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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Absalão e as Antigas Estratégias da Política Moderna

Nestes dias que antecedem o pleito para escolha popular dos magistrados em nosso País, são nitidamente observáveis as estratégias de campanha dos candidatos, que se utilizam de diversos meios para conquistar a confiança do povo e lograr êxito nas eleições que se aproximam. Geralmente os candidatos agem de maneira leviana e sem qualquer tipo de pudor e ética. A história Bíblica nos mostra que tais práticas não são recentes. Bem antes mesmo que os cientistas políticos identificassem estas artimanhas eleitoreiras, a Palavra de Deus já revelava os intentos perversos dos homens em busca do “trono”, como ocorreu com Absalão, um dos filhos do rei Davi.

As Escrituras relatam a conspirata por parte de Absalão para com seu pai, afim de usurpar a coroa real e se tornar o líder daquela nação (2 Samuel 15.1-12). Observemos seus artifícios:

Atrair a simpatia do povo: Ciente de que Davi gozava de grande empatia e prestígio por parte dos israelitas, Absalão procurou se aproximar da população. Sua primeira medida foi ir para o corpo a corpo com o povo para furtar o coração do povo. Sua presença diária à porta da Cidade para receber cada um daqueles que buscavam ao rei Davi. Com aparente cordialidade, sutilmente ele foi atraindo a simpatia de seus conterrâneos, e entre abraços e beijos, foi conquistando a lealdade dos homens de Israel. Fato semelhante a este acontece em épocas de campanha eleitoral. É comum nos esbarrarmos em candidatos que estão a cada esquina, cumprimentando e acenando atenciosamente gratuitamente, impulsionados pela busca exacerbada por votos.

Instigar o povo contra o rei: Não demorou muito para que Absalão começasse a provocar na população de Israel um sentimento de indignação em relação ao Rei Davi. O filho usurpador acusava o monarca de dá pouca atenção as demandas trazidas pelos moradores da região. “Então, Absalão lhe dizia: Olha, a tua causa é boa e reta, porém não tens quem te ouça da parte do rei.”. Sua presença diária com o povo, somada as críticas ao atual governo, ao mesmo passo que causava ira, provocava instintivamente o desejo de mudança dentre o povo. Levar o povo a uma reflexão é totalmente legítimo, mas se valer de acusações levianas e infundadas é uma manobra repugnante. O rei Davi, não foi conhecido por ingerência, mas foi um brilhante governante para Israel.

Fazer promessas de melhoria: Mas Absalão não apenas apresentava as falhas do governo de seu pai, mas apresentava-se como o solucionador de tais problemas. As promessas também faziam parte da estratégia para obter o trono real. "Quem me dera ser designado juiz desta terra! Todos os que tivessem uma causa ou uma questão legal viriam a mim, e eu lhe faria justiça", este era o discurso de Absalão, como aquele que seria capaz de resolver as falhas do reinado de Davi. O governo vigente era injusto, mas ele era justo, a administração atual era ausente, mas ele estaria sempre presente assistindo o povo em suas necessidades. Um discurso de esperança.  E a cada quatro anos aparecem messias por todos os lados, se apresentando como real solução para os problemas sociais e econômicos da nação, como Absalão.

Conquistar seguidores: Não demorou muito para que o filho do rei conquistasse um número cada vez crescente de seguidores. A escolta composta de cinquenta homens (v.15) em quatro anos quadruplicou. A conspiração ganhou força, e cresceu o número dos que seguiam Absalão. Ao retornar de Hebrom (2 Sm 15.10), onde se proclamou rei, para dá sua cartada final, já eram duzentos homens. Seus aliados sequer suspeitavam que estavam sendo usados por Absalão para tomar o poder de Davi. Os israelitas foram ingenuamente enganados e participavam ativamente do plano de Absalão. Uma massa alienada a serviço de um político inescrupuloso, este era o cenário de Israel. Uma adesão em massa pode ser letal para qualquer sociedade, quando seus militantes lutam em prol de objetivos particulares de seus comandados em detrimento de melhorias para toda sociedade.

Apesar de toda investida, ao final de sua empreitada, Absalão não logrou êxito. Foi morto no campo de batalha, no “bosque de Efraim”, antes de alcançar o posto tão almejado. Deus preservou o reinado de Davi, para cumprir a aliança que havia estabelecido com seu servo (2 Sm 7.16). Apontando assim para o messias prometido que viria de sua descendência (Ap 5.5), cujo trono, é para todo sempre.

As similaridades das atitudes de Absalão com a dos políticos atuais em busca do poder, principalmente neste período eleitoral, são bastante claras. É certo que a monarquia é totalmente distinta do regime democrático, mas traçando uma paralelo comportamental, só muda o sistema de governa, pois os homens continuam se valendo das mesmas práticas pecaminosas. Independente de formas de governo a luta pelo poder, incorre sempre pelos mesmos córregos mal cheirosos da politicagem. Por trás da disputa legítima pelo magistrado, existem interesses mesquinhos de homens que querem o poder pelo poder. Para estes, os meios justificam os fins. Eles estão dispostos a caluniar, perseguir, usar e furtar o coração do povo. É preciso ter cuidado com os muitos “Absalões” que estão à procura de nosso voto.

Que o Senhor nos dê discernimento em nossas escolhas, para que possamos votar de maneira sábia.

Ericon Fábio

sábado, 30 de agosto de 2014

Porque os Cristãos não podem deixar de Votar? Com a Palavra Joel Beeke

Parece razoável concluir que a maioria dos calvinistas de gerações anteriores teriam achado inconcebível não votar e não acompanhar as notícias políticas do momento.

Estes acontecimentos são obras da providência de Deus; obedecer e corresponder às Suas obras é um elemento básico do viver cristão. O motivo para o envolvimento político é a obediência a Deus e o desejo de serví-lo em cada área de nossa vida.

Como diz Miquéias 6:8: "O que o Senhor pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com seu Deus".

À parte de qualquer bem que nosso envolvimento possa produzir, há mais uma razão fundamental para o envolvimento cívico: isso nos dá a oportunidade de glorificar a Deus na esfera pública. Somos chamados a glorificar a Deus em tudo que fazemos e em todos os aspectos de Sua criação.

Extraído de: bereianos.blogspot.com.br

Ericon Fábio

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Israel, a Palestina e os Cristãos

Nos últimos dias a mídia internacional tem sido inundada de notícias sobre o conflito Israel-Palestina, uma vez que esse tem sido o maior acirramento do conflito desde 2009. As imagens são chocantes, mísseis israelenses invadindo a Faixa de Gaza e gerando inúmeras vítimas civis, sobretudo crianças e mulheres. Daí não falta posts nas redes sociais escritos por cristãos que ou defendem Israel por crerem que esse ainda é o povo de Deus ou aqueles que embora tenham uma teologia correta com relação aos judeus, movidos por boas intenções, creio eu, assumem a posição do lobby pro-Palestina e acusam Israel de ser a praticamente a única manifestação da depravação humana na terra. Tudo isso me entristece profundamente, pois era contra essa ignorância com relação aos judeus que Paulo adverte a Igreja de Roma (Rm 11.25).

Em primeiro lugar é necessário esclarecermos que o atual Estado de Israel não é o cumprimento de profecias bíblicas, mas que foi criado mediante a soberania de Deus sobre a História a fim de cumprir os Seus próprios propósitos, uma vez que Deus é soberano e rege as nações (Sl 2). Isso, portanto, não significa que os cristãos devem apoiar o Estado judeu em todas as suas políticas e ações. Ao contrário, significa que nós como cristãos devemos ver o Estado de Israel como um Estado secular e pecador igual a qualquer outro, reconhecendo os seus erros e combatendo-os, principalmente as suas práticas abusivas que são implantadas contra os palestinos, as quais violam diretamente os seus direitos humanos e vão contra as atribuições estabelecidas por Deus para os Estados (Rm 13).

Um segundo esclarecimento necessário diz respeito à natureza do verdadeiro povo de Deus hoje em dia. Os judeus que hoje existem não são mais o povo de Deus, uma vez que na Nova Aliança através do sacrifício de Jesus na cruz a salvação se estende a todos os povos, de todas as etnias e nações (Is 19.23-25, Mt 28.19, At 2.11, Ap 5. 8-10). Isso pode ser visto claramente no que Paulo diz aos Gálatas, ao afirmar que os verdadeiros filhos de Abraão não são apenas os judeus, mas os eleitos de todas as nações (Gl 3.6-8). Isso significa que o verdadeiro povo de Deus hoje é formado não apenas por judeus, mas também por alemães, palestinos e árabes! Ainda hoje há judeus que se convertem ao Cristianismo ao reconhecer Yeshua (Jesus) como o messias e esses sim é que passam a ser o povo de Deus, mas não os outros judeus que rejeitam a Jesus, como é a grande maioria dos judeus que compõem o atual Estado de Israel.

Tudo isso me faz crer que se o povo de Deus é formado tanto por judeus quanto palestinos, no atual conflito não devemos ficar nem do lado de Israel tão somente, nem do lado dos palestinos como se eles fossem as únicas vítimas da História. Devemos levar em consideração os princípios bíblicos de justiça e ter em mente que no atual conflito, ambas as partes são injustas e cometem atrocidades mútuas, violando assim a Lei de Deus. Isso não significa, contudo, que devamos ser imparciais, até porque isso é impossível, mas sim que devemos ficar ao lado da Igreja, o povo de Deus e para isso precisamos saber onde eles estão e como tudo isso os afeta.

Infelizmente embora seja o berço do Cristianismo, a atual “Terra Santa” é um dos lugares onde há menos cristãos. Os números são bastante inexatos, mas crê-se que apenas 2% de toda a população de Israel e dos territórios palestinos ocupados (Faixa de Gaza e Cisjordânia) sejam cristãos. Isso se dá devido a dois fatores: conflitos na região e perseguição religiosa. A criação do Estado de Israel em 1948 e os conflitos que o seguiram geraram uma grande onda de refugiados palestinos, entre os quais estavam em sua maioria cristãos, fazendo com que a sua presença na região diminuísse significativamente já a partir daí.

A situação, porém, piorou ainda mais após a Segunda Intifada palestina quando a Autoridade Palestina passou a administrar a Cisjordânia e o Hamas a Faixa de Gaza, o que ocasionou o surgimento da perseguição aos cristãos palestinos, os quais passaram a ser identificados diretamente como aliados ao governo israelense e por isso perseguidos. Tal perseguição advém da própria sociedade palestina, majoritariamente muçulmana, mas é de certo modo legitimada pelos governos da Autoridade Palestina e do Hamas. Os abusos sofridos pelos cristãos na região são vários: há conversões forçadas ao Islã, mulheres cristãs sofrem violência por não usarem o véu islâmico, igrejas são bombardeadas e alguns líderes da igreja até mesmo assassinados. Não é à toa que segundo a Missão Portas Abertas, os territórios palestinos são o 34° lugar em uma escala de 50 em que os cristãos mais sofrem perseguição.

Tanto o Hamas quanto a Autoridade Palestina possuem claramente uma agenda islâmica anti-cristã e isso por si só já seria um grande motivo para os cristãos não os apoiá-lo. Mas por outro lado, e quanto a Israel? Israel é a única democracia do Oriente Médio e teoricamente o Estado assegura o direito de liberdade dos cristãos. Lá também é o único lugar do Oriente Médio em que a população cristã ao invés de diminuir tem crescido. Mas isso não significa que os cristãos não são perseguidos em Israel. Lá a perseguição existe sim e é impetrada por grupos de judeus radicais, os quais tem assento no Parlamento israelense e até criaram uma lei que proíbe a pregação do Evangelho em lugares públicos, como em ônibus. Além disso, também há perseguição por parte de setores mais extremistas da sociedade judaica que não aceita que judeus se convertam ao Cristianismo e persegue a pequena, porém crescente, comunidade de judeus messiânicos, os judeus cristãos. Ao mesmo tempo, o governo israelense também dificulta a migração de judeus messiânicos para Israel.

Tudo isso mostra que tanto em Israel quando na Palestina os cristãos sofrem e que ambos os lados cometem graves erros. Isso porque analisei apenas a questão da liberdade religiosa. No atual conflito entre Israel e o Hamas, por exemplo, é verdade que as bombas lançadas por Israel são proibidas pelas convenções internacionais devido aos danos que podem causar em seres humanos, sendo considerado um crime. Mas por outro lado, e quanto aos civis palestinos que são utilizados pelo Hamas como escudos humanos para se defender dos taques israelenses? Assim, qual deve ser a posição de um cristão diante disso tudo? Creio que Paulo nos diz em Romanos 11.25-27:

Irmãos, não quero que ignorem este mistério, para que não se tornem presunçosos: Israel experimentou um endurecimento em parte, até que chegasse a plenitude dos gentios. E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: "Virá de Sião o redentor que desviará de Jacó a impiedade. E esta é a minha aliança com eles quando eu remover os seus pecados".

            Paulo ao escrever aos Romanos os advertiu sobre a sua ignorância e presunção frente aos judeus. Provavelmente estava surgindo na Igreja alguma espécie de anti-semitismo. Talvez pelo fato de que ainda estivesse muito vívida a imagem de que foram os judeus quem mataram Jesus, o que sabemos ter sido apenas uma expressão da vontade de Deus, pois quem matou Jesus foi o próprio Deus. O fato é que infelizmente ao longo da História a Igreja tem sido ignorante com relação aos judeus e tem sido uma das maiores fontes de anti-semitismo. Vemos isso durante o período da Inquisição da Igreja Católica e até mesmo nos escritos de Lutero, o pai da Reforma que tanto admiramos e por quem somos tão gratos a Deus. Lutero, apesar de ter sido um homem muito piedoso e temente a Deus, era falho. Ele não compreendeu o mistério de Israel do qual Paulo fala em Romanos 11 e segundo alguns historiadores foi quem lançou as bases do anti-semitismo de Hitler. Essa mesma onda de anti-semitismo tem voltado a afetar a Igreja de Cristo nos dias atuais, mas com um novo nome: anti-sionismo!

Muitos cristãos fiéis, por crerem nos pressupostos aqui assumidos no início do texto sobre os judeus e ao verem os erros que o atual Estado de Israel tem cometido contra os palestinos acabam assumindo lobby pro-Palestino, o qual não quer simplesmente o fim da ocupação israelense e justiça para os palestinos, mas sim a destruição do Estado de Israel. Soma-se a isso um grande aumento em escala global do extremismo islâmico, que tem como principais alvos cristãos e judeus. Ou seja, se o Estado de Israel deixar de existir hoje, veremos um banho de sangue judeu maior do que o Holocausto. Um vislumbre que podemos ter disso é a perseguição aos cristãos em contextos islâmicos.

Devemos sim, como cristãos lutar por justiça para os palestinos e criticar determinadas ações do Estado judeu, mas não sermos anti-semitas. Digo isso, porque logo alertar a Igreja a não ser arrogante quanto aos judeus, Paulo revela o “mistério de Israel” que consiste no fato de que os judeus serão reconciliados por Deus após a plenitude dos gentios se completar. Isso significa que após o Evangelho do Reino ser pregado a todos os povos (Mt 24.12), haverá um avivamento entre os judeus e um grande número deles será salvo, completando assim o número de eleitos e preparando o caminho para a volta de Cristo. Entretanto, vale salientar que para que a plenitude dos gentios se complete eleitos de todas as nações devem ter ouvido a pregação do Evangelho.

Hoje os povos menos alcançados pelo Evangelho são exatamente aqueles que mais odeiam os judeus: são as diversas etnias árabes e os povos do Oriente Médio que professam o Islã. Os palestinos mesmo são considerados um povo não alcançado pelo Evangelho. O Islã é a última fronteira missionária para o Cristianismo e o Evangelho tem que voltar à Jerusalém, completando assim a plenitude dos gentios para que haja o avivamento entre os judeus e assim a paz seja estabelecida no Oriente Médio. Ou seja, Jesus, o Príncipe da Paz e o Seu Evangelho são a solução para o conflito entre árabes e judeus. O que os dois povos precisam é o Evangelho!

Paulo fala que a conversão dos gentios levará os judeus ao ciúme e assim eles serão novamente enxertados na oliveira, que é Jesus. Por isso, o papel de um cristão diante do conflito Israel-Palestina é orar para que o Evangelho seja pregado entre os árabes. Orar por um avivamento na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. Um cristão de verdade deve amar os palestinos, pois assim estará também amando aos judeus e a Cristo. É por isso que como cristãos devemos tomar o lado da Igreja. Devemos fortalecer a Igreja nos territórios palestinos e em Israel. Devemos nos levantar contras as injustiças cometidas em ambos os lados. Mas acima de tudo devemos pregar o Evangelho a eles. A salvação dos judeus passa pela salvação dos palestinos. A paz na Faixa de Gaza é a paz em Israel e vice-versa.

Uma das coisas que tem me incomodado é perceber como no Oriente Médio muitos vêem no Islã a solução para o conflito e não temem divulgar isso. Aqui no Ocidente, sobretudo na academia, crer-se que ideologias humanistas como o Marxismo é que fará isso. Mas se realmente somos cristãos e cremos que a Bíblia é a palavra de Deus, veremos que é o Evangelho é que é a solução para todos os problemas. Por que, então, tememos afirmar isso?

É por isso que oro a Deus para que os cristãos da minha geração não ignorem o mistério de Israel. Que não cometamos os erros que a Igreja cometeu no passado com relação aos judeus. Que amemos os judeus, mas também amemos os palestinos. Que nos lembremos que a maior injustiça social é a falta de pregação fiel do Evangelho e a maior ocupação é a ocupação espiritual por sofismas e falsas ideologias que se opõem a Cristo. Que uma das nossas demonstrações de amor por Cristo seja amar os judeus e consequentemente os palestinos.

Igor Sabino

Graduando em Relações Internacionais pela UEPB
Facebook: https://www.facebook.com/igorhsabino

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Reflexões Oportunas para um Gigante que Acabou de Acordar

“Quando, porém, vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá
(1 Coríntios 13.10)

 Em meio a tantas manifestações no nosso País, surgem vários sociólogos para problematizar o que está acontecendo, filósofos para defender o livre pensamento, economistas para analisar a relação das manifestações com a crise econômica, e várias bandeiras são defendidas no meio destes movimentos. Devido a uma enorme diversidade de questões levantadas, há uma grande dificuldade para definir qual a proposta do movimento. Sabemos como começou. A primeira bandeira levantada foi a indignação com o aumento de 0,20 centavos na passagem dos ônibus.  Porem hoje este movimento ganhou projeções muito maiores, e a passagem de ônibus já virou uma gota dentro de um oceano de reivindicações feitas por um povo incontrolável e indignado.

Ao analisar todo esse movimento, vejo que o clamor desses manifestantes, em minha opinião, é pela restauração e reestruturação da classe política, que segundo eles é o âmago do problema. Mas sendo sinceros com nós mesmos, vemos que os problemas éticos e morais em nossa sociedade não começam lá em Brasília, mas em nosso coração que na Bíblia é chamado de “Desesperadamente corrupto” (Jr 17.9). O gigante acordou, mas ainda precisa abrir os olhos e ver que a raiz do problema não está no governo, ou no próximo, mas em nós mesmos!

E para chegarmos a soluções práticas, precisamos identificar a raiz do problema. Se o problema está no governo atual, uma simples troca de poderes, e cassação de alguns políticos irá resolvê-lo. Mas nem eu, nem o povo acreditamos nesta utopia. Se o problema está no processo eleitoral viciado, que não apresenta como opções elegíveis os governantes que realmente governariam bem nosso País, podemos tentar forçar uma candidatura de um desses líderes de movimento nas próximas eleições e elegê-lo com nossos votos. Mas provavelmente isso é o que uma grande parte das pessoas que estão à frente das manifestações deseja, e ao assumirem o poder irão aderir ao sistema enganando todo o povo que o elegeu. (É válido lembrar-nos do Ex-presidente da República, e tudo o que ele defendia antes de assumir o poder). Se o problema está no sistema Democrático, podemos tentar um golpe de estado e eleger um governante do nosso povo. Mas isso já aconteceu, e não deu muito certo. (Digamos que a probabilidade deste representante se tornar um ditador tirano é de 99%).

Porém o problema está ao mesmo tempo em todas estas coisas. Como assim? O problema está intrínseco em todas as nossas ações, sistemas, pensamentos, decisões e etc. O nome desse problema é: PECADO! E identificar este problema nos traz uma nova visão de como resolvê-lo. Simplesmente não temos a condição em nós mesmos de solucionar esta questão. Não há sociólogos, filósofos, economistas, administradores, por mais eficientes que sejam, que possam solucionar o problema do pecado. Mas há alguém que pode, ou melhor, já o fez! O gigante acordou, mas antes de se levantar ele precisa se humilhar, cair de boca no pó, reconhecer que sua natureza é corrupta, e que não há chance de mudança partindo de sua própria força!

Jesus Cristo é a solução para todos os nossos problemas sociais, existenciais, morais, éticos etc. Ele é o único que conhece e esquadrinha o nosso coração, quando nem nós mesmos conseguimos desvendá-lo. Quando nós nos despimos das nossas próprias forças e nos lançamos aos seus pés, Ele pela sua maravilhosa graça substitui nosso coração de pedra, corrupto, enganador e etc. e nos dá um novo coração, de carne, sensível aos seus mandamentos e ordenanças e capacitado para exercer os frutos do espírito (Ez 11).  A sociedade perfeita é a que reconhece Cristo como Senhor, e o povo como escravos dEle. Nesta sociedade sem pecado não há sofrimento, nem morte, nem dor. A alegria é plena e eterna (Ap 21.4).

Este reino existe, mas ainda não podemos desfrutar dele integralmente, mas podemos e devemos propagar seus valores em nossa sociedade, pois mesmo agora, podemos experimentar do que é uma nação abençoada por Deus, mesmo que não por completo. Quanto mais a nação se afasta do Senhorio de Cristo, mais miserável e insuportável ela se torna, pois o salário do pecado é a morte (Rm 6.23). No entanto quanto mais próxima à nação estiver da Palavra de Deus, mais prospera ela será, e melhor de se viver (Sm 33.12). Entretanto nada será comparado aos “novos céus e nova terra”, onde tudo será perfeito.

Que vivamos nesta esperança da volta do nosso Rei, que reinará com toda autoridade e justiça. Onde a alegria de Seu povo será plena e eterna. O gigante acordou, mas que ele saiba que antes de gritar: “FORA DILMA!” Ele deveria estar clamando: “MARANATA! VOLTA LOGO SENHOR JESUS!”.


Guilherme Barros

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

UMP INDICA: Calvino e a responsabilidade social da Igreja (Augustus Nicodemus)


Qual a responsabilidade pública da igreja? Elas se resumem a pregação do evangelho? Nesta brilhante palestra proferida no Congresso Internacional de Teologia, Religião e Igreja, promovida pela Mackenzie, o Chanceler da daquela instituição, Dr. Augustus Nicodemus, nos apresenta de forma simples e contundente a visão que o reformador João Calvino tinha sobre o papel social da igreja.

Está é uma reflexão oportuna e indispensável para toda a igreja, que compreende o seu papel de forma ampla e deseja refletir a glória de Deus em todas áreas, assim como a supremacia de Cristo, em todas as esferas da vida humana.

Nesta palestra será possível refletir sobre o papel didático da igreja, no tocante às questões sociais e econômicas, assim como seu papel político, de orar pelas autoridades, advertir estas autoridades quando cometerem erros, promoverem a injustiça ou serem omissas com relações aos que as promovem, e tomar a defesa dos pobres contra os ricos que os exploram. Neste sentido, Augustus ainda comenta alguns assuntos delicados da bibliografia do reformador francês, ao citar o caso de morte de Servetus, dentro da visão político do estado em Calvino.

Além destas atividades, ainda cita-se a responsabilidade da igreja propriamente dita, de modo que o reformador entendia que a igreja deveria suprir a carência das atividades estatais e também atuar diretamente na assistência social, com especial destaque a função do diaconato nesta missão social da igreja. E por fim, é importante ressaltar que a além de todo este rico arcabouço teórico, Nicodemus ainda cita as ações práticas de Calvino, como forma de atestar a veracidade de sua crença no papel social da igreja.

Não podemos fugir desta reflexão, por isso recomendo este vídeo a todos os cristãos, de todas as idades, e de todas as vocações.

OBS: Também é bastante edificante o momento final da palestra reservada às perguntas, onde são levantadas questões muito interessantes para compreender nossa relação com a política e o estado.


Aqui está o link da palestra. Deus os abençoe:


Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Estão julgando o Mensalão. E eu com isso?


Desde o mês de Agosto, o julgamento da ação penal 470, que tramita no Superior Tribunal Federal, vem causando bastante repercussão. Isto se deu a partir de uma ampla divulgação de todos os atos deste julgamento, que trata do que se convencionou chamar do caso “mensalão”, grande escândalo político que eclodiu entre os anos 2005 e 2006, no governo do presidente Lula, do Partido dos Trabalhadores. Diante da amplitude deste fato jurídico-político, muitos se envolvem, procuram debater o assunto e participar deste momento histórico, mas outros ficam alheios a isto tudo, como se estivessem perguntando-se: e eu com isso?

Antes de responder esta pergunta retórica, algumas considerações precisam ser feitas: este julgamento é sim um marco na história de nossa república. Seja pela magnitude da engrenagem que fora revelada, seja pelo tamanho do processo, pois os autos da AP 470 são compostos de 235 volumes e 500 apensos, somando cerca de 50.508 folhas, com 38 réus. De fato, este momento histórico é mais uma página importante de nossa recente democracia. No entanto, seria ingenuidade pensar que neste julgamento, a partir de uma sentença condenatória, seria extirpado de nossa sociedade o ranço pernicioso da corrupção, que a moralidade reinaria em nosso processo político-eleitoral e todos viverão felizes para sempre.

Esta ideia messiânica do julgamento, assim como dos ministros (vide a imagem de herói que tem pairado sobre alguns deles), não se adequa a uma leitura sincera de nossa realidade, haja vista que a corrupção não se veste apenas de vermelho, nem usa somente as vias abertas pelo “mensalão” para se propagar. Ela está ali, presente em todos os poderes, nas licitações, nos concursos fraudulentos, etc. Nós cristãos, que conhecemos o estado na da natureza humana pós-queda, assim como o efeito ampliador que o poder costuma causar naqueles que o possuem, não podemos seguir este caminho ilusório. Devemos sempre nos manter alerta, sem idolatrar qualquer político, partido ou qualquer ideologia. A nossa função profética, nos impõe uma distância que nos permita uma avaliação crítica segura, de todos os que governam, tanto situação e oposição, seja qual for a sua cor partidária.

Diante desta análise otimista, porém realista, precisamos refletir o nosso papel dentro desta tela que se desenhou: estaríamos de fora, somente contemplando, ou também somos partícipes? Uma das causas deste esquema, além de avidez dos homens por poder e dinheiro, se encontra no financiamento das campanhas, que dá vazão ao caixa 2, e vários outros procedimentos ilegais. Neste instante, devemos perceber nosso papel em todo este enredo. As campanhas caras, a compra de voto, ou a troca deste por favores pessoais, tudo isto são pequenas notas que por fim acabam se ampliando e formando a orquestra da corrupção. Quando escolhemos maus representantes, por conta de interesses ilegítimos e tão somente particulares, somos corresponsáveis pelos atos que estes praticam. Uma ação penal com 38 réus pode parecer algo espantoso, mas a bem da verdade, todos os que vendem o seu voto, e traem a sua consciência no período eleitoral, deveriam figurar no polo passivo desta ação.

Todo este julgamento deve produzir uma profunda reflexão em nós, como eleitores, e principalmente como cristãos. Não devemos confiar de maneira cega e idolatra em nenhum político, e principalmente, não devemos negociar o nosso voto. Devemos valorizá-lo, sabendo que seremos responsáveis pelos desmandos praticados em nosso nome. Reconhecer que temos tudo haver com o “mensalão” é o primeiro passo para construirmos uma nova visão política, pautadas em valores elevados do Reino de Deus, que visem o bem-estar da sociedade como um todo.

Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Como o Cristão deve relacionar-se com as ideologias políticas? Com a Palavra, André Bieler


O Cristianismo reformado foi e permanece fator determinante para o desenvolvimento econômico, democrático e cultural dos povos, importa sublinhar que ele só pode desempenhar esse papel se os crentes, nutridos da forte Palavra de Deus para regeneração do mundo, mantiverem, diante dos sistemas econômicos e políticos, a distância crítica que lhes prescreve o evangelho. E isso é válido para os crentes de todas as confissões cristãs. Se os protestantes têm, a tal respeito, responsabilidade particular em virtude de sua história, não possuem por si mesmos qualquer predisposição especial de que possam prevalecer-se.

Ora, tal missão crítica é sempre difícil de exercer, e por vezes perigosa. Quando é fielmente realizada, defronta oposições, porque questiona os interesses egoístas dos indivíduos e dos grupos sociais, seja qual for a classe da população a que pertençam. Já se observou o fato no âmbito político. E é ainda mais verdadeiro no campo econômico, onde se jogam mais diretamente ainda os interesses de cada indivíduo.

Foi exatamente essa experiência que adquiriram, depois da igreja primitiva e, desde o inicio da história, os cristãos reformados, e especialmente os pastores quando mantinham a indispensável independência da prédica que lhes ordena o Evangelho.

[...] Na política, libertado dos crivos ideológicos habituais, o crente, de fato, não se situa à esquerda, nem á direita, nem ao centro, de modo incondicional, porque seus critérios de julgamento têm outra origem. Está, destarte, equipado para engajar-se temporariamente na cidade, a fim de realizar, com outros irmãos de facção diversa da sua, o programa que lhe parece momentaneamente mais justo e urgente para construir uma sociedade viável e duradoura, na precariedade da nossa situação.

BIÉLER, André. In: A Força Oculta dos Protestantes. Traduzido por Paulo Manoel Protasio.  São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 1999. Capítulo IV: A Ética Cristã em luta com as ideologias contemporâneas, pp. 143 e 164.

Rodrigo Ribeiro

@rodrigolgd

segunda-feira, 30 de julho de 2012

UMP Indica: A força oculta dos protestantes


Em razão da falsa dicotomia entre os valores que regem as vidas dos homens na esfera particular e as que devem regê-los na vida pública, muitos acreditam que a religião deve ocupar somente este primeiro espaço, exclusivamente na esfera íntima de cada, e por isso não deve contribuir em nada com o espaço público, seja nas leis, nas ciências ou até mesmo nas artes.

Ocorre que este divisão não existe, e a cosmovisão bíblica tem muito a contribuir em todas as áreas da vida humana, sendo isto um imperativo para todos os homens regenerados por Cristo. Deste modo, a palavra de Deus estabelece os princípios para que o direito seja justo, para que a arte seja bela e digna, para que a ciência seja válida e assim por diante.

Tendo esta filosofia como pano de fundo, o pastor e doutor em economia pela universidade de Genebra, André Biléler, nos apresenta neste livro a forma com que a cosmovisão reformada, ultrapassou a esfera religiosa e influenciou os rumos da economia e das democracias ao redor do mundo.

Esta obra é recomendada a todos que desejam entender melhor a respeito da influência do cristianismo em áreas crucias de nossa sociedade contemporânea. E após sua leitura, somos desafiados a nos espelhar nos homens e mulheres do passado, a fim de influenciar mais uma vez a sociedade de acordo com os valores perfeitos e imutáveis das Santas Escrituras, e assim glorificar o nome de Deus.


Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd


quinta-feira, 26 de julho de 2012

A política e o legado perdido dos puritanos


Que seja dito de nós, como foi dito nobremente sobre Davi (At 13.36)“Que servimos à nossa geração segundo a vontade de Deus.”

É bem verdade que vivemos em um país tomado pela corrupção, vislumbramos um evidente caos político, dentro e fora dos governos, fora e dentro da “igreja”. Homens miseráveis, aproveitando-se do poder para satisfazerem os seus mais vis desejos pessoais. No entanto, desencorajar qualquer forma de envolvimento cívico significa afastar-se da rica herança reformada.  

Os “evangélicos” foram o segmento religioso que mais cresceu no Brasil no período entre os censos de 2000 e 2010. Segundo os números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2000, os “evangélicos” representavam 15,4% da população. Em 2010, com um aumento de cerca de 16 milhões de pessoas (de 26,2 milhões para 42,3 milhões), chegaram a 22,2%. Em 1991, este percentual era de 9,0% e em 1980, 6,6%. Mas é possível indagar: Qual a força política do pensamento “Cristão” hodierno? Qual a preocupação político-social existe? Qual o receio causado nas autoridades, quando as mesmas violam princípios e valores Bíblicos?

Talvez seja preciso olharmos para trás, mergulharmos um pouco na história dos puritanos, para que nos envergonhemos de nosso “evangelho” atual, percebendo que o “povo de Deus” não foi sempre assim, pois ao contrário do que muitos pensam, o povo do século XVI mudou o seu tempo não só “dentro da igreja”, mas fora dela também.

Os Puritanos foram pensadores sociais e ativistas. Diante da situação da igreja e do estado, até a liberdade de praticar suas convicções especificamente religiosas exigia que eles entrassem na área política. A ação social Puritana era baseada numa teologia do pacto, que requeria das pessoas que buscassem o bem comum da comunidade e que via as boas obras como um ato inevitável de gratidão pela salvação de Deus. Um aspecto da ação social puritana era a preocupação em ajudar os necessitados na sociedade. Sendo principalmente voluntária e pessoal.

A ênfase Puritana na comunidade era compensada por uma preocupação pela liberdade e dignidade de cada indivíduo. Os Puritanos desafiaram o privilegio baseado em posição ou nascimento e encorajaram um espírito de igualdade.

Não é possível refazer a história sem olhar para trás e ver o imenso legado e exemplo deixado pelos reformados, não é possível lutar sem o pleno amor pelo conhecimento tanto das coisas do alto, como das “terrenas”. O povo que revolucionou a Inglaterra com seu pensamento cristão e democrático, lutando bravamente por liberdade na América, influenciando na educação, economia e diversas outras áreas, já não é o mesmo. Mas através de um sonho, é possível sentir o anseio e a saudade, daqueles que mudaram o mundo pela pureza do evangelho.

Quando notamos o presente, por um instante nos oprimimos, mas quando olhamos para o passado, vemos a força do Evangelho mudar uma nação.

Soli Deo Gloria!

Wollney Ribeiro
Igreja Congregacional Zona Sul
Campina Grande PB

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Quais as funções da ética reformada? Com a palavra, André Biéler


A ética reformada [...] possui três funções. A primeira e mais importante é a espiritual. A Lei divina deve ajudar cada individuo a descobrir que, sendo sua presente natureza desnaturada com referência a sua identidade primeira, ele está muito longe de conduzir-se naturalmente, na conformidade da vontade de Deus. Ele deve, por conseguinte, arrepender-se, pedir perdão, e converter-se para beneficiar-se da vida nova a qual Cristo o convida, na sua comunhão.

A ética tem, em seguida, uma função moral propriamente dita. A Lei de divina relembra incessantemente ao crente convertido, sempre propenso a esquecê-la, essa vontade de Deus que ele é convida a amar, tendo-a aceito como um dom consecutivo ao perdão, uma graça. Ele se torna obediente por reconhecimento e não mais por obrigação.

Enfim, ela tem uma função política. Graças à Lei de Deus, todos os cidadãos e magistrados sabem segundo quais critérios morais podem e devem elaborar as leis e conformar sua conduta na sociedade para obter ordem social, econômica e política viável e duradoura.

BIÉLER, André. In: A Força Oculta dos Protestantes. Traduzido por Paulo Manoel Protasio.  São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 1999. Capítulo II: Os combates pela democracia, pp. 75.

SOBRE O AUTOR: André Biéler, suíço, pastor e doutor em Ciências Econômicas.


Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd