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quarta-feira, 5 de junho de 2013

A Ética do Homem-Aranha e a Ética de Jesus Cristo

Considerando que vivemos tempos difíceis, onde a sociedade jaz numa cultura subterrânea, que por sua vez, valoriza o poder de constranger, colocando o “ter” ou o parecer “ter” acima do “ser”, ao mesmo tempo em que o resultado pragmático é idolatrado acima da vida e da ética, a busca por exemplos capazes de inspirar uma ética em favor do bem surge como objeto principal do personagem “Homem-Aranha”.

É importante notar que no princípio do filme, o jovem Peter não é um ‘super-herói’, mas apenas um jovem, com limitações manifestas que se voltaram contra ele, através de pessoas que o tratavam como um lerdo esquisito.

Visto e rotulado pela sociedade como um fraco, Peter vê cada vez mais distante o sonho de namorar sua paixão – a bela Mary Jane. Além disso, ele morava com os tios, que além de idosos, atravessavam uma situação difícil para sobreviver com o mínimo de dignidade. Certamente este tipo de “homem” não serve de inspiração para o nosso tempo. Contudo, um dia acontece algo extraordinário. Numa feira de ciência, acidentalmente, Peter é picado por uma aranha geneticamente modificada e a partir de então recebe poderes. À medida que o jovem Peter descobre seus novos poderes, de maneira inevitável, segue um padrão de conduta marcado pelo egoísmo, pelo desejo de obter fama e pela sede se impor sua força perante os outros, para assim de alguma forma impressionar Mary Jane.

Preocupado com o caráter do sobrinho, o tio Ben lhe diz: “Com grandes poderes vem grandes responsabilidades”. O jovem Peter não aceitou a lição ética do tio, e quando teve a chance de fazer o bem ele tomou uma decisão em favor da vingança. O resultado foi a morte do seu tio, mas daquele dia em diante, Peter começou a entender que fazer o bem é fundamental para ser “homem’.

Tomar decisões em favor do bem nunca foi algo fácil para Peter. Em muitos momentos ele vivenciou crises existenciais. Em um desses momentos, a Tia May lhe disse: “Deus sabe como as crianças precisam de heróis! Gente corajosa, altruísta, dando exemplo para todos nós. Todos adoram heróis. Acredito que há um herói dentro de todos nós que nos mantém íntegros, que nos dá força e nos enobrece. E por fim, nos deixa morrer com dignidade, mesmo que, às vezes, seja preciso ser firme e desistir daquilo que mais queremos. Até dos nossos sonhos”.

Críticos e filósofos ao analisar o personagem ‘Homem-Aranha’ conseguem discernir linhas fortes de um herói meio kantiano, meio utilitarista e porque não meio niilista que busca o bem como um ato de coragem. Seja como for, o fato é que realmente nossa cultura é carente de exemplos bons.

Jesus nos deu o maior de todos os exemplos de bondade, altruísmo e pureza. Seus seguidores devem recordar e guardar no coração suas palavras que nos responsabilizam no sentido de fazer o bem. Ele disse: "Amai, porém, os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem esperar nenhuma paga; será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo. Pois ele é benigno até para com os ingratos e maus. Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai. " (Lucas 6:35-36) Como cristãos, numa sociedade sedenta de bons exemplos, devemos nos esforçar em “fazer o bem perante todos os homens” (Romanos 12:17), sabendo que “aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando.”(Tiago 4:17).

Segundo a sabedoria de Deus não podemos nos furtar em fazer o bem, principalmente “estando na mão o poder de fazê-lo.” (Provérbios 3:27). Mitos como o ‘Homem-Aranha’ efetivamente possuem algum valor, na medida em que nos despertam para a prática do bem. Entretanto, mais importante é seguir Jesus Cristo, assumindo todos os dias, o compromisso em favor da justiça, ajudando os desamparados, resistindo aos opressores e acima de tudo espalhando o Evangelho da paz com Deus. Seguindo Jesus Cristo, verdadeiramente aprenderemos a “andar fazendo o bem”. (Atos 10:38).


Rev. Francisco Macena da Costa.

Publicado originalmente em: http://feembusca.blogspot.com.br/2011/06/etica-do-homem-aranha-e-etica-de-jesus.html

Intercâmbio feito por Rodrigo Ribeiro

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

E o Jeitinho Brasileiro?

              É comum ouvirmos uma exaltação ao “jeitinho brasileiro” de resolver as coisas. Há um jeitinho brasileiro para tudo: para não pagar uma conta, para ser atendido mais depressa em uma fila, para ludibriar um compromisso, para ganhar algo que não é lícito ou devido. Resumindo, “jeitinho brasileiro” é um termo simpático para caracterizar um comportamento antiético e, na maior parte das vezes, prejudicial a outrem.
                
                Para os cristãos, o tal do “jeitinho brasileiro” é algo que não agrada a Deus. Em Provérbios 21, são elencados inúmeros comportamentos que diferenciam o justo e o ímpio. E se analisarmos detidamente, muito dos comportamentos atribuídos aos ímpios, são também aqueles que se enquadram dentro do modo brasileiro de ser.

                Um exemplo disso, é descrito no versículo 6: “Trabalhar com língua falsa para ajuntar tesouros é vaidade que conduz aqueles que buscam a morte”. Mentir, subornar, sonegar - verbos tão conhecidos e praticados no nosso país - são caminhos que levam à morte, segundo a Palavra de Deus. Aliás, mais do que levar à morte, são caminhos buscados, ou seja, trilhados por aqueles que estão espiritualmente mortos.

                No versículo 10, lemos: “A alma do ímpio deseja o mal; o seu próximo não agrada aos seus olhos”. O egoísmo, o jogo de interesses e a inveja tem sido uma constante nas relações sociais dos dias atuais e tais comportamentos nos distanciam do segundo mandamento da lei de Deus que preconiza que amemos ao nosso próximo como a nós mesmos. Cada vez que agimos contra os nossos irmãos, estamos ferindo também o nosso relacionamento com Deus, pois, de acordo com as palavras do próprio Jesus: “Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes” (Mateus 25:40).

                O nosso comportamento diz muito daquilo que faz morada dentro de nós, “porque, onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração” (Lucas 12:3). Um coração cheio de Deus não se alegra com a maldade, com a prática que fere o próximo e com a própria satisfação, em detrimento do mal alheio. O coração onde Deus habita transborda amor e o amor, como descreve Paulo, em sua carta aos 1 Coríntios 13: 4-6 : “O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal. Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade”.

                Essa é uma boa reflexão para pensarmos um pouco a respeito dos valores que nos são incutidos pelo pensamento moderno e que tanto se chocam com aquilo que Deus espera de nós; para reavaliarmos as nossas práticas como brasileiros cristãos, que procuram vivenciar a vontade do Pai.

“O homem ímpio endurece o seu rosto; mas o reto considera o seu caminho” (Provérbios 21:29). Que o Senhor nos dê a clareza de reconsiderarmos os nosso atos para que não o venhamos a ferir e para que o amor de deus resplandeça sempre em nossas ações e em nossas vidas.

Andrea Grace

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A dicotomia sagrado/secular na Igreja Evangélica Brasileira


                     Irmãos amados, hoje, quero levá-los a refletir sobre um assunto que tem ganhado espaço na Igreja Evangélica Brasileira em nossos dias. A dicotomia sagrado/secular tem moldado o pensamento e as ações de muitos de nossos irmãos, trazendo conceitos diversos e inversos à realidade que as Escrituras traçam para o viver cristão.

            Quero começar nossa reflexão pelo texto de João 1.12, que nos revela quem somos. Se, de fato, cremos no Senhor Jesus Cristo como nosso Salvador, e fomos amorosa e soberanamente eleitos pelo Pai, nos tornamos filhos de Deus. Isto não é motivo para se ter orgulho ou bater no peito em sinal de superioridade moral em relação ao restante do mundo. Antes, é motivo para que dia após dia nos humilhemos perante Ele e busquemos incessantemente agradá-Lo em tudo. O filho procura obedecer ao pai terreno, a fim de não sofrer sanções por seu comportamento transgressor. Por que, muito mais, não buscaríamos obedecer Àquele que nos criou e amou de tal maneira que deu Seu Filho unigênito para que não perecêssemos, mas tivéssemos a vida eterna (João 3.16)? Ser filho de Deus não é status, é privilégio e responsabilidade.

            Desse modo, precisamos viver como filhos de Deus em todas as áreas de nossa vida. Ser crente na igreja é fácil até demais. Ser alguém que reflete a glória de Deus exige muito mais de nós. Dividir as práticas entre sagradas e seculares não é demonstração de maturidade; é demonstração de fraqueza, e revela aquilo que não está devidamente transformado em nosso ser, o que ainda nos liga ao velho homem, aquilo que não deixamos e, portanto, não nos arrependemos de ter feito. Quando eu tenho dois comportamentos, inevitavelmente, um deles (senão os dois) estará desagradando ao Senhor. Se há algo em mim que não pode ser mostrado na igreja, mas fica recluso ao recôndito do meu quarto, então isto precisa ser consertado.

            Somos, segundo o texto de Mateus 5.13, sal da terra. Talvez você já tenha se cansado de ouvir que nós “precisamos fazer a diferença”. É, eu também. Sabe por quê? Porque não conseguimos tirar isso do papel, do discurso. Se somos sal da terra, é nosso dever viver de forma santa por onde passarmos, para que Cristo, que vive em nós, seja evidenciado em cada palavra, atitude e pensamento, e as pessoas que não conhecem do Seu amor, enxerguem a diferença de possuí-lo em suas vidas. Se trato o tempo que passo fora da igreja (e este tempo é enorme) como o dedicado à minha vida secular, provavelmente não farei a mínima diferença nos ambientes que estiver. Comungarei de opiniões e compactuarei com situações que meu Deus desaprova. Serei facilmente tragado pelas tentações e alienações mundanas.

            Quando eu entendo o peso de ser chamado sal da terra, não me importo de ser excluído do grupo das piadas imorais ou do “vinhozinho” do happy hour. Na realidade, hora feliz é quando estou aos pés do meu Senhor. Não fico tentando me amoldar à linguagem e ao modus vivendi do presente século, mas procuro arduamente viver à maneira que Jesus ordenou. Não há divisão entre secular e sagrado, pois tudo faço para agradar o Deus da minha vida, verdadeiramente.

            João 8.12 aponta para Cristo, a luz do mundo. Quem nele anda, não mais está em trevas. Quem vive em dualidade é semelhante ao que, ao entrar em casa, liga o abajur da sala, mas não acende a luz do quarto. Não podemos ter um pouco de luz em nossas atitudes na igreja e total escuridão fora dela. Estaremos caminhando como completos cegos. Não podemos achar que dentro de nossas comunidades devemos ser exemplares, mas que fora da vista de nossos pastores a vida é nossa e somos donos dos nossos narizes. Não podemos achar que Deus só nos vê na igreja, cantando, levantando a mão e ouvindo sermões, mas que lá fora Ele não se importa se eu deixar a vida, ou o mundanismo, me levar. Não se engane, irmão, Deus não apenas nos vê em todo lugar, mas sonda o mais profundo de nossos corações.

            A presença dessa dicotomia tem causado estragos devastadores na Igreja Evangélica Brasileira e, se você não percebeu, comece a observar, por exemplo, os cultos da sua comunidade. A frequência já não é tão grande assim, afinal posso cultuar a Deus em casa mesmo; a atenção já não é mais tão presente, pois vivemos, sim, a época do “comichão nos ouvidos”. Você pode estar se perguntando: o que isso tem a ver com a tal dicotomia sagrado/secular? Vou te dar alguns exemplos de como essa questão tem nos afetado e muito. Convivemos com membros de igreja que sonegam o dízimo e os impostos de seus estabelecimentos comerciais também; rapazes que falam o evangeliquês na igreja, mas fora dela reproduzem a linguagem torpe das ruas; moças que se vestem recatadamente na igreja, mas se liberam e abusam da ousadia nos ambientes sociais “seculares”; pessoas que sobem à Casa do Senhor para entoar louvores a Deus aos domingos, mas passam a semana inteira distante da Palavra e do procedimento no qual deveriam ser exemplos (I Timóteo 4.12).

            Isto exponho não para que as pessoas conheçam as mazelas e problemas conjunturais da atualidade na Igreja Evangélica Brasileira, mas com o fim de nos fazer pensar que muito do que temos vivido não é sequer parecido com o Evangelho e, portanto, não podemos usar como parâmetro. É vital que voltemos ao Evangelho bíblico e resgatemos os sagrados valores que devem permear nossa conduta dentro e fora da igreja, junto com nossos irmãos e colegas de trabalho, amigos de ministério e com o pessoal que mora na nossa rua. Em todo tempo sejam alvas as nossas vestes e o que façamos seja para a glória do Senhor, que nos deu o poder de nos tornarmos seus filhos. Honremos esta grande dádiva! Vivamos para Ele!

Jorge Alberto

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Batman - Cavaleiro das trevas: Uma análise teo-referente



1. INTRODUÇÃO
No dia 18 de julho de 2008 estreava a continuação de Batman Begins (2005),Batman – Cavaleiro das Trevas (doravante, BCT). Sem dúvida, um dos grandes sucessos do cinema americano dos últimos anos. Nessa introdução queremos evidenciar dados incontestáveis que nos fazem concluir que BCT é uma obra que não somente merece ser avaliada como também é uma fonte apropriada de entendimento do nossozeitgeist (espírito da época).
Em primeiro lugar, a aceitação da massa. BCT foi o terceiro filme mais rentável de todos os tempos.1 Pressupondo que a relação entre filme e sociedade é de natureza retroalimentativa, a aceitação da massa revela muito dela mesma bem como revela a influência da obra no povo. É fato que em 2008 Batman já tinha noventa e nove anos. Pode-se, portanto, implicar que Morcego teve tempo suficiente para criar várias gerações de fãs. Daí a razão de sua aceitação, pode-se sugerir. Mas trata-se de um grande engano explicar a aceitação de BCT somente pelo histórico do seu herói. Os parágrafos seguintes elucidarão a questão.
Segundo, trata-se de um filme que superou as expectativas da crítica especializada. Uma palavra sobre o contexto histórico ajudará a entender melhor. Para muitos, senão a esmagadora maioria dos admiradores de Batman, Batman e Robin (1997) acabou com a reputação do homem-morcego. Denominado de “horrível”, “infantil” (bobo), “sem conteúdo” e “caro”,2 o filme de Joel Schumacher, que estreou em 1997, foi um fracasso de crítica e de bilheteria. Para os fãs do Cruzado Encapuzado3Begins surgiu como o salvador da imagem do Cavaleiro das Trevas. Por outro lado, a aceitação de Batman Begins tanto da crítica quanto da massa criou um clima de ceticismo para com o próximo da série. A razão é simples: tratava-se de uma sequência. Digo, uma sequência de um filme muito bom. Ora, a reação clássica diante de uma sequência é sempre a mesma – descrença e ceticismo.
Entretanto, BCT surpreendeu. A crítica reagiu empolgada4. Muitos deram nota máxima para a segundo filme de Christopher Nolan (diretor). Comentários como os de Lais Cattassini (Cinema com Rapadura) revelam tal empolgação: “impossível não vibrar com cada segundo de filmagem”5. Tiago Siqueira (Cinema com Rapadura) assegura o lado positivo da obra: “Tenso e emocionalmente pesado, ‘Batman - O Cavaleiro das Trevas’ não é só um mero filme, mas uma experiência cinematográfica única. Uma obra-prima absolutamente recomendada”.6
Em terceiro lugar, as atuações premiadas de um grande elenco. O cast contou com figuras renomadas e premiadas como Morgan Freeman (Lucius Fox), Michael Caine (Alfred), Heath Ledger (Coringa), Aaron Eckhart (Dent), Maggie Gyllenhaal (Rachel Dawes).
Em quarto lugar, a morte misteriosa de Heath Ledger. Ledger (Coringa) é um capítulo a parte. O reconhecimento da comunidade especializada foi unânime. MTV Movie Awards (EUA) o reconheceu como o melhor vilão, o Globo de Ouro (EUA), a BAFTA (Reino Unido) e o Oscar (EUA) o reconheceram como melhor ator coadjuvante. Isabela Boscov, comentarista da revista Veja, entende que Ledger elevou o padrão “um degrau acima” da atuação já premiada em Brokeback Mountain. Falando de sua interpretação, Boscov é direta, “é absolutamente antológica”.7 Todas as premiações foram póstumas. Ledger faleceu no dia 22 de janeiro de 2008 – seis meses antes da estréia do filme. Sua morte misteriosa e prematura gerou especulações e criaram todo um clima de mistério em torno do filme. Muitos ligaram sua morte com os efeitos da interpretação de Coringa.
Em quinto lugar, e não menos importante, o conteúdo do filme. A despeito de se tratar de um filme de super-herói (geralmente ligado público infantil), BCT não é somente entretenimento. Não se trata de um filme reduzido a grandes explosões e grandes efeitos especiais. Ele exige inteligência dos seus “leitores”. A razão é simples: BCT levanta grandes questões éticas e filosóficas. Sem dúvidas, não é um filme para crianças. Temas sobre justiça, o papel da lei, seus limites, o verdadeiro papel de um herói, loucura e caos são traçados. Soma-se a isso o fato de que esses mesmos temas não são abordados em pequenos lampejos, mas em grandes diálogos tornando-se a tônica da obra.
2. SINOPSE
Sequência do sucesso de ação Batman Begins, Batman – O Cavaleiro das Trevas, volta a reunir o diretor Christopher Nolan e o astro Christian Bale, reprisando o papel de Bruce Wayne/Batman. Com a ajuda do comissário Jim Gordon e do novo promotor Harvey Dent, Batman se dedica a combater de vez o crime organizado em Gotham. De início, o trio se mostra eficaz, porém eles logo se veem reféns de um poderoso criminoso conhecido como Coringa, que faz Gotham mergulhar na anarquia e força o Cavaleiro das Trevas a chegar mais perto do que nunca de ultrapassar a linha tênue que separa o herói do justiceiro.8

3. COSMOVISÕES SUBJACENTES

3.1. Ausência de Sobrenatural
Batman é um super-herói diferente. É um herói sem poderes sobre-humanos. Não sofreu nenhuma mutação, não veio de outro planeta, é repleto de cicatrizes, tem crises psicológicas, sofre por um amor não resolvido e é perseguido pelo “fantasma” da perca prematura dos seus pais (determinante em quase tudo em sua vida).
Ele não somente ajuda os policiais como também é salvo por eles. Suas virtudes são exclusivamentehumanas. Especificamente, são virtudes intelectuais e físicas (e.g., habilidade nas investigações, grande aptidão em artes marciais e, sem máscara, um excelente homem de negócios). Podemos dizer que Batman é o legítimo e verdadeiro Super-Homem. Por isso é o herói “mais próximo” do seu público.
Essa característica tão marcante do homem-morcego, ignorada por Joel Schumacher em Batman e Robin(1997) foi reverenciada e levada às últimas consequências por Christopher Nolan (diretor) em BCT. Para Nolan, realidade significa ausência do sobrenatural. Isso foi evidenciado em sua tentativa de evitar o uso de recursos computadorizados. Seu objetivo é evitar, ao máximo, no espectador, o referencial de ficção. Não é atoa que todas as explosões são reais.
Uma das cenas grandiosas do filme é a destruição do hospital de Gotham. Aqui Nolan não fez qualquer manipulação de imagem. Um prédio real foi destruído. No filme, é Ledger (Coringa) que aciona os explosivos. Foi exatamente isso que aconteceu.
Outro exemplo se dá com os equipamentos do Batman. Todos são reais. Sua moto, assim com sua armadura, realmente existem e podem ser utilizadas na prática. Essa busca contumaz por uma maior realidade determinou o custo do filme (180 milhões de dólares) bem como a rejeição de alguns personagens como Pingüim. Para Nolan, o Pingüim destoava do universo realista dessa série.
A realidade (ausência do sobrenatural) do Batman também pode ser vista em suas limitações. Em uma das cenas primorosas do filme, o Coringa coloca Batman em um dilema: ou ele salvaria a vida de sua amada (Rachel) ou a vida do promotor público (Dent). Revelando as limitações do herói, o Piadista afirma: “Você não pode fazer nada com toda sua força”. E realmente Batman não consegue. Aliás, ele não consegue salvar nenhum deles.
Um dos efeitos dessa busca pela realidade (sem sobrenatural) é nos aproximar do herói, sua história, seus sentimentos, bem como seus ideais. A priori se você tem uma boa saúde, muito dinheiro e um ideal, você também pode ser um Batman. Porém, como ele, não resolverá todos os dilemas da vida.
3.2. Moral e Ética
Os heróis convencionais seguem as regras. Eles não mentem (geralmente omitem), não invadem a privacidade de trinta milhões de pessoas e não torturam. Não é assim com o Batman. É fato que há certo e errado em BCT. Em outras palavras, há moral para o Cruzado Encapuzado. Porém, isso não é o mesmo que seguir a ética vigente. Ética e moral são distintos. O primeiro pode ser mudado e violado enquanto o segundo deve ser obedecido.
Batman vai além do conceito convencional de herói. Segundo o filme, ele é melhor que um herói. A obra deixa patente que ser herói não basta. Ele é o agente do bem, mas não pode estar preso às amarras da ética. Alfred, seu mordomo e conselheiro, afirma que Batman é a única pessoa que pode tomar a decisão correta, pois ele está além da lei, ele não responde à lei, ele está “nas trevas”.
Para BCT, a verdade e o legal são utópicos. Apesar de existir certo e errado, sua aplicação é irreal.Alguém tem que se sacrificar. Alguém que não está preso às amarras da ética convencional. Em sua carta de despedida, Rachel, amiga e amada por Batman, afirma: “O mundo vai sempre precisar do Batman”. Respeitando o contexto da declaração, ela quis dizer que nunca vai surgir um herói “sem máscaras” que siga as regras plenamente – um cavaleiro branco.
Como todo homem sem referencial fora de si mesmo, Batman tem suas próprias regras. Tem moral, mas é ele quem a determina. Sua ética não é baseada em um senso moral a priori (infinito e universal). “[…], a posição moral de Batman se origina de uma apreciação da complexidade do comportamento humano e das formas extremas que ele pode assumir” 9. Sua única regra é não matar. Porém, essa regra está ligada a sua experiência de orfandade prematura e traumática.
A postura de Batman lembra o viver autêntico do existencialismo de Martin Heidegger.10 Segundo o Coringa, poucos se encaixam nessa categoria. Batman e o próprio Coringa seriam um desses. Um (Batman) escolheu combater o crime, o outro (Coringa) escolheu o cinismo e a loucura. A máfia bem como a polícia, por outro lado, são “idiotas” (palavras do Coringa) porque, como a grande maioria, é escrava do sistema. Segundo Joker (Coringa), “o código de honra deles é uma piada (joke) ruim”.
A tese do Coringa é que as pessoas são tão boas quanto o mundo (sistema) permite. Não há uma regra universal. No primeiro sinal de problema ou pressão, o ser humano abandona seus códigos éticos. Se o sistema permitir, diz o Coringa, as pessoas devorariam umas as outras. “Anomalias” como Batman e Coringa seguem sua “vida autêntica”. A diferença, afirma o Coringa, é que agora o sistema precisa do Batman, por isso o aceita, mas logo o expulsará como a um leproso. Para o Piadista (Joker) sua rejeição se dá por estar na vanguarda. Ele está além do Batman. O homem-morcego ainda está preso às regras. E para o Coringa, o único jeito de viver de uma forma sensata é não ter regras.
Há certa indefinição e/ou incoerência na postura moral do Batman. Ora ele parece ser um deontologista11quando não somente não consegue matar o Coringa [talvez sua única regra] como também o salva e luta com a culpa de mortes que não foi o responsável direto;12 ora é um perfeito adepto do pragmatismo e/ou utilitarismo quando se sacrifica sendo odiado escolhendo a mentira como consolo para o povo. Batman é um enigma entre o mocinho e o ladrão, entre o que é correto fazer e o que é, de certa forma, ilimitado pela maldade, crueldade ou o desejo de realizar, pelo mal, o inimaginável. Ele faz o que é moralmente certo, mas “nas trevas”, ou seja, é um fora da lei.
3.3. Pessimismo
A realidade e proximidade do Batman para com o ser humano não são moldadas pelo romantismo do modernismo. Por mais que o herói seja inteligente, hábil fisicamente, possua ideologia e seja um dos homens mais ricos do mundo, ele não resolve tudo. Aliás, ele não consegue resolver seus próprios problemas.
O objetivo do herói do filme é dos mais nobres: inspirar o bem. No entanto, sua existência atrai criminosos cada vez mais loucos como o Coringa. Com toda sua força o herói perde sua amada, e, nas palavras do promotor Dent (aprovadas pelo próprio Batman), ele não passa do produto da indiferença e/ou crítica do povo. Aquele em quem Batman aposta suas fichas para ser o verdadeiro herói de Gotham, o herói sem máscara e seguidor da lei, acaba se tornando um criminoso – chamado posteriormente de Duas Caras.
O pessimismo não está presente somente no insucesso de Batman, mas na relação de dependência ontológica entre o bem e o mal na qual Batman e Coringa estão presos e são seus estereótipos. O filme coloca o bem como uma resposta ao mal, enquanto o mal só existe porque há o bem para combatê-lo. Coringa diz para Batman: “Eu te matar? Eu não quero te matar, você me completa...”. Em outro diálogo Coringa diz: “acho que nós dois estamos destinados a fazer isso para sempre”.
Batman é um homem tentando resolver os problemas do seu povo. Porém, sem sucesso. O Coringa é um louco, autodenominado agente do caos, que tem seus planos, ora são realizados com sucesso, ora são frustrados. Batman e Coringa representam a luta sem fim entre bem e mal.
Há uma máxima que sintetiza o filme. Ela aparece tanto no início como no fim da obra. Primeiro na boca do promotor público (Harvey Dent), posteriormente pela boca do próprio Batman. Segue: “Ou você morre herói ou vive o bastante para ver você mesmo se tornar vilão”. Esse aforismo é realizado tanto na vida do promotor que começa como a grande solução para Gotham e se torna um assassino movido pela vingança e termina com Batman que assume os crimes que não cometeu para manter a imagem do promotor. Ou seja, se alguém planeja fazer o bem, só poderá morrer herói se morrer cedo, caso contrário, se tornará um vilão (pela prática ou pela reputação). É uma questão de tempo. Nada mais pessimista.
3.4. Esperança Existencialista
Se a eternidade é cíclica e o mal e o bem sempre existirão, o que fazer, então? Batman prefere a fé (esperança) na mentira do que a verdade que não produz esperança. Segue seu último diálogo no filme logo após a morte do símbolo de esperança – o promotor Harvey Dent denominado “Cavaleiro Brilhante”: 
– As pessoas vão perder a esperança (Comissário Gordon).
– Não vão não. Eles nunca vão saber o que ele fez (Batman).
– Cinco mortos. Dois policiais. Não se pode varrer isso (Gordon).
– Não. O Coringa não pode vencer. Gotham precisa de um herói de verdade (Batman).
– Não. (Gordon)
– Ou você morre herói ou vive o bastante para ver você mesmo se tornar vilão. Eu posso ser as duas coisas. Porque não sou herói. Não como Harvey. Eu matei aquelas pessoas. É o que sou (Batman).
– Você não é (Gordon).
– Eu sou o que Gotham precisar […] Às vezes a verdade não basta. As pessoas merecem mais. Às vezes as pessoas merecem ter sua fé recompensada. (Batman).13

Destaque para sua última declaração. Para Batman, a dura realidade de uma vida sem esperança pode ser substituída pela mentira (aqui no caso não é o mesmo que omissão). Para o Cavaleiro das Trevas, a recompensa para fé é a realização da mesma, mesmo que seja um embuste. O que não se pode é parar de esperar. A mentira é um mal menor diante da falta de esperança. Nesse mundo de injustiças o povo precisa acreditar. É isso que move as pessoas.
4. MOMENTOS DE VERDADE

4.1 Os Limites da Justiça Humana
Em Eclesiastes 3:1-15 nos assegura que Deus tem um plano grandioso que abarca todos os homens e suas ações em todo o tempo. O homem não decide o seu nascimento e uma vez vivo descobre que pode morrer e ele não decidiu isso. O mesmo acontece com os vegetais. É Deus quem controla todas as coisas. Nesse mesmo contexto o autor nos revela que Deus colocou a eternidade no nosso coração sem dá condições de resposta sobre o princípio e o fim. Precisamos de Deus, precisamos de Sua revelação sobre a vida, os valores, o certo, o errado e o bem. Em 3:16-4:16 o autor apresenta algumas anomalias e aparente contradições que podem ser implicadas do que acabou de assegurar: o controle de Deus. O verso 11 diz que Deus fez tudo “formoso”. Mas, o verso 16 diz: “Vi ainda debaixo do sol que no lugar do juízo reinava a maldade e no lugar da justiça, maldade ainda”.
O Pregador observa que aonde deveria ter justiça encontramos maldade. Diante desse quadro aonde lançar nossas esperanças? O texto responde: “Então, disse comigo: Deus julgará o justo e o perverso; pois há tempo para todo propósito e para toda obra” (3.17). Em outras palavras, não justiça plena enquanto o homem for seu único agente.
O filme revela as limitações que a lei (queda) impõe na aplicação da justiça “maior” (criação). Não dá para fazer o certo estando “preso” à lei. Por duas razões: as limitações da própria lei bem como as limitações dos que a aplicam (queda). Usando a terminologia do filme, é preciso fazer a justiça “nas trevas”.
A constatação de que não se alcança verdadeira justiça pela força do homem é correta (queda). Não são poucos os que procuram justiça nos meios convencionais e experimentam frustração. Esperar pela justiça “dos homens” é esperar demais. O grande diferencial se dá em como devemos reagir diante de tal constatação (redenção). Aqui os cristãos se separam tanto do Coringa quanto do Batman. Os cristãos confiam em Deus. Romanos 12.19 é claro: “…não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor”. Além disso, o reconhecimento das limitações das leis não nos impelem a aceitar tudo da lei.
O herói das trevas, como nos mitos antigos, não deixa de ser (ou querer ser) um deus que resolve tudo com suas próprias mãos (queda). Como cristãos, ficamos com a constatação, porém mudamos na reação. Lutamos reconhecendo nossas limitações esperando que no final a justiça plena venha por meio de Deus (redenção).
4.2. Tendência ao mal
Antes de adentrar ao assunto, faz-se necessário descrever uma cena crucial: O Coringa coloca explosivos em duas barcas. Em uma delas estão “civis inocentes” (terminologia do filme), em outra, somente presos (condenados por roubo, morte etc.). O detonador dos explosivos da balsa dos presos ficou no poder dos cidadãos comuns enquanto o detonador dos explosivos da balsa dos “inocentes” ficou com os prisioneiros. O Coringa orienta ambas as balsas de que às 00:00h ele vai explodir ambas caso uma delas não esteja já destruída. Ou seja, o barco que destruir o outro, estará livre. A hora chega e nenhum barco destrói o outro. Diante desse quadro Batman diz ao Coringa: “O que você quer provar? Que lá no fundo todos são podres [ugly] como você? Só você é podre […] “Essa cidade acabou de mostrar que está cheia de pessoas que só acreditam no bem”14.
O fato é que o Coringa nesse ponto está certo. A maioria do barco dos “civis inocentes” decide por explodir o outro barco. E no barco dos presidiários, um grupo decide matar o responsável pelo barco para explodir o outro. Ambos os barcos querem explodir o outro, mas, ou não têm coragem (o barco dos “inocentes”) ou falta oportunidade (o barco dos condenados). Não faltou vontade (desejo), faltou coragem e oportunidade.
Em resposta ao Batman, o Coringa afirma que o espírito da cidade não se corrompeu completamente ainda, mas quando souberem dos atos “heroicos” do promotor (assassinou cinco pessoas) as cadeias vão ficar cheias. Ele (Coringa) colocou Harvey Dent no mesmo nível dele e do Batman. Ele agora fazia parte do grupo dos fora da lei. Segundo o Coringa, isso não foi difícil.
Batman no fundo acredita no Coringa, por isso escolhe mentir sobre o Harvey assumindo seus crimes. Ele sabe que, no fundo, o povo vai se rebelar ao saber que o promotor, a esperança de Gotham, é um assassino. Essa é a tendência da humanidade. Nas palavras do Coringa: “A loucura é como a gravidade, basta um empurrãozinho”. Se o sistema permitir, afirma o piadista, “as pessoas civilizadas comerão umas as outras”.
5. Respostas Bíblicas para Algumas Questões

5.1. O Sistema e o Indivíduo
No filme a população ou a “massa” muda de acordo com as condições. Apoia o Batman, no entanto, logo após o Coringa começar a matar pessoas ameaçando não parar até a revelação do mascarado, todos queriam a revelação de sua identidade; o que significava o fim de sua vida de herói e o começo de uma vida de prisioneiro.
Segundo o Coringa: “Loucura é como a gravidade, basta um empurrãozinho”. O Coringa defende a ideia de uma influência determinante do sistema nos indivíduos. Para ele, se colocarmos (e isso inclui o sistema) as pessoas em situações de tensão que elas revelarão quem realmente são – loucas e sem moral. Isso fica claro quando afirma que “as pessoas são tão boas quanto o mundo (sistema) permite”. O próprio Batman acredita nisso, quando no final do filme entendeu que a mentira sobre uma instituição (promotoria pública) era o melhor para o povo.
A perspectiva Teo-referente, por outro lado, assegura que nossa cosmovisão é o produto do nosso coração pecaminoso e apóstata somado às estruturas psíquico-sociais e histórico-culturais (e.g., educação [formal, e principalmente familiar nos primeiros anos de vida], cultura regional, relacionamentos, meios de comunicação). O relacionamento dessas duas nuanças (interna e externa) da construção da cosmovisão humana deve ser entendido como camadas sobrepostas. O coração (substrato interno da existência humana) é a matriz primordial seguida das camadas supracitadas.
Pressupondo uma antropologia bíblica, o homem, devido ao pecado, consequentemente, não interpreta a vida de forma neutra ou vazia como se fosse, nas palavras do empirista inglês John Lock, uma tabula rasa. Pelo contrário, o coração humano é religioso por natureza e após a queda esse coração continua sendo para-Deus, porém em rebelião.
As Escrituras nos revelam que essa esfera ou dimensão que chamamos de “coração” é a mais profunda do nosso ser (self), e por isso, inacessível a toda forma de análise ou procedimento de sondagem empírica (cf. Sl. 139.23, 24; Jr. 17.10). O acesso só se dá pela Palavra através do Espírito (1Co 2.13-15; Hb 4.12). A mudança radical de uma cosmovisão, portanto, é o que a Escritura chama de “regeneração” (Jo 3.3,4; Tt 3.5).
Em síntese, o sistema tem seu papel na formação das cosmovisões, porém não é determinante. Caso aceitássemos tal postulado eliminaríamos a culpa do indivíduo. “A idolatria [no sentido de pecado] é um problema profundamente enraizado no coração e poderosamente impingido sobre nós pelo ambiente social”15. A complexidade do ser humano não permite que façamos declarações como as que o Coringa fez. Nossa tendência, sim, é para o mal. Mas como ele se revelará é outra história. O mal não tem só uma cara (Cl 2.23; 2Co 5.12; 2Co 11.14).
5.2. O bem e o mal
Muitas são as propostas que têm se levantado diante da problemática do bem e o mal – sua existência, origem, relação com Deus e entre si. Alguns têm diminuído o poder de Deus (teísmo aberto); outros versam que o mal não passa de uma ilusão (Budismo), o que gera outro problema: a ilusão do mal. Outros adotam a visão do Coringa. Entendem o bem e mal como entidades de dependência ontológica. O filme (através do Coringa) assegura que o bem como uma resposta ao mal, enquanto o mal só existe porque há o bem para combatê-lo. Coringa diz para Batman: “Eu te matar? Eu não quero te matar, você mecompleta...”16
Para os reformadores o mal é definido como privatio actuosa. O ponto aqui é que o mal não pode existir em si e de si mesmo. Ele depende da corrupção do bem. A relação de dependência seria equivalente à do ferro e a ferrugem. O primeiro não depende do segundo para existir, mas o contrário é fato.
A incoerência de Coringa é facilmente refutada. Se o bem depende do mal, o mal passa a ser um bem encoberto. “Mas o mal do qual Deus extrai o bem é um mal verdadeiro. Da traição cometida por Judas contra Jesus vem o ato redentor da cruz, mas isso de forma alguma minimiza a perversidade do ato de Judas”.17 Nessa concepção, para experimentar bem, o próprio Deus deveria experimentar o mal.
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 1cf.http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2008/08/10/_batman__cavaleiro_das_trevas_lidera_bilheteria_nos_eua_pela_quarta_semana-547664910.asp Acesso em: 09 de setembro de 2009, 09:28:21. Último segundo IG disse: O novo filme do Batman, “O Cavaleiro das Trevas”, bateu todos os recordes de bilheteria nas sessões do final de semana nos cinemas dos Estados Unidos. A estréia deixou bem atrás a marca sem precedentes conseguida por “O Homem Aranha”. cf.http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/2008/07/21/santo_blockbuster_batman_o_cavaleiro_das_trevas_arrasa_nas_bilheterias_1459434.html. Acesso em: 09 de setembro de 2009, 09:35:19.
 2 cf. Alguns comentário em www.cineplayers.com/filme.php?id=1251. Acesso em 16 se setembro de 2009; 10:29:13. Segundo Diego Sapia Maia, "O problema é que Batman & Robin não deixa espaço para interpretações, investindo em bobagens e clichês" (cf. www.cinepop.com.br/criticas/batman4.htm Acesso em 16 de setembro de 2009, 10:33:41). Leonard Maltin disse que "a história frequentemente não fazia sentido" e que "a ação e os efeitos são altos, enormes e entorpecentes" (cf. http://pt.shvoong.com/books/1694892-batman-robin/ Acesso 16 de setembro de 2009, 10:37:51). Leandro Gantois diz que "Quem poderia imaginar que depois de tantos anos de carreira o diretor Joel Schumacher iria fazer a maior besteira de sua vida, tantos sucessos e obras inteligentes no passado não foram suficientes para encobrir a porcaria feita neste quarto filme da série baseada no Homem-Morcego, o Batman" (cf. www.cinemaemcena.com.br/Critica_Detalhe.aspx?id_critica=2218&id_tipo_critica=1 Acesso: 16 de setembro de 2009; 10:42:11).
3 Outro nome para Batman3 Outro nome para Batman
4 cf. Crítica do New York Times:http://movies.nytimes.com/2008/07/18/movies/18knig.html?scp=2&sq=
July%2018%202008&st=cse. Acesso em: 22 de setembro de 2009; 09:22:41.
5http://www.cinemacomrapadura.com.br/criticas/1191/batman__o_cavaleiro_das_trevas_(the_dark_knight_batman_begins_2_2008) Acesso em: 10 de setembro de 2009, 11:17:10 [itálico nosso].
6http://www.cinemacomrapadura.com.br/criticas/1197/batman__o_cavaleiro_das_trevas_(the_dark_knight__batman_begins_2_2008) Acesso em: 10 de setembro de 2009, 11:20:45.
7 cf. http://veja.abril.com.br/videos/cinema/batman-cavaleiro-trevas-393880.shtml acesso: 17 de setembro de 2009; 09:01:12.
8 cf. site oficial: http://wwws.br.warnerbros.com/thedarkknight/ acesso: 17 de setembro de 2009; 09:30.
9 HOWARD, Jason J. Noites Escuras e o chamada da Consciência. em IRWIN, William (coord.). Batman e a Filosofia – o cavaleiro das trevas da alma. São Paulo: 2008, p.182.
10 Segue uma definição de homem autêntico: Honesto para consigo mesmo sobre o que está ou não sob nosso controle, leva à sério inevitabilidade da morte bem como assume a responsabilidade total pela direção de sua vida e deixa claro o propósito e o significado daquilo que faz. Aqui vale lembrar as palavras de Chesterton: “É mais verdadeiro dizer que um homem que confia em si mesmo certamente fracassará” (CHESTERTON, G. K. Orthodoxy, Massachusetts: Hendrickson, 2006, p.10).
11 A figura mais influente da ética deontológica é grande filósofo Immanuel Kant. Segundo Jensen: “A contínua recusa de Batman em matar, enquanto prossegue em sua missão, ainda que seja o Coringa, é um exemplo perfeito do compromisso dele com uma razão moral deontológica” (JENSEN, Randall M. A Promessa de Batman. Em IRWIN, William (coord.) op. cit., p. 85).
12 Em um dos diálogos com Batman, Coringa declara “Você é mesmo incorruptível”. E continua: “Você não vai me matar por algum senso equivocado de falso moralismo”.
13 BATMAN cavaleiro das trevas. Direção: Christopher Nolan. Produção: Emma Thomas, Charles Roven, Christopher Nolan, Los Angeles: Warner Bros. Entertainment, 2008, DVD 1 (152 min).
14 BATMAN cavaleiro das trevas. Direção: Christopher Nolan. Produção: Emma Thomas, Charles Roven, Christopher Nolan, Los Angeles: Warner Bros. Entertainment, 2008, DVD 1 (152 min).
15 POWLINSON, David. Ídolos do Coração e Feira das Vaidades: vida cristã, motivação individual e condicionamento sociológico. Brasília: Editora refúgio, 1996, p. 33.
16 A versão portuguesa diz: “eu preciso de você”.
17 SPROUL, R. C. Razão para Crer. São Paulo: Mundo Cristão, 1997, p.85.

Rômulo A. T. Monteiro


Intercâmbio feito por Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Quais as funções da ética reformada? Com a palavra, André Biéler


A ética reformada [...] possui três funções. A primeira e mais importante é a espiritual. A Lei divina deve ajudar cada individuo a descobrir que, sendo sua presente natureza desnaturada com referência a sua identidade primeira, ele está muito longe de conduzir-se naturalmente, na conformidade da vontade de Deus. Ele deve, por conseguinte, arrepender-se, pedir perdão, e converter-se para beneficiar-se da vida nova a qual Cristo o convida, na sua comunhão.

A ética tem, em seguida, uma função moral propriamente dita. A Lei de divina relembra incessantemente ao crente convertido, sempre propenso a esquecê-la, essa vontade de Deus que ele é convida a amar, tendo-a aceito como um dom consecutivo ao perdão, uma graça. Ele se torna obediente por reconhecimento e não mais por obrigação.

Enfim, ela tem uma função política. Graças à Lei de Deus, todos os cidadãos e magistrados sabem segundo quais critérios morais podem e devem elaborar as leis e conformar sua conduta na sociedade para obter ordem social, econômica e política viável e duradoura.

BIÉLER, André. In: A Força Oculta dos Protestantes. Traduzido por Paulo Manoel Protasio.  São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 1999. Capítulo II: Os combates pela democracia, pp. 75.

SOBRE O AUTOR: André Biéler, suíço, pastor e doutor em Ciências Econômicas.


Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Ampliando o Conceito de Serviço Cristão



         Qual o significado do Serviço Cristão? Essa palavra resume-se ao trabalho realizado no âmbito da igreja? Na verdade, estas indagações são muito importantes porque a resposta está intimamente ligada a nossa identidade de Igreja Reformada.

            Ao entendemos que serviço cristão está relacionado somente com atividades eclesiásticas, como o ministério que ocupo na igreja ou minha função na sociedade que sou membro (SAF, UMP e etc.), estamos aderindo a uma divisão entre o secular e o sagrado, que tem mais relação com o catolicismo medieval, do que com as doutrinas defendidas pela reforma protestante. A palavra de Deus nos mostra de maneira muito clara a supremacia de Cristo em todas as áreas de nossa vida (Cl 1 16; 17). Devemos ser cristãos por completo, em todos os lugares, e em todas as atividades, de maneira que tudo que fazemos deve ser entendido como Serviço Cristão.

            Nós fomos criados para glorificar a Deus e nos alegrarmos nele em todo tempo (primeira pergunta do Catecismo Maior de Wenstiminster) e devemos compreender nossa vocação como mais um meio dado por Deus para que possamos realizar este propósito. Tal concepção nos trará uma motivação revigorante posto que trabalharemos como forma de dar Glória ao nome Deus. Muito mais que uma mera forma de adquirir sustento, nosso trabalho será uma adoração. Essa é a ética calvinista.

            Esta compreensão é maravilhosa, pois nos revela a graça de um Deus que através de sua infinita sabedoria nos distribui dons e se alegra quando executamos as tarefas do dia a dia com zelo, tendo como fim maior a glória e exaltação do nome Dele e isto abarca todas as habilidades, seja a medicina, arquitetura, engenharia, o comércio, o trabalho manual, o magistério. Enfim, qualquer que seja a sua vocação, Deus se alegra em ver nos exercê-la com maestria e devoção.
  
            Todo o trabalho que realizamos e ofertamos a Cristo é trabalho cristão, seja qual for. Calvino dizia que “nenhuma trabalho é tão insignificante e sórdido que não tenha esplendor e valor aos olhos de Deus”.  Já Lutero, narrou a história de um sapateiro que o procurou, afirmando que havia se convertido, e gostaria de saber o que deveria fazer agora, qual era seu chamado. O reformador respondeu: faça o melhor sapato que puder e o venda pelo preço mais justo. Que este também seja nosso pensamento: trabalhemos para a Glória de Deus!

Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd