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quarta-feira, 24 de julho de 2013

Tesouro em Vaso de Barro ou Pirita em Vaso de Luxo?

O poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1.16): era assim que o apóstolo Paulo se referia ao evangelho, do qual dizia não se envergonhar. Contudo, o apóstolo sabia muito bem que, por causa da queda, o homem natural não daria ouvidos a coisas espirituais, pois elas de discernem espiritualmente (1Co 2.14) e que para os mortos espirituais a Palavra da cruz não passa de loucura (1Co 1.18). Conforme Paulo, como “na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por meio da sabedoria humana, agradou Deus salvar aqueles que creem por meio da loucura da pregação” (1Co 1.21 – NVI).

Em sua segunda epístola aos Coríntios o apóstolo enfatizou: “visto que temos este ministério pela misericórdia que nos foi dada, não desanimamos. Antes, renunciamos aos procedimentos secretos e vergonhosos; não usamos de engano, nem torcemos a palavra de Deus. Ao contrário, mediante a clara exposição da verdade, recomendamo-nos à consciência de todos, diante de Deus” (2Co 4.1,2 – NVI). Ao pregar a Jesus Cristo, o Senhor, iria se cumprir o que Deus disse: “Das trevas resplandeça a luz, ele mesmo brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo” (2Co 4.6 – NVI). A conclusão de Paulo é extraordinária: “temos esse tesouro em vasos de barro, para mostrar que este poder que a tudo excede provém de Deus, e não de nós” (2Co 4.7).

O método de Deus para a salvação é, e sempre foi, a fiel pregação da Palavra que, aplicada ao coração do pecador pelo Espírito de Deus, traz os eleitos à fé em Cristo Jesus e glorifica ao Deus que salva pecadores indignos. O alvo principal da evangelização é, portanto, a glória do Deus gracioso. Foi com essas convicções que Paulo pediu a ajuda da igreja de Roma para chegar à Espanha a fim de pregar o evangelho, visto não ter mais campo de trabalho na região em que estava (Rm 15.23-24).

Mesmo diante dessas verdades, temos testemunhado em nossos dias uma completa distorção do propósito primário da evangelização. Ela agora não prioriza a glória de Deus, mas busca, de toda forma, fazer com que o homem seja salvo. Tirando-se o Senhor do centro, perde-se a convicção de que a proclamação fiel da Escritura seja suficiente para o Senhor salvar a quem quer salvar e busca-se ser “mais eficaz” no chamado do pecador.

O resultado disso é uma mensagem antropocêntrica que visa a tornar o evangelho mais “palatável” ao pecador e que parte da falsa premissa de que o homem está interessado em Deus, mas somente a mensagem da Escritura não é suficiente para despertar nele o interesse pelo Senhor. O esforço, então, não é mais para se compreender o texto bíblico dentro do seu contexto, explicá-lo e aplicá-lo à vida dos homens, dependendo da ação do Espírito para convencê-lo do pecado, da justiça e do juízo. Longe disso! A maior concentração de forças está em produzir um ambiente agradável e descolado, um marketing que apela àquilo que o pecador acha que precisa e uma mensagem mais “contemporânea” baseada em poesias, filmes e músicas seculares, com umas poucas referências bíblicas e, é claro, com o devido cuidado de não falar diretamente sobre o pecado e a ira de Deus, assuntos tão “indigestos” e “desnecessários”.

Uma mensagem assim não é o evangelho, poder de Deus para a salvação do que crê e tesouro em vaso de barro, antes, assemelha-se mais à pirita ou, como é comumente chamada, “ouro de tolo”. Parece ter algum valor, mas é puro engano e, como não tem o poder para a salvação que é fruto da clara exposição da verdade (2Co 4.2), tem a oferecer somente entretenimento, resultado da ornamentação do vaso que passa a ser mais importante que o seu conteúdo. Uma mensagem assim, que coloca o homem no centro em detrimento de Deus, fatalmente se encaixa naquela categoria que Paulo chamou de “outro evangelho”.

Tesouro em vaso de barro ou “ouro de tolo” em vaso de luxo? O que você tem procurado apresentar ao homens?

Que o Senhor nos faça cada dia mais convictos da suficiência da mensagem do evangelho que aponta o pecado do homem, sua condenação e a providência do Deus gracioso, em Cristo Jesus, para a salvação de todo aquele que nele crê.

Milton Jr.


Intercâmbio feito por Walber Arruda
Facebook: https://www.facebook.com/walber.arruda.73


quarta-feira, 20 de junho de 2012

Prefiro ser mais que vencedor: Um paralelo entre Damares e Los Hermanos

Veja este trecho da canção antropocêntrica abaixo:

Deus vai bradar, anunciar em alta voz pra o universo ouvir,

Eis que um novo vencedor está chegando ai,
E vai impactar o mundo com a sua história...
Ele surgiu do anonimato dentro de um vale escuro e frio,
Venceu na terra de gigantes, grandes desafios,
Foi provado e aprovado, agora é só vitória...

Agora é só vitória,

Agora é só vitória,

A prova acabou,

A luta foi embora,
Agora é só vitória...

(Damares, música: Um Novo Vencedor)

Agora pense comigo, será se Deus realmente quer que eu seja o centro de seu plano a ponto dEle bradar ao universo que eu sou vencedor? Não seria o contrário quando deveríamos proclamá-Lo ao mundo?! Romanos 11:36 deixa claro quem é o centro de tudo.

Lamentavelmente é este tipo de canção que tem inundado as igrejas mundo afora. “Agora é só vitória, a prova acabou...” é a grande mentira da capas de jornais e programas televisivos.

É dessa forma que o evangelho vai sendo vituperado e se tornado em uma ciranda maluca onde o homem e suas vontades deleitam-se no centro.

O conceito de vencedor citado e tão vivido pelo apóstolo Paulo tem sido escandalosamente adulterado. Muitos evangélicos querem ser vencedores com contas bancárias gordas, carros do ano, apartamentos a beira mar, abraçando uma vida de luxúria e longe de tribulações, doenças, escassez. Contudo Paulo não se envergonhou de sua vida de provações e disse ao Filipenses que importa não somente crer em Cristo, como também padecer por Ele (Fp 1:29).

Então não posso afirmar que Paulo foi vencedor? – Não! Segundo esta canção da Damares, infelizmente o apóstolo Paulo seria o mais fútil dos homens desta terra.

Pessoal, o Evangelho Genuíno nos ensina a sermos mais que vencedores. Pedagogiza-nos a andarmos acima das circunstancias. Nos outorga a darmos graças em tudo e a vivermos para Glória dEle.

Cristo é o centro. Somos pó e cinza. Se as bênçãos terrenas nos alcançarem, Glória a Ele. Se elas tardarem ou não aparecerem, lembraremos da eterna glória e honra com que Deus vai nos brindar nos céus. Como disse Teresa de Ávila, "Deus é o bastante".

Entretanto, após ler e ouvir esta incauta canção “Um Novo Vencedor” não podia perder a oportunidade pra ratificar que não quero ser este tal vencedor, preferindo assim cantar: "Eu que já não quero mais ser um vencedor, levo a vida devagar pra não faltar amor”.

O Vencedor
(Los Hermanos)

Olha lá, quem vem do lado oposto
Vem sem gosto de viver
Olha lá, que os bravos são
Escravos sãos e salvos de sofrer
Olha lá, quem acha que perder
É ser menor na vida
Olha lá, quem sempre quer vitória
E perde a glória de chorar
Eu que já não quero mais ser um vencedor
Levo a vida devagar pra não faltar amor

Olha você e diz que não
Vive a esconder o coração

Não faz isso, amigo
Já se sabe que você
Só procura abrigo
Mas não deixa ninguém ver
Por que será?

Eu que já não sou assim
Muito de ganhar
Junto às mãos ao meu redor
Faço o melhor que sou capaz
Só pra viver em paz

“Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” (Rm 8:37)

 Antognoni Misael 
(Um parceiro que sempre nos choca com seus escritos de qualidade e graça!)


Intercâmbio feito por Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd