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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Absalão e as Antigas Estratégias da Política Moderna

Nestes dias que antecedem o pleito para escolha popular dos magistrados em nosso País, são nitidamente observáveis as estratégias de campanha dos candidatos, que se utilizam de diversos meios para conquistar a confiança do povo e lograr êxito nas eleições que se aproximam. Geralmente os candidatos agem de maneira leviana e sem qualquer tipo de pudor e ética. A história Bíblica nos mostra que tais práticas não são recentes. Bem antes mesmo que os cientistas políticos identificassem estas artimanhas eleitoreiras, a Palavra de Deus já revelava os intentos perversos dos homens em busca do “trono”, como ocorreu com Absalão, um dos filhos do rei Davi.

As Escrituras relatam a conspirata por parte de Absalão para com seu pai, afim de usurpar a coroa real e se tornar o líder daquela nação (2 Samuel 15.1-12). Observemos seus artifícios:

Atrair a simpatia do povo: Ciente de que Davi gozava de grande empatia e prestígio por parte dos israelitas, Absalão procurou se aproximar da população. Sua primeira medida foi ir para o corpo a corpo com o povo para furtar o coração do povo. Sua presença diária à porta da Cidade para receber cada um daqueles que buscavam ao rei Davi. Com aparente cordialidade, sutilmente ele foi atraindo a simpatia de seus conterrâneos, e entre abraços e beijos, foi conquistando a lealdade dos homens de Israel. Fato semelhante a este acontece em épocas de campanha eleitoral. É comum nos esbarrarmos em candidatos que estão a cada esquina, cumprimentando e acenando atenciosamente gratuitamente, impulsionados pela busca exacerbada por votos.

Instigar o povo contra o rei: Não demorou muito para que Absalão começasse a provocar na população de Israel um sentimento de indignação em relação ao Rei Davi. O filho usurpador acusava o monarca de dá pouca atenção as demandas trazidas pelos moradores da região. “Então, Absalão lhe dizia: Olha, a tua causa é boa e reta, porém não tens quem te ouça da parte do rei.”. Sua presença diária com o povo, somada as críticas ao atual governo, ao mesmo passo que causava ira, provocava instintivamente o desejo de mudança dentre o povo. Levar o povo a uma reflexão é totalmente legítimo, mas se valer de acusações levianas e infundadas é uma manobra repugnante. O rei Davi, não foi conhecido por ingerência, mas foi um brilhante governante para Israel.

Fazer promessas de melhoria: Mas Absalão não apenas apresentava as falhas do governo de seu pai, mas apresentava-se como o solucionador de tais problemas. As promessas também faziam parte da estratégia para obter o trono real. "Quem me dera ser designado juiz desta terra! Todos os que tivessem uma causa ou uma questão legal viriam a mim, e eu lhe faria justiça", este era o discurso de Absalão, como aquele que seria capaz de resolver as falhas do reinado de Davi. O governo vigente era injusto, mas ele era justo, a administração atual era ausente, mas ele estaria sempre presente assistindo o povo em suas necessidades. Um discurso de esperança.  E a cada quatro anos aparecem messias por todos os lados, se apresentando como real solução para os problemas sociais e econômicos da nação, como Absalão.

Conquistar seguidores: Não demorou muito para que o filho do rei conquistasse um número cada vez crescente de seguidores. A escolta composta de cinquenta homens (v.15) em quatro anos quadruplicou. A conspiração ganhou força, e cresceu o número dos que seguiam Absalão. Ao retornar de Hebrom (2 Sm 15.10), onde se proclamou rei, para dá sua cartada final, já eram duzentos homens. Seus aliados sequer suspeitavam que estavam sendo usados por Absalão para tomar o poder de Davi. Os israelitas foram ingenuamente enganados e participavam ativamente do plano de Absalão. Uma massa alienada a serviço de um político inescrupuloso, este era o cenário de Israel. Uma adesão em massa pode ser letal para qualquer sociedade, quando seus militantes lutam em prol de objetivos particulares de seus comandados em detrimento de melhorias para toda sociedade.

Apesar de toda investida, ao final de sua empreitada, Absalão não logrou êxito. Foi morto no campo de batalha, no “bosque de Efraim”, antes de alcançar o posto tão almejado. Deus preservou o reinado de Davi, para cumprir a aliança que havia estabelecido com seu servo (2 Sm 7.16). Apontando assim para o messias prometido que viria de sua descendência (Ap 5.5), cujo trono, é para todo sempre.

As similaridades das atitudes de Absalão com a dos políticos atuais em busca do poder, principalmente neste período eleitoral, são bastante claras. É certo que a monarquia é totalmente distinta do regime democrático, mas traçando uma paralelo comportamental, só muda o sistema de governa, pois os homens continuam se valendo das mesmas práticas pecaminosas. Independente de formas de governo a luta pelo poder, incorre sempre pelos mesmos córregos mal cheirosos da politicagem. Por trás da disputa legítima pelo magistrado, existem interesses mesquinhos de homens que querem o poder pelo poder. Para estes, os meios justificam os fins. Eles estão dispostos a caluniar, perseguir, usar e furtar o coração do povo. É preciso ter cuidado com os muitos “Absalões” que estão à procura de nosso voto.

Que o Senhor nos dê discernimento em nossas escolhas, para que possamos votar de maneira sábia.

Ericon Fábio

sábado, 30 de agosto de 2014

Porque os Cristãos não podem deixar de Votar? Com a Palavra Joel Beeke

Parece razoável concluir que a maioria dos calvinistas de gerações anteriores teriam achado inconcebível não votar e não acompanhar as notícias políticas do momento.

Estes acontecimentos são obras da providência de Deus; obedecer e corresponder às Suas obras é um elemento básico do viver cristão. O motivo para o envolvimento político é a obediência a Deus e o desejo de serví-lo em cada área de nossa vida.

Como diz Miquéias 6:8: "O que o Senhor pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com seu Deus".

À parte de qualquer bem que nosso envolvimento possa produzir, há mais uma razão fundamental para o envolvimento cívico: isso nos dá a oportunidade de glorificar a Deus na esfera pública. Somos chamados a glorificar a Deus em tudo que fazemos e em todos os aspectos de Sua criação.

Extraído de: bereianos.blogspot.com.br

Ericon Fábio

quinta-feira, 26 de julho de 2012

A política e o legado perdido dos puritanos


Que seja dito de nós, como foi dito nobremente sobre Davi (At 13.36)“Que servimos à nossa geração segundo a vontade de Deus.”

É bem verdade que vivemos em um país tomado pela corrupção, vislumbramos um evidente caos político, dentro e fora dos governos, fora e dentro da “igreja”. Homens miseráveis, aproveitando-se do poder para satisfazerem os seus mais vis desejos pessoais. No entanto, desencorajar qualquer forma de envolvimento cívico significa afastar-se da rica herança reformada.  

Os “evangélicos” foram o segmento religioso que mais cresceu no Brasil no período entre os censos de 2000 e 2010. Segundo os números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2000, os “evangélicos” representavam 15,4% da população. Em 2010, com um aumento de cerca de 16 milhões de pessoas (de 26,2 milhões para 42,3 milhões), chegaram a 22,2%. Em 1991, este percentual era de 9,0% e em 1980, 6,6%. Mas é possível indagar: Qual a força política do pensamento “Cristão” hodierno? Qual a preocupação político-social existe? Qual o receio causado nas autoridades, quando as mesmas violam princípios e valores Bíblicos?

Talvez seja preciso olharmos para trás, mergulharmos um pouco na história dos puritanos, para que nos envergonhemos de nosso “evangelho” atual, percebendo que o “povo de Deus” não foi sempre assim, pois ao contrário do que muitos pensam, o povo do século XVI mudou o seu tempo não só “dentro da igreja”, mas fora dela também.

Os Puritanos foram pensadores sociais e ativistas. Diante da situação da igreja e do estado, até a liberdade de praticar suas convicções especificamente religiosas exigia que eles entrassem na área política. A ação social Puritana era baseada numa teologia do pacto, que requeria das pessoas que buscassem o bem comum da comunidade e que via as boas obras como um ato inevitável de gratidão pela salvação de Deus. Um aspecto da ação social puritana era a preocupação em ajudar os necessitados na sociedade. Sendo principalmente voluntária e pessoal.

A ênfase Puritana na comunidade era compensada por uma preocupação pela liberdade e dignidade de cada indivíduo. Os Puritanos desafiaram o privilegio baseado em posição ou nascimento e encorajaram um espírito de igualdade.

Não é possível refazer a história sem olhar para trás e ver o imenso legado e exemplo deixado pelos reformados, não é possível lutar sem o pleno amor pelo conhecimento tanto das coisas do alto, como das “terrenas”. O povo que revolucionou a Inglaterra com seu pensamento cristão e democrático, lutando bravamente por liberdade na América, influenciando na educação, economia e diversas outras áreas, já não é o mesmo. Mas através de um sonho, é possível sentir o anseio e a saudade, daqueles que mudaram o mundo pela pureza do evangelho.

Quando notamos o presente, por um instante nos oprimimos, mas quando olhamos para o passado, vemos a força do Evangelho mudar uma nação.

Soli Deo Gloria!

Wollney Ribeiro
Igreja Congregacional Zona Sul
Campina Grande PB