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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Seguir a Jesus não é para despreparados

Esta área do discipulado é interessante, pois se lida de maneira errada, pode dar a entender que podemos nos preparar para seguir a Cristo. Não, porque como vimos no texto anterior seguir a Cristo não depende de quem quer, mas do próprio Cristo chamar. 

Chegamos então, nos versículos de 5 a 15 do capítulo 10 do Evangelho de Mateus, onde Jesus, após chamá-los, agora dá as instruções.Reforçando a ideia, primeiro o chamado eficaz de Cristo, depois as instruções. E aqui uma lição importante para nós. As instruções para seguir a Jesus são dadas pelo próprio. Ou seja, eu não posso e não devo seguir a Jesus da maneira que eu queira ou ache que deva fazer, mas sim pelas instruções deixadas pelo mesmo, registradas nas Escrituras. Vivemos num mundo onde os homens querem, a cada minuto, mostrar sua independência de tudo e de todos, inclusive querendo provar a sua não necessidade de Deus. E ser discípulo de Cristo vai exatamente na contramão desse sistema mundano. O discípulo clama aos quatro ventos a sua necessidade do mestre. A ovelha  deseja mostrar que não é nada sem o pastor. A noiva, longe da segurança e cuidado do noivo, é frágil.

Preocupa-me o fato de muitos acharem que podem seguir a Jesus de qualquer maneira, sem um estudo adequado das Escrituras, transigindo dos meios de graça como a oração, a ceia e abrindo mão da dádiva da igreja local. Por estes motivos, não são poucos os escândalos provocados por ditos cristãos. O que mais impressiona é o fato de estes muitas vezes serem tomados como espirituais, abençoados, ungidos. Mas como pensar na bênção de Deus onde sua Palavra é desprezada?

Que pela fidelidade às Escrituras, Deus nos conduza à santidade, pois "Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra." (2 Tm 3.16-17).

Os reformadores protestaram por um retorno às Escrituras, e é pelas Escrituras que Deus, preparando os discípulos de Cristo, continua a sua obra no seu povo.

Deus nos abençoe.

Pb. Cícero da Silva Pereira

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Seguir a Jesus não é para quem quer

Aqui começa a publicidade da história de doze pessoas extremamente interessantes. Poder-se-ia falar de cada um com seus defeitos, suas virtudes, como vaidade, cobiça, traição, carinho, afeto, dedicação, exagero. Mas no que isto os faz interessantes? Estas características estão distribuídas pela humanidade e destacar alguém por possuir uma delas, ou tantas outras não citadas aqui, não faz ninguém especialmente interessante. O grande fato marcante na vida desses homens não tem nada a ver com nenhuma característica intrínseca deles, nem de suas capacidades ou posição social. A grande marca na história deles é a pessoa que eles passaram a acompanhar, a ouvir, a aprenderem com ele, vendo a cada dia seus exemplos, suas parábolas, suas exortações e seu extremo amor a Deus. Esta pessoa ninguém mais é que o Nosso Senhor Jesus Cristo, o Deus encarnado, aquele que viveu entre os homens e revelou a Glória do Pai. 


Homens simples, pescadores, cobradores de impostos, até um revolucionário. De alguns sabemos um pouco mais, como Pedro e seus arroubos, sua tripla negação, sua dedicação ao Evangelho; ou João, dedicadamente afetuoso e certa vez querendo que caísse fogo sobre uma cidade e noutra oportunidade, junto com seu irmão Tiago, querendo sentar-se a direita de Cristo no reino dos céus. E o que falar de um certo Tomé, se recusando a crer na ressurreição de Cristo? Ou de um cidadão que com um beijo entrega o Senhor na mão dos romanos? Felipe, pedindo a Jesus para mostrar-lhes o Pai? De outros sabemos menos como Bartolomeu, Tiago Filho de Alfeu. Mas em comum com eles, temos o mesmo chamado: Vinde após mim. 

Na verdade, o chamado é uma ordem: Vinde. E não depende de quem é chamado ou de qualquer virtude deste, mas daquele que chama, que vocaciona. Ou seja, ser discípulo de Cristo não é para quem quer. Não é para quem tem mais posição ou mais dinheiro ou mais eloquência. É para a aqueles a quem o Senhor Jesus eficazmente chamar: Vinde após mim. 

Em Mateus a história começa no capítulo 4, verso 18 com Pedro e André e termina no capítulo 9, verso 9 com o chamado do próprio Mateus. 

Homens como eu e você, em nada diferente. O que transformou a vida de 11 daqueles homens foi a presença de Jesus em suas vidas. E é quem transformou a minha vida e a sua vida também e vai transformar a vida de muitos ainda, que serão alcançados com a pregação do Evangelho.  

Que nossas vidas reflitam a luz do nosso Senhor e mostrem efetivamente que somos seus discípulos.

Presb. Cícero da Silva Pereira

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Ser Discípulo de Cristo

Seguir a Jesus não é para desavisados, não é para quem quer, não é para quem quer vida boa. Mas também não é para quem não tem esperança. No capítulo 10 do evangelho de Mateus, vemos todas estas ações, todas partindo de Jesus. Vejamos, de maneira resumida, estes registros. Nos próximos textos, querendo Deus, trabalharemos pormenorizadamente cada um destes tópicos.

1) A escolha, o chamado e o envio.

Dos versos 1 a 4, vemos Jesus escolhendo e chamando aos discípulos. Não há registro nenhum de seus méritos para isto, mesmo porque eles não o tinham. Cristo é quem lhes dá autoridade. Seguir a Jesus, ser seu discípulo não é para quem quer, mas para quem o Senhor chama.

2)As Instruções

Nos versos de 5 a 15 aparecem as instruções. Como eles deviam viver, como eles deviam apresentar o Evangelho. Ou seja, seguir a Jesus não é pra despreparado. Quanta diferença de muitos hoje que pensam que ser e viver cristão não exige estudo, esmero e preparo para testemunhar da Graça de Deus nesse mundo.

3) As admoestações

Versos 16 a 23. Seguir a Jesus não é pra desavisado. Cristo deixa bem claro o ambiente aonde os discípulos estariam. Ambiente corrompido pelo pecado, hostil ao Evangelho e aos seguidores de Jesus. 

4) Os estímulos

Versos 24 a 33. O maior estímulo é o cuidado de Deus conosco. Mesmo num mundo hostil ao evangelho, onde podemos padecer perseguições, restrições e mesmo até a própria morte por amor a Cristo, devemos descansar sabendo que nossa vida está nas mãos de Nosso Senhor.

5) As dificuldades 

Nos versos 34 a 38 Cristo mostra as dificuldades pelas quais seus discípulos passam e para enfatizar esta verdade, exemplifica as dificuldades no nível mais pesado e que possam acontecer, que é no âmbito familiar, mostrando assim que , nem mesmo os vínculos mais caros de nossas vidas estão acima do amor e devoção a Cristo.

6) As recompensas

Os discípulos de Cristo não trabalham em vão. Não são pessoas desesperadas. Pelo contrário, tem sua esperança muito bem posta nAquele que os chamaram. Mais do que recompensas terrenas, o discípulo de Cristo tem o foco no futuro, na consumação de todas as coisas. Naquele dia em que os valores do reino que ele hoje vive e testemunha serão estabelecidos absolutamente. O ainda não cessará. Teremos o agora, a glória com Cristo.

Pois bem, tendo feito esse rápido panorama sobre o discipulado, os convido, a nos próximos meses a estudarmos este tema e estes textos, aprendendo cada vez mais o que realmente significa ser discípulo de Cristo.

Presb. Cícero Pereira


quinta-feira, 19 de junho de 2014

Missões na Web

A igreja tem a missão primordial de evangelizar. Esta é a ordem do Senhor Jesus para todos nós (Mc 16:15,16; Mt 28:18,19). É certo que desde que esta tarefa nos foi entregue a mais de dois mil anos, houve mudanças significativas nos meios de comunicação entre as pessoas. O compartilhamento de informações que outrora acontecia unicamente através da oralidade (ou) de forma escrita, agora dá-se também através do rádio, televisão e mais atualmente pela web, o que chamamos de meios de comunicação de massa.

Desde a popularização da internet, ela tem sido um dos veículos mais utilizados pela Igreja na tarefa de evangelizar. Há uma propagação abundante da Palavra de Deus, seja através de redes sociais, blogs ou sites. E a apropriação destes novos meios tem possibilitado um avanço formidável na transmissão do Evangelho, meio mais eficaz atualmente que a própria Televisão. Lembremos que no Brasil grande parte das programações evangélicas exibidas nas TVs abertas são produzidas por denominações neo-pentecostais, o que dispensa maiores comentários.

Em contrapartida o ambiente virtual possibilita uma presença mais democrática. E é deste espaço que nós devemos nos valer, pois tem sido outra grande porta aberta para a evangelização. Este auxílio é um privilégio que outras gerações não tiveram oportunidade de desfrutar, contudo fizeram um excelente trabalho de evangelização. Com as facilidades que temos hoje, nossa responsabilidade é ainda maior. Estas múltiplas formas de comunicar o Evangelho nos tira qualquer justificativa por não levarmos as Boas Novas aos perdidos.

A internet é um excelente campo missionário, principalmente através das redes sociais, que nos possibilita a oportunidade de mantermos contato com centenas de pessoas diariamente. Nossas postagens podem ser vistas e compartilhadas por amigos, amigos dos amigos, e até por desconhecidos. As mensagens transpõem espaços geográficos, chegando a lugares que possivelmente jamais teremos oportunidade de visitar. E tudo isto acontecendo numa velocidade incrível.

Mas, embora esta conexão em rede nos ofereça muitas facilidades, também devemos considerar algumas ciladas do evangelismo virtual, como por exemplo, a impessoalidade e o comodismo. 

O discipulado é parte importante do evangelismo, e este acompanhamento virtual não é tão eficaz quanto o pessoal, embora em casos onde não seja possível um contato direto possamos recorrer a mediação online, mas nestes casos o ideal é utilizá-la como um recurso secundário, complementando conversações reais já iniciadas; as múltiplas facilidades proporcionadas pela internet, quando podemos interagir com dezenas de pessoas sem ao menos levantar de nossa cadeira, pode nos causar certa indisposição para praticar os métodos mais tradicionais, gerando o perigoso comodismo. Lembremos que não precisamos necessariamente pedir o facebook de alguém para podermos compartilhar a nossa fé quando temos a oportunidade de conversar com ela ao vivo.


Cientes de algumas emboscadas da web, devemos aproveitar ao máximo a liberdade que gozamos de compartilhar o Evangelho sem restrições. Que possamos fazer bom uso de nossas páginas, pregando aos milhares de internautas que perambulam perdidos pela Grande Rede. Cabe a nós fazer bom uso destas novas ferramentas que se apresentam para que Cristo seja conhecido por todos os homens e estes possam ter esperança de salvação. 

Missionário Ericon Fábio

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Uma lição de Humildade

O título desse texto é o mesmo que intitula na minha bíblia a passagem do evangelho de João cap. 13 do verso 12 ao 20. Onde Cristo dá aos discípulos um dos ensinamentos mais importantes da vida cristã. E é sobre essa noite não significativa para história do cristianismo que recorro às palavras desta vez. Então, antes de tudo, leiamos a referida passagem.

“Depois que lhes lavou os pés, e tomou as suas vestes, e se assentou outra vez à mesa, disse-lhes: Entendeis o que vos tenho feito?
Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou.
Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros.
Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também.
Na verdade, na verdade vos digo que não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou.
Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes.
Não falo de todos vós; eu bem sei os que tenho escolhido; mas para que se cumpra a Escritura: O que come o pão comigo, levantou contra mim o seu calcanhar.
Desde agora vo-lo digo, antes que aconteça, para que, quando acontecer, acrediteis que eu sou.
Na verdade, na verdade vos digo: Se alguém receber o que eu enviar, me recebe a mim, e quem me recebe a mim, recebe aquele que me enviou”. João 13:12-20

Propositalmente, já coloquei o desfecho da atitude tomada pelo nosso Senhor e o ensinamento dado por ele naquela noite que precedeu o seu martírio. Pois quero estar destrinchando os acontecimentos narrados no capítulo 13 partindo desses versículos lidos agora. Procurarei, então, expor o capítulo e fazer essa meditação de forma linear a partir de agora.

O cenário era o da Ceia do Senhor. A essa altura dos fatos, satanás já havia posto no coração de Judas Iscariotes que ele traísse Jesus. E o nosso Senhor já sabia que era chegado o tempo de sair desse mundo e voltar para o Pai (versos 1 ao 3). É diante desta situação que Cristo protagoniza essa passagem amando os seus enquanto estava no mundo.

“Levantou-se da ceia, tirou as vestes, e, tomando uma toalha, cingiu-se”. João 13:4

Essa primeira atitude de Cristo, descrita no verso 4, me chama a atenção para o seguinte fato. Antes de servir aos seus discípulos Jesus tira soa capa e veste na cintura uma toalha. Vestindo exatamente como se vestia um escravo na época. Essa atitude, deve ter mexido bastante com aqueles homens presentes na cena. Imagino a reação no coração impulsivo de Pedro. E já que estamos falando de humildade, vamos atentar para Pedro também.

Havia um decreto que não permitia que um judeu fosse escravo de outro judeu. Porém Cristo quebra esse paradigma vestindo-se como um escravo e indo servir os seus discípulos lavando-lhes os pés. E ao chegar a Simão Pedro para lavar-lhe também os pés, a reação do mesmo é diferente da dos outros:

“Aproximou-se, pois, de Simão Pedro, que lhe disse: Senhor, tu lavas-me os pés a mim?
Respondeu Jesus, e disse-lhe: O que eu faço não o sabes tu agora, mas tu o saberás depois.
Disse-lhe Pedro: Nunca me lavarás os pés. Respondeu-lhe Jesus: Se eu te não lavar, não tens parte comigo”. João 13:6-8

Seria essa uma atitude de humildade de Simão Pedro? Ou será que o mesmo não tentou demonstrar uma falsa humildade ou uma falsa santidade? Levanto esse questionamento pelo fato de que as características subtraídas de Pedro pelas escrituras são de um homem impulsivo, que queria sempre estar na frente, buscar sempre demonstrações bruscas de intimidade com Deus. Quando na verdade era um homem de pouca fé. O que implica dizer que era de pouca intimidade com Jesus (sabendo que fé é relacionamento com Deus).

A atitude seguinte de Pedro não é algo louvável. Pelo contrário. É uma atitude mais uma vez impulsiva de quem não compreendia o que o Mestre estava fazendo naquele momento. Ainda mais, ele quer ter um tratamento a mais em detrimento dos outros discípulos. Advertido por Cristo de que se Ele lavasse os seus pés, teria parte com Ele, quis que Cristo lavasse também o restante do seu corpo:

“Disse-lhe Simão Pedro: Senhor, não só os meus pés, mas também as mãos e a cabeça.
Disse-lhe Jesus: Aquele que está lavado não necessita de lavar senão os pés, pois no mais todo está limpo. Ora vós estais limpos, mas não todos”. João 13:9-10

“Mas não todos”. A forma com que Cristo termina sua explicação já é a deixa para outra declaração feita por ele naquela noite. Pois ele sabia que nem todos estavam limpos. Vemos aí que Judas Iscaritotes nunca teve parte com Deus. Mas foi delegado para este fim, pelo próprio Deus.

Cristo explica a sua atitude. Mostra aos discípulos como devem agir sendo eles humildes servos uns dos outros. Admoestando-lhes de que pratiquem o serviço como ele o fez sendo quem era. E quem ele era? Cristo faz uma declaração importantíssima para nós no versículo 19: EU SOU. Uma expressão usada pelo próprio Deus no velho testamento. Não há dúvidas de quem Cristo é, do que ele representa. Ele, sendo Deus, humilhou-se e serviu. Essa era a lição.

Depois de ter feito e dito todas estas coisas, o espírito de Cristo agitou-se dentro dele (verso 21). E ali Cristo afirma que um deles o trairia. É importante vermos como evangelho João relata esse acontecimento.

“Tendo Jesus dito isto, turbou-se em espírito, e afirmou, dizendo: Na verdade, na verdade vos digo que um de vós me há de trair.
Então os discípulos olhavam uns para os outros, sem saber  de quem ele falava.
Ora, um de seus discípulos, aquele a quem Jesus amava, estava reclinado no seio de Jesus.
Então Simão Pedro fez sinal a este, para que perguntasse quem era aquele de quem ele falava.
E, inclinando-se ele sobre o peito de Jesus, disse-lhe: Senhor, quem é?
Jesus respondeu: É aquele a quem eu der o bocado molhado. E, molhando o bocado, o deu a Judas Iscariotes, filho de Simão”. João 13:21-26

Mais uma atitude que Pedro toma demonstrando sua impulsividade. Note que ninguém pergunta a Jesus de quem ele se referia. Porém Pedro pergunta ao discípulo que estava conchegado a Jesus (possivelmente João) fazendo-lhe sinais. É possível imaginar a cena: o discípulo perto de Jesus e Pedro fazendo sinais disfarçadamente para que ele perguntasse a Jesus quem era o discípulo.

Jesus, porém, responde ao discípulo que estava conchegado a ele que demonstraria através do sinal de entregar o pedaço de pão molhado no vinho, mas não responde a Pedro. Daí, duas coisas podemos tirar: 1- a atitude de molhar o pão no vinho e entregar a alguém era um gesto para honrar um visitante na época, alguém importante. E Cristo faz isso com aquele que o trairia. 2- se Pedro soubesse que Judas era o traidor, certamente o mataria ali em seu furor e impulsividade, assim como tentou fazer com um soldado arrancando-lhe a orelha horas depois.

Continuemos:

“E, após o bocado, entrou nele Satanás. Disse, pois, Jesus: O que fazes, faze-o depressa.
E nenhum dos que estavam assentados à mesa compreendeu a que propósito lhe dissera isto”. João 13:27-28

Vejam. Nenhum deles havia entendido. Eles sabiam que Judas trazia as moedas consigo e pensaram que Jesus estava o mandando comprar algo que precisavam ou dar alguma coisa aos pobres. E agora, com os que estavam presentes, Cristo dá um novo mandamento:

“Tendo ele, pois, saído, disse Jesus: Agora é glorificado o Filho do homem, e Deus é glorificado nele.
Se Deus é glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo, e logo o há de glorificar.
Filhinhos, ainda por um pouco estou convosco. Vós me buscareis, mas, como tenho dito aos judeus: Para onde eu vou não podeis vós ir; eu vo-lo digo também agora.
Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis.
Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”. João 13:31-35

Depois disso (adivinhem!) Pedro, mais uma vez, faz questionamentos típicos de quem não tem a compreensão do que Cristo fala. Muitas vezes Deus, através de sua palavra, fala conosco e ao término de tudo dizemos: “mas e isso”? “e aquilo”? 

Não é diferente da atitude que Pedro toma ao fazer o seguinte questionamento: “Disse-lhe Simão Pedro: Senhor, para onde vais? Jesus lhe respondeu: Para onde eu vou não podes agora seguir-me, mas depois me seguirás.
Disse-lhe Pedro: Por que não posso seguir-te agora? Por ti darei a minha vida.
Respondeu-lhe Jesus: Tu darás a tua vida por mim? Na verdade, na verdade te digo que não cantará o galo enquanto não me tiveres negado três vezes”. João 13:36-38.

Em sua insistência em mostrar a sua ‘devoção mais elevada’, Pedro é contrariado pelas palavras de Jesus em todo este episódio. O interessante é que o enfático ensino dado foi sobre humildade. E o ensinamento que podemos tirar desse capítulo é justamente ser um servo humilde. Não querendo fazer demonstrações de nossa intimidade com Deus em detrimento dos outros. Em algum momento dessa passagem vimos aquele discípulo que estava reclinado sobre o peito de Cristo se gloriar nisso? Porém Pedro tentou o fazer.

Que a humildade e o serviço possa ser prática nossa. Pois é ensinamento de Cristo. Não tomemos esse ensinamento pra exercer uma falsa humildade, uma falsa santidade. Não sejamos imitadores das atitudes tomadas por Pedro até essa noite. Mas que possamos compreender aquilo que Cristo realmente disse na noite que precedeu todo o seu sofrimento.

Walisson Alves

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Somos Verdadeiros Discípulos?

“Disse, pois, Jesus, aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sois meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.”   
                                                                                                                                                                     Jo 8:31-32 

   Observando atentamente o discurso do Senhor Jesus nos versos acima, podemos retirar lições importantíssimas para nossas vidas, além de sermos levados a nos questionar se somos verdadeiramente seus discípulos. Para que possamos interpretar de forma fiel o assunto tratado por Ele e compreender o seu objetivo ao usar essas palavras, é interessante observamos o contexto da passagem, a partir de João 8:21 até o verso 30, seguindo abaixo:

Estando na Judeia, Jesus fala aos judeus a respeito da sua morte de forma indireta (v.21), e os líderes daquele povo não compreendem as suas palavras (vs.22-27). Prosseguindo o seu discurso, Jesus deixa claro que os que não crerem nEle morrerão sem perdão dos pecados (v.24). Ele mostra sua dependência do Pai (v.28,29), e ressalta sua deidade quando se intitula de “EU SOU QUEM SOU¹”. Daí em diante, muitos judeus crêem nele (v.30).

A partir de então, entramos nos versos com os quais iniciamos: “Disse, pois, Jesus, aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sois meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” Jo 8:31-32Vamos começar a observar os versículos. Note que há uma linha de raciocínio entre eles. Veja no texto que: Junto à fé (“haviam crido”) tem de vir necessariamente a permanência na Palavra e, por conseguinte, o conhecimento da verdade e a liberdade.

Vejamos como seria se Jesus, nesse discurso, tivesse utilizado algumas negativas em suas frases, apenas invertendo o sentido: Se vós NÃO permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente NÃO sois meus discípulos; e NÃO conhecereis a verdade, e a verdade NÃO vos libertará. Perceba que o crucial nesse discurso de Cristo aos que creram Nele é a Permanência na Palavra, ou em outras palavras, a obediência aos seus ensinamentos. O conhecimento da verdade e a liberdade vêm atrelados a ela. É imprescindível, portanto, que um cristão evidencie essa obediência, visto que ela é intimamente associada à fé genuína, caso contrário, há fortes riscos de o mesmo não ter sido regenerado pelo Espírito Santo, de não ser verdadeiramente discípulo de Cristo, de não ser um verdadeiro cristão. Tenhamos cuidado! Vigiemos!

 A verdade exposta pelo nosso Mestre é que só são discípulos os que permanecem na Palavra. Mas como isso se dá? É possível permanecer na Palavra? A resposta é dura, mas ao mesmo tempo traz conforto aos nossos corações: Para o ser humano é irrevogavelmente impossível. Não podemos viver em obediência à Palavra por nossas próprias forças. Nós só podemos hoje viver como cristãos verdadeiros por causa daquilo que Jesus Cristo fez por nós.

Em 1 Jo 2:3-6, o autor deixa essa verdade ainda mais clara para nós. Veja: “E nisto sabemos que o conhecemos: se guardarmos os seus mandamentos. Aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade. Mas qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Deus está nele verdadeiramente aperfeiçoado; nisto conhecemos que estamos nele. Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou.

 Difícil mesmo para nós é andar como Cristo andou. Todos os dias nos deparamos com situações que nos impulsionam a desobedecer à Palavra, e trava-se uma luta entre o que é abominável e o que é amável aos olhos de Deus. Caímos muitas vezes, mas não podemos desanimar. O fato é que permanecer no erro é caminho de morte. O caminho da vida é estreito, mas não estamos sós, como vemos em 1 Jo 2:1,2: “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo; e ele é a propiciação não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro.”

Joel Beek, na Conferêcia Fiel 2012, palestrou a respeito da segurança da salvação, ou como vimos, sobre a segurança de sermos verdadeiros discípulos de Cristo. Ele disse: O problema é que muitos recebem a Jesus somente como um salvador, porque amam não ir para o inferno ou como um protetor, pois amam a sentir-se seguros, mas não o recebem como Ele realmente é: um Salvador totalmente belo que me salva de todos os meus pecados e que também é o Senhor e o Tesouro supremo de toda a minha vida. Essa é a diferença entre a segurança falsa e verdadeira. Na segurança falsa, a pessoa quer que Jesus o ajude de toda forma, mas a pessoa não deseja mudar – quer tanto Jesus como o mundo. Contudo, a fé verdadeira almeja por mudança; deseja receber a Cristo como Ele realmente é,  tomar sua cruz e segui-lo.

Ter segurança da salvação nos impulsiona a permanecer na Palavra. E permanecer na Palavra é negar a própria vontade, obedecer as instruções de Deus, buscar santidade. É ser moldado pelo caráter divino, é não ter a vida como preciosa, é considerar os desejos desse mundo como abrolho quando comparados ao desejo de agradar ao Pai. Permanecer na Palavra é ter um coração grato pelo sacrifício de Cristo, pela abundante graça derramada,  sabedores de que nada podemos, nada somos e nada temos sem Cristo. Permanecer na Palavra é, portanto,  uma evidência notável de um cristão que teme a Deus e coloca toda a sua esperança Nele e em nada mais.
         
  Apesar de toda nossa fragilidade, de nossas inúmeras falhas, esta é nossa segurança: “Precisamos ter em mente que Deus não perde nenhum daqueles que Ele escolheu, comprou e chamou (Jo 6:39). Ele os preserva e leva seguramente cada um deles ao céu. Ele realiza isso assegurando que cada cristão verdadeiro persevere no caminho de Cristo e continue na fé até o fim. A maravilhosa verdade é que nenhum cristão verdadeiro jamais será perdido”.² Perseveremos em obediência, permaneçamos na Palavra, vivamos como verdadeiros discípulos!

Que Deus continue abençoando sua vida!
                                                             
Letícia Lima

Leitura recomendada: “E quem disse que seria fácil?”. Segue o link: http://ump-da-quarta.blogspot.com.br/2012/11/e-quem-disse-que-seria-facil.html

¹  “EU SOU QUEM SOU” nome que Deus usou sobre si mesmo no Velho Testamento quando falou com Moisés (Êx. 3:14-15). Jesus usa o nome divino “EU SOU QUEM SOU” (Jo 8:24,28; 13:19) para falar sobre si mesmo no Novo Testamento. Cristo diz, em outras palavras, que Ele e o Pai são um, que Ele é Deus (Jo 5:18; 10:30,33; 14:7-11).
²  Benton,  John; Peet, John. As Doutrinas da Graça. São Paulo: Cultura Cristã, 2008. P.89

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

UMP INDICA: Isto é Discipulado!


Antes de ser assunto aos céus, Cristo nos deixou uma importante tarefa de fazer conhecido o Evangelho em todas as nações. Pregando sobre o caráter de um Deus que se ira de toda impureza e pecaminosidade humana, mandando o Salvador para livrar muitos de padecer no inferno.

A forma de levar essa Boa Nova foi deixada pro Cristo através do discipulado. Testemunhando e ensinando das coisas que concernem ao espírito, para que pessoas regeneradas pela graça de Deus ouçam e se voltem dos seus pecados.

Apesar de hoje me dia haver centenas de eventos para fazer a evangelização, a forma de fazê-la coerentemente, é vivendo cotidianamente a palavra que se deve ser pregada. De forma que as pessoas vejam, ouçam e creiam.

O vídeo que hoje trago para indicação é uma pequena animação sobre como o efeito do discipulado pessoal se dá. Fazendo o nome e o reino de Deus conhecido em todas as nações. Portanto, que o Senhor traga em nossa mente que devemos estar sempre testemunhando, pregando e vivendo a palavra de Deus. Pois como disse o irmão Walter McAlister, "estamos sempre pregando. A palavra de Deus ou não"

Assistam o vídeo:

Que Deus os abençoe!

Walisson Alves

segunda-feira, 2 de julho de 2012

UMP Indica: O Discípulo Radical, de Jonh Stott


Tive o grande prazer de ser presenteado por Rodrigo Ribeiro (editor deste blog) com esta obra de John Stott. Não havia outrora aderido à literatura cristã, sendo eu relativamente um novo convertido (Deus converteu meu coração em 2009). E agora deslanchei na leitura cristã, dando o ponta-pé inicial com essa obra do líder anglicano britânico, o qual muitos já conhecem.

John Stott (1921 – 2009) nasceu e viveu em Londres. E desde os oito anos de idade foi encaminhado a um internato. Já em outra escola (Rugby Scholl) teve a oportunidade de ser orientado pelo reverendo Eric Nash no ano de 38, que apresentou a Stott o texto de Apocalipse 3:20 "Eis que estou à porta, e bato: se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele e ele comigo".
Sobre esse trecho de Apocalipse, Stott escreveu:

Aqui, então, é a questão crucial que temos que chegar. Será que já abrimos nossa porta para Cristo? Será que já o convidamos? Essa era exatamente a questão que eu precisava ter colocado para mim. Pois, intelectualmente falando, eu tinha acreditado em Jesus durante toda a minha vida, mas do outro lado da porta. Eu tinha regularmente me esforçado para dizer minhas orações pelo buraco da fechadura. Eu até tinha empurrado tostões por debaixo da porta, em uma vã tentativa de acalmá-lo. Eu havia sido batizado, ia à igreja, lia a Bíblia, tinha altos ideais e tentava ser bom e fazer o bem. Mas o tempo todo, muitas vezes sem perceber, eu estava segurando Cristo no comprimento do braço, mantendo-o fora. Eu sabia que abrir a porta teria conseqüências graves. Estou profundamente grato a ele por permitir-me abrir a porta. Olhando para trás agora em mais de 50 anos, percebo que esse passo simples mudou todo o curso de direção e a qualidade da minha vida.
A obra de John Stott foi reconhecida mundialmente, seu livro mais importante, Cristianismo Básico, vendeu mais de 2 milhões de cópias e já foi traduzida para mais de 60 línguas. E o mesmo foi classificado entre as 100 pessoas mais influentes do mundo.

O LIVRO

É ótimo. Como já falei, Rodrigo não podia ter me presenteado de forma melhor. Tanto é que já indiquei à minha irmã, que leu, e agora minha namorada está lendo. De fato, uma injeção de ânimo na carreira cristã.
O Discípulo Radical trata-se da última Obra de John Stott antes da sua morte. São oito capítulos expondo características de um discípulo de Cristo, ou que um discípulo de Cristo deve ter.

Já na introdução somos surpreendidos pelo autor ao contestar que os seguidores de Cristo são chamados de cristãos apenas três vezes na bíblia. As palavras “cristão” e “discípulo” nos levam a um mesmo pensamento, ou a um mesmo significado físico. Mas o autor nos lança uma pergunta: por que “discípulo radical”? John Stott nos responde claramente: “Existem diferentes níveis de comprometimento na comunidade cristã. O próprio Jesus ilustra isso ao explicar o que aconteceu com as sementes na Parábola do Semeador (Mt 13.3-23). A diferença está no tipo de solo que as recebeu. A semente semeada em solo rochoso ‘não tinha raiz’”.

Os oito capítulos (características) descritos por Stott são inconformismo, semelhança com Cristo, maturidade, cuidado com a criação, simplicidade, equilíbrio, dependência e morte.

Um dado interessante é que em seu último capítulo, do seu último livro escrito, Stott fala sobre a forma que o discípulo radical encara a morte. Fala um pouco sobre o final da carreira e nos chega a parecer uma carta de despedida. E, no ano posterior, John Stott falece em sua velhice.

Esta é uma obra de muito fácil leitura, atual, e recomendadíssima. Fica aqui a indicação da semana e, modestamente, uma das melhores indicações feitas. Para todos, uma boa leitura.

Walisson Alves
@walisson_alves