estado de Israel.

Tudo isso me faz crer que se o povo de Deus é formado tanto por judeus quanto palestinos, no atual conflito não devemos ficar nem do lado de Israel tão somente, nem do lado dos palestinos como se eles fossem as únicas vítimas da História. Devemos levar em consideração os princípios bíblicos de justiça e ter em mente que no atual conflito, ambas as partes são injustas e cometem atrocidades mútuas, violando assim a Lei de Deus. Isso não significa, contudo, que devamos ser imparciais, até porque isso é impossível, mas sim que devemos ficar ao lado da Igreja, o povo de Deus e para isso precisamos saber onde eles estão e como tudo isso os afeta.

Infelizmente embora seja o berço do Cristianismo, a atual “Terra Santa” é um dos lugares onde há menos cristãos. Os números são bastante inexatos, mas crê-se que apenas 2% de toda a população de Israel e dos territórios palestinos ocupados (Faixa de Gaza e Cisjordânia) sejam cristãos. Isso se dá devido a dois fatores: conflitos na região e perseguição religiosa. A criação do Estado de Israel em 1948 e os conflitos que o seguiram geraram uma grande onda de refugiados palestinos, entre os quais estavam em sua maioria cristãos, fazendo com que a sua presença na região diminuísse significativamente já a partir daí.

A situação, porém, piorou ainda mais após a Segunda Intifada palestina quando a Autoridade Palestina passou a administrar a Cisjordânia e o Hamas a Faixa de Gaza, o que ocasionou o surgimento da perseguição aos cristãos palestinos, os quais passaram a ser identificados diretamente como aliados ao governo israelense e por isso perseguidos. Tal perseguição advém da própria sociedade palestina, majoritariamente muçulmana, mas é de certo modo legitimada pelos governos da Autoridade Palestina e do Hamas. Os abusos sofridos pelos cristãos na região são vários: há conversões forçadas ao Islã, mulheres cristãs sofrem violência por não usarem o véu islâmico, igrejas são bombardeadas e alguns líderes da igreja até mesmo assassinados. Não é à toa que segundo a Missão Portas Abertas, os territórios palestinos são o 34° lugar em uma escala de 50 em que os cristãos mais sofrem perseguição.

Tanto o Hamas quanto a Autoridade Palestina possuem claramente uma agenda islâmica anti-cristã e isso por si só já seria um grande motivo para os cristãos não os apoiá-lo. Mas por outro lado, e quanto a Israel? Israel é a única democracia do Oriente Médio e teoricamente o Estado assegura o direito de liberdade dos cristãos. Lá também é o único lugar do Oriente Médio em que a população cristã ao invés de diminuir tem crescido. Mas isso não significa que os cristãos não são perseguidos em Israel. Lá a perseguição existe sim e é impetrada por grupos de judeus radicais, os quais tem assento no Parlamento israelense e até criaram uma lei que proíbe a pregação do Evangelho em lugares públicos, como em ônibus. Além disso, também há perseguição por parte de setores mais extremistas da sociedade judaica que não aceita que judeus se convertam ao Cristianismo e persegue a pequena, porém crescente, comunidade de judeus messiânicos, os judeus cristãos. Ao mesmo tempo, o governo israelense também dificulta a migração de judeus messiânicos para Israel.

Tudo isso mostra que tanto em Israel quando na Palestina os cristãos sofrem e que ambos os lados cometem graves erros. Isso porque analisei apenas a questão da liberdade religiosa. No atual conflito entre Israel e o Hamas, por exemplo, é verdade que as bombas lançadas por Israel são proibidas pelas convenções internacionais devido aos danos que podem causar em seres humanos, sendo considerado um crime. Mas por outro lado, e quanto aos civis palestinos que são utilizados pelo Hamas como escudos humanos para se defender dos taques israelenses? Assim, qual deve ser a posição de um cristão diante disso tudo? Creio que Paulo nos diz em Romanos 11.25-27:

Irmãos, não quero que ignorem este mistério, para que não se tornem presunçosos: Israel experimentou um endurecimento em parte, até que chegasse a plenitude dos gentios. E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: "Virá de Sião o redentor que desviará de Jacó a impiedade. E esta é a minha aliança com eles quando eu remover os seus pecados".

            Paulo ao escrever aos Romanos os advertiu sobre a sua ignorância e presunção frente aos judeus. Provavelmente estava surgindo na Igreja alguma espécie de anti-semitismo. Talvez pelo fato de que ainda estivesse muito vívida a imagem de que foram os judeus quem mataram Jesus, o que sabemos ter sido apenas uma expressão da vontade de Deus, pois quem matou Jesus foi o próprio Deus. O fato é que infelizmente ao longo da História a Igreja tem sido ignorante com relação aos judeus e tem sido uma das maiores fontes de anti-semitismo. Vemos isso durante o período da Inquisição da Igreja Católica e até mesmo nos escritos de Lutero, o pai da Reforma que tanto admiramos e por quem somos tão gratos a Deus. Lutero, apesar de ter sido um homem muito piedoso e temente a Deus, era falho. Ele não compreendeu o mistério de Israel do qual Paulo fala em Romanos 11 e segundo alguns historiadores foi quem lançou as bases do anti-semitismo de Hitler. Essa mesma onda de anti-semitismo tem voltado a afetar a Igreja de Cristo nos dias atuais, mas com um novo nome: anti-sionismo!

Muitos cristãos fiéis, por crerem nos pressupostos aqui assumidos no início do texto sobre os judeus e ao verem os erros que o atual Estado de Israel tem cometido contra os palestinos acabam assumindo lobby pro-Palestino, o qual não quer simplesmente o fim da ocupação israelense e justiça para os palestinos, mas sim a destruição do Estado de Israel. Soma-se a isso um grande aumento em escala global do extremismo islâmico, que tem como principais alvos cristãos e judeus. Ou seja, se o Estado de Israel deixar de existir hoje, veremos um banho de sangue judeu maior do que o Holocausto. Um vislumbre que podemos ter disso é a perseguição aos cristãos em contextos islâmicos.

Devemos sim, como cristãos lutar por justiça para os palestinos e criticar determinadas ações do Estado judeu, mas não sermos anti-semitas. Digo isso, porque logo alertar a Igreja a não ser arrogante quanto aos judeus, Paulo revela o “mistério de Israel” que consiste no fato de que os judeus serão reconciliados por Deus após a plenitude dos gentios se completar. Isso significa que após o Evangelho do Reino ser pregado a todos os povos (Mt 24.12), haverá um avivamento entre os judeus e um grande número deles será salvo, completando assim o número de eleitos e preparando o caminho para a volta de Cristo. Entretanto, vale salientar que para que a plenitude dos gentios se complete eleitos de todas as nações devem ter ouvido a pregação do Evangelho.

Hoje os povos menos alcançados pelo Evangelho são exatamente aqueles que mais odeiam os judeus: são as diversas etnias árabes e os povos do Oriente Médio que professam o Islã. Os palestinos mesmo são considerados um povo não alcançado pelo Evangelho. O Islã é a última fronteira missionária para o Cristianismo e o Evangelho tem que voltar à Jerusalém, completando assim a plenitude dos gentios para que haja o avivamento entre os judeus e assim a paz seja estabelecida no Oriente Médio. Ou seja, Jesus, o Príncipe da Paz e o Seu Evangelho são a solução para o conflito entre árabes e judeus. O que os dois povos precisam é o Evangelho!

Paulo fala que a conversão dos gentios levará os judeus ao ciúme e assim eles serão novamente enxertados na oliveira, que é Jesus. Por isso, o papel de um cristão diante do conflito Israel-Palestina é orar para que o Evangelho seja pregado entre os árabes. Orar por um avivamento na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. Um cristão de verdade deve amar os palestinos, pois assim estará também amando aos judeus e a Cristo. É por isso que como cristãos devemos tomar o lado da Igreja. Devemos fortalecer a Igreja nos territórios palestinos e em Israel. Devemos nos levantar contras as injustiças cometidas em ambos os lados. Mas acima de tudo devemos pregar o Evangelho a eles. A salvação dos judeus passa pela salvação dos palestinos. A paz na Faixa de Gaza é a paz em Israel e vice-versa.

Uma das coisas que tem me incomodado é perceber como no Oriente Médio muitos vêem no Islã a solução para o conflito e não temem divulgar isso. Aqui no Ocidente, sobretudo na academia, crer-se que ideologias humanistas como o Marxismo é que fará isso. Mas se realmente somos cristãos e cremos que a Bíblia é a palavra de Deus, veremos que é o Evangelho é que é a solução para todos os problemas. Por que, então, tememos afirmar isso?

É por isso que oro a Deus para que os cristãos da minha geração não ignorem o mistério de Israel. Que não cometamos os erros que a Igreja cometeu no passado com relação aos judeus. Que amemos os judeus, mas também amemos os palestinos. Que nos lembremos que a maior injustiça social é a falta de pregação fiel do Evangelho e a maior ocupação é a ocupação espiritual por sofismas e falsas ideologias que se opõem a Cristo. Que uma das nossas demonstrações de amor por Cristo seja amar os judeus e consequentemente os palestinos.

Igor Sabino

Graduando em Relações Internacionais pela UEPB
Facebook: https://www.facebook.com/igorhsabino

sexta-feira, 27 de junho de 2014

O Homem é Capaz, por si mesmo, de Conhecer a Deus ou Agradá-lo? Com a Palavra, Martinho Lutero.

Precisamos permitir que Paulo explique o seu próprio ensinamento. Diz ele em Romanos 3.9: "Que se conclui? Temos nós [os judeus] qualquer vantagem [sobre os gentios]? não, de forma nenhuma; pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado". 
Não somente são todos os homens, sem qualquer exceção, considerados culpados à vista de Deus, como também são escravos desse mesmo pecado que os torna culpados. Isso inclui os judeus, os quais pensavam que não eram servos do pecado porque possuíam a lei de Deus. Mas, visto que nem judeus nem gentios têm-se mostrado capazes de desvencilharem-se dessa servidão, torna-se evidente que no homem não há poder que o capacite a praticar o bem. 
Essa escravidão universal ao pecado inclui até mesmo aqueles que parecem ser os melhores e mais retos. Não importa o grau de bondade que um homem possa alcançar; isso não é a mesma coisa que possuir o conhecimento de Deus. O mais admirável que há nos homens é sua razão e sua vontade, todavia, é forçoso reconhecer que essa mais nobre porção dos homens está corrompida. Diz Paulo, em Romanos 3.10-12: "Não há justo, nem sequer um, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer". O significado dessas palavras é perfeitamente claro. Deus é conhecido através da razão e da vontade humanas. Porém, nenhum ser humano, somente por sua natureza, conhece a Deus. Precisamos concluir, por conseguinte, que a vontade humana está corrompida e que o homem é totalmente incapaz, por si mesmo, de conhecer a Deus ou de agradá-Lo. 
Talvez alguma pessoa audaciosa atreva-se a dizer que somos capazes de fazer mais do que de fato fazemos; porém, o que aqui nos interessa é o que somos capazes de fazer, e não o que estamos ou não estamos fazendo. O trecho das Escrituras citado por Paulo, em Romanos 3.10-12, não nos autoriza a fazer tal distinção. Deus condena tanto a incapacidade pecaminosa dos homens quanto os seus atos corruptos. Se os homens fossem capazes, ainda que o mínimo possível, de movimentarem-se na direção de Deus, não haveria mais qualquer necessidade de Deus salvá-los. Deus permitiria que os homens salvassem-se a si mesmos. Porém, nenhum deles está apto nem ao menos a fazer a tentativa. 
No trecho de Romanos 3.19, Paulo declara que toda boca se calará diante de Deus, porque ninguém poderá argumentar contra o julgamento divino, visto que nada existe, em pessoa alguma, digno de ser elogiado pelo Senhor — nem ao menos um arbítrio livre para voltar-se espontaneamente para Ele. Se alguém disser: "Tenho uma capacidade própria, ainda que pequena, de voltar-me para Deus", esse alguém deve estar querendo dizer que pensa que nele há alguma coisa a qual Deus possa elogiar e não condenar. Sua boca não está calada, mas tal ideia contradiz as Escrituras. 

Deus ordenou que toda boca ficasse calada. Não é apenas certos grupos de pessoas que são culpados diante de Deus. Não apenas os fariseus, dentre o povo israelita, estão condenados. Se isso fosse verdade, então os demais judeus teriam tido alguma capacidade própria para guardar a lei e evitar de tornarem-se culpados. Porém, até mesmo os melhores dentre os homens estão condenados por sua impiedade. Estão espiritualmente mortos, da mesma forma que aqueles que de maneira alguma procuram guardar a lei de Deus. Todos os homens são ímpios e culpados, e merecem ser punidos por Deus. Essas coisas são tão evidentes que ninguém pode nem mesmo sussurrar uma palavra contra elas!
Com a palavra feito por Jhonatas Araujo
Livro: Nascido Escravo Martinho Lutero Paginas: 21 e 22 Editora: Fiel


terça-feira, 22 de abril de 2014

O Mínimo que Você Precisa Saber para Não Cair em Falsas Doutrinas

"Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal. Porque jamais uma profecia foi proferida por efeito de uma vontade humana. Homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus." 
                                                                                  (2 Pe 1:20,21)


          Depois de acolhermos essas palavras proferidas pelo apóstolo Pedro, tendo ele tratado nesse texto a respeito da origem divina e da confiabilidade das Escrituras Sagradas, podemos fazer algumas breves observações sobre questões pertinentes à sadia interpretação dos Textos Sagrados e também considerações a respeito do que temos vivenciado nos nossos dias com relação à má interpretação bíblica e suas drásticas consequências para a Igreja.

1) A BÍBLIA E SUA DIVISÃO

            Quando abrimos nossa Bíblia logo vemos todos os seus livros divididos em capítulos e versículos. Essa divisão é um recurso bastante interessante que nos permite facilitar a leitura nas igrejas, bem como o encontro de uma citação bíblica, a comparação entre um texto e outro, etc; entretanto, mesmo em meio a tantos benefícios, temos que ter em mente que esse desmembramento do texto é um elemento que foi adicionado, não fazendo parte dos manuscritos originais, pois todos os livros foram escritos em forma de texto corrido. 

            Por que saber disso é importante? Porque embora tal divisão tenha sido um método que veio para nos ajudar, ela também teve e tem uma contribuição danosa para nós por conta de alguns que fizeram e fazem mal uso dela. Vejamos o porquê no decorrer do texto.


2) A BÍBLIA E SEU CONTEXTO

            Outro fator que merece nossa atenção que cada livro da Bíblia possui suas particularidades. Embora todos eles estejam centrados na pessoa de Cristo e não se contradigam entre si, todos eles têm seu assunto principal, seu propósito, público-alvo; e é o conjunto de todo o livro que trará a correta interpretação e aplicação de cada versículo contido nele.
            Louis Berkhof, em seu livro "Princípios de interpretação Bíblica" [1] discorre sobre os três principais pontos relacionados à interpretação bíblica, sendo eles: A interpretação gramatical, a histórica e a teológica. Falemos rapidamente sobre eles:

                     a) Gramatical: A interpretação gramatical está intimamente ligada ao estilo literário do texto. Um exemplo básico disso é o notável uso de figuras de linguagem em muitos livros das Escrituras, sejam elas metáforas, metonímias, ironias, etc. Isso é um dos pormenores não podem ser deixados de lado se quisermos entender o sentido do texto. Além de atentar para o estilo literário, Berkhof ainda dá importância à interpretação do pensamento ou a interpretação lógica, afirmando que "ela baseia-se na suposição de que a linguagem da Bíblia é, como em qualquer outra linguagem, um produto do espírito humano, desenvolvida sob direção providencial." [2]

                     b) Histórico: Mesmo sendo muitas vezes ignorado, o aspecto histórico desempenha um papel valoroso na correta interpretação bíblica. As circunstâncias sociais do autor, seu propósito, o público original influenciam de forma direta na compreensão correta do texto.

                     c) Interpretação teológica: Embora a interpretação lógica e histórica sejam necessárias, por vezes, não são suficientes. Uma afirmação que entra nesse princípio de interpretação, por exemplo, é de que "a Bíblia é a Palavra de Deus". Aqui é necessário mais que conhecimento gramatical ou histórico. O fato é que não se chega a conclusões como essa de todo o coração sem a ação do Espírito Santo iluminando os olhos do entendimento.

3) A BÍBLIA E SUA SUFICIÊNCIA E INFALIBILIDADE

          "Quanto a você, porém, permaneça nas coisas que aprendeu e das quais tem convicção, pois você sabe de quem o aprendeu. Porque desde criança você conhece as sagradas letras, que são capazes de torná-lo sábio para a salvação mediante a fé em Cristo Jesus." (2 Tm 3:14-15)

       Temos uma profunda necessidade das Escrituras. Em Hebreus 1:1 vemos que Deus, outrora, se revelou verbalmente, tendo falado por meio de profetas. Essa revelação (que compreende o Antigo Testamento) foi esporádica, progressiva e incompleta, embora tenha sido genuína. Foi em Jesus, o Filho do Homem, que Deus foi plenamente revelado (Cl 2:9; Hb 1:1-3). Cristo é a completa e perfeita Revelação de Deus! Essa revelação também foi escrita e compreende o Novo Testamento. "Isso torna indispensável a Escritura Sagrada, tendo cessado aqueles antigos modos de revelar a Deus e a sua vontade ao seu povo" (CFW, I.I) [4]

         A Bíblia deve ser a nossa única regra de fé e prática. Além de ser a revelação de Deus, é a forma que Ele usa para mostrar à Igreja a sua vontade. Ela nos é completamente suficiente, sendo toda inspirada por Deus e útil para ensinar, repreender, corrigir e nos educar na justiça (2 Tm 3: 16).

          Partindo disto e vendo que muitos movimentos religiosos que se dizem cristãos negam a suficiência das Escrituras e acrescentam seus próprios pensamentos aos ensinamentos bíblicos, é de suma importância que nos apeguemos confiadamente às Verdades já reveladas. Como disse o reformador Lutero: "Qualquer ensinamento que não se enquadre nas Escrituras deve ser rejeitado, mesmo que faça chover milagres todos os dias”. Porque grandes sinais e prodígios podem ser realizados até mesmo por falsos cristos e falsos profetas (Mt 24:24), mas Aquele que pode não somente fazer grandes milagres e prodígios materiais, mas que pode convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16:8), a saber, o Espírito Santo de Deus, o faz, e faz por meio da Palavra de Deus (Rm 10:17).

          Ao entendermos que as Escrituras são a verbalização da vontade de Deus para nós, podemos descansar e saber que Ele sempre falará conosco e nos responderá quando estivermos afogados em dúvidas. A Palavra de Deus em sua forma escrita e imutável, é tão completa que podemos, sem qualquer receio, depositar nela toda nossa confiança e esperança. Deus falou; cabe a cada um dizer, confiadamente: "Amém. Eu creio". [3]


CONCLUSÃO

          Em suma, precisamos tomar muito cuidado para não basearmos nossas convicções em textos ou versículos isolados. Uma frase bastante conhecida diz: "Texto sem contexto é pretexto para heresia." E é! Muitos falsos profetas têm usado da própria Escritura para criar e trazer ensinamentos que a Bíblia não traz. Usam de versos e textos isolados sem dar atenção a todos os outros que vêm antes e depois, criando interpretações que muitas vezes ultrapassam o que pode se chamar de erro doutrinário, dando origem às heresias. Com sagacidade, ludibriam toda uma gente a acreditar nas fábulas engenhosamente inventadas, como a própria Escritura as caracteriza. Fujamos desses! Corramos para Jesus Cristo!

Antes de terminar, VAMOS PROPOR UM EXERCÍCIO RÁPIDO:
Primeiro, observe esses dois versos abaixo apresentados de maneira isolada, e pense na interpretação que você já tem ou terá deles. Depois disso, encontre o texto completo na Bíblia (2 Coríntios 3) e faça a leitura. O objetivo disso é mostrar o quanto somos, muitas vezes, levados por interpretações errôneas e após isso deixar o texto explicar a si mesmo. Vamos aos textos:

Texto 1) "Ele nos capacitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do Espírito; pois a letra mata, mas o Espírito vivifica."
(2 Coríntios 3:6)


Texto 2) "Ora, o Senhor é o Espírito e, onde está o Espírito do Senhor, ali há liberdade."
(2 Coríntios 3:17)


Você chegou a uma interpretação? 

         O propósito de ter escolhido esses dois textos foi este: Esses versículos isolados têm sido amplamente utilizados por muitos com um sentido totalmente equivocado pra justificar ações incoerentes com a Palavra de Deus. Vejamos como esses textos são geralmente interpretados:

Texto 1) "A letra mata, mas o Espírito vivifica" já virou um jargão daqueles que condenam o estudo teológico. Interpretam de forma totalmente equivocada esse texto afirmando que a teologia é a "letra", que devemos ser guiados "apenas pelo Espírito". Mas o que Paulo realmente quis dizer?  A verdade é que ele estava condenando o legalismo judaico. Os judeus cuidadosamente observavam Lei, mas não atentavam para o Cristo que é o único suficiente para nos salvar do pecado. Eles eram mais interessados na "letra" que representa o "ministério da morte, gravado com letras em pedras" que através de Moisés foi dado aos israelitas (3:7) do que no “Espírito”, a nova aliança de Cristo com a Sua Igreja, que foi revelada e escrita nos corações através do Espírito Santo (3:3-8).

Texto 2) "Onde está o Espírito do Senhor, ali há liberdade". Essa frase também tem sido inúmeras vezes usada hoje em dia, dessa vez para justificar comportamentos reprováveis no culto ao Senhor. Há tentativa de encobrir a falta de reverência quando afirmam: "Temos liberdade para fazer estas coisas, pois... Onde está o Espírito do Senhor, ali há liberdade". Não preciso nem discorrer muito sobre isso, nem você fará muito esforço pra entender esse texto. Apenas voltaremos para um versículo antes desse. Começaremos a ler a partir do v.16, que diz: "Mas quando alguém se converte ao Senhor, o véu é retirado." E a continuação... "Ora, o Senhor é o Espírito e, onde está o Espírito do Senhor, ali há liberdade." Não é difícil entender que liberdade o apóstolo Paulo fala. Está longe de ser uma licença apostólica para gritarias e correrias no culto! A liberdade, nesse caso, é relacionada à conversão, nada, além disso.

            Diante de tudo o que foi lido, agora pare um pouco e pense nas coisas as quais você tem convicção. Qual a razão da sua fé? O que você crê tem fundamento em todo o Livro Sagrado ou apenas em textos e versos isolados? Seja sincero com você e responda: As suas interpretações sobre determinados textos vão de encontro aos demais livros das Escrituras? Se assim for, que o Espírito Santo te leve ao reconhecimento. E, ao reconhecer, que Ele te revele a Verdade. E que, depois disso, você se dobre a essa Verdade, viva por ela todos os dias e a defenda, também, sempre que necessário. 

             Que o Senhor coloque em nós o desejo de aprender mais sobre Ele, de estudar Sua Palavra e aplicá-la na nossa vida para o louvor da Sua glória! Somente dessa forma é que não cairemos na lábia dos falsos profetas.

Graça e Paz a todos os meus irmãos em Cristo.

Letícia Lima


______________________

[1]BERKHOF, Louis. Princípios de Interpretação Bíblica. 3 ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2008. 142 p.
[2] p.68
[3] ROSS, Ivan. Curso preparatório para a pública profissão de fé. Parte I. Lição 2. 2 ed. São Paulo: Cultura Cristã. p.9.
[4] A Confissão de Fé de Westminster, Capítulo I. Da Escritura Sagrada. I.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Não Desperdice o seu Namoro


Eis por que deixará o homem a seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne. (Efésios 5:31)

Você já desperdiçou alguma coisa na vida? Aquele precioso tempo, dinheiro, trabalho, ou, seja lá o que tenham sido investidos com tanto empenho e expectativas. Ao final, perceber que nos acarretou somente prejuízo, é frustrante. E imagine só isso se tratando de namoro, em que geralmente são relacionamentos duradouros, cheios de sonhos e idealizações. Você não iria querer desaproveitá-lo, não é mesmo?!

O pior é que namoros tendem a ser verdadeiros desperdícios. Mas não pense que estou falando sobre aquele tipo de relacionamento longo, mas que no final não dão certo por não acabarem em casamento. É claro que, fatalmente isto deixará a impressão de que todo aquele tempo foi perdido. Mas, nem todo namoro que dá errado é desperdício, como nem todo namoro que dá certo quer dizer que ele tenha sido bem aproveitado.
O que estou querendo dizer, então?!

É que devemos entender como perda todo e qualquer namoro, independentemente de qual tenha sido seu desfecho, no qual não tenha sido observado o ponto mais importante dele: que se entenda através da Palavra de Deus, qual o papel do esposo e da esposa na estruturação familiar. Este é o ponto crucial do namoro, que dirá se o relacionamento valeu ou não, a pena. Um relacionamento verdadeiramente levado a sério, é aquele, cujo, os envolvidos se preocupam em aprender mutuamente o que a Palavra de Deus diz sobre casamento e buscam com disposição de coração preparar-se para a vida a dois, de modo que glorifiquem a Deus.

Ler Efésios 5:22-31 e Colossenses 3:18-19, poderá ser um bom começo. Neles estão contidos preceitos Bíblicos fundamentais para o futuro matrimônio. A Bíblia mostra claramente, que há uma distinção entre os papéis de marido e mulher, e que precisam ser prontamente levados a sério desde o “namoro-noivado” para que não haja confusões e distorções quanto ao papel que cada um terá de desempenhar.

Se estes princípios bíblicos forem negligenciados, não importa quanto tempo se teve de relacionamento, nem quantas centenas de presentinhos tenham sido guardados como recordação, tampouco, as eternas juras de amor descritas nas pilhas de cartas, essas coisas de nada valerão. Terão sido total desperdício! O importante é procurar saber o quanto antes, qual sua função no casamento. Pois, você pode ter sido um(a) ótimo(a) namorado(a), e não obstante ser uma tragédia como marido ou esposa, se não entender suas atribuições como tal.

Veja o alerta de Martinho Lutero: “Hoje em dia tem-se mais que ver com o casamento do que com todos os outros assuntos. [...] tenho observado muitos casais unirem-se em tão grande paixão que estavam prestes a se devorarem em amor, mas após uma metade de ano um fugiu do outro.”


Portanto, o caráter meramente recreativo de casais que apenas se preocupam apenas com entretenimento, passeios e troca de presentes, (por mais legal que tudo isso seja) em nada irá acrescentar no amadurecimento para encarar o grande desafio por vir. É tempo de fazer uma análise sincera de como você tem aproveitado seu namoro. De fato, tem sido priorizado o que realmente é importante? Olhe lá para frente e observe se aquilo que tem sido cultivado e aprendido no presente irá refletir positivamente no futuro. Se seu namoro aponta para um casamento centrado do ponto de vista bíblico. Não permita que ele se torne apenas um passatempo, cheio de diversões, mas desprovido de significado. Lembre-se que namorar é preparar-se diligentemente para a longa jornada que será trilhada junto de seu futuro cônjuge.

Chega de perder tempo!

Ericon Fábio

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Torna-te Padrão!

"Ninguém despreze a tua mocidade; pelo contrário, torna-te padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza." (1 Timóteo 4:12)

Quando o apóstolo Paulo partiu da Ásia pela última vez, ele severamente avisou os presbíteros de Éfeso acerca de "lobos vorazes" e "homens falando coisas pervertidas" que se levantariam no meio deles (Atos 20:17, 29-30). (4:1-5).  Na sua carta enviada a Timóteo em Éfeso (1:3), Paulo novamente avisa pelo Espírito que "alguns apostatarão da fé" (4:1). Este desvio da fé seria o resultado da obediência a "espíritos enganadores e a ensinos de demônios" (4:1). Pessoas encantadas pela mentira de falsas doutrinas agem contra a sua própria consciência (4:2; veja Romanos 2:14-16) e fazem coisas que os "que conhecem plenamente a verdade" jamais devem fazer (4:3-5; veja os avisos em 2 Tessalonicenses 2:9-12 e 1 João 4:1). Se esforçavam por encobrir sua perversidade interior mediante ritos externos, com o objetivo de descrever atos meritórios de salvação!

Desta forma, para que as pessoas não caíssem neste erro, Paulo exorta o jovem Timóteo à fidelidade e à diligência no ministério. Era necessário que homens fiéis como Timóteo ensinassem cada vez mais "as palavras da fé e da boa doutrina" que eles mesmos praticavam (4:6), rejeitando as "fábulas profanas" que eram tradições de homens tolos. Pois estas celeumas traziam constantemente, discussões sem fim como ele falou em 1:4.

Diante daquele quadro, Paulo escrevendo ao jovem presbítero (Ordenado pelo próprio apóstolo como vemos em 1:18) o entreteceu a disciplina pessoal com as obrigações oficiais. Só o ensinamento da verdade daria aos homens o que era necessário para a prática espiritual.

Assim como é necessário o exercício físico para manter o corpo em boa forma, também é necessário exercitemos a nossa alma "na piedade" (4:7).  Posto ser o exercício espiritual muito mais proveitoso do que o físico, pois prepara pessoas para terem a força de lutar e esforçar-se na esperança, de nossa graciosa salvação.

Uma exegese bem acurada, nos mostra ainda que além de tímido e acanhado, Timóteo era mais jovem em relação aos outros Presbíteros. Porém Paulo não queria que isso fosse uma barreira para ele pregar o evangelho. : "Que ninguém pense pouco de você". Desta forma, o apóstolo também tinha como objetivo, que a carta fosse lida perante toda a igreja. Muitos estavam desprezando a autoridade do então jovem ministro, por causa de sua juventude.

Timóteo deveria então tornar-se exemplo, estabelecer sua autoridade através de uma vida piedosa. Sem gabar-se de ter sido ordenado presbítero. Paulo não queria que a juventude de Timóteo impedisse a sua eficácia como pregador da palavra de Deus. Afinal, o que faz de um servo de Cristo um bom ministro não é a sua idade, mas sua fidelidade para com a palavra que lhe fora conferida (4:12-13, 16; veja 1 Coríntios 4:1-4).

Torna-te padrão na Palavra!
Paulo enfatiza que o bom ministro deveria de ser, um bom modelo dos crentes através Palavra, pregando e protegendo a Doutrina, dedicando-se fiel e laboriosamente ao estudo das Sagradas Escrituras, pois aqui reside nossa confiança suprema. O que levou Charles Hodge a dizer certa vez: “O evangelho é tão simples que as crianças pequenas podem compreendê-lo, e é tão profundo que os estudos dos mais sábios teólogos nunca vão esgotar suas riquezas.”

Já João Calvino, dizia que para alguém chegar a Deus, o Criador, é necessário que tenha a Escritura por guia e mestra. Pois o verdadeiro conhecimento de Deus está na Bíblia. Isto porque, a Escritura é a única regra inerrante de fé e prática da vida da igreja.

“É a Verdade que santifica e liberta, porque a Palavra de Deus é a verdade”. A interação com a Escritura é essencial para a saúde espiritual da congregação e sem ela o crescimento espiritual é impossível.

Não podemos permitir sermões e mensagens rasas em nossos púlpitos! Se quisermos uma congregação saudável, devemos conceder-lhes uma boa nutrição.

“Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho.”
Salmos 119:97-105

Torna-te padrão no procedimento, na conduta, nos costumes!

        O jovem ministro, deve empenhar-se cada vez mais, por manter uma postura exemplar. Ele haverá de educar as suas ovelhas, também atravéz de seus atos.

Devendo ser movido irresistivelmente por afeições Santas.  Pois alertava Edwards, que as afeições Santas são suficientemente fortes para levar à ação. As afeições Santas, envolvem a cooperação coordenada de mente, vontade e emoções. Por serem as inclinações mais fortes da alma humana, as afeições se manifestam em todas as partes da pessoa: pensamentos, sentimentos e conduta.

Mostra-me tua vida, que direi tua teologia!

Torna-te padrão no amor!

        De que forma?

No profundo e mais sincero apego pessoal a seus irmãos, com uma genuína preocupação por seu próximo (inclusive seus inimigos). Aqui o amor, indica uma relação horizontal. Você tem chorado com os que choram na sua igreja? Você tem se alegrado por uma conquista de suas ovelhas? Ou tem sido indiferente a todas estas coisas?


Torna-te padrão na Fé!

                     Como tem sido o exercício de suas orações? Ou seja, o exercício desse dom de Deus deve brotar de uma relação vertical. Como tem tomado decisões?

            O que Neemias fez quando soube que o povo de Jerusalém encontrava-se numa situação precária e insegura, sujeito às agressões dos povos que controlavam as regiões adjacentes à cidade? A Bíblia diz que dia e noite. Neemias orava continuamente.(Neemias 1.6)

Modernamente ouvimos muito sobre os grandes homens do passado em nossa teologia, mas será que os temos copiado?

Além das confissões, também estão presentes as ações de Agostinho de hipona, por exemplo?

John Huss (pré- reformador) quando morreu queimado na fogueira, orou dizendo: “confio que pela graça de Deus ainda hoje hei de beber dele no Seu Reino. Os bispos retrucaram: Nós entregamos a tua alma aos demônios do inferno. Neste momento, Huss orou ao Senhor dizendo: E eu entrego o meu espírito nas tuas mãos, oh Senhor Jesus Cristo. A ti entrego a alma que tu salvaste!”

Jeronimo de Savonarola liderou uma reforma política e cultural na Itália, mas antes disso se entregou em oração.  Na época, o povo abandonou a literatura torpe e mundana para ler os sermões do famoso pregador. Os ricos socorriam os pobres em vez de oprimi-los. Foi neste tempo que o povo fez a grande fogueira, na "piazza" de Florença e queimou grande quantidade de artigos usados para alimentar vícios e vaidade. O pregador foi ameaçado, excomungado e, por fim, no ano de 1498, por ordem do Papa, foi queimado em praça pública. Com as palavras: "O Senhor sofreu tanto por mim!”

Assim fizeram também os reformadores:

Martinho Lutero foi um homem de oração. Dizia ele, que orava regularmente duas horas todos os dias e sempre que tinha muita coisa para fazer, ele dobrava para quatro horas o seu tempo em oração.

E o que dizer das orações de John Knox? As quais redundaram em tão grande avivamento na Escócia, que certa vez: a Rainha da Inglaterra exclamou: "Eu temo mais as orações de John Knox do que um exército de 10 mil homens marchando contra nós."

Assim fizeram os puritanos, assim fizeram os grandes homens. Alimentavam diariamente a sua fé, com sua vida de oração.

A história também conta, que quando Edwards pregou “pecadores nas mãos de um Deus irado”, as pessoas pediam para que ele parasse.  Algumas se agarravam nos pilares, outras por tão forte temor, acreditaram que o juízo havia chegado. Mas poucos sabem que, antes de pregar neste dia, Edwards por 3 dias não se alimentou, por 3 noites não dormiu, ele rogou a Deus sem cessar, “daí-me a nova Inglaterra!”

Afirma-se que um teólogo, que um ministro normal, deve orar no mínimo, 350 horas por ano, John Wesley, orava 700 horas por ano, assim ele fez por 54 anos. Ele recebeu o apelido de o “Tição de fogo”.

David Brainerd, antes de sair e pregar às tribo dos peles-vermelhas, índios canibais, escreveu em seu diário:  “assim passei a tarde orando, para que não confiasse em mim mesmo.”

Por fim, certa vez perguntaram a Spurgeon, que pastoreava uma igreja de 12 mil membro na Inglaterra, o tabernáculo metropolitano, qual segredo de tão grande crescimento? e ele respondeu: “Oração!”

Passe o que passar, aja o que houve, continue orando! Pois: “Todo crente deve ter desejo fervoroso de contar com Deus em cada momento de sua vida”. (João Calvino, A Verdadeira Vida Cristã, São Paulo, novo Século, p. 31)

Torna-te padrão na pureza!

        Torna-te perfeito e reto na completa conformidade, de pensamento e ato, com a lei moral de Deus. É preciso que o jovem ministro tenha uma vida movida para santidade, guiado com “Luz na mente e fogo no coração!”. Pois Se a impiedade é o seu deleite aqui na terra, o que lhe agradará no céu, onde tudo é limpo e puro? Você não seria feliz lá se você não é santo aqui.  Ou, como disse Spurgeon, "seria mais fácil um peixe viver numa árvore que um descrente no Paraíso".


Parafraseando Paul Washer, vos digo que a teologia moderna, os manterá como meninos, porque os homens são perigosos. Satanás sabe que um homem piedoso e íntegro é uma das coisas mais perigosas na face da terra!

Finalizo exclamando:

Firme-se na palavra!
Tenha uma conduta digna de respeito e retidão!
Ame os seus irmãos!
Tenha sua fé por inabalável!
Conserve a pureza!

E só assim, não haverá lobo enganador, falso profeta, ou qualquer homem que um dia possa enganar o teu povo. Muito menos, nenhum ímpio deste mundo podre e vil, poderá de ti dizer qualquer coisa torpe!

Torna-te padrão!

Wollney Ribeiro
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