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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

“Me Ama” (How He Loves): Um Hino à Graça

Tem ciúmes de mim
O Seu amor é como um furacão
E eu me rendo ao vento de Sua misericórdia
Então de repente não vejo mais minhas aflições
Eu só vejo a glória
E percebo o quanto maravilhoso Ele é
E o tanto que Ele me quer

Oh, Ele me amou
Oh, Ele me ama
Ele me amou

Somos Sua herança e Ele o nosso galardão
Seu olhar de graça nos atrai à redenção
Se a graça é um oceano, estamos afogando
O céu se une a terra como um beijo apaixonado
Meu coração dispara em meu peito acelerado
Não tenho tempo pra perder com ressentimentos
Quando penso que Ele

Me ama,
Ele me ama
Ele me ama
Ele me ama

Como o Marcos Almeida do Palavrantiga sempre costuma dizer, cada música tem o significado que a pessoa que a escuta lhe atribui e foi pensando nisso que decidi escrever esse texto sobre a música “Me Ama” (How He Loves), principalmente após a polêmica envolvendo meu texto sobre o Diante do Trono. Assim, decidi explicar porque essa música que ficou tão popular por causa do DT, é tão importante para mim e me lembra grandes verdades do Evangelho.

Essa canção foi escrita por um músico cristão americano chamado John Mark Mcmillan após a morte de um grande amigo seu que era pastor de jovens e certo dia orou a Deus dizendo que estava disposto a dar a sua própria vida para que Deus avivasse a juventude americana. No dia seguinte, ele morreu de forma brutal em um acidente automobilístico. O John Mark fala que a música surgiu a partir desse momento de dor e reflete exatamente o que ele estava vivendo no momento, por isso relutou muito antes de decidir mostra-la ao público ou sequer gravar. O fato é que anos depois, em uma conferência de jovens ele não tinha o que tocar e decidiu cantar “How He Loves” pela primeira vez. Desde então, milhares de jovens americanos foram de certa forma sendo tocados pela música que logo se transformou em uma música de “adoração”, mesmo não sendo, como o John Mark sempre ressalta.

Lembro-me de ter ouvido essa música pela primeira vez em 2010, na versão da Kim Walker, do Jesus Culture e confesso que fiquei extasiado! A intensidade e a paixão da Kim ao cantá-la me impressiona até hoje, mas ainda assim, não compreendi a grandeza dessa música logo de primeira. Por mais irônico que pareça, isso só se deu no ano seguinte, durante a gravação do Diante do Trono 14 em Natal, na Praia do Meio. Quando a Ana fez uma excelente tradução, bastante fiel ao sentido original, por isso, quando ela começou a cantar a música foi que percebi as verdades bíblicas aparentemente escondidas entre as metáforas da canção. Foi aí que me dei conta da profunda carga emocional que essa poesia contém, e não pude mais permanecer indiferente à ela. Logo a música deixou de ser para mim mais um simples hit gospel de auto ajuda e se tornou um lembrete constante das minhas fraquezas e depravação frente à imensa graça de Deus.

A música pode até parecer estranha à primeira vista por começar afirmando que Deus tem ciúmes de nós. Entretanto, essa é uma verdade bastante bíblica. É isso o que Deus diz ao longo de todo o Antigo Testamento. Tanto na Lei de Moisés, como através dos profetas, fica claro que Deus é um Deus zeloso e que tem ciúmes do Seu povo. Sei que a palavra “ciúmes” tem uma conotação muito ruim para nós e por isso podemos ter dificuldades em imaginar um Deus ciumento, mas vale ressaltar que o ciúme que Deus sente por Seu povo é diferente do nosso ciúme pecaminoso. É interessante que na versão original dessa música em inglês, a palavra utilizada “jealous” é exatamente a mesma utilizada em praticamente todas as traduções da Bíblia para o inglês para se referir a Deus como zeloso. Exemplo disso é Deuteronômio 4.24  na ESV, “For the Lord your God is a consuming fire, a jealous God.”. O que é reiterado no Novo Testamento em Tiago 4.5, inclusive em todas as traduções para o Português: “Ou supondes em vão que afirma a Escritura: É com ciúme que por nós anseia o Espírito, que ele fez habitar em nós?” (ARA). Ou seja, isso me lembra que Deus tem ciúmes de mim e por isso não admite que nada além dEle mesmo tinha a primazia em meu coração, nem mesmo a “adoração” como já compartilhei.

A seguir, o autor utiliza a metáfora de um furacão para descrever o amor de Deus e a nossa completa rendição a Ele. Na versão em inglês o autor vai além e se descreve como uma árvore diante desse furacão. O que quer dizer que o amor de Deus por Seus eleitos é tão grande, que eles não conseguem resisti-lo e logo se rendem, como uma árvore levada por um furacão. Nossa, como essa metáfora me humilha! Ela me lembra que em mim mesmo eu não tenho nenhum mérito em minha salvação e que pela minha própria condição pecaminosa eu nunca poderia ter escolhido a Deus, é por isso que não pude resisti-lo quando Ele decidiu me alcançar com Sua graça. Logo após constatar essa verdade, a música expressa a reação do autor diante desse amor, mesmo em meio aos seus sofrimentos, no caso, a morte de um querido amigo fiel ao Senhor. Mas ainda assim, ele se lembra das palavras do apóstolo Paulo: “Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós.” Romanos 8.18 (ARA). Diante da visão de tamanho amor e glória, realmente não há como não “abraçar” o sofrimento, como diz o John Piper.

Após o refrão bastante simples que apenas reafirma esse amor de Deus por nós, mais precisamente na figura de Cristo ao se referir mesmo que modo subjetivo à cruz, vem a segunda e última estrofe. A qual contém ainda mais significado para mim. “Somos Sua herança e Ele é o nosso galardão.” Isso para mim exalta de maneira explícita o sacrífico e a obra de Cristo na cruz. Quando me penso como sendo “herança” de Cristo, logo me vem à mente o texto de Isaías 53 em que o sofrimento de Cristo é profetizado e logo em seguida, já no final do capítulo, o profeta afirma com toda certeza de que Cristo veria o fruto do Seu penoso trabalho e se alegraria. Apocalipse 5 complementa dizendo que foi por causa desse sacrifício que Jesus comprou para Deus povos de todas as tribos, línguas e nações. Essa é a herança do Senhor. Os eleitos são Sua herança; aqueles a quem Deus lhes deu antes mesmo da fundação do mundo. Se realmente somos regenerados, somos parte da herança de Cristo. Isso significa que o Seu sofrimento foi por nós e a consequência clara disso, é que imediatamente, Cristo passa a ser o nosso galardão; a nossa recompensa; a nossa pérola de maior valor como diz em Mateus 13; o nosso troféu, segundo a versão original da música (“prize”). Cristo se torna o único capaz de nos satisfazer por completo.

Por isso, “se a graça é um oceano estamos afogando”. Como eu tenho compreendido essa metáfora ultimamente! Para mim, afirmar que a graça é como um oceano na qual eu estou me afogando, me lembra a grandiosidade da graça e sua extensão maior do que os meus pecados; maior do que a minha depravação; maior do que as minhas fraquezas; maior do que os meus sujos “atos de justiça”. É por isso que não há nada que me faça “boiar” nela. A graça é tão maior do que eu, que eu não posso fazer nada por mim mesmo para obtê-la. Não tenho outra saída senão me afogar nela, senão me dar a Cristo por completo e viver a nova vida que Ele conquistou para mim; não pecando para que a graça “aumente”, como Paulo não nos aconselha a fazer em Romanos. Mas, ao contrário, uma vida de arrependimento e santidade. A perseverança dos santos.

“O céu se une a terra como um beijo apaixonado. Meu coração dispara em meu peito acelerado.” Somente em Jesus o céu se une à terra. Somente através dEle e de Seu sacrifício podemos ser salvos, podemos ter acesso ao Pai. Não consigo pensar nessa metáfora e não visualizar o sofrimento de Cristo, ali no Calvário ao carregar sobre si a ira de um Deus santo a fim de salvar pecadores tão indignos como eu. Realmente, diante de tamanha imagem, não consigo não ter meu coração batendo acelerado. Ou como diz na tradução do Juliano Son, “tomado em grande furor”, se remexendo violentamente dentro de mim, me lembrando que eu sou e ao mesmo tempo, apontando pra Cristo. É aí que a música, em minha opinião chega ao seu ápice e termina, resumindo toda a reação de uma pessoa regenerada diante de tamanho amor demonstrado por Cristo: “Não tenho tempo pra perder com ressentimentos quando penso que Ele me ama.”

Acho muito forte a palavra utilizada em inglês nessa frase: “regrets” que significa também lamentos, pesares, remorsos, mágoas, desgostos... É isso! Quando compreendemos verdadeiramente o significado do amor de Cristo por nós não conseguimos ficar indiferentes. Não podemos mais gastar tempo com bobagens. Toda a nossa vida passa a girar em torno da realidade de Cristo. Ele se torna o nosso tudo, a nossa razão.

É por isso que gosto tanto dessa canção. Ela me humilha, ao mesmo tempo me enche de esperança, de alegria. Ela me lembra Cristo! Mesmo tendo sido escrita em um contexto de grande sofrimento em dor, ela não está centralizada em nós mesmos, mas na supremacia de Cristo acima de todas as coisas. Entretanto, é triste perceber que verdades tão gloriosas e profundas como essas tenham passado despercebidas e que essa música não passe hoje de apenas mais um hit gospel de auto ajuda centrado no homem. Creio que não era esse o objetivo do John Mark Mcmillan ao escrevê-la. Afirmo isso com base não apenas em suas entrevistas, mas em seu trabalho e carreira. O John está à margem da indústria do gospel americana. Suas músicas, assim como essa, nem sempre são feitas para serem entoadas em momentos de culto congregacional. Ao contrário, pretendem glorificar a Deus através da arte. O John Mark Mcmillan está mais para o Palavrantiga e até mesmo o Livres Para Adorar do que para o Diante do Trono e sua legião de fãs. Não é à toa, que ao estar no Brasil em 2011 ele mesmo disse à Ana Paula Valadão que sua música não era uma canção de “adoração”, tampouco para ser cantada na Igreja.


Bom, é essa a interpretação que faço dessa canção. Como vocês podem perceber é sim uma análise calvinista e é exatamente por isso que me entristeço ao ver o que tem sido feito aqui no Brasil como uma canção tão linda como essa.

Igor Sabino

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Falando sobre “Homens-Meninos”

Ela era uma amiga cristã solteira (totalmente apenas amigos), destilando a sua frustração acerca dos homens imaturos. Isso era casual, porque esse tipo de desabafo é comum. O café havia acabado. E isso foi um corte profundo.
“Homens cristãos… ugh.”
Como um homem estudante universitário sem esposa, trabalho fixo, e sem independência financeira, eu me contorci com mal-estar e insegurança. Ela não estava me atacando; apenas emitindo uma queixa comum ao universo. As palavras fluíram sem esforço da sua boca como se ela as houvesse dito um milhão de vezes antes e eu estava despreparado para os adjetivos que seguiriam ao longo da conversa: “imaturo”, “infantil”, “fraco”, “patético”. Espere um pouco... “Homens-Meninos”
É entendível, mas eu posso por favor dizer isso? Isso não está bem. O termo “homens-meninos” (às vezes, “homens-crianças”, “homens-garotos”, etc.) é uma calúnia. Ele é usado para humilhar pessoalmente e rebaixar uma classe de cristãos. Ela expressa desprezo e arrogância exposições. E, pior de tudo, ele define o valor dos seres humanos à imagem de Deus de acordo com seu desempenho de gênero.

 

O problema não é preguiça


 “Mas”, você diz, “há um monte de homens cristãos que expressam comportamentos desapontadores.” Isso é verdade, mas eu não estou convencido de que categorias como pecaminosidade ou preguiça, explicações comuns, possam claramente explicar essa questão. Talvez preguiça aponte para além dela – talvez seja um sintoma de um problema mais sistemático. Vamos interpretar o clássico comportamento “homem-menino” através dês outras lentes que não a preguiça:
Adiar o casamento pode ajudar: evitar dividir espaço fisicamente, espiritualmente, emocionalmente e espiritualmente e se retirar a um espaço pessoal.
Negligenciar a Bíblia e igreja pode ajudar: evitar intimidade divina e se retirar em uma vida pessoal.
Flutuar sem ambições pode ajudar: evitar horas de trabalho e se retirar em tempo pessoal.
Jogar vídeo games cronicamente pode ajudar: evitar realidade externa e se retirar em uma vida virtual.
Viver em casa pode ajudar: evitar pressões externas e se retirar em confortos internos.

 

As folhas de figueira modernas

“Preguça” é uma descrição superficial. “Evitar” nos move além de uma explicação do coração. As Escrituras nos dizem que o coração é sempre ativo (Gênesis 6.5, Deuteronômio 11.6, Jeremias 17.5, 1 Pedro 1.22), então a nossa descrição do coração deveria sempre está na voz ativa (Eu não digo que evitar é o problema, mas isso nos ajuda a chegar um pouco mais fundo do que o conceito de preguiça”. “Evitar” abre portas para uma série de outras palavras ativas e hóspede de outras realidades do coração: medo (“E se eu falhar?”), ansiedade (“Eu não consigo lidar com isso!”), depressão (“Eu odeio a mim mesmo/minha vida), sentimentos de insuficiência (“Eu não sou suficiente”), auto-depreciação (“Eu sou estúpido/sujo/indesejável”), vergonha (“Deus e meu próximo tem nojo de mim”) e muitos outros. Eu preferiria escapar a ser publicamente envergonhado” (cf. Apocalipse 6.16).

Essas categorias nos dão uma nova perspectiva. “Homens-meninos” não são nem a primeira nem a última luta de ser homem, mas de ser um ser humano. Solteirice, solidão, video games e a casa da mamãe são as folhas de figueira modernas – coberturas feitas manualmente para homens despidos de competência e profundamente envergonhados de sua inabilidade de se engajar com as realidades da vida por causa de suas experiências com o Opressor (Isaías 14.4), que busca espalhar confusão e caos entre o povo de Deus (João 8.44, 2 João 7, Apocalipse 12.10).

 

A solução não é “tente duro”

A necessidade do dia não é para a igreja de Jesus Cristo arrancar as folhas, mas começar a vesti-los com as vestimentas do Evangelho feitas por Deus (Gênesis 3.21). A solução para a imaturidade entre os jovens garotos cristãos não é lembrá-los verdades ou instituir regulagens, mas uma Pessoa, que não evitou realidades, mas que as encarou por nossa causa: Jesus (Lucas 2.52, Filipenses 2.6-9) – Jesus, com sua intercessão, caridade e graça. O que as mulheres cristãs solteiras fazem acerca disso além de criar um nome para defini-los?  Aqui estão algumas formas que podem ajudar:

1.     Oração Intercessória
Ore por mais pais que seriamente assumam o seu papel de ensinar os seus filhos a como se engajar com o mundo, não evitá-lo. Ore para que homens em geral faça o mesmo por garotos sem pais. Ore para que os homens mudem, não apenas em um nível comportamental, mas em um nível do coração – se movam a Deus e ao próximo em meio ao pecado que habita e a opressão externa (Lucas 10.27).

2.     Caridade
Fale bem dos outros (Efésios 4.31). Trate os jovens homens imaturos da mesma forma que você trata qualquer outro assunto na igreja: com diligência, fidelidade e amor, os mesmos traços que Paulo inclui em seu imperativo de “serem homens” (1 Coríntios 16.13-14). Isso significa que as mulheres não reajam com cinismo ou usando o termo “homens-meninos” (Efésios 4.29).

3.     Fé
Deus está disciplinando homens imaturos a crescerem por eles mesmos (Hebreus 12.11). Ele não precisa dos seus comentários sarcásticos para ajudar (Provérbios 11.12). Confie que Deus não tem abandonado homens à imaturidade, mas está terminando a obra que Ele começou (Filipenses 1.6).

4.     Graça
Toda tentação é comum à humanidade (1 Coríntios 10.13). O medo de que existe no coração de um homem pode se manifestar por si mesmo de formas (específicas a cada gênero) diferentes em sua vida. Não importa quem você namore, ele será um homem pecador (Romanos 3.23) que é imaturo e medroso, e se ele é cristão, Deus está vencendo o mal que está contra ele e nele (Filipenses 2.13; Romanos 16.20). Eu não estou dizendo que Jesus quer que você namore um perdedor. Ele não quer. Tudo o que eu estou dizendo é isso: Não apenas namore um cristão centrado no Evangelho; namore como um Cristão centrado no Evangelho (1 Pedro 4.8).

Søren Kierkegaard disse que a natureza de uma mulher “tem afetuosamente equipado-a com um instinto sensível que em comparação a reflexão masculina mais superior é nada.” Irmãs, provem que Kierkegaard está certo. Superem-nos em oração, caridade, fé e graça e nós homens tentaremos superar vocês em disciplina piedosa e ambição. Então, talvez o temor daquele que “nos ajuda em nossa fraqueza” irá florescer em seu devido curso (Romanos 8.26).


Original: http://www.desiringgod.org/blog/posts/talking-about-man-boys


Traduzido por Igor Sabino

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Igrejas na Guerra, apoie-as!

O título desse post pode sugerir uma série de temas referentes à Igreja de Cristo, uma guerra contra o pecado, uma batalha espiritual e etc. Contudo, irei falar sobre a situação de Igrejas que vivem literalmente em meio a guerras. É o caso da Igreja de Cristo no Oriente Médio, em especial na Síria, Palestina, Iraque e mais recentemente, no Egito.

Uma das coisas que mais amo no Cristianismo é que ele não é apenas uma religião local, ligada a algum país ou território físico, mas sim um Reino global composto por pessoas de todas as tribos e nações; o que significa que em todos os lugares do mundo, até mesmo nos mais hostis e remotos do mundo há uma parte da Igreja de Cristo, mesmo que seja apenas um pequeno remanescente fiel... Isso significa que nos lugares onde há guerras há também uma Igreja, a qual além de estar engajada nas lutas comuns a todos os cristãos, também sofre as consequências de uma guerra física, correndo diversos riscos, inclusive a do fim da vida na terra.

Como diz o Irmão André em seu livro "Força da Luz" sobre a Igreja Palestina, o fato de sermos cristãos não nos tira do mundo, nem nos impede de sofrer com os males que o afligem, inclusive as guerras. Assim, segundo ele, é papel da Igreja tentar vencer o mal com o bem como nos ensina as Santas Escrituras, por isso, é de fundamental importância que a Igreja de Cristo esteja presente nos locais em que há guerras, pois Cristo é o único caminho e a solução definitiva para paz. Entretanto, nem sempre é isso o que acontece. Nos últimos anos, com os crescentes conflitos no Oriente Médio, os poucos cristãos que ainda restam na região tem fugido em massa para o Ocidente e com eles a única esperança de paz.

Eu compreendo o quão difícil deve ser a vida em um contexto de guerra, mesmo nunca tendo-o experimentado e por isso não julgo os cristãos do Oriente Médio por emigrarem. Mas o que mais me entristece é saber que nada tem sido para evitar esse êxodo, principalmente por nós, cristãos do Ocidente e até mesmo do Sul. Se os cristãos não se dispõem a socorrer seus irmãos que vivem em contextos de guerra lutando para que eles possam permanecer em suas próprias casas em segurança, como poderemos esperar que a comunidade internacional ou os chefes de Estado o façam? Se como cristãos cremos que Jesus é realmente o Príncipe da Paz e a única solução para os conflitos do Oriente Médio, temos que fazer algo para a ajudar as Igrejas desses locais a permanecerem lá, firmes e fazendo a diferença, sendo uma pequena luz em meio à grande escuridão que os cerca. 


Hoje, em especial, há algumas Igrejas que precisam muito da nossa ajuda. Uma delas é a Igreja na Síria, uma Igreja que durante anos clamou a Deus por um avivamento genuíno e Deus os respondeu com uma guerra civil e inúmeras oportunidades de serem despenseiros do Seu amor em uma sociedade marcada pelo ódio e pela ganância pelo poder. Outras Igreja que está em meio a uma guerra severa e que precisa imensamente do nosso apoio é a Igreja Palestina, em especial na Faixa de Gaza. Além das opressões diárias que essa Igreja sofre por causa do Hamas que governa a região, eles também tem sofrido durante com os ataques israelenses, que tem ocasionado a morte de milhares de civis. Por fim, há também a Igreja do Iraque que nos últimos dias tem sido vítima de um verdadeiro genocídio por parte do grupo terrorista islâmico ISIS. Que não estejamos indiferentes a isso, mas nos levantemos a favor desses cristãos!

Igor Sabino

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Eu sou um Pastor Batista e amo outro Homem

Eu me sinto bem em finalmente poder tornar isso público – eu amo um homem. Eu sou um pastor batista da convenção do Sul dos Estados Unidos e isso é verdade. Permita-me lhe contar sobre isso.
Eu conheci esse homem na faculdade. Durante o curso de três anos, nós nos tornamos amigos muito próximos. Nós passávamos madrugadas juntos conversando – tanto assuntos sérios como ridículos. Nós celebramos vitórias juntos e apoiamos um ao outro em momentos difíceis, provas e relacionamentos. Eu gastei muitas noites adormecendo no carpete do seu quarto ou até mesmo em sua cama enquanto tentava quase que de coração estudar nas primeiras horas da manhã.
Depois da faculdade, ele se alegrou comigo e minha esposa, Mindy, em nosso casamento. Ele era tão exuberante quanto possível, realmente se alegrando com aqueles que se alegram. Quando eu me mudei para Lousville e ele para East Coast, poderíamos pensar que nosso relacionamento aos poucos iria acabar. Não acabou. Ao nos tornarmos maduros na fé e como homens, nosso amor um pelo outro apenas aumentou. Eu estava ocupado com o seminário, trabalhando com a igreja, casamento e depois filhos. Ele tinha um trabalho puxado e que lhe demandava muito tempo, contudo ele era fiel em manter a sua parte do nosso relacionamento através de cartões postais, telefonemas e visitas.
Ele celebrou o nosso primeiro filho conosco. Ele gastou o seu suado salário e precioso tempo para vir nos visitar diversas vezes nesses anos iniciais. Ele foi animado do mesmo jeito dar as boas vindas ao nosso segundo filho quando ele veio ao mundo. Ele tem sido um presente precioso para a nossa família, estimando nossos filhos e minha esposa. Suas visitas generosas geralmente eram acompanhadas pelos dons e sempre eram garantias de que os nossos corações seriam cheios da alegria do Senhor.
Nós gastamos incontáveis horas em conversas no telefone, no Skype e nos comunicando via e-mail. Geralmente nós falávamos por cerca de duas horas sobre dificuldades, eventos, estórias engraçadas e a graça do Senhor.
Quando eu e minha esposa nos mudamos para Newberry, South Carolina, suas visitas continuaram. De fato ele se voluntariou para pagar sua própria ida a fim de nos ajudar a nos mudar de Kentucky para South Carolina. Foi uma grande benção ter esse irmão conosco durante as dificuldades dos primeiros dias em Newberry.
Nós construímos coisas juntos. Nós corremos juntos. Nós aproveitamos a criação de Deus juntos.
Eu tive a benção de ver o Senhor mudando os seus desejos e o chamando para ser treinado para o ministério. Eu tive a maravilhosa oportunidade de escrever recomendações para esse homem a quem a minha alma ama. Eu tenho quietamente celebrado ao ver o Senhor liderando em um caminho que eu mesmo trilhei alguns anos atrás e tenho orado para que Deus proveja a ele uma fiel e amável esposa que o apóie.
Enquanto lutei durante o meu primeiro ano enquanto pastor, ele estava lá. Estava lá para chorar comigo. Estava lá para discutir pontos teológicos difíceis. Estava lá para orar por mim. Estava lá para me desafiar, encorajar e me amar. Ele, mais do que ninguém além da minha esposa, entende e está totalmente a par das minhas feridas mais profundas. Ele chorou comigo e Mindy durante o nosso aborto espontâneo. Ele se machucou junto com nossa família.
Por todas essas coisas e por um future cheio de mais esse tipo de amor, alegria e irmandade cristã, eu tenho que dizer: “Senhor, obrigado por esse homem que eu amo.”
A mentira
Dois grupos nos dizem que esse tipo de amor é impossível. Primeiro, o mundo. Se eu chegasse para alguém na rua e falasse que eu sinto isso por um homem, eles insistiriam que eu estava sentindo atração homossexual. Isso é mentira.
Segundo, a igreja. Muitas igrejas tem nos feito crer que o “amor de irmãos” que a Bíblia encoraja deve ser algo desenvolvido ao redor de uma partida de UFC. Isso também é uma mentira.
Nós como igreja temos cedido esse tipo de amor que eu divido com esse amigo à comunidade gay. Nós tememos. Temos medo de sermos mal interpretados pela nossa cultura, tememos a vulnerabilidade, tememos que isso seja antibíblico.
Isso é uma mentira do príncipe das trevas. Ele quer que irmãos em Cristo se sintam desconfortáveis ao verdadeiramente amarem uns aos outros. Ele tem pervertido a afeição de irmãos como homo-erotismo e o tornou totalmente inacessível para o crente. Nós como crentes não podemos conceber que esse tipo de amor que Pedro encoraja – um “amor fraternal, não fingido; amando-vos ardentemente uns aos outros com um coração puro” (1 Pe 1.22). Onde está o amor que é caracterizado por ser misericordioso e humilde (1 Pe 3.8)?
Satanás tem roubado os relacionamentos como o de Davi e Jonathan de nós, irmãos em Cristo. O que você fará quanto a isso? Amar outro homem como à sua própria alma (1 Sm 18.1) não é um amor homossexual; é o amor de Cristo. É realmente está disposto a dar sua própria vida pelos seus irmãos (1 Jo 3.16). Nós temos que construir esses tipos de relacionamentos uns com os outros: homens que realmente amam outros homens.
Irmãos, se nós demonstrarmos o amor de Cristo um pelo outro, nós podemos começar a estabelecer credibilidade com a comunidade gay. Eles não acreditam que nós podemos amar outros homens. Vamos provar que eles estão errados. Talvez, então, depois de ver a verdadeira luz do evangelho de Jesus, eles sejam atraídos das trevas nas quais Satanás os mantém cativos para a luz do maravilhoso amor auto-sacrifical de Cristo.

Original: http://thegospelcoalition.org/article/im-southern-baptist-and-i-love-a-man

Chad Ashby
Traduzido por Igor Sabino

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Israel, a Palestina e os Cristãos

Nos últimos dias a mídia internacional tem sido inundada de notícias sobre o conflito Israel-Palestina, uma vez que esse tem sido o maior acirramento do conflito desde 2009. As imagens são chocantes, mísseis israelenses invadindo a Faixa de Gaza e gerando inúmeras vítimas civis, sobretudo crianças e mulheres. Daí não falta posts nas redes sociais escritos por cristãos que ou defendem Israel por crerem que esse ainda é o povo de Deus ou aqueles que embora tenham uma teologia correta com relação aos judeus, movidos por boas intenções, creio eu, assumem a posição do lobby pro-Palestina e acusam Israel de ser a praticamente a única manifestação da depravação humana na terra. Tudo isso me entristece profundamente, pois era contra essa ignorância com relação aos judeus que Paulo adverte a Igreja de Roma (Rm 11.25).

Em primeiro lugar é necessário esclarecermos que o atual Estado de Israel não é o cumprimento de profecias bíblicas, mas que foi criado mediante a soberania de Deus sobre a História a fim de cumprir os Seus próprios propósitos, uma vez que Deus é soberano e rege as nações (Sl 2). Isso, portanto, não significa que os cristãos devem apoiar o Estado judeu em todas as suas políticas e ações. Ao contrário, significa que nós como cristãos devemos ver o Estado de Israel como um Estado secular e pecador igual a qualquer outro, reconhecendo os seus erros e combatendo-os, principalmente as suas práticas abusivas que são implantadas contra os palestinos, as quais violam diretamente os seus direitos humanos e vão contra as atribuições estabelecidas por Deus para os Estados (Rm 13).

Um segundo esclarecimento necessário diz respeito à natureza do verdadeiro povo de Deus hoje em dia. Os judeus que hoje existem não são mais o povo de Deus, uma vez que na Nova Aliança através do sacrifício de Jesus na cruz a salvação se estende a todos os povos, de todas as etnias e nações (Is 19.23-25, Mt 28.19, At 2.11, Ap 5. 8-10). Isso pode ser visto claramente no que Paulo diz aos Gálatas, ao afirmar que os verdadeiros filhos de Abraão não são apenas os judeus, mas os eleitos de todas as nações (Gl 3.6-8). Isso significa que o verdadeiro povo de Deus hoje é formado não apenas por judeus, mas também por alemães, palestinos e árabes! Ainda hoje há judeus que se convertem ao Cristianismo ao reconhecer Yeshua (Jesus) como o messias e esses sim é que passam a ser o povo de Deus, mas não os outros judeus que rejeitam a Jesus, como é a grande maioria dos judeus que compõem o atual Estado de Israel.

Tudo isso me faz crer que se o povo de Deus é formado tanto por judeus quanto palestinos, no atual conflito não devemos ficar nem do lado de Israel tão somente, nem do lado dos palestinos como se eles fossem as únicas vítimas da História. Devemos levar em consideração os princípios bíblicos de justiça e ter em mente que no atual conflito, ambas as partes são injustas e cometem atrocidades mútuas, violando assim a Lei de Deus. Isso não significa, contudo, que devamos ser imparciais, até porque isso é impossível, mas sim que devemos ficar ao lado da Igreja, o povo de Deus e para isso precisamos saber onde eles estão e como tudo isso os afeta.

Infelizmente embora seja o berço do Cristianismo, a atual “Terra Santa” é um dos lugares onde há menos cristãos. Os números são bastante inexatos, mas crê-se que apenas 2% de toda a população de Israel e dos territórios palestinos ocupados (Faixa de Gaza e Cisjordânia) sejam cristãos. Isso se dá devido a dois fatores: conflitos na região e perseguição religiosa. A criação do Estado de Israel em 1948 e os conflitos que o seguiram geraram uma grande onda de refugiados palestinos, entre os quais estavam em sua maioria cristãos, fazendo com que a sua presença na região diminuísse significativamente já a partir daí.

A situação, porém, piorou ainda mais após a Segunda Intifada palestina quando a Autoridade Palestina passou a administrar a Cisjordânia e o Hamas a Faixa de Gaza, o que ocasionou o surgimento da perseguição aos cristãos palestinos, os quais passaram a ser identificados diretamente como aliados ao governo israelense e por isso perseguidos. Tal perseguição advém da própria sociedade palestina, majoritariamente muçulmana, mas é de certo modo legitimada pelos governos da Autoridade Palestina e do Hamas. Os abusos sofridos pelos cristãos na região são vários: há conversões forçadas ao Islã, mulheres cristãs sofrem violência por não usarem o véu islâmico, igrejas são bombardeadas e alguns líderes da igreja até mesmo assassinados. Não é à toa que segundo a Missão Portas Abertas, os territórios palestinos são o 34° lugar em uma escala de 50 em que os cristãos mais sofrem perseguição.

Tanto o Hamas quanto a Autoridade Palestina possuem claramente uma agenda islâmica anti-cristã e isso por si só já seria um grande motivo para os cristãos não os apoiá-lo. Mas por outro lado, e quanto a Israel? Israel é a única democracia do Oriente Médio e teoricamente o Estado assegura o direito de liberdade dos cristãos. Lá também é o único lugar do Oriente Médio em que a população cristã ao invés de diminuir tem crescido. Mas isso não significa que os cristãos não são perseguidos em Israel. Lá a perseguição existe sim e é impetrada por grupos de judeus radicais, os quais tem assento no Parlamento israelense e até criaram uma lei que proíbe a pregação do Evangelho em lugares públicos, como em ônibus. Além disso, também há perseguição por parte de setores mais extremistas da sociedade judaica que não aceita que judeus se convertam ao Cristianismo e persegue a pequena, porém crescente, comunidade de judeus messiânicos, os judeus cristãos. Ao mesmo tempo, o governo israelense também dificulta a migração de judeus messiânicos para Israel.

Tudo isso mostra que tanto em Israel quando na Palestina os cristãos sofrem e que ambos os lados cometem graves erros. Isso porque analisei apenas a questão da liberdade religiosa. No atual conflito entre Israel e o Hamas, por exemplo, é verdade que as bombas lançadas por Israel são proibidas pelas convenções internacionais devido aos danos que podem causar em seres humanos, sendo considerado um crime. Mas por outro lado, e quanto aos civis palestinos que são utilizados pelo Hamas como escudos humanos para se defender dos taques israelenses? Assim, qual deve ser a posição de um cristão diante disso tudo? Creio que Paulo nos diz em Romanos 11.25-27:

Irmãos, não quero que ignorem este mistério, para que não se tornem presunçosos: Israel experimentou um endurecimento em parte, até que chegasse a plenitude dos gentios. E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: "Virá de Sião o redentor que desviará de Jacó a impiedade. E esta é a minha aliança com eles quando eu remover os seus pecados".

            Paulo ao escrever aos Romanos os advertiu sobre a sua ignorância e presunção frente aos judeus. Provavelmente estava surgindo na Igreja alguma espécie de anti-semitismo. Talvez pelo fato de que ainda estivesse muito vívida a imagem de que foram os judeus quem mataram Jesus, o que sabemos ter sido apenas uma expressão da vontade de Deus, pois quem matou Jesus foi o próprio Deus. O fato é que infelizmente ao longo da História a Igreja tem sido ignorante com relação aos judeus e tem sido uma das maiores fontes de anti-semitismo. Vemos isso durante o período da Inquisição da Igreja Católica e até mesmo nos escritos de Lutero, o pai da Reforma que tanto admiramos e por quem somos tão gratos a Deus. Lutero, apesar de ter sido um homem muito piedoso e temente a Deus, era falho. Ele não compreendeu o mistério de Israel do qual Paulo fala em Romanos 11 e segundo alguns historiadores foi quem lançou as bases do anti-semitismo de Hitler. Essa mesma onda de anti-semitismo tem voltado a afetar a Igreja de Cristo nos dias atuais, mas com um novo nome: anti-sionismo!

Muitos cristãos fiéis, por crerem nos pressupostos aqui assumidos no início do texto sobre os judeus e ao verem os erros que o atual Estado de Israel tem cometido contra os palestinos acabam assumindo lobby pro-Palestino, o qual não quer simplesmente o fim da ocupação israelense e justiça para os palestinos, mas sim a destruição do Estado de Israel. Soma-se a isso um grande aumento em escala global do extremismo islâmico, que tem como principais alvos cristãos e judeus. Ou seja, se o Estado de Israel deixar de existir hoje, veremos um banho de sangue judeu maior do que o Holocausto. Um vislumbre que podemos ter disso é a perseguição aos cristãos em contextos islâmicos.

Devemos sim, como cristãos lutar por justiça para os palestinos e criticar determinadas ações do Estado judeu, mas não sermos anti-semitas. Digo isso, porque logo alertar a Igreja a não ser arrogante quanto aos judeus, Paulo revela o “mistério de Israel” que consiste no fato de que os judeus serão reconciliados por Deus após a plenitude dos gentios se completar. Isso significa que após o Evangelho do Reino ser pregado a todos os povos (Mt 24.12), haverá um avivamento entre os judeus e um grande número deles será salvo, completando assim o número de eleitos e preparando o caminho para a volta de Cristo. Entretanto, vale salientar que para que a plenitude dos gentios se complete eleitos de todas as nações devem ter ouvido a pregação do Evangelho.

Hoje os povos menos alcançados pelo Evangelho são exatamente aqueles que mais odeiam os judeus: são as diversas etnias árabes e os povos do Oriente Médio que professam o Islã. Os palestinos mesmo são considerados um povo não alcançado pelo Evangelho. O Islã é a última fronteira missionária para o Cristianismo e o Evangelho tem que voltar à Jerusalém, completando assim a plenitude dos gentios para que haja o avivamento entre os judeus e assim a paz seja estabelecida no Oriente Médio. Ou seja, Jesus, o Príncipe da Paz e o Seu Evangelho são a solução para o conflito entre árabes e judeus. O que os dois povos precisam é o Evangelho!

Paulo fala que a conversão dos gentios levará os judeus ao ciúme e assim eles serão novamente enxertados na oliveira, que é Jesus. Por isso, o papel de um cristão diante do conflito Israel-Palestina é orar para que o Evangelho seja pregado entre os árabes. Orar por um avivamento na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. Um cristão de verdade deve amar os palestinos, pois assim estará também amando aos judeus e a Cristo. É por isso que como cristãos devemos tomar o lado da Igreja. Devemos fortalecer a Igreja nos territórios palestinos e em Israel. Devemos nos levantar contras as injustiças cometidas em ambos os lados. Mas acima de tudo devemos pregar o Evangelho a eles. A salvação dos judeus passa pela salvação dos palestinos. A paz na Faixa de Gaza é a paz em Israel e vice-versa.

Uma das coisas que tem me incomodado é perceber como no Oriente Médio muitos vêem no Islã a solução para o conflito e não temem divulgar isso. Aqui no Ocidente, sobretudo na academia, crer-se que ideologias humanistas como o Marxismo é que fará isso. Mas se realmente somos cristãos e cremos que a Bíblia é a palavra de Deus, veremos que é o Evangelho é que é a solução para todos os problemas. Por que, então, tememos afirmar isso?

É por isso que oro a Deus para que os cristãos da minha geração não ignorem o mistério de Israel. Que não cometamos os erros que a Igreja cometeu no passado com relação aos judeus. Que amemos os judeus, mas também amemos os palestinos. Que nos lembremos que a maior injustiça social é a falta de pregação fiel do Evangelho e a maior ocupação é a ocupação espiritual por sofismas e falsas ideologias que se opõem a Cristo. Que uma das nossas demonstrações de amor por Cristo seja amar os judeus e consequentemente os palestinos.

Igor Sabino

Graduando em Relações Internacionais pela UEPB
Facebook: https://www.facebook.com/igorhsabino

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Quando nós Enviamos uma Pessoa à sua Morte

Ronnie Smith foi morto com um tiro em Benghazi, Líbia, dia 3 de Dezembro de 2013. Ele tinha 33 anos. Era marido e pai. Os líderes da igreja da qual ele era membro me deram permissão para falar acerca da sua morte de forma pública e cuidadosa.
Uma das razões pelas quais quero falar acerca disso é porque o Ronnie escreveu a nós do Desiring God ano passado e nos disse que uma das minhas mensagens foi bastante significativa em sua decisão de ir junto com sua família para a Líbia.
Anita agora é uma viúva, e seu filho Hosea perdeu o pai.
Chorando com os que choram

Como eu me sinto ao falar acerca do que o levou à sua morte?
Eu chorei essa manhã ao orar por Anita e Hosea. Chorar com os que choram não foi um mandamento naquele momento; foi a tristeza tomando conta de mim. Eu me lembro de quando eu tinha 33 anos. Essa era a idade que eu tinha quando Deus me chamou ao ministério pastoral. Eu estava iniciando o meu ministério na mesma idade que o ministério de Ronnie terminou. Assim como o de Jesus.
Depois da tristeza e simpatia, minha resposta foi (e é) oração. “Senhor, dê à Anita uma grande fé. Ajude-a a chorar – mas não como aqueles que não tem esperança. Torne aquele pequeno garoto orgulhoso do seu pai. Que eles vivam sobre as glórias de Romanos 8 – os gemidos deste mundo caído que aguarda (Romanos 8.23), e a sólida certeza de que, embora sejamos mortos todos os dias, ainda assim, em todas essas coisas somos mais que vencedores (Romanos 8.36-37).”
Algo pior do que a morte

Sendo sóbrio. Ronnie não é a primeira pessoa que morreu fazendo o que eu as encorajei a fazer. Ele não será o último. Se eu pensasse que a morte fosse a pior coisa que poderia acontecer a uma pessoa, eu estaria cheio de ressentimentos.
Mas o ponto central da vida do Rommie é que há algo pior do que a morte. Então ele estava disposto a arriscar a sua própria vida a fim de salvar outros de algo ainda pior. E ele poderia arriscar a sua própria vida porque sabia que seu próprio risco e morte poderiam lhe trazer “um eterno peso de glória” (2 Coríntios 4.17); Ele sabia que Deus era capaz de suprir cada necessidade da sua esposa e filho (Filipenses 4.19).
Não não estamos brincando. Quando eu prego que correr riscos é o correto, eu sei o que eu estou fazendo. Quando eu digo “Deus é mais satisfeito em nós quando estamos mais satisfeitos nele – especialmente no sofrimento”, eu sei o que sofrimento pode significar. Quando eu digo, “Não tenham medo, o máximo que podem lhe fazer é mata-lo” (Mateus 10.28), eu levo a sério as palavras de Jesus: “entregarão alguns de vocês à morte…Contudo, nem um fio de cabelo da cabeça de vocês se perderá (Lucas 21.16-18).”
Inunde o mundo com substitutos

Finalmente, eu chamo centenas de vocês para tomar o lugar do Ronnie. Eles não nos matarão rápido o suficiente. Que os substitutos inundem o mundo. Nós não buscamos a morte. Nós buscamos a eterna alegria do mundo – incluindo a dos nossos inimigos. Se eles nos matarem enquanto nós os amamos nós estamos em boa companhia. Jesus não nos chama para uma vida fácil ou segura. Ele nos chamou para amar, pela causa do Seu nome. Em todo lugar. Entre todos os povos.
Anita e Hosea, eu amo vocês. Eu sinto muito, muito, pela perda de vocês. Eu admiro vocês e o Rommie profundamente. Apeguem-se firmemente a isso: “Deus não destinou vocês (ou Rommie) para a ira, mas para alcançar a salvação, mediante nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós para que, quer vigiemos, quer durmamos, vivamos em união com ele” (1 Tessalonicenses 5.9-10).

John Piper
Original: http://www.desiringgod.org/blog/posts/when-we-send-a-person-to-his-death
Tradução feita por Igor Sabino

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Ekballo! “Apressando a Vinda de Jesus”.

Uma das questões chave do Cristianismo e também uma das mais polêmicas e controversas é a segunda vinda de Jesus. Desde a sua subida aos céus mediante a promessa de retorno, cristãos tem debatido acerca de como se dará esse glorioso evento que finalizará a História. Uns acreditam que isso acontecerá após o milênio, outros creem que antes... Enfim, esse é um longo debate no qual eu não quero entrar, embora tenha uma posição escatológica já bem definida.

O fato é que Jesus antes de subir aos céus, nos deixou um único sinal exato acerca do tempo da sua vinda, independente de nossas diferentes interpretações escatológicas. Esse paradigma, por assim dizer, do tempo da Sua vinda se encontra em Mateus 24.14:

“E este Evangelho do Reino será pregado pelo mundo inteiro, para testemunho a todas as nações, e então virá o fim.”

Segundo o próprio Jesus, para que Ele retorne à Terra outra vez, é necessário que o Evangelho seja pregado a todas as nações. No grego, a palavra utilizada é ethnos, que significa literalmente etnia. É a mesma palavra utilizada por Jesus em Mateus 28.19 ao designar aos seus discípulos a Grande Comissão. É também a mesma palavra utilizada Jesus, oriundos de todas as tribos, línguas e nações. O que significa que para que Jesus volte, as pessoas de todas as nações (ethnos) que Jesus comprou para si precisam ouvir a pregação do Evangelho e se converterem. O que acontecerá quando a Igreja cumprir a Grande Comissão.

Ao olharmos para o mundo hoje podemos achar que o Cristianismo já está presente em todos os países, e de fato está. Há uma Igreja forte em praticamente todos os Estados geopolíticos do planeta. Temos vivido a chegada da chamada “Nova Cristandade”. O Cristianismo ainda é a religião que mais cresce no mundo, sobretudo nos países da América Latina, África e Ásia. Até mesmo no Oriente Médio são inúmeros os relatos de conversão. Entretanto, isso ainda não é suficiente para cumprir a ordem de Jesus, uma vez que Ele utiliza a palavra nações para se referir não a países, mas a grupos étnicos. Assim sendo, estamos hoje diante de uma das maiores catástrofes humanitárias e a maior de todas as injustiças sociais. Uma vez que ainda existem cerca de 7.000 nações (ethnos) ainda não alcançadas pelo Evangelho. 2.9 bilhões de pessoas estão indo para o inferno por não conhecerem Jesus. Desse modo, para que Jesus retorne, é necessário que todas essas nações o conheçam. É aí que Jesus nos dá o grande privilégio de “apressarmos” a Sua vinda!

Mateus 9 relata que Jesus ao se compadecer das multidões que não o conheciam, ensinou aos Seus discípulos a seguinte oração:

“Rogai ao Senhor da colheita que mande trabalhadores para a Sua colheita.”

           Aqui Jesus os incita a orar para que Deus levante pessoas capazes de cumprirem o Seu plano de levar o Evangelho às nações e assim estabelecer o Seu Reino por completo sobre a Terra. O que acho mais interessante nessa oração, mais uma vez é o léxico grego. Dessa vez, a palavra utilizada no lugar o verbo mandar é ekballo que significa enviar com violência, chutar para fora a fim de alcançar um alvo.

            É assim que podemos “apressar” a vinda de Jesus. É orando ekballo! Orando para que Deus envie Seus trabalhadores aos confins da terra, aos lugares mais sombrios do mundo a fim de que o Seu Filho receba as nações (ethnos) por herança. Por isso, é impossível orar para que Deus envie os Seus trabalhadores sem se dispor a ser um desses trabalhadores. Se realmente somos cristãos e amamos a vinda de Cristo como a Bíblia nos ensina, também amamos as nações e nos compadecemos dos perdidos. Se realmente queremos “apressar” a vinda de Jesus então precisamos nos envolver com missões.

Mais do que nunca temos que orar ekabllo e nos dispormos a sermos a resposta dessa oração. Jesus não quer que o maior número de pessoas de qualquer lugar o aceitem. Antes da fundação do mundo Ele já escolheu para si gente de todas as nações. Mas para que elas venham até Ele, alguém precisa ser enviado (ekballo) até elas.


Ekballo! Que seja essa a nossa oração!

Igor Sabino
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