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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Música Viciada e Mantra Traduzido: É Isso que Chamam de Boa Música Cristã?

Faz tempo que não ouço a música denominada Gospel. Muito embora o meu repertório seja bastante eclético, passeando do Tango ao Reggae, do Samba ao Jazz, confesso que quando o assunto é música cristã (ou para muitos, Música Gospel) eu continuo a me deleitar dos mesmos discos de antigamente, com exceção de algumas novidades que por meio de pesquisa acabo descobrindo.

Como ainda trabalho na área musical na comunidade em que congrego, e esporadicamente tenho visitado algumas igrejas no Estado em que vivo, percebo o quanto os repertórios musicais são praticamente iguais quando se chega ao tal momento de louvor.

Ultimamente visitei várias igrejas, dentre elas batistas, presbiterianas, pentecostais, congregacionais e assisti até cultos “On Line” em tempo real, de igrejas neopentecostais. Com raras exceções de momentos específicos onde se cantava uma canção do “Hinário antigo” o restante da parte musical foi bastante recheada daquelas canções que tem o incrível poder de: ou encharcar o irmão da fumaça e o levá-lo ao “Santo dos Santos” em delírios, embora pessoais, mas esquisitos; ou perfurar a mente alheia com notas musicais que se repetem eternamente a ponto de a letra cantada ser o que menos chama atenção diante do tamanho incômodo – mantra melódico “apelacional”.

Para um leigo musical, tudo bem. Ele pode até adorar ao ouvir aquele mantra, e pode até compreender o conteúdo da canção, caso esta não objetive apenas tirar o pé do chão. Mas, pra quem não pretende viver na mediocridade, e que há anos vem acompanhando esta ‘involução’ musical midiática, não é tão simples ver tamanha pobreza musical e achar tudo normal.

Nas minhas impressões, suposições, ou coisa do tipo, imagino que alguns grupos musicais, após levarem puxões de orelhas de suas lideranças quanto ao conteúdo teológico das canções, têm sido mais prudentes em relação a este item. Mas, venhamos e convenhamos, ainda acho que apenas observar a qualidade do conteúdo não quer dizer que a coisa está resolvida.

Os grandes estudiosos da música elencam que é necessário que haja uma relação equilibrada entre forma e conteúdo – como por exemplo, cantar uma letra que fala de alegria numa base harmônica tensa, com ritmo down deixa a coisa contraditória não é? Veja aonde quero chegar: a forma em muitos casos tem suprimido o conteúdo, acredite! Sabe aquela história que, de ‘tanto ouvir ruído do ventilador, nem o percebi enquanto lia um livro’, ou ‘de tanto gritarem ininterruptamente nem entendi o que diziam’? – João Alexandre chamou isso que tentei discorrer de “Meras Repetições”.

Talvez você discorde de tudo que escrevi, ou a trate como irrelevante, tudo bem, esse é um direito seu, já que tratamos com um pouco de subjetividade, no entanto, enquanto músico, micro-pesquisador, e com sinceras motivações para a área musical e artística cristãs, sonho ainda que os nossos ajuntamentos comunitários sejam repletos de autenticidade, simplicidade e criatividade – com equilibrio entre forma e conteúdo.

Diante deste tema, o que tenho notado é um certo despercebimento da Verdade cantada em virtude desta estar atrelada a uma relação pobre (quando viciada) entre forma e conteúdo. Diretamente ligado a esta problemática, diagnosticamos como uma das causas, a “febre” das canções traduzidas (de preferências originadas do grupo Hillsong – que não tenho nada contra) e “estouradas” nos repertórios das estrelas do Gospel.

Traduzindo, o que discorri em termos mais práticos vejamos abaixo:

- Faça o seguinte, pegue aquela sequencia de quatro acordes: D | A | Bm | G | + um “Loop melódico” (de preferência do Hillsong) + letra traduzida e com repetição de poucas palavras no refrão + Compasso 4/4 + metrônomo 70 + Ritmo de Balada + Voz genérica + frases introdutórias sobre qualquer besteirol + uma guitarra rotativa com 123 repetições de notas agudas e…Booommm.

Olha só, esta forma tem feito mais gente chorar e se arrepiar do que as verdades eternas de Deus lidas e pregadas. Numa outra direção, esta forma também tem desacostumado a igreja local a se relacionar com outras concepções musicais.

Meu discurso não é segmentador. Não tenho nada contra uma canção que contenha os elementos citados acima, mas tenho tudo contra o vício da forma. Ou não foi o que ocorreu quando surgiram milhares de “Anas Valadetes” ministrando louvores nos domingos a noite pelo Brasil? Não tem como discordar que o encantamento pela forma, modelo (na maioria das vezes assediada pela mídia), muitas vezes arranca de nossa comunidades a autenticidade e liberdade musical e artística.

Não quero ser generalizador. Mas, diante dos desencontros que mencionei entre forma e conteúdo, da mediocridade musical e do vício da forma, somos nós que temos o dever de tentar mudar, pelo menos a nível local esta situação.

Líderes de igrejas:

- Estimulem seus músicos a estudarem música

- Sugiram repertórios ecléticos que abarquem toda uma diversidade de estilos e ritmos

- Ensinem sobre o as utilidades da música no culto: contrição, exaltação, comunhão, celebração, descrição, etc.

- Apresentem um panorama da música cristã brasileira

- “Des-viciem” a ideia da Gospel midiático

- Digam sobre a importância da consciência teológica na canção cristã

- “Des-levitem” o efetivo de músico e esclareçam o que de fato significa adorador

- Conscientizem para se faça arte com excelência

São algumas breves  sugestões que faço, com amor e temor.

Antognoni Misael
Publicado Originalmente em: http://www.artedechocar.com/2013/08/musica-viciada-mantra-raduzido-e-isso-que-chamam-de-boa-musica-crista/#comment-3750

Intercâmbio feito por Rodrigo Ribeiro

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

UMP INDICA: Bona Vide

No árido cenário de nossa música cristã contemporânea é imperativo espalhar as boas novidades que tem potencial para arejar o nosso ambiente, climatizando nossas vidas com boa arte e muita graça. É neste sentido que indico o projeto "Bona Vide", uma expressão em latim que significa “boa visão”, assim como “vide” também remete a videira, portanto, Bona Vide quer dizer, “Bons Frutos”.

O grupo é formado por amados irmãos aqui da Paraíba, e é composto por alguns amigos da Igreja Presbiteriana de Guarabira, dentre eles o blogueiro mais chocante da internet, Antognoni Misael. 

Na internet é possível encontrar vários vídeos de sua primeira apresentação, onde podemos claramente identificar a tônica inicial do trabalho: repaginar os clássicos da música cristã, agregando arranjos bem elaborados à canções de conteúdo bíblico e atemporal. Temos a promessa de composições próprias em um futuro próximo, mas enquanto estas não chegam, certamente é possível apreciar o material que já está disponibilizado na rede.

Nosso desejo é que a brisa de agora transforme-se em um furação de bons ventos, originados no trono da graça e com o sublime objetivo de glorificar o Salvador de nossas almas. Que este projeto ainda produza bons frutos.


Assista alguns dos vídeos disponibilizados:


Contatos:
E mail: bonavide@hotmail.com
Fones: (83) 8745 7031 [oi] , (83) 88859452[oi] e (83) 9918 7400 [tim]

Rodrigo Ribeiro

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Muito obrigado


Este é o meu último texto no blog no ano de 2012. Costumeiramente, refletimos sobre o ano que se finda e tentamos vislumbrar perspectivas para o ano vindouro. Planos e metas alcançados ou não. Alegrias, frustrações, e todas as sensações pelas quais passamos em meio a todas as experiências vividas. Mas desta feita quero usar desse espaço para agradecer.

Agradecer a todos que fazem com que este blog seja um instrumento de Glória a Deus e edificação daqueles que nos leem. A começar pela equipe, que desde o início tem se mostrado firme em manter a dinâmica deste veículo, e principalmente, a qualidade do conteúdo aqui publicado. Aos que estão conosco desde o início, bem como os que se agregaram recentemente e tem proporcionado mais brilhantismo ao blog. Valeu galera, vocês são demais e eu tenho aprendido muito com vocês. É uma honra estar ao lado de vocês nessa obra.

Agradecer a todos que acessam e investem um pouco de seu tempo pra ler nossos textos. Muito obrigado pelo carinho e pela disposição em nos ler e divulgar. Vocês são importantíssimos para nós. Aos que além de ler e divulgar, deixam seus comentários, nosso muito obrigado. As contribuições são sempre muito bem vindas. Continuem conosco em 2013.

Não gostaria de citar nomes, mas é impossível falar do crescimento do nosso blog, sem falar de nosso parceirão Antognoni Misael, do blog Arte de Chocar e  que publicou nossos textos no Púlpito Cristão, dando uma visibilidade muito maior ao nosso trabalho. Deus te abençoe mano.

A todos que fazem a UMP da IV, meu muito obrigado.  Deus abençoe cada um de vocês.
E assim vamos. Entre textos, indicações e citações, construindo uma história muito bonita de amizade, crescimento, e que vai render mitos frutos para a Glória de Deus.

Valeu gente, até 2013.

Presb. Cícero Pereira

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

UMP Indica: Arte de Chocar



Arte de chocar é um blog que teve inicio em 2011. Seu criador, Antognoni Misael, busca trazer aos seus leitores uma visão que venha botar ordem no caos, tendo como parâmetro único e absoluto as escrituras sagradas, não sendo nem extremista nem tão pouco relativista, mas considerando a necessidade de moderação assim bem como as escrituras nos ensinam em 2 Timóteo 1:7 Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação.

Sendo assim o Cristão tem a obrigação de avaliar tudo o que cerca de forma justa e pautada nas escrituras, e não observar o mundo entre o sagrado e profano, como se vivêssemos em um mundo bipolar. Antes, como participantes da glória de Deus, devemos sempre avaliar se nossos atos estão convergindo para a glória daquele que tudo faz perfeitamente ou não. Como o próprio Paulo bem nos deixou advertidos em 1 Coríntios 10:31 Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus. Esta deve ser nossa vara de medir as músicas, peças de teatros, livros, filmes e tudo o mais que julguemos sadio para uma vida que esta disposta a glorificar a Deus.

Assim recomendo o blog Arte de chocar a todos quantos desejam não apenas a pensar de forma critica sobre o que lê, mas principalmente a embasar sua vida nas santas escrituras.

Acesse aqui este blog parceiro da UMP da Quarta: http://www.artedechocar.com/

Iris Bernardo do Nascimento

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A fragmentação da "esquerda" evangélica em questão


Ando devagar porque já tive pressa…
Estamos vivendo uma das mais intensas épocas da história da humanidade. Tudo é rápido demais, instantâneo. Os jornais mostram isso, as metrópoles mostram isso, as mídias mostram isso…
Os historiadores ratificam que estamos numa época plural cuja linearidade dos fatos compreendida outrora, os paradigmas positivistas, marxistas, dentre outros, não suprem a necessidade de se compreender a realidade.
O ser humano se inventa e se reinventa constantemente. Parece estranho, mas, só de pensarmos que a 40 d.C., na cosmopolita Corinto, o hedonismo imperava e a prática homossexual e libidinosa em locais de fácil acesso era constante, e que hoje a “moda” da homossexualidade assusta muitos como algo jamais visto na humanidade, notamos como este espiral da realidade não traz muita coisa de nova. Algumas coisas tendem a se repetir.
Entretanto uma coisa me incomoda: a possibilidade de fragmentação da “esquerda” (no melhor sentido possível) evangélica. Aqui se entenda “esquerda” os grupos, pessoas e comunidades que se opõe (ou se opunham) ao pseudo-evangelho pregado e veiculado pela grande parte da mídia.
O histórico sincretismo religioso do nosso país dão provas de sua existência nos processos de mutação e surgimento de variações esquisitas no meio evangélico. Como falei no início, tudo é rápido demais, instantâneo… Vejamos que enquanto as mais variadas igrejas e teologias neopentecostais se multiplicam e se apresentam a sociedade, a “esquerda” rapidamente e em pronta resposta reformula seu discurso e defende sua fé.
Durante mais de um ano venho escrevendo e me colocado contra o modismo evangélico, a teologia da prosperidade, o mercado Go$pel, as esquisitices, e tanta coisas estranha. Portanto ao ver ao meu redor confesso que me senti dentro de uma militância de subversivos que também pensa (ou pensava) como eu em relação a este leque de coisas que tem adulterado a simplicidade do evangelho de Jesus.
Mas a notícia triste que quero dar-vos é que esta “esquerda” também passa por este mesmo processode fragmentação.
Não sei se muitos cansaram de bater nos vendilhões da fé, nas denominações neopentecostais, nos ladrões de almas, mas noto que muitos “esquerdistas” começam a procurar caroço de manga em banana e passam a atacar e banalizar algumas divergências muitas vezes irrelevantes que se apresentam no meio cristão que tanto tentam manter-se firme a Verdade.
Temos grupos que se digladiam constantemente. Feridas são feitas todo os dias, outras são reabertas e assim sendo, começamos a perceber que o Ego ainda é algo que Teologia não consegue penetrar. Se quanto antes tínhamos a simples divisão entre calvinistas e arminianos e pensávamos ser algo chato, imagine hoje com os grupos: calvinistas, neocalvinistas, calvinistas ortodoxos, calvinistas-liberais, hiper-calvinistas, puritanos, neo-puritanos, desigrejados, arminianos, arminianos moderados, “desnomeados”, e por aí vai…
Quero deixar claro que de hoje em diante não pretendo me rotular enquanto estereótipo de cristão. Não quero confundir mais ainda esta fragmentação (embora para alguns acabe confundindo). Apenas quero viver como Jesus viveu. Quero pedir a Deus forças pra isso. Quero apenas ser o que a palavra “Cristão” verdadeiramente quer dizer.
Mas algo diante disso tudo me deixa feliz. Enquanto muitos se atacam e discutem questões como igreja, denominação, dízimo, fazendo de suas diferenças a honra de uma guerra santa, outros mesmo em divergências superam-nas e no amor de Cristo caminham lado a lado dialogando de forma moderada e com sabedoria.
Só sei que não estou com pressa nenhuma em ver tanta gente se dividindo por causa de uma liturgia de culto, água de batismo, dízimo ou coisa assim…
Antognoni Misael
Intercâmbio feito por Walber Arruda

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Prefiro ser mais que vencedor: Um paralelo entre Damares e Los Hermanos

Veja este trecho da canção antropocêntrica abaixo:

Deus vai bradar, anunciar em alta voz pra o universo ouvir,

Eis que um novo vencedor está chegando ai,
E vai impactar o mundo com a sua história...
Ele surgiu do anonimato dentro de um vale escuro e frio,
Venceu na terra de gigantes, grandes desafios,
Foi provado e aprovado, agora é só vitória...

Agora é só vitória,

Agora é só vitória,

A prova acabou,

A luta foi embora,
Agora é só vitória...

(Damares, música: Um Novo Vencedor)

Agora pense comigo, será se Deus realmente quer que eu seja o centro de seu plano a ponto dEle bradar ao universo que eu sou vencedor? Não seria o contrário quando deveríamos proclamá-Lo ao mundo?! Romanos 11:36 deixa claro quem é o centro de tudo.

Lamentavelmente é este tipo de canção que tem inundado as igrejas mundo afora. “Agora é só vitória, a prova acabou...” é a grande mentira da capas de jornais e programas televisivos.

É dessa forma que o evangelho vai sendo vituperado e se tornado em uma ciranda maluca onde o homem e suas vontades deleitam-se no centro.

O conceito de vencedor citado e tão vivido pelo apóstolo Paulo tem sido escandalosamente adulterado. Muitos evangélicos querem ser vencedores com contas bancárias gordas, carros do ano, apartamentos a beira mar, abraçando uma vida de luxúria e longe de tribulações, doenças, escassez. Contudo Paulo não se envergonhou de sua vida de provações e disse ao Filipenses que importa não somente crer em Cristo, como também padecer por Ele (Fp 1:29).

Então não posso afirmar que Paulo foi vencedor? – Não! Segundo esta canção da Damares, infelizmente o apóstolo Paulo seria o mais fútil dos homens desta terra.

Pessoal, o Evangelho Genuíno nos ensina a sermos mais que vencedores. Pedagogiza-nos a andarmos acima das circunstancias. Nos outorga a darmos graças em tudo e a vivermos para Glória dEle.

Cristo é o centro. Somos pó e cinza. Se as bênçãos terrenas nos alcançarem, Glória a Ele. Se elas tardarem ou não aparecerem, lembraremos da eterna glória e honra com que Deus vai nos brindar nos céus. Como disse Teresa de Ávila, "Deus é o bastante".

Entretanto, após ler e ouvir esta incauta canção “Um Novo Vencedor” não podia perder a oportunidade pra ratificar que não quero ser este tal vencedor, preferindo assim cantar: "Eu que já não quero mais ser um vencedor, levo a vida devagar pra não faltar amor”.

O Vencedor
(Los Hermanos)

Olha lá, quem vem do lado oposto
Vem sem gosto de viver
Olha lá, que os bravos são
Escravos sãos e salvos de sofrer
Olha lá, quem acha que perder
É ser menor na vida
Olha lá, quem sempre quer vitória
E perde a glória de chorar
Eu que já não quero mais ser um vencedor
Levo a vida devagar pra não faltar amor

Olha você e diz que não
Vive a esconder o coração

Não faz isso, amigo
Já se sabe que você
Só procura abrigo
Mas não deixa ninguém ver
Por que será?

Eu que já não sou assim
Muito de ganhar
Junto às mãos ao meu redor
Faço o melhor que sou capaz
Só pra viver em paz

“Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” (Rm 8:37)

 Antognoni Misael 
(Um parceiro que sempre nos choca com seus escritos de qualidade e graça!)


Intercâmbio feito por Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd

terça-feira, 3 de abril de 2012

Banda Resistência: aliando o conteúdo com musicalidade


Nestes últimos dias 31 de março e 01 de abril, a Igreja Presbiteriana de Guarabira-PB recebeu a Banda Resistência, de Campina Grande-PB.

A banda, como poucas hoje em dia, fugiu da previsibilidade musical e compartilhou canções das mais variadas vertentes sem desvirtuar o mais importante, o conteúdo.

Ao que nos parece, o próprio nome “Resistência” sugere resistir e fazer arte pensando na qualidade e não na popularidade. Pra se ter uma ideia, a banda que exibe um repertório de rock, com nítida influência britânica, também passeia por releituras de grupos relevantes na música brasileira cristã como Rebanhão (na canção “Baião”) e Grupo Logos, (Autor da minha fé”).

Ratificando o bom gosto e a preocupação com o conteúdo, a banda também apresentou a composição “Tua Majestade” onde a pessoa de Cristo é colocada no centro da adoração e razão de existir.

O grupo é formado por Guilherme Barros, Rodrigo Ribeiro, Walisson Alves, Marco Júnior, Felipe Medeiros, Warley Arruda e Wellison Anacleto. Gente de inteligência, alegria, e cheia de paz. Cristãos de primeira qualidade, dou fé.

Canção TUA MAJESTADE no culto da UMP de Guarabira



Texto escrito por Antognoni Misael, Editor do Blog "Arte de Chocar" e "Púlpito Cristão)

Nós da UMP da Quarta aproveitamos o ensejo para externar nossa imensa alegria e satisfação em conhecer os amados irmãos de Guarabira, que nos acolheram com uma hospitalidade cativante, muita alegria e momentos de bastante comunhão e edificação em Cristo. Estamos maravilhados com a obra que Deus tem realizado naquela cidade e principalmente na vida dos jovens que chocam cada vez mais o mundo com a luz de Deus que a tudo transforma. Deus os abençoe, sempre!

Culto da UMP-Guarabira

Fórum: O Cristianismo e o Pós-modernismo, com a participação de Felipe Medeiros

Momento de comunhão com Antognoni Misale e o Presb. Jofre.

Meditação na Escola Bíblica Dominical, com Rodrigo Ribeiro

Despedida com nossos irmãos Antognoni Misael e Quezia Monteiro


Por Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

UMP Entrevista: Antognoni Misael, Editor do "Arte de Chocar"


Editor do blog "A Arte de Chocar" (www.artedechocar.blogspot.com), colaborador do Púlpito Cristão, Historiador Especialista em História Cultural, Professor de Música, Policial Militar e membro da Igreja Presbiteriana de Guarabira. Conversamos nesta entrevista com nosso conterrâneo Antognoni Misael, sobre  assuntos referentes as várias áreas que ele tem atuado. Confira:

01- Em algumas cidades do interior a propagação do evangelho encontra imensas dificuldades, principalmente em decorrência da influência de padres e demais lideres católicos. Como é a realidade atual das igrejas reformadas em Guarabira, principalmente da Igreja Presbiteriana, da qual você faz parte?
Um fato curioso em relação aos evangélicos na cidade de Guarabira ocorreu quando a Primeira Igreja Congregacional foi apedrejada por fanáticos do então Frei Damião em 1937. Tirando esse episódio tenso entre protestantes locais e católicos, não acredito que as maiores dificuldades encontradas quanto a pregação do evangelho aqui esteja relacionada a influência de algum tipo de liderança católica. Ao que me parece, as maiores dificuldades encontraram-se dentro do próprio grupo evangélico local, isso devido à antiga bipolarização (entre as duas maiores igrejas que não se entendiam) e a atual multipolarização (capitaneada pelos neopentecostais e suas variações).
Quanto às igrejas de visão reformada temos além da igreja Presbiteriana, duas igrejas Congregacionais – outras sustentam ainda o nome de alguma denominação tradicional, mas não há como afirmar que são reformadas.
A igreja Presbiteriana de Guarabira particularmente tem buscado fazer diferença nesta cidade cujo evangelho pregado por muitos anos foi o evangelho de condenação em detrimento das boas novas. Graças a Deus temos um pastor presente, que sabe equilibrar bem a teologia, arte e música nos dando suporte para uma vida cristã madura e sem extremismos. Nosso lema “A Igreja que valoriza a pessoa glorificando a Deus”, almeja constantemente que nossa igreja seja reconhecida não como a igreja de grandes obras e milagres, mas como uma igreja que ama, valoriza e cuida dos seus membros.
Vale registrar o fato de que recentemente Guarabira foi bombardeada por novas igrejas independentes. A cada esquina tem alguém reproduzindo o discurso da cura e benção material, o que acaba promovendo um grande contraste entre o discurso reformado e as demais denominações. Nossa responsabilidade aumenta no sentido de que precisamos pregar o evangelho, ratificar a graça de Deus e ao mesmo tempo combater as vãs doutrinas que cercam e sugam muitos fracos na fé. De uma forma resumida, nossa realidade é de tempos difíceis e desafiadores na defesa da fé e proclamação da Verdade.

02 - Em seu blog A Arte de Chocar, continuamente vemos a coerência das publicações com o título do projeto. Por que este enfoque na questão do chocar, da polêmica? E principalmente, os que se chocam, escandalizam-se com o conteúdo dos textos ou com a própria palavra de Deus?
A ideia do blog surgiu por perceber que algumas pessoas só atentavam para um determinado assunto inerente a igreja, vida cristã, de uma forma geral, quando se sentiam surpreendidas por algum comentário ou colocação. De fato pareceu ter algum sentido. Isto porque numa cultura tão hedonista, muitos cristãos não possuem opinião formada sobre assuntos diversos; parece que o “Cogito, ergo sum” (Descartes) não anda fazendo jus ao significado de protestante. Então, partindo dessa sensação, a primeira coisa a fazer foi fisgar o leitor mediante o impacto visual, textual ou conceitual. É o venho tentando (se bem que ultimamente acho que não venho chocando ninguém (rs)).
Penso seriamente que existe uma diferença entre escândalo e “analfabetismo” teológico. Se somos protestantes e em nada temos para protestar ou denunciar, torna-se estranho não? Os evangélicos no Brasil têm doutrinas distintas, diferenciados usos e costumes, o que por natureza gera um tipo de auto-estranhamento. Há um choque em alguns pentecostais tradicionais quando dizemos crer na doutrina da eleição? Ou quando batizamos crianças? Acredito que em parte sim. Isso seria escândalo?
Existe uma diferença entre o que seria escândalo por caráter cultural e verdade bíblica, assim como ninguém deve estar fadado a morrer como criança espiritual. Para este segundo caso, a palavra “escândalo” está inapropriada.
Sei das implicações do “Arte de Chocar”, mas tenho pedido perseverança e sabedoria para saber chocar na medida correta, se é que existe tal porção. (risos)

03 - Provavelmente, por causa de sua formação, notamos um destaque muito grande no aspecto musical, muitas vezes com uma abordagem crítica do cenário nacional da música evangélica. Quais os principais desafios de um músico cristão desejoso em fazer uma boa arte com conteúdo e que se depara com a realidade do mercado "gospel"?
Temos uma história de nossa música cristã brasileira assim como também temos uma história de músicos cristãos brasileiros. Acho um tanto quanto desrespeitoso alguém querer fazer música cristã sem ter o mínimo desejo de conhece sobre ela, ou seja, conhecer a gente que desbravou nossa música superou o monopólio dos cânticos europeus, e que deu um toque de brasilidade e poesia em nossa canção. Aqui me valho de gente como Jayrinho, Sérgio Pimenta, Janires, Bomilcar, João Alexandre, Logos, Jorge Camargo, dentre muitos.
Quanto aos desafios para um músico cristão, elenco o desfio da arte: "Entoai-lhe novo cântico, tangei com arte e com júbilo” (sl 33.3). Acredito que a música cristã tem sido uma arte mais rendida a fórmula do que a criatividade e verdade de quem a produz. Acho também que o músico cristão precisa não se enveredar por esse caminho; precisa buscar nas referências desses precursores exemplos e experiências que vão além da noção de $uce$$o.
O músico precisa tratar as músicas cristãs não pela popularidade, mas pela excelência bíblica, estética e sonora. Desafio também é acreditar que músicos são apenas canais de Deus. Não são “super-ministros”, Levitas, ou redutos de unção. Precisam aprender a serem servos em outras áreas além da música, precisam ser peritos não só nas notas musicas, mas na leitura da palavra, no diálogo e participação com a sociedade, etc. O desafio envolve, da mesma forma, o fazer música no sentido de adoração buscando dar a melhor letra, o melhor arranjo, na busca de um novo cântico. Desafio é principalmente não se render aos fetiches do mercado - creio que para a igreja ser edificada através da música não é preciso tocar sempre o “sucesso do momento”; uma canção que contém verdades bíblicas jamais soará vazia, portanto tiremos essa responsabilidade de querer embriagar a igreja em sua totalidade com mantras que são apenas “mais do mesmo”, mas, do contrário, cantemos a verdade, o amor, a arte, sob os requisitos da excelência, sabendo que Deus sempre nos fará um canal.

04 - Muitos têm notado um processo de crescimento nos hemisfério sul, das antigas doutrinas da graça, conhecidas também por Calvinismo. Neste processo os jovens tem se destacado. O estágio atual das ferramentas da internet, como as redes sociais tem relação direta com isto? E quais a importância e os desafios dos blogueiros reformados diante deste processo?
Com certeza. Essa nova interface de comunicação nos proporciona contatos e influências que no mundo do real vivido durariam décadas. Hoje um simples blog de apologética, música ou arte cristã não vive estanque, isolado, mas chega rapidamente nas redes de twitter, facebook, orkut, myspace, etc., levando ideias, pensamentos e acima de tudo a Palavra de Deus - é o que fazemos comumente no nosso dia-dia, não é?
Um dos maiores desafios para os blogueiros é perserverar, nunca desacreditar no trabalho. Há quem subestime esse oficio, ou quem o minimize sua eficácia, mas não há dúvidas de que o blog é uma ferramenta que transforma que influencia, e edifica pessoas. Poderíamos citar vários casos... Eu sou um exemplo vivo!

05 - Gostaria que você nos falasse um pouco das dificuldades que você enfrentou na área acadêmica ao cursar um curso como o de história, e também que deixasse uma mensagem para os leitores deste blog que passam pelos mesmos desafios diariamente.
Entrei no curso de História no ano de 2001 e confesso que foi muito difícil neste início lidar com as ciências humanas em geral. Enquanto Santo Agostinho afirmava que o conhecimento nos aproximava de Deus eu percebia que aquilo tudo que eu lia, discutia em nada convergia com a Verdade defendida pela minha igreja. Levava anotações e dúvidas para o templo, mas as respostas não convenciam, a ponto que as ciências humanas acabavam por mais atraentes e presentes na minha política e social do que os estudos bíblicos sobre o tabernáculo ou escatologia. Sentia que na universidade havia o prazer pelo pensar, enquanto na igreja havia o prazer pelo reproduzir os conceitos prontos, fechados e nunca postos à mudanças (a saber uma Teologia engessada e muita tradição humana). Foi uma época de crise e desencontros.
Atualmente, trabalho com a área de História Cultural, e tem sido uma ótima experiência. Hoje, menos imaturo que a dez anos atrás, percebi que posso tirar proveito de muitos conceitos de filósofos, historiadores, sociólogos, etc. Contudo para que se tenha um curso prazeroso e saudável espiritualmente, é necessário fazer ajustes e pontes com as Verdades de Deus: quando Hegel entendia que sua dialética se movia por uma força idealista, o espírito, eu posso atribuir nitidamente isso ao que a Bíblia confirma sobre “Ele” como Senhor da história; as “relações de poder” de Foucault, as “representações” de Roger Chartier, por exemplo, são conceitos admissíveis até mesmo numa interpretação bíblica da humanidade. É isso que tenho feito, sem relativizar, claro, a Verdade.
Sugiro urgentemente aos que cursam algum curso das ciências humanas que leiam literaturas cristãs relacionadas a sua área. É de suma importância a defesa da fé de uma forma racional, lógica e inteligente – ser cristão é estar a frente do óbvio, é ver além das coisas. É isso que tenho tentado fazer e acredito piamente que é isso que Deus deseja: que sejamos agentes de transformação em todas as áreas da vida, e com certeza na área acadêmica.
Um abraço, e muito obrigado pela entrevista.

Antognoni Misael
@Artedechocar

Entrevista feita por Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd