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sábado, 4 de outubro de 2014

Quem é o autor da regeneração? Com a Palavra, Heber Campos e Wellerson Duarte

Todas as opera ad extra, isto é, as obras de Deus que terminam na criação, são feitas pelas três Pessoas da Trindade, com exceção apenas da encarnação e morte do Redentor, que é exclusiva da Segunda Pessoa encarnada. De todas as outras obras, como a criação, providência e redenção, as três Pessoas da Trindade participam ativamente, embora haja maior ênfase em uma das pessoas dependendo da obra a ser feita. 

Nenhum grupo genuinamente cristão-evangélico nega que as pessoas da Trindade, e mais particularmente o Espírito Santo, seja o autor da regeneração. Todavia, as diferenças entre eles aparecem quando tratamos da regeneração como um ato exclusivo de Deus, no que os calvinistas são contestados pelos arminianos. Ambos os grupos — calvinista e arminiano — são conhecidos como monergismo e sinergismo, respectivamente. Eles possuem concepções diferentes a respeito da autoria da regeneração. 

Os dois termos — monergismo e sinergismo — possuem obviamente na sua raiz a mesma palavra grega “ergo” que significa uma unidade de trabalho. Os dois termos que se distinguem são “mon” (que significa “um”)e syn (que significa “dois”). Portanto, as palavras por si só se explicam. A primeira significa uma só pessoa trabalha; a segunda significa que duas pessoas trabalham em cooperação. 

A regeneração (assim como o novo nascimento), portanto, é uma obra totalmente monergista. O Espírito Santo trabalha sozinho, e nós somos absolutamente passivos. Somente um trabalha, e este é o Espírito de nosso Deus. Ele simplesmente implanta o princípio vital no pecador e o torna vivo, desperto, ressurreto. Somente respondem à chamada do evangelho aqueles que são tornados vivos pela obra monergista de Deus. O exercício da fé e do arrependimento são conseqüências dessa obra monergista anterior feita por Deus, não a causa dela. Todos os regenerados que vão desfrutar a vida cristã neste mundo certamente responderão em fé e arrependimento.

Excerto da apostila sobre Soteriologia do Curso de Especialização em Estudos Teológicos do Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper

Presb. Cícero da Silva Pereira

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Regeneração: A Carta de Alforria da Alma


Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados. (Ef 2:1)

A carta de alforria era o documento que garantia o direito de liberdade a um escravo, concedida por seu proprietário. A Bíblia descreve o homem comum como um servo do pecado, inclinado às práticas de desobediência a Deus. (Rm 6.16). E o mesmo também permanece subjugado até que lhe seja concedido o atestado de soltura espiritual, concedido exclusivamente pelo Espírito Santo, através da Obra de Cristo (Tt 3:4-6).
A ação atribuída a este ato do Espírito é chamada de Regeneração, ou Novo Nascimento: o meio pelo qual o homem abandona o terrível estado de escravidão que se encontra, tornando-se nova criatura (Jo 3:3-6). Essa transformação não ocorre por livre escolha e desejo do escravizado, pois o mesmo se encontra totalmente incapaz de tomar qualquer decisão desta ordem. Pois a Bíblia é enfática ao afirmar que o homem natural é servo do pecado (Rm 6:17). A raça humana está terrivelmente depravada. Não importa quem sejam, nem o que façam, todos estão aprisionados à sua natureza corrompida (Rm 3.23).

O fato mais curioso é que, diferentemente do escravo comum que deseja adquirir sua liberdade a todo custo. O homem natural não demonstra a mínima insatisfação com sua vida iníqua. Sente-se confortável com as práticas que comete e vive em declarada e espontânea afronta ao Criador (Cl 1:21; Rm 5:10). Ele é como um servo que ao receber Carta de Alforria do seu senhor, ver os portões abertos das senzalas, mas nega-se a ir embora, preferindo permanecer sujeito àquele que lhe aprisionou. Da mesma forma, porta-se o ímpio com relação a sua permanente condição de pecador.

Sendo assim, o homem nem quer, nem pode deixar de ser escravo. Seu estado espiritual é de morte. Portanto, ainda que as portas da prisão estejam escancaradas e suas algemas destrancadas, ele permaneceria inalteravelmente inerte, como todo ser sem vida.

Em meio a tudo isto, surge-nos uma pergunta: Como um indivíduo nesta situação pode de forma autônoma, e espontaneamente, buscar uma mudança, à parte do Espírito, ou mesmo de forma sinérgica? Os defensores do livre-arbítrio cometem um terrível equívoco ao presumir que a criatura pode optar pela liberdade ou não de sua alma. Algo impossível para alguém que está morto, portanto, totalmente incapaz de esboçar alguma atitude que altere sua condição. O mesmo depende indubitavelmente dAquele que sopra onde quer (Jo 3.8).

Portanto, a transformação do homem é obra particular e exclusiva do Espírito Santo. Apenas por seu intermédio o pecador é regenerado, e a partir daí todos os seus atos de arrependimento surgirão em conseqüência à ação realizada pelo Espírito de Deus em seu coração.  Somente através deste agir sobrenatural, o homem pode gozar de plena liberdade espiritual. Por meio privativo do Regenerador, o servo do pecado poderá ver-se livre uma vez por todas da escravidão que assolava sua alma. A carta de alforria é definitiva e quem a concede é Poderoso para libertar o pobre pecador das enegrecidas e sujas prisões da perdição e transportá-lo para o Reino de Deus em total segurança (Cl 1:13) .

Ericon Fábio

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Nascendo do Espírito



“Se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus”
(João 03: 03)


O versículo, transcrito acima, encontra-se no capítulo 03 do livro de João, no qual encontramos o relato do encontro entre Jesus e o fariseu Nicodemos. Muitas pessoas têm abordado esse versículo considerando o ato de nascer de novo, referido por Jesus, como sendo a ação de proferir a aceitação de Jesus Cristo como Salvador. Entretanto, se observarmos essa passagem com mais profundidade, percebemos que ela vai muito além das palavras de homens. 

O ato de nascer de novo implica em uma mudança na forma de pensar e agir. Nascer de novo, “da água e do espírito”, como lemos no versículo 5, requer uma renúncia dos impulsos da natureza humana que nos afastam de Deus. Isso fica mais claro quando, no versículo 06, Jesus esclarece que “o que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito”.  O verbo “nascer” é concebido como “vir à luz”. Ao nascermos, pela primeira vez nos é possível abrir os olhos e contemplar a luz. Quando nascemos da carne, contemplamos a matéria que nos rodeia. No momento em que saímos do ventre, fomos imersos em uma sociedade de valores distorcidos e que exalta o dinheiro, o poder, a fama, a violência, valores que se chocam com aqueles pregados por Jesus, e lembrados pelo apóstolo Paulo em Gálatas 5: 22-23: “Mas  o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio”.
Quando Jesus falou em nascimento do espírito, Ele fez menção ao ato de contemplar a vida pelos olhos espirituais, a partir do renascer de uma nova natureza, proveniente do agir do Espírito Santo, que gera um processo de santificação e de intimidade com as coisas que vem do Alto.  O ato de proferir a aceitação de Cristo, sem nenhuma mudança de atitude, não manifesta verdadeira conversão, pois como se lê em Mateus 7: 21-23:
 “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. / Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? / E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade”.

            É necessário muito mais que palavras. Para nascer do espírito é necessário viver no mundo, situando a nossa vida no centro da vontade de Deus. O homem nascido de novo tem a convicção plena de que as coisas que devem ser valorizadas e buscadas são aquelas que nos aproximam de Deus.  Em Mateus 7: 24 -25 Jesus afirma que:
 “Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha.”

            As adversidades da vida só podem ser superadas quando a base de nossa fé está na palavra de Deus, ou seja, quando conseguimos viver uma vida santificada, a tal ponto que o alicerce dela é o próprio Jesus. E esse processo de santificação somente é possível com o agir do Espírito Santo em nossa vida. Como lê-se em Gálatas 5:17:

“Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer”.

O mundo é muito atrativo, tanto quanto ilusório. As alegrias por ele oferecidas são tão volúveis quanto volúvel é o tempo, mas muitos, malogrados por tantas facilidades, entram em caminhos tortuosos. O caminho que leva ao Senhor, ao contrário, é um caminho de abnegação: de si, de seus desejos, de suas vontades. Nascer do espírito é colocar-se inteiramente e incondicionalmente nas mãos de Jesus, como vemos em Lucas 9: 23-24:

“Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me. / Porque, qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida, a salvará”.


            Nascer do espírito, muito além de palavras, consiste em abrir os olhos e enxergar o mundo como ele é: transitório. Também é compreender que fomos criados para “
as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Efésios 2:10). Fomos criados para termos vida e vida em abundância que só é possível em Jesus, nascendo do espírito.

Andrea Grace
@andreagrace_

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Um Encontro com Jesus


 Em seu ministério terreno, Cristo proporcionou encontros profundos com muitas pessoas. Aos discípulos, chamou um por um. A Zaqueu fez-se hóspede em sua casa e dono de seu coração. Curou o fluxo de sangue daquela mulher doente já fazia doze anos. Deixou o jovem rico frustrado ao entender que o reino e Deus não se tratava nem de riquezas nem de legalismo. Foram muitos, e cada um com seu objetivo e com sua peculiaridade. A do encontro de Cristo com o cego em Betsaida (casa de pesca) é o fato de se tratar do único milagre de Jesus realizado em duas etapas. Não sabemos o porquê Jesus ter agido dessa maneira, mas podemos tirar algumas lições valiosíssimas para nossas vidas atentando para este encontro.

1 – TUDO COMEÇA COM UM ENCONTRO

No versículo 22 e no início do 23 é relatado como esse homem chegou até Cristo. Ele foi levado até Jesus. Isto ressalta o fato da importância de pregarmos o evangelho e rogarmos pelas almas sem Cristo. A atitude de Cristo é que me chama atenção. Aquele cego foi levado a Cristo, mas o seu confronto com Cristo é pessoal. Cristo dirige-se a cada um de nós individualmente.

2 – JESUS NOS RECOBRA A VISÃO

            Uma vez encontrando-se com o Salvador é impossível vermos as coisas da mesma maneira, pois nossa cegueira espiritual é tirada. As coisas de Deus são desvendadas aos nossos olhos e a nossa condição de pecador miserável nos é desvendada e a certeza da impossibilidade de voltarmos a Deus por nossos próprios méritos. A loucura torna-se sabedoria, a maldição é substituída pela bênção, a morte pela vida, e então, por meio do Espírito Santo, Deus inicia em nossas vidas o processo de santificação. Logo após ter passado saliva nos olhos do homem, Cristo perguntou se ele já podia enxergar alguma coisa. No início do versículo vinte e quatro, o tempo verbal é o gerúndio (recobrando). Ou seja, é algo que está ocorrendo. A cura estava se dando processualmente. E é exatamente isso que o Senhor faz após abrir nossos olhos, ele continua nos curando.

3 – JESUS APRIMORA A NOSSA VISÃO

            Após aquele cego informar que estava vendo os homens, mas como árvores (fato que indica que ele já vira antes e não era cego de nascença), têm seus olhos novamente tocados por Jesus, passando agora a distinguir perfeitamente o que via, como relata o versículo vinte e cinco. Ou seja, houve um aprimoramento da visão. E isto a busca da santificação proporciona, pois um mergulho na palavra de Deus nos faz ouvir e entender cada vez mais a voz do Senhor; uma vida de oração nos conscientiza cada vez mais da necessidade de uma vida piedosa e que busque, em tudo, a glória de Deus.

4 – CRISTO NOS COMISSIONA

            Após curar completamente aquele homem, o Senhor recomenda-o não voltar para a aldeia. É possível que mais uma vez Jesus estivesse se referindo a que não se alardeasse sobre seus feitos, como já tinha feito anteriormente em várias ouras curas. Não foi obedecido em nenhuma. Pelo simples fato de que é impossível ter um encontro real com Jesus e ficar calado quanto a isso. Vejamos o caso específico dos discípulos. Primeiro, ele vai ao encontro de cada um, chamando-os pra serem feitos pescadores de homens (Mt. 4.18-22). Após três anos, aprimorando-lhes a visão através de ensinos (parábolas) e exemplos (vida de oração; lava-pés), ele dá a ordem para se pregar o evangelho e fazer discípulos de todas as nações (Mt. 28. 18-20). Ordem essa que extrapola o limite dos apóstolos e aplica-se a todo crente. Quanto ao chamado, aplica-se a todo ser humano. Mas há aqueles que Cristo tomará pela mão.

5 – CONCLUSÃO

            A vida que Cristo nos dá é maravilhosa, pois ele nos toma pela mão, abre nossa visão, aprimora essa visão, nos leva a pregar essa palavra e nos dá o Espírito Santo e a certeza de sua presença sempre conosco. Isto é, mais uma vez ele mostra que nada podemos fazer sem ele, razão pela qual devemos buscá-lo incessantemente. E que nada podemos fazer para achegar-se a ele, pois tudo já foi feito na cruz do Calvário.



 Presb. Cícero Pereira
@ciceroeiris