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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Música Viciada e Mantra Traduzido: É Isso que Chamam de Boa Música Cristã?

Faz tempo que não ouço a música denominada Gospel. Muito embora o meu repertório seja bastante eclético, passeando do Tango ao Reggae, do Samba ao Jazz, confesso que quando o assunto é música cristã (ou para muitos, Música Gospel) eu continuo a me deleitar dos mesmos discos de antigamente, com exceção de algumas novidades que por meio de pesquisa acabo descobrindo.

Como ainda trabalho na área musical na comunidade em que congrego, e esporadicamente tenho visitado algumas igrejas no Estado em que vivo, percebo o quanto os repertórios musicais são praticamente iguais quando se chega ao tal momento de louvor.

Ultimamente visitei várias igrejas, dentre elas batistas, presbiterianas, pentecostais, congregacionais e assisti até cultos “On Line” em tempo real, de igrejas neopentecostais. Com raras exceções de momentos específicos onde se cantava uma canção do “Hinário antigo” o restante da parte musical foi bastante recheada daquelas canções que tem o incrível poder de: ou encharcar o irmão da fumaça e o levá-lo ao “Santo dos Santos” em delírios, embora pessoais, mas esquisitos; ou perfurar a mente alheia com notas musicais que se repetem eternamente a ponto de a letra cantada ser o que menos chama atenção diante do tamanho incômodo – mantra melódico “apelacional”.

Para um leigo musical, tudo bem. Ele pode até adorar ao ouvir aquele mantra, e pode até compreender o conteúdo da canção, caso esta não objetive apenas tirar o pé do chão. Mas, pra quem não pretende viver na mediocridade, e que há anos vem acompanhando esta ‘involução’ musical midiática, não é tão simples ver tamanha pobreza musical e achar tudo normal.

Nas minhas impressões, suposições, ou coisa do tipo, imagino que alguns grupos musicais, após levarem puxões de orelhas de suas lideranças quanto ao conteúdo teológico das canções, têm sido mais prudentes em relação a este item. Mas, venhamos e convenhamos, ainda acho que apenas observar a qualidade do conteúdo não quer dizer que a coisa está resolvida.

Os grandes estudiosos da música elencam que é necessário que haja uma relação equilibrada entre forma e conteúdo – como por exemplo, cantar uma letra que fala de alegria numa base harmônica tensa, com ritmo down deixa a coisa contraditória não é? Veja aonde quero chegar: a forma em muitos casos tem suprimido o conteúdo, acredite! Sabe aquela história que, de ‘tanto ouvir ruído do ventilador, nem o percebi enquanto lia um livro’, ou ‘de tanto gritarem ininterruptamente nem entendi o que diziam’? – João Alexandre chamou isso que tentei discorrer de “Meras Repetições”.

Talvez você discorde de tudo que escrevi, ou a trate como irrelevante, tudo bem, esse é um direito seu, já que tratamos com um pouco de subjetividade, no entanto, enquanto músico, micro-pesquisador, e com sinceras motivações para a área musical e artística cristãs, sonho ainda que os nossos ajuntamentos comunitários sejam repletos de autenticidade, simplicidade e criatividade – com equilibrio entre forma e conteúdo.

Diante deste tema, o que tenho notado é um certo despercebimento da Verdade cantada em virtude desta estar atrelada a uma relação pobre (quando viciada) entre forma e conteúdo. Diretamente ligado a esta problemática, diagnosticamos como uma das causas, a “febre” das canções traduzidas (de preferências originadas do grupo Hillsong – que não tenho nada contra) e “estouradas” nos repertórios das estrelas do Gospel.

Traduzindo, o que discorri em termos mais práticos vejamos abaixo:

- Faça o seguinte, pegue aquela sequencia de quatro acordes: D | A | Bm | G | + um “Loop melódico” (de preferência do Hillsong) + letra traduzida e com repetição de poucas palavras no refrão + Compasso 4/4 + metrônomo 70 + Ritmo de Balada + Voz genérica + frases introdutórias sobre qualquer besteirol + uma guitarra rotativa com 123 repetições de notas agudas e…Booommm.

Olha só, esta forma tem feito mais gente chorar e se arrepiar do que as verdades eternas de Deus lidas e pregadas. Numa outra direção, esta forma também tem desacostumado a igreja local a se relacionar com outras concepções musicais.

Meu discurso não é segmentador. Não tenho nada contra uma canção que contenha os elementos citados acima, mas tenho tudo contra o vício da forma. Ou não foi o que ocorreu quando surgiram milhares de “Anas Valadetes” ministrando louvores nos domingos a noite pelo Brasil? Não tem como discordar que o encantamento pela forma, modelo (na maioria das vezes assediada pela mídia), muitas vezes arranca de nossa comunidades a autenticidade e liberdade musical e artística.

Não quero ser generalizador. Mas, diante dos desencontros que mencionei entre forma e conteúdo, da mediocridade musical e do vício da forma, somos nós que temos o dever de tentar mudar, pelo menos a nível local esta situação.

Líderes de igrejas:

- Estimulem seus músicos a estudarem música

- Sugiram repertórios ecléticos que abarquem toda uma diversidade de estilos e ritmos

- Ensinem sobre o as utilidades da música no culto: contrição, exaltação, comunhão, celebração, descrição, etc.

- Apresentem um panorama da música cristã brasileira

- “Des-viciem” a ideia da Gospel midiático

- Digam sobre a importância da consciência teológica na canção cristã

- “Des-levitem” o efetivo de músico e esclareçam o que de fato significa adorador

- Conscientizem para se faça arte com excelência

São algumas breves  sugestões que faço, com amor e temor.

Antognoni Misael
Publicado Originalmente em: http://www.artedechocar.com/2013/08/musica-viciada-mantra-raduzido-e-isso-que-chamam-de-boa-musica-crista/#comment-3750

Intercâmbio feito por Rodrigo Ribeiro

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

UMP INDICA: Bona Vide

No árido cenário de nossa música cristã contemporânea é imperativo espalhar as boas novidades que tem potencial para arejar o nosso ambiente, climatizando nossas vidas com boa arte e muita graça. É neste sentido que indico o projeto "Bona Vide", uma expressão em latim que significa “boa visão”, assim como “vide” também remete a videira, portanto, Bona Vide quer dizer, “Bons Frutos”.

O grupo é formado por amados irmãos aqui da Paraíba, e é composto por alguns amigos da Igreja Presbiteriana de Guarabira, dentre eles o blogueiro mais chocante da internet, Antognoni Misael. 

Na internet é possível encontrar vários vídeos de sua primeira apresentação, onde podemos claramente identificar a tônica inicial do trabalho: repaginar os clássicos da música cristã, agregando arranjos bem elaborados à canções de conteúdo bíblico e atemporal. Temos a promessa de composições próprias em um futuro próximo, mas enquanto estas não chegam, certamente é possível apreciar o material que já está disponibilizado na rede.

Nosso desejo é que a brisa de agora transforme-se em um furação de bons ventos, originados no trono da graça e com o sublime objetivo de glorificar o Salvador de nossas almas. Que este projeto ainda produza bons frutos.


Assista alguns dos vídeos disponibilizados:


Contatos:
E mail: bonavide@hotmail.com
Fones: (83) 8745 7031 [oi] , (83) 88859452[oi] e (83) 9918 7400 [tim]

Rodrigo Ribeiro

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Muito obrigado


Este é o meu último texto no blog no ano de 2012. Costumeiramente, refletimos sobre o ano que se finda e tentamos vislumbrar perspectivas para o ano vindouro. Planos e metas alcançados ou não. Alegrias, frustrações, e todas as sensações pelas quais passamos em meio a todas as experiências vividas. Mas desta feita quero usar desse espaço para agradecer.

Agradecer a todos que fazem com que este blog seja um instrumento de Glória a Deus e edificação daqueles que nos leem. A começar pela equipe, que desde o início tem se mostrado firme em manter a dinâmica deste veículo, e principalmente, a qualidade do conteúdo aqui publicado. Aos que estão conosco desde o início, bem como os que se agregaram recentemente e tem proporcionado mais brilhantismo ao blog. Valeu galera, vocês são demais e eu tenho aprendido muito com vocês. É uma honra estar ao lado de vocês nessa obra.

Agradecer a todos que acessam e investem um pouco de seu tempo pra ler nossos textos. Muito obrigado pelo carinho e pela disposição em nos ler e divulgar. Vocês são importantíssimos para nós. Aos que além de ler e divulgar, deixam seus comentários, nosso muito obrigado. As contribuições são sempre muito bem vindas. Continuem conosco em 2013.

Não gostaria de citar nomes, mas é impossível falar do crescimento do nosso blog, sem falar de nosso parceirão Antognoni Misael, do blog Arte de Chocar e  que publicou nossos textos no Púlpito Cristão, dando uma visibilidade muito maior ao nosso trabalho. Deus te abençoe mano.

A todos que fazem a UMP da IV, meu muito obrigado.  Deus abençoe cada um de vocês.
E assim vamos. Entre textos, indicações e citações, construindo uma história muito bonita de amizade, crescimento, e que vai render mitos frutos para a Glória de Deus.

Valeu gente, até 2013.

Presb. Cícero Pereira

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

UMP Indica: Arte de Chocar



Arte de chocar é um blog que teve inicio em 2011. Seu criador, Antognoni Misael, busca trazer aos seus leitores uma visão que venha botar ordem no caos, tendo como parâmetro único e absoluto as escrituras sagradas, não sendo nem extremista nem tão pouco relativista, mas considerando a necessidade de moderação assim bem como as escrituras nos ensinam em 2 Timóteo 1:7 Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação.

Sendo assim o Cristão tem a obrigação de avaliar tudo o que cerca de forma justa e pautada nas escrituras, e não observar o mundo entre o sagrado e profano, como se vivêssemos em um mundo bipolar. Antes, como participantes da glória de Deus, devemos sempre avaliar se nossos atos estão convergindo para a glória daquele que tudo faz perfeitamente ou não. Como o próprio Paulo bem nos deixou advertidos em 1 Coríntios 10:31 Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus. Esta deve ser nossa vara de medir as músicas, peças de teatros, livros, filmes e tudo o mais que julguemos sadio para uma vida que esta disposta a glorificar a Deus.

Assim recomendo o blog Arte de chocar a todos quantos desejam não apenas a pensar de forma critica sobre o que lê, mas principalmente a embasar sua vida nas santas escrituras.

Acesse aqui este blog parceiro da UMP da Quarta: http://www.artedechocar.com/

Iris Bernardo do Nascimento

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A fragmentação da "esquerda" evangélica em questão


Ando devagar porque já tive pressa…
Estamos vivendo uma das mais intensas épocas da história da humanidade. Tudo é rápido demais, instantâneo. Os jornais mostram isso, as metrópoles mostram isso, as mídias mostram isso…
Os historiadores ratificam que estamos numa época plural cuja linearidade dos fatos compreendida outrora, os paradigmas positivistas, marxistas, dentre outros, não suprem a necessidade de se compreender a realidade.
O ser humano se inventa e se reinventa constantemente. Parece estranho, mas, só de pensarmos que a 40 d.C., na cosmopolita Corinto, o hedonismo imperava e a prática homossexual e libidinosa em locais de fácil acesso era constante, e que hoje a “moda” da homossexualidade assusta muitos como algo jamais visto na humanidade, notamos como este espiral da realidade não traz muita coisa de nova. Algumas coisas tendem a se repetir.
Entretanto uma coisa me incomoda: a possibilidade de fragmentação da “esquerda” (no melhor sentido possível) evangélica. Aqui se entenda “esquerda” os grupos, pessoas e comunidades que se opõe (ou se opunham) ao pseudo-evangelho pregado e veiculado pela grande parte da mídia.
O histórico sincretismo religioso do nosso país dão provas de sua existência nos processos de mutação e surgimento de variações esquisitas no meio evangélico. Como falei no início, tudo é rápido demais, instantâneo… Vejamos que enquanto as mais variadas igrejas e teologias neopentecostais se multiplicam e se apresentam a sociedade, a “esquerda” rapidamente e em pronta resposta reformula seu discurso e defende sua fé.
Durante mais de um ano venho escrevendo e me colocado contra o modismo evangélico, a teologia da prosperidade, o mercado Go$pel, as esquisitices, e tanta coisas estranha. Portanto ao ver ao meu redor confesso que me senti dentro de uma militância de subversivos que também pensa (ou pensava) como eu em relação a este leque de coisas que tem adulterado a simplicidade do evangelho de Jesus.
Mas a notícia triste que quero dar-vos é que esta “esquerda” também passa por este mesmo processode fragmentação.
Não sei se muitos cansaram de bater nos vendilhões da fé, nas denominações neopentecostais, nos ladrões de almas, mas noto que muitos “esquerdistas” começam a procurar caroço de manga em banana e passam a atacar e banalizar algumas divergências muitas vezes irrelevantes que se apresentam no meio cristão que tanto tentam manter-se firme a Verdade.
Temos grupos que se digladiam constantemente. Feridas são feitas todo os dias, outras são reabertas e assim sendo, começamos a perceber que o Ego ainda é algo que Teologia não consegue penetrar. Se quanto antes tínhamos a simples divisão entre calvinistas e arminianos e pensávamos ser algo chato, imagine hoje com os grupos: calvinistas, neocalvinistas, calvinistas ortodoxos, calvinistas-liberais, hiper-calvinistas, puritanos, neo-puritanos, desigrejados, arminianos, arminianos moderados, “desnomeados”, e por aí vai…
Quero deixar claro que de hoje em diante não pretendo me rotular enquanto estereótipo de cristão. Não quero confundir mais ainda esta fragmentação (embora para alguns acabe confundindo). Apenas quero viver como Jesus viveu. Quero pedir a Deus forças pra isso. Quero apenas ser o que a palavra “Cristão” verdadeiramente quer dizer.
Mas algo diante disso tudo me deixa feliz. Enquanto muitos se atacam e discutem questões como igreja, denominação, dízimo, fazendo de suas diferenças a honra de uma guerra santa, outros mesmo em divergências superam-nas e no amor de Cristo caminham lado a lado dialogando de forma moderada e com sabedoria.
Só sei que não estou com pressa nenhuma em ver tanta gente se dividindo por causa de uma liturgia de culto, água de batismo, dízimo ou coisa assim…
Antognoni Misael
Intercâmbio feito por Walber Arruda