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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Todo Carnaval tem Seu Fim!


Como bem diz a composição de Marcelo Camelo, da banda Los Hermanos: “Todo o carnaval tem seu fim / Todo o carnaval tem seu fim / E é o fim, e é o fim”. Isto mesmo! Acabou o carnaval, findaram-se os retiros “espirituais”, e para muitos acabou o sabor da alegria, do folguedo, da celebração. Após a folia, re-começa, a rotina com as cinzas do costume religioso que necessariamente não reflete a mudança essencial da caminhada dos cristãos, a saber: a atitude do arrependimento. Para os alguns protestantes, ou melhor, evangélicos, restam outro tipo de cinzas, refiro-me as cinzas dos retiros, das promessas de reconciliação, e de mudanças na vida, que foram sopradas pelos ventos de uma existência moldada pelos padrões vigentes da nossa sociedade apartada de Deus.


É fundamental que todo carnaval tenha seu fim, porque quando o coração faz a experiência da decepção e do desencanto em relação à alegria superficial, disfarçada e artificial, é que uma nova jornada de fé, verdade, alegria e esperança surgem como um novo começo para a vida. A cada dia vejo que, somente para aqueles que estão decepcionados com o mundo que despreza a alegria de Cristo, o carnaval realmente terminou. Aqueles que seguem a Cristo não possuem tempo para perder com uma alegria produzida sob efeitos de drogas lícitas e ilícitas, que usa as máscaras midiáticas da cultura, sugerindo que a festa é apenas uma representação da diversão, da felicidade e alegria do povo brasileiro. 



O que não se diz é que as máscaras do carnaval servem também para velar e re-velar vidas encurtadas e diminuídas pelas doenças sexualmente transmissíveis, abortos, uso de drogas, acidentes nas estradas fruto do uso irresponsável do álcool, sem falar do buraco existencial que fica na alma quando se vê que apesar de tanto prazer extravasado, a sede por paz e alegria, continua latejando no coração misturado com um sentimento de culpa real. 



Não menos necessário, o carnaval dos retiros espirituais também precisa ter o seu fim. Com isto não estou dizendo que retiros são desnecessários, pelo contrário, acho que são fundamentais para a formação espiritual. A questão é que também necessitamos estar decepcionados com aquelas atitudes, que nos levam para os retiros em busca de uma “espiritualidade” que é do tamanho do impacto psicológico do evento, e por isso mesmo não possuem estrutura para suportar a vida real. Tal carnaval de máscaras “espirituais” também precisa chegar ao fim para que uma nova jornada seja enxergada.



Os discípulos de Cristo mais do que nunca, precisam proclamar ainda com mais força o Evangelho da alegria no Senhor Jesus. Evidentemente que a alegria no Senhor não possui simetria em relação à alegria do carnaval, porque a felicidade prometida por Cristo não é sintética, artificial e não se vale de máscaras. A alegria dos filhos de Deus se manifesta no amor a justiça (Sl 45.7), no contentamento com a graça do Senhor (Sl 90.14), no consolo real nas horas de aflição (Is 49.13). A Alegria do Senhor não poderá ser roubada (Jo 16.22), é parte da natureza do reino de Deus (Rm 14.17), chora lamentando o pecado (2Co 7.9) e regozija-se com a verdade (1Co 13.6). Finalmente, a alegria cristã é um fruto do Espírito Santo (Gl 5.22), é um imperativo em todas as circunstâncias da vida (Fl 4.4) e se torna completa quando andamos na verdade (2Jo 4). Que o Senhor nos ajude a caminhamos nesta alegria do Evangelho, testemunhando em todo o tempo a verdadeira alegria em Cristo.



Rev. Francisco Macena
Facebook: https://www.facebook.com/macenacosta

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Prefiro ser mais que vencedor: Um paralelo entre Damares e Los Hermanos

Veja este trecho da canção antropocêntrica abaixo:

Deus vai bradar, anunciar em alta voz pra o universo ouvir,

Eis que um novo vencedor está chegando ai,
E vai impactar o mundo com a sua história...
Ele surgiu do anonimato dentro de um vale escuro e frio,
Venceu na terra de gigantes, grandes desafios,
Foi provado e aprovado, agora é só vitória...

Agora é só vitória,

Agora é só vitória,

A prova acabou,

A luta foi embora,
Agora é só vitória...

(Damares, música: Um Novo Vencedor)

Agora pense comigo, será se Deus realmente quer que eu seja o centro de seu plano a ponto dEle bradar ao universo que eu sou vencedor? Não seria o contrário quando deveríamos proclamá-Lo ao mundo?! Romanos 11:36 deixa claro quem é o centro de tudo.

Lamentavelmente é este tipo de canção que tem inundado as igrejas mundo afora. “Agora é só vitória, a prova acabou...” é a grande mentira da capas de jornais e programas televisivos.

É dessa forma que o evangelho vai sendo vituperado e se tornado em uma ciranda maluca onde o homem e suas vontades deleitam-se no centro.

O conceito de vencedor citado e tão vivido pelo apóstolo Paulo tem sido escandalosamente adulterado. Muitos evangélicos querem ser vencedores com contas bancárias gordas, carros do ano, apartamentos a beira mar, abraçando uma vida de luxúria e longe de tribulações, doenças, escassez. Contudo Paulo não se envergonhou de sua vida de provações e disse ao Filipenses que importa não somente crer em Cristo, como também padecer por Ele (Fp 1:29).

Então não posso afirmar que Paulo foi vencedor? – Não! Segundo esta canção da Damares, infelizmente o apóstolo Paulo seria o mais fútil dos homens desta terra.

Pessoal, o Evangelho Genuíno nos ensina a sermos mais que vencedores. Pedagogiza-nos a andarmos acima das circunstancias. Nos outorga a darmos graças em tudo e a vivermos para Glória dEle.

Cristo é o centro. Somos pó e cinza. Se as bênçãos terrenas nos alcançarem, Glória a Ele. Se elas tardarem ou não aparecerem, lembraremos da eterna glória e honra com que Deus vai nos brindar nos céus. Como disse Teresa de Ávila, "Deus é o bastante".

Entretanto, após ler e ouvir esta incauta canção “Um Novo Vencedor” não podia perder a oportunidade pra ratificar que não quero ser este tal vencedor, preferindo assim cantar: "Eu que já não quero mais ser um vencedor, levo a vida devagar pra não faltar amor”.

O Vencedor
(Los Hermanos)

Olha lá, quem vem do lado oposto
Vem sem gosto de viver
Olha lá, que os bravos são
Escravos sãos e salvos de sofrer
Olha lá, quem acha que perder
É ser menor na vida
Olha lá, quem sempre quer vitória
E perde a glória de chorar
Eu que já não quero mais ser um vencedor
Levo a vida devagar pra não faltar amor

Olha você e diz que não
Vive a esconder o coração

Não faz isso, amigo
Já se sabe que você
Só procura abrigo
Mas não deixa ninguém ver
Por que será?

Eu que já não sou assim
Muito de ganhar
Junto às mãos ao meu redor
Faço o melhor que sou capaz
Só pra viver em paz

“Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” (Rm 8:37)

 Antognoni Misael 
(Um parceiro que sempre nos choca com seus escritos de qualidade e graça!)


Intercâmbio feito por Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd