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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Igrejas na Guerra, apoie-as!

O título desse post pode sugerir uma série de temas referentes à Igreja de Cristo, uma guerra contra o pecado, uma batalha espiritual e etc. Contudo, irei falar sobre a situação de Igrejas que vivem literalmente em meio a guerras. É o caso da Igreja de Cristo no Oriente Médio, em especial na Síria, Palestina, Iraque e mais recentemente, no Egito.

Uma das coisas que mais amo no Cristianismo é que ele não é apenas uma religião local, ligada a algum país ou território físico, mas sim um Reino global composto por pessoas de todas as tribos e nações; o que significa que em todos os lugares do mundo, até mesmo nos mais hostis e remotos do mundo há uma parte da Igreja de Cristo, mesmo que seja apenas um pequeno remanescente fiel... Isso significa que nos lugares onde há guerras há também uma Igreja, a qual além de estar engajada nas lutas comuns a todos os cristãos, também sofre as consequências de uma guerra física, correndo diversos riscos, inclusive a do fim da vida na terra.

Como diz o Irmão André em seu livro "Força da Luz" sobre a Igreja Palestina, o fato de sermos cristãos não nos tira do mundo, nem nos impede de sofrer com os males que o afligem, inclusive as guerras. Assim, segundo ele, é papel da Igreja tentar vencer o mal com o bem como nos ensina as Santas Escrituras, por isso, é de fundamental importância que a Igreja de Cristo esteja presente nos locais em que há guerras, pois Cristo é o único caminho e a solução definitiva para paz. Entretanto, nem sempre é isso o que acontece. Nos últimos anos, com os crescentes conflitos no Oriente Médio, os poucos cristãos que ainda restam na região tem fugido em massa para o Ocidente e com eles a única esperança de paz.

Eu compreendo o quão difícil deve ser a vida em um contexto de guerra, mesmo nunca tendo-o experimentado e por isso não julgo os cristãos do Oriente Médio por emigrarem. Mas o que mais me entristece é saber que nada tem sido para evitar esse êxodo, principalmente por nós, cristãos do Ocidente e até mesmo do Sul. Se os cristãos não se dispõem a socorrer seus irmãos que vivem em contextos de guerra lutando para que eles possam permanecer em suas próprias casas em segurança, como poderemos esperar que a comunidade internacional ou os chefes de Estado o façam? Se como cristãos cremos que Jesus é realmente o Príncipe da Paz e a única solução para os conflitos do Oriente Médio, temos que fazer algo para a ajudar as Igrejas desses locais a permanecerem lá, firmes e fazendo a diferença, sendo uma pequena luz em meio à grande escuridão que os cerca. 


Hoje, em especial, há algumas Igrejas que precisam muito da nossa ajuda. Uma delas é a Igreja na Síria, uma Igreja que durante anos clamou a Deus por um avivamento genuíno e Deus os respondeu com uma guerra civil e inúmeras oportunidades de serem despenseiros do Seu amor em uma sociedade marcada pelo ódio e pela ganância pelo poder. Outras Igreja que está em meio a uma guerra severa e que precisa imensamente do nosso apoio é a Igreja Palestina, em especial na Faixa de Gaza. Além das opressões diárias que essa Igreja sofre por causa do Hamas que governa a região, eles também tem sofrido durante com os ataques israelenses, que tem ocasionado a morte de milhares de civis. Por fim, há também a Igreja do Iraque que nos últimos dias tem sido vítima de um verdadeiro genocídio por parte do grupo terrorista islâmico ISIS. Que não estejamos indiferentes a isso, mas nos levantemos a favor desses cristãos!

Igor Sabino

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Israel, a Palestina e os Cristãos

Nos últimos dias a mídia internacional tem sido inundada de notícias sobre o conflito Israel-Palestina, uma vez que esse tem sido o maior acirramento do conflito desde 2009. As imagens são chocantes, mísseis israelenses invadindo a Faixa de Gaza e gerando inúmeras vítimas civis, sobretudo crianças e mulheres. Daí não falta posts nas redes sociais escritos por cristãos que ou defendem Israel por crerem que esse ainda é o povo de Deus ou aqueles que embora tenham uma teologia correta com relação aos judeus, movidos por boas intenções, creio eu, assumem a posição do lobby pro-Palestina e acusam Israel de ser a praticamente a única manifestação da depravação humana na terra. Tudo isso me entristece profundamente, pois era contra essa ignorância com relação aos judeus que Paulo adverte a Igreja de Roma (Rm 11.25).

Em primeiro lugar é necessário esclarecermos que o atual Estado de Israel não é o cumprimento de profecias bíblicas, mas que foi criado mediante a soberania de Deus sobre a História a fim de cumprir os Seus próprios propósitos, uma vez que Deus é soberano e rege as nações (Sl 2). Isso, portanto, não significa que os cristãos devem apoiar o Estado judeu em todas as suas políticas e ações. Ao contrário, significa que nós como cristãos devemos ver o Estado de Israel como um Estado secular e pecador igual a qualquer outro, reconhecendo os seus erros e combatendo-os, principalmente as suas práticas abusivas que são implantadas contra os palestinos, as quais violam diretamente os seus direitos humanos e vão contra as atribuições estabelecidas por Deus para os Estados (Rm 13).

Um segundo esclarecimento necessário diz respeito à natureza do verdadeiro povo de Deus hoje em dia. Os judeus que hoje existem não são mais o povo de Deus, uma vez que na Nova Aliança através do sacrifício de Jesus na cruz a salvação se estende a todos os povos, de todas as etnias e nações (Is 19.23-25, Mt 28.19, At 2.11, Ap 5. 8-10). Isso pode ser visto claramente no que Paulo diz aos Gálatas, ao afirmar que os verdadeiros filhos de Abraão não são apenas os judeus, mas os eleitos de todas as nações (Gl 3.6-8). Isso significa que o verdadeiro povo de Deus hoje é formado não apenas por judeus, mas também por alemães, palestinos e árabes! Ainda hoje há judeus que se convertem ao Cristianismo ao reconhecer Yeshua (Jesus) como o messias e esses sim é que passam a ser o povo de Deus, mas não os outros judeus que rejeitam a Jesus, como é a grande maioria dos judeus que compõem o atual Estado de Israel.

Tudo isso me faz crer que se o povo de Deus é formado tanto por judeus quanto palestinos, no atual conflito não devemos ficar nem do lado de Israel tão somente, nem do lado dos palestinos como se eles fossem as únicas vítimas da História. Devemos levar em consideração os princípios bíblicos de justiça e ter em mente que no atual conflito, ambas as partes são injustas e cometem atrocidades mútuas, violando assim a Lei de Deus. Isso não significa, contudo, que devamos ser imparciais, até porque isso é impossível, mas sim que devemos ficar ao lado da Igreja, o povo de Deus e para isso precisamos saber onde eles estão e como tudo isso os afeta.

Infelizmente embora seja o berço do Cristianismo, a atual “Terra Santa” é um dos lugares onde há menos cristãos. Os números são bastante inexatos, mas crê-se que apenas 2% de toda a população de Israel e dos territórios palestinos ocupados (Faixa de Gaza e Cisjordânia) sejam cristãos. Isso se dá devido a dois fatores: conflitos na região e perseguição religiosa. A criação do Estado de Israel em 1948 e os conflitos que o seguiram geraram uma grande onda de refugiados palestinos, entre os quais estavam em sua maioria cristãos, fazendo com que a sua presença na região diminuísse significativamente já a partir daí.

A situação, porém, piorou ainda mais após a Segunda Intifada palestina quando a Autoridade Palestina passou a administrar a Cisjordânia e o Hamas a Faixa de Gaza, o que ocasionou o surgimento da perseguição aos cristãos palestinos, os quais passaram a ser identificados diretamente como aliados ao governo israelense e por isso perseguidos. Tal perseguição advém da própria sociedade palestina, majoritariamente muçulmana, mas é de certo modo legitimada pelos governos da Autoridade Palestina e do Hamas. Os abusos sofridos pelos cristãos na região são vários: há conversões forçadas ao Islã, mulheres cristãs sofrem violência por não usarem o véu islâmico, igrejas são bombardeadas e alguns líderes da igreja até mesmo assassinados. Não é à toa que segundo a Missão Portas Abertas, os territórios palestinos são o 34° lugar em uma escala de 50 em que os cristãos mais sofrem perseguição.

Tanto o Hamas quanto a Autoridade Palestina possuem claramente uma agenda islâmica anti-cristã e isso por si só já seria um grande motivo para os cristãos não os apoiá-lo. Mas por outro lado, e quanto a Israel? Israel é a única democracia do Oriente Médio e teoricamente o Estado assegura o direito de liberdade dos cristãos. Lá também é o único lugar do Oriente Médio em que a população cristã ao invés de diminuir tem crescido. Mas isso não significa que os cristãos não são perseguidos em Israel. Lá a perseguição existe sim e é impetrada por grupos de judeus radicais, os quais tem assento no Parlamento israelense e até criaram uma lei que proíbe a pregação do Evangelho em lugares públicos, como em ônibus. Além disso, também há perseguição por parte de setores mais extremistas da sociedade judaica que não aceita que judeus se convertam ao Cristianismo e persegue a pequena, porém crescente, comunidade de judeus messiânicos, os judeus cristãos. Ao mesmo tempo, o governo israelense também dificulta a migração de judeus messiânicos para Israel.

Tudo isso mostra que tanto em Israel quando na Palestina os cristãos sofrem e que ambos os lados cometem graves erros. Isso porque analisei apenas a questão da liberdade religiosa. No atual conflito entre Israel e o Hamas, por exemplo, é verdade que as bombas lançadas por Israel são proibidas pelas convenções internacionais devido aos danos que podem causar em seres humanos, sendo considerado um crime. Mas por outro lado, e quanto aos civis palestinos que são utilizados pelo Hamas como escudos humanos para se defender dos taques israelenses? Assim, qual deve ser a posição de um cristão diante disso tudo? Creio que Paulo nos diz em Romanos 11.25-27:

Irmãos, não quero que ignorem este mistério, para que não se tornem presunçosos: Israel experimentou um endurecimento em parte, até que chegasse a plenitude dos gentios. E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: "Virá de Sião o redentor que desviará de Jacó a impiedade. E esta é a minha aliança com eles quando eu remover os seus pecados".

            Paulo ao escrever aos Romanos os advertiu sobre a sua ignorância e presunção frente aos judeus. Provavelmente estava surgindo na Igreja alguma espécie de anti-semitismo. Talvez pelo fato de que ainda estivesse muito vívida a imagem de que foram os judeus quem mataram Jesus, o que sabemos ter sido apenas uma expressão da vontade de Deus, pois quem matou Jesus foi o próprio Deus. O fato é que infelizmente ao longo da História a Igreja tem sido ignorante com relação aos judeus e tem sido uma das maiores fontes de anti-semitismo. Vemos isso durante o período da Inquisição da Igreja Católica e até mesmo nos escritos de Lutero, o pai da Reforma que tanto admiramos e por quem somos tão gratos a Deus. Lutero, apesar de ter sido um homem muito piedoso e temente a Deus, era falho. Ele não compreendeu o mistério de Israel do qual Paulo fala em Romanos 11 e segundo alguns historiadores foi quem lançou as bases do anti-semitismo de Hitler. Essa mesma onda de anti-semitismo tem voltado a afetar a Igreja de Cristo nos dias atuais, mas com um novo nome: anti-sionismo!

Muitos cristãos fiéis, por crerem nos pressupostos aqui assumidos no início do texto sobre os judeus e ao verem os erros que o atual Estado de Israel tem cometido contra os palestinos acabam assumindo lobby pro-Palestino, o qual não quer simplesmente o fim da ocupação israelense e justiça para os palestinos, mas sim a destruição do Estado de Israel. Soma-se a isso um grande aumento em escala global do extremismo islâmico, que tem como principais alvos cristãos e judeus. Ou seja, se o Estado de Israel deixar de existir hoje, veremos um banho de sangue judeu maior do que o Holocausto. Um vislumbre que podemos ter disso é a perseguição aos cristãos em contextos islâmicos.

Devemos sim, como cristãos lutar por justiça para os palestinos e criticar determinadas ações do Estado judeu, mas não sermos anti-semitas. Digo isso, porque logo alertar a Igreja a não ser arrogante quanto aos judeus, Paulo revela o “mistério de Israel” que consiste no fato de que os judeus serão reconciliados por Deus após a plenitude dos gentios se completar. Isso significa que após o Evangelho do Reino ser pregado a todos os povos (Mt 24.12), haverá um avivamento entre os judeus e um grande número deles será salvo, completando assim o número de eleitos e preparando o caminho para a volta de Cristo. Entretanto, vale salientar que para que a plenitude dos gentios se complete eleitos de todas as nações devem ter ouvido a pregação do Evangelho.

Hoje os povos menos alcançados pelo Evangelho são exatamente aqueles que mais odeiam os judeus: são as diversas etnias árabes e os povos do Oriente Médio que professam o Islã. Os palestinos mesmo são considerados um povo não alcançado pelo Evangelho. O Islã é a última fronteira missionária para o Cristianismo e o Evangelho tem que voltar à Jerusalém, completando assim a plenitude dos gentios para que haja o avivamento entre os judeus e assim a paz seja estabelecida no Oriente Médio. Ou seja, Jesus, o Príncipe da Paz e o Seu Evangelho são a solução para o conflito entre árabes e judeus. O que os dois povos precisam é o Evangelho!

Paulo fala que a conversão dos gentios levará os judeus ao ciúme e assim eles serão novamente enxertados na oliveira, que é Jesus. Por isso, o papel de um cristão diante do conflito Israel-Palestina é orar para que o Evangelho seja pregado entre os árabes. Orar por um avivamento na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. Um cristão de verdade deve amar os palestinos, pois assim estará também amando aos judeus e a Cristo. É por isso que como cristãos devemos tomar o lado da Igreja. Devemos fortalecer a Igreja nos territórios palestinos e em Israel. Devemos nos levantar contras as injustiças cometidas em ambos os lados. Mas acima de tudo devemos pregar o Evangelho a eles. A salvação dos judeus passa pela salvação dos palestinos. A paz na Faixa de Gaza é a paz em Israel e vice-versa.

Uma das coisas que tem me incomodado é perceber como no Oriente Médio muitos vêem no Islã a solução para o conflito e não temem divulgar isso. Aqui no Ocidente, sobretudo na academia, crer-se que ideologias humanistas como o Marxismo é que fará isso. Mas se realmente somos cristãos e cremos que a Bíblia é a palavra de Deus, veremos que é o Evangelho é que é a solução para todos os problemas. Por que, então, tememos afirmar isso?

É por isso que oro a Deus para que os cristãos da minha geração não ignorem o mistério de Israel. Que não cometamos os erros que a Igreja cometeu no passado com relação aos judeus. Que amemos os judeus, mas também amemos os palestinos. Que nos lembremos que a maior injustiça social é a falta de pregação fiel do Evangelho e a maior ocupação é a ocupação espiritual por sofismas e falsas ideologias que se opõem a Cristo. Que uma das nossas demonstrações de amor por Cristo seja amar os judeus e consequentemente os palestinos.

Igor Sabino

Graduando em Relações Internacionais pela UEPB
Facebook: https://www.facebook.com/igorhsabino

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Mais que Vencedores

Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele
que nos amou. ( Rm 8.37)


Sabemos de muitas batalhas que perduraram durante anos. Temos por exemplo, a Guerra dos Cem Anos, como ficou conhecida a disputa entre Ingleses e Franceses no século XIV. Este é o combate mais duradouro relatado pela História. Nós cristãos também participamos de um prolongado conflito, só que espiritual. O seu tempo de duração se estende durante toda a vida do crente neste mundo. O seu objetivo não é outro, senão, vencer.

Diferentemente dos sangrentos conflitos que marcam as guerras entre os seres humanos, nossa luta não é contra o sangue nem a carne (Ef 6.12). Nossos inimigos são espirituais e não usam armas físicas ou químicas para guerrear. É preciso estarmos atentos para resistirmos às investidas dos opositores, que são muitos.

O mais sagaz de todos é o diabo. Ele anda ao derredor dos crentes, procurando tragá-los no momento oportuno. O astuto Satanás não descansa até que tenha alcançado seu propósito de tombar os seguidores de Cristo; a natureza pecaminosa também é um temível opositor do cristão. Na verdade esta é a única batalha em que o guerreiro luta contra si mesmo. Quão tenebroso é saber que o perigo vive mora dentro de nós; ainda existe o Mundo com seu sistema maldito que domina este século. Com seus muitos intentos, tenta abater a fé dos eleitos.  Que terríveis ataques tem de enfrentar os soldados de Cristo.

Os muitos inimigos e as diversas batalhas ora vencidas, ora perdidas trazem exaustão para o valente guerreiro. Nem sempre o crente está forte o suficiente para enfrentar a peleja. É provável que durante sua trajetória ocorra alguma derrota. Os valentes de Deus também podem experimentar momentos de fracasso, como de vários grandes homens da Bíblia: Noé, Abraão, Sansão, Davi... Tropeços, infelizmente acontecerão na caminhada, trazendo muitas angústias para o servo de Deus.

Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo. (1 Co 15.57)

Quem poderá ajudar este pobre aflito, fraco e debilitado, que não aguenta mais lutar? Como vencer esta guerra que não dá tréguas? Qual o cristão que por mais fiel que seja poderia vencer as investidas dos inimigos de sua alma? Será que há algum super crente, forte o bastante para resistir firme até o fim sem o auxílio do seu Senhor? Não há.

Se contássemos com a força do nosso braço, há muito que já teríamos sido totalmente destruídos. Mas graças a Deus, que por intermédio de Cristo nos socorre em tempo oportuno e não permite a nossa derrota. E quando o impiedoso oponente velozmente se aproxima para aplicar o último golpe de espada e sacramentar a nossa derrota, Cristo, o nosso General, intervêm e nos garante a vitória que Ele mesmo já conquistou na cruz do Calvário. Aleluia! Não há nada que possa ameaçar nosso triunfo.

Qual motivação maior precisamos para lutar, senão, esta maravilhosa garantia do Cordeiro:

Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no meu trono. (Ap 3.21)

Ele venceu! O Leão da Tribo de Judá destruiu todos os nossos adversários para que triunfássemos com ele na glória do Pai. Nenhum adversário foi páreo para o Filho de Deus. Não importa quão árdua esteja sendo esta batalha, perseveraremos firmes nesta carreira. Ao findar que logo se aproxima haveremos de receber as honras preparadas para os fiéis combatentes. Sigamos firmes porque já somos mais que vencedores, em Cristo Jesus.


Ericon Fábio

segunda-feira, 1 de julho de 2013

UMP INDICA: Faça Guerra! (John Piper)

A indicação de hoje é um vídeo do Pr. John Piper, que nos faz refletir sobre como devemos guerrear e nos posicionar em meio a um mundo que a palavra ‘violência’ é bastante influente e pesada. Você sabe como guerrear? Ou contra quem guerrear? Tire suas dúvidas e assista a este vídeo!

Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.
Efésios 6:12


Caio Anderson
Facebook: https://www.facebook.com/caio.anderson.10

terça-feira, 7 de maio de 2013

A Guerra pelas Palavras


As palavras são essenciais na comunicação. Nem todos tem aflorado o dom da mímica, de modo que se fossemos depender da linguagem não-verbal, muitos seriam encerrados no cativeiro da ignorância e grandes ideias iriam se perder em meio a gestos não compreendidos. Mas o perigo da dissonância entre a mensagem falada e a recebida também afeta o mundo das palavras, e o problema muitas vezes começa no conceito delas próprias.

Na teologia isto também acontece e não é de hoje. Na época em que eclodiu a reforma protestante, houve uma questão inevitável: qual era a igreja verdadeira? A igreja católica ou as novas igrejas protestantes? Para responder esta pergunta ambos os grupos se valeram das mesmas palavras, fazendo referência aos antigos credos, indicando que teriam as marcas da verdadeira igreja: unidade, universalidade, apostolicidade e disciplina.

Ocorre que enquanto a Igreja Romana afirmava que era universal porque estava, como instituição, em expansão por todo o mundo, e era apostólica porque o papa era o sucessor direto de Pedro, a igreja reformada, afirmava que sua universalidade consistia no fato de que a igreja não se vincula a nenhuma nação ou povo, mas era composta pelos eleitos, de todos os povos, lugares e épocas, e que era apostólica porque tinha como fundamento a doutrina dos apóstolos.

Apesar da confusão semântica os reformadores entenderam a importância destas palavras e não abdicaram de usá-las, lutando para que ficasse revelado o seu correto significado. No entanto esta não é a postura de muitos em nossos dias, pois assim como em vários outros períodos na história da igreja, ensinamentos errados e heréticos tem invadido nossos templos e tem levado ao cativeiro palavras preciosas, mas a nossa postura tem sido diferente dos homens do passado. Temos perdido a partida por W.O. Consentimos com o rapto e assim nos tornamos cúmplices deste delito!

A doutrina da prosperidade se difunde no evangelicalismo brasileiro, e nós simplesmente, a fim de evitar qualquer associação com estes pensamentos, largamos mão desta palavra bíblica, fugindo dela ao máximo, entregando-a de mãos beijadas aos salteadores, esquecendo que ela faz parte da revelação de Deus nas suas escrituras, e por isso não podemos abandoná-la. A verdadeira prosperidade, que é a satisfação em Deus (Salmo 16:11), a alegria com contentamento (1 Tm .6-8), não pode desaparecer de nossos púlpitos. Devemos resgatá-la e proclamá-la sem medo, purificando o conceito e afastando de todo o materialismo mundano. Imagina o desastre que seria se em decorrência da extorsão provocada por homens impiedosos, excluíssemos do nosso meio o dízimo e as ofertas? O pecado de terceiros não nos dá permissão para omitir as verdades da palavra de Deus.

A mesma situação ocorre com palavras como vitória e promessas, que já tão desgastadas e violadas pelo discurso triunfalista barato, de um evangelho antropocêntrico, que visualiza Deus como um grande e poderoso amuleto para obter as benesses materiais e emocionais desejadas. Mas estes desvios não nos autorizam a expulsar de nossos arraiais estas palavras! O cristão é vitorioso em Cristo (1 Co 5:17), aliás é mais do que vencedor (Romanos 8:37), e a sua vitória é maior e melhor que qualquer situação existencial: nossa vitória é escatológica, no final de tudo, venceremos com Cristo ! Esta verdade não pode ser guardada ou evitada, assim como não podemos negligenciar as maravilhosas promessas de Deus que nada tem a ver com profetadas humanas, mas que são verdadeiros mananciais bíblicos de esperança e paz, como por exemplo a maravilhosa promessa que ele estaria conosco até a consumação dos séculos (Mateus 28:20), que todas as coisas cooperam para o nosso bem (Rm 8:28) e que se confessarmos o nosso pecado ele irá nos perdoar (1 João 1:9). Aqueles que desejam promessas menores que esta, feitas apenas por homens, que fiquem com elas, mas não privemos o povo de Deus de ouvir as promessas genuínas e inigualáveis da parte de Deus!

Existem outros casos que podem ser citados, como a equivocada aversão dos recém-convertidos ao calvinismo com a palavra escolha, não percebendo que esta doutrina não anula a decisão do homem, mas afirma que esta sempre será na direção oposta a Deus, se o Espírito não o vivificar. Esta é uma postura que é compreensível quando se trata de neófitos, mas é completamente descabida àqueles que já trilham há muito tempo no percurso das doutrinas da graça. Eis mais um exemplo de palavras que devem ser retirados do exílio.

Enfim, que possamos olhar para o exemplo dos reformadores e de tantos outros cristãos comprometidos com a ortodoxia ao longo da história, que combaterem as heresias, mas que não abandonaram as palavras que o próprio Deus usou, as deixando na boca dos lobos vorazes e dos tolos teológicos. As palavras são importantes, pois é a través dela que o evangelho é proclamado. Resgatemo-nos para Deus, restaurando seu significado real e glorificando nosso Pai sem perder a guerra que começa no dicionário e termina na vida espiritual.

Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd