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terça-feira, 15 de julho de 2014

Confiar em Deus quando a Vida não faz Sentido

Recentemente, vi uma foto de uma mulher envolta em lágrimas, de pé, sobre o caixão de seu marido que ela perdeu na Guerra do Vietnã. Seu corpo tinha desaparecido há trinta anos. Agora, finalmente, os seus restos mortais foram encontrados e levados para casa para solo americano. Durante trinta anos, esta viúva não tinha respostas. Durante trinta anos, ela, sem dúvida, se perguntou se ele estava realmente morto, ou talvez, apenas talvez, se ele vivia em algum lugar. Finalmente, a verdade, por mais dolorosa que fosse, estava diante dela. Ela conseguiu parar de ter dúvidas.

Olhando para a foto, eu pensei sobre a dor que todos nós teremos de percorrer nesta vida; dor que nem sempre fazem sentido para nós, deste lado da eternidade.

Vivendo em um pesadelo

Em um nível pessoal, o meu marido e eu aprendemos bem nos últimos anos que o mundo pode fazer sentido um dia e depois desequilibrar no outro. Nosso senso de inocência e segurança foi roubado de nós por circunstâncias além do nosso controle. Quando todas as peças ficarem deitadas no chão em torno de nós, não tivemos respostas.

Infelizmente, nós nos encontramos falando duas falsas noções sobre Deus: ou Ele deve estar nos disciplinando ou, pior ainda, Ele nos abandonou. Eu me senti como se estivéssemos vivendo em um pesadelo que era inevitável. Cada dia, eu olhava para o meu marido e filhos, imaginando se algum dia iríamos sentir a verdadeira alegria novamente. Como Naomi, quando ela voltou de Moabe para Judá, eu me senti preso em amargura e dor.

Lições na noite

Como foram passados um ano e, em seguida, alguns meses, que ainda não tinha terminado. Oramos e gradualmente estas verdades começaram a fazer sentido:

Deus pode lidar com a nossa dor melhor do que qualquer ser humano. Passar por uma crise que nos fez não poder conversar com muitas pessoas, ensinou a mim e ao meu marido novamente que a nossa ajuda e conforto deve vir, em primeiro lugar, de Deus.

Uma razão pela qual Deus nos envia provações é para nos preparar para futuros julgamentos. Deus muitas vezes graciosamente nos prepara, involuntariamente, para futuros testes. Dois anos antes, passamos por uma crise de saúde com um de nossos filhos que abalou o nosso mundo, mas, em última análise, fortalecemos a nossa fé.
Deus conhece cada centímetro do caminho que nossos pés vão pisar nesta vida. Do começo ao fim é marcado por Ele, e nada O leva de surpresa, mesmo quando nos sentimos ofuscados. Ele está lá para nos fortalecer, nos confortar, e conceder-nos sabedoria.

O objetivo da oração é para confiar nossas vidas a Deus, não para obter respostas rápidas. Quando oramos, podemos ter certeza de que nossas preocupações e cuidados não são apenas conhecidos por Deus, mas que nós as rendemos a Ele. Ele já conhece as nossas preocupações mais profundas, mas quando oramos, estamos reconhecendo a nossa dependência de Deus.

Podemos ter de esperar 30 anos para a clareza, ou sessenta, ou. . . até a eternidade antes de sabermos exatamente algo, por isso temos de suportar as estações particulares de vida. No entanto, embora possa parecer que o mundo está quebrado além do reparo impossível, Deus é perfeitamente capaz de pegar as peças quando não podemos. Através da obra de Seu Filho em nosso nome, Ele cura. Ele sustenta. Ele permite-nos não só para continuarmos existindo, mas para nos aventurar em uma relação mais profunda com Ele e com os outros.

O que Deus lhe ensinou quando o mundo foi abalado e as circunstâncias não pareciam fazer sentido?


TRADUZIDO E EDITADO POR: LARYSSA LOBO
https://www.facebook.com/laryslobo

Copyright Revive Our Hearts. Taken from Nancy Leigh DeMoss' Becoming a Woman of Discretion. Used with permission. www.TrueWoman.com.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Um Canto na Noite

“Deus meu Criador, que inspira canções durante a noite”,

Jó 35:10

Qualquer homem pode cantar durante o dia. Quando nosso cálice transborda, toda a inspiração deriva dali. Quando as riquezas abundam à sua volta, qualquer homem pode louvar ao Deus das grandes colheitas. É muito fácil para uma harpa Aeoliana emitir musica quando os ventos sopram de feição – a dificuldade será apenas quando os ventos são inconstantes e imprecisos. É fácil cantar sempre que pudermos ler as notas em plena luz do dia. Mas todo aquele que é experimentado canta mesmo quando nem um raio de luz existe para o deixar ver as notas, pois lê no seu coração.

Nenhum homem pode fazer uma música pela calada da noite por ele mesmo. Pode até tentar, mas logo descobrirá que uma canção noturna para sair bem, terá de ser divinamente inspirada. Que todas as coisas corram bem e poderei tecer musicas umas atrás das outras. Depois poderei ir cantarolá-las e compilá-las quando estiver perto das flores dum certo caminho. Mas coloquem-me num deserto áspero, onde nada de verde existe e com que compilarei um hino para o meu Deus ainda? Como poderá um mero mortal tecer uma coroa para o Senhor onde não existem jóias? Apenas que sua voz seja clara e seu corpo cheio de saúde e terá como cantar louvores a Deus.

Silenciem minha língua, coloquem-me numa cama de angústias: como poderei entoar ainda uma melodia de louvor a menos que Ele próprio seja o tema e me dê a musica? Não, não está no poder do homem cantar quando tudo lhe corre mal, a menos que uma brasa do altar lhe toque os lábios.

É uma música divina a qual Habacuque cantou, quando pela noite entoou: “Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto nas vides; ainda que falhe o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que o rebanho seja exterminado da malhada e nos currais não haja gado. (18) Todavia eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação”, Hab.3:17-18. Assim, porque nosso Criador nos dá a melodia pela calada da noite, vamos esperar pela oferta da música. Ó Tu, Maestro de nossa melodia, que nunca permaneçamos sem música em nossos corações por causa da aflição, mas afina nossas cordas numa melodia de agradecimento.

Spurgeon
Postado em: http://www.charleshaddonspurgeon.com/2011/11/um-canto-na-noite-c-h-spurgeon.html

Walber Arruda

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Por que o Facebook e (sua Igreja) Podem estar te Deixando Triste

Russell D. Moore

Fomos avisados que mídia social pode nos distrair diminuir nossa atenção, nos desligar de relacionamentos da vida real. Agora um novo estudo sugere que o Facebook também pode tornar-nos infeliz. Eu suspeito que há alguma medida de razão nisto, e não é apenas sobre o Facebook. Trata-se de nossas igrejas.
A revista Slate cita um artigo em uma revista de psicologia social que iniciava com uma observação sobre como os estudantes universitários se sentiam mais desanimados após fazerem logon no Facebook. Havia algo que os entristecia ao “percorrer outros perfis e fotos legais, biografias vencedoras, e atualizações de status.” Os alunos tiveram o humor obscurecido porque acreditavam que todo mundo era mais feliz que eles.
A jornalista Libby Copeland especula que o Facebook pode “ter um poder especial de nos fazer mais tristes e solitários.” Como pode acontecer isso, no entanto, quando o Facebook geralmente é assim… bem, feliz, cheio de rostos sorridentes e famílias bonitas? Bom, esse é justamente o ponto.
“Ao apresentar a parte mais espirituosa, alegre de vidas tão bonitas, e convidar as pessoas a constantes comparações em que tendemos a nos ver como os perdedores, o Facebook parece explorar o calcanhar de Aquiles da natureza humana”, escreve Copeland. “E as mulheres, um grupo especialmente infeliz, podem tornar-se especialmente vulneráveis ao se informarem sobre o que imaginam ser a felicidade dos vizinhos.”
Sim, Copeland escreve, o Facebook pode registrar crianças bonitinhas e momentos agradáveis, mas isso nunca é o todo, ou mesmo a maior parte, da história de vida de qualquer pessoa. “Lágrimas e acessos de raiva raramente são registrados, nem os surtos de maluquices”, escreve ela.
Agora, em um sentido, quero falar com quem realmente se preocupa com o Facebook. Se você é aquele que se compara aos outros, desligue a tela do computador e faça uma desintoxicação do brilho azul dela. Mas ao mesmo tempo, me parece, o mesmo fenômeno está presente nos bancos de nossas igrejas cristãs.
Nossos “bem sucedidos” pastores e líderes sabem sorrir. Alguns deles fizeram escovinhas e usam abotuaduras, outros são grunges e usam cabelo bagunçado. Mas eles estão aqui para nos “empolgar” sobre “o que Deus está fazendo em nossa igreja.”
Nossas músicas de adoração são tipicamente celebrativas, tanto nas letras quanto na expressão musical. Na última geração, uma canção triste sobre a crucificação foi animada com um coro bem alegre: “Foi ali pela fé que um dia eu vi, e agora estou feliz o dia todo!”
Este não é apenas um problema da grande geração reavivalista. Mesmo as músicas de adoração contemporâneas que vêm diretamente dos Salmos tendem a se concentrar em salmos de crescimento ou de exuberância alegre, não salmos de lamento (e certamente não em salmos imprecatórios!).
Podemos facilmente cantar com o profeta Jeremias: “grande é a tua fidelidade” (Lm 3:23). Mas quem pode se imaginar cantando, na igreja, com Jeremias: “Cobriste-te de ira, e nos perseguiste; mataste, não perdoaste. Cobriste-te de nuvens, para que não passe a nossa oração. Como escória e refugo nos puseste no meio dos povos.”(Lm 3:43-45).
Essa sensação de jovialidade forçada é visto nas “liturgias” ad hoc¹ da maioria das igrejas evangélicas na saudação e na despedida. Ao começar o culto temos um pastor sorrindo ou um líder de louvor empolgado: “É ótimo ver você hoje!” Ou “Estamos felizes por você estar aqui!”. Ao terminar o culto o mesmo semblante sorridente e cheio de dentes diz: “Vejo vocês no próximo domingo! Tenham uma ótima semana!”
Claro que teremos. O que mais poderíamos fazer? Estamos alegres no Senhor, não estamos? Queremos incentivar as pessoas, não é? E, no entanto, o que estamos tentando fazer não está funcionando, mesmo nos termos que estabelecemos para nós mesmos. Suspeito que muitas pessoas em nossos bancos olham ao redor e acham que os outros têm a  felicidade que continuamos prometemos, e se perguntam por que ela passou por elas sem avisar.
Ao não falar, quando a Bíblia fala, sobre toda a gama de emoções humanas, incluindo a solidão, a culpa, a desolação, raiva, medo, desespero, apenas deixamos o nosso povo perguntando por que eles simplesmente não podem ser “cristãos” o suficiente para, afinal de contas, sorrir.
O evangelho fala uma “língua” diferente, no entanto. Jesus diz: “Felizes os que choram, porque serão consolados” (Mt 5:4). No reino, recebemos o conforto de uma forma muito diferente do que somos ensinados em nossa cultura. Recebemos o conforto não por, de um lado, chorar por nossos direitos ou, por outro lado, fingir nossa felicidade. Somos consolados quando vemos o nosso pecado, nossa fragilidade, nossa situação desesperadora, e lamentamos, choramos, clamamos por libertação.
É por isso que Tiago, irmão de nosso Senhor, parece tão fora de sintonia com o ethos contemporâneo evangélico. “Senti as vossas misérias, e lamentai e chorai”, ele escreve. “Converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo em tristeza” (Tiago 4.9). O que aconteceria a um líder de igreja que terminasse o culto dizendo ao seu povo: “Tenha um dia infeliz!” Ou “Espero que todos chorem bastante esta semana!” Soaria como louco. Jesus sempre  parece louco para nós, à primeira vista (Jo 7.15, 20).
Ninguém é tão feliz quanto parece no Facebook. E ninguém é tão “espiritual” quanto  parece com o que julgamos como “espiritual” o bastante para o culto cristão. Talvez o que precisamos em nossas igrejas são mais lágrimas, mais falhas, mais confissão de pecados, mais orações de desespero que são profundas demais para palavras.
Talvez, então, os solitários, culpados e os desesperados entre nós verão que o evangelho não chegou para o feliz, mas para os contritos de coração, não para o saudável, mas para o doente, não para os achados, mas para os perdidos.
Portanto, não se preocupe com as pessoas felizes e deslumbrantes do Facebook. Elas precisam de conforto e libertação tanto quanto você. E, mais importante, vamos deixar de ser essas pessoas felizes e deslumbrantes quando nos reunimos em adoração. Não tenhamos vergonha de gritar de alegria e não tenhamos vergonha de chorar de tristeza. Vamos nos educar, não para fazer publicidade, mas, para a oração, por arrependimento e por alegria.
¹ Ad hoc = que tem uma finalidade especifica

LARYSSA LOBO