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terça-feira, 22 de outubro de 2013

Enquanto Escondi meus Pecados os meus Ossos Secaram

O reformador Lutero certa vez disse: “Eu tenho mais medo do meu coração do que da igreja católica, do papa e seus cardeais”. Lutero debruçou-se a enxergar a escuridão dos seus pecados, via no seu coração as marcas da depravação humana, se por ora ele combatia os ensinamentos heréticos da igreja por outro se penitenciava a enxergar que a maior luta que ele tinha era contra ele mesmo, contra os pecados que sorrateiramente o tentava dominar.

Davi era prova disso, em um dos mais belos salmos Davi retrata a profundidade do pecado que outrora cometera, o Salmo 51 tem por título: confissão e arrependimento. De forma sincera Davi diz: “Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe”, já não se tratava apenas de um pecado específico mais de uma profunda analise da sua natureza.

A história de Davi, a qual se refere o salmo, encontra-se em 2Samuel 11 e 12, onde são narradas as atitudes de Davi como pecados singulares em sua vida. Esses capítulos mostram uma sequência drástica de pecados cada vez piores que começam com a cobiça da mulher de um amigo, seguido pelo adultério ao tomá-la em seu leito, e a história segue com um homicídio premeditado onde retrata em 2 Samuel 11:15 “Escreveu na carta, dizendo: Ponde a Urias na frente da maior força da peleja; e retirai-vos de detrás dele, para que seja ferido e morra.”

O Salmo 51 é um dos sete salmos penitenciais (6, 32, 38, 51, 102, 130, 143). Davi após ter sido alertado do seu pecado, 2 Samuel 12:1-9, tem um profundo arrependimento. Os versículos 3, 4, 9 indica que Davi estava consciente do pecado especifico que havia cometido, mas chegara mais longe ao dizer que não só pelos motivos expostos, mas o pecado em (lato sensu) estava encardido em sua natureza. O versículos 11 a de se orientar que Davi ao dizer que “não retires de mim o teu Espírito Santo” estava a falar sobre a unção e a dádiva do espírito santo que havia recebido como rei e não sobre a presença do espírito santo que habitava nele, ele pede que não retire dele o reino como havia acontecido com Saul.

Davi foi um homem segundo o coração de Deus (Atos 13:22) não por pouco, no verso 13 Davi diz que se perdoado e com alegria restaurada, o salmista ajudaria os outros pecadores a encontrar perdão também, nos versos 18 e 19 Ele demonstrava cuidados com o povo ao qual o senhor o colocou como sendo rei. Clama para que com a comunhão restaurada tenha as bênçãos sobre Sião e Jerusalém reestabelecida.

Sem dúvida Davi nos traz preciosas lições, a forma em que Ele faz uma análise do seu coração, dos seus pecados, a sua sinceridade é ponto marcante e ele sabia que somente sendo sincero conseguiria perdão para os seus pecados.

Os cristãos de hoje tem deixado de lado práticas como confissão de pecados, suas vidas parecem corretas, seus pecados são encoberto pelo um fino manto de incredulidade, negam o sacrifício de Cristo na remissão de pecados e ornamentam suas vidas de finos panos manchados pelo pecado que está por baixo.

Meus queridos irmãos, será que esquecemos de onde fomos regatados, porque caminhamos a passos largos novamente para prisão? Porque somos velozes em querer colocar algemas novamente em nossas mãos, andamos novamente para o buraco onde éramos escravos e bebíamos doses amargas de veneno da serpente?

Reflita com sinceridade, gaste horas com Cristo orando e intercedendo pelos pecados que tens ainda relutado em abandonar. Você está sobre a presença de um Deus santo e não mais desgarrados como uma vez já esteve.

Que Deus nos conceda a graça de estar sempre pondo nosso coração à prova, clamando para que Ele encontre em nós servos irrepreensíveis, santos, dignos de dizer que somos seus filhos.
Ei de me alegrar na benignidade desse Deus, porque sei que dele vem a perdão de pecados.


Walber Arruda

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O que significa ser concebido em pecado? Com a Palavra, Steven Lawson


“Contra ti, contra ti, pequei e fiz o que tu reprovas, de modo que justa é a tua sentença e tens razão em condenar-me. Sei que sou pecador desde que nasci, desde que me concebeu minha mãe.” Salmo 51.4-5

Aqui Davi fez um exato diagnóstico do problema do coração humano, a saber: desde o momento da concepção, todas as pessoas possuem uma natureza ímpia, que busca e pratica iniquidade. Ninguém nasce num estado de neutralidade moral. Ao contrário, todos nascem em pecado e vivem em pecado, como o porco na lama, enquanto não nascem de novo. J. J. Stewart comenta: “Agora o pecado é considerado em sua origem. Deus o meu primitivo ser, desde a hora em que fui concebido, o pecado tem estado comigo. A pecaminosidade consiste não meramente em tantos ou quantos atos pecaminosos, mas numa natureza pecaminosa e corrupta”. João Calvino acrescenta:

“Somos mimados no pecado desde primeiro momento em que estamos no ventre materno [...] A passagem nos propicia um notável testemunho em prova do pecado original vinculado por Adão a toda a família humana. [...] Tanto nesse lugar como em outros, a Bíblia assevera claramente que nascemos em pecado, e que ele era uma agressor desde quando viu a luz do mundo. [...] Adão, em sua queda, foi despojado da retidão original, sua razão foi enebrecida, sua vontade oi pervertida, e [...] sendo reduzido a este estado de corrupção, ele trouxe filhos ao mundo semelhantes a ele no caráter. [...] Quando ele caiu, todos nós fomos privados com ele de nossa integridade original.”

            Todos os bebês nascem com uma natureza radicalmente corrupta, que afeta toda a parte interna. Em consequência, o homem peca muitas vezes contra outros homens, mas todo pecado é, em última instância, contra Deus.
           
LAWSON, Steven. J. In: Fundamentos da Graça: longa linha de vultos piedosos, volume I. Traduzido por Odayr Olivetti.  São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 2012. Capítulo 5: Monarcas se inclinam diante do Deus soberano, pp. 201-202.

Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd


terça-feira, 2 de outubro de 2012

A última oração de Davi


Davi foi, sem sombra de dúvidas, um dos personagens mais importantes e controversos da história judaico-cristã. Suas façanhas nos conduzem facilmente da mais extrema admiração, até o mais alto nível de decepção. Este mesmo personagem transitou entre os sublimes momentos de fé, de adoração sincera, arrependimento genuíno, e esplendor poético nos salmos, mas também se encontrou em lugares deploráveis, executando pecados inomináveis e terríveis.

Variadas são as lições que pudemos tirar da vida deste servo de Deus, desde a inclinação que devemos ter em contemplar e louvar Deus com toda nossa capacidade artística, como de fato ele fez, assim como podemos aprender a ter fé em Deus, e enfrentar todos os obstáculos visíveis movidos pelo firme propósito de glorificar o Seu nome, como ocorreu no episódio de seu confronto com o Golias. Mas também devemos refletir bastante nos erros deste homem, pois nos mostra a capacidade destrutiva que habita dentro de nós, o pecado, e também nos ensina a respeito da importância do arrependimento sincero, e principalmente, a inestimável misericórdia de nosso Deus, que perdoa as nossas transgressões de forma graciosa.

Mas, o momento especial que gostaria de refletir neste instante é exatamente o final do reinado de Davi, quando este indica seu filho Salomão como seu sucessor, transfere a este a responsabilidade de erguer o templo e oferece uma parte de seus bens como oferta para construção do mesmo, fazendo assim com que muitos outros agissem da mesma forma, de forma deliberada e voluntária. Tal redundou em um momento impar de celebração e festa.

Depois desta oferta, Davi orou a Deus, e os termos da oração dele nos revelam o saldo da história vivida por este homem (I Crônicas 29. 10-20). Ele destaca a grandeza de Deus, que tudo governa, e ressalta que toda a honra, o poder, a glória e a riqueza vêm Dele. Reconhece a condição do povo diante de tão grande Deus, afirmando assim que Ele não precisa de nada, mesmo assim aceita de bom grado as ofertas de seu povo. Mas ressalta também que Deus esquadrinha os corações e sabe a intenção de cada, só se satisfazendo naqueles que contribuem com genuína alegria. No fim da oração, antes de conclamar que todos se curvem e adore a Deus, ele pede ao mesmo que faça com que o coração do povo e do novo rei seja inclinado a servir a Deus.

Nesta breve oração podemos detectar aquilo que Deus construiu com o tempo e com dolorosas e valiosas lições na vida de Davi: Acima de qualquer trono ou governo, existe um Deus grandioso que tudo controla para sua glória. Ele não depende de nós, mas se alegra quando nos doamos a ele, entregamos nossas vidas como oferta. Esse Deus conhece nossos corações, não podemos enganá-los. E tão grande soberania significa que até mesmo o desejo de amá-lo e obedecê-lo vêm Dele. Este foi o último ato público de Davi com rei de Israel, e sua última oração registrada nas Escrituras Sagradas. Este é o fim do relato da vida terrena de Davi.

Que possamos ser agraciados com tão precioso conhecimento, e que todas as situações de nossa vida nos conduzam a uma maior maturidade, para que ao final de nossa jornada tenhamos a mesma lucidez e sabedoria do Rei Davi. Que os altos e baixos da nossa vida cristã nos façam ter, no final de tudo, esta concepção positiva e proveitosa de tudo que vivemos, assim como Davi o fez nesta “última” oração.

Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd

quinta-feira, 21 de junho de 2012

A fé que derruba o gigante

Sol a pino. Tensão no ar e um objetivo: derrubar um obstáculo que ninguém mais conseguiu. Conseguir o impossível. Essa era a missão de Davi: derrubar um gigante. Olhando de baixo da sua estatura, Davi enfrentou um homem que, há quarentas dias, atemorizava os guerreiros de sua tribo e contra o qual ninguém queria lutar (I Samuel 17).

Diariamente, nós também temos os nossos Golias para enfrentar. Às vezes passamos por problemas difíceis, que parecem não ter solução, e, comumente, nos flagramos desanimados, querendo abandonar a batalha. Como derrubar os Golias que subitamente aparecem em nosso caminho, querendo nos levar ao chão? Se observarmos a postura de Davi, frente ao seu desafio, podemos encontrar 03 posturas que podem responder essa pergunta.

1- Davi não se preocupou em armar-se para a guerra: Quantas vezes, diante das adversidades, nos preocupamos em traçar estratégias, escolher as melhores armas, palavras, atitudes, para proceder? Davi não se preocupou com isso. Saul até tentou vestir-lhe com uma armadura, mas, como não tinha prática no uso daquela vestimenta, ele recusou a peça (I Samuel 17: 38-39). A falta de armas não o fez desfalecer e, a única coisa que ele portou para enfrentar seu rival, foi “cinco pedras lisas do ribeiro” (I Samuel 17: 40).  Davi sabia que Deus proporcionaria o momento certo e armas corretas para enfrentar o gigante, “porque Deus é a minha defesa” (Salmos 59:17).

2- Davi não duvidou da sua vitória e não temeu o inimigo: Quando Davi foi apresentado a Saul, para duelar com o gigante, o rei lhe disse: “Contra este filisteu não poderás ir para pelejar com ele; pois tu ainda és moço, e ele homem de guerra desde a sua mocidade” (1 Samuel 17:33).  Davi não se abalou com essas palavras e disse a Saul: “o Senhor me livrou das garras do leão, e das do urso; ele me livrará da mão deste filisteu” (1 Samuel 17:37). Aquele que sabe que Deus está à frente dos problemas, não deve desvanecer, nem esquecer tudo o que Ele já fez, pois, como diz o próprio Rei Davi: “Senhor, quem é como tu, que livras o pobre daquele que é mais forte do que ele?” (Salmos 35:10).

3- Davi colocou Deus à frente de sua batalha: Ao se deparar com o gigante, Davi não estremeceu, ele apenas falou:Tu vens a mim com espada, e com lança, e com escudo; porém eu venho a ti em nome do Senhor dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem tens afrontado” (1 Samuel 17:45). Neste momento, Davi colocou Deus à frente de sua luta e, com apenas uma pedra lisa, ele derrotou seu adversário. Ele transpôs seu obstáculo, mas não foi Davi, foi Deus quem o guiou até a vitória. Foi a voz de Deus que o levou a derrotar o gigante. Faltava-lhe estatura, força, armas, mas não lhe faltou Deus. Quando Deus está à frente de nossas angústias, nada é motivo de temor, pois “muitas são as aflições do justo, mas o Senhor o livra de todas” (Salmos 34:19).

Nos percalços da vida, será que estamos deixando Deus nos guiar ou estamos querendo ensinar a Deus os caminhos que Ele deve nos direcionar? Será que estamos enfrentando nossos gigantes com fé ou com desconfiança? Jesus disse: “se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e há de passar; e nada vos será impossível” (Mateus 17:20). Que possamos ter mais fé, durante as adversidades da vida, e que Deus nos capacite a dizer: “És o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e em Ti confiarei” (Salmos 91:2).
Andrea Grace