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terça-feira, 10 de setembro de 2013

Independência e Morte!

Êxodo Capítulo 19.

            O dia 7 de setembro tem um grande significado para o povo brasileiro, ele marca o início de uma nova etapa na vida da nação. O país conquistou liberdade para trilhar seus próprios passos, livre para construir seu destino. Neste ano de 2013 as comemorações referentes à independência do Brasil misturaram sentimentos de patriotismo expressos nos desfiles cívicos realizados na maioria das grandes cidades do Brasil com sentimentos de revolta e indignação populares expressos nas diversas manifestações de protestos, também realizados em muitas cidades do País. Estes movimentos de protestos refletem a insatisfação do povo com aqueles que receberam a missão de conduzir o destino da nação.

            O livro de êxodo relata o início de uma nova etapa para a nação de Israel. Este povo que recebera a promessa de ser uma nação livre e viver debaixo da benção de Deus acabara de ser liberta da escravidão do Egito e estava dando início a sua caminhada sobre a face da terra como uma nação livre do julgo de outra nação e chamada para cumprir o propósito divino. Deus escolhe um homem para liderar esta nação rumo ao destino que Deus preparou para ela, este homem é Moisés, e sua liderança consistia em mediar a aliança entre Deus e a nação. Assim como aquela nação, a Igreja do Senhor é o cumprimento das promessas de Deus, os que fazem parte desta grande nação um dia estavam aprisionados pelo pecado e foram libertos para cumprir o propósito de Deus, e o próprio Deus elegeu um homem como cabeça e líder deste povo, este homem é Jesus, e a ele foi entregue a missão de conduzir como mediador a Igreja em uma relação de aliança com Deus.

             Baseado em êxodo 19 gostaria de meditar sobre os privilégios para o povo de Deus em ter Cristo como mediador:

     1. O conteúdo da sua revelação é de caráter celestial: Antes de apresentar ao povo o que estava proposto para a nação, Moisés dialogava diretamente com Deus, desta forma através da mediação de Moisés eles tinham o privilégio de tomar conhecimento dos planos de Deus da libertação do Egito até a posse da terra prometida. A comunhão de Moisés com Deus também proporcionou ao povo o recebimento de leis que revelavam atributos do caráter de Deus, entre eles o amor, a justiça, o perdão, a misericórdia e a fidelidade com o propósito de conduzir a nação a desfrutar destes valores celestiais na sua peregrinação diária rumo à terra prometida. O autor da carta aos Hebreus apresenta Jesus como mediador superior a Moisés, pois como filho de Deus, Jesus desfrutava de uma comunhão perfeita com o pai. O mesmo autor da carta aos hebreus relata que Jesus é a expressão exata do ser de Deus, revelando o caminho pavimentado por Deus, a ser seguido pela sua Igreja durante sua caminhada pela face da terra com destino ao lar celestial.

      2. Caminhar com a nação: O amor de Deus por Moisés não o impediu de entregá-lo para caminhar ao lado de um povo que continuamente reclamava, e alguma vez rebelava-se contra Moisés para mostrar sua insatisfação com Deus. A presença de Moisés como mediador no meio do povo era operosa, orientando-os na direção que deveriam seguir, alimentava e saciava a sede do povo, julgava sobre toda a nação, disciplinando-os com firmeza, preparava o povo para a batalha, intercedia pelo povo, clamando a Deus por misericórdia, encorajava o povo a caminhar rumo à terra prometida. O livro de apocalipse relata a presença de Jesus como mediador no centro da Igreja, Ele é o Senhor da Igreja e age de forma operosa nela e por meio dela, preservando-a dos ataques de satanás, fortalecendo-a em meio às adversidades, intercede junto ao pai por ela, conduzindo-a em santidade em sua caminhada triunfante rumo a Jerusalém celestial.


      3.    Reconcilia o homem com Deus: Como mediador Moisés recebeu a missão de libertar o povo do Egito, conduzir o povo pelo deserto e por fim introduzi-los na terra prometida. Para cumprir estes objetivos abriu mão da convivência dos palácios egípcios, suportou o fardo de caminhar ao lado de um povo rebelde. No cumprimento do último propósito sua morte foi significativa, visto que ela marcou a entrada da nação na terra que Deus preparou para eles. Para resgatar o seu povo do domínio do pecado, o filho de Deus como mediador, se esvaziou, abrindo mão de sua glória, tornando-se homem, habitou entre nós, manifestou o Reino de Deus na terra e por causa disto foi perseguido, caluniado e ultrajado. Ao morrer na cruz cumpriu eficazmente sua missão como mediador reconciliando o seu povo com Deus.

Conclusão: Cristo ocupa o centro na trajetória do povo de Deus. O plano de Deus foi feito por causa Dele, o cumprimento das promessas de Deus para o seu povo baseava-se em seus méritos e pôr fim a história do povo de Deus é o resultado da missão que Ele exerceu como mediador entre Deus e o homem. Deste modo se como nação celebramos a independência no 7 de Setembro, marcada pela frase notória de D. Pedro I, independência ou morte, e assim também como o povo de Israel celebrava a libertação do Egito, que possamos de forma muito mais profunda e constante festejar com o coração cheio de gratidão a nossa maior libertação, a do pecado, da morte e da condenação. Em Cristo temos a independência e morte. Através do sacrifício do perfeito mediador recebemos a carta de alforria que nos livra do cárcere do pecado, e hoje somos escravos de Cristo, vivendo para a glória de nosso Senhor.

Solus Christus!
Soli Deo Gloria!


Amauri Ribeiro

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Cosmovisão Cristã: Um Breve Resumo

Cosmovisão significa basicamente “visão ou concepção de mundo” o que seria uma das possíveis traduções da palavra alemã weltanchauun. Inicialmente a cosmovisão era entendida como a capacidade humana de perceber a realidade sensível (definição de Immanuel Kant), e estava vinculada unicamente a grande sistemas metafísicos e construções teóricas da cultura, mas o significado de weltanchauun foi sendo ampliado, ao ponto de reconhecer-se hoje nos estudos da sociologia do conhecimento que a cosmovisão não somente precede a reflexão teórica mas também a condiciona. Em resumo, a nossa cosmovisão é um conjunto de valores pré-teóricos, a fonte primária de todas as nossas reflexões, a origem de todos os pressupostos científicos, artísticos e culturais. É nesta perspectiva que diversos pensadores protestantes desenvolveram seus estudos, como por exemplo, Abraham Kuyper, James Orr e Dooyeweerd.

Kuyper foi inclusive o mentor do movimento neocalvinista, exercendo de forma prática e admirável suas ideias de cosmovisão, sendo parlamentar, fundando um partido, assim como uma universidade, um jornal e chegando até mesmo ao cargo de primeiro ministro da Holanda, além de ser ministro da Igreja Reformada da Holanda. Este homem notável desenvolveu brilhantemente a concepção de que o Cristianismo nos moldes da doutrina calvinista se revela como um verdadeiro sistema completo de vida, assim como também esposou outras questões bastante interessantes como a noção de que todo homem é fundamentalmente religioso e que a criação deve ser regida mediante as esferas de soberania.

A cultura, entendida como tudo aquilo que é produzido e partilhado pelos homens de uma determinada sociedade, é reflexo das cosmovisões subjacentes no contexto em que é gerada. As crenças fundamentais do indivíduo serão delineadas em todas as suas manifestações culturais, sendo revelada basicamente através de algumas questões essenciais que dizem muito a respeito de sua cosmovisão, como por exemplo: qual a origem da vida ou a finalidade desta, ou ainda, como podemos saber o que é certo ou errado?

A título de exemplificação, Fabiano de Almeida Oliveira cita algumas ilustrações para auxiliar na visualização da relação entre a cosmovisão e a cultura, dentre elas a figura de uma construção onde a cosmovisão é um alicerce, contendo os compromissos de fé, as crenças e os valores, e a imagem de um iceberg, onde se identifica uma pequena camada de gelo visível (cultura, moralidade, ciência, artes), mas no fundo, de modo submerso encontra-se a dimensão tácita da cosmovisão (nossas percepções pré-teóricas).

Esta “camada submersa” em nosso interior é divida em duas partes: a mais profunda, que é a dimensão sócio religiosa central ou espiritual e a segunda, mais próxima da superfície, a dimensão psíquico-social. A camada mais profunda é identificada nas escrituras como o coração do homem, de onde provem todos os seus impulsos (Pv 4.23), e partindo de pressupostos bíblicos é preciso compreender que não existe neutralidade nesta dimensão: o coração do homem é sempre religioso, a grande questão é se ele está voltado para Deus ou se ainda está afetado pelos efeitos pecaminosos da queda em franca rebelião, entregue a desejos apostatas e idólatras. A segunda camada é resultante das experiências psíquicas e sociais acumulados ao longo da vida, desde as menores idades no seio familiar até a relação com agrupamentos sociais mais complexos ao longo da vida. Desta forma a uma soma de duas dimensões no ser humanos, uma mais básica que envolve os impulsos religiosos mais primários de seu coração e outro construída socialmente.

No entanto nossas cosmovisões não ficam estagnadas ou isoladas em nosso interior, muito pelo contrário, elas são constantemente compartilhadas com outros, assim como também somos influenciados por terceiros, em um processo de síntese. Este intercâmbio de valores e informações se inicia nos agrupamentos mais básicos e próximos, mas como numa reação em cadeia, este compartilhamento alcança níveis locais, regionais e até mesmo globais, formando assim o que denomina de espírito de uma época ou Zeitgest. E este é um processo de retroalimentação, os indivíduos influenciam a criação da cosmovisão global e também são influenciados por elas.

Ocorre que este movimento dinâmico de formação e propagação de cosmovisões não se dá de forma aleatória e desinteressada. O fluxo contínuo de percepções e valores de uma sociedade é direcionado por uma rede de interesses através de vários mecanismos que vão desde a educação familiar até mesmo a legislação e produções culturais. E nesta perspectiva é importante ressaltar que algumas cosmovisões são alijadas do processo de compartilhamento, por não se enquadrarem nos critérios daquilo que a sociológica chama de estrutura de plausibilidade, ou seja, os valores escolhidos e defendidos pelos interesses sociais majoritários.

Neste sentido importa elencar os mecanismos utilizados para anular as cosmovisões rejeitadas pela estrutura de plausibilidade: a absorção, que consiste na síntese da cosmovisão minoritária que tem seus valores diluídos e por fim completamente absorvidos; a cristalização que ocorre quando há um isolamento daqueles valores, que passam a ser consideradas peças de um museu, e ainda que continuem a existir são nulas em influência; e por fim a marginalização através de um comportamento ostensivo e hostil contra esta cosmovisão.

A cosmovisão cristã é fundada nos pressupostos bíblicos e é revelada inicialmente em um coração regenerado que não mais está em rebelião contra Deus, mas direciona todos os seus esforços na glorificação de nome, propósito de nossa existência. Assim há uma transformação completa neste individuo, que passa moldar-se a imagem de Cristo e guardar a palavra no coração para não pecar contra Deus (Salmo 119:11), que significa moldar toda a sua cosmovisão de acordo com os princípios bíblicos, resumidamente compreendidos através do tripé Criação-Queda-Redenção.

Em termos gerais, a cosmovisão cristã percebe que tudo que Deus criou é bom e foi criado com o propósito de glorificar a Deus , sendo ele a fonte de toda a vida, além de mantedor de todas as coisas e única fonte de todo o conhecimento. No entanto a queda trouxe efeitos catastróficos para os nossos corações assim como para toda a criação, de modo que em toda produção cultural há um direção apostata, idolatra, que revela rebelião contra o Criador. Mas a história não termina ai. Através da redenção em Cristo Jesus o cristão deve continuar a exercer o seu mandato cultural, “redimindo” a cultura ao seu redor, combatendo os reflexos de pecado e reforçado aquilo que é fruto da graça comum de Deus que ainda permanece no mundo caído, sempre na certeza que Cristo, e somente ele, irá concluir esta obra na sua volta.

Compreendendo que não pode se abster de sua tarefa, pois o mandato cultural é uma ordem cosmológica, ou seja, quer queira ou não o homem sempre vai desenvolver uma cultura, o cristão deve empenhar-se em ter uma boa base bíblica, a fim de ter uma cosmovisão sadia, e posteriormente um conhecimento sólido também em sua área de atuação, com o objetivo de compreender as cosmovisões presentes no seu oficio, arte ou ciência, e assim combater os valores contrários á palavra de Deus e labutar no sentido de solidificar os pontos de uma graça comum e fortalecer os princípios de uma cosmovisão biblicamente orientados. Esta é uma tarefa de todos: o biólogo, o químico, o artista, o jurista, o técnico em informática, o pais na educação dos filhos, o professor, etc.

Por fim, com base em tudo que foi visto, é necessário combater também uma falácia de nosso tempo que nos induz a ter uma fé privada que não tem implicações públicas, um mero sentimento religioso. Isto é impossível de se realizar, haja visto que todo homem é religioso, ainda que este impulso se revele na forma de rebelião. A religião neste caso não é compreendida apenas como uma manifestação socialmente determinada, como a liturgia, o culto, mas sim como a nossa confiança última, o alvo mais profundo de nossa devoção, o alvo de nosso mais firme e resoluto envolvimento e entrega. O incrédulo que não tem Deus como foco e alvo de sua devoção se coloca como seu próprio ídolo, e utiliza sub-ídolos para auxiliar seu culto auto-centrado (ideologia, dinheiro, poder, sexo, amor), no entanto até o mais convicto ateu tem em si uma motivação fundamental religiosa em seu coração, que direciona toda a sua cosmovisão.


Deste modo, devemos rejeitar o isolamento de nossa fé, pois não existe posição de neutralidade religiosa, e nossa cosmovisão deve ter espaço nas discussões públicas e produção cultural. Precisamos resistir às formas com que a estrutura de plausibilidade de nossa sociedade decaída tem usado para eliminar a cosmovisão bíblica, como a secularização e a confrontação ostensiva de nossos valores, através dos meios de comunicações e até dos movimentos acadêmicos e culturais. Isto é uma tarefa de todos nós. Que Deus nos dê graça para cumprir nossos mandatos culturais!

Rodrigo Ribeiro

Este texto é um resumo do módulo COSMOVISÃO CRISTÃ da Especialização em Estudos Teológicos do Andrew Jumper, ministrado pelo Prof. FABIANO DE ALMEIDA OLIVEIRA, de modo que o material produzido por este professor para o curso supracitado foi a base deste reflexão.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Lenine, Spurgeon e Salomão

Nem todo dia o sol brilha com a mesma intensidade. Em nossa existência também iremos nos deparar com o céu nublado e até mesmo tempestades torrenciais. A mentira habita nos lábios daquele que propaga uma verdade diversa desta, ainda mais se esta fábula for direcionada aos cristãos, uma falsa promessa de vida mansa e pacífica, distante de tribulações. Certo é que todos já encaramos e também iremos encarar tempos difíceis em nossa vida. A grande questão é somente uma: como iremos lidar com eles? Seremos despedaçados em meio à turbulência ou iremos sair dela mais fortalecidos?

Neste sentido, dentre várias preciosas orientações de como lidar com os tempos nebulosos da vida, destaco uma frase do príncipe dos pregadores, o Pastor Batista Charles Spurgeon que afirmou que “aqueles que mergulham no mar das aflições trazem pérolas raras para cima”, apontando para soberania de Deus e sua maravilhosa providência, que nos fez descansar certos de que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus (Romanos 8:28).

A respeito deste dilema onipresente nos corações humanos, é possível perceber ainda uma profunda e verdadeira reflexão vinda de um lugar inesperado, pelo menos para alguns mais ascéticos. Também existem verdade e graça fora dos muros eclesiásticos, ainda não seja a graça salvífica, mas sim a comum, pois “toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação.” (Tiago 1:16-17) e nisto está incluso a boa arte, assim como a boa ciência e etc.

No instante que o movimento gospel declina de uma teologia saudável, especialmente em temas como o sofrimento, Deus tem levando pedras para clamar. E vos apresento neste instante uma breve reflexão num destes clamores, nos instruindo a respeito de uma forma de lidar com os dias maus em perfeita consonância com a verdade bíblica. Observem a letra da canção “Eu Envergo Mais Não Quebro” do Pernambucano Lenine:
Se por acaso pareço
E agora já não padeço
Um mal pedaço na vida

Saiba que minha alegria
Não é normal todavia
Com a dor é dividida

Eu sofro igual todo mundo
Eu apenas não me afundo
Em sofrimento infindo

Eu posso até ir ao fundo
De um poço de dor profundo
Mais volto depois sorrindo

Nesta etapa inicial da música, especialmente na estrofe em negrito, podemos observar uma nítida semelhança com a perspectiva apresentada no inicio pelo Pastor Batista Charles Spurgeon, com base nos escritos do Apóstolo Paulo. De fato ainda que sejamos submersos pelo mar bravio das aflições, não devemos sucumbir em meio à dor, devemos retornar a superfície trazendo uma pérola preciosa, com um retumbante sorriso nos lábios. A mesa verdade é manifesta nas palavras destes dois homens, e só porque um incrédulo (Lenine) falou não podemos descartar uma verdade tão visível. Ela também vem de Deus.

Em tempos de tempestades
Diversas adversidades
Eu me equilíbrio e requebro

É que eu sou tal qual a vara
Bamba de bambú-taquara
Eu envergo mas não quebro (2x)

As adversidades certamente nos acometem, mas nessa hora é preciso compreender que ainda que moídos, torcidos, envergados, não devemos desfalecer, pois não seremos quebrados. O choro pode durar uma noite, ou várias, mas a manhã irá despontar na alvorada. O que nos resta? Nos equilibrar e aguardar o raiar do sol.
Não é só felicidade
Que tem fim na realidade
A tristeza também tem

Tudo acaba, se inicia
Temporal e calmaria
Noite e dia, vai e vem

Neste momento é possível chamar o Rei Salomão para tomar parte na melodia, visto que ele mesmo em Eclesiastes 1, versículos de 2 à 7, nos informa, sob a inspiração do Espírito Santo, que não há nada de novo debaixo da terra e que tudo é vaidade, de modo que o sol nasce e depois se põe, as gerações vem e vai, o mar sempre corre para o mar e assim por diante. Tudo sempre começa e termina, num ciclo sem fim. O temporal e o dia mau não fogem desta regra. Aparentemente o mesmo inspirador está por trás destes versos. E por que não?

Quando é má a maré
E quando já não dá pé
Não me revolto ou me queixo

E agora o músico envergonha uma multidão de religiosos que não se contentam em murmurar contra a providência de Deus, mas chegam ao disparate de coloca-lo na parede, ordenando que mude a sorte deles, restituindo e lhes dando um bom tempo. Lenine, embalsamado na graça de Deus, nos apresenta outro caminho, que não é novo: a piedade com contentamento, que nos é ensinada por Paulo em 1 Timóteo 6.6-8. Mais uma voz o apóstolo participa da melodia popular brasileira.

E tal qual um barco solto
Salto alto mar revolto
Volto firme pro meu eixo

Em noite assim como esta
Eu cantando numa festa
Ergo o meu copo e celebro

Os bons momentos da vida
E nos maus tempos da lida
Eu envergo, mas não quebro (4x)

Por fim, para terminar com chave de ouro, a poesia musicada nos indica mais uma postura: aproveitar e celebrar os dias bons, como forma de nos equipar para suportar os inevitáveis dias maus. Mas uma vez precisamos nos arvorar na antiga e sempre atual sabedoria de Salomão que corrobora com o cantor pernambucano: Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe com coração contente o teu vinho, pois já Deus se agrada das tuas obras. (Eclesiastes 9:7). E contexto do texto em questão é exatamente este: o homem não controle sobre o bem ou mal que lhe é acometido, sendo assim, ele deve aproveitar as bênçãos de Deus e descansar Nele, pois o Senhor se agradou de antemão de suas obras.

Diante desta análise gostaria de sugerir duas reflexões oportunas: primeiramente, não limite a verdade de Deus às quatro paredes do templo. A igreja é sim o baluarte da verdade, mas a graça de Deus ainda se encontra em várias manifestações e ignorar isto, rejeitando as coisas pela fonte e não pelo conteúdo, significa ingratidão contra o próprio Deus que capacitou os homens. Prestemos atenção nas palavras de Calvino: “Mas contaremos qualquer coisa como digna de louvor ou nobre sem ao mesmo tempo reconhecermos que vem de Deus? Que nos envergonhemos de nossa ingratidão, na qual nem os poetas pagãos caíram, pois eles confessavam que deuses tinham inventado a filosofia, as leis e todas as artes úteis.” [1]

E por último, que possamos refletir nesta canção, assim como na frase Spurgeon e nos textos bíblicos de Paulo e Salomão que fazem coro em uma só voz. A dor estará presente nesse mundo, pelo menos até que Cristo volte. Os dias maus ainda irão nos alcançar, mas que possamos descansar nos braços de nosso Senhor, sabendo que ainda que venhamos a envergar, certamente ele não permitirá que sejamos destruídos.

Deixo convosco a canção supracitada. Apreciem!


Link: http://letras.mus.br/lenine/1979026/



Rodrigo Ribeiro


Citações:

[1] CALVINO, João. Instituas 2.2.15 apud HORTON, Michael. In: O Cristão e a Cultura. São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 2006.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Reflexões Oportunas para um Gigante que Acabou de Acordar

“Quando, porém, vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá
(1 Coríntios 13.10)

 Em meio a tantas manifestações no nosso País, surgem vários sociólogos para problematizar o que está acontecendo, filósofos para defender o livre pensamento, economistas para analisar a relação das manifestações com a crise econômica, e várias bandeiras são defendidas no meio destes movimentos. Devido a uma enorme diversidade de questões levantadas, há uma grande dificuldade para definir qual a proposta do movimento. Sabemos como começou. A primeira bandeira levantada foi a indignação com o aumento de 0,20 centavos na passagem dos ônibus.  Porem hoje este movimento ganhou projeções muito maiores, e a passagem de ônibus já virou uma gota dentro de um oceano de reivindicações feitas por um povo incontrolável e indignado.

Ao analisar todo esse movimento, vejo que o clamor desses manifestantes, em minha opinião, é pela restauração e reestruturação da classe política, que segundo eles é o âmago do problema. Mas sendo sinceros com nós mesmos, vemos que os problemas éticos e morais em nossa sociedade não começam lá em Brasília, mas em nosso coração que na Bíblia é chamado de “Desesperadamente corrupto” (Jr 17.9). O gigante acordou, mas ainda precisa abrir os olhos e ver que a raiz do problema não está no governo, ou no próximo, mas em nós mesmos!

E para chegarmos a soluções práticas, precisamos identificar a raiz do problema. Se o problema está no governo atual, uma simples troca de poderes, e cassação de alguns políticos irá resolvê-lo. Mas nem eu, nem o povo acreditamos nesta utopia. Se o problema está no processo eleitoral viciado, que não apresenta como opções elegíveis os governantes que realmente governariam bem nosso País, podemos tentar forçar uma candidatura de um desses líderes de movimento nas próximas eleições e elegê-lo com nossos votos. Mas provavelmente isso é o que uma grande parte das pessoas que estão à frente das manifestações deseja, e ao assumirem o poder irão aderir ao sistema enganando todo o povo que o elegeu. (É válido lembrar-nos do Ex-presidente da República, e tudo o que ele defendia antes de assumir o poder). Se o problema está no sistema Democrático, podemos tentar um golpe de estado e eleger um governante do nosso povo. Mas isso já aconteceu, e não deu muito certo. (Digamos que a probabilidade deste representante se tornar um ditador tirano é de 99%).

Porém o problema está ao mesmo tempo em todas estas coisas. Como assim? O problema está intrínseco em todas as nossas ações, sistemas, pensamentos, decisões e etc. O nome desse problema é: PECADO! E identificar este problema nos traz uma nova visão de como resolvê-lo. Simplesmente não temos a condição em nós mesmos de solucionar esta questão. Não há sociólogos, filósofos, economistas, administradores, por mais eficientes que sejam, que possam solucionar o problema do pecado. Mas há alguém que pode, ou melhor, já o fez! O gigante acordou, mas antes de se levantar ele precisa se humilhar, cair de boca no pó, reconhecer que sua natureza é corrupta, e que não há chance de mudança partindo de sua própria força!

Jesus Cristo é a solução para todos os nossos problemas sociais, existenciais, morais, éticos etc. Ele é o único que conhece e esquadrinha o nosso coração, quando nem nós mesmos conseguimos desvendá-lo. Quando nós nos despimos das nossas próprias forças e nos lançamos aos seus pés, Ele pela sua maravilhosa graça substitui nosso coração de pedra, corrupto, enganador e etc. e nos dá um novo coração, de carne, sensível aos seus mandamentos e ordenanças e capacitado para exercer os frutos do espírito (Ez 11).  A sociedade perfeita é a que reconhece Cristo como Senhor, e o povo como escravos dEle. Nesta sociedade sem pecado não há sofrimento, nem morte, nem dor. A alegria é plena e eterna (Ap 21.4).

Este reino existe, mas ainda não podemos desfrutar dele integralmente, mas podemos e devemos propagar seus valores em nossa sociedade, pois mesmo agora, podemos experimentar do que é uma nação abençoada por Deus, mesmo que não por completo. Quanto mais a nação se afasta do Senhorio de Cristo, mais miserável e insuportável ela se torna, pois o salário do pecado é a morte (Rm 6.23). No entanto quanto mais próxima à nação estiver da Palavra de Deus, mais prospera ela será, e melhor de se viver (Sm 33.12). Entretanto nada será comparado aos “novos céus e nova terra”, onde tudo será perfeito.

Que vivamos nesta esperança da volta do nosso Rei, que reinará com toda autoridade e justiça. Onde a alegria de Seu povo será plena e eterna. O gigante acordou, mas que ele saiba que antes de gritar: “FORA DILMA!” Ele deveria estar clamando: “MARANATA! VOLTA LOGO SENHOR JESUS!”.


Guilherme Barros

segunda-feira, 3 de junho de 2013

UMP INDICA: É na Roda que Se Vê (Dr. Davi Charles Gomes)

Expondo o texto de Tiago 3.13-18, o Reverendo Davi Charles Gomes encontra na tradição popular uma metáfora adequada para explicar a diferença entre a sabedoria humana, carnal e eterna e sabedoria que vem do Alto: é na roda que se vê!

A cantiga popular afirma que para saber se um pássaro é um curió, um macho, ou uma curruíra, fêmea, deve-se colocá-lo na roda, com os outros pássaros e observar a forma com que ele canta. Só assim perceberemos quem é curió de fato. Apropriando-se desta metáfora, o pregador nos mostra que nos mostramos a sabedoria que seguimos a partir da forma com que atuamos, vivemos e fazemos a nossas obras. Não com o que alcançamos com elas, mas da forma com que fazemos.

Diante do texto de Tiago, somos confrontados com o modo com que temos vivido. Somos levados a refletir em nossas motivações, afeições e sentimentos. E no resultados disto: a forma com que vivemos e trabalhamos. Será que se fomos observar nossa conduta "na roda", seremos curíos ou curríara? Seremos sábios segundo Deus ou segundo o mundo?

É esta reflexão que a pregação que indicamos nos traz. Assista e seja confrontada pela maravilhosa sabedoria divina, que é o próprio Cristo encarnado.

Veja a pregação:

Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Quando a Cultura Vira Evangelho


O relacionamento dos cristãos com a cultura na qual estão inseridos sempre representou um grande desafio para eles. Opções como amoldar-se, rejeitar a cultura, idolatrá-la ou tentar redimi-la têm encontrado adeptos em todo lugar e época. Em nosso país, com uma cultura tão rica, variada e envolvente, o desafio parece ainda maior nos dias atuais. Como aqueles que crêem em Jesus Cristo e adotam os valores bíblicos quanto à família, trabalho, lazer, conhecimento e as pessoas em geral podem se relacionar com esta cultura?

Existem muitas definições disponíveis e parecidas de cultura. No geral, define-se como o conjunto de valores, crenças e práticas de uma sociedade em particular, que inclui artes, religião, ética, costumes, maneira de ser, divertir-se, organizar-se, etc.

Os cristãos acrescentam um item a mais a qualquer definição de cultura, que é a sua contaminação. Não existe cultura neutra, isenta, pura e inocente. Ela reflete a situação moral e espiritual das pessoas que a compõem, ou seja, uma mistura de coisas boas decorrentes da imagem de Deus no ser humano e da graça comum, e coisas pecaminosas resultantes da depravação e corrupção do coração humano. Toda cultura, portanto, por mais civilizada que seja, traz valores pecaminosos, crenças equivocadas, práticas iníquas que se refletem na arte, música, literatura, cinema, religiões, costumes e tudo mais que a compõe.

Deste ponto de vista a definição de cultura é bem próxima à definição que a Bíblia dá de "mundo," a saber, aquele sistema de valores, crenças, práticas e a maneira de viver das pessoas sem Deus. Poderíamos dizer que “mundo” compreende os traços da cultura humana que refletem a sua decadência moral e espiritual e seu antagonismo contra Deus. 

De acordo com João as paixões carnais, a cobiça e a arrogância do homem marcam o mundo. Como tal, o mundo é frontalmente inimigo de Deus e os cristãos não devem amá-lo:

1João 2:15-16 - "Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo."

Tiago vai na mesma linha:

Tiago 4:4 - "Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus".

Escrevendo aos romanos, Paulo os orienta a não se moldarem ao presente século - um conceito escatológico do mundo presente, debaixo da lei e do pecado e caminhando para seu fim:

Romanos 12:2 - "E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus".

O próprio Jesus ensinou que o mundo o odeia e odeia aqueles que são seus dicípulos, pois não são do mundo:

João 15:18-19 – “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo,  pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia”.

Não é de se estranhar, portanto, que aqueles cristãos que levam a Bíblia a sério sempre tiveram uma atitude, no mínimo, cautelosa em relação à cultura, por perceberem nela traços da corrupção humana - ou seja, do mundo.

Ao mesmo tempo em que a Bíblia define o mundo de maneira negativa, ela admite que existem coisas boas na sociedade em decorrência do homem ainda manter a imagem de Deus – em que pese a Queda – e em decorrência de Deus agir na humanidade em geral de maneira graciosa. Deus concede às pessoas, sendo elas cristãs ou não, capacidade, habilidades, perspicácia, criatividade, talentos naturais para as artes em geral, para a música – enfim, aquilo que chamamos de graça comum. É interessante que os primeiros instrumentos musicais mencionados na Bíblia aparecem no contexto da descendência de Caim (Gênesis 4:21) bem como os primeiros ferreiros (4:22) e fazedores de tendas (4:20). Paulo conhecia e citou vários autores da sua época, que certamente não eram cristãos (Epimênides, Tt 1:12; Menander, 1Cor 15:32; Aratus, Acts 17:28). Jesus participou de festas de casamento (João 2) e Paulo não desencorajou os crentes de Corinto a participar de refeições com seus amigos pagãos, a não ser em alguns casos de consciência (1Co 10:27-28). 

Portanto, a grande questão sempre foi aquela do limite – onde eu risco a linha de separação? Até que ponto os cristãos podem desfrutar deste mundo, até onde podem se amoldar à cultura deste mundo e fazer parte dela?

Dá para ver porque ao longo da história a Igreja cristã foi considerada algumas vezes como obscurantista, reacionária, um gueto contra-cultural. Nem sempre os seus inimigos perceberam que os cristãos, boa parte do tempo, estavam reagindo ao mundo, àquilo que existe de pecaminoso na cultura, e não à cultura em si. Quando missionários cristãos lutam contra a prática indígena de matar crianças, eles não estão querendo acabar com a cultura dos índios, mas redimi-la dos traços que o pecado deixou nela. Eles estão lutando contra o mundo. Quando cristãos criticam Darwin, não estão necessariamente deixando de reconhecer sua contribuição para nosso conhecimento dos processos naturais, mas estão se posicionando contra a filosofia naturalista que controlou seu pensamento. Quando torcem o nariz para Jacques Derrida, não estão negando sua correta percepção das ambigüidades na linguagem, mas sua conclusão de que não existe sentido num texto. Gosto de Jorge Amado mas abomino seu gosto pela pornografia,

Por ignorarem ou desprezarem a presença contaminadora do mundo na cultura é que alguns evangélicos identificam a cultura como a expressão mais pura e autêntica da humanidade. Assim, atenuam – e até negam – a diferença entre graça comum e graça salvadora, entre revelação natural e revelação especial. Evangelizar não é mais chamar as pessoas ao arrependimento de seus pecados – refletidos inclusive em suas produções culturais, poéticas, artísticas e musicais – mas em afirmar a cultura dos povos em todos os seus aspectos. O Reino de Deus é identificado com a cultura. Não há espaço para transformação, redenção, mudança e transformação – fazê-lo seria mexer com a identidade cultural dos povos, a sua maneira de ser e existir, algo que com certeza deixaria antropólogos de cabelo em pé.

A contextualização sempre foi um desafio para os missionários e teólogos cristãos. De que maneira apresentar e viver o Evangelho em diferentes culturas? Pessoalmente, acredito que há princípios universais que transcendem as culturas. Eles são verdadeiros em qualquer lugar e em qualquer época. Adultério, por exemplo, é sempre adultério. Pregar o Evangelho numa cultura onde o adultério é visto como normal significa identificá-lo como pecado e lutar contra ele, buscando redimir os adúlteros e adúlteras e restaurar os padrões bíblicos do casamento e da família. Enfim, redimir e transformar a cultura, fazê-la refletir os princípios do Reino de Deus.

Nem sempre isto é fácil e possível de se fazer rapidamente. Missionários às tribos africanas onde a poligamia é vista como normal que o digam. O caminho possível tem sido tolerar a poligamia dos primeiros convertidos, para não causar um problema social grave com a despedida das esposas. Mas a segunda geração já é ensinada o padrão bíblico da monogamia.

É preciso reconhecer que nem sempre os cristãos conseguiram perceber a distinção entre mundo e cultura. Historicamente, grupos cristãos têm sido contra a ciência, a arte, a música e a literatura em geral, sem fazer qualquer distinção. Todavia, estes grupos fundamentalistas não representam a postura cristã para com a cultura e nem refletem o ensino bíblico quanto ao assunto. Os reformados, em particular, caracteristicamente sempre se mostraram sensíveis às artes e viam nelas uma manifestação da graça comum de Deus à humanidade. Apreciavam a pintura, a música, a poesia e a literatura. Entre eles, temos os puritanos. Cabe aqui a descrição que C. S. Lewis fez deles:

Devemos imaginar estes puritanos como o extremo oposto daqueles que se dizem puritanos hoje. Imaginemo-los jovens, intensamente fortes, intelectuais, progressistas, muito atuais. Eles não eram avessos a bebidas com álcool; mesmo à cerveja, mas os bispos eram a sua aversão. Puritanos fumavam (na época não sabiam dos efeitos danosos do fumo), bebiam (com moderação), caçavam, praticavam esportes, usavam roupas coloridas, faziam amor com suas esposas, tudo isto para a glória de Deus, o qual os colocou em posição de liberdade. (...) [Os puritanos eram] jovens, vorazes, intelectuais progressistas, muito elegantes e atualizados ... [e] ... não havia animosidade entre os puritanos e humanistas. Eles eram freqüentemente as mesmas pessoas, e quase sempre o mesmo tipo de pessoa: os jovens no movimento, os impacientes progressistas exigindo uma “limpeza purificadora”.[1]

O grande desafio que Jesus e os apóstolos deixaram para os cristãos foi exatamente este, de estar no mundo, ser enviado ao mundo, mas não ser dele (Jo 17:14-18). Implica em não se conformar com o presente século, mas renovar-se diariamente (Rm 12:1-3), de não ir embora amando o presente século, como Demas (2Tm 4:10). É ser sal e luz.

Para os que deixam de levar em conta a presença da corrupção humana na cultura, os poetas, músicos, artistas e cientistas se tornam em sacerdotes, a produção deles em sacramento e costurar e tecer em evangelização.

NOTA

[1] Citado por Douglas Wilson em “O Puritano Liberado,” Jornal Os Puritanos 5/1 (1997) e por L. Ryken, Santos no Mundo, pp. 19, 177.

Augustus Nicodemus

Publicado Originalmente em: http://tempora-mores.blogspot.com.br/2011/02/quando-cultura-vira-evangelho.html

Intercâmbio feito por Rodrigo Ribeiro

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

E o Jeitinho Brasileiro?

              É comum ouvirmos uma exaltação ao “jeitinho brasileiro” de resolver as coisas. Há um jeitinho brasileiro para tudo: para não pagar uma conta, para ser atendido mais depressa em uma fila, para ludibriar um compromisso, para ganhar algo que não é lícito ou devido. Resumindo, “jeitinho brasileiro” é um termo simpático para caracterizar um comportamento antiético e, na maior parte das vezes, prejudicial a outrem.
                
                Para os cristãos, o tal do “jeitinho brasileiro” é algo que não agrada a Deus. Em Provérbios 21, são elencados inúmeros comportamentos que diferenciam o justo e o ímpio. E se analisarmos detidamente, muito dos comportamentos atribuídos aos ímpios, são também aqueles que se enquadram dentro do modo brasileiro de ser.

                Um exemplo disso, é descrito no versículo 6: “Trabalhar com língua falsa para ajuntar tesouros é vaidade que conduz aqueles que buscam a morte”. Mentir, subornar, sonegar - verbos tão conhecidos e praticados no nosso país - são caminhos que levam à morte, segundo a Palavra de Deus. Aliás, mais do que levar à morte, são caminhos buscados, ou seja, trilhados por aqueles que estão espiritualmente mortos.

                No versículo 10, lemos: “A alma do ímpio deseja o mal; o seu próximo não agrada aos seus olhos”. O egoísmo, o jogo de interesses e a inveja tem sido uma constante nas relações sociais dos dias atuais e tais comportamentos nos distanciam do segundo mandamento da lei de Deus que preconiza que amemos ao nosso próximo como a nós mesmos. Cada vez que agimos contra os nossos irmãos, estamos ferindo também o nosso relacionamento com Deus, pois, de acordo com as palavras do próprio Jesus: “Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes” (Mateus 25:40).

                O nosso comportamento diz muito daquilo que faz morada dentro de nós, “porque, onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração” (Lucas 12:3). Um coração cheio de Deus não se alegra com a maldade, com a prática que fere o próximo e com a própria satisfação, em detrimento do mal alheio. O coração onde Deus habita transborda amor e o amor, como descreve Paulo, em sua carta aos 1 Coríntios 13: 4-6 : “O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal. Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade”.

                Essa é uma boa reflexão para pensarmos um pouco a respeito dos valores que nos são incutidos pelo pensamento moderno e que tanto se chocam com aquilo que Deus espera de nós; para reavaliarmos as nossas práticas como brasileiros cristãos, que procuram vivenciar a vontade do Pai.

“O homem ímpio endurece o seu rosto; mas o reto considera o seu caminho” (Provérbios 21:29). Que o Senhor nos dê a clareza de reconsiderarmos os nosso atos para que não o venhamos a ferir e para que o amor de deus resplandeça sempre em nossas ações e em nossas vidas.

Andrea Grace