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terça-feira, 11 de setembro de 2012

Um pouco da História da Igreja Presbiteriana [Parte 1]




“ E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.”
Marcos 16:15

A Igreja Presbiteriana surgiu a partir da Reforma Protestante (Século XVI), é uma igreja histórica, porém nem todo presbiteriano conhece suas origens. Assim este artigo reúne informações históricas que buscam falar um pouco de como nossa denominação surgiu. Não por preciosismo nem por vanglória, mas para o resgate do contexto e importância nas quais surgiu a Igreja Presbiteriana.
No dia 31 de outubro de 1517, Lutero fixara as 95 teses que expunham os desvios da palavra por parte da Igreja Católica Apostólica Romana (doravante chamada de ICAR), mais precisamente nas portas da capela de Wittenberg (cidade da Alemanha, localizada no estado de Saxônia-Anhalt.)¹ com o intuito de fazer com que a Igreja passasse por uma reforma, porém foi excomungado pelo papa Leão X, forçando-o a romper com a ICAR. O movimento gerado por Lutero ficou conhecido como Luterianismo que desencadeou uma espécie de efeito dominó em outras regiões da Europa. Na Suíça, por exemplo, Zwinglio foi o antecessor de Calvino nesse movimento.
Calvino foi um dos reformadores mais importantes do Século XVI, nascido em Noyon (França)  no dia 27 de maio de 1564 e já aos 14 ano de idade ingressou na universidade de Paris e seis anos mais tarde, se formou em direito pela Universidade de Orleans. A importância de Calvino é ressaltada por uma das sistematizações bíblicas mais completas, As Institutas Cristãs (ou simplesmente As Institutas) constituem o sistema doutrinário conhecido hoje como Calvinismo. Enquanto Lutero queria reformar a ICAR, Calvino entendia que não era mais possível fazê-lo, então Calvino se viu na responsabilidade de organizar uma igreja que na doutrina, na liturgia e forma de governo fosse idêntica à Igreja Primitiva (pelo que se nota, a ICAR não pode ser considerada idêntica a Igreja de Atos, por muitos motivos, como por exemplo, as decisões na mão de um só homem, o papa, a forma de governo e principalmente a doutrina longe das Escrituras), surgindo assim a Igreja Presbiteriana, que como o próprio nome já remete, tem forma de governo através dos presbíteros.
A chegada do presbiterianismo no Brasil se deu no Século XVI. Em três tentativas fracassadas, a primeira pelos franceses que aqui chegaram em 1557, celebrando pela primeira vez a Ceia do Senhor, segundo o modelo bíblico calvinista, no Rio de Janeiro, porém eles foram expulsos do Brasil. A segunda tentativa e terceira tentativas feitas pelos holandeses, em 1624 e em  1630, mas anos mais tarde também foram expulsos do Brasil, e as comunidades presbiterianas que eles haviam implantado no nordeste, desapareceram. Um dos nomes mais conhecidos no Nordeste, Maurício de Nassau, era presbiteriano.  O presbiterianismo foi implementado definitivamente no Brasil com a chegada do missionário Rev. Ashbel Green Simonton, que chegou aqui no dia 12 de agosto de 1859 e ele tinha apenas 26 anos de idade, mas faleceu 8 anos depois em São Paulo, no dia 8 de dezembro de 1867. Contudo a Igreja Presbiteriana a essa altura já possuía um presbitério (Presbitério do Rio de Janeiro), um Seminário, cerca de cinco pastores e três igrejas organizadas. Essas igrejas ficavam na cidade do Rio de Janeiro, São Paulo e Brotas.




¹  ______________. Wittenberg. http://pt.wikipedia.org/wiki/Wittenberg .

                NASCIMENTO, Adão Carlos; A razão da nossa fé. Site Monergismo



Felipe Medeiros
           @felipe_ipb

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

UMP Entrevista: Artur Mendes, diretor da APECOM


1) Você fez parte de Vencedores por Cristo, trabalhando com o Nelson Bomilcar, Sérgio Pimenta e outros. Conte-nos um pouco sobre esse momento.

Foram talvez, um dos melhores e mais ricos momentos da minha vida. VPC foi um marco na minha existência. Foi um enriquecimento musical e espiritual, que mudou inclusive o rumo da minha carreira profissional. Naquela época, lá pelos idos de 1977, eu já trabalhava no meu sonho de criança. Queria ser publicitário e já estava começando minha carreira. Com VPC percebi que poderia ser publicitário e trabalhar para o maior cliente do mundo: Deus! O que me fez enxergar isso, foi exatamente a intima convivência com pessoas como o Sérgio Pimenta, o Nelsão Bomilcar, Oziander Shaft, Ivailton dos Santos e meu eterno parceiro e amigo mais que irmão, Edy Chagas.

Naquele tempo respirávamos música dia e noite. Bastava estar junto, pra sair uma nova cançãoo. Serjãoo, apesar de militar, era uma criatura doce. Tinha música nas veias. Ao lado dele, numa tarde trigueira, fiz “Vou chegar”. A música é minha, mas o violão é dele. Serjão estraçalhava o violão. Onde eu via um acorde, Serjão montava três! Já o Edy Chagas, meu amigo Edão, é o meu arroz com feijão. Crescemos juntos. Fizemos muitas músicas juntos. Na Igreja Presbiteriana de Bauru, onde tinha música, lá estávamos eu, o Edy, o Bilão. Éramos o “trio Bauru”. E foi exatamente ali, na IP Bauru que VPC descobriu o “trio Bauru”.

2) Como músico, produtor e diretor de programação (eita quanta coisa) como você vê a música chamada evangélica hoje no Brasil?

No meu tempo musica evangélica chamava “corinho” e soltar a voz. Tocar instrumentos com maestria era querer aparecer.

Hoje, nossos músicos cresceram. Estão tocando e cantando muito bem. Já temos grandes artistas de estúdio e palco. A música cristã evangélica se profissionalizou até no ambiente de muitas igrejas. Os antigos conjuntinhos viraram grupos musicais.

E quanto à produção musical, diria que hoje somos muito mais pluralistas. Não seria demais afirmar que o disco De Vento em Popa, de VPC, foi um divisor de águas. Antes dele, as músicas predominantes eram as baladas americanas e as marchas e valsas europeias. De Vento em Popa libertou a criatividade nacional. Hoje nossos compositores refletem bem a riqueza de estilos da nossa cultura musical. Temos do baião ao fandando gaúcho, passando pelo frevo, samba, bossa nova e ate sertanejo. Afinal a musica é de Deus, mas o ritmo é dos homens, do cidadão local. Cada povo reflete sua cultura. O que faz diferença é a letra centrada na bíblia e o coração de quem faz.


3) Fale-nos um pouco sobre a APECOM, sua função e importância na comunicação da IPB?

A Igreja Presbiteriana do Brasil ao longo de seus 152 anos, sempre foi uma igreja seria e “low profile”, pouco se expõe. Mas a partir da criação da APECOM, Agencia Presbiteriana de Evangelização e Comunicação novos ares estão surgindo. Hoje já temos cruzadas presbiterianas feitas em praças públicas, duas rádios, uma tv, programa de televisão em rede nacional.

Vivemos um novo tempo. Se no passado perdemos alguns bondes da historia, hoje estamos no bonde certo e na hora certa. A IPB está praticamente presente em todas as grandes mídias do momento. Estamos no Facebook, Twitter, temos um grande portal na internet com mais de 400 mil pages views por mês.


Temos a radio IPB com mais de 60 mil ouvintes por mês, temos a radio ipb2 instrumental, dirigida a um público mais conservador que gosta de velhos e bons hinos e temos também a ipbtv com uma programação 24 horas por dia e também a redeipbtv, uma rede de igrejas Presbiterianas com 43 canais transmitindo cultos e eventos ao vivo. Se antigamente, e não tãoo longe assim, só tínhamos a praça publica e o púlpito, hoje a IPB praticamente está presente em todos os devices, aparelhos e mídias disponíveis no mundo moderno.

A IPB esta no iPhone, iPad e os novos aparelhos, como o Roku, uma nova fonte de entretenimento já presente em milhares de lares americanos.

Como coordenador de comunicação da APECOM, meu trabalho consiste em gerenciar as rádios, a tv e o portal, produzir material pra todas as mídias e colocar tudo isso no ar, 24 horas por dia. Nossa equipe é enxuta. Pra fazer tudo isso andar, eu tenho a ajuda de duas pessoas: para o portal, a jornalista Cibele Lima. Cibele alimenta o portal e o noticiário da radio IPB. Já na rádio, o reverendo de Goiânia, Natsan Matias, é meu braço direito nas edições e na locução dos programas.


4) Um dos movimentos mais interessantes na internet é o Chat da IPB rádio, do qual eu sou um dos CHATeados. Como se dá essa dinâmica na rádio e como ela tem servido a IPB e a igreja cristã como um todo?

A interatividade é a grande alma da internet. É impossível conceber uma rádio web, uma tv web ou até qualquer rádio normal, sem a participação do ouvinte. E a internet, o chat, facilita esse encontro do radialista com seu ouvinte. O chat é o sangue pulsando. Ele anima, dá vida a programação e até me ajuda a encontrar o caminho certo. O chat é meu termômetro, tanto de audiência quanto do agrado. É ali que percebo as músicas e programas que agradam e as músicas que não agradam. E, no caso de nossa igreja, o chat da rádio ipb, tem sido sem sombra de dúvidas, um agregador de irmãos dos quatro cantos do Brasil e do mundo. Com certeza, muitos irmãos jamais se conheceriam, não fosse o chat da rádio ipb.

5) Artur, quero agradecer pela paciência e compreensão em nos ceder esta entrevista. Como de praxe, deixe uma mensagem para os leitores do blog e o convite para todos conhecerem a programação da rádio e da TV.

Bem Cicero, meu negocio é musica. Respiro música desde que nasci. Na minha casa sempre se tocou de tudo. Cresci ouvindo de Orlando Silva a Bach.
Quando me converti, na Igreja Presbiteriana de Bauru, fiz de tudo musicalmente: cantei em Coral, quartetos, conjunto jovem. Tive a felicidade de ser pastoreado por bons pastores, como Rev. Wilson Castro Ferreira e Rev. Miguel Orlando de Freitas, pastores que incentivavam a música e a produção musical local. A música é um adorno do culto a Deus. Ela prepara a alma e o sentimento. Uma igreja que quer o jovem pra si, não pode tolher nem censurar a música. O bom pastor tutela a música e o músico, porém com laços de ternura.

Artur Mendes
@arturmendes

Entrevista feita pelo Presb. Cícero Pereira
@ciceroeiris

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

UMP Entrevista: Anderson Pimentel Meneguce, presidente da CNM


Anderson Pimentel Meneguce é presidente da CNM, diácono  na Primeira IP de Nova Venécia (Espírito Santo),  mestre em Teologia (EST, 2009), Especialista em Redes de Computadores (UVV, 2004) e graduado pelo Curso Superior de Tecnologia em Processamento de Dados (UNESC, 1999).   Durante a gestão 2006-2010 atuou na Confederação Nacional de Mocidade como Assessor da Secretaria de Ação Social da Nacional de Mocidades. Atualmente acumula o cargo de Presidente da Sinodal de Mocidade do SME, além de ser professor de Jovens na EBD.  Durante sua carreira na UMP já atuou como Presidente e Vicepresidente da Federação de Mocidade do PRNE, Presidente da UMP da PIPNV, Secretário de Marketing da FM/PRNE. Conversamos com ele sobre a CMN, assim como a assuntos relacionados às UMP das igrejas locais. Leia:

1 - Anderson, fale-nos um pouco sobre a CNM, bem como dos projetos da sua gestão.
A CNM, Confederação Nacional de Mocidade, é a junção de todas as sinodais de mocidade do Brasil. Isso quer dizer que a CNM é cada jovem presbiteriano espalhado pelo país. A cada 4 anos essa confederação promove o seu congresso nacional, que elege uma diretoria para a conduzir durante esse período. O próximo congresso será em Palmas - TO em 2014.
Os principais planos da CNM para esta gestão são:
- Estimular o jovem a compreender que suas principais ações deverão ser voltadas para a realidade da igreja local;
- Cooperar na formação teológica do jovem em conferências teológicas com a parceria do Andrew Jumper;
- Despertar a visão missionária dos jovens em viagens missionárias nacionais e internacionais juntamente com a APMT e JMN;
- Estimular o jovem a promover ações de responsabilidade social e ambiental;
- Promover encontros regionais devocionais e de treinamento de evangelismo;
- Promover um encontro nacional em fevereiro de 2012 no ES;
- Restabelecer a comunicação através do site e da revista.

2 - Quais as dificuldades encontradas pela CNM, visto o tamanho do Brasil e as diferenças regionais que também refletem-se nas igrejas. Como alcançar a todos?
A dificuldade mais crítica é encontrar pessoas que se disponham em dedicar tempo para cumprir determinadas tarefas dentro da CNM. Muitas pessoas desejam ajudar, mas não mantém uma regularidade. Isso atrapalha bastante o trabalho, pois perdemos muito tempo aguardando algo que não vem. O que ainda falta em muitos jovens o senso de missão cristã, e que nossas vidas não farão sentido se não cumprirmos nossa missão. Ao invés disso muitos jovens se comportam como se viessem a esse mundo a passeio.
Para alcançar a todos, nossos meios de comunicação devem ser eficientes. Apesar do salto que já demos, ainda temos algumas muitas dificuldades a serem sanadas, principalmente na necessidade de jornalistas para auxiliar na inserção de conteúdo no site e revistas, e pessoas que escrevam com a periodicidade e responsabilidade necessárias. Se alguém se habilitar, estamos precisando muito de jornalistas, editores de vídeo, designers e colunistas para nosso site e revista.

  
3 -  Muita gente, inclusive dentro da IPB, acha que o modelo de Sociedades Internas é ultrapassado e investe nos chamados Ministérios Jovens. Qual a sua opinião sobre o assunto?
Bem, quando comparo um modelo com o outro percebo alguns detalhes. A diferença essencial de uma sociedade interna para um "ministério" é que na sociedade o jovem tem o poder de escolher o seus representantes, enquanto que no "ministério" quem escolhe o "líder" de jovem é o conselho ou o pastor. Na essência é isso, não existem mais diferenças pelo menos na sociedade local. Isso provoca uma coisa muito triste, em geral quem estabelece "ministério" para de se federar, perdendo aquilo que é nossa maior força como sociedade interna. Elas ficam isoladas em seu próprio mundo, sem perceber que pelo Brasil temos muitos jovens iguais a eles e que eles poderiam ajudar ou serem ajudados.
Outro detalhe que me entristece é que muitos pastores dizem que a sociedade interna não funciona mas eles também não dedicam tempo suficiente para o pastoreio dos jovens da igreja dele. Então, eles decidem partir para outro modelo, estabelecem o chamado "ministério" e a partir daí passam a dar toda atenção possível aos modelos. Ora, e se ele desse toda essa atenção antes não poderia ter sido da mesma forma? O que acontece com os conselheiros que deviam estar perto dos jovens ajudando e orientando? Só pelo fato das sociedades internas terem uma diretoria não quer dizer que toda a responsabilidade pelos jovens está sobre os ombros dela, pelo contrário, a responsabilidade pelo pastoreio de toda a igreja inclusive dos jovens é do conselho e do pastor da igreja e não das diretorias. Eu desafio a qualquer pastor que dê a devida atenção aos seus jovens se a UMP da igreja dele não vai ser uma bênção na vida da igreja dele e na sociedade.
Por último, reconheço que o modelo atual administrativamente é pesado e deve ser revisto. Inclusive o Supremo Concílio em sua última reunião no ano passado estabeleceu uma comissão para rever o modelo. Vejam, em essência que são as sociedades locais de federando até juntar todo o país nada muda. O que deve ser alterado é a parte burocrática da instituição. Isso deve tornar as sociedades mais dinâmicas e fáceis de conduzir principalmente na esfera local.

4 - A CNM realizou uma conferência para jovens recentemente e programa para fevereiro um encontrão de jovens presbiterianos. Qual o objetivo desses eventos e como mobilizar os jovens a participarem?
O objetivo principal da Conferência IPB para Jovens, promovido pela CNM em parceria com o Andrew Jumper, é ajudar o jovem na sua formação teológica reformada. Esse ano tivemos a presença do Rev. John Piper, Rev. Augustos Nicodemos, Rev. Mauro Meister e Rev. Davi Charles Gomes e para o ano que vem esperamos o Rev. Paul Washer. Ele vai acontecer todos os anos por volta do mês de outubro.
Quanto ao encontro nacional, o objetivo é a adoração e comunhão dos jovens presbiterianos. Teremos nesse encontrão grandes preletores e músicos. Tudo isso junto e a certeza de que alguém que vai a um encontro desses nunca mais será o mesmo. Serão em torno de 800 jovens de todos os cantos do país em um mesmo lugar. Não existe nada parecido com isso. Falo de experiência própria, é algo inesquecível para qualquer um. Mais informações podem ser encontradas no site www.ump.org.br.


5 - Enfim, obrigado pela paciência e disposição em nos doar algum tempo. Deixe uma mensagem a todos quantos lerem o blog e para a galera da UMP da IV IPCG.
Que isso, é um prazer um uma grande responsabilidade. Para quem lê o blog, lembre-se que você foi criado e escolhido por Deus por um motivo especial, adorá-lo! Não adorá-lo somente dentro do prédio onde sua igreja se reúne, mas adorá-lo com sua vida, a cada segundinho dela. Lembre-se disso e provoque uma mudança por onde você passar. No mais, permaneçamos sempre "alegres na esperança, fortes na fé, dedicados no amor, unidos no trabalho!"



Anderson Pimentel Meneguce
@meneguce

Entrevista feita pelo Presb. Cícero Pereira
@ciceroeiris

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

UMP Entrevista: Pr. Augustus Nicodemus Lopes


  Paraíbano, pastor auxiliar da Igreja Presbiteriana de Santo Amaro, mestre em Novo Testamento pela Universidade Reformada de Potchefstroom (África do Sul) e doutor em Interpretação Bíblica pelo Westminster Theological Seminary (EUA), com estudos no Seminário Reformado de Kampen (Holanda), chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, conferencista com participações inclusive no Encontro para a Consciência Cristã e um blogueiro ativo em redes sociais (http://tempora-mores.blogspot.com/). Falamos com o Pastor Augustus Nicodemus Lopes neste entrevista sobre diversos temas acerca da igreja contemporânea e imutável Palavra de Deus.

01 - No inicio, as redes sociais eram vistas como uma forma de entretenimento e comunicação, mas de um tempo cá temos visto cada vez mais pessoas que buscam usar estes mecanismos para propagar as grandes verdades de Deus na internet. Como o senhor tem visto esse movimento e qual o conselho que dá aos jovens, no que diz respeito a filtragem das informações? 
Considero as redes sociais como um meio poderoso e eficaz para transmitirmos a Palavra de Deus. Há muitos cristãos comprometidos que usam estas redes, com grande eficácia. Por exemplo, o John Piper. Todavia, há algumas limitações. As redes sociais não substituem a comunhão dos santos, o convívio da igreja e o contato pessoal para oração e edificação entre irmãos. Além do mais, cabe tudo nas redes sociais, inclusive falsas doutrinas, heréticos e falsos profetas. Os cristãos que usam as redes sociais como fonte para alimentação espiritual precisam ter cuidado para não serem influenciados por estes falsos mestres que também usam as redes sociais. O conselho que eu daria é que não deixem de ler sua Bíblia e orar diariamente e que não deixem de ir à Igreja e ouvir a pregação da Palavra de Deus feita por pastores firmes na sã doutrina.

02 - Temos visto grandes movimentos no mundo virtual envolvendo cristãos, e o próprio IBGE indica um crescimento no número de evangélicos em nosso país. Por que nós não temos visto mudanças significativas na nossa ética, e nos nossos valores morais? Isso tem conexão com o que o senhor chama de "ateísmo cristão" em seu novo livro? 
Em parte. Creio que as razões principais são estas: 1) Falta de profundidade bíblica das grandes igrejas e denominações consideradas evangélicas, pois as mesmas são voltadas para a teologia da prosperidade e um Evangelho imediatista e solucionador dos problemas materiais, deixando de lado as grandes doutrinas da graça; 2) Falta de preparo da liderança evangélica, o que impede uma participação mais eficaz no cenário público brasileiro; 3) O relativismo moral que entrou nas igrejas evangélicas, deixando-nos sem norte, referenciais ou princípios claros e firmes; 4) A falta de tradição na igreja evangélica brasileira de se engajar nas questões sociais, morais e políticas do país.
 
03 - Como se explica o crescimento das igrejas Neopentecostais nos últimos anos em nosso país, cheio de práticas místicas, teologia de prosperidade, confissão positiva e uma série de perversões doutrinárias, invadido inclusive igrejas históricas? Qual sua visão deste movimento, e como nós podemos afastar a influência dele em nossas igrejas? 
Falei das razões deste crescimento num capítulo de meu livro “O que estão fazendo com a Igreja,” intitulado “A Alma Católica dos Evangélicos no Brasil”. Estas igrejas crescem porque oferecem ao povo brasileiro, que é católico no coração, coisas do catolicismo, como bispos, relíquias, pompa, rituais, indulgências e salvação por obras. Crescem também porque prometem solução miraculosa para os problemas do brasileiro: saúde, emprego, vitória financeira, libertação de vícios, casamento feliz... Quem não quer isto? Infelizmente, estas promessas, por não terem fundamento bíblico (Deus nunca prometeu prosperidade financeira e saúde perfeita ao cristão que fosse fiel no dízimo, nas ofertas, nas correntes, nos sacrifícios, etc.), acabam trazendo frustração e decepção a milhares de pessoas, que acabam decepcionados com o Cristianismo em geral e nunca mais querem saber de igreja. A única maneira de afastar a influência destes movimentos em nossas igrejas é pregar a Palavra de Deus, expor o erro e confirmar a verdade.

04 - Podemos observar dois extremos: enquanto a teologia liberal faz com que os pensamentos seculares invadam a igreja, algumas outras denominações se isolam em seus ambientes eclesiásticos tornando-se verdadeiros monastérios. No entanto, entre esses dois extremos, qual a postura adequada que a igreja deve ter? O senhor entende que nossas igrejas têm falhado por não conhecer a cosmovisão calvinista acerca da arte, política, religião e ciência?
De fato, a visão calvinista é muito abrangente e fornece uma base bíblica sólida para o engajamento correto na sociedade e em todas estas áreas. O liberalismo teológico nos manda ao mundo, mas sem nada a dizer; as igrejas isoladas têm o que dizer, mas não vão ao mundo. Precisamos ir ao mundo com algo relevante a dizer – e creio que a fé cristã reformada reúne estas duas coisas.

05 - Por fim, gostaríamos de agradecer a participação em nosso blog, e perguntar quais os conselhos que nos dá para desenvolver um trabalho com jovens que tenha como principal foco a busca por um conhecimento mais profundo da palavra de Deus. Pedimos também que nos deixe um texto para edificação de todos que acessam esta página. 
Acredito que há duas coisas a serem feitas. 1) Estimular a leitura de bons livros reformados – e há muitos deles disponíveis em editoras como Fiel, Cultura Cristã, Mundo Cristão, Vida Nova, PES, Nutra e muitas outras; 2) Estimular que aproveitem bom material reformado disponível na internet, como o site Monergismo (www.monergismo.com), onde se pode encontrar sermões, estudos, palestras, inclusive em áudio (mp3). O texto para edificação que deixo é um que marcou minha vida: “levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo” (2Co 10:5). Abraços!


Pr. Augustus Nicodemus Lopes
@augustuslopes


Entrevista feita por Guilherme Barros
@guih_barros