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quinta-feira, 20 de março de 2014

Contentamento? Você só pode tá brincando...

“porque já aprendi a contentar-me com o que tenho.” (Filipenses 4.11b)

  Primeiro fato desse texto: não é nem um pouco fácil escrever sobre contentamento, porque essa é um 'coisa' que luto todos os dias, mas por lutar “com” ela todos os dias foi que quis escrever sobre esse assunto. Segundo, comecei a escrever esse texto há mais ou menos duas semanas, nunca tenho costume de escrever muito tempo antes o texto, mas dessa vez foi assim. Foi exatamente em um Domingo que comecei a escrever e nesse mesmo dia fui “assaltada” por um sentimento horrível de ingratidão e angústia diante de algumas coisas. Depois na Sexta seguinte perdi o meu avô por causa de uma doença súbita, um derrame que trouxe várias complicações, o qual deixou toda a família abalada. Meu pensamento logo após tudo isso, ao retornar para escrever o texto foi: “Iai Laryssa, como continuar escrevendo sobre Contentamento assim diante disso tudo?”.  Mas, isso só me fortaleceu, e aqui estou.

“Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes; porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei.” (Hebreus 13.5).

  Esse versículo não se refere a nenhuma outra coisa a não ser a uma promessa do nosso Deus. Em sua Palavra temos várias referências sobre o ‘não abandonar’ de Deus para nós. J. C. Ryle em seu livro diz: “A fonte do contentamento é a comunhão íntima com o Deus Todo Suficiente. ‘Contentamento é uma das graças mais raras’. Como toda coisa preciosa, ela é mais incomum.”.

  Tenho percebido que pouco se é falado sobre Contentamento, não Contentamento de ser estar contente, mas Contentamento de se estar satisfeito. Mas satisfeito em quem? Em nós mesmos? Não. Em Deus.

   Muito ouvimos sobre sermos cristãos felizes, cristãos sem pecado, cristãos obedientes, mas e sobre sermões cristãos contente com o que temos, quanto você ouve ou pensa sobre?
  O descontentamento leva o cristão a um grande número de pecados, enganos de corações e distorções de caráter. São estados de alma corrompidos, pecaminosos e muito perigosos. Eis alguns exemplos: Murmuração, insatisfação, pessimismo, ambição, avareza, ingratidão, inquietação, irritação, desânimo, engano, endurecimento, inveja, auto piedade, cobrança,  julgamento, amargura, ressentimento, rebeldia e descontrole.

  Ser Contente hoje em dia é algo difícil, somos tentados sempre a querer mais e mais. Queremos aquele carro novo, aquela roupa nova, aquele celular novo, queremos aquela pessoa para suprir nossa carência e nos fazer sentir amado, queremos aquele curso que nos vai trazer bom retorno financeiro. Queremos cultos cheios de Palavras sobre prosperidade, benção, paz e conforto. Não que isso não seja Bíblico, mas devemos ser conscientes de que Deus, o justo Pai, nos dará tudo àquilo conforme Sua Santa Vontade, não por nosso próprio merecimento, mas por sua grande Misericórdia. Por sermos pecadores e miseráveis sempre caímos na nossa própria ambição. J. C. Ryle mais uma vez nos diz algo importante: "Um espírito desse tipo é o segredo de um coração luminoso e uma mente limpa.".

  Ter Contentamento é crer na promessa e confiar inabalavelmente no Deus que é Soberano, que cuida, guarda, protege, abençoa e prover aos seus Filhos suas bênçãos. Se formos Filhos o que o mais não fará por nós? “E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades.” (Filipenses 4.19).

  Seremos abençoados, cuidados e supridos em Cristo Jesus, no nosso Senhor e Salvador. O contentamento nos leva a lidar de modo saudável com as situações nas quais não podemos ter controle, as fatalidades, situações nas quais nada pode ser feito para voltar atrás, ao invés de se ficar choramingando e murmurando acerca delas.

  Vemos o verdadeiro Contentamento retratado na vida de José, filho de Jacó (Gênesis 37). Sem ter feito nada de errado, ele foi submetido a diversas dificuldades. Mas ele não fraquejou, permaneceu fiel a Deus, mesmo quando foi falsamente acusado e encarcerado durante anos. Então, no tempo devido, Deus o usou para livrar e proteger os irmãos, que o tinham traído antes. Portanto, mesmo no meio de provas e tribulações, José demonstrou contentamento e continuou sua cainhada na fé.

Romanos 12.12a diz: "Alegrem-se na Esperança.".

Lições práticas:

*Contentamento não é algo que surge do nada, é algo que se aprende a ter, que se busca orando, meditando e confiando nas promessas de Deus descritas nas Sagradas Escrituras;
*Contentamento é demonstração de inteira confiança no Deus Eterno;
*Contentamento é uma das virtudes de um Cristão genuíno;
*Contentamento é entender que mesmo que o mundo lhe falte, mesmo que seus amigos lhe faltem, e mesmo que parece que Deus não o escuta, nada está perdido, nem você está sozinho, Deus nunca nos desempara;

  Para se chegar ao contentamento é preciso aprender a renunciar o provisório com a finalidade de obter o Eterno, aprender com as provações, estar disposto a servir ao Senhor com humildade e graça, a viver o caminho da simplicidade, da santificação, da intimidade com Deus, adoração, meditação, recolhimento e desprendimento.

"Se os homens realmente soubessem que eles não merecem nada, e são devedores da misericórdia de Deus a cada dia, logo cessariam de se queixar." (J. C. Ryle).

  Que o Senhor nos ajude a ficar Contentes em todas as situações, desde uma perda de emprego, até a morte de um parente querido. Estar assim, não é simplesmente ignorar o mundo ao redor e viver “ao léu” esperando algo bom acontecer não, mas é estar com a vida diante de Deus todos os dias, confiando em seu imenso poder e na sua Maravilhosa Graça disposta a nós pobres pecadores. Que o Contentamento faça parte de nossa caminhada todos os dias. Fé, Força e Esperança em Cristo, amém.

LARYSSA LOBO

https://www.facebook.com/laryslobo

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Amando Cristo na Pratica

1. Quando amamos alguém, gostamos de pensar sobre ele.

Não precisamos ser lembrados dele. Não esquecemos o nome dele, sua aparência, seu caráter, suas opiniões, seus gostos, sua posição ou sua ocupação. Ele surge na nossa mente várias vezes durante o dia. Embora talvez muito distante, ele está frequentemente presente em nossos pensamentos. Bem, é isso que ocorre entre o cristão verdadeiro e Cristo! Cristo “habita em seu coração”, e se pensa nele mais ou menos todos os dias (Ef. 3.17). O verdadeiro cristão não precisa ser lembrado que tem um Mestre crucificado. Ele sempre pensa nEle. Ele nunca se esquece que Ele tem um dia, um motivo e um povo, e que o Seu povo é único. Afeição é o real segredo de uma boa memória religiosa. Nenhum homem do mundo pode pensar muito sobre Cristo, a menos que Cristo seja compelido a ser o centro do seu foco, porque ele não tem afeição nenhuma por Ele. O verdadeiro cristão pensa sobre Cristo todos os dias de sua vida, pela única e simples razão de que O ama.

2. Quando amamos alguém, gostamos de ouvir sobre ele.

Nós temos prazer em ouvir aqueles que falam dele. Nós nos interessamos sobre qualquer relato que os outros fazem sobre ele. Nós damos toda a atenção quando os outros falam sobre ele, e descrevem seus caminhos, suas falas, suas ações e seus planos. Alguns podem ouvir sobre ele e ficarem indiferentes, mas os nossos corações aceleram ao som do seu nome. Bem, é isso que ocorre entre o cristão verdadeiro e Cristo! O verdadeiro cristão se deleita ao ouvir sobre seu Mestre. Ele gosta mais dos sermões que estão mais cheios de Cristo. Ele gosta mais daquele grupo em que a maioria das pessoas fala de coisas que são de Cristo. Eu li sobre uma antiga crente galesa que costumava caminhar vários quilômetros todos os domingos para ouvir um pastor inglês, embora ela não entendesse uma palavra em inglês. Perguntaram por que ela fazia isso. Ela respondeu que esse reverendo fala o nome de Cristo tantas vezes em suas pregações que fazia com que ela se sentisse bem. Ela amava simplesmente ouvir o nome do seu Salvador.

3. Quando amamos alguém, nós gostamos de ler sobre ele.

Que prazer imenso há em uma carta de um marido ausente para sua esposa, ou uma carta de um filho ausente para a sua mãe. Outros podem ver noticias de pouco valor na carta. Eles mal se dão ao trabalho de lê-la inteira. Mas aqueles que amam o escritor vêem algo na carta que ninguém mais pode ver. E carregam isso com eles como se fosse um tesouro. Eles lêem várias vezes. Bem, é isso que ocorre entre o cristão verdadeiro e Cristo! O verdadeiro cristão sente prazer ao ler as Escrituras, porque elas falam para ele sobre seu Salvador amado. Ler não é uma tarefa cansativa para ele. Raramente ele precisa ser lembrado de pegar a sua Bíblia quando vai viajar. Ele não consegue ser feliz sem ela. Qual o porquê de tudo isso? Porque as escrituras testificam sobre Aquele a quem a sua alma ama, Cristo.

4. Quando amamos alguém, gostamos de agradá-lo.

Ficamos contentes em consultar suas vontades e opiniões, agir de acordo com seu conselho e fazer coisas que ele aprova. Nós até mesmo negamos a nós mesmos para satisfazer os seus desejos, nos abstemos de coisas que sabemos que ele não gosta e aprendemos coisas que não estamos naturalmente inclinados porque achamos que isso lhe dará prazer. Bem, é isso que ocorre entre o cristão verdadeiro e Cristo! O verdadeiro Cristão estuda para agradar a Ele, ao ser santo no corpo e no espírito. Mostre a ele alguma coisa que ele pratica diariamente e que Cristo odeia, e ele deixará de praticá-la. Mostre a ele alguma coisa que Cristo se agrada, e ele a fará depois disso. Ele não murmura dos requerimentos de Cristo como sendo demasiadamente rígidos ou severos, como os filhos do mundo fazem. Para ele, os ordenamentos de Cristo não são dolorosos e o fardo de Cristo é leve. E por que tudo isso? Simplesmente porque ele O ama.

5. Quando amamos alguém, gostamos de seus amigos.

Estamos favoravelmente inclinados a eles, mesmo antes de conhecê-los. Somos atraídos a eles pelo laço comum de amor em comum a uma mesma pessoa. Quando os encontramos não sentimos como se fossemos completos estranhos. Há um laço de união entre nós. Eles amam a pessoa que nós amamos, e isso por si só é uma apresentação. Bem, é isso que ocorre entre o cristão verdadeiro e Cristo! O verdadeiro cristão considera todos os amigos de Cristo como seus amigos, membros do mesmo corpo, filhos da mesma família, soldados do mesmo exército, viajantes em direção ao mesmo lar. Quando ele os conhece, sente como se já os conhecesse há muito tempo. Ele se sente mais em casa com eles em alguns minutos do que com muitas pessoas do mundo depois de anos de intimidade. E qual é o segredo de tudo isso? É simplesmente a afeição pelo mesmo Salvador e o amor ao mesmo Senhor.

6. Quando amamos alguém, somos cuidadosos com seu nome e honra.

Nós não gostamos de ouvir algo contra ele sem poder falar por ele e defendê-lo. Sentimo-nos obrigados a defender seus interesses e a sua reputação. Nós consideramos a pessoa que o trata mal tão desagradável como se tivesse maltratado nós mesmos. Bem, é isso que ocorre entre o cristão verdadeiro e Cristo! O verdadeiro cristão protege com piedoso ciúme todos os esforços de denegrir a palavra, o nome, a igreja ou o dia do seu Mestre. Ele O confessará diante dos príncipes, se necessário, e será sensível à menor desonra direcionada a Ele. Ele não vai se contentar com a sua paz, e suportar a causa do Mestre ser envergonhada, sem testemunhar contra isso. E por que isso? Simplesmente porque O ama.

7. Quando amamos alguém, nós gostamos de falar com ele.

Dizemos a ele todos os nossos pensamentos, e abrimos nosso coração. Não encontramos dificuldade alguma em descobrir assuntos para conversar. Por mais silenciosos e reservados que sejamos com os outros, achamos muito fácil conversar com um amigo muito amado. Independente da frequência com que nos encontramos, nunca ficamos sem assunto para conversar. Sempre temos muito a falar, muito para perguntar, muito a descrever, muito a comunicar. Bem, é isso que ocorre entre o cristão verdadeiro e Cristo! O verdadeiro cristão não encontra dificuldade em conversar com seu Salvador. Todos os dias ele tem algo para contar a Ele, e não fica feliz enquanto não conta. Conversa com Ele em oração toda manhã e toda noite. Conta para Ele suas vontades e desejos, seus sentimentos e seus medos. Ele lhe pede conselhos nas dificuldades. Ele lhe pede conforto nas adversidades. Ele não consegue evitar. Ele deve conversar com seu Salvador continuamente, ou ele se enfraqueceria pelo caminho. E por que isso? Simplesmente porque ele O ama.

8. Quando amamos alguém, gostamos de estar sempre com ele.

Pensar, ouvir, ler e ocasionalmente conversar tem o seu espaço. Mas quando nós realmente amamos alguém, nós queremos algo mais. Nós ansiamos em estar sempre em sua companhia. Desejamos em estar continuamente em sua presença e manter comunhão com ele sem interrupção ou despedida. Bem, é isso que ocorre entre o cristão verdadeiro e Cristo! O coração do verdadeiro cristão anseia por aquele dia abençoado em que verá o Mestre face a face. Ele anseia em finalmente deixar o pecar e se arrepender e crer, e começar a vida eterna, quando verá como tem sido visto, e não pecará mais. Ele tem considerado agradável viver pela fé e sente que será mais agradável ainda viver pelo que ver. Ele considerou agradável ouvir sobre Cristo, falar sobre Cristo e ler sobre Cristo. Quão mais agradável ainda será ver Cristo com seus próprios olhos, e não deixá-lo nunca mais! “Melhor”, ele sente, “contentar-se com o que os olhos vêem do que sonhar com o que se deseja.” (Eclesiastes 6.9). E por que isso tudo? Simplesmente porque ele O ama.
Traduzido por Marianna Brandão | iPródigo.com | Original aqui
Intercâmbio feito por Lídia Santos

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Quais são as marcas da eleição? Por meio de quais indícios alguém pode saber que é um eleito de Deus? Com a Palavra, J. C. Ryle


Essas marcas estão delineadas com clareza nas escrituras. A eleição está unida de forma inseparável à fé em Cristo e à conformidade com sua imagem (Rm 8.29-30). Somente quando Paulo comtemplou a “operosidade” da fé, a “abnegação” do amor e a “firmeza” da esperança dos Tessalonicenses, ele pôde reconhecer a eleições deles (I Ts 1.3-4) Acima de tudo, temos um indicativo da eleição na passagem que estamos considerando (Lucas 18.1-8). Os eleitos de Deus “a ele clamam dia e noite”. Eles são um povo que ora. Sem dúvida, existem pessoas cujas orações são formais e hipócritas. Mas é muitíssimo evidente: uma pessoa que não ora nunca pode ser chamada de um dos eleitos de Deus. Jamais esqueçamos isso.

RYLE, Jonh Charles. In: Meditações no Evangelho de Lucas Traduzido por Editora Fiel.  São José dos Campos, São Paulo: Editora Fiel, 2011. Comentário de Lucas 18, versículos de 1 a 8, pp. 288-289.

Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Qual o significado da passagem: por que atentas tu no argueiro que está no olho de teu irmão, e não reparas na trave que está no teu próprio olho? Com a Palavra, Bispo J. C. Ryle


Destes versículos (Lucas 6:41) aprendemos que devem se esforçar por manter uma vida pura aqueles que repreendem os pecados dos outros. Nosso Senhor nos ensina esta lição por meio de uma afirmação prática. Ele nos mostra a falta de lógica da parte de uma pessoa culpar a outra por ter um “argueiro”, ou seja, algo insignificante em seu olho, enquanto ela própria tem uma “trave”, ou seja, algo enorme e formidável, em seu próprio olho.

Sem dúvida, este é uma lição que tem de ser recebida com qualificações bíblicas e adequadas. Se alguém tivesse de pregar e ensinar aos outros somente quando estivesse completamente sem falhas, não haveria ensino ou pregação no mundo. Aquele que errou jamais seria corrigido, e os ímpios nunca seriam repreendidos. Atribuir este significado às palavras de nosso Senhor fá-las colidir com o evidente ensino das Escrituras, em outras passagens.

O principal objetivo de nosso Senhor era gravar na mente de seus pregadores e ensinadores a importância de uma vida coerente. Esta passagem é um solene aviso para não contradizermos com nossas vidas aquilo que dizemos com nossos lábios. O ministério de um pregador não conquistará atenção dos ouvintes, amenos que ele pratique aquilo que ensina. Ordenação ao pastorado, graus universitários, títulos e aceitação pública de possuir sã doutrina, estas coisas não asseguram ao sermão do pastor o respeito de seus ouvintes, se a igreja percebe que ele possui hábitos pecaminosos.

No entanto, existem muitas coisas nesta lição que todos faremos bem se recordarmos. É uma lição que muitas pessoas, e não somente os pastores, devem considerar. Todos os esposos, chefes o lar, pais, professores, tutores, responsáveis por jovens, deveriam pensar com frequência sobre o “argueiro” e a “trave”. Todas estas pessoas deveriam ver nas palavras de nosso Senhor a poderosa lição de que nada influência tanto aos outros quanto a coerência. Entesouremos esta lição no nosso íntimo e não a esqueçamos.

RYLE, Jonh Charles. In: Meditações no Evangelho de Lucas Traduzido por Editora Fiel.  São José dos Campos, São Paulo: Editora Fiel, 2011. Comentário de Lucas 6, versículo s de 39 a 45, pp. 96.

Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd

sexta-feira, 1 de junho de 2012

A pobreza deve ser motivo de vergonha para o cristão? Com a palavra o Bispo J. C. Ryle


Observemos a circunstância em que Jesus nasceu. Não nasceu sob o teto da casa de sua mãe, e sim num lugar estranho e numa manjedoura. Quando Ele nasceu, não foi colocado em um berço cuidadosamente preparado. Maria O deitou na manjedoura, porque “não havia lugar para eles na hospedaria”. Aqui vemos a graça e a condescendência de Jesus. Se tivesse vindo salvar este mundo em majestade real, rodeado pelos anjos do seu Pai, isso já teria sido um ato incrível de misericórdia. Se tivesse decidido morar num palácio, com poder e autoridade, já teríamos razão suficiente para ficarmos maravilhados. Mas, fazer-se pobre como os mais pobres seres humanos, e simples como os mais simples, isso é amor que transcende a nossa compreensão. Que nunca esqueçamos de que, por meio da sua humilhação, Jesus adquiriu para nós um título de glória. Por meio da sua vida de sofrimento, bem como da sua morte, Ele conquistou para nós uma redenção eterna. Durante toda a sua vida, foi pobre por amor a nós, desde o momento do seu nascimento até à morte. E por sua pobreza somos feitos ricos (2 Co 8.9)

Estejamos alerta, não desprezando os pobres por causa da sua pobreza. Sua condição santificada pelo filho de Deus, que a honrou, ao assumi-la voluntariamente. Deus não faz acepções de pessoas. Ele olha para o coração e não para o bolso. Que nunca nos envergonhemos da nossa pobreza, se Deus a considera a coisa certa para nós. Ser ímpio e ganancioso é mau; mas não há mau nenhum em ser pobre. Uma casa simples, comida simples e cama dura não são agradáveis à carne e ao sangue. Mas são a porção que o Senhor Jesus voluntariamente aceitou desde o dia da sua entrada nesse mundo. A riqueza leva muito mais almas ao inferno do que a pobreza. Quando o amor ao dinheiro começar a manifestar-se em nós, pensemos na manjedoura de Belém e nAquele que nela foi posto. Tal pensamento poderá livrar-nos de muitos males!

RYLE, Jonh Charles. In: Meditações no Evangelho de Lucas Traduzido por Editora Fiel.  São José dos Campos, São Paulo: Editora Fiel, 2011. Comentário de Lucas 2, versículo s de 1 a 7, pp. 31.