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quinta-feira, 26 de junho de 2014

A Mulher Cristã e as Reflexões sobre Temas Polêmicos Dentro e Fora da Igreja

Na semana passada, exatamente no dia 18/06 o blog Estadão publicou um texto da blogueira Ruth Manus intitulado “A incrível geração de mulheres que foi criada para ser tudo o que um homem NÃO quer.” Confesso que li esse texto várias vezes seguidas para fixar bem em minha mente sobre o assunto que estava sendo tratado e para entender que ele estava sendo escrito por uma autora não cristã.

No mesmo dia, várias mulheres compartilharam o texto, umas concordando e outras dizendo que discordavam completamente da ideia daquele texto. Após algumas discussões com amigos cristãos, percebi que 70% (estatística feita em pensamento rsrs) discordavam do texto e diziam que a autora estava propagando conceitos feministas e os outros 30%, para meu conforto, compartilhavam comigo da mesma ideia de que o texto era uma crítica ao feminismo e aos valores colocados e exigidos das mulheres ditas modernas.

Minha intenção ao escrever esse texto é trazer algumas reflexões sobre certos pontos específicos falados no texto da blogueira Ruth Manus e assim pensarmos eles à luz das Sagradas Escrituras e os envolvendo em assuntos polêmicos dentro da nossa Igreja Cristã.

Em nossa cultura moderna, percebemos predominar cada vez mais, o sentimento de independência entre meninas, jovens e até mulheres já maduras. Quem entre nós, nunca se viu pensando assim? Particularmente, fui criada em um lar não cristão e cresci ouvindo minha mãe dizer que eu deveria ser independente quando mais velha, me identifiquei muito com essa parte do texto: “[...] Somos a geração que foi criada para ganhar o mundo. Incentivadas a estudar, trabalhar, viajar e, acima de tudo, construir a nossa independência. [...]”. Até dentro do casamento a ouvia falar que eu não deveria depender do meu futuro esposo. É até normal ver isso em um lar não cristão, pois estes não crescem estruturados nas Sagradas Escrituras, mas o que mais me deixa triste é ver isso ser dito dentro de um lar cristão e perceber o quanto cada dia mais as mulheres cristãs estão deixando de entender os conceitos bíblicos sobre o seu papel como mulher que deve agradar a Deus.

Martha Peace* uma autora referência para as mulheres cristãs fala assim em seu livro Mulheres em Apuros: “Quando me pergunto ‘Quem sou eu?’ a resposta é: ‘Uma mulher criada por Deus à sua imagem. Minha responsabilidade como criatura de Deus é glorifica-Lo e servi-Lo como Ele merece. Com frequência, isso está no papel bíblico de esposa ou mãe.’”. “Disse então o homem: ‘Esta, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada mulher, porque do homem foi tirada" (Gênesis 2.23). A primeira mulher (Eva) foi criada para ser auxiliadora do homem, os dois não foram criados ao mesmo tempo, Deus criou a mulher após observar que o homem (Adão) se sentia sozinho e precisava de uma auxiliadora. Não é incomum vermos até em famílias não cristãs, onde não existe o entendimento da aliança do casamento como a aliança entre Cristo e a Igreja, as mulheres cumprindo seu papel de esposa e mãe, isso sendo descrito na Palavra para regra para os cristãos, mas que é também vivido pela nossa sociedade como regras morais para o bom andamento desta.

Nos dias de hoje, as mulheres são criadas para viverem “inteiramente independentes”, sem exercer nenhum tipo de submissão, e no que isso tem resultado?  Em mulheres ainda mais dependentes, porém de si mesmas, dentro de uma forma de idolatria maquiada. Quando pensamos na consequência desse fator de não submissão, esse mal tem entrado também em nossas congregações, levando mulheres ao desejo afrontador de tornarem-se “pastoras”, buscando uma liderança bem distante da influência ou submissão a masculina, inteiramente afastadas dos padrões bíblicos. Em uma discussão recente nas redes sociais, uma garota, que dizia-se ovelha de uma “pastora”, falava que ninguém poderia dizer que Deus não se agrada de um pastorado feminino, pois todos deviam vê que as mulheres que se levantam para os ministérios são mulheres “ungidas por Deus”. Tudo bem, mas vamos partir para o que a Palavra de Deus diz: “A mulher deve aprender em silêncio, com toda a sujeição. Não permito que a mulher ensine nem que tenha autoridade sobre o homem. Esteja, porém, em silêncio. Porque primeiro foi formado Adão e depois Eva. E Adão não foi enganado, mas sim a mulher que, tendo sido enganada, se tornou transgressora. Entretanto, a mulher será salva dando à luz filhos - se permanecer na fé, no amor e na santidade, com bom senso.” (1 Timóteo 2.11-15). Essa passagem se refere à ordem no culto, mas também traz valores e ensinos para o papel da mulher cristã na igreja. O que Paulo quer dizer nessa passagem, apesar de muitos se levantarem apontando como um é um tipo de machismo, é que as mulheres não podem e nem devem exercer cargos oficiais em suas igrejas, ofícios como diaconia ou presbiterato. Muitos, cristãos e não cristãos, falam que essa passagem compromete todo o trabalho da mulher na igreja, mas não é bem assim, infelizmente para entender isso é necessário um estudo bem mais detalhado e não posso me ater à isso nesse texto.

Muitas mulheres se veem frustradas também na hora da procura por um companheiro também porque não entendem onde estão errando em seu modo de agir, de se vestir. Ruth Manus diz: “[...] Talvez se eu fosse mais delicada… Não falasse palavrão. Não tivesse subordinados. Não dirigisse sozinha à noite sem medo. Talvez se eu aparentasse fragilidade. Talvez se dissesse que não me importo em lavar cuecas. Talvez... [...]”. A autora é muito sábia nessas palavras ao confrontar que ela foi tão criada para ser totalmente avessa ao cuidado de um homem que ela pensa que talvez agindo dessa determinada forma ela possa encontrar um homem para sua vida.

Há um ponto onde não concordo com a autora que é esse: “[...] não estou aqui, num discurso inflamado, culpando os homens. Não. A culpa não é exatamente deles. É da sociedade como um todo. Da criação equivocada. Da imagem que ainda é vendida da mulher. Dos pais que criam filhas para o mundo, mas querem noras que vivam em função da família. [...]”. Ela fala que a culpa é da sociedade como um todo e nós como cristãos sabemos que a culpa é do pecado. “Quando a mulher viu que a árvore parecia agradável ao paladar, era atraente aos olhos e, além disso, desejável para dela se obter discernimento, tomou do seu fruto, comeu-o e ­o deu a seu ma­rido, que comeu também. Os olhos dos dois se abriram, e perceberam que estavam nus; então juntaram folhas de figueira para cobri­r-se.” (Gênesis 3.6-7). Sabemos que foi aqui onde o pecado entrou no mundo e a partir daí todo mal, toda corrupção, toda impureza, todo desvio advém do pecado que mora no nosso coração.

 A minha intenção com esse texto não foi a de concordar em 100% com a autora do texto polêmico, mas sim de trazer a mente e para a reflexão de que até a sociedade, aqueles que não seguem padrões cristãos, estão percebendo que está existindo algo de errado com os conceitos que antes eram válidos e seguidos para o nosso bem. Que Deus nos dê força e sabedoria para trilharmos caminhos que O agrade em todos os momentos, nós mulheres e aos homens cristãos também, que nossa regra de fé e prática seja a Bíblia e que dela tiremos os nossos “passos” a percorrer nessa peregrinação que ruma à Vida Eterna.

Termino então com uma reflexão ainda de Martha Peace*: “Conforme estudamos as Escrituras e amadurecemos em nossa compreensão acerca do pensamento e das crenças piedosas, adquirimos mais discernimento sobre as formas erradas pelas quais temos sido influenciadas. Em vez de sermos atraídas pela fascinação da filosofia feminista que agrada nossos ouvidos, o autor de Hebreus escreveu que nossas faculdades serão ‘exercitada para discernir não somente o bem, mas também o mal’. (Hebreus 5.14)”.

Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo. (Colossenses 2.8)


LARYSSA LOBO


*Martha Peace em Mulheres em Apuros – Soluções bíblicas para os problemas que as mulheres enfrentam. Editora Fiel, 2010.
*Link do texto da blogueira Ruth Manus: http://blogs.estadao.com.br/ruth-manus/a-incrivel-geracao-de-mulheres-que-foi-criada-para-ser-tudo-o-que-um-homem-nao-quer/


sexta-feira, 2 de maio de 2014

Como o trabalho glorifica a Deus? Com a Palavra, John Stott




Deus organizou deliberadamente a vida de tal maneira que ele precisa da cooperação dos seres humanos para o cumprimento dos seus propósitos. Ele não criou o planeta terra para ser produtivo por si mesmo; os seres humanos tinham que subjugá-lo e desenvolvê-lo. Ele não fez um jardim cujas flores se abririam e os frutos amadureceriam por conta própria; ele designou um jardineiro para cultivar a terra. Chamamos isso de “mandato cultural” que Deus deu à raça humana. “Natureza” é o que Deus nos dá; “cultura” é o que nós fazemos com ela. Sem um agricultor humano, todo jardim ou campo se degeneraria rapidamente, transformando-se num deserto.


Na verdade, Deus fornece o solo, a semente, o sol e a chuva, mas nós temos que arar, plantar e colher. Deus fornece as árvores frutíferas, mas nós temos que podá-las e apanhar os frutos. Como Lutero disse certa vez num sermão sobre Gênesis, “Pois por seu intermédio Deus trabalhará todas as coisas; ele vai ordenhar as vacas e desempenhar as tarefas mais humildes por meio de você, e todas as tarefas, da maior até a menor, serão agradáveis a ele”. De que valeria a provisão que Deus faz para nós de uma vaca cheia de leite se nós não estivéssemos lá para ordenhá-la?

Assim, há cooperação, na qual nós realmente dependemos de Deus, mas na qual (acrescentamos reverentemente) ele também depende de nós. Deus é o Criador; o homem é o agricultor. Cada um necessita do outro. No bom propósito de Deus, criação e cultivo, natureza e criação, matéria-prima e perícia profissional humana são indissociáveis. Esse conceito de colaboração divino-humana é aplicável a todas as tarefas honrosas. Deus se humilhou e nos honrou ao fazer-se dependente da nossa cooperação. Observe o bebê humano, talvez a mais desamparada de todas as criaturas de Deus. As crianças são, sem dúvida, “presentes do Senhor”, embora a procriação seja, em si mesma, uma forma de cooperação. Depois do nascimento, é como se Deus lançasse o recém-nascido nos braços da mãe e dissesse: “Agora você cuida”. Ele confia aos seres humanos a criação de cada criança. Nos primeiros dias o bebê parece até ser parte da mãe, de tão próximos que os dois estão. E por muitos anos as crianças são dependentes de seus pais e professores.

Até mesmo na idade adulta, apesar de dependermos de Deus para a própria vida, dependemos uns dos outros para as necessidades da vida. Isso inclui não apenas as necessidades básicas da vida física (alimento, vestuário, habitação, afeto, segurança e cuidados médicos), mas também tudo que engloba a riqueza da vida humana (educação, recreação, esportes, viagens, cultura, música, literatura e as artes), para não mencionar a nutrição espiritual. Assim, qualquer que seja nosso trabalho – em uma das profissões (ensino, medicina, leis, serviços sociais, arquitetura ou construção), nas políticas nacional ou local ou no serviço civil, na indústria, no comércio, no cultivo do solo ou na mídia, em pesquisa, na administração, no serviço público ou nas artes, ou em casa – devemos vê-lo como sendo cooperação com Deus. As palavras de Ambroise Paré, o cirurgião francês do século 16 que algumas vezes foi descrito como “fundador da cirurgia moderna”, estão inscritas no muro da École de Médicine em Paris: “Eu fiz o curativo no ferido; Deus o curou”.

Trecho retirado de Os cristãos e os desafios contemporâneos, de John Stott, publicado pela Editora Ultimato (Para conhecer a obra e adquirir, clique no link acima)

Presb. Cicero da Silva Pereira
https://www.facebook.com/cicero.dasilvapereira

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

O Homem Abençoado

Nos últimos dias tenho aprendido bastante sobre masculinidade bíblica e tenho percebido o quão alto é o padrão de Deus para os Seus filhos homens. É necessário de nós que além de trabalharmos duro, sejamos capazes de edificar uma família e lidera-la diante de Deus. Tarefas que por natureza já não são fáceis, mas que se tornam ainda mais árduas em consequência do pecado que não apenas atuam em nossa vida, mas marca a sociedade na qual estamos inseridos. Buscar viver de acordo com a Bíblia em uma cultura consumista e pornificada é um grande desafio!

Em minha busca pela masculinidade bíblica tenho experimentado a grande alegria de viver exatamente aquilo que Deus me planejou para viver e isso é algo que traz grande contentamento e satisfação. Mas confesso, que isso nem sempre tem sido algo fácil e as pressões da sociedade às vezes parecem me esmorecer. É o medo de não conseguir um bom emprego após a faculdade, de não encontrar a pessoa certa para casar, de um dia fracassar como marido e pai, de não cumprir a vocação que Deus me entregou... Enfim, são muitas as situações que tentam me impedir de continuar buscando o padrão que Deus estabeleceu para mim como homem em Sua Palavra. Mas em meio a isso tudo, descobri no Salmo 128 um conforto e tranquilizante, me assegurando um futuro certo de acordo com a vontade de Deus.

“Como é feliz quem teme ao Senhor, quem anda em seus caminhos!
Você comerá do fruto do seu trabalho, e será feliz e próspero.
Sua mulher será como videira frutífera em sua casa; seus filhos serão como brotos de oliveira ao redor da sua mesa.
Assim será abençoado o homem que teme ao Senhor!
Que o Senhor o abençoe desde Sião, para que você veja a prosperidade de Jerusalém todos os dias da sua vida,
e veja os filhos dos seus filhos.  Haja paz em Israel!”
Salmos 128:1-6

Esse Salmo fala exatamente sobre o que acontece com as pessoas que temem ao Senhor e andam em seus caminhos, especialmente os homens e a meu ver é o padrão perfeito de um homem realmente bem sucedido.

Primeiro, o autor do Salmo diz que o homem que teme a Deus comerá do fruto do seu próprio trabalho e será próspero. Não, isso não é uma garantia de que todos os homens que temem a Deus serão ricos ou que não enfrentarão problemas financeiros. Mas assegura eles serão capazes de viverem e sustentarem suas famílias a partir do seu próprio esforço, cumprindo assim o dever do homem de trabalhar como estipulado pelo próprio Deus no livro de Gênesis. Além disso, ele nos assegura que seremos felizes. Sim, a felicidade é uma consequência de vivermos a nossa masculinidade de acordo com o que a Bíblia diz, incluindo trabalhar, mesmo sendo essa uma tarefa bastante árdua após a Queda. Isso contradiz totalmente o ideal do mundo, segundo o qual, homens bem sucedidos são aqueles que trabalham pouco, mas tem muito dinheiro. Essa é uma prova de que o sonho de ganhar na loteria para nunca mais trabalhar não traz alegria de verdade, tampouco a satisfação de ser um “macho bíblico”.

Logo em seguida, o autor fala sobre a alegria da família. Nada mais completa um homem do que uma mulher – é claro que há algumas poucas exceções. Há uma necessidade intrínseca a nós homens de sermos líderes, de buscarmos uma companheira e junto com ela edificarmos uma família. Entretanto, por causa do pecado nem sempre conseguimos assumir o nosso papel de liderança da forma correta, do mesmo modo, nem sempre as mulheres conseguem ser submissas a seus maridos, o que acaba levando ao fim muitos casamentos. Entretanto, a promessa desse Salmo é de que o homem que teme a Deus terá uma família abençoada, na qual ele consegue cumprir o seu papel de provedor do lar e sua esposa reconhece o seu lugar de auxiliadora e assim como uma árvore que gera bons frutos, consegue dar à luz a muitos filhos, formando assim a família da aliança. Ao mesmo tempo, salienta que o verdadeiro homem não aquele que “conquista” mais mulheres, mas sim aquele que consegue escolher uma única mulher e ser fiel ao seu lado pelo resto da vida.

Por fim, essas bênçãos que se iniciam no lar abrangem a Igreja e trazem bênçãos para toda a nação. É por isso que o salmista ora para que Deus abençoe Sião, haja paz em Jerusalém e as gerações futuras sejam prósperas. Ele entende que a verdadeira masculinidade é um legado precioso e por isso anseia para que a sua nação como um todo e as próximas gerações experimentem tais bênçãos.

O que mais gosto nesse Salmo não é porque ele simplesmente garante um futuro certo àqueles que decidem viver a verdadeira masculinidade bíblica, mas também estabelece o que realmente significa ser um homem de acordo com a vontade de Deus. Ele reitera o mandato de Gênesis de que o homem deve trabalhar e liderar uma família. Ao mesmo tempo em que termina apontando para uma outra característica de um verdadeiro homem: o apreço pela oração. O verdadeiro homem de Deus é homem que ora por sua família, pelos seus descentes, pela Igreja e pela sua nação.

Temos vivido em nossa sociedade uma verdadeira crise de hombridade e é por isso, que mais do que nunca precisamos ser verdadeiros “machos bíblicos”. Essa não é uma tarefa fácil, mas não é em vão e é a única forma de sermos verdadeiramente felizes e satisfeitos. Em meio às dificuldades podemos ter certeza de que não estamos sozinhos e de que a própria Palavra de Deus nos assegura um futuro bem sucedido de verdade. Que o Salmo 128 nos encoraje a sermos aquilo que a Bíblia nos manda ser.

Igor Sabino

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Nova Ordem Mundial

 A história da humanidade tem sido marcada por acontecimentos que modificaram, drasticamente, os comportamentos dos seres humanos, afetando diretamente as dimensões políticas, econômicas, éticas e sociais. Geralmente, estas mudanças ocorreram após grandes tragédias, a exemplo do atentado terrorista ocorrido em 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos.

Após superar o impacto dos primeiros momentos de uma tragédia que assumiu grandes proporções procuram-se, imediatamente, explicações para as causas dos incidentes. Em seguida, a tragédia provoca mudanças de rumo que afetam a sobrevivência dos homens no planeta, verificou-se tal fenômeno após as I e II guerras mundiais. Em muitos momentos dramáticos da história da humanidade foi necessário estabelecer uma NOVA ORDEM MUNDIAL, como necessidade de adaptar-se a uma nova realidade.

Esta reflexão nos conduz aos primórdios da vida humana, expresso na literatura bíblica:
 
“E conheceu Adão a Eva, sua mulher, e ela concebeu e deu à luz a Caim, e disse: Alcancei do SENHOR um homem. E deu à luz mais a seu irmão Abel; e Abel foi pastor de ovelhas, e Caim foi lavrador da terra. E aconteceu ao cabo de dias que Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao SENHOR. E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura; e atentou o SENHOR para Abel e para a sua oferta. Mas para Caim e para a sua oferta não atentou. E irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o semblante. E o SENHOR disse a Caim: Por que te iraste? E por que descaiu o teu semblante? Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar” (GÊNESIS 4.1-7).

Este livro relata o início da criação e a parte mencionada descreve o momento posterior à queda do homem. A criação depara-se com uma situação caótica, a queda do homem do seu estado original alterou, terrivelmente, as condições de sobrevivência na Terra, estabelecendo uma NOVA ORDEM MUNDIAL. O capítulo acima apresenta um resumo sobre os principais aspectos desta tragédia que afetaram diretamente a vida do homem e de todo o planeta.

E A VIDA CONTINUA...

            Os quatro primeiros versículos do texto narram à vida cotidiana no contexto familiar, no ambiente de trabalho e no culto religioso. Estes três aspectos da vida humana estão relacionados ao evento da criação, citados em Gênesis no capítulo 1 a partir do versículo 26 até o capítulo 2:3.

O capítulo 4 apresenta o registro trágico do homicídio ocorrido entre irmãos, no local de trabalho como desfecho dos efeitos do culto. Neste relato sobre o início da vida a partir da queda do homem reafirma-se o propósito da criação relativo a família, ao trabalho e ao culto religioso.

A família é vista como uma instituição divina formada por pessoas criadas a imagem e semelhança de Deus, refletindo tal imagem no relacionamento entre seus membros. Adão e Eva, ao gerarem filhos, cumpriram um decreto divino. No relato referente ao trabalho, Abel e Caim desempenharam atividades decretadas pelo Criador, demonstrando capacidades peculiares aos seres racionais, criados com condições propícias ao desenvolvimento intelectual, bem como de produzir para a sobrevivência.

 Ao concluir a criação, Deus abençoou o sétimo dia, decretando que este seria separado para Sua adoração. Caim e Abel pretenderam obedecê-Lo, por meio de ofertas e sacrifícios em forma de culto religioso. O culto de Caim reprovado por Deus e, o assassinato do irmão no local de trabalho foram evidências do início da NOVA ORDEM estabelecida para a criação. No entanto, a queda não alterou os planos de Deus para a vida no planeta, pois a família, o trabalho e o culto prosseguiram, mas, estas atividades foram contaminadas pela presença do pecado no mundo.

Aplicação: Ser pais e filhos exemplares, agir com ética no lugar de trabalho e cumprir com zelo os deveres religiosos evidenciam a imagem de Deus refletida no homem. No entanto, o envolvimento ativo no cumprimento dos decretos de Deus para a criação (família, trabalho e igreja) não anula a sentença divina proveniente da desobediência.

SOB O REGIME DA LEI

         O desenvolvimento do drama, exposto anteriormente, apresenta distinções claras entre seus principais personagens. Caim, o primeiro filho foi lavrador, oferecendo uma oferta do fruto da terra ao Senhor, teve sua oferta rejeitada. Abel, o segundo filho foi pastor de ovelhas, oferecendo um animal como oferta ao Senhor, teve a sua oferta aceita. A parte b do versículo 4 apresenta o motivo da rejeição de Caim e da aceitação de Abel: “...atentou o SENHOR para Abel e para a sua oferta. Mas para Caim e para a sua oferta não atentou.”

 O texto prossegue narrando a indignação de Caim e, o pronunciamento de Deus decretando a NOVA ORDEM sobre a vida de Caim. Os versículos 6 e 7 destacam o pronunciamento de Deus e seus efeitos sobre a vida deste homem. Deus revela a Caim a base do relacionamento entre eles, sendo uma ratificação da aliança firmada entre Deus e Adão, “E tomou o SENHOR Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar. E ordenou o SENHOR Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás’ (GENESIS 2:15-17).

Eis um relato estarrecedor para Caim e todos os seres humanos. Ao infringir a lei de Deus, o homem tornou-se réu, cuja sentença divina foi à morte, atingindo toda a humanidade. O Senhor, ao aceitar Abel e sua oferta revela uma aliança entre Ele e o homem diferente daquela firmada no jardim do Èden.

Aplicação: O pecado instaurou uma NOVA ORDEM MUNDIAL, tornando o homem réu dos seus próprios atos, afetando diretamente a sua relação com Deus.

O JUSTO VIVERÁ PELA FÉ

            Concluímos a reflexão anterior afirmando que ao aceitar Abel e sua oferta. Deus revelou uma aliança entre Ele e os homens, diferente daquela firmada com Adão. A oferta de Abel está diretamente ligada à NOVA ORDEM estabelecida por meio da nova aliança. Conforme Gênesis, Caim reconhecia a existência de Deus, prestando-lhe culto em forma de sacrifício. Ao ofertar do fruto da terra, ele acreditava que o produto proveniente do esforço humano poderia agradar à Deus, agindo assim desprezou as palavras que Deus havia proferido aos seus pais sobre sua justiça contida na aliança revelada em Gênesis 2:15-17. Ao oferecer das primícias do rebanho, e da gordura, Abel agiu de acordo com a palavra de Deus “E fez o SENHOR Deus a Adão e à sua mulher túnicas de peles, e os vestiu” (GÊNESIS 3:21). Abel ofereceu sacrifício de um animal ao Senhor, pois foi com a pele de um animal que Deus cobriu a nudez de seus pais, portanto, ele atentou para a lei de Deus e para seus efeitos sobre os seres humanos com o evento da queda. A oferta de Abel expressava confiança na providência de Deus que segundo a sua palavra proveria um meio para libertar o homem do estado caótico em que se encontrava, assim “...pela fé, Abel ofereceu a Deus mais excelente sacrifício do que Caim; pelo qual obteve testemunho de ser justo” (HEBREUS 11.4). 

Aplicação: Não valorizar os preceitos contidos na palavra de Deus, leva todas as atividades realizadas pelo homem, inclusive o nosso culto, uma afronta à santidade de Deus. O único meio eficaz para sermos aceitos por Deus é agirmos de acordo com a sua palavra.

CONCLUSÃO


            A cosmovisão cristã reformada entende que, a família, o trabalho e a religião são frutos dos decretos de Deus desde o início da criação, revelada no livro do Gênesis. Entende, assim, que todas as esferas da vida encontram-se contaminadas pelo pecado, devido a quebra da lei que Deus estabeleceu na aliança feita com o homem. Deus proveu um meio para restaurar o homem, transferindo as exigências previstas na lei para seu filho Jesus Cristo, revelando em seu sacrifício uma NOVA E ETERNA ORDEM, a ser adquirida, exclusivamente, pela fé. 

Presb. Amauri Ribeiro

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Hoje é Sexta-Feira!

Um dia, um colega de trabalho, em tom de brincadeira, disse-me que, toda vez que escuta a vinheta do Fantástico depois do tradicional “boa-noite”, entra em depressão, uma vez que o final de semana está acabando. Para a maioria das pessoas, o trabalho é algo enfadonho e a verdadeira vida consiste na folga dos finais de semana e feriados. Mas, por que as pessoas se sentem assim? Por que o trabalho parece um fardo? Neste texto, trataremos da doutrina bíblica do trabalho e tentaremos responder a essas perguntas.

O entendimento reformado sobre o trabalho, desde o seu início, foi contrário à concepção católica sobre o tema. A percepção medieval católica sobre o trabalho, influenciado pelo pensamento grego, entendia que apenas o trabalho filosófico ou teológico e o serviço militar teriam valor para a sociedade. As outras profissões seriam ocupações de menor importância ou um mal necessário. Os reformadores, por outro lado, enfatizaram a importância do trabalho e vincularam-no à vida espiritual do cristão. Segundo o entendimento reformado, o homem foi criado para o trabalho e só pode plenamente ser feliz e realizado quando cumpre a sua vocação nesse mundo.

No entanto, o pietismo terminou influenciando negativamente o entendimento evangélico sobre o assunto. O pietismo foi um movimento oriundo do luteranismo, surgido no século XVII, que enfatizava a dimensão devocional do crente. Com sua ênfase excessiva na espiritualidade, esse movimento terminou confinando a igreja nas suas quatro paredes, ao ensinar que toda a nossa vida deve estar vinculada, de alguma maneira, às nossas atividades eclesiásticas. Dessa maneira, tudo aquilo que fosse “secular”, como o trabalho, por exemplo, passou a ser sem importância, ou, apenas, um meio para alcançar outras pessoas para o Evangelho.

Não obstante, a Bíblia ensina que o trabalho foi estabelecido por Deus na criação e não é consequência da queda. Em Gn 1.26-28, vemos que Deus criou o homem a Sua imagem e semelhança e ordenou que o ser humano tivesse domínio sobre toda a criação e a sujeitasse. A ordem dada por Deus é denominada pelos teólogos de “mandato cultural”, segundo o qual o homem deveria governar todo o mundo e preservá-lo, o que abrange o envolvimento com todas as áreas do conhecimento. Essa tarefa, por óbvio, implica esforço, dedicação, aplicação de tempo, ou seja, trabalho. É importante frisar que o mandato cultural foi dado antes da queda, de maneira que não se pode afirmar que o trabalho é um juízo de Deus sobre o ser humano.

Apesar da queda, como cremos na restauração de todas as coisas, devemos viver nesse mundo de maneira coerente com a nossa esperança. Como cristãos, cremos, de acordo com Rm 8.22-25, que, um dia, toda a criação será restaurada. Assim, devemos cumprir o nosso “mandato cultural”, conforme estabelecido por Deus na criação. Portanto, o trabalho não deve ser encarado como uma atividade enfadonha e cansativa. Também não deve ser compreendido, apenas, como uma maneira de ganhar dinheiro e ser bem sucedido. O nosso trabalho deve ser visto como uma forma de glorificar a Deus.

O trabalho traz significado e propósito para a vida. O entendimento adequado da doutrina bíblica do trabalho confere significado e propósito ao ser humano quando vincula as atividades do nosso dia a dia a um projeto maior, eterno, transcendente. Além disso, toda profissão passa ter importância. O médico e o gari, o advogado e o sapateiro, o engenheiro e o agricultor, todos, sem exceção, estão envolvidos em um projeto grandioso e eterno: promover a glória de Deus.

A promoção da glória de Deus não está vinculada, necessariamente, a uma “atividade espiritual”. Com isso, devemos entender que glorificamos a Deus pelo simples fato de executamos nosso trabalho com dedicação e excelência. Glorificar a Deus no trabalho não significa ler a Bíblia, orar ou realizar cultos no horário de trabalho. Na realidade, quando agimos dessa maneira, estamos descumprindo o “mandato cultural”, pois o tempo que deveria ser dedicado ao trabalho está sendo dividido com as nossas “atividades espirituais”. Quando somos excelentes profissionais, o nosso bom testemunho nos dá credibilidade para compartilhar a nossa fé com os nossos colegas, em um intervalo, ou fora do ambiente de trabalho.

Um dia, perguntaram a Lutero o que ele faria se soubesse que Jesus voltaria amanhã, ao que ele respondeu: Eu plantaria uma árvore. Com isso o grande reformador quis dizer que Deus se agrada de nossa atividade comum e fiel nesse mundo. A compreensão adequada da doutrina do trabalho deve mudar a nossa relação com o trabalho. Pensar dessa maneira nos dá motivos para nos alegrar com o nosso trabalho, a executá-los com excelência e dedicação. Que Deus nos dê a bênção de ver o trabalho de uma maneira diferente e conectá-lo com a promoção da Sua glória e do Seu louvor. 

Soli Deo Gloria


Presbítero Davy Jones

segunda-feira, 15 de abril de 2013

UMP INDICA: Como então viveremos? Davi Charles Gomes

            O livro de Eclesiastes, escrito pelo sábio Salomão e inspirado pelo Espírito Santo, é um incrivelmente profundo, mas as vezes não conseguimos absorver de forma clara seus ensinamentos, ficando perdidos em meio a sua densa linguagem poética. O vídeo que indicamos hoje é uma pregação do Pastor Davi Charles Gomes neste livro e que nos auxilia neste missão de compreender aquilo que Deus deseja nos revelar a través desta porção da escritura.

            Nela podemos responder uma indagação inadiável: como viveremos? A partir da exposição de Eclesiastes 9.1-10, as escrituras sagradas nos revelarão o caminho que nossos passos devem trilhar e a forma com que nosso coração deve percorrer a estrada da existência, em direção à eternidade.

            O resumo desta excelente mensagem é: Nem as incertezas, nem a transitoriedade da vida devem nos impedir de viver intensamente e ao mesmo tempo sem ansiedade, descansados no Deus que controla o nosso destino e sabedores de que não controlamos pessoas nem circunstâncias, gozando a vida e sabendo que a “vida debaixo do sol” não é o fim!

Veja o vídeo:


Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd


terça-feira, 19 de março de 2013

Aprendendo com as Formigas


O texto de provérbios, capítulo seis, versículos de seis a oito, traz, para nos advertir contra a preguiça, a ordem de observarmos as formigas, como elas trabalham, e assim, seremos sábios. Muita gente acha que esse texto é apenas uma mera ilustração de um observador humano acerca da labuta das formigas. A advertência é muito mais séria, pois se entendemos o texto bíblico como inspirado por Deus, temos necessariamente que concluir que o mesmo Deus que inspirou Salomão a escrevê-lo também é o criador (ou designer para alguns) da formiga. Então no texto está contido, não apenas do olhar sábio de Salomão, mas o sopro inspirador daquele que fez a formiga, com todos os seus atributos e organização de trabalho. Isto é explicitado nos versos sete e oito. 
Sigamos. O sábio nos faz ainda uma admoestação (mais uma). Não basta observar a formiga, mas fazer como ela faz: trabalhar duro e de maneira eficaz, competente, da melhor maneira possível. Aí entra um detalhe importantíssimo. O que é o trabalho para o cristão? Apenas um meio de conseguir sustento financeiro, ascensão social e sucesso profissional? A bíblia não orienta isto, pois o princípio da glória de Deus em todas as coisas (1 Co 10. 31) vale, obviamente, também para o trabalho. Nossa principal função no trabalho é glorificar a Deus, buscar o seu reino em primeiro lugar (Mt 6.33). A formiga faz isso? E como faz, pois com toda a sua organização, ela louva a Deus antes de tudo, pois faz aquilo para o qual foi criada, e nisto contribui para o bom funcionamento de todo um sistema ecológico. Neste mesmo sentido, há uma advertência caso não façamos isto. Pobreza (no sentido de não ter nem o necessário) e necessidade (v. 11) são consequências de uma vida preguiçosa, desleixada e inconsequente. 
Voltando ao fato de que no texto está o sopro do criador e todo o seu conhecimento acerca da sua própria criação e não apenas a mera observação humana, a revista Cálculo em sua edição 22, de novembro de 2012, publicou um artigo no qual foi publicado o resultado de uma observação sobre o comportamento de uma colônia de formigas vermelhas. Quando um grupo destas formigas sai do ninho a busca de sementes, outras ficam à espera. Se ele volta para o ninho com sementes em pouco tempo, mais formigas logo saem em busca de mais. Se elas demoram a voltar, a colônia manda um grupo menor ou cancela a busca. A bióloga Deborah Gordon, de Stanford, chamou o cientista da computação Balaji Prabhakar. Ao observar o fato, afirmou que a forma como as formigas trabalham é “quase igual à forma como protocolos controlam o tráfego de dados na internet”. Não vou detalhar o protocolo, mas é realmente muito parecido com o que as formigas fazem. Balaji conclui: “As formigas descobriram um algoritmo que conhecemos muito bem e têm feito isso há milhões de anos”. Embora tenha dúvidas acerca dos milhões de anos, o fato é que a lição iniciada por Salomão continua. Deus continua a nos falar e nos ensinar hoje através da sua palavra, que mostra a sua criação a revelá-lo também.
 Por fim, a bióloga Deborah Gordon explica que, do ponto de vista computacional, cada formiga tem capacidades limitadas, mas como um grupo, conseguem desempenhar tarefas bem complexas. Mais uma lição: a de unidade, de corpo, de uso conjunto dos dons para um fim comum. Que Deus nos guarde hoje e sempre, para a glória do seu nome.

Presb. Cicero Pereira

sábado, 16 de março de 2013

Dinheiro Rápido e Fácil!


Não existe ou se ganha dinheiro fácil. Quando a oferta de dinheiro fácil aparece, alguém, em algum lugar, está sendo prejudicado. Os modos lícitos de ganhar dinheiro são trabalho, poupança, heranças, investimentos lícitos, doações etc. (Gen. 1.26; 2. 15; 19; 3. Ef. 4.28; 1Ts. 2.9; Pv. 6.6 - 11; 1Ts 4.11; Pv.; 10.4; Pv. 13.11; Pv. 14.22; 21.5; Deut. 23. 19, 20).


Percebo que, geralmente, oferecem-se as vantagens de "se ganhar rápido", "que tem gente que ganhou X mil reais em poucos meses", "fulanos que já compraram bens de consumo - carros importados, apartamentos etc". Atraí-se pela COBIÇA de ganhar MUITO DINHEIRO e FÁCIL!!!



Fico a pensar na questão quando existem Cristãos envolvidos e não pensam na possibilidade de trazer prejuízo a outros (Sal. 15. 1 - 5). Há aqueles que apelam para o fato de "enquanto estiver entrando dinheiro, então tudo bem. Estou me dando bem". E aqueles a quem você prejudicou? Até onde se conhece da Revelação, reter o que é dos outros por fraude, ainda que no exercício "do trabalho", é roubo (Tg. 5.4; Lc. 19.8; Pv. 21.6)

Há, ainda outros, que apelam para LEGALIZAÇÃO dos "meios rápidos" de ganhar dinheiro. Ora, não é a legalização que define o que é moral/ético. Para o Cristão, o princípio geral da Ética Cristã, aplicada em todas as áreas, provém das Escrituras, não do Estado, interessado em ter LUCRO, licitando o que é ilícito. Se a lógica for a da legalização, penso que para muitos "cristãos" não haverá problemas manterem "bordéis"(casa de prostituição) ou "centros de consumo de entorpecentes" quando tais forem LEGALIZADOS. 

Não! Eu não participarei de nenhuma forma de "ganhar dinheiro fácil e rápido" que não sejam aqueles estabelecidos pelas Escrituras. Não me importa se "alguns estão ficando ricos", "conquistando bens que, com trabalho e poupança, levariam anos" ou "caindo dinheiro na conta toda semana". Não estou aceitando convites. Quando confirmado, se confirmado, que se trata de "meio lícito e ético" de investimento, sem que alguém esteja sendo lesado ou prejudicado, ainda assim, não pretendo, firmemente, participar. Procurarei investimentos sólidos, confiáveis e ortodoxos, conservadores para o mesmo. Meu tesouro não está em querer ficar rico.

Contentamento é uma palavra que os Cristãos precisam relembrar (1Tm 6.6,8) 

"Trabalhar com língua falsa para ajuntar tesouros é vaidade que conduz aqueles que buscam a morte"(Provérbios 21.6). 

"A riqueza de procedência vã diminuirá, mas quem a ajunta com o próprio trabalho a aumentará"(Provérbios 13.11)

Rev. Gaspar de Souza

Intercâmbio Feito por Rodrigo Ribeiro

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O que é mandato cultural e quais suas implicações? Com a palavra Alexandre Amin de Oliveira¹

Ao contrário do que é comumente pensado, o trabalho não passou a existir no mundo em decorrência da queda da humanidade em pecado, através de Adão e Eva. A ordem para que o homem trabalhasse veio do próprio Deus, quando estabeleceu um pacto/aliança com sua criatura amada, criada à Sua imagem e semelhança.
O mandato cultural envolve a vice-gerência do homem sobre o cosmos. Era para o homem desenvolver e manter tudo aquilo que havia sido criado por Deus. Através deste mandato, Deus colocou a humanidade em um relacionamento singular com a criação, para dominar e sujeitar (Gn 1.28), guardar e cultivar (Gn 2.17).
No decorrer do livro de Gênesis, percebe-se o surgimento e o desenvolvimento de diversas profissões. Abel foi pastor de ovelhas, Caim foi lavrador (Gn 4.2). Jabal foi o pai dos que habitam em tendas e possuem gado (Gn 4.20); Jubal foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta (Gn 4.21); Tubalcaim foi artífice de todo instrumento cortante, de bronze e de ferro (Gn 4.22).
É justamente a existência de um mandato cultural no pacto da criação que justifica o trabalho e o envolvimento do cristão em áreas como: política, educação, artes, lazer, tecnologia, indústria, e quaisquer outras áreas. No entanto, devemos entender que onde quer que os vice-gerentes agem, devem agir em nome do Criador, revestidos de sua autoridade, fazendo a sua vontade.
“Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é que estais servindo” (Cl 3. 23,24).

¹ Membro da Igreja Presbiteriana de Curitiba (IPB). Bacharel em Teologia, pela Faculdade Teológica Batista do Paraná (FTBP), e Pós-Graduando no curso de Especialização em Teologia Bíblica, pelo Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper (CPAJ – Universidade Mackenzie).

Este artigo é parte do texto publicado em:

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Ampliando o Conceito de Serviço Cristão



         Qual o significado do Serviço Cristão? Essa palavra resume-se ao trabalho realizado no âmbito da igreja? Na verdade, estas indagações são muito importantes porque a resposta está intimamente ligada a nossa identidade de Igreja Reformada.

            Ao entendemos que serviço cristão está relacionado somente com atividades eclesiásticas, como o ministério que ocupo na igreja ou minha função na sociedade que sou membro (SAF, UMP e etc.), estamos aderindo a uma divisão entre o secular e o sagrado, que tem mais relação com o catolicismo medieval, do que com as doutrinas defendidas pela reforma protestante. A palavra de Deus nos mostra de maneira muito clara a supremacia de Cristo em todas as áreas de nossa vida (Cl 1 16; 17). Devemos ser cristãos por completo, em todos os lugares, e em todas as atividades, de maneira que tudo que fazemos deve ser entendido como Serviço Cristão.

            Nós fomos criados para glorificar a Deus e nos alegrarmos nele em todo tempo (primeira pergunta do Catecismo Maior de Wenstiminster) e devemos compreender nossa vocação como mais um meio dado por Deus para que possamos realizar este propósito. Tal concepção nos trará uma motivação revigorante posto que trabalharemos como forma de dar Glória ao nome Deus. Muito mais que uma mera forma de adquirir sustento, nosso trabalho será uma adoração. Essa é a ética calvinista.

            Esta compreensão é maravilhosa, pois nos revela a graça de um Deus que através de sua infinita sabedoria nos distribui dons e se alegra quando executamos as tarefas do dia a dia com zelo, tendo como fim maior a glória e exaltação do nome Dele e isto abarca todas as habilidades, seja a medicina, arquitetura, engenharia, o comércio, o trabalho manual, o magistério. Enfim, qualquer que seja a sua vocação, Deus se alegra em ver nos exercê-la com maestria e devoção.
  
            Todo o trabalho que realizamos e ofertamos a Cristo é trabalho cristão, seja qual for. Calvino dizia que “nenhuma trabalho é tão insignificante e sórdido que não tenha esplendor e valor aos olhos de Deus”.  Já Lutero, narrou a história de um sapateiro que o procurou, afirmando que havia se convertido, e gostaria de saber o que deveria fazer agora, qual era seu chamado. O reformador respondeu: faça o melhor sapato que puder e o venda pelo preço mais justo. Que este também seja nosso pensamento: trabalhemos para a Glória de Deus!

Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd