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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

A Polêmica Sobre a Doença e a Morte no Meio Evangélico

Uma reflexão sobre as crenças antibíblicas no meio evangélico sobre doença e morte

“Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança” (Tg 1:2-3)

Um dos grandes problemas na igreja de hoje é a busca pelo contentamento pessoal em detrimento dos princípios bíblicos. Por essa razão muitas pessoas têm se revoltado contra Deus quando a dor e o sofrimento batem à porta.


Ainda, quando alguém lhes fala sobre a verdade do sofrimento bíblico na vida cristã, isso parece tão absurdo e revoltante que se jogam contra quem lhes comunica essa verdade da Escritura da mesma forma que um lutador de sumô se lança contra o seu oponente.

Rapidamente, sentimentos como ira, indignação e revolta afloram contra quem afirma que o crente pode ficar doente e até morrer como resultado da vontade de Deus. Os seguidores do Movimento da fé se revoltam quando afirmamos que isso pode ocorrer como um meio do Senhor ser glorificado. Esse tipo de mensagem é tão rejeitada nos dias de hoje que qualquer um que fizer tal afirmação é visto rapidamente pelos seguidores deste Movimento da Fé como um inimigo do cristianismo ou como alguém que vive uma vida medíocre, alguém que não recebeu a palavra revelada. Principalmente porque aqueles que não aceitam o sofrimento como algo vindo de Deus se acham supercrentes, pequenos deuses. Os seguidores desse Movimento perpetuam seu erro ao pensar que há poder em nossas palavras, o que na verdade é uma crença oriunda do hinduísmo e não do cristianismo. São cristãos na denominação e hindus na prática.

Muitos questionam se é correto falar sobre as distorções bíblico-teológicas quando algum proponente desse Movimento da Fé morre. Muitos dizem que isso é abusar da dor alheia, desrespeitar o sofrimento do próximo e até fazer uma demonstração pública e inconveniente de falta de amor.

Em primeiro lugar, é preciso compreender que a essência do amor bíblico não se resume à um mero sentimento, mas a uma atitude que está alicerçada na verdade da Escritura. O amor bíblico é guiado não por palavras suaves, agradáveis e que acariciam o ego dos seus seguidores, mas pela verdade. E é esta verdade que deve ser a marca da Igreja, dos seguidores verdadeiros de Jesus Cristo. Devemos entender que o compromisso verdadeiro do cristão não é falar bem, mas falar a verdade, pois a Igreja de Cristo – antes de mais nada – deve ser conhecida como “coluna e firmeza da verdade” (1Tm 3:15).

Hoje vivemos em meio a uma Igreja que abraçou o discurso do politicamente correto, e por isso, qualquer um que fale a verdade desmascarando o erro será visto não como um fiel, mas como um radical, extremista, fundamentalista e “xiita” evangélico. O problema com isso, é que se Jesus é o nosso modelo e exemplo, precisamos entender que Ele mesmo escolhia muito bem as palavras para falar com aqueles que distorciam as Escrituras, chamado-os de “falsos”, “hipócritas”, “filhos do diabo” etc.

Então, como será que seremos vistos hoje se agirmos da mesma forma? E mais, como será que o próprio Jesus seria visto e recebido em certas “igrejas” se mantivesse o mesmo discurso da Sagrada Escritura? Certamente, Ele mantém o mesmo discurso e sua mensagem é bastante dura contra a Sua Igreja, como podemos constatar se estudarmos Apocalipse 2 e 3.

“Porque a ocasião de começar o juízo pela casa de Deus é chegada; ora, se primeiro vem por nós, qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus?” (1Pe 4:17)

Entendemos que alguns argumentem que não se deve falar das distorções doutrinárias no momento da morte de alguém que propagava tais práticas, mas também é exatamente nesse momento que muitos têm se aproveitado da situação para fortalecer a crença no erro da Confissão Positiva.

O cuidado, porém, deve ser tomado para que não se façam acusações pessoais, pois a nossa luta não é contra pessoas, contra indivíduos, e sim contra as distorções doutrinárias, contra ensinos. Portanto, é preciso buscar demonstrar a incoerência dos ensinos de tais pessoas. A nossa questão não é quanto a sua vida particular, ou seus aspectos pessoais, e sim quanto a questão bíblico-teológica. Devemos nos ater a questão doutrinária. E na questão doutrinária os seguidores deste Movimento ensinam que a doença é fruto do pecado individual.

Por tudo isso, esse é o momento exato e propício para se tratar da questão doutrinária e não pessoal.

Por experiência própria, já vimos proponentes desse movimento morrer vítimas de câncer e como ninguém se pronunciou na época, o assunto esfriou e depois passaram a dizer que o falecido não morreu de câncer, que ninguém questionasse o motivo de sua morte porque Deus poderia dizer “não é de sua conta”. Ou seja, a mentira foi perpetuada porque ninguém ousou questionar os desvios na época do falecimento, em respeito aos que estavam sofrendo. Por isso, se deixamos o tema esfriar, a heresia será mantida e depois os fatos serão distorcidos. Já chegaram e dizer que o falecido só morreu porque alguns irmãos o liberaram para isso, pelo poder de suas palavras.

Se deixarmos a ocasião passar, a distorção e o erro doutrinário serão mantidos e perpetuados, como já vem sendo há bastante tempo.

Se fazemos o que fazemos, não é por falta de sensibilidade à situação daqueles que estão sofrendo, mas exatamente porque nos preocupamos com a situação espiritual daqueles que sofrem.

Fazendo uma analogia, por que é que os pastores pregam nos velórios e aproveitam a situação para fazer apelos de salvação?

Será que estes pastores estão sendo insensíveis com a situação e querem tirar proveito da fragilidade de quem está sofrendo pelo falecido? Ou será que é porque eles sabem da verdade espiritual e querem usar a situação para abrir os olhos dos ouvintes para a verdade, já que estão sensíveis naquele momento?

O mesmo princípio se aplica aqui. Digo isto por experiência própria e pessoal. Algumas pessoas do Movimento da Fé já têm nos procurado porque estão “em parafuso”, pois a verdade foi apresentada na época da morte de seus líderes, especialmente porque estes mesmos líderes afirmaram em vida que haviam sido curados. Nesse momento, muitos estão sem entender e estão buscando respostas, já que foram ensinados de forma errada durante toda a vida.

Por outro lado, a falta de argumentos bíblicos de tais pessoas tem levado-os à falta de domínio próprio e à ira, que são pecados da carne, fazendo com que tais pessoas leiam certas coisas e não entendam, porque a ira cega o entendimento. Por isso, é necessário termos mansidão e temor na nossa exposição da verdade bíblica, como diz 1Pe 3:15.

Diante de tudo isso, acreditamos que é preciso esclarecer mais alguns pontos:

1) Não defendemos que Deus não cura. Cremos que Deus pode curar sim. Mas isso ocorre dentro de Sua vontade e soberania, assim como também pode decidir não curar, dentro de Sua vontade e soberania, da mesma forma;

“E dizia: Aba, Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, e sim o que tu queres” (Mc 14:36).

2) Qualquer pessoa, seja crente ou não, pode adoecer de qualquer tipo de doença. Por exemplo, a incidência de câncer em minha família é grande. Então, provavelmente eu sou propício a ter essa doença no futuro. Contudo, se esse for o caso, deverei continuar adorando, glorificando e honrando ao meu Deus da mesma forma, porque precisamos aprender a viver contentes em toda e qualquer situação. Se uma doença tira a paz e a estabilidade daquele que diz seguir a Cristo, existe algo errado em sua fé. O Jesus Cristo da Bíblia não desestabiliza ninguém por causa de uma doença. Antes disso, o fortalece em meio a tempestade. Devemos lembrar que Cristo não impediu que os apóstolos enfrentassem tempestades, mas estava com eles no barco;

“Mas, se somos atribulados, é para o vosso conforto e salvação; se somos confortados, é também para o vosso conforto, o qual se torna eficaz, suportando vós com paciência os mesmos sofrimentos que nós também padecemos” (2Co 1:6)

3) Devemos adorar o nosso Deus por quem Ele é, e não por aquilo que Ele nos dá. Então, a nossa adoração à Deus e o nosso serviço à Ele devem ser dados de forma incondicional. Aqueles que só querem aceitar de Deus aquilo que lhe agrada e que lhe é conveniente são interesseiros e o seu relacionamento com Cristo não é sincero nem verdadeiro. Devemos lembrar o próprio Jó disse, sobre sua esposa que era uma louca: “Como fala qualquer doida, falas tu; receberemos o bem de Deus, e não receberíamos o mal? Em tudo isto não pecou Jó com os seus lábios” (Jó 2:10). O fato, aqui citado, é que muito embora Satanás tenha afligido a Jó, ele mesmo disse que o mal veio de Deus. Isso mesmo! O mal veio de Deus e a própria Bíblia diz que Jó não pecou por dizer isso. Então é pecado dizer o contrário daquilo que a Bíblia revela. O pecado está em dizer algo que é contrário àquilo que a sagrada Escritura estabelece como verdade;

“E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte. Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo” (2Co 12:7-9)

4) Não podemos esquecer que agradou a Deus “moer” Jesus (Is 53:10); Que Deus é quem faz a ferida e cura, se Ele quiser, e que não há quem escape da mão Dele (Dt 32:39); Que a doença também é um meio que Deus usa para glorificar o Seu Soberano nome, como no caso de Lázaro (Jo 11:4); Que o homem cego, nasceu cego “para que se manifestem nele as obras de Deus” (João 9;2,2);

“Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas estas coisas” (Is 45:7)

5) Não podemos esquecer que em muitos casos Deus não livrou seu povo do sofrimento, dor e aflição, mas esteve com ele em meio a tudo isso. E que por muitas vezes Deus os deixou morrer porque era necessário que assim fosse, a exemplo dos apóstolos. Ainda assim, e diante de tudo isso, Ele continua sendo Deus!;

“Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (Rm 8:18)

Por último, entendemos que a ira dos seguidores do Movimento da Fé contra a verdade bíblica revelada de forma clara e inequívoca se manifesta porque os alicerces de madeira podre de seu palácio de cristal estão sendo abalados. Aquilo que tanto sonhavam alcançar é ameaçado e a única defesa de que não tem respaldo bíblico é a ignorância e brutalidade da violência, nem que esta seja verbal. Mas precisamos nos lembrar que os verdadeiros filhos de Deus devem ter, em si, o fruto do Espírito, a começar pelo verdadeiro amor bíblico que está alicerçado na verdade e passando pelo domínio próprio.


Que façamos como os crentes de Beréia que examinavam “cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (At 17:11).
Pr. Robson T. Fernandes


Intercâmbio feito por Rodrigo Ribeiro

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Hebreus, a Reforma, e o Séc. XXI

Venho meditando há um bom tempo na carta aos Hebreus. E mais uma vez, ao ler as sagradas escrituras vejo que mesmo sendo escrita há tanto tempo atrás, ela ainda nos alcança e traz advertências sérias as nossas práticas hoje. Isso se deve a dois detalhes muitos importantes. O primeiro é que nada é novidade, como já disse o Rei Salomão: “O que foi tornará a ser, o que foi feito se fará novamente; não há nada novo debaixo do sol.” Eclesiastes 1:9. E o segundo é que tudo que nós conhecemos e vemos vai passar, mas a palavra de Deus permanecerá para sempre. Nas palavras do próprio Cristo: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras jamais passarão.” Lucas 21:33. A muitos outros motivos pelos quais a palavra de Deus fala para nós hoje, mas vou me ater a estes dois.

O livro de Hebreus foi escrito cerca de 70 anos após a morte e ressurreição de Cristo. Este período foi marcado por uma terrível perseguição aos Cristãos por parte do império Romano, que não aceitava o Cristianismo como religião, apenas o judaísmo. 

Mediante a este cenário, muitos Cristãos estavam enfraquecendo na fé. Visto que muitos deles não foram testemunhas oculares de Jesus e sua ressurreição. Eles acreditavam nos testemunhos de uma minoria que ainda estava viva.

Os Cristãos estavam abandonando o Cristianismo e voltando as velhas práticas judaicas.

O autor de Hebreus (não se sabe ao certo quem foi) escreveu esta carta, para encorajar os Cristãos a permanecer em Cristo. O apóstolo durante todo seu escrito mostra toda a riqueza da vida e do ministério de Cristo, como sua superioridade a todas as coisas existentes. Ele queria mostrar que Cristo é imensamente superior ao Judaísmo. Nas palavras de Stuart Olyott: “Afastar-se de Cristo é afastar-se de algo imenso para algo menor – muito, muito menor. É afastar-se do ser mais glorioso que há em direção a algo comum. É dar as costas ao esplendor da glória de Deus para andar nas trevas exteriores.”

No período da Idade média (séculos V a IX), a igreja proporcionou o que foi chamado de idade das trevas. Onde a igreja era o estado, e como tal reprimia todo e qualquer desenvolvimento cientifico, intelectual, e artístico, se tais conhecimentos não fossem aprovados pela a instituição chamada igreja católica. Se observarmos as obras artísticas, e cientificas, todas eram relacionadas a questões religiosas. Esse período foi marcado pela forte repressão religiosa da igreja, onde somente o clero poderia interpretar as escrituras, e somente eles tinham acesso a tal.

Essa época foi marcada por fortes distorções doutrinárias, e éticas vindas da própria igreja. Suas convicções eram fundamentadas pela tradição, e as escrituras não tinha sua autoridade dentro da igreja. A instituição se colocava como mediadora entre Deus e os homens. Chegando a vender terrenos no céu (as famosas indulgências.), e colocando o Papa como cabeça da igreja e substituto de Cristo. Qualquer pessoa que se opusesse a tais “verdades” era levada a julgamento pela inquisição, e muitas vezes condenados a morte.

Diante deste cenário Deus levantou grandes homens para batalhar pelas verdades bíblicas, e trazer a verdade à tona. Entre eles estavam Lutero, Calvino, Zwinglio e etc. Estes homens lutaram para romper com os falsos ensinos da igreja católica. Entre os quais eu queria destacar 5 deles, e como o livro de Hebreus os ajudou os reformadores a combaterem tais ensinos:

1. A igreja é a mediadora entre Deus e os homens.

2. A tradição e o papado tem tanta autoridade quanto as escrituras.

3. O Papa é o substituto de Cristo como cabeça da igreja.

4. Padres são sacerdotes a quem devemos nos confessar e ter nossos pecados perdoados.

5. A salvação vem pelo sacrifício de Cristo, mas juntamente com isto tem de vir o dízimo, as penitências e a participação em atividades eclesiásticas. Somente o sacrifico não salva.


No Séc. XXI a principal afronta ao Cristianismo não vem da Igreja católica, visto que tal já foi identificada como herética. E há uma separação entre as igrejas protestante e católica. Mas o maior inimigo, ao meu ver, do cristianismo nos nossos dias é um movimento que vem surgindo dentro das nossas igrejas, o chamado Neopentecostalismo.

Após 496 anos da reforma protestante muita coisa aconteceu dentro das igrejas frutos da reforma. Muitas divisões aconteceram, diferentes denominações surgiram por algumas divergências doutrinárias, mas toleráveis. Visto que por sermos limitados por nossa natureza pecaminosa, nunca chegaremos a unidade de pensamento, pois enquanto não formos redimidos por completo nunca chegaremos a conhecer a verdade de maneira plena.

Mas da década de 80 para cá, um movimento chamado de Neopentecostalismo vem crescendo significativamente no meio protestante. Esta SEITA (como eu gosto de nomeá-la...) traz ensinamentos que ferem em grande parte o que foi defendido pelos reformadores, levando mais uma vez a igreja a práticas muito parecidas com as que praticava na idade das trevas.

Os líderes desse movimento estão muito preocupados com a influência política da igreja, para satisfazerem seus interesses. Montam grandes impérios com o dinheiro que ganham dos fiéis. Com toda sua influência e oratória formam “crentes” a cada dia mais ignorantes em relação as escrituras, botando-as em segundo plano em seus púlpitos e reuniões.

Deste movimento queria destacar 5 pontos em que se assemelha a igreja católica:

1. As igrejas mais uma vez se tornam mediadoras entre Deus e os homens. Grandes líderes detém o poder de curas, milagres e outros tipos de poderes sobrenaturais. E as pessoas que quiserem ter acesso a esses benefícios tem de procurá-los.

2. Com o surgimento de novos “apóstolos”, vem novas revelações diretamente de Deus para esses homens. Que muitas vezes vão de encontro as escrituras sagradas.

3. Esses grandes apóstolos funcionam como os donos da verdade. O que é dito por eles é lei. Não se pode contestá-los pois são “ungidos do Senhor”. E quem vai de encontro a suas ideias são chamados de inimigos da fé. Alguns chegam a amaldiçoar seus perseguidores. (Qualquer semelhança com o papado não é mera coincidência).

4. As indulgências voltam, mas disfarçadas de ofertas, “dízimos”, objetos abençoados e etc. Todas essas coisas são vendidas aos fiéis com a promessa de alcançarem o favor de Deus.

5. Diminuem a figura de Cristo a ponto de colocar em dúvida a sua Divindade.

Agora, tomando como base o livro de Hebreus vou apresentar Biblicamente o quanto essas práticas estão equivocadas:

1. Os capítulos 5, 7 e 8 de Hebreus apontam para Cristo como mediador da nova aliança, apontando para ele como sumo-sacerdote da ordem de Melquisedeque. Que diferente dos sacerdotes comuns, não adentou no santo dos santos, mas sim na presença do próprio Deus nos céus. Sendo desta forma o mediador entre Deus e os homens. Somente nEle temos livre acesso a Deus.

2. O capítulo 1 de Hebreus trata de afirmar a revelação messiânica como sendo a última e superior revelação de Deus para nós. Superior as dos anjos e dos profetas. Sendo Cristo a chave hermenêutica para se interpretar toda a bíblia. E que qualquer revelação diferente da de Cristo deve ser descartada.

3. Porque Cristo precisaria de substituto? A igreja católica age como se Jesus tivesse morrido e continuado morto. E sendo assim precisa que alguém cumpra sua função. Mas a Bíblia afirma que Cristo ressuscitou, e que continua comandando sua igreja, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder. E diz noutro lugar: "Tu és sacerdote PARA SEMPRE, segundo a ordem de Melquisedeque". Hebreus 5:6

4. A bíblia nos diz que cristo é nosso advogado junto ao pai. Que nEle temos perdão de pecados. E que devemos nos confessar a Cristo, pois ele está a direita de Deus intercedendo por nós! (Hebreus 5,6 e 7)

5. A carta aos Hebreus nos ensina claramente que o sacrifício de Cristo foi único e suficiente, para nos redimir. Visto que os sacerdotes faziam sacrifícios uma vez ao ano, para redimir os seus pecados e os do povo. Cristo se ofereceu uma única vez por nós. Sendo ele mesmo entregue em sacrifício. O cordeiro puro, imaculado, unigênito de Deus com sua morte nos garante a vida eterna. (Hebreus 9 e 10).


É evidente o quanto foi importante o estudo do livro de Hebreus para se combater os falsos ensinos da Igreja católica da idade das trevas, e daí surgir o protestantismo, trazendo Cristo de volta pro Cristianismo. E ainda hoje ele serve muito bem para nos alertar sobre os ensinos heréticos atuais. Como se pode observar a muitas semelhanças entre as práticas da igreja anterior a reforma e as que estão sendo resgatadas pelo movimento Neopentecostal atual.

Não há nada de novo. A igreja já combateu esses ensinos uma vez. E por meio desse texto venho convocar a igreja para mais uma vez entrar na guerra pela verdade. Não deixemos Cristo e sua obra mais uma vez serem postos de lado dentro de nossas igrejas. Cristo é o DONO DA IGREJA. E tal só existe por que e Ele a edificou!

Para terminar esse texto deixo o alerta que o Autor de Hebreus fez aos Cristãos da época, que estavam querendo descartar Cristo e voltar ao judaísmo. Que serviu muito bem na reforma, e que serve para hoje, onde Cristo não tem lugar dentro de “nossas” igrejas. Deus requer a glória devida ao seu Filho, e todos nós um dia estaremos diante do Deus vivo para lhe prestar contas!

“Quão mais severo castigo, julgam vocês, merece aquele que pisou aos pés o Filho de Deus, que profanou o sangue da aliança pelo qual ele foi santificado, e insultou o Espírito da graça? Pois conhecemos aquele que disse: "A mim pertence a vingança; eu retribuirei"; e outra vez: "O Senhor julgará o seu povo". Terrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo!” Hebreus 10:29-31



Guilherme Barros

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Meu Protesto!

No dia 31 de outubro do ano em curso, completaremos 496 anos da reforma protestante. Evento este que foi o divisor de águas para a Igreja do Senhor. Pensar no legado que este movimento espiritual (ponto áureo) nos deixou, e analisar a atual realidade em que se encontram os “protestantes” do nosso tempo, é de lamentar profundamente diante do descaso que alguns cristãos expressam renegando a sua história, doutrina e confissão de fé que nortearam os fiéis no passado, tem sido o diferencial para os remanescentes no presente e de fato, nos conduzirá em triunfo até o dia de Cristo. É a partir deste fato inquestionável, que como jovem pastor, amante das Escrituras, expresso o meu protesto diante desse teatro em que se encontra o evangelho no Brasil:

1.            Protesto contra a indiferença dos evangélicos nas discussões de âmbitos sociais, políticos e econômicos de nosso país.

2.            Protesto contra muitas igrejas que na tentativa de desenvolverem um trabalho social relevante e por não terem uma leitura mais densa das Escrituras, acabam se tornando ONGREJAS. 

3.            Protesto contra a superficialidade de boa parte dos autodenominados evangélicos, a ausência do conhecimento de Deus pelo método indelével da pregação, é um fato que nos assusta! 

4.            Protesto contra os púlpitos vendidos à psicologizações, teorias freudianas, mensagens de auto-ajuda, uma leitura a partir de outras lentes, e não da própria Escritura.

5.            Protesto contra a pobreza musical e poética dos evangélicos brasileiros. Torna-se um árduo trabalho selecionar algo de bom para se ouvir. São centenas de canções centradas num antropocentrismo exacerbado.

6.            Protesto contra a enxurrada de músicas evangélicas que não dizem nada e, portanto, não acrescentam nada à vida cristã.  Canta-se muito, mas não há pedagogia, pois essas “letras” não refletem a beleza do Rei expressa em Sua Palavra.

7.            Protesto contra o comércio em que se tornou a fé evangélica. O cristianismo do Senhor que não tinha onde reclinar a cabeça se tornou a mina de ouro e fonte de poder dos já magnatas evangélicos e moeda de troca das camadas de baixo da comunidade evangélica.

8.            Protesto contra os pastores da mídia e artistas evangélicos que estão enriquecendo as custas do povo brasileiro já tão sofrido. Alguns deles cobram fortunas para exercerem seus “ministérios” em outras igrejas e para suas apresentações. Isso é ministério? Não para Paulo (cf. 1 Co 9.18).

9.            Protesto contra a desonestidade de liberais que não pregam em suas igrejas o que ensinam na academia. Fazem isso ou por medo de perderem o emprego ou por saberem que a teologia que lecionam mataria sua igreja.

10.          Protesto contra a enxurrada de novos seminários teológicos que são abertos com fins unicamente lucrativos. Eles exigem o mínimo dos alunos e têm muito pouco a oferecer a nível acadêmico. São meios de se conseguir um diploma fácil com uma carga horária diminuta. O resultado disso, são pastores e professores de teologia despreparados. “Teólogos” de cabeças ocas devidamente reconhecidos pelo MEC
.
11.          Protesto contra as igrejas que “matam” seus pastores sobrecarregando-os de atividades e desviando-os de seu chamado à Palavra e à Oração.

12.          Protesto contra os pastores que “matam” suas igrejas privando-as de uma pregação expositiva fiel às Escrituras e de um pastorado regado a oração e amor. Elas morrem de inanição espiritual.

13.          Protesto contra o descaso de algumas denominações históricas que abandonam suas confissões de fé em nome do famigerado pragmatismo.

14.          Protesto contra muitos pastores de igrejas confessionais que se mostram desonestos absorvendo e desenvolvendo em seus ministérios práticas oriundas de denominações de linha pentecostal e neo-pentecostal. Seria muito melhor que saíssem, ou fundassem sua própria denominação do que pertencer a uma igreja confessional e na prática não subscrever a sua doutrina.

15.          Protesto contra a frouxidão doutrinária do evangelicalismo brasileiro.  Em muitas realidades, se “prega” tudo, menos a Palavra de Deus.

16.          Protesto contra a ignorância dos denominados evangélicos frente o legado da Reforma Protestante do séc. XVI. O reflexo disto dentre outras coisas é a reprodução de alguns erros de ordem moral, litúrgica, doutrinária e etc, que foram cometidos no passado tudo por falta de conhecimento.

17.          Protesto contra boa leva de cristãos que se autoproclamam reformados, mas sua ortodoxia não reverbera num ortopraxia. Não evangelizam, não se envolvem com a obra missionária, não desenvolvem atividades de caráter social, são turrões, briguentos.  Alguns limitam-se apenas a discutir teologia nas redes sociais criando desta forma uma verdadeira ojeriza para com aqueles que não conhecem a fé reformada.

18.          Protesto contra a falta de santidade daqueles que proclamam em alto e bom som sua fé em Jesus. Alguém precisa informar que uma das ordens do Senhor para o Seu povo é a santidade (cf. 1 Pe 1:16; Hb 12:4).

19.          Protesto contra o abandono de uma cosmovisão que abarque a compreensão da fé em todas as áreas de nossa existência isto inclui tudo: educação, medicina, artes, política, ciência, questões contemporâneas, ética, e tudo mais.

20.          Protesto contra meus próprios pecados. Não me conformo em ser como sou. Mas, sou o que sou, pela graça de Deus.

Pr. José Rafael

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A Cosmovisão Romanista dos Evangélicos Brasileiros

Introdução

É inverno na cidade chamada “Evangélicus City”. Inverno pesado, como nunca se viu antes. Dias muito sombrios, em que a neve passa dos joelhos e o vento, de tão gélido, adormece o juízo dos habitantes. As noites estão recheadas de horas intermináveis e que parecem passar duas vezes mais lentamente, intensificando ainda mais a sensação de dor nos ossos por causa do frio!

Na frente das lareiras das casas da “Evangélicus City” os moradores conversam e muitas considerações surgem sobre a situação em que vivem. Dentre elas, algumas se destacam e outras logo são descartadas. A pergunta que gerou essas considerações foi: como podemos ter sucesso diante das limitações climáticas impostas pela região em que “Evangélicus City” está fixada? Pergunta obvia e que trouxe respostas interessantes.

Pela óptica de alguns moradores de “Evangélicus City”, seria buscar, por meio de estudos em fontes confiáveis, o desenvolvimento tecnológico de ponta para oferecer melhor qualidade de vida, melhorando os pontos fortes e corrigindo os fracos na educação, captar recursos financeiros fora da cidade, descobrir recursos naturais, desenvolver o turismo, construir boa infraestrutura e outras tantas iniciativas. Por outro lado, um grupo de moradores propunha uma forma de atrair o sol e ponderavam que era necessário estar mais perto da linha do equador. Outro grupo propunha a feitura de uma grande fornalha, com metragem apocalíptica, a fim de diminuir a quantidade de neve e frio.

Essas duas últimas respostas ou propostas foram as mais aceitas por serem exequíveis. No entanto, a primeira proposta seria inexequível!

O sucesso almejado pelos habitantes de “Evangélicus City” é comovente, expressa um desejo de fazer dar certo e, munidos de boa intenção, batalhavam pela vida bem sucedida numa região inóspita do planeta. Diante dessa ficção ficamos com a clara sensação de estarmos diante dos tão temidos equívocos bem intencionados. A boa intenção nesse período de individualismo ou absolutização do subjetivo gera uma gama de seres humanos ensimesmados e mimados, com erros óbvios de análise, de resposta e praticabilidade. Faltou aos cidadãos de “Evangélicus City”, em sua maioria, uma visão correta, uma análise realista, uma resposta adequada e uma prática sadia por um simples motivo, havia uma amorosa boa intenção, todavia a boa intenção não basta. Faltou-lhes entendimento, referencial correta.

Notando as respostas propostas e as que foram mais aceitas, e tidas como exequíveis, obviamente há um caso de acefalia coletiva. Classificaria tais soluções como desesperadoras e desacreditadoras da raça humana. Parece o absurdo dos absurdos propor atrair mais sol, mais proximidade da linha do equador ou criar uma fornalha gigante em proporções apocalípticas. Ainda mais boquiaberto fico diante da inépcia dos que preferiram essas propostas em detrimento da primeira. Os asnos ficariam envergonhados!

Perguntas que não podem ficar sem resposta.

Por que, então, não contraímos a vergonha congênita dos asnos, que estão corados de vergonha, diante da situação do evangelicalismo brasileiro, que mais parece uma cosmovisão romanista do que bíblico-reformada? 

Onde, portanto, se revela o caminho de cegueira espiritual de grupos religiosos que não têm seguido o Evangelho, ainda que pensem estar? Onde estão as fontes de nossas considerações e ponderações como igreja? Será que não estamos fazendo as mesmas coisas que os cidadãos da “Evangélicus City”?

Algumas considerações se fazem necessárias para propor uma resposta:

1. A grande anciã por papado.

O Papa Francisco I esteve no Brasil e desferiu uma série de pronunciamentos ao povo brasileiro. Ele também deixou, por meio de suas atitudes, vários discursos que propõem claramente uma teologia esquerdista. O que poucos observaram em seus discursos foi a ausência de Bíblia – chegava a ser um silencia ensurdecedor! Ele não abriu a Bíblia e expôs um texto uma única vez! Muito se falou sobre sua humildade, sua abstinência de bens materiais e o quanto se mostrou identificado com o povo brasileiro, inclusive conquistando muitos seguidores evangélicos. No entanto, justamente por causa de nossa cosmovisão ou paixonite romanista, não obversamos que é justamente essa instituição que se levanta contra Cristo há séculos.

O Papa, segundo a teologia católica, é infalível quando defini, de acordo com o seu ministério, a fé e a prática do cristianismo. Nós cremos, há muitos séculos, que somente a Bíblia deveria ser autoridade infalível na igreja e que somente a Bíblia poderia determinar fé e moral aos Cristãos. O sexto parágrafo do capítulo 25 da Confissão de fé de Westminster nos ensina: “Não há outro Cabeça da Igreja senão o Senhor Jesus Cristo. Em sentido algum pode ser o papa de Roma o seu cabeça, senão que ele é aquele anticristo, aquele homem do pecado e filho da perdição que se exalta na Igreja de Cristo e contra tudo o que se chama Deus”.

A autoridade de um ministro só é legítima quando está submissa à Palavra, segundo a genuína doutrina dos apóstolos que tem sido transmitida ao logo dos séculos. Nas igrejas reformadas a Palavra não é de particular interpretação. Em seus pontos cardinais, é elucidada pelos credos e confissões produzidos pela Igreja Cristã ao longo dos séculos. Isso quer dizer que em dois pontos divergimos essencialmente dos papistas: primeiro, não aceitamos a autoridade de um homem sobre todos os cristãos de forma infalível e, segundo, não aceitamos a autoridade de um homem sobre todos os cristãos dando ordenações sobre a fé e a moral dos mesmos.

O evangelicalismo tem produzido bispos, apóstolos, paipostolos, patriarcas, semiarcanjos e pastores que estão extrapolando até mesmo o papado. Esses homens são dominadores de suas igrejas. Eles controlam de forma absoluta, e nem mesmo os papas mais terríveis da história, puderam alcançar tal poder. Obversando o texto da Confissão, a conclusão é clara: esses tais pastores, bispos ou patriarcas, os nossos Papas, usurpam pela exaltação de si mesmo e pela substituição de Cristo por eles, o lugar de Jesus Cristo na igreja - isto é, eles também têm o espírito do anticristo (1Jo 2: 18 e 22). E como se não bastasse, massas inteiras de frequentadores de igreja, seguem, sem notar ou se incomodar, tais líderes. O pior não é isso, o pior é que o fazem em detrimento de Jesus Cristo!

2. O culto idolatra.

O segundo mandamento tem sido esquecido por muitas igrejas no Brasil. Jesus, Deus ou o Espírito Santo estão sendo tocados, cheirados, mentalizados e ensinados por meio de uma imagem criada pela nossa imaginação – seja materializada ou simplesmente imaginada. A pergunta 109 do Catecismo Maior de Westminster nos ensina: “Quais são os pecados proibidos no segundo mandamento? Os pecados proibidos no segundo mandamento são - o estabelecer, aconselhar, mandar, usar e aprovar de qualquer maneira qualquer culto religioso não instituído por Deus; o fazer qualquer imagem de Deus, de todas e qualquer das três pessoas, quer interiormente no espírito, quer exteriormente em qualquer forma de imagem ou semelhança de criatura alguma; toda a adoração dela, ou de Deus nela ou por meio dela; o fazer qualquer imagem de deuses imaginários e todo o culto ou serviço a eles pertencentes; todas as invenções supersticiosas, corrompendo oculto de Deus, acrescentando ou tirando dele, quer sejam inventadas e adotadas por nós, quer recebidas por tradição de outros, embora sob o título de antiguidade, de costume, de devoção, de boa intenção, ou por qualquer outro pretexto; a simonia, o sacrilégio; toda a negligência, desprezo, impedimento e oposição ao culto e ordenanças que Deus instituiu.”

Fica cada vez mais difícil participar de um culto onde se adore a Deus, mediado por Jesus Cristo, ensinado pelo Espírito Santo, pela fé. Estamos sendo ensinados pelas músicas e pregações a tocar, sentir, cheirar, existencializar, experimentar ou provar. E mais um ingrediente que se soma a isso, pois em nossas músicas litúrgicas, Deus não tem sido mencionado fora de nossas experiências. Normalmente, fala-se de Deus quando Ele nos toca, nos molda e nos fortalece a prosperar! Raramente cantamos os atributos de Deus. Atipicamente cantamos o que Deus fez pela coletividade. Tem estado fora de questão cantar na primeira pessoa do plural. Os cultos públicos são cada vez mais expressões de uma invencionice humana, escrava do novo ou do tradicionalismo e cheios de coisas atrativas aos homens. Os lugares de culto pelo Brasil estão cada vez mais cheios de pessoas que não sabem o que fazer diante de Deus e usam suas boas e sinceras intenções para adorar a Deus; o pior é que isso não basta!

A verdade é que cultuamos numa situação, hoje, bem pior do que a dos católicos romanos! Eles cantam a Deus, a Jesus, ao Espírito Santo e à Maria e outros santos. Nesses cânticos, normalmente, se fala do que é elogiável nesses personagens. Eles estão adorando o que está fora deles. Os chamados evangélicos no Brasil têm adorado a si mesmos de forma descarada, sem vergonha alguma, sem pudor e discernimento.

3. A esperança.

Esse é um diferencial do Evangelho de Jesus Cristo. Há vivida confiança na esperança de vida eterna (At 24: 14-15; Rm 5: 5; 8: 24-25; 1Co 15: 19). Hoje, quando fazemos uma pesquisa entre os evangélicos no Brasil, descobrimos que a maioria não sabe se será realmente salvo da condenação eterna ou não sabe o porquê será salvo da infernal condição de condenado (Hb 10: 23).

Ora, a teologia católica é justamente essa. Para eles ninguém pode dizer convictamente que será salvo da condenação eterna. E os evangélicos têm crido similarmente e tem exposto isso de quatro formas: 1. Crendo e ensinando sobre o Evangelho de forma muito deficiente ou errada. 2. Vivendo de forma indigna o Evangelho e por isso leviana; e mesmo assim se publicando conhecedor do Evangelho. 3. Se declarando não convicto da esperança de vida eterna. 4. Dizendo que está em busca dessa convicção por meio das obras da lei evangélica no Brasil.

Quando ligamos nossas TV’s e rádios logo observamos que o Evangelho Bíblico não tem sido pregado! Há raras exceções! Bastava ouvir uma única exposição das Escrituras e depois comparar com o conteúdo e forma de apresentação das demais para chegarmos a essa conclusão. Esses tais pastores, cantores, cantoras e pastoras estão se comportando como falsos profetas, mestres e guias. O que mais chama atenção é ver que, em detrimento da verdade, o ibope dessas pessoas no meio evangélico é altíssimo! Desfrutam de grande fama! O conteúdo do que ensinam, de longe passa pelas Escrituras e mesmo assim são ovacionados pela nossa inclinação papista, idolatra e, por fim, desapegada da verdade!

E é aqui que está a razão das duas outras observações feitas acima. Ora, como esse povo poderá reconhecer verdadeiros pregadores, pastores, presbíteros ou diáconos se eles não conhecem o Evangelho? Ora, será que foram convertidos?  Como conhecerão o Evangelho e se converterão dos seus maus caminhos, se a eles não foi pregada a Palavra de Cristo (Rm 10: 13-17)? Sabemos que essas coisas que se discernem espiritualmente (1Co 1: 18; 2: 14; 2Co 4: 3-6), não conhecidas e cridas pela força ou engenhosidade humana. É o Espírito com a Palavra que convence o homem! A doutrina, assim, de nosso Senhor Jesus Cristo, precisa ser pregada para que exista fé verdadeira e havendo fé verdadeira se conhecerá e se prestará culto verdadeiro. Para se prestar culto verdadeiro é necessário, indispensável, essencial que se conheça o Evangelho, pois sem ser salvo não se pode prestar culto aceitável a Deus.

O que tem a esperança de herdar a vida eterna não se deixará levar por muito tempo por essas coisas que têm constituído as pregações, os ensinos e sido instrumento de motivação, crescimento e conformação de muitas igrejas.

 As respostas

Parece que vivemos um dos momentos mais frios espiritualmente de nossa história como Igreja Neotestamentária. Ainda que se propale que este é o momento de maior avivamento da história e ele acontece aqui no Brasil, os sinais, no entanto, depõem no sentido oposto se interpretados pela óptica das Escrituras. 

Normalmente, muitos falam mal da Idade Média e em muitos casos sem discernimento, pois a nossa geração está numa condição muito pior. Vejamos se não: no final da Idade Média foi criado o dogma da indulgência e com ele se oferecia a oportunidade de abrandamento ou até mesmo a total exclusão de qualquer castigo intermediário entre o céu e o inferno – o purgatório. Trocando em miúdos, isso quer dizer que as pessoas compravam perdão e assim a possibilidade de estar com Deus. Essa pregação certamente não faria sucesso em nossos dias e entendo que não seria pelo motivo que temos em mente. A pregação que tem funcionado é aquela que ensina os crentes a determinar bênçãos para as situações do agora e não a respeito de coisas do por vir. Esse tipo de pregação tem feito um sucesso que até os mais carrascos inquisidores e vendedores de indulgências se sentiriam envergonhados.

Logo, é evidente por meio deste único e simples exemplo que não vivemos um avivamento. O evangelho ensinado e que está em voga ou desfrutando de muita aceitação não é o Evangelho! Essencialmente a negação do Evangelho na Idade Média e a rejeição ao Evangelho de Jesus Cristo hoje é a mesma, mesmíssima! Todavia, há diferenças que assombram, pois, mais do que nunca, estamos a observar a desenfreada opção por coisas ainda mais descaradamente ímpias e infernais. Mais do que em outros momentos, desfrutamos do infortúnio de presenciar multidões “evangélicas” optando pela opção de negar o Evangelho – a verdadeira forma de prosperar enquanto pessoa e também na condição de grupo.

Os nossos antepassados ouviram dos apóstolos, os mesmos transmitiram a homens fieis e esses homens com muito esforço e sangue passaram às gerações a sã doutrina. Hoje uma geração inteira se julga mais bíblica, mais sábia, mais justa e mais humilde do que as anteriores e estão propõe reinventar a roda. Pregam como novidade e ensinam como vanguarda, contudo, não passa de heresia velha sob título novo e linguagem desconstrucionista.

Sim, sim, invariavelmente sim. Infelizmente sim, é isso mesmo! Nós estamos fazendo a escolha absurda, estúpida, desqualificadora, abestalhadora, emburrecedora ou amalucada mesmo, pela solução ou pelo caminho que nos leva a ruína. Se depender dos caminhos que temos trilhado enquanto igreja evangélica brasileira, fatalmente pereceremos.

Entendo que a Igreja de Jesus Cristo jamais acabará, perecerá, será estúpida a esse ponto de escolher o autoenforcamento. No entanto, igrejas locais, que durante gerações, até, clamaram genuinamente pelo nome do Senhor podem definitivamente colher o que plantaram e assim serem rejeitadas pelo Senhor Jesus. É certo que se o Cabeça da Igreja sempre terá um povo que chamará pelo seu precioso nome. É certo também que o Cabeça da Igreja não precisa de qualquer porção de seres humanos para que sua obra continue a alcançar povos, nações, etnias e línguas de sobre a face da terra. Aos eleitos, dentre todos os povos, Deus suscitará herança.

Portanto, assim como as igrejas do passado, que presentemente não existem mais, tal como a igreja de Eféso, na Ásia Menor, plantada pelo apóstolo Paulo no primeiro século da era cristã, pastoreada por ele por mais de dois anos, que posteriormente foi pastoreada por Timóteo, que recebeu três cartas do apóstolo Paulo (Efésios, 1Timóteo e 2Timóteo), que entre os seus presbíteros pode-se contar com a presença do apóstolo João e que depois, por fim, recebeu uma carta do Senhor dos candeeiros dizendo que os membros daquela igreja deveriam voltar ao primeiro amor, pois se não fosse assim removeria o candeeiro, ou seja, a igreja deixaria de existe ali (Ap 2: 5), hoje as igrejas locais, de uma região ou até mesmo de um país podem degringolar na fé e finalmente fechar as suas portas – abraçando outra fé. A região da Turquia é principalmente mulçumana hoje em dia, no passado era principalmente cristã.

Conclusão

A boa intencionada busca pelo crescimento, sucesso e proclamação das atividades da igreja ao mundo tem proporcionado um emaranhado de confusões. A igreja passou a existir por causa de Cristo e em Cristo ela deve viver. Sua diretriz deve ser buscada em Cristo e não se pode almejar tal direção a partir de mentes e corações comprometidos e apaixonados por coisas não bíblicas ou que não partem de pressupostos bíblicos.

Precisamos de um retorno às Escrituras, à oração, ao arrependimento, ao compromisso com a Igreja de Jesus Cristo e com o próprio Cristo Jesus da Igreja. As igrejas locais estão revelando uma cosmovisão romanista quando estão planejando, almejando, “sonhando com o futuro da igreja”, propondo soluções aos problemas e na prática revelando o que creem. A começar pelas nossas crenças, se estendendo em nossos métodos e findando em nossas práticas, temos ultrapassado o catolicismo romano medieval em muitos pontos.

Isso se deve em primeiro lugar à nossa paixão em comum pela autonomia, depois à nossa abstinência de doutrina bíblica, à nossa escassez de compromisso com a oração, ao ardoroso comprometimento com os enfadonhos cultos tradicionalistas ou devoção aos cultos cheios de invencionismo que mascara, assim como o tradicionalismo, a nossa impiedade, a nossa permeabilidade a santidade, a nossa estúpida teimosia em insistir querendo viver por nós mesmo, por nossos motivos. Voltemos ao Evangelho!

Três conselhos fundamentais e que certamente nos ajudam a “espantar” a cosmovisão romanista que assola o evangelicalismo brasileiro:

1.      Precisamos conhecer mais o Senhor Deus Eterno. Conhecê-lo em Seu Filho e guiados pelo Espírito Santo. O Espírito conduz a Cristo pela Palavra. Cristo conduz a Deus e o Pai testifica do Filho. Precisamos os conhecer.

2.      Precisamos conhecer a nós mesmos. E é na medida em que conhecemos a Deus, que nos conhecemos de verdade, de fato, de direito, apropriadamente – redentivamente. Quando conhecemos a nós mesmo, passamos também a perceber ainda mais a grande diferença entre nós e Deus, proporcionando, assim, mais conhecimento de Deus, que promove ainda mais conhecimento de nós mesmo. É um ciclo retroalimentado pela justiça de Cristo.

3.      Precisamos conhecer a Palavra, participar dos sacramentos corretamente, endossar com santo temor a disciplina eclesiástica e nos dedicar a oração. Viver como Igreja de Jesus Cristo e não como igreja local. Viver como igreja local só é legítima quando se é Igreja de Jesus Cristo. O culto precisa voltar a ser Cristocêntrico! Precisa voltar a ser Teocêntrico! Precisa voltar a ser Espiritocêntrico! Como eles nos ensinaram.

Deus nos abençoe com entendimento e discernimento. Lembrando sempre: O princípio da sabedoria é o temor ao Senhor.

Abraço fraterno,

Rev. Renan de Oliveira

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A JMJ e o Evangelho da Marcha Ré

Não há como negar ‘o papa é pop’ e não somente entre os católicos apostólicos romanos, mas dentre muitos outros, adeptos das mais diversas religiões. Mesmo que ‘o pop não poupe ninguém’, as manifestações contra a visita do bispo de Roma em nada ofuscaram a sua presença e participação ilustre na JMJ (Jornada Mundial da Juventude), na cidade do Rio de Janeiro.

Com o lema “Ide e fazei discípulos entre todas as nações” (Mt 28:19), a JMJ se diz como “mais que um encontro que reúne milhares ou mesmo milhões de jovens, a Jornada Mundial da Juventude dá testemunho de uma Igreja viva e em constante renovação.”, uma pequena mostra de que a ICAR realmente está preocupada com o avanço das outras religiões mundo a fora e em especial aqui no Brasil. O destaque é para o protestantismo que cresceu 61% entre 1990 e 2010, porém há uma diluição dos membros da ICAR em outros credos, como o espiritismo Kardecista (2%) e o ateísmo ou agnosticismo (8%). E nesse sentido, vemos que a música da vez é o tango, já que o estilo alemão de dançar foi ‘obrigado’ a renunciar e o baile polonês não durou pra sempre, embora tenha começado tudo isto.

Algo que ICAR retomou a pouco, com João Paulo II, o intuito do evento no Rio de Janeiro, foi a evangelização. Contraditoriamente em um país de maioria católica este ato se faz necessário pelos motivos de perca de membros. E como disse um amigo meu “o marketing do Vaticano é muito bom”, pois soube realmente quem colocar no pontificado para dançar conforme a música do momento, pois como bem sabemos a expressa humildade de Francisco é atraente até para os evangélicos que possuem líderes mais soberbos do que qualquer ímpio que não conhece a Cristo. Aí ficou fácil até demais agradar, porque se por um lado ‘sobra dinheiro’ ao segmento neopentecostal, falta humildade em todos os sentidos e no sentido mas amplo da palavra. Lembremos também que todo esse investimento de renovação também se expande a música, o argumento é o mesmo, ficou fácil com o cenário musica gospel do “agora é só vitória” em contraste com "tudo é do Pai".

Contudo a 28ª JMJ passou, mas alguns de seus objetivos foram cumpridos. Ao contrário do emocionalismo contido nos breves e raros momentos que algum evento protestante trouxe algo de mais chamativo, a religião romana conseguiu atrair para si a ideia de que juntamente com ela, as outra religiões podem juntamente coexistir sem divergir. E mais, podem até compactuar da visão una de que Cristo realmente morreu por todos, já que o seu amor é imensamente maior do que sua justiça e ira. Infelizmente, a teologia burra do quantitativo (e não qualitativo) evangelicalismo atual do Brasil é criança demais para comer da solidez da palavra e entender, às claras, que o catolicismo está demasiadamente distante do que Cristo realmente ensina a Palavra. A JMJ e a visita do Papa ao Brasil fizeram mais estrago ao protestantismo do que uma simples admiração cega a uma falsa humildade marqueteira. A afinidade de alguns líderes ou simples membros, ditos cristãos, com o papa é entendível: ambos estão mais preocupados com a quantidade de membros e sua hegemonia do que com a mensagem do evangelho de forma que a nova onda de ecumenismo juntou a fé e a vergonha quando a simples afirmação "somos todos irmãos" foi proferida. Em última análise, estamos voltando ao tradicionalismo onde a religião realmente não faz diferença.


“Você pode ter sido batizado na igreja, criado na igreja, servido na igreja. Pode ser que tenha se casado na igreja, morrido na igreja, ter sido velado na igreja e ainda assim acordar no inferno caso esteja meramente na igreja e não em Cristo” (Mark Driscoll) . Estar em Cristo é uma necessidade impar e transcende qualquer religião, mas não é possível ter fé se você não está em uma religião que te faça ouvir as verdadeiras palavras da fé dos evangelhos como afirma o verdadeiro apóstolo de Jesus, Paulo de Tarso, em Romanos 10.17, ponto. 

Felipe Medeiros
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