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terça-feira, 2 de setembro de 2014

Falando sobre “Homens-Meninos”

Ela era uma amiga cristã solteira (totalmente apenas amigos), destilando a sua frustração acerca dos homens imaturos. Isso era casual, porque esse tipo de desabafo é comum. O café havia acabado. E isso foi um corte profundo.
“Homens cristãos… ugh.”
Como um homem estudante universitário sem esposa, trabalho fixo, e sem independência financeira, eu me contorci com mal-estar e insegurança. Ela não estava me atacando; apenas emitindo uma queixa comum ao universo. As palavras fluíram sem esforço da sua boca como se ela as houvesse dito um milhão de vezes antes e eu estava despreparado para os adjetivos que seguiriam ao longo da conversa: “imaturo”, “infantil”, “fraco”, “patético”. Espere um pouco... “Homens-Meninos”
É entendível, mas eu posso por favor dizer isso? Isso não está bem. O termo “homens-meninos” (às vezes, “homens-crianças”, “homens-garotos”, etc.) é uma calúnia. Ele é usado para humilhar pessoalmente e rebaixar uma classe de cristãos. Ela expressa desprezo e arrogância exposições. E, pior de tudo, ele define o valor dos seres humanos à imagem de Deus de acordo com seu desempenho de gênero.

 

O problema não é preguiça


 “Mas”, você diz, “há um monte de homens cristãos que expressam comportamentos desapontadores.” Isso é verdade, mas eu não estou convencido de que categorias como pecaminosidade ou preguiça, explicações comuns, possam claramente explicar essa questão. Talvez preguiça aponte para além dela – talvez seja um sintoma de um problema mais sistemático. Vamos interpretar o clássico comportamento “homem-menino” através dês outras lentes que não a preguiça:
Adiar o casamento pode ajudar: evitar dividir espaço fisicamente, espiritualmente, emocionalmente e espiritualmente e se retirar a um espaço pessoal.
Negligenciar a Bíblia e igreja pode ajudar: evitar intimidade divina e se retirar em uma vida pessoal.
Flutuar sem ambições pode ajudar: evitar horas de trabalho e se retirar em tempo pessoal.
Jogar vídeo games cronicamente pode ajudar: evitar realidade externa e se retirar em uma vida virtual.
Viver em casa pode ajudar: evitar pressões externas e se retirar em confortos internos.

 

As folhas de figueira modernas

“Preguça” é uma descrição superficial. “Evitar” nos move além de uma explicação do coração. As Escrituras nos dizem que o coração é sempre ativo (Gênesis 6.5, Deuteronômio 11.6, Jeremias 17.5, 1 Pedro 1.22), então a nossa descrição do coração deveria sempre está na voz ativa (Eu não digo que evitar é o problema, mas isso nos ajuda a chegar um pouco mais fundo do que o conceito de preguiça”. “Evitar” abre portas para uma série de outras palavras ativas e hóspede de outras realidades do coração: medo (“E se eu falhar?”), ansiedade (“Eu não consigo lidar com isso!”), depressão (“Eu odeio a mim mesmo/minha vida), sentimentos de insuficiência (“Eu não sou suficiente”), auto-depreciação (“Eu sou estúpido/sujo/indesejável”), vergonha (“Deus e meu próximo tem nojo de mim”) e muitos outros. Eu preferiria escapar a ser publicamente envergonhado” (cf. Apocalipse 6.16).

Essas categorias nos dão uma nova perspectiva. “Homens-meninos” não são nem a primeira nem a última luta de ser homem, mas de ser um ser humano. Solteirice, solidão, video games e a casa da mamãe são as folhas de figueira modernas – coberturas feitas manualmente para homens despidos de competência e profundamente envergonhados de sua inabilidade de se engajar com as realidades da vida por causa de suas experiências com o Opressor (Isaías 14.4), que busca espalhar confusão e caos entre o povo de Deus (João 8.44, 2 João 7, Apocalipse 12.10).

 

A solução não é “tente duro”

A necessidade do dia não é para a igreja de Jesus Cristo arrancar as folhas, mas começar a vesti-los com as vestimentas do Evangelho feitas por Deus (Gênesis 3.21). A solução para a imaturidade entre os jovens garotos cristãos não é lembrá-los verdades ou instituir regulagens, mas uma Pessoa, que não evitou realidades, mas que as encarou por nossa causa: Jesus (Lucas 2.52, Filipenses 2.6-9) – Jesus, com sua intercessão, caridade e graça. O que as mulheres cristãs solteiras fazem acerca disso além de criar um nome para defini-los?  Aqui estão algumas formas que podem ajudar:

1.     Oração Intercessória
Ore por mais pais que seriamente assumam o seu papel de ensinar os seus filhos a como se engajar com o mundo, não evitá-lo. Ore para que homens em geral faça o mesmo por garotos sem pais. Ore para que os homens mudem, não apenas em um nível comportamental, mas em um nível do coração – se movam a Deus e ao próximo em meio ao pecado que habita e a opressão externa (Lucas 10.27).

2.     Caridade
Fale bem dos outros (Efésios 4.31). Trate os jovens homens imaturos da mesma forma que você trata qualquer outro assunto na igreja: com diligência, fidelidade e amor, os mesmos traços que Paulo inclui em seu imperativo de “serem homens” (1 Coríntios 16.13-14). Isso significa que as mulheres não reajam com cinismo ou usando o termo “homens-meninos” (Efésios 4.29).

3.     Fé
Deus está disciplinando homens imaturos a crescerem por eles mesmos (Hebreus 12.11). Ele não precisa dos seus comentários sarcásticos para ajudar (Provérbios 11.12). Confie que Deus não tem abandonado homens à imaturidade, mas está terminando a obra que Ele começou (Filipenses 1.6).

4.     Graça
Toda tentação é comum à humanidade (1 Coríntios 10.13). O medo de que existe no coração de um homem pode se manifestar por si mesmo de formas (específicas a cada gênero) diferentes em sua vida. Não importa quem você namore, ele será um homem pecador (Romanos 3.23) que é imaturo e medroso, e se ele é cristão, Deus está vencendo o mal que está contra ele e nele (Filipenses 2.13; Romanos 16.20). Eu não estou dizendo que Jesus quer que você namore um perdedor. Ele não quer. Tudo o que eu estou dizendo é isso: Não apenas namore um cristão centrado no Evangelho; namore como um Cristão centrado no Evangelho (1 Pedro 4.8).

Søren Kierkegaard disse que a natureza de uma mulher “tem afetuosamente equipado-a com um instinto sensível que em comparação a reflexão masculina mais superior é nada.” Irmãs, provem que Kierkegaard está certo. Superem-nos em oração, caridade, fé e graça e nós homens tentaremos superar vocês em disciplina piedosa e ambição. Então, talvez o temor daquele que “nos ajuda em nossa fraqueza” irá florescer em seu devido curso (Romanos 8.26).


Original: http://www.desiringgod.org/blog/posts/talking-about-man-boys


Traduzido por Igor Sabino

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Prove seu Sexo

Meu marido e eu temos um filho jovem. Esse filho não é como os seus irmãos. Esse filho é emocional, empático. Ele gosta de canções, histórias e um abraço. Ele não se importa muito em ganhar e às vezes abandona o jogo de futebol do quintal antes mesmo do segundo tempo. Ele não é aventureiro nem barulhento. Ele, contudo, ainda assim é um garoto.
Quando ele crescer, é improvavél que ele seja o próximo Tim Tebow. Mas eu gostaria de pensar que ele pode ser o próximo C.S. Lewis. E espero que a comunidade cristã ainda tenha um lugar para ele.
Em sua biografia recente, A vida de C.S. Lewis: Do ateísmo às terras de Nárnia, Alister McGrath apresenta o jovem Lewis como um garoto bastante diferente dos demais. Enviado a uma escola interna inglesa aos 10 anos de idade, Lewis “parece não ter se encaixado na cultura da escola pública da era Edwardiana.” Ao invés de participar das competições atléticas, Lewis ouvia opera e lia poesia.

Essas diferenças lhes trouxeram alguns problemas. “Garotos que não eram bons em esportes” McGrath escreve, “eram ridicularizados e sofriam bullying por parte dos seus colegas. O atletismo desvalorizava conquistas artísticas e intelectuais e transformou muitas em escolas em pouco mais que campos de treinamento para a glorificação do corpo. Contudo, o cultivo da masculinidade era visto como integral aos desenvolvimento do caráter.”

O garoto poeta e a garota atleta

O nosso mundo após a Suprema Corte derrubar o Ato de Defesa do Casamento parece estar bem distante daqueles padrões Edwardianos de masculinidade baseados em partidas de rugby. Mas eu me preocupo que um padrão estreito similar esteja ganhando popularidade entre os Cristãos. Ao se levantarem contra a névoa que obscurece o gênero e a sexualidade, característica do nosso mundo hoje, cristãos podem inconscientemente requerer de nossos jovens que provem eles mesmos se são homens ou mulheres. Eu tenho medo que a comunidade conservadora cristã não tenha mais espaço para jovens que são diferentes, para o garoto poeta e a garota atleta. Isso seria uma grande perda.
Lewis, com certeza, se tornou um dos mais influentes teólogos da era moderna. Em junho de 2013, até mesmo o The New York Times, reconheceu isso com uma coluna intitulada “C.S. Lewis, Evangelical Rock Star” (C.S. Lewis, uma estrela evangélica do rock), uma manchete que certamente teria chocado os colegas de infância do Lewis. De um imaginativo e artístico garoto, Lewis cresceu para realizar grandes coisas no Reino de Deus. E existem hoje em nossas igrejas garotos e garotas com potencial semelhante. A normal e difundida aceitação da homossexualidade complica ainda mais a nossa posição. A comunidade cristã tem que se posicionar contra o pecado da homossexualidade (e dezenas de outros pecados) com um grau de foco e energia nunca antes preciso para tratar desse assunto. Contra a mudança do pano de fundo das normas culturais, cristãos conservadores tem que defender alguns padrões definitivos. A situação requer isso.
Mas essa necessidade de definições dá margem ao surgimento de uma série de problemas próprios. Em 2005, Anthony Esolen explanou a dificuldade dos jovens, em particular, rapazes:
“A proeminência da homossexualidade muda a linguagem para os garotos adolescentes. É absurdo e cruel dizer que os garotos podem ignorar isso. Mesmo que eles pudessem, os seus colegas de classe não os deixariam. Todos os garotos precisam provar que eles não são fracassados. Eles precisam provar que estão no caminho de se tornarem homens.”
Esolen argumenta que a cultura da homossexualidade força os jovens a se definirem aos seus colegas de uma forma notável; o que era desnecessário nas gerações anteriores.
Isso foi em 2005. Agora, em 2013, a situação mudou ainda mais. Em um mundo pós-DOMA onde um transexual do primeiro ano usa o banheiro das garotas, a cultura não está mais de forma óbvia forçando as pessoas a serem uma coisa ou outra. Gênero e sexualidade são conceitos fluídos no mundo de hoje. Eles estão em uma jornada pessoal de escolhas e preferências, sujeitas a mudanças a qualquer momento. De acordo com esse padrão do mundo, nossos jovens já não tem mais que definirem a si mesmos como alguma coisa.
Mas na comunidade cristã conservadora, nós ainda estamos nos posicionando firmemente. Nós estamos nos levantando contra a névoa ao proclamarmos o padrão da criação, a beleza e o complementarismo das diferenças de gênero e a necessidade dos jovens de abraçarem suas responsabilidades de gênero.
Tal ênfase incorre em erros para a Igreja como aqueles que Esolen previamente atribuiu à sociedade como um todo. Ao se posicionar contra a ambiguidade sexual e de gênero, nós corremos o risco de fazermos definições em excesso e assim forçar nossos jovens a provar aquilo que não precisa ser provado.
Nada a provar

Então novamente eu volto ao meu filho sensível, com sua preferência por brincadeiras imaginativas a brincadeiras competitivas. Eu reflito se ele em breve ele não mais se encaixará na comunidade cristã, pressionado a provar a si mesmo – não pelo seus colegas de vizinhança, que não vão ligar para o que ele é – mas por outros cristãos, que querem que ele se posicione por um certo tipo de masculinidade em extinção.
Em 2005, Esolen sugeriu que os jovens veem na fornicação heterossexual uma opção fácil para provar a sua identidade sexual. Nós ainda enfrentamos esse perigo. Atos sexuais, pensamentos e desejos são corretamente cultivados apenas no casamento (entre um homem e uma mulher). Eu não espero ver cristãos aceitando fornicação. Mas eu posso imaginar uma quase justificativa a expressões infantis ou adolescentes de atração pelo sexo oposto. Bom, pensaremos, pelo menos eles não são tentados à homossexualidade.

Os jovens também precisam aprender as habilidades necessárias para cumprir as suas responsabilidades de adulto. Garotos são aos poucos, treinados para serem cabeças do lar assim como Cristo é o cabeça da Igreja (Efésios 5.23). Garotas estão trabalhando para desenvolverem um caráter que eventualmente tome a responsabilidade de “trabalhar em casa... submissa aos seus próprios maridos” (Tito 2.5). Muita dessa atual ênfase nesse ensino contra cultural é valioso.

Mas essas habilidades, assim como qualquer outro santo dever, são mais duros para alguns indivíduos aprenderem do que para outros. É uma falta de amor e um ato anti-bíblico assumir que todo garoto cristão naturalmente irá tomar o seu papel de liderança ou que qualquer garota cristã irá imediatamente se satisfazer com os deveres domésticos. Assim como cada um de nós luta para cumprir alguns dos mandamentos do Senhor (digo, paciência e contentamento), a personalidade de alguns jovens fará com que administrar as suas responsabilidades de gênero seja uma tarefa difícil. Nós não deveríamos fazer da facilidade em assumir essas tarefas um teste da verdadeira piedade.
Finalmente, a comunidade crista deveria intencionalmente celebrar o maravilhoso espectro de personalidades e talentos que Deus criou. Nós temos sim que nos posicionarmos contra o pecado sexual. Mas que não declaremos um certo tipo de garota ou um certo tipo de garoto como mais piedoso do que outro.
Jovens cristãos – pensadores e sentimentais, músicos e montanhistas, lutadores e poetas – não tenham nada a provar.

Megan Hill vive em Mississipi. Ela é membro da St. Paul Presbyterian Church (PCA) e escreve sobre vida ministerial no Sunday Women.


Publicado em: http://thegospelcoalition.org/blogs/tgc/2013/09/04/prove-your-gender/

Edição e Tradução: Igor Sabino


quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

O Homem Abençoado

Nos últimos dias tenho aprendido bastante sobre masculinidade bíblica e tenho percebido o quão alto é o padrão de Deus para os Seus filhos homens. É necessário de nós que além de trabalharmos duro, sejamos capazes de edificar uma família e lidera-la diante de Deus. Tarefas que por natureza já não são fáceis, mas que se tornam ainda mais árduas em consequência do pecado que não apenas atuam em nossa vida, mas marca a sociedade na qual estamos inseridos. Buscar viver de acordo com a Bíblia em uma cultura consumista e pornificada é um grande desafio!

Em minha busca pela masculinidade bíblica tenho experimentado a grande alegria de viver exatamente aquilo que Deus me planejou para viver e isso é algo que traz grande contentamento e satisfação. Mas confesso, que isso nem sempre tem sido algo fácil e as pressões da sociedade às vezes parecem me esmorecer. É o medo de não conseguir um bom emprego após a faculdade, de não encontrar a pessoa certa para casar, de um dia fracassar como marido e pai, de não cumprir a vocação que Deus me entregou... Enfim, são muitas as situações que tentam me impedir de continuar buscando o padrão que Deus estabeleceu para mim como homem em Sua Palavra. Mas em meio a isso tudo, descobri no Salmo 128 um conforto e tranquilizante, me assegurando um futuro certo de acordo com a vontade de Deus.

“Como é feliz quem teme ao Senhor, quem anda em seus caminhos!
Você comerá do fruto do seu trabalho, e será feliz e próspero.
Sua mulher será como videira frutífera em sua casa; seus filhos serão como brotos de oliveira ao redor da sua mesa.
Assim será abençoado o homem que teme ao Senhor!
Que o Senhor o abençoe desde Sião, para que você veja a prosperidade de Jerusalém todos os dias da sua vida,
e veja os filhos dos seus filhos.  Haja paz em Israel!”
Salmos 128:1-6

Esse Salmo fala exatamente sobre o que acontece com as pessoas que temem ao Senhor e andam em seus caminhos, especialmente os homens e a meu ver é o padrão perfeito de um homem realmente bem sucedido.

Primeiro, o autor do Salmo diz que o homem que teme a Deus comerá do fruto do seu próprio trabalho e será próspero. Não, isso não é uma garantia de que todos os homens que temem a Deus serão ricos ou que não enfrentarão problemas financeiros. Mas assegura eles serão capazes de viverem e sustentarem suas famílias a partir do seu próprio esforço, cumprindo assim o dever do homem de trabalhar como estipulado pelo próprio Deus no livro de Gênesis. Além disso, ele nos assegura que seremos felizes. Sim, a felicidade é uma consequência de vivermos a nossa masculinidade de acordo com o que a Bíblia diz, incluindo trabalhar, mesmo sendo essa uma tarefa bastante árdua após a Queda. Isso contradiz totalmente o ideal do mundo, segundo o qual, homens bem sucedidos são aqueles que trabalham pouco, mas tem muito dinheiro. Essa é uma prova de que o sonho de ganhar na loteria para nunca mais trabalhar não traz alegria de verdade, tampouco a satisfação de ser um “macho bíblico”.

Logo em seguida, o autor fala sobre a alegria da família. Nada mais completa um homem do que uma mulher – é claro que há algumas poucas exceções. Há uma necessidade intrínseca a nós homens de sermos líderes, de buscarmos uma companheira e junto com ela edificarmos uma família. Entretanto, por causa do pecado nem sempre conseguimos assumir o nosso papel de liderança da forma correta, do mesmo modo, nem sempre as mulheres conseguem ser submissas a seus maridos, o que acaba levando ao fim muitos casamentos. Entretanto, a promessa desse Salmo é de que o homem que teme a Deus terá uma família abençoada, na qual ele consegue cumprir o seu papel de provedor do lar e sua esposa reconhece o seu lugar de auxiliadora e assim como uma árvore que gera bons frutos, consegue dar à luz a muitos filhos, formando assim a família da aliança. Ao mesmo tempo, salienta que o verdadeiro homem não aquele que “conquista” mais mulheres, mas sim aquele que consegue escolher uma única mulher e ser fiel ao seu lado pelo resto da vida.

Por fim, essas bênçãos que se iniciam no lar abrangem a Igreja e trazem bênçãos para toda a nação. É por isso que o salmista ora para que Deus abençoe Sião, haja paz em Jerusalém e as gerações futuras sejam prósperas. Ele entende que a verdadeira masculinidade é um legado precioso e por isso anseia para que a sua nação como um todo e as próximas gerações experimentem tais bênçãos.

O que mais gosto nesse Salmo não é porque ele simplesmente garante um futuro certo àqueles que decidem viver a verdadeira masculinidade bíblica, mas também estabelece o que realmente significa ser um homem de acordo com a vontade de Deus. Ele reitera o mandato de Gênesis de que o homem deve trabalhar e liderar uma família. Ao mesmo tempo em que termina apontando para uma outra característica de um verdadeiro homem: o apreço pela oração. O verdadeiro homem de Deus é homem que ora por sua família, pelos seus descentes, pela Igreja e pela sua nação.

Temos vivido em nossa sociedade uma verdadeira crise de hombridade e é por isso, que mais do que nunca precisamos ser verdadeiros “machos bíblicos”. Essa não é uma tarefa fácil, mas não é em vão e é a única forma de sermos verdadeiramente felizes e satisfeitos. Em meio às dificuldades podemos ter certeza de que não estamos sozinhos e de que a própria Palavra de Deus nos assegura um futuro bem sucedido de verdade. Que o Salmo 128 nos encoraje a sermos aquilo que a Bíblia nos manda ser.

Igor Sabino

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Eu Vos Escrevo, Jovens Rapazes

 “Dois terços dos missionários ativos são casais casados. Outro terço são mulheres solteiras. O resto são homens solteiros.”

Isso não é exatamente uma estatística, propriamente dita. É um sentimento, e algumas vezes uma brincadeira feita por líderes de agências missionárias, e mais recentemente, por um monte de solteiros de vinte e poucos anos em minha sala de estar. É um sentimento que revela uma verdade impressionante sobre o trabalho missionário hoje em dia: há muito poucos homens solteiros escolhendo ir.

A verdadeira estatística é essa: para AIM¹ e outras organizações similares, algo aproximadamente entre 80 e 85 por cento de todos os missionários solteiros são mulheres. Para cada 10 solteiros enviados, apenas 2 são homens. A disparidade é grande o suficiente a ponto de haver uma enorme lacuna em muitos campos missionários. Está faltando homens, e por isso um grupo de mulheres tem assumido o trabalho. Às vezes fazendo trabalhos em que a presença masculina seria mais recomendada.

Por que existe tão grande diferença entre homens e mulheres que escolhem fazer missões em seus anos de solteiros? E por que isso importa?

Estatísticas e dados demográficos são uma forma humana de mensurar algo. Talvez Deus esteja simplesmente dirigindo mais mulheres às missões do que homens – é como se Ele chamasse mais pessoas de Michigan do que de Nova Yorque (ou Ele chama mesmo?). Mas talvez haja algo por trás dessa tendência. Talvez haja algo diferente que nossas igrejas e agências missionárias possam fazer. E talvez haja alguns homens que precisem seres despertados e chamados.

A maioria dos solteiros se envolvendo com missões hoje em dia são muito novos, parte da geração conhecida como os “mileniaristas”. Eu não sou jovem, nem solteiro. Então, a fim de compreender melhor a questão, convidei à minha casa meia dúzia desses jovens com a promessa de uma refeição caseira e uma noite animada, possivelmente com uma conversa inquietante. O grupo consistia em três homens solteiros e três mulheres solteiras, cujas idades variavam de 22 a 30 anos. Todos missionários efetivos na África.

Muito tem sido dito acerca dessa geração e não sou o primeiro a refletir se algo está indo errado. Há uma vasta quantidade de escritos e até mesmo pregações lamentando a diminuição da participação de homens na sociedade moderna e na igreja. Mark Driscroll, pastor titular da Igreja Mars Hill em Seattle pontua isso abruptamente (como ele geralmente faz): “A pessoa menos provável de se ver na igreja é um jovem rapaz solteiro de vinte e poucos anos”. Por coincidência (ou seria por consequência?) essa é também a pessoal menos provável de se ver no campo missionário.

Uma Tendência Cultural

Distraído, cheio de si, sem motivação, apático. Se você fosse procurar adjetivos que descrevam a geração mileniarista, esses são algumas das descrições comuns que surgiriam. Eu coloquei isso, timidamente, em nosso grupo de discussão e perguntei se eles concordavam. Fiquei surpreso ao ouvir um alto “sim”.

Cada vez mais conectados, os mileniaristas tem o mundo ao alcance dos seus dedos, entretenimento em toda esquina e expectativas de que as coisas deveriam ser mais simples- tão simples quanto um click. Apesar dessa massiva conexão virtual, eles estão crescendo cada mais entediados, desconectados e apáticos. Os homens em particular estendem os seus desejos de adolescência, e tanto homens quanto mulheres atrasam o casamento. Eles trocam de empregos frequentemente, vão à igreja com menos fervor; contudo, “postam” de forma prolífica acerca do que está errado com o mundo.

Driscroll percebe isso na igreja da seguinte forma: “O pecado notório dos garotos cristãos hoje em dia é se preocupar mais acerca das coisas do que tentar fazer algo.”

Benjamin Brophy, em um artigo intitulado “My Generation’s Disease” (A Doença da Minha Geração), colocou a questão da seguinte forma: “Mileniaristas querem mudar o mundo, mas eles sentam e esperam que a oportunidade de mudar o mundo seja dada a eles. O clichê é: queremos salvar o mundo, mas queremos fazer isso por trás da tela de um computador”.

Nosso grupo em foco utilizou a recente campanha “Kony 2012” como uma ilustração. O vídeo documentário expondo o chefe de guerra Joseph Kony e as atrocidades que ele cometeu na África Central se tornou um viral massivo em 2012 – largamente devido ao ultraje moral dos mileniaristas.

 “Então muitos foram despertados” nosso grupo disse, “mas tudo o que eles fizeram foi compartilhar o vídeo. Eles não tinha ideia de que isso estava acontecendo por anos, e agora, ninguém fala mais sobre ele.”
 “Essa não é uma mudança duradoura”, uma das jovens mulheres acrescentou, “Isso apenas faz você se sentir melhor”.

Eu perguntei ao grupo se o mundo poderia realmente ser mudado com um click. Sim, eles disseram, como mileniaristas, tem testemunhado essas coisas em primeira mão durante o período de vida deles. Então eu os perguntei se discípulos poderiam ser feitos com um click.

 “Leva tempo para construir relacionamentos, estar na vida das pessoas, e entender uma cultura é muito mais difícil do que clicar um botão”, uma mulher argumentou. “Eu não conheço muitos jovens que estejam dispostos a se meterem em situações como essa. Isso é realmente muito difícil. Discipulado requer relacionamentos reais, compromisso e sacrifício.”

Isso poderia ser parte do que está afetando a participação dos mileniaristas em missões, e se for, isso é um fator maior para homens? Os homens são mais apáticos do que as mulheres? Até mesmo para tentar responder isso, nós teríamos primeiro que definir o que é masculinidade, ou de preferência, como ela é percebida.

A questão dos papéis de gênero tem mudado para essa geração e o nosso grupo tinha muito a dizer acerca dos efeitos em seus colegas de idade no que diz respeito ao que a cultura e a mídia ensinam sobre masculinidade.

Há 50 anos atrás, as mulheres no Ocidente fizeram grandes ganhos. Hoje, mais mulheres do que homens conseguem se formar na faculdade, com notas melhores e mais confiança do que os homens de suas classes. Elas são mais suscetíveis do que os homens a irem para faculdade e muitas ganham salários mais altos do que eles no mercado de trabalho. As mulheres estão sendo ditas que podem conquistar qualquer coisa e muitas tem perseguido essa promessa. Os homens, por outro lado, estão sendo ditos o contrário.

À medida que as mulheres tem ganho mais igualdade, os homens tem sido desvalorizados. Definido como a “efemização da cultura”, nós estamos vivendo em meio a uma mudança cultural em que os homens são vistos cada vez mais como menos importantes no esquema das coisas. A mídia toma essa percepção e a codifica. Assim, uma geração ensinada em massa através da mídia cresce acreditando nisso.

Como Owen Strachan escreveu no blog do The Gospel Coalition, “Os homens hoje estão em apuros. Os garotos tem sido ensinados por incontáveis fontes e mídias que eles são inerentemente mais débeis, tolos e inferiores às mulheres. Os garotos se envolvem com meninas, fogem de suas responsabilidades, não levam as coisas sérias a sério e geralmente negligenciam as grandes oportunidades que lhes são postas.”

É possível que esses homens mileniaristas estejam simplesmente fazendo jus às baixas expectativas que a cultura lhes tem imposto?

O nosso grupo de discussão foi rápido em culpar os lares sem pais. Antes uma anomalia, pais ausentes – como resultado de divórcio, negligência ou até mesmo trabalho demais – são hoje uma epidemia. Como resultado, inúmeras crianças crescem sem um modelo balanceado ou instrução acerca dos papéis de gênero. Os garotos aprendem sobre masculinidade com a mídia ou seus colegas, mas não dos seus pais.

Driscroll diz que isso leva a um certo tipo de “adolescência estendida”, na qual garotos continuam agindo como tais ao longo dos seus vinte anos. “Em uma cultura de consumo, masculinidade termina sendo definida pelo que você consome, não pelo que você produz. Os homens se tornam consumidores auto absorvidos de aparelhos eletrônicos, jogos e mulheres. O que mata os jovens rapazes é o pensamento de que a adolescência estendida é aceitável e inevitável.”

Inevitável. Essa é uma palavra curiosa. Será que os homens mileniaristas são vítimas involuntárias da tendência cultural contrária a eles? Eles estão sobrecarregados com uma angústia geracional, perda de modelos e a morte da masculinidade. Mas e a Igreja? Ela não está se posicionando em meio à lacuna, como uma força contra cultural?

Um Evangelho Tímido

Em um artigo da Revista Biola intitulado “The Feminization of the Church” (A Feminização da Igreja) nós aprendemos que as coisas não foram como a contracultura que você esperaria.

Pollster George Barna se refere às mulheres como “a coluna vertebral das congregações cristãs na América.” Majoritariamente 60% da igreja é constituída por mulheres, e os homens que a frequenta são menos ativos – menos prováveis de participar da escola dominical, pequenos grupos e cultos. Como resultado, a mensagem e os ministérios da igreja tendem a serem dirigidos às mulheres.

Os homens em nosso grupo concordaram, “A espiritualidade está ligada a sentimentos e emoções. Os garotos são distanciados por isso. Essas coisas não são vistas como viris e se um garoto não está na igreja, muito menos estará envolvido com missões.”

Mike Erre, um director de ministério para homens em uma grande igreja da Califórnia, argumenta que a mensagem da igreja não está mais ressoando aos homens. “O Evangelho que Jesus e Paulo pregou é revolucionário e é digno de darmos nossas vidas por ele. Mas parte das razões pelas quais os garotos não estão envolvidos é porque temos vendido um Evangelho tímido. Nós não o pintamos como grande o suficiente – ou Deus como maravilhoso o suficiente – a ponto de ser constrangedor.”

A feminização da igreja reflete a feminização da cultura maior e eu reflito até que ponto isso influencia em missões. Certamente a Grande Comissão é muito constrangedora, ousada e até mesmo revolucionária. Mas se a Igreja não apresenta a vida cristã em uma perspectiva balanceada – afirmando as forças de tanto homens quanto de mulheres – então como eles apresentarão um chamado a missões?

E quanto às agências de missões? Uma das mulheres em nosso grupo serve como a coordenadora de novos missionários em uma organização parceira da AIM. Ele argumenta que os homens não tem ideia das oportunidades diante deles, “Setenta por cento das nossas vagas são preenchidas por mulheres”, ela disse, “porque elas focam em mulheres, crianças, educação, enfermagem... a percepção em massa é que o que está disponível é para ser feito é relacionado a carinho.”

Embora muito do trabalho missionário seja carinho, como temos vistos, discipulado requer relacionamentos e até mesmo relacionamentos requerem carinho. Mas esses mesmos relacionamentos requerem um certo nível de risco, ousadia, e o mais importante, um cenário em comum sobre o qual será erguido. É difícil, senão impossível, para jovens mulheres ministrarem a homens em muitos contextos transculturais. Para incontáveis homens na África que precisam ouvir a Palavra e aprenderem a ser seguidores de Cristo, apenas outro homem pode lhes mostrar o caminho.

Há provavelmente centenas de buscas masculinas que podem oferecer acesso a esses tipos de oportunidades de discipulado. Os jovens rapazes vagando pelos bancos da Igreja do Ocidente já ouviram alguma vez falar sobre isso? Quanto deles já visitaram o site de alguma agência missionária?

Uma Estrada Difícil

Apesar da pressão negativa da cultura e a morna inspiração da Igreja, homens solteiros podem também estar em desvantagem ao realmente irem ao campo e possivelmente florescer enquanto estiverem lá.

Expectativas culturais desempenham um papel. Um dos homens em nosso grupo resumiu isso como uma simples questão de “dinheiro e orgulho”. Os homens carregam um fardo maior do que o das mulheres de serem provedores e membros autoconfiantes da sociedade. Contudo, ao seguirem o chamado para missões, eles são levados a abraçar uma vida de dependência e até mesmo a probabilidade do que alguns poderiam considerar “carreira suicida”; tudo por fazer um trabalho que muitos em casa poderiam não entender. Esse afastamento das expectativas culturais irá sem dúvidas desafias o orgulho de um homem e poderia também ser percebida como um risco colossal.

Relacionado ao orgulho está o medo de falhar, na vida ou ministério ou em ambos. Alguns tem sugerido que as mulheres solteiras são naturalmente melhor equipadas para lidar com as generalidades da vida no campo. O trabalho missionário tende a ser relacional e sem estrutura. É cheio de ambiguidades em que um rapaz poderia preferir um plano de ação e isso não os leva a soluções fáceis como fazer uma ida a Home Depot². Além disso, há a questão da pureza sexual, indiscutivelmente mais difícil para homens solteiros do que para mulheres.

Pode ser verdade que missões requer mais dos homens, mas como o Driscroll martela para fora do seu púlpito em um sermão sobre masculinidade bíblica, “Verdadeiros homens não estão procurando o caminho de menor resistência, mas o caminho de maior glória para Deus”.

Um Chamado à Ação

Enquanto muitos homens estão evitando o caminho quando ele requer uma volta inesperada em direção ao trabalho missionário, as mulheres estão muito mais prontas para seguir em frente. Elas também são rápidas em perceber que isso não é uma boa coisa. Não é bom para o desequilíbrio das necessidades ministeriais no campo. Não é bom para as muitas mulheres que servem solteiras durante toda vida, escolhendo um chamado ministerial ao invés de uma família devido à falta de homens que compartilhem a mesma visão que elas. Também não é bom para os homens a quem Deus tem chamado, que um dia poderão olhar atrás e perceberem ressentidos que perderam a maior oportunidade de suas vidas.

Igrejas e agências missionárias podem estar em falta com isso, e nós temos que reconsiderar a visão da qual estamos lançando mão (ou falhando em fazer) de jovens rapazes em nosso meio pela Grande Comissão. Há custo e perigo em seguir a Cristo e homens são trabalhados por Deus a responderem a tais coisas.

Eu sou lembrado da gentil, porém sóbria exortação na epístola de Primeira João que expõe o conflito do cristão com o mundo, a carne e o diabo. “Eu vos escrevo,” o autor desafia, “... pais, filhos, jovens rapazes.”³

Nós poderíamos facilmente carregar mais essa cobrança – a todos os envolvidos no movimento missionário moderno:

Eu vos escrevo, Igreja, porque você sustém uma mensagem revolucionário e só precisa expô-la.

Eu vos escrevo, agências missionárias, porque vocês conhecem a paisagem e precisam traçar um caminho.

E eu vos escrevo, jovens rapazes, porque nós precisamos de você.

Sim, isso pode ser mais difícil para você. Difícil de abandonar as mentiras e a apatia. Difícil de prover um sustento e ser autoconfiante na sociedade. Difícil de entrar em relações dirigidas de forma transcultural. Difícil de encontrar o seu ministério em sua vocação. Mas o Evangelho precisa de homens. A vida cristã pode ser uma batalha, tanto que a Bíblia nos manda vestirmos uma armadura. O campo missionário é um campo de batalha, onde as forças e paixões de um homem são chamadas para serem gastas pela maior causa que a criação já conheceu: a causa de Cristo e a sua obra redentora para salvar este mundo. Isso requer coragem – coragem para sair da sonolência e entrar na briga. Isso requer humildade – para estar disposto a falhar ou pelo menos ser considerado um fracasso pelos seus colegas. Por fim, isso requer coragem – mais do que você tem, mas não mais do que a que Deus lhe dará.

“Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e tendes vencido o Maligno.” (1 Jo 2.14)

1.    1   AIM é uma agência missionária americana que atua na África

2.   2    Home Depot é uma loja de departamentos americana


3.   3    Em todas as traduções da Bíblia para o inglês o termo “jovem” em 1 João 2 é “Young Man”, que pode ser traduzido como “jovem rapaz”, especificando que os destinatários não eram jovens em geral, mas jovens homens.

Mike Delorenzo

Texto traduzido por: Igor Sabino

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Porque os Homens não Falam? – Lição 2

Semana passada começamos nosso estudo sobre por que os homens não falam.
  • A primeira coisa que vimos foi que há um desejo entre a maioria dos homens de ser “um homem de verdade”, mas aquilo que geralmente fazemos é ir procurar uma lista de coisas a fazer ou passos a seguir, os quais ajudarão a nos tornarmos homens de verdade. Estamos sempre tentando dar esses passos por contra própria e isso geralmente falha. Concluímos que, para sermos homens de verdade, é preciso preocuparmo-nos menos em seguir uma porção de passos e, ao invés disso, esforçarmo-nos mais para sermos tementes a Deus.
Ser temente a Deus significa ser semelhante a Deus, assim precisamos ver como Deus é. Em Gênesis 1:2 vimos que Deus se moveu dentro da escuridão e do caos e, ao falar, criou vida e ordem.
  • Se o homem é criado à imagem de Deus, então ele precisa fazer o mesmo. Os homens precisam se mover dentro do caos e da escuridão e criar vida e ordem. Fazemos isso ao falar ou fazer – ao nos envolvermos emocionalmente.
  • Mas a tendência natural do homem é evitar a escuridão. Nossa tendência natural é evitar situações bagunçadas. Vimos cinco exemplos em Gênesis de homens que ficaram quietos, que evitaram situações bagunçadas – Adão, Abraão, Ló, Betuel e Isaque. Em todos os nossos exemplos, os homens foram presenteados por uma situação que era de caos ou de desordem. Na verdade era apenas a vida real. Mas eles não fizeram nada, e assim suas esposas se intrometeram com sugestões, ou com engano ou tomaram o controle. Em cada exemplo, a consequência foi mais caos e relacionamentos rompidos.
  • Assim, para resumir a última semana: quando Deus falou, ele colocou ordem no caos. Quando o homem falha em agir, e falar, segundo a imagem de Deus, a consequência é mais caos. E é muito importante reconhecer: causa o rompimento dos relacionamentos.
Esta semana vamos falar sobre por que os homens ficam calados.
A Realidade do Mistério
Há muitas coisas na vida que dão prazer, tais como poder, influência, dinheiro, status, ligações, realizações, sucesso, posses, comida, sexo, recreações, etc. Todas essas coisas são boas quando no seu devido lugar, mas temos a tendência de pensar que elas são a fonte da felicidade. Elas nos fazem sentir bem, mas não trazem a verdadeira felicidade. Não trazem satisfação.
  • Se você estiver procurando pela felicidade no dinheiro, poderá jamais conseguir o suficiente. Sei que já ouviu a ilustração sobre John D. Rockefeller quando foi perguntado a respeito de quanto dinheiro é suficiente, e ele respondeu: “só um pouquinho mais”. Não dá prá acreditar que, se fôssemos milionários, desejaríamos mais, mas se é nisso que estamos procurando felicidade, ou segurança, então desejaríamos.
  • Se é no sexo que você está tentando achar a felicidade, sua esposa nunca o satisfará.
  • Se é no poder que você está buscando a felicidade, então nunca terá o suficiente.
  • Se é nos bens materiais que você tenta encontrar a felicidade, então sua casa nunca será grande o suficiente e seu carro nunca será novo o suficiente.
  • Se é nisto que você está procurando felicidade, quando estas coisas se forem, você ficará arrasado.
Deus quer que desfrutemos destas coisas, mas desfrutá-las não é a razão pela qual Deus nos colocou aqui. Deus nos criou com um propósito. A Bíblia toda é resumida em dois mandamentos – Amar a Deus e Amar ao Próximo. E Paulo resume toda a lei com a afirmação: ame a seu próximo; assim o propósito de Deus para nós é amar aos outros – construir relacionamentos, nos aproximarmos da vida de outras pessoas e ajudá-las a se aproximarem de Deus. Encontraremos as maiores alegrias da vida quando fizermos isso. Mas os relacionamentos estão uma bagunça. Conversamos muito sobre caos na semana passada. Bagunça = caos. Relacionamentos = caos. Os relacionamentos envolvem um mistério.
Odiamos o caos e o mistério. O que realmente queremos na vida é ter certeza.
  • Isso é verdade com relação à nossa religião. Queremos ter certeza em nossa religião. Queremos tudo preto no branco. Queremos pensar que há respostas diretas e conhecidas, de modo a discutirmos sobre pontos doutrinários e igrejas divididas, e assim podermos estar em companhia daqueles que crêem da mesma maneira que nós, e que reforçarão nossas opiniões, fazendo-nos sentir que estamos certos. Para muitas pessoas é difícil reconhecer que Deus é infinito e que nós somos finitos, e que há algumas coisas que simplesmente não podemos compreender. Há muitas coisas na Bíblia que simplesmente não são claras.
  • Isso é verdade no processo de tomar decisões. Queremos saber se a decisão que estamos para tomar é a certa. Queremos que Deus nos mostre exatamente o que devemos fazer. Mas as decisões são cheias de mistério. Há mistério envolvido em decidir com quem casar, que emprego aceitar, se reformamos ou não nossa casa, que carro comprar, em que títulos investir, etc. Muitos de nós ficam paralisados pelo processo de tomar decisões e cometer erros. Não conseguimos decidir o que fazer, e assim não fazemos nada.
  • Isso é verdade em nossos relacionamentos. Não há certeza nos relacionamentos. Há somente caos e mistério. As pessoas desapontam. Elas nos decepcionam, nos machucam… Como a pessoa reagirá se eu fizer isto ou aquilo? Minha esposa ainda me amará se souber que estou com medo de…? Por que minha esposa está deprimida? Por que meu filho é briguento na escola?
Assim, o que tentamos fazer é encontrar uma maneira de eliminar o mistério.
Como eliminamos ou dissipamos o mistério?
Em Busca de Certeza
A Teologia da Receita
Muitas pessoas usam a teologia da receita. A teologia da receita resiste às falsas promessas de certeza. Por teologia da receita quero dizer a crença de que se pudermos encontrar um determinado conjunto de passos ou princípios, e então segui-los corretamente, eles farão todo o trabalho por nós. Nós realmente gostamos de passos para seguir. Essa é uma das razões pelas quais os livros de auto-ajuda, as convenções dos guardiães da promessa e as conferências sobre vida familiar são tão populares. Geralmente saímos delas com uma lista de coisas a fazer. Algumas pessoas lêem os livros, vão às conferências e saem convictas de seu pecado e com uma nova determinação de confiar mais em Deus à medida em que avançam na vida. Mas outros saem dessas conferências apenas com um novo conjunto de passos a seguir. A teologia da receita diz: “Se eu pegar minhas meias, arrumar a cozinha para minha esposa e desistir do futebol de segunda à noite, então meu casamento será ótimo.” Quando isso não funciona, nossa conclusão é que esses eram os passos errados e assim vamos à procura de outra lista. Jamais entendemos que aquilo que realmente precisamos fazer é aprender como nos relacionar com nossas esposas.
Acho que uma das melhores e mais mal-usadas passagens da Bíblia a esse respeito está em Efésios 5:25. Ela diz que os maridos devem amar suas esposas como Cristo amou sua igreja e a Si mesmo se entregou por ela. Tenho ouvido as pessoas ensinarem sobre esta passagem e o que entendem é que precisamos nos sacrificar pelas nossas esposas. Então dão sua lista de coisas que podemos fazer para nos sacrificar. Mas o conceito todo por trás desta passagem é que Cristo veio à terra para construir relacionamentos com os homens. Nós O rejeitamos e O matamos. O que isto significa para o marido é que ele precisa se aproximar de sua esposa e construir um relacionamento com ela. No processo, ela vai rejeitá-lo, desapontá-lo, machucá-lo, vai argumentar com ele, não vai reagir a ele, etc. E é aí que o sacrifício entra – em estar disposto a ser machucado no processo de se aproximar de sua esposa. O sacrifício entra ao se estar disposto a penetrar o caos e o mistério dos relacionamentos.
A Vida Continua
Outro jeito que podemos adotar para dissipar o mistério é tentar ignorar as necessidades dos relacionamentos e concluir que, de qualquer forma, “a vida continua”. Assim, fugimos das pessoas e dedicamos nossa energia às coisas controláveis, coisas em que somos bons. Habilidades como talento atlético, dons acadêmicos, ou jeito com máquinas, muitas vezes vêm à tona para nos dar um sentimento de poder, competência, apreciação, etc. Quando os relacionamentos estão por demais confusos e desanimadores, nos voltamos para aquelas coisas que nos trazem esses prazeres passageiros de que já falamos. No entanto, são passageiros, e assim gastamos mais e mais tempo no trabalho ou enterrados em nossos hobbies, ou consertando coisas na garagem, tentando satisfazer os anseios de nossas almas.
Por exemplo, se você é programador de computadores, acho que seria correto dizer que seu trabalho nunca se acaba, e se as coisas estão ruins em casa, seria muito fácil sempre trabalhar até tarde. Você poderia honestamente dizer à sua esposa que seu serviço está atrasado, pois nesse tipo serviço você está sempre atrasado. E fazer isso muito é mais atrativo mesmo; programação de computadores é um lugar seguro onde se esconder das pessoas. Um computador é apenas uma caixa estúpida que faz exatamente aquilo que você lhe diz. Assim você está no controle. E quando você está programando ou desenhando um gráfico ou qualquer outra coisa, você está sendo criativo. Isso atrai ao homem e satisfaz de forma ilusória aquilo que Deus pretendia que ele fosse.
Ou talvez sua solução seja ir jogar golfe ou pescar. Essas atividades são divertidas, desafiadoras e, mais importante, não exigem tanto que atrapalhe os relacionamentos.
Sendo Ditador
Outra maneira de tentar dissipar o mistério é sendo ditador. Se você é categórico e autoritário, com frequência poderá sujeitar os outros onde não o questionem, ou poderá pelo menos mantê-los a uma distância segura, a fim de que não tenha que tratar do assunto.
Aplacando a Dor
Outros tentam dissipar o mistério ao tentar aplacar a dor através do álcool, da pornografia, etc. Das quatro formas, esta é, socialmente, a menos aceitável, mas os outros métodos são, da mesma forma, mal e pecaminosidade.
Você pode pensar em outras maneiras que adotamos para dissipar o mistério?
Três Modos de Se Relacionar
Precisamos entender o princípio que move cada homem. O movimento define a vida de um homem. Se não estamos nos movendo na direção certa, então nos moveremos na direção errada. Bom movimento significa atravessar a miséria pessoal em direção a Deus. Mau movimento é o movimento direcionado para nada mais do que o alívio da miséria pessoal. As coisas sobre as quais acabamos de falar, entorpecer a dor, ser ditador, continuar a vida, e a teologia da receita, todas são exemplos de mau movimento – tentativas de aliviar a dor.
Uma vez que os homens são fundamentalmente seres que se relacionam, todos os movimentos serão vistos mais claramente na maneira de um homem se relacionar.
O Homem Carente
O homem carente sabe que precisa dos relacionamentos para ser feliz, mas sua visão dos relacionamentos é distorcida. O que ele quer é que os outros venham até ele e conheçam suas necessidades, sem que exijam algo de bom de sua parte. Na verdade, ele está procurando a felicidade nas pessoas, não em Deus. Ele está esperando que as pessoas lhe dêem aqueles prazeres de que falamos anteriormente.
Este é o homem que chega em casa todas as noites e solta um profundo suspiro ao entrar pela porta, a fim de que a família saiba o quanto ele esteve trabalhando o dia todo por eles (Isso é mentira. Ele está trabalhando para si mesmo.) Ele quer que cuidem dele, mas está enviando um sinal na expectativa de que não esperem nada dele.
Este é o homem que se sente como um mártir porque está casado com uma mulher que não se interessa por sexo. A verdade é que ela não reage porque ele não está se dirigindo a ela e então não há nada a que reagir. Quando ela não atende às suas necessidades, ele se sente como um mártir e se sente justificado ao cobiçar outra mulher ou ter um romance, pois é seu direito ter suas necessidades sexuais satisfeitas, e sua esposa não as está atendendo.
O que este homem precisa fazer é perceber sua atitude infeliz – ver o seu mal – e se arrepender. Mas o homem carente não vê isso.
O Rei Saul é um bom exemplo. Ele tinha necessidade de respeito. Quando falhou em exterminar os amalequitas e seus animais como Deus ordenara (deixou vivo o rei, o gado e o rebanho) e foi pego por Samuel, começa a se embananar e diz que deixou-os vivos para sacrificar a Deus. Quando Samuel diz que é melhor obedecer do que sacrificar, Saul diz, pequei, mas então, imediatamente, pede a Samuel que volte com ele à capital e fique a seu lado na adoração pública. Quando Samuel se vira para partir, Saul agarra a orla de seu manto e o rasga. Então Samuel diz que o rasgo em seu manto é uma ilustração de que Deus vai retirar o reino de Saul. Saul diz novamente “pequei”, mas rapidamente acrescenta “honra-me, pois, agora, diante dos anciãos e do povo de Israel…” Ele estava mais preocupado com as aparências e em manter o respeito do povo do que com seu pecado. I Sm. 15:13-30.
O Homem Durão
Superficial mas inflexível descreve este homem. Ele tem a postura “a vida continua”, que já discutimos. Este é o tipo “grandalhão silencioso” sobre o qual falamos na semana passada. Raramente fala sobre suas lutas pessoais e tende a “resolver” rapidamente qualquer tensão nas relações que não puder evitar ou dispensar. Ele canaliza sua força para as coisas em que é bom e se recusa, mesmo que por um momento, a mostrar-se envolvido em qualquer coisa em que não seja bom – isto é, nos relacionamentos. Quer ficar onde se sente confortável. Quer dissipar o mistério.
Ser durão não significa necessariamente ser malvado ou cruel. Ele não tem que ser grosseiro. Pode ser cordial o tempo todo – e geralmente é. Ele é legal, acima de reprovação, só não tem envolvimento emocional. Ele tem uma porção de colegas, mas nenhum amigo chegado.
Ele somente não se permite sentir qualquer coisa. O homem carente sente a dor, e se preocupa com ela. O durão a ignora.
O Homem Temente a Deus
O homem temente a Deus é sensível, mas isso não o leva à preocupação ou à queixa. Ele é magoado pelos relacionamentos rompidos, mas em vez de fugir ou exigir que os outros venham até ele, usa essa mágoa para dar mais definição e energia à sua responsabilidade nos relacionamentos. Ele está disposto a sacrificar seu prazer (legítimo ou ilegítimo) a fim de poder ajudar aos outros. Ele liberta os outros de seu controle e os encoraja, a fim que sejam livres para lutar com a sua própria solidão, dor e egoísmo. Ele esteve em meio às batalhas e atravessou para o outro lado – para o lado de Deus. Ele quer ajudar os outros a encontrarem a Deus também.
Assim, há três modos de se relacionar: você pode ser um homem carente, sempre arrastando os outros de encontro às suas necessidades. Ou pode ser do tipo durão e ignorar seus sentimentos, e os dos outros, canalizando sua energia para as coisas em que é bom. Ou pode ser um homem temente a Deus, e sentir sua própria dor, e a dos outros, e usar isso para crescer pessoalmente, e depois usar seu crescimento para ajudar os outros a crescerem.
O Que Falar Não É
Na última semana começamos falando sobre o silêncio de Adão. Ao mesmo tempo mostramos que ficar em silêncio não é bom. Fugir de nossos relacionamentos não é bom.
Provavelmente você também chegou à conclusão de que isto significa que precisamos falar claramente.
Como geralmente é o caso, quando aprendemos aquilo que não deveríamos estar fazendo, pulamos o problema e decidimos que vamos resolvê-lo depois. No entanto, geralmente vamos para o extremo oposto. Assim, precisamos compreender com o que temos que tomar cuidado. Precisamos compreender o que falar não é.
Falar não é dizer coisas sem sentido
Você pode falar muito e nunca tocar em assuntos importantes. Talvez você fale o tempo todo sobre esportes ou computadores e nunca tenha qualquer conversa significativa. Menciono computadores porque essa é a minha fraqueza. Quando fazemos isto, ainda estamos ficando calados sobre coisas importantes, mesmo que nossas bocas estejam completamente abertas.
Paulo diz em I Coríntios 13:1 que quando falamos sem amor somos como o bronze que soa e como o címbalo que retine. O alvo principal de nosso estudo na última semana, e o de hoje também, é como realmente ter relacionamentos melhores. É sobre como amar. Assim, a afirmação de Paulo em I Coríntios é muito apropriada. Efésios 4:15s também está relacionado, onde Paulo fala sobre dizer a verdade em amor.
Falar não é só conversar
Digo isto outra vez porque desta vez quero mostrar que, para o propósito de nosso estudo, falar também envolve ações. Envolve tanto palavras quanto obras. Se você só diz que vai fazer algo e não faz, então isso não tem valor. Tiago fala sobre isso no capítulo 2. Falar significa envolver-se. E acho que devo ressaltar que significa envolver-se emocionalmente.
Falar não é dominar
Falar não é controlar uma situação aos berros ou submeter os outros à humilhação ou à obediência. Isso apenas torna uma pessoa introspectiva e distante de Deus. Você também imporá aos outros a resignação ou os incitará à rebelião para se preservarem. Você pode ver isto em seus filhos. Se é assim que você se relaciona, um filho pode ser complacente e cordato e o outro sempre metido em encrencas na escola.
O que quero deixar claro é que não estou dizendo que os homens devam começar a dominar todas as situações e relacionamentos à sua volta. Não estou dizendo que precisamos ser categóricos e simplesmente dizer às nossas esposas para calarem a boca quando discordarem de nós.
Quando você faz isso, não está sendo um homem forte. Está somente tentando tomar o controle (através da carne) e impor ordem à situação e fazer com que os outros recuem para que você não tenha que tratar do assunto. Você está se escondendo outra vez, como Adão fez no jardim do Éden.
Conclusão
Todas estas coisas são exemplos do que falar não é. Então, o que é falar?
Falar é dizer ou fazer qualquer coisa que seja necessária para me aproximar de outra pessoa e levar a mim mesmo e a essa outra pessoa a confiar em Deus em meio às situações da vida, em meio ao caos.
Com o Que o Silêncio se Parece: Alguns Exemplos Atuais:
Exemplo 1
Testemunho é um bom exemplo de caos. Quando você está no meio de uma conversa com alguém e o assunto gira em torno de algo que você poderia facilmente usar para perguntar à pessoa sobre suas crenças pessoais, o que você faz? Você fala? Ou ignora o empurrão do Espírito Santo porque teme que a reação da pessoa possa ser de rejeição a você? O que você precisa fazer é ir em frente e fazer-lhe a pergunta, e confiar os resultados a Deus. Precisamos nos mover dentro do caos e falar. No entanto, com muita frequência, ficamos com medo e permanecemos calados.
Exemplo 2
Recentemente estive lendo outro livro sobre relacionamentos baseados em vergonha e percebi que o que eu estava lendo naquele livro se relacionava com nosso assunto. O livro dizia que se você cresceu numa família onde ouvia coisas como “você não vai vestir isso, vai…” ou “não acredito que fez isso…”, etc. Então uma das maneiras como seus pais o controlavam era através da vergonha. Alguns chamam isso de relacionamentos baseados em vergonha. Alguém que cresce nesse tipo de ambiente vai ter uma opinião muito baixa sobre suas ideias e sobre sua capacidade.
Com isso em mente, pense na seguinte situação: Um marido e sua esposa têm diferentes opiniões sobre alguma coisa. O que isso significa? Significa simplesmente que cada um deles tem uma opinião diferente. Não significa que um esteja certo e o outro errado. Se um homem é casado com uma mulher de opinião e de fortes convicções, ela poderá presumir que o marido está errado sempre que a opinião dele diferir da dela. Se o marido cresceu debaixo de um relacionamento baseado em vergonha, ele sentirá que sua opinião está errada quando esta diferir da opinião de sua esposa. Se ele seguir sua inclinação natural de ficar em silêncio, apenas se calará e deixará que a opinião de sua esposa dite a política da família. Isso não é liderança. Não estou dizendo que o marido precise sempre seguir sua própria opinião porque ele é o líder. Estou dizendo que ele precisa avaliar aberta e honestamente ambas as opiniões e então seguir aquela que pensa ser a melhor para sua família.
Mas, o que acontecerá se o marido ficar diante de sua esposa e disser “Querida, não acho que devamos fazer isso. Acho que devemos fazer aquilo em vez disso.”? Ela pode seguir sua liderança. Ela também pode questioná-lo ou enlouquecê-lo, ou magoá-lo e evitá-lo. E se a decisão dele revelar ser ruim? Então ela pode dizer “Eu disse.” Mesmo que ela não diga isso, certamente pensará.
Essa é a vida real e é um caos. Isso pode descrever por que Ló concordou com o desejo de sua esposa de viver em Sodoma e Gomorra.
Exemplo 3
O que você diz ou faz quando o professor da escola de seu filho ou da Escola Dominical chega para você e lhe diz que Johnny estava sendo cruel com outro garoto ou estava colando numa prova, etc.? Você lhe dá a maior surra de sua vida quando ele volta para casa ou o tranca em casa por um mês? ou conversa com ele para tentar descobrir o que está acontecendo com seu cérebro imaturo, que o faz querer fazer essas coisas? Talvez ele esteja buscando a atenção que não tem em casa. Ele pode precisar ser disciplinado, mas só disciplinar muitas vezes é simplesmente um esforço para controlar a situação e a criança enquanto ela está sob seu teto. Você pode disciplinar sem nunca realmente estar envolvido. Se você não trabalhar no relacionamento e descobrir a razão pela qual ele se comporta mal, quando ele sair de casa, vai fazer aquilo que seu coração desejar.
Isso é o caos. Esses tipos de situações fazem muitos homens congelar, ficar em silêncio, e fugir para algo em que são bons, ou atacar violentamente os outros e tentar forçá-los a entrar nos eixos.
A Solução
Não posso lhe dar qualquer passo a seguir. Você tem apenas que entender suas tendências e reconhecer quando está deslizando prá esse tipo de coisa e então voltar-se para Deus e seguir em frente. A solução é confiar em Deus e se aproximar dos outros dentro do caos.
Com frequência há muitas verdades contidas nessas listas e passos, mas colocamos o carro adiante dos bois. Na verdade, as listas e passos são mais como um bom relacionamento se parece do que meios para se chegar lá.
O homem viril, temente a Deus, é aquele que, diante de situações caóticas, diz: “Não sei o que fazer Senhor, mas penso que isto seja o melhor para minha família e vou fazê-lo e confiar a Ti as conseqüências.”
A Responsabilidade da Mulher
Entender essa luta nos homens e em si mesmas.
Entender sua tendência natural de intrometer-se e assumir o controle (Gn. 3:16);

  • Não tentar isso; parecerá funcionar por algum tempo, mas no final, o caos reinará (a mensagem de Juízes);
  • Confiar em Deus e esperar;
  • Isso é o oposto da responsabilidade do homem, que é:
  • Confiar em Deus e agir. A responsabilidade do homem é confiar em Deus e falar.
  • A responsabilidade da mulher é confiar em Deus em ficar em silêncio.
Hampton Keathley IV

Pablo Nóbrega