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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

A Bíblia é Machista? Com a Palavra Odayr Olivetti

Bíblia, sob a inspiração do Espírito Santo, revela que Deus criou o homem, e criou a mulher como sua auxiliadora idônea, isto é, à altura dele (Gn 2.20-22). A diferença é de funções. A chefia atribuída ao homem na Bíblia não é desonrosa – como não é desonrosa a submissão da igreja cristã a Cristo. E este exerce sua chefia com amor sacrificial. Esse amor sacrificial é exigido do marido cristão. Leia com atenção 
Efésios 5.25 e 28.

Depois da entrada do pecado no mundo é que o machismo prevaleceu, se bem que nem sempre, nem em toda parte. Existiram sociedades matriarcais... E eu conheci mulheres machistas. Todo esse desequilíbrio foi causado pelo pecado. Na Bíblia, apesar da distinção de funções que dão a aparência de inferioridade da mulher, na realidade a mulher é tratada com consideração e respeito. E quando surgiram mulheres capazes, não foram impedidas de projetar-se na sociedade. Exemplos disso vemos em Débora, que governou Israel como juíza e autoridade máxima (Jz 4.4,5); Abigail, que foi superior a seu marido Nabal. Num impasse criado entre Davi e Nabal, a prudência e a habilidade de Abigail conquistaram a admiração de Davi e o 
demoveram de destruir sua família (1Sm 25); Ester, escrava judia, tornou-se rainha e arriscou sua vida para impedir a destruição de seu povo (Et 4 e 7); e Priscila, descrita como mulher cristã, firme na fé e na doutrina, foi capaz de, com seu marido, ensinar a um pregador melhor doutrina (At 18.26). Ademais, com seu marido, Priscila arriscou sua vida para proteger a do apóstolo Paulo (Rm 16.3,4).

O feminismo exacerbado causa tanto mal como o machismo e contribui para que este seja mantido. Li um artigo de uma escritora americana declarando que é uma ilusão pensar que não existe mais machismo. Esse pode assumir outras formas, mas existe. Os grandes problemas morais, sociais e interpessoais seriam resolvidos se as pessoas e os casais levassem a sério a Palavra de Deus. Só para citar uma passagem, vejamos o que diz Efésios 5.15-24: “...vede prudentemente como andais, não como néscios e sim como sábios. Por esta razão, não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor. E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, sujeitando-vos uns aos outros no 
temor de Cristo.

Os machistas (homens ou mulheres) não representam o vero e real cristianismo. O marido machista, tirânico, perde o direito de exercer a chefia do lar. Na igreja cristã fiel não há machistas – não há tiranos. Nem entre os pastores e demais oficiais, nem entre os demais membros da igreja. Não se faz acepção, muito menos ação desmoralizadora, entre homem e mulher. Concluo transcrevendo Gálatas 3.28:“...todos quantos fostes batizados em Cristo, de Cristo vos revestistes. Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo em liberto, nem homem nem mulher, porque todos vós sois um em Cristo Jesus”.

FONTE: Jornal Brasil Presbiteriano, ano 55, edição nº 704, Julho de 2013, p. 19.

Rodrigo Ribeiro

sábado, 4 de maio de 2013

Que Pensa o Presbiterianismo sobre a Quaresma? Com a Palavra, Rev. Odayr Olivetti


Minha resposta é pessoal, mas entendo que representa o pensamento geral dos presbiterianos.
O termo “quaresma”, do latim quadragésima, refere-se aos quarenta dias de jejum determinado pela Igreja C. Romana e praticado desde a “quarta-feira de cinzas” até à véspera da Páscoa. Essa prática foi formalizada pela referida igreja no século 9º. Antes disso havia a prática de jejum antes da Páscoa, sem se tornar prática geral, nem obrigatória.
Nos escritos de Irineu e de outros “pais” da igreja há referências a diferentes formas como era praticado o jejum como preparação para a Páscoa, mas, repito, não havia imposição nem formalização.
A Bíblia relata a prática do jejum, tanto no Antigo Testamento como no Novo. Exemplos:  Quando Samuel exortou o povo ao arrependimento por grave pecado cometido, os israelitas “jejuaram aquele dia” e confessaram: “Pecamos contra o SENHOR” (1Sm 7.6); quando o filho adulterino de Davi adoeceu, Davi jejuou e passou a noite toda prostrado em terra (2Sm 12.16); em ocasiões especiais, de grande comoção, era apregoado jejum (1Rs 21.9; 2Cr 20.3).
Mas o jejum nem sempre era aceitável (Jr 14.12; Zc 7.5). Os discípulos de João Batista jejuavam regularmente e estranharam que os de Jesus não o fizessem (Mt 9.14). Na parábola do fariseu e o publicano, o fariseu, hipócrita, costumava jejuar, mas não foi justificado (Lc 18.12,14).
O protestantismo histórico, reformado presbiteriano, não reconhece a quaresma porque jejum, na Bíblia, não somente não é obrigatório como também não deve ser formalizado (Excepcionalmente, em ocasiões de calamidade, pode haver convocação do povo para jejuar.). Segundo o conjunto da revelação bíblica, tanto para a celebração da Páscoa como para a vida diária, o cristão deve estar sempre se preparando com o uso dos meios de graça: a Palavra de Deus escrita; a comunhão com os irmãos na igreja, os sacramentos, a oração e a prática de boas obras.
Em todas as coisas relacionadas com a vida cristã, o fundamental é a graça divina pela qual somos salvos mediante a fé em Jesus Cristo – o Filho eterno de Deus enviado pelo Pai ao mundo para morrer para nossa justificação e ressuscitar para vivermos a vida de Deus na terra. Mesmo os meios de graça não devem ser utilizados como fins em si, mas como meios pelos quais desenvolvemos vida de santificação e crescemos “na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2Pe 3.18).
É importante a palavra de advertência de Jesus Cristo sobre o jejum no Evangelho segundo Mateus 6.16-18:
“Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram o rosto  com o fim de parecer aos homens que jejuam. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa. Tu, porém, quando jejuares, unge a cabeça e lava o rosto, com o fim de não parecer aos homens que jejuas, e sim ao teu Pai, em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará”.
O reverendo Odayr Olivetti é pastor presbiteriano, ex-professor de Teologia Sistemática do Seminário Presbiteriano de Campinas, escritor e tradutor. - odayrolivetti@uol.com.br

Presb. Cícero Pereira