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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Onde encontrar a Felicidade?

“A porta da felicidade abre só para o exterior; quem a força em sentido contrário acaba por fechá-la ainda mais."
Soren Kierkegaard

Na sociedade em que vivemos a um incentivo para que prevaleça o EU, como forma de alcançar bom êxito na vida, o individualismo torna-se uma prática comum para nós, pensar no nosso bem estar, significa muitas ignorar as necessidades do nosso próximo. Essa visão colide frontalmente com a frase Kiekegaar, mas qual está correto? Que tipo de felicidade a Bíblia ratifica?

A maior demonstração de amor ao próximo que nos vem é o exemplo de Jesus, que sendo Deus, desceu do céu, abriu mão de sua posição gloriosa e assumiu a postura de servo, por amor a nós pecadores que nada merecíamos, e nos seus ensinamentos ele nos mostra que sua postura humilde e piedosa, incomodava muito mais que sua doutrina, como podemos observar na passagem das Escrituras que se segue:

“E os fariseus, ouvindo que ele fizera emudecer os saduceus, reuniram-se no mesmo lugar.
E um deles, doutor da lei, interrogou-o para o experimentar, dizendo:
Mestre, qual é o grande mandamento na lei?
E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.
Este é o primeiro e grande mandamento.
E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.
E, estando reunidos os fariseus, interrogou-os Jesus,
Dizendo: Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Eles disseram-lhe: De Davi.
Disse-lhes ele: Como é então que Davi, em espírito, lhe chama Senhor, dizendo:
Disse o Senhor ao meu Senhor:Assenta-te à minha direita,Até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés?
Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é seu filho?
E ninguém podia responder-lhe uma palavra; nem desde aquele dia ousou mais alguém interrogá-lo.”
Mateus 22:34-46

O capitulo 22 de Mateus, nos relata o incomodo que as atitudes e palavras de Jesus causava para as pessoas, principalmente aos religiosos, Sauduceus, Fariseus. Eles tentavam de toda forma testar aquele a quem chamavam de Mestre acerca de questões que poderiam ser interpretadas como injustiça, como o caso do pagamento de tributos, ou as leis de Moises a respeito da ressurreição dos mortos.
No texto acima mencionado um intérprete da lei fariseu reunido em conselho em torno de Jesus o interrogava sobre seu posicionamento acerca da lei.

Dos versículos 34 ao 36, percebemos a organização dos fariseus em grupo para tentar pôr Jesus à prova questionando-o qual seria o mais importante mandamento, na sua visão eles já eram herdeiros  do reino de Deus, por serem descendentes de Abrão, e tão somente teriam que seguir determinados rituais impostos pela lei , tipo, guardar o sábado, circuncisão  entre outros de menor importância, para agradar a Deus, ou seja agradar a Deus era simplesmente cumprir rituais, mas a resposta de Cristo nos direciona a outro caminho:

01 – AMOR A DEUS

No versículo 37, Jesus sabiamente responde: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Ou seja, o amor a Deus tem que nortear toda a nossa vida, deve ser a razão maior de nossa existência, deve vir sempre em primeiro lugar. ("Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim.” Mateus 10:37)  O nosso coração deve transbordar de amor por Deus e nossa alma deve ansiar  por este amor, e a razão deve conduzir esse amor de forma a tentar mudar as coisas que são contrárias a vontade  de Deus.

Jesus responde enfatizando "o amor" primeiramente direcionado a Deus, que revela da seguinte forma:

No coração - De onde provém todo o desejo humano, aquilo que motiva a nossa vida. Mt. 6-21
Na alma- Todo nosso ser, toda nossa força. (atividade emocional do homem)
No entendimento- Fé é também  pensar, razão, não nos conformar com este mundo  mas transformá-lo.

02 – AMOR AOS OUTROS

O segundo mandamento que se encontra no versículo 39, ordena “Amarás o teu próximo como a ti mesmo." O que significa dizer que devemos, contrariando o que o mundo nos orienta, viver de forma que o nosso amor ao próximo deve ser igual a amor a nós mesmos, que devemos nos despir de todo o egoísmo e individualismo e viver em comunhão com o nosso próximo fazendo da sua luta a nossa luta e das suas vitórias as nossas vitórias, seguindo o exemplo e orientação de Jesus. No entanto só estaremos aptos a fazer isto se desfrutarmos de uma verdadeira comunhão com Deus, pois ele é a expressão maior de amor.

03 – QUEM É CRISTO?

Nos versículos 41 e 42, Jesus invertendo a posição, interroga os fariseus perguntando: Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Eles disseram-lhe: De Davi. Jesus mediante esta resposta, pergunta: Se ele é filho de Davi, porque então o próprio Davi o chama de Senhor em suas orações? Cristo quis dizer que Davi reconhecia seu senhorio, e foi o Espírito Santo através de sua palavra que lhe revelou isto, Jesus é a única porta que nos leva ao pai. (“Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens." João 10:9).

Cristo queria mostrar, que era o verdadeiro Deus, Senhor de Davi que eles tanto admiravam, citando palavras do próprio Davi, dirigido pelo espírito santo no salmo 110.  Eles só poderiam ser reconciliados com Deus se compreendessem a Cristo, ele é a porta que torna possível o acesso do homem a Deus, através do seu sangue.

CONCLUSÕES

Entre tantas outras lições que podemos aprender com as palavras de Jesus, quero destacar algumas:  

1-O homem foi criado para a glória de Deus, e só vai conseguir isto, quando ele amar a Deus sobre todas as coisas até mesmo sua família. Jesus afirmou:
Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim. Mateus 10:37
Este amor a Deus tem que nortear toda a sua vida, em tudo que planejamos Deus deve vir em primeiro lugar.

2- É necessário o resgate do amor ao próximo, o individualismo tem invadido as igrejas, e o projeto de Deus para seu povo é um corpo que vive em união, perdão, piedade e compaixão. Porem só podemos realizar isto, quando cheios do espírito santo de Deus.

3- O homem só é capaz de se realizar e viver o verdadeiro amor quando ele compreende Cristo.

Nossa sociedade tenta nos ensinar que vivendo uma vida voltada totalmente para as realizações pessoais nós vamos encontrar a felicidade, porém isto é mentira. Cristo nos mostra que a verdadeira felicidade não está dentro de nós e sim, no Deus fiel, bom e misericordioso, e Jesus é a única porta de acesso a ele, e quando o seu espírito nos iluminar, a compreender isto, ele nos liberta da escravidão pecaminosa do egoísmo, e nós começamos a perceber a verdadeira felicidade de servir a um Deus  Santo , eterno, e  único merecedor de toda honra e glória, contemplar a sua criação  e amar o nosso próximo  com a nós mesmo, segundo a lição de JESUS.


Quem é Cristo para você?

Presb. Aluísio Ribeiro

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Gratidão e Egoísmo

             O assunto da gratidão é algo interessante. Parafraseando um narrador de futebol, “a ingratidão humana é quase um domínio público”. Realmente, a ingratidão é um dos piores aspectos da pecaminosidade humana (se é possível falar em pior se tratando de pecado). Outra mazela do ser humano é o egoísmo. O que tem a ver uma coisa com a outra? Vamos tecer algumas considerações.
          O ser humano sempre espera recompensa também humana pelas coisas que faz a algo ou a alguém. Então, quando vir alguém descascando os ingratos, possivelmente, mas muito possivelmente mesmo, alguém deixou de agradecer aquela pessoa por algo que ela fez, e espera ardentemente um ato de gratidão, expondo a todos o quanto  foi importante na vida da beneficiada. É uma tristeza só. Já pensou se Deus manifestasse sua graça para conosco pensando na relação causa-efeito (Rm 11. 35)? Ou seja, eu dou isso a ele, então ele me dá aquela outra coisa para manifestar sua gratidão. Tristes de nós. Deus nos abençoa por graça, misericórdia e para sua glória, pois tudo é dele (Rm 11.36). Por que nós agiríamos então assim com nossos semelhantes? Reclamar gratidão muitas vezes não passa de puro egoísmo.

               Em tudo daí graças, pois esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco (1 Ts 5.18). Muitas vezes nos esquecemos do significado da palavra tudo. Tudo é TUDO mesmo. Coisas boas e coisas ruins. Momentos alegres e também momentos tristes, pois há tempo para tudo (Ec 3). A gratidão pelos maus bocados da vida só vem (na maioria das vezes) quando estes passam, transmitindo a ideia de que não merecíamos passar pelo revés, e reside apenas no fato de ter passado, e não na compreensão da razão e propósito de termos passado tal tormenta. Jó compreendeu isto, quando entende que todo o processo doloroso a que foi submetido mostrava a soberania de Deus em sua vida (o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor. Jó 1.21). Jó é a personificação da ideia de Paulo colocada em Rm 8.28, pois tinha a consciência que Deus  faz todas as coisas (boas ou más) cooperarem para o bem daqueles que O amam. Entender isto nos faz realmente dar graças por tudo. Agradecer apenas momentos bons e agradecer os ruins apenas por terem passado não passa de puro egoísmo.

        Por tudo o que tens feito. Por tudo o que vais fazer. Ao cantarmos, estejamos realmente com um coração cheio de gratidão pelo amor de Deus para conosco que se manifesta desde antes da fundação o mundo até a eternidade. Bendito seja o nome do Senhor. Atendamos ao chamamento do salmista: Oh! Provai e vede que o Senhor é bom (Sl 34.8). E assim teremos muito que agradecer a Ele (e não a nós) que em tudo nos é suficiente. Entender as coisas assim é realmente gratidão.

DEUS NOS ABENÇOE
Presb.Cicero da Silva Pereira

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

E o Jeitinho Brasileiro?

              É comum ouvirmos uma exaltação ao “jeitinho brasileiro” de resolver as coisas. Há um jeitinho brasileiro para tudo: para não pagar uma conta, para ser atendido mais depressa em uma fila, para ludibriar um compromisso, para ganhar algo que não é lícito ou devido. Resumindo, “jeitinho brasileiro” é um termo simpático para caracterizar um comportamento antiético e, na maior parte das vezes, prejudicial a outrem.
                
                Para os cristãos, o tal do “jeitinho brasileiro” é algo que não agrada a Deus. Em Provérbios 21, são elencados inúmeros comportamentos que diferenciam o justo e o ímpio. E se analisarmos detidamente, muito dos comportamentos atribuídos aos ímpios, são também aqueles que se enquadram dentro do modo brasileiro de ser.

                Um exemplo disso, é descrito no versículo 6: “Trabalhar com língua falsa para ajuntar tesouros é vaidade que conduz aqueles que buscam a morte”. Mentir, subornar, sonegar - verbos tão conhecidos e praticados no nosso país - são caminhos que levam à morte, segundo a Palavra de Deus. Aliás, mais do que levar à morte, são caminhos buscados, ou seja, trilhados por aqueles que estão espiritualmente mortos.

                No versículo 10, lemos: “A alma do ímpio deseja o mal; o seu próximo não agrada aos seus olhos”. O egoísmo, o jogo de interesses e a inveja tem sido uma constante nas relações sociais dos dias atuais e tais comportamentos nos distanciam do segundo mandamento da lei de Deus que preconiza que amemos ao nosso próximo como a nós mesmos. Cada vez que agimos contra os nossos irmãos, estamos ferindo também o nosso relacionamento com Deus, pois, de acordo com as palavras do próprio Jesus: “Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes” (Mateus 25:40).

                O nosso comportamento diz muito daquilo que faz morada dentro de nós, “porque, onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração” (Lucas 12:3). Um coração cheio de Deus não se alegra com a maldade, com a prática que fere o próximo e com a própria satisfação, em detrimento do mal alheio. O coração onde Deus habita transborda amor e o amor, como descreve Paulo, em sua carta aos 1 Coríntios 13: 4-6 : “O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal. Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade”.

                Essa é uma boa reflexão para pensarmos um pouco a respeito dos valores que nos são incutidos pelo pensamento moderno e que tanto se chocam com aquilo que Deus espera de nós; para reavaliarmos as nossas práticas como brasileiros cristãos, que procuram vivenciar a vontade do Pai.

“O homem ímpio endurece o seu rosto; mas o reto considera o seu caminho” (Provérbios 21:29). Que o Senhor nos dê a clareza de reconsiderarmos os nosso atos para que não o venhamos a ferir e para que o amor de deus resplandeça sempre em nossas ações e em nossas vidas.

Andrea Grace