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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

O Deus que Retribui em Secreto X O "deus" que Retribui em Curtidas

A nossa geração e as suas redes sociais tem algumas características bem peculiares, como por exemplo a ultra exposição da vida particular e a busca por aprovação social através de curtidas e compartilhamentos no Facebook. Nisto todos estamos inclusos, desde a jovem de 14 anos que posta foto fazendo biquinhos, até o preletor de 60 anos que posta fotos de eventos que participa. Todos nós, a sua maneira, estamos participando da maratona de curtidas.

No entanto a forma é nova, mas a inclinação sempre existiu, e faz parte de nossa natureza. É exatamente sobre isto que Jesus nos alerta em Mateus 6. Ele nos apresenta algumas recomendações bem específicas sobre a questão da publicitação das condutas espirituais. Em resumo ele nos oriente sobre:

01. OBRAS SOCIAIS: Quando fizermos nossos atos de justiça, obras sociais e de caridade, devemos fazer com discrição, sem objetivar holofotes, pois se queremos atenção a receberemos e esta será nossa recompensa. Mas se queremos agradar a Deus o faremos em secreto, e em secreto ele nos recompensará. (v. 1-4)

02. ORAÇÃO: Quando orarmos também devemos fazer de forma reservada e discreta, no nosso quarto em secreto, e assim Deus nos responderá. Aqueles que oram à vista de todos também receberão suas "curtidas" e esta será suam recompensa. (v. 5-6)

3. JEJUM: O mesmo se aplicar á outro exercício espiritual, a prática do jejum. Quando o praticamos não devemos nos esforçar para que os homens percebam em nossos rostos o nosso sofrimento, e o sacrifício decorrentes do Jejum. Pelo contrário, devemos ter uma aparência de ânimo e disposição para servir. (v. 16-18)

O que estas passagens nos ensinam? Certamente precisamos avaliar nossas ações e motivações. Nosso coração é tão corrupto que pode facilmente desvirtuar até mesmo as práticas mais louváveis de um cristão, como a oração, o jejum e as obras de justiça. Precisamos vigiá-los, e se o fizermos, certamente, iremos abrir mãos de muitas postagens lícitas, mas que no fim das contas alimentam vaidades e orgulhos incompatíveis com a santidade que devemos almejar. 

O nosso Deus não nos retribui com curtidas, pelo contrário, Ele nos orienta inclusive que aqueles que desejam viver de forma piedosa serão perseguidos por causa da justiça. Ele nos retribui em secreto e é assim que devemos andar. Mas isto não significa que devemos nos abster de redes sociais, pois elas em si mesmo não representam mal algum. Devemos tão somente por sempre à prova nossas motivações: qual é o meu desejo mais nesta postagem? Elevar minha reputação de piedade ou glorificar a Deus pela milagre que ele fez em usar um pecador tão miserável na sua obra? 

Sondemos o nosso coração e busquemos cada vez mais este Deus que nos abençoa em secreto.



Rodrigo Ribeiro

sábado, 4 de maio de 2013

Que Pensa o Presbiterianismo sobre a Quaresma? Com a Palavra, Rev. Odayr Olivetti


Minha resposta é pessoal, mas entendo que representa o pensamento geral dos presbiterianos.
O termo “quaresma”, do latim quadragésima, refere-se aos quarenta dias de jejum determinado pela Igreja C. Romana e praticado desde a “quarta-feira de cinzas” até à véspera da Páscoa. Essa prática foi formalizada pela referida igreja no século 9º. Antes disso havia a prática de jejum antes da Páscoa, sem se tornar prática geral, nem obrigatória.
Nos escritos de Irineu e de outros “pais” da igreja há referências a diferentes formas como era praticado o jejum como preparação para a Páscoa, mas, repito, não havia imposição nem formalização.
A Bíblia relata a prática do jejum, tanto no Antigo Testamento como no Novo. Exemplos:  Quando Samuel exortou o povo ao arrependimento por grave pecado cometido, os israelitas “jejuaram aquele dia” e confessaram: “Pecamos contra o SENHOR” (1Sm 7.6); quando o filho adulterino de Davi adoeceu, Davi jejuou e passou a noite toda prostrado em terra (2Sm 12.16); em ocasiões especiais, de grande comoção, era apregoado jejum (1Rs 21.9; 2Cr 20.3).
Mas o jejum nem sempre era aceitável (Jr 14.12; Zc 7.5). Os discípulos de João Batista jejuavam regularmente e estranharam que os de Jesus não o fizessem (Mt 9.14). Na parábola do fariseu e o publicano, o fariseu, hipócrita, costumava jejuar, mas não foi justificado (Lc 18.12,14).
O protestantismo histórico, reformado presbiteriano, não reconhece a quaresma porque jejum, na Bíblia, não somente não é obrigatório como também não deve ser formalizado (Excepcionalmente, em ocasiões de calamidade, pode haver convocação do povo para jejuar.). Segundo o conjunto da revelação bíblica, tanto para a celebração da Páscoa como para a vida diária, o cristão deve estar sempre se preparando com o uso dos meios de graça: a Palavra de Deus escrita; a comunhão com os irmãos na igreja, os sacramentos, a oração e a prática de boas obras.
Em todas as coisas relacionadas com a vida cristã, o fundamental é a graça divina pela qual somos salvos mediante a fé em Jesus Cristo – o Filho eterno de Deus enviado pelo Pai ao mundo para morrer para nossa justificação e ressuscitar para vivermos a vida de Deus na terra. Mesmo os meios de graça não devem ser utilizados como fins em si, mas como meios pelos quais desenvolvemos vida de santificação e crescemos “na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2Pe 3.18).
É importante a palavra de advertência de Jesus Cristo sobre o jejum no Evangelho segundo Mateus 6.16-18:
“Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram o rosto  com o fim de parecer aos homens que jejuam. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa. Tu, porém, quando jejuares, unge a cabeça e lava o rosto, com o fim de não parecer aos homens que jejuas, e sim ao teu Pai, em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará”.
O reverendo Odayr Olivetti é pastor presbiteriano, ex-professor de Teologia Sistemática do Seminário Presbiteriano de Campinas, escritor e tradutor. - odayrolivetti@uol.com.br

Presb. Cícero Pereira