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sábado, 2 de agosto de 2014

O Que é a Teologia da Glória? Com a Palavra, R.C. Sproul Jr


Existe uma tensão apropriada na relação entre os cristãos e o mundo. Servimos a um Senhor que veio para trazer vida abundante (João 10.10), que venceu o mundo (João 16.33), que está sujeitando todas as coisas aos seus pés (Efésios 1.22), que verá todo joelho se dobrar e toda língua confessar que Ele é Senhor, para a glória do Pai (Filipenses 2.10). Jesus é o segundo Adão que teve sucesso onde o primeiro Adão fracassou, não somente por obedecer à lei de Deus perfeitamente, não somente por expiar nossa falha em guardar a lei, mas por cumprir o mandato de domínio. A igreja, que é a segunda Eva, ou noiva do segundo Adão, é uma ajudadora idônea de Jesus para cumprir esse chamado. Estamos em união com ele, ossos de seus ossos. Devemos estar engajados em insistir sobre os direitos régios do Rei Jesus.
O problema é que nós, como os discípulos antes de nós, frequentemente somos mais zelosos pelo nosso próprio sucesso, pela nossa própria glória do que o somos pelo reino. Eles queriam saber quem seria o primeiro no reino. Muitas vezes fazemos o mesmo. A noção de “a teologia da glória” é um meio de nos advertir contra essa tentação. Fundamentada no pensamento luterano, somos lembramos que as armas da nossa guerra não são carnais (2 Coríntios 2.10), que o primeiro será o último e o último será o primeiro (Mateus 20.16). Somos chamados a morrer pelos nossos inimigos, e não a matá-los; a dar livremente em vez de tomar; a oferecer a outra face; e até mesmo a viver em paz e quietude com todos os homens, tanto quanto possível. Isso os luteranos chamam sabiamente de “a teologia da cruz”. Devemos viver vidas de sacrifício.
Um retrato desequilibrado do lado da glória é encontrado no evangelho da prosperidade. Essa heresia ensina que é a vontade de Deus que todos nós desfrutemos de grande saúde e riqueza, que como filhos do Rei todos devemos viver como príncipes. Um retrato desequilibrado do lado da cruz é encontrado na heresia ascética – não coma, não beba, não toque. Aqui as bênçãos de Deus são malvistas, vistas como sinal de mundanismo e não como dons das mãos de Deus. Aqui a pobreza é vista como uma virtude em si mesma. O pior de tudo é que essa perspectiva pode se degenerar numa negação do reinado de Cristo sobre todas as coisas.
Nosso chamado não é buscar nosso próprio conforto, muito menos nossa glória. Antes, somos chamados a tornar conhecida a glória do nosso Rei. Devemos tornar visível o reino invisível de Deus. Contudo, fazemos isso através de meios ordinários. À medida que trabalhamos fielmente, em vez de subir a escada financeira, à medida que trocamos fraldas, em vez de contar o nosso ouro, à medida que Ele é exaltado e nós humilhados, não estamos evitando a glória da cruz, mas sim abraçando a glória da cruz. Vivemos morrendo. Vencemos perdendo. Conquistamos recuando. Nos orgulhamos de nossa fraqueza.
Jesus reina. Mas quanto a nós, seus súditos, não são muitos os sábios, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres. Portanto, aquele que se gloria glorie-se no Senhor. Quando mais manifestamos a Cristo e ele crucificado, mais manifestamos o seu reinado soberano.
Fonte: http://www.monergismo.com/rcsprouljr/o-que-e-a-teologia-da-gloria/

Presb. Cícero da Silva Pereira

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

A Reforma Começa em Mim


Em outubro comemoramos 496 anos desde o início da Reforma Protestante. Sua força e influência chegam até os dias de hoje, encorajando diversas gerações a lutarem por uma igreja firmada na Palavra e centralidade de Cristo. Mas o que tem ficado para trás de verdade é a prática de tudo que essas doutrinas trazem. Você pode se perguntar o que você tem haver com a Reforma Protestante, ou porque querer ser um cristão reformado? Nas palavras de John D.Hannah*: “A reforma foi uma chamada ao cristianismo autêntico, uma tentativa de escapar da corrupção medieval da fé por meio de renovação e reforma”. Seus ensinos, que giravam em torna da repetição quíntupla da palavra sola (“somente”), eram uma mensagem radical para aquela época (e deveria ser para a nossa), porque exigiam um compromisso com um ponto de vista completamente teocêntrico da fé e da vida.”

Então como pensarmos em uma reforma, sem começarmos por nós mesmos?

·         Prática na Escritura:
Somente pela Escritura, e unicamente por ela, temos o padrão de prática, pois ela é útil “para a correção”, ou seja, ela revela qual é o comportamento e proceder errado - o que nós não devemos fazer - mas também aponta “para a instrução na justiça”, para a prática correta que devemos cultivar e crescer. Lembro-me de uma revista que foi estudada em nossa sala da EBD, a revista tem por nome: Teologia Reformada – Uma Visão Panorâmica. Lembro que a cada aula ficávamos mais deslumbrados do quanto a Bíblia tem sim o ensino para as diversas áreas da nossa vida, como trabalho, educação, casamento, criação dos filhos, e política, devemos seguir por meio dos seus mandamentos para que possamos cumprir o nosso papel de cristão no mundo.

“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.” (2 Timóteo 3.16-17).

·         Prática através de Cristo:
Somente em Cristo podemos nos espelhar, buscando a perfeita imagem do Deus Criador, assim como diz a Bíblia: “Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.” (Romanos 8.29). Fomos criados para buscar semelhança a Cristo, atributos como: paciência, paz, alegria, amor, domínio próprio, temperança, fidelidade, bondade, benignidade. Temos a demonstração de toda a vida de Cristo e de seus atributos nos Evangelhos, onde devemos buscar entender e orar a Deus para que possamos nos tornar cada dia mais parecidos com o nosso Salvador.

Somente em Cristo encontramos a Salvação, pois Ele satisfez a justiça de Deus mediante a morte de Cruz. “Se quando éramos inimigos de Deus fomos reconciliados com ele mediante a morte de seu Filho, quanto mais agora, tendo sido reconciliados, seremos salvos por sua vida!” (Romanos 5.10). Devemos entender que não há outra maneira, em nos achegarmos a Deus se não for mediante Cristo, pois Ele é o nosso Sumo Sacerdote, “Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus, o qual se entregou a si mesmo como resgate por todos.” (1 Timóteo 2.5-6a).

Devemos dia após dia buscar nos gloriar em Deus por meio do sacrífico de Cristo.

“Portanto, ninguém se glorie em homens; porque todas as coisas são de vocês, seja Paulo, seja Apolo, seja Pedro, sejam o mundo, a vida, a morte, o presente ou o futuro; tudo é de vocês, e vocês são de Cristo, e Cristo de Deus.” (1 Coríntios 3.21-23).

·         Prática na Graça:
Somente pela graça, e unicamente por ela, é que somos abençoados por Deus. A graça é o favor imerecido de Deus às suas criaturas, se não fosse a Graça não seríamos salvos.

“Todavia, Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, deu-nos vida com Cristo quando ainda estávamos mortos em transgressões - pela graça vocês são salvos.” (Efésios 2.4-5).

Joel Beeke* em seu livro Vivendo para a Glória de Deus nos diz o seguinte: “Ao usarmos a expressão graça gratuita e soberana, estamos dizendo que o supremo Deus do céu e da terra – o Deus trino e soberano da salvação – deseja, espontaneamente, e aplica graça salvadora a pecadores culpados e desprezíveis, transformando suas vidas de tal modo que se regozijem e vivam para servi-lo.”.

Viver pela graça, colocar em prática o conceito de Graça Soberana de Deus em nossa vida é entender que não podemos fazer nada sozinhos, é entender que existe um Deus fiel em Si mesmo, poderoso, soberano e guardador daqueles que nEle confiam e seguem seus mandamentos. Entender a Graça é estar diante da minha falta de capacidade de me salvar, de buscar coisas boas sozinhos. A Graça é um princípio Divino para nos chamar, nos regenerar, nos santificar e nos fazer perseverar até o fim.

“Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus;” (Efésios 2.8).

·         Prática na fé:

Diante da nossa impotência e incompetência, não podemos confiar em nossa
carne, em nosso esforço e sim unicamente na obra de Cristo na cruz. A fé é a atitude de total confiança no que as Escrituras declaram a respeito de Cristo e sua Obra.

“Porque no evangelho é revelada a justiça de Deus, uma justiça que do princípio ao fim é pela fé, como está escrito: ‘O justo viverá pela fé’.” (Romanos 1.17). A Sagradas Escrituras nos dizem: “o justo viverá pela fé”, não viveremos de outra maneira a não ser pela fé, fé essa que implica em nossa total confiança e dependência em Deus e em seus propósitos. A fé nos faz comprometer com toda a obra de Cristo em saber que Ele morreu por nossos pecados e que fomos justificados mediante esse fato.

“A fé se apropria de Cristo e de sua justiça, unindo o pecador com o Salvador. A fé recebe a Cristo, com confiança, apegando-se à Palavra dEle e crendo em suas promessas.” (Joel Beeke).


·         A prática no Viver para a Glória de Deus:

Somente para Deus a glória, e unicamente para Ele. A Igreja existe para a demonstração deste valor: o valor que Ele tem.
A glória de Deus é a demonstração de todos os seus atributos, essa Glória deve ser demonstrada em nossa vida. Quando penso em nossa vida penso em tudo em que fomos fazer devemos fazer para Glória de Deus. “Assim, quer vocês comam, quer bebam, quer façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus.” (1 Coríntios 10.31).
Quando o cristão passa a entender o que é Viver para a Glória de Deus, ele passa a entender o quão cuidadoso e amoroso deve ser em seus princípios e virtudes. Um autor conhecido diz que cada vez mais que damos glória a Deus nos aproximamos mais dEle. Viver para Sua Glória não é simplesmente seguir seus mandamentos descritos nas Sagradas Escrituras, mas é entender que devemos fazer isso como um deleite, com um prazer inexplicável, pois o objetivo principal da vida do homem é glorificar o nome de Deus.

“Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém.” (Romanos 11.36).


Como falei no início do texto, não tive o objetivo de trazer um manual de como ser um reformado, mas sim de nos fazer entender e refletir que esses ensinos que a Reforma Protestante não serão nada se não os colocarmos em nossa prática diária, se não vivermos isso de verdade em nossa vida. Precisamos entender que a Reforma começa em cada um de nós, é quando estamos nas Sagradas Escrituras deixando-a ser nossa única regra de fé e prática. De forma que pensamos em Cristo como nosso único Salvador e Mediador diante de Deus, O único que devemos buscar ser imagem e semelhança. É quando sabemos em nosso coração que somos salvos somente pela graça misericordiosa de Deus quando Cristo se fez justiça por nós. Quando compreendemos que é pela fé que vivemos, fé em Deus e na Sua Palavra, fé no sacrifício de Cristo e fé nos propósitos divinos. E por último que nosso coração e querer devem estar somente em dar glória a Deus em tudo, entendendo que cada vez mais que nos deleitamos nEle mais Ele será glorificado em nós. Que Deus nos conduza em Sua Santa Vontade. Amém.




LARYSSA LOBO
https://www.facebook.com/laryslobo


*John D. Hannah - To God be the Glory

*Joel Beeke – Vivendo para a Glória de Deus

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Pecadores Destituídos

“Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus. (Romanos 3.23)”
A expressão “carecem” vem da palavra grega husteréo, que significa não conseguir atingir a meta ou não chegar ao fim. De acordo com o texto acima, o objetivo ou o fim ao qual o homem carece é a glória de Deus. Ao longo da história da igreja, houve muitas opiniões sobre o significado exato dessa expressão; no entanto, a interpretação mais comum e aprovada é a seguinte: o homem carecer da glória de Deus significa que ele não foi capaz de glorificar a Deus como deveria, e perdeu seu privilégio exclusivo de carregar ou refletir a glória de Deus.

Glorificando a Deus

As Escrituras ensinam que Deus criou o homem para sua própria honra, louvor e beneplácito. Respiramos somente para que lhe seja devolvido em louvor e adoração. Nossos corações batem ritmados para que batam para ele estando assim completamente satisfeito. Nossas mentes têm sua grande complexidade a fim de pensar grandes pensamentos sobre ele e permanecer em admiração. Nossa força física nos torna capazes de servi-lo e de realizar a sua vontade. Em suma, somos dele, por ele e para ele.[1] Encontramos nosso sunum bonum em amá-lo com todo o nosso coração, alma, mente e força, e em fazer tudo o que fazemos para a sua glória.[2]

O homem deve estar obcecado – completamente fascinado – com Deus. Qualquer satisfação que não encontra nele a sua origem é um ídolo, e até mesmo as tarefas mais humildes de comer e beber devem ser feitas para a sua glória ou nem serem feitas.[3]

O Breve Catecismo de Westminster está correto em declarar que “o fim principal do homem é glorificar a Deus, e gozá-lo para sempre” (P. 1). É privilégio e dever do homem estimar a Deus acima de todas as coisas, estar completamente satisfeito nele e viver diante dele com reverência, gratidão, obediência e adoração. O homem era assim em seu estado original antes da queda, e ele nunca estará completo até que volte ao que era e ao propósito para o qual foi feito.

É o claro testemunho da Escritura que Deus fez o homem para sua própria glória, mas o homem voluntariamente se colocou aquém desse propósito. A carta de Paulo à igreja de Roma ilustra melhor essa terrível realidade: “porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis.”[4] De acordo com esse texto, todos os homens sabem o suficiente sobre o único Deus verdadeiro de modo de não terem desculpas diante dele no juízo. Porém, o homem suprime o que ele sabe ser verdadeiro e se rebela contra o propósito para o qual foi feito, a glória e a honra de Deus. Afastando-se da verdade, ele fica envolto em trevas e vaidade. Em vez de se arrepender, ele luta contra o que sabe ser verdade e continua a sua espiral descendente rumo à escuridão moral, degradação e futilidade cada vez maiores.

O pecado que marca a vida de todos os homens é a própria antítese de glorificar a Deus, e isso demonstra quão inapropriado e inadequado o homem se tornou.[5] Ele se arrancou do propósito para o qual Deus o fez e se desligou da única razão de sua existência. Ele deixou a glória do Deus incorruptível e fez para si um objeto de adoração.[6] Ele rejeitou a vontade de Deus e submeteu-se a si mesmo. É de se admirar que ele tateia sem sucesso buscando sentido para sua vida e que suas maiores tentativas de busca por significado são absolutamente ridículas?

É importante notar que a falha do homem de glorificar a Deus não só conduz a uma existência sem sentido, mas também é a mãe de todos os outros pecados. A longa lista de devassidão e vícios listados no discurso de abertura de Paulo aos Romanos é apenas o resultado de um grande pecado acima de todos eles: a recusa de todo o homem de reconhecer e honrar a Deus como tal.[7] É a caixa de Pandora da Escritura e enche o mundo inteiro com caos e destruição.[8]

Esta breve discussão sobre a glória de Deus é especialmente importante quando abordamos o mitológica ateu “bonzinho”. Muitas vezes as pessoas tentam dissipar as reivindicações do cristianismo aludindo ao ateu que não acredita em Deus, nem presta louvor a Deus, mas é um homem de boa conduta moral que busca o bem da humanidade. O argumento é que é injusto levar tal homem a julgamento e condená-lo simplesmente porque ele não vê provas suficientes para sustentar a crença na existência de Deus.

Este argumento, apesar de popular, não resiste ao teste das Escrituras. Em primeiro lugar, as Escrituras afirmam que não há ateus de verdade. Todos os homens têm um conhecimento do único Deus verdadeiro, porque o que se sabe sobre Deus é evidente dentro deles; pois Deus lhes tornou evidente através do da criação para que eles sejam inescusáveis.[9]

Em segundo lugar, as Escrituras afirmam que o problema do ateu não é intelectual, mas moral. De acordo com o salmista, é o tolo que diz em seu coração que não há Deus, e ele não faz isso por razões intelectuais, mas por causa da sua própria corrupção e do seu desejo de fazer o mal. Ele não quer que a Deus ou sua moralidade, por isso nega a ambos.[10] Não é o refinamento intelectual do ateu que o proíbe de acreditar em Deus, mas a sua impiedade e injustiça que o leva a suprimir a verdade.[11]

Em terceiro lugar, as Escrituras argumentam contra a possibilidade de um ateu de boa conduta moral, porque, sem a graça de Deus, “não há justo, nem sequer um”.[12] O fato de um homem se orgulhar de sua moralidade não o torna alguém de boa conduta moral. Não são os ouvintes ou os defensores da moralidade que são verdadeiramente justos, mas aqueles que realmente fazem o que defendem.[13]

Em quarto lugar, o argumento de que é injusto condenar o ateu com bom comportamento moral representa uma visão da realidade distintamente humanista e antropocêntrica. Em um universo centrado no homem, o homem presta contas ao homem, mas em um universo centrado em Deus, o homem presta contas principalmente a Deus, e apenas secundariamente ao homem. Mesmo que a vanglória do ateu de sua justiça para com o seu semelhante fosse verdade, ele falhou em sua relação e responsabilidade primária para com o Deus que lhe dá vida, respiração e tudo mais.[14] Esse pecado contra Deus é infinitamente maior do que qualquer imoralidade que ele poderia cometer contra seu semelhante.

Finalmente, o ateu aparentemente moral é culpado não só em sua recusa de glorificar a Deus, mas também de tentar roubar a glória dele. Todos os homens nascem moralmente corrupto e radicalmente depravados. A única coisa que restringe o mal dos homens e faz com que eles tenham uma aparência de bondade é a graça comum de Deus. Se Deus retirasse essa graça e os homens fossem abandonados a serem regidos pela depravação de seus próprios corações, a raça humana rapidamente se aniquilaria; seria literalmente um inferno na terra, pelo menos enquanto durasse. A graça divina mantém a sociedade unida, a fim de que Deus possa realizar uma obra de redenção no meio da depravação e do desamparo da humanidade. Não é o ateu humanista ou alguma moralidade evoluída que o impede de ser um assassino em série e permite que ele faça aquilo que parece ser bom, mas a providência graciosa de Deus, que trabalha todas as coisas segundo o conselho de sua vontade.[15] Portanto, o crime do ateu é que ele nega veementemente o Deus que em graça o restringe em seu mal e lhe dá uma aparência de bondade. O ateu, em seguida, afirma que a obra é sua e recebe a glória que é devida a Deus. Ele é um ladrão da pior espécie, um charlatão desprezível. Sua condenação é justa.[16]



[1] Romanos 11.36
[2] Sunum bonum é uma expressão latina que significa “bem maior.” O homem encontra o seu maior propósito ou fim em Deus. Mateus 22.37; 1 Coríntios 10.31.
[3] 1 Coríntios 10.31
[4] Romanos 1.21-23
[5] O pecado é a antítese ou o oposto de glorificar a Deus.
[6] Romanos 1.23
[7] Romanos 1.21-32
[8] Na mitologia, a caixa de Pandora continha todos os males da humanidade. Zeus a deu a Pandora, que abriu a caixa contra o seu comando.
[9] Romanos 1.19-20
[10] Salmos 14.1-3; 53.1-3. A palavra tolo é traduzida da palavra hebraica nabal, que denota uma pessoa tola ou néscia. Deve-se notar que nabal é um termo moral e não se refere a uma vítima da ignorância que deseja sabedoria, mas a alguém que despreza a sabedoria e é voluntariamente ignorante.
[11] Romanos 1.18
[12] Romanos 3.10-12
[13] Romanos 2.13; Tiago 1.22
[14] Atos 17.25
[15] Efésios 1.11
[16] Romanos 3.8

Extraído do livro 13º capítulo do livro “O Poder e a Mensagem do Evangelho” de Paul Washer, a ser lançado pela Editora Fiel. Tivemos a oportunidade de traduzi-lo e o privilégio de poder compartilhar pequenos trechos de cada capítulo com vocês.
Tradução: Vinícius Musselman Pimentel. Versão não revisada ou editada. Postado com permissão.
© Editora Fiel. Todos os direitos reservados. Original: Pecadores destituídos (Paul Washer) [13/26]


Intercâmbio feito por Fábio Araujo
Facebook: https://www.facebook.com/fabio.araujo.58173



quarta-feira, 3 de julho de 2013

5 Sinais de que Você Glorifica a Si Mesmo

É importante reconhecer o fruto de autoglorificar-se em você e em seu ministério. Que Deus use esta lista para lhe conceder sabedoria diagnóstica. Que ele use esta lista para expor seu coração e redirecionar seu ministério.
Autoglorificar-se fará com que você:

1. Ostente em público o que deveria ser mantido em particular.

Os fariseus são um vívido exemplo primário para nós. Porque eles viam suas vidas como gloriosas, eles eram ligeiros em ostentar essa glória diante dos olhos de quem estivesse vendo. Quanto mais você pensa que você já chegou lá, e quanto menos você vê a si mesmo como necessitando de graça resgatadora, mais você tenderá à autorreferência e à autocongratulação. Por você estar atento à autoglorificação, você vai trabalhar para conseguir maior glória mesmo quando não estiver consciente de que está fazendo isso. Você tenderá a contar histórias pessoais que fazem de você o herói. Você encontrará maneiras, em cenários públicos, de falar de atos privados de fé. Por você se achar digno de aplausos, você buscará os aplausos de outros encontrando maneiras de apresentar a si mesmo como “piedoso”.

Eu sei que a maioria dos pastores lendo esta coluna pensarão que nunca fariam isso. Mas estou convencido de que há mais “desfile de piedade” no ministério pastoral do que tendemos a pensar. Esta é uma das razões pelas quais eu acho conferências pastorais, reuniões de presbitério, assembleias gerais, convenções, e reuniões de plantação de igreja desconfortáveis às vezes. Após uma sessão ao redor da mesa, essas reuniões podem se degenerar a um “concurso de cuspe” de ministério pastoral, onde somos tentados a menos do que honestos sobre o que de fato está acontecendo em nossos corações e em nossos ministérios. Após celebrar a glória da graça do evangelho, há demasiado recebimento de glória autocongratulatória por pessoas que parecem precisar de mais aplausos do que merecem.

2. Seja demasiadamente autorreferente

Todos nós sabemos disso, todos nós já vimos isso, todos nós já ficamos desconfortáveis com isso, e todos nós já fizemos isso. Pessoas orgulhosas tendem a falar muito de si mesmas. Pessoas orgulhosas tendem a gostar mais de suas próprias opiniões do que das opiniões dos outros. Pessoas orgulhosas pensam que suas histórias são mais interessantes e cativantes do que as dos outros. Pessoas orgulhosas pensam que eles sabem e entendem mais do que os outros. Pessoas orgulhosas pensam que conquistaram o direito de serem ouvidas. Pessoas orgulhosas, por basicamente terem orgulho do que sabem e do que fizeram, falam muito sobre ambos. Pessoas orgulhosas não falam a respeito de suas fraquezas. Pessoas orgulhosas não falam a respeito de suas falhas. Pessoas orgulhosas não confessam pecado. Então pessoas orgulhosas são melhores em colocar os holofotes sobre si mesmas do que em refletir a luz de suas histórias e opiniões de volta para a gloriosa e completamente imerecida graça de Deus.

3. Fale quando deveria ficar calado.

Quando você pensa que já chegou lá, você é bem orgulhoso e confiante de suas opiniões. Você confia em suas opiniões, então você não está tão interessado nas opiniões dos outros quanto deveria estar. Você tenderá a querer que seus pensamentos, perspectivas e pontos de vista vençam em qualquer reunião ou conversa. Isso significa que você estará muito mais confortável do que você deveria estar com dominar um grupo com sua conversa. Você falhará em ver que na multidão de conselhos há sabedoria. Você falhará em ver o ministério essencial do corpo de Cristo em sua vida. Você falhará em reconhecer suas tendências e sua cegueira espiritual. Você não irá a reuniões formais ou informais com um senso pessoal de necessidade do que os outros têm a oferecer, e você controlará a conversa mais do que deveria.

4. Fique quieto quando deveria falar.

A autoglorificação pode ir para o outro lado também. Líderes que são muito autoconfiantes, que involuntariamente atribuem a si mesmos o que poderia apenas ser efetuado pela graça, frequentemente veem reuniões como uma perda de tempo. Por serem orgulhosos, eles são muito independentes, então as reuniões tendem a ser vistas como uma interrupção irritante e inútil de uma agenda ministerial já sobrecarregada. Por causa disso, ou eles acabarão com todas as reuniões ou as tolerarão, tentando finalizá-las o mais rápido possível. Então eles não lançam suas ideias para consideração e avaliação porque, francamente, eles não acham que precisam. E quando suas ideias estão na mesa e sendo debatidas, eles não entram na briga, porque eles pensam que o que eles opinaram ou propuseram simplesmente não precisa de defesa. A autoglorificação fará com que você fale demais quando você deveria ouvir, e com que você não sinta necessidade de falar quando você certamente deveria.

5. Se importe demais com o que os outros pensam de você.

Quando você caiu no pensamento de que você é alguma coisa, você quer que as pessoas reconheçam esse “alguma coisa”. Novamente, você vê isso nos fariseus: avaliações pessoais de autoglorificação sempre levam a um comportamento de busca por glória. Pessoas que pensam que chegaram a algum lugar podem se tornar hipersensíveis a como outras pessoas reagem a elas. Por você ser hipervigilante, observando a maneira pela qual as pessoas em seu ministério respondem, você provavelmente nem sequer percebe como você faz as coisas por autoaclamação.

É triste, mas frequentemente ministramos o evangelho de Jesus Cristo por causa de nossa própria glória, não pela glória de Cristo ou a redenção das pessoas sob nossos cuidados. Eu já fiz isso. Eu já pensei durante a preparação de um sermão que um certo ponto, colocado de certa maneira, poderia ganhar um detrator e eu já fiquei observando à procura da reação das pessoas enquanto eu pregava. Nesses momentos, na pregação e na preparação de um sermão, eu abandonei meu chamado como embaixador da eterna glória de outro pelo propósito de conseguir para mim o louvor temporário dos homens.

PAUL TRIPP



LARYSSA LOBO

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Hoje é Sexta-Feira!

Um dia, um colega de trabalho, em tom de brincadeira, disse-me que, toda vez que escuta a vinheta do Fantástico depois do tradicional “boa-noite”, entra em depressão, uma vez que o final de semana está acabando. Para a maioria das pessoas, o trabalho é algo enfadonho e a verdadeira vida consiste na folga dos finais de semana e feriados. Mas, por que as pessoas se sentem assim? Por que o trabalho parece um fardo? Neste texto, trataremos da doutrina bíblica do trabalho e tentaremos responder a essas perguntas.

O entendimento reformado sobre o trabalho, desde o seu início, foi contrário à concepção católica sobre o tema. A percepção medieval católica sobre o trabalho, influenciado pelo pensamento grego, entendia que apenas o trabalho filosófico ou teológico e o serviço militar teriam valor para a sociedade. As outras profissões seriam ocupações de menor importância ou um mal necessário. Os reformadores, por outro lado, enfatizaram a importância do trabalho e vincularam-no à vida espiritual do cristão. Segundo o entendimento reformado, o homem foi criado para o trabalho e só pode plenamente ser feliz e realizado quando cumpre a sua vocação nesse mundo.

No entanto, o pietismo terminou influenciando negativamente o entendimento evangélico sobre o assunto. O pietismo foi um movimento oriundo do luteranismo, surgido no século XVII, que enfatizava a dimensão devocional do crente. Com sua ênfase excessiva na espiritualidade, esse movimento terminou confinando a igreja nas suas quatro paredes, ao ensinar que toda a nossa vida deve estar vinculada, de alguma maneira, às nossas atividades eclesiásticas. Dessa maneira, tudo aquilo que fosse “secular”, como o trabalho, por exemplo, passou a ser sem importância, ou, apenas, um meio para alcançar outras pessoas para o Evangelho.

Não obstante, a Bíblia ensina que o trabalho foi estabelecido por Deus na criação e não é consequência da queda. Em Gn 1.26-28, vemos que Deus criou o homem a Sua imagem e semelhança e ordenou que o ser humano tivesse domínio sobre toda a criação e a sujeitasse. A ordem dada por Deus é denominada pelos teólogos de “mandato cultural”, segundo o qual o homem deveria governar todo o mundo e preservá-lo, o que abrange o envolvimento com todas as áreas do conhecimento. Essa tarefa, por óbvio, implica esforço, dedicação, aplicação de tempo, ou seja, trabalho. É importante frisar que o mandato cultural foi dado antes da queda, de maneira que não se pode afirmar que o trabalho é um juízo de Deus sobre o ser humano.

Apesar da queda, como cremos na restauração de todas as coisas, devemos viver nesse mundo de maneira coerente com a nossa esperança. Como cristãos, cremos, de acordo com Rm 8.22-25, que, um dia, toda a criação será restaurada. Assim, devemos cumprir o nosso “mandato cultural”, conforme estabelecido por Deus na criação. Portanto, o trabalho não deve ser encarado como uma atividade enfadonha e cansativa. Também não deve ser compreendido, apenas, como uma maneira de ganhar dinheiro e ser bem sucedido. O nosso trabalho deve ser visto como uma forma de glorificar a Deus.

O trabalho traz significado e propósito para a vida. O entendimento adequado da doutrina bíblica do trabalho confere significado e propósito ao ser humano quando vincula as atividades do nosso dia a dia a um projeto maior, eterno, transcendente. Além disso, toda profissão passa ter importância. O médico e o gari, o advogado e o sapateiro, o engenheiro e o agricultor, todos, sem exceção, estão envolvidos em um projeto grandioso e eterno: promover a glória de Deus.

A promoção da glória de Deus não está vinculada, necessariamente, a uma “atividade espiritual”. Com isso, devemos entender que glorificamos a Deus pelo simples fato de executamos nosso trabalho com dedicação e excelência. Glorificar a Deus no trabalho não significa ler a Bíblia, orar ou realizar cultos no horário de trabalho. Na realidade, quando agimos dessa maneira, estamos descumprindo o “mandato cultural”, pois o tempo que deveria ser dedicado ao trabalho está sendo dividido com as nossas “atividades espirituais”. Quando somos excelentes profissionais, o nosso bom testemunho nos dá credibilidade para compartilhar a nossa fé com os nossos colegas, em um intervalo, ou fora do ambiente de trabalho.

Um dia, perguntaram a Lutero o que ele faria se soubesse que Jesus voltaria amanhã, ao que ele respondeu: Eu plantaria uma árvore. Com isso o grande reformador quis dizer que Deus se agrada de nossa atividade comum e fiel nesse mundo. A compreensão adequada da doutrina do trabalho deve mudar a nossa relação com o trabalho. Pensar dessa maneira nos dá motivos para nos alegrar com o nosso trabalho, a executá-los com excelência e dedicação. Que Deus nos dê a bênção de ver o trabalho de uma maneira diferente e conectá-lo com a promoção da Sua glória e do Seu louvor. 

Soli Deo Gloria


Presbítero Davy Jones

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Reflexões sobre a Graça Comum e a Graça Especial


 A graça comum não traz perdão nem purifica a natureza do homem, e não efetua a salvação dos pecadores. No entanto, ela retém o poder destrutivo do pecado, mantém em certa medida a ordem moral do mundo, possibilitando assim uma vida ordenada e promove o desenvolvimento da ciência e da arte.

O nome
“graça comum” expressa a ideia de que esta graça se estende a todos os homens, povos, línguas e nações.:

“Contudo, não se deixou a si mesmo sem testemunho, beneficiando-vos lá do céu, dando-vos chuvas e tempos frutíferos, enchendo de mantimento e de alegria os vossos corações.” Atos 14:17

Há também outro modo usado por Deus para manifestar sua graça, esse limita- se apenas aos escolhidos, é a chamada graça especial. Essa doutrina reformada nos mostra com muita clareza o quanto Deus é misericordioso com o homem, não sendo merecedor de tamanho favor, Deus graciosamente nos dá a Salvação eterna. Esta é a graça que nos salva.

A Graça comum na vida do cristão muitas vezes é entendida de forma distorcida, onde é separado o que é religioso “vida espiritual ” e o que é profano “vida secular”, trazendo consequências para a nossa vida. Sendo dividido assim, ”Santo” é ir a igreja, orar, ler a Bíblia,ouvir músicas evangélicas e conversar sobre assuntos religiosos. E as demais coisas cotidianas são vistas como seculares, gerando assim um erro gravíssimo, pois toda a vida humana tanto a área chamada espiritual como a secular são áreas onde a graça de Deus é manifesta. Deus é quem capacita através dos dons e talentos, quem dá saúde, que o sustenta em todos os momentos da vida sem distinções.

Visto que o ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus, refletindo aquilo que Deus é, o próprio Deus o capacita para que de forma positiva realizem boas obras nas mais variadas áreas da vida como a cultura, a arte e a ciência. Por isso tanto os não cristãos como os cristãos são capazes de produzir coisas boas, nobres, bonitas, agradáveis e justas. Embora a natureza do homem seja caída e maculada pelo pecado, não devemos rejeitar o que ele produz. Contudo se aquilo que foi feito não reflita a glória de Deus, não é proveitoso; como por exemplo, uma canção feita por um cristão, se essa música não glorifica a Deus, não é útil nem agradável, deve ser rejeitada, mas uma música feita por um não cristão, sendo útil, agradável e proveitosa é lícito desfrutarmos dela, pois foi feita através da capacitação que Deus o deu. Os dois principais fins da Graça Comum são o favor e os privilégios dados aos eleitos, e a Glorificação de Deus.

Ruan Medeiros

 Este texto foi baseado na aula nº 08 da revista Palavra viva – Teologia Reformada, publicada em 2013 pela Editora Cultura Cristã.
 

sexta-feira, 29 de março de 2013

Por que Orar se Todas as Coisas já Estão Previamente Determinadas? Com a Palavra, Heber Carlos de Campos


01) DEVEMOS ORAR PORQUE É UMA ORDEM DO SENHOR

A primeira resposta que vem à mente daqueles que são mais esclarecidos, mas simplista, é esta: “Devemos orar simplistamente porque Deus mandou que orássemos pedindo as coisas que necessitamos. É uma simples questão de obediência a Deus.” Embora essa resposta seja verdadeira, não fugindo dos parâmetros estabelecidos pela Escritura, ela não responde a todas as ânsias de quem faz a pergunta acima honesta e sinceramente, nem exaure as possibilidades de respostas mais elaboradas e justas, que também estão de acordo com o ensino geral das Santas Escrituras, que é o padrão único de fé e prática para o crentes da ortodoxia cristã.

02) DEVEMOS ORAR PORQUE SOMOS DEPENDENTES DE DEUS

Uma segunda reposta tem que ver com o senso de dependência que possuímos. Oramos não simplesmente porque reconhecemos nossa necessidade, mas também porque reconhecemos que somente Deus tem o poder para dar resposta às nossas necessidades. A oração nos coloca em nosso verdadeiro lugar, no de criaturas dependentes do Deus criador e providente.

Muitos não gostam de orar porque isso implica humilhação, sujeição a alguém mais poderoso, ou ainda, confissão de impotência para resolver os problemas. Todavia, é exatamente assim que Deus quer que nos sintamos: dependentes totalmente de sua providência.

03) DEVEMOS ORAR PARA VER OS PROPÓSITOS DE DEUS CUMPRIDOS

Uma terceira resposta tem que ver com o cumprimento dos planos de Deus. Deus não somente determina os fins, mas também os meios para conseguir os fins. Assim como Deus resolveu salvar algumas pessoas pela loucura da pregação, assim também ele resolveu providenciar para as necessidades de suas criaturas usando as orações como um meio para isso.

Há uma ótima ilustração deste ponto. Deus havia dado alguns anos de estio à terra de Samaria e veio uma fome extrema sobre ela (1Rs 18:2). Elias era o profeta da4uela época. Deus havia determinado dar chuva para regar a terra e anunciou de antemão a Elias o seu propósito. Veja o que Ele diz a Elias: Vai, apresenta-te a Acabe porque darei chuva sobre a terra (1Rs 18:1); mas o fato de saber de antemão que Deus haveria de mandar chuva, não impediu que Elias orasse para que chovesse (Tg 5.17-18) e, então, Deus ouviu a oração de Elias. A providência é soberana de Deus, e, no entanto, ele usa as orações de seu povo para ter as suas providências cumpridas. Os planos são de Deus e na sua realização ele usa os instrumentos ou as causas secundárias.

04) DEVEMOS ORAR PARA GLORIFICAR O NOME DE DEUS

Uma quarta resposta tem que ver com a glorificação do nome de Deus. Quando oramos reconhecemos que não só o poder pertence a Deus, mas que ele tem domínio sobre todas as coisas. Quando reconhecemos isso, nós o glorificamos. Quando Elias orou pedindo chuva, ele reconheceu o controle que Deus tinha sobre todos os elementos da natureza. Quando suplicamos a Deus pela sua compaixão para com os nossos queridos que ainda não são cristãos, estamos reconhecendo o seu domínio sobre o coração deles e sua soberana administração da sua bondade. Portanto, as providências de Deus são efetuadas soberanamente por ele, mas ele não dispensa as orações dos seus filhos, porque estas o glorificam sobremaneira. Ore, então, para que Deus seja glorificado mercê de suas providências.

05) DEVEMOS ORAR PORQUE É PARTE DE NOSSO CULTO A DEUS

Uma quinta resposta tem que ver com o culto que prestamos a Deus na combinação das orações com a providência divina. Como já foi dito acima, as orações são o instrumento de Deus para a consecução de muitas de suas obras providenciais. Quando isso acontece, nós o cultuamos. Aliás, o que geralmente fazemos quando vamos aos atos congrulatórios? Vamos agradecer-lhe as bênçãos da sua bondade em nossa vida de família, nossa vida pessoal, nossa vida profissional e coisas dessa natureza. As respostas às orações geralmente provocam em nós o senso de culto ao Senhor providente. Esta é uma outra razão porque devemos orar.


CARLOS, Heber Campo de. In: A providência e sua realização histórica. 1 ed. São Paulo: Editoria Cultura Cristã, 2001. p43-44.


Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Descansando para a Glória de Deus


Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus.
Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus.
Como também eu em tudo agrado a todos, não buscando o meu próprio proveito, mas o de muitos, para que assim se possam salvar.
I CORÍNTIOS 10. 31-33

Olha só que prazeroso, um novo ano começou, novas e boas expectativas, grandes objetivos e metas a alcançar e claro, quero me dedicar mais ao reino de Deus, quero fazer mais do que fiz no ano que passou, quero levar a mensagem do evangelho por onde eu passar, mostrar Cristo ao mundo e testemunhar com minha vida.

Esses são alguns dos pensamentos que rondam por várias mentes cristãs, glória a Deus por isso, devemos realmente almejar a cada dia esse crescimento em nossas vidas, o que fica bem enfático nessa fase do ano, mas afinal foi pra isso que fomos chamados, a proclamar o evangelho de Cristo às nações, anunciar o amor de Deus, testemunhar com nossas vidas a respeito do que Deus pode fazer por alguém, fazendo-lhes entender que ainda assim não é por seus feitos que devemos o adorar, mas porque é soberano e merecedor de toda honra e glória.

É ótimo que busquemos ser assim, mas quando pensamos em tudo isso para o novo ano, costumamos esperar o ano “começar de verdade”.

“Quando voltar das férias farei a diferença na minha escola.”
“Quando passar o carnaval me dedico as coisas da igreja.”
“Assim que voltar de viajem retomo as devocionais.”

...e por aí vai, passa janeiro e pessoas se afastam da igreja, vem o carnaval e as mesmas se distanciam de Deus, o são joão se aproxima e chega mais um natal, nascimento de Cristo, tempo de fazer um novo balanço e o que mudou em nossas vidas? E se mudou, foi pra melhor? Aproximamos-nos ou temos nos distanciado de Deus e da vida cristã? Temos expressado a vida de Cristo ao mundo ou temos nos tornado parte dele?

Então que nossas férias, que nosso repouso, que nosso janeiro comece com zelo às coisas do reino, que não tiremos férias da presença do Senhor e que possamos entender que não devemos ser exemplo apenas perto dos que nos conhecem, em nossa igreja, escola ou trabalho, mas por onde passarmos, se buscarmos fazer a diferença, verão algo brilhar em nossas vidas, buscarão entender como nos divertimos tanto sem buscar coisas erradas e o nome de Deus será glorificado em cada momento de nossas vidas, inclusive nos nossos momentos de descanso.

Está de férias? Viajando? Leve com você a mensagem da cruz por onde passar, não deixe que só percebam que você é um cristão dentro da igreja.

Karlla Christina

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

20 coisas impossíveis para Deus

Talvez já tenha acontecido com você. Você está em uma roda conversando, sendo que alguns ali são ateus. De repente alguém vem com a pergunta: “Deus pode criar uma pedra tão grande que nem Ele mesmo possa levantar?”.

A intenção da pergunta é mostrar que Deus não é onipotente. Ou Ele não pode criar a pedra, o que mostra que Ele não pode fazer qualquer coisa, ou Ele pode criá-la, mas não pode movê-la, o que também mostra que Ele não pode fazer qualquer coisa. A pergunta parece não deixar saída, mas apenas confirmar que Deus não é onipotente.
A pergunta é bem antiga. Ela tem, pelo menos, 800 anos. E há registros de uma versão semelhante de 1.500 anos atrás. Ela é comumente conhecida como “O Paradoxo da Pedra”.
Essa pergunta não prova nada contra a onipotência de Deus. Ela fere os princípios da lógica. A pergunta faz tanto  sentido  quanto  perguntar  “Vai  chover  ontem?”,  “É  possível  fazer  um  triângulo  redondo?”  ou “Quanto poder é necessário para fazer 2+2 ser igual a 5?”. Ela mistura duas premissas que não podem existir juntas. Deus pode criar uma pedra de qualquer tamanho. Ele também pode mover qualquer pedra. Mas misturar essas duas premissas em um mesmo universo fere o princípio da não-contradição. Filósofos e Apologetas cristãos têm respondido satisfatoriamente a essa pergunta ao longo dos anos1. Ela não é nenhuma ameaça para o poder ilimitado de Deus.
Mas a partir dessa pergunta, fiquei pensando em coisas que são impossíveis para Deus. Aqui vai uma lista de 20 coisas impossíveis para o nosso Santo e Todo-Poderoso Deus:
1.     É impossível para Deus mentir.
Deus não é homem para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa (Números 23.19a).
Seja Deus verdadeiro, e mentiroso, todo homem. (Romanos 3.4a).
2.    É impossível para Deus ser injusto.
Não fará justiça do Juiz de toda a terra? (Gênesis 18.25b).
Deus é fidelidade, e não há nele injustiça; é justo e reto (Deuteronômio 32.4b).
Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das nações! (Apocalipse 15.3c).
3.     É impossível para Deus ser tentado.
Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta (Tiago 1.13).
4.   É impossível para Deus deixar de existir.
Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus (Salmos 90.2).
Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso (Apocalipse 1.8).
5.    É impossível para Deus fazer algo mal.
O SENHOR é bom para todos, e as suas ternas misericórdias permeiam todas as suas obras (Salmos 145.9).
O SENHOR é bom, é fortaleza no dia da angústia e conhece os que nele se refugiam (Naum 1.7).
6.   É impossível para Deus fazer algo impuro.
Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal e a opressão não podes contemplar (Habacuque 1.13a).
7.     É impossível para Deus não estar em todos os lugares ao mesmo tempo.
Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá (Salmos 139.7-10).
8.   É impossível para Deus negar quem Ele é.
Se  somos  infiéis,  ele  permanece  fiel,  pois  de  maneira  nenhuma  pode  negar-se  a  si  mesmo  (2 Timóteo 2.13).
9.   É impossível para Deus não se irar contra o pecado.
Por isso, os perversos não prevalecerão no juízo, nem os pecadores na congregação dos justos. Pois o SENHOR conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá (Salmos 1.5-6).
10.  É impossível para Deus deixar de agir graciosamente para conosco.
Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura não nos dará graciosamente com ele todas as coisas? (Romanos 8.32)
11.   É impossível para Deus ser limitado por alguém.
E segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes? (Daniel 4.35b)
12.  É impossível para Deus ficar cansado.
Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o SENHOR, o Criador dos fins da terra, nem se cansa, nem se fatiga?(Isaías 40.28)
13.  É impossível para Deus ganhar algum conhecimento novo.
Não! Com Deus está a sabedoria e a força; ele tem conselho e entendimento (Jó 12.13).
Grande é o Senhor nosso e mui poderoso; o seu entendimento não se pode medir (Salmos 147.5).
14.  É impossível para Deus dormir.
É certo que não dormita, nem dorme o guarda de Israel (Salmos 121.2).
15.  É impossível para Deus nos abandonar.
E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século (Mateus 28.20b).
16.  É impossível para Deus perder algum dos seus.
Eu mesmo recolherei o restante das minhas ovelhas, de todas as terras para onde as tiver afugentado, e as farei voltar aos seus apriscos (Jeremias 23.3).
Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora (João 6.37).
17.  É impossível para Deus deixar de cumprir suas promessas.
Porventura, tendo ele prometido, não o fará? Ou, tendo ele falado, não o cumprirá? (Números 23.19b).
Porque a visão ainda está para cumprir-se no tempo determinado, mas se apressa para o fim e não falhará; se tardar, espera-o, porque, certamente, virá, não tardará (Habacuque 2.3).
18.  É impossível para Deus não completar Sua obra em nós.
Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus(Filipenses 1.6).
19.  É impossível para Deus ter alguma necessidade externa.
O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas. Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais (Atos 17.24-25).
20. É impossível para Deus abrir mão de sua glória.
Eu sou o SENHOR, este é o meu nome; a minha glória não darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura (Isaías 42.8).
O fato de haver coisas impossíveis para Deus não o torna menos Deus. Pelo contrário! Isso o exalta ainda mais. O único Deus verdadeiro é infinitamente bom, justo e santo. Por causa de sua natureza divina, Ele não faz nada contrário às suas infinitas perfeições. Ele nunca peca, nunca é injusto ou faz algo que não seja santo. Que Deus grandioso nós temos! Que maravilha viver em um mundo governado por um Deus assim! Aí está uma coisa impossível: não adorá-lo.
1Uma delas em português aqui
Alex Daher
Intercâmbio feito por Rafaelle Amado