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terça-feira, 26 de junho de 2012

Não há distinção no amor de Deus


           Esse texto é fruto de um desabafo feito na rede social Facebook, onde comentei que critiquei aqueles que acreditavam que a melhor coisa para uma pessoa com transtorno mental é estar presa em um Hospital Psiquiátrico, pois isso era para o "bem da sociedade". Como estudante de Psicologia, que não busca 'curar' vida, mas sim 'ajudar', me vi em meio a uma revolta tão angustiante que passei a pensar até onde realmente vai o nosso amor ao próximo?

Em Mateus 22:39-40 fala: "E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas." Jesus dizia antes que o primeiro mandamento é "Amarás o Senhor, teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento".

                Como cristã já pude ouvir algumas pregações sobre amar o próximo e percebi que muitos irmãos ficam consternados por não acreditarem na possibilidade disso acontecer, existem sim muitos destes que não pregam o 'Amarás ao teu próximo como a ti mesmo' por falta de credulidade de que isso possa acontecer realmente de todo o coração. Como amar aquele seu pai que te abandonou quando criança? Ou aquela pessoa que já te fez tanto mau? Ou para complicar ainda mais: como amar aquela mãe que jogou seu bebê recém-nascido em um caminhão de lixo? Confesso que não é fácil não, mas o próprio Jesus nos fala em Mateus 5:43-44: "Ouvistes que foi dito: Amarás ao teu próximo, e odiarás ao teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem", atento ao versículo 46 que fala "Pois, se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? não fazem os publicanos também o mesmo?".

                Muitos cristãos pregam esse amor ao próximo, mas não o vivem. Quando surge uma única oportunidade de julgar e deixar de lado o outro o fazem sem nem pensar duas vezes.

Mas o nosso Deus é sempre misericordioso para com todos nós, como vemos em Romanos 10:12-13: "Porquanto não há distinção entre judeu e grego; porque o mesmo Senhor o é de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo." Então cremos no Deus que pode tudo. Se Ele nos fala em Sua palavra que todo aquele que crê será salvo, então temos que crê que podemos e devemos sim amar nossos irmãos e nossos inimigos, deixando claro que não me agrado dessa palavra inimigo, por ela ter um peso muito grande.

O agir Deus vai além do que imaginamos, de modo que temos que obedecer em nossas vidas o que a Bíblia nos diz, ainda mais sendo um dos mandamentos mais importantes. Cristo sabe até onde vai a nossa força e capacidade de amar, então podemos e devemos fazer a Sua vontade, pois Ele é mais do que misericordioso para conosco.

Encerro o texto lembrando-se de um evento da UMP onde fomos entregar cestas básicas em um bairro da cidade. Nesse dia eu me encontrava muito triste, mas ao entrar naquelas casas e conhecer aquelas vidas me senti extremamente tocada pelo amor de Deus, onde Ele me mostrava o quanto existe pessoas carentes de amor, então me dei conta que devemos sim amar os nossos próximos, os nossos inimigos, ou aqueles distantes porque esse amor de Deus é tão grande que não devemos ser egoístas com esse sentimento. Fui para casa nesse dia meditando nisso e percebendo o quanto temos que nos compadecer das vidas, o quanto precisamos ser luz e mostrar a verdadeira face do amor em nossas vidas.

Que a graça e a paz de Deus estejam com vocês.
LARYSSA LOBO

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O encontro entre o calor das mãos dos idosos de hoje e do amanhã: superando o preconceito e a solidão



Nesta reflexão, pretendemos abordar a situação dos idosos na sociedade racionalizada, tomando como referência os seguintes aspectos: a solidão, a ausência de afetividade, a exclusão social e o preconceito, abordando-os a partir de uma construção de uma ética do cuidado e de uma abordagem sociológica, teológica e histórica.

O contexto atual é marcado pelo estímulo a comportamentos sociais que separam as experiências cotidianas dos jovens e dos idosos, como se necessariamente eles vivessem realidades divergentes e conflituosas. Isso é acentuado pela negligência dos adultos em dialogar com os filhos sobre a necessidade da troca de experiências entre as diversas faixas etárias.

            Conforme expressou o sociólogo Elias (2000, p.08), “o isolamento tácito dos velhos e dos moribundos da comunidade dos vivos, o gradual esfriamento de suas relações com pessoas a que eram afeiçoados, a separação em relação aos seres humanos em geral” são atitudes penosas para os idosos que estão sujeitos à solidão. Este isolamento da comunidade dos vivos expressa a dificuldade que os indivíduos têm de identificar-se com os idosos. Dessa forma, eles são banidos para os bastidores da vida social, bem como, cercados por sentimentos intensos de constrangimentos, sejam eles verbais ou práticos.

            É relevante destacar que nem todas as sociedades trataram os seus idosos dessa maneira. A história da sociedade israelita demonstra um tratamento respeitoso com essa faixa etária, devido às suas experiências. Os idosos participavam da “Assembleia dos anciãos”, que tinha um status privilegiado na hierarquia social, pois a ele cabia o papel de aconselhar o rei sobre como proceder diante de determinadas situações envolvendo a comunidade (Salmos 107:32; Deuteronômio 27:01; 32:07; Ezequiel 08:01).

Os israelitas estimulavam nas pessoas de todas as gerações o “sentimento de pertencimento” à comunidade e, ao mesmo tempo, imprimiam um status diferenciado aos idosos, mostrando que eles também faziam parte da história daquele povo, o que se diferencia, substancialmente, da visão que se tem dos idosos na sociedade atual, marcada pelo desprezo, isolamento e exclusão social.

A hipótese que levantamos é de que esse tratamento, por parte dos israelitas, reflete à compreensão da limitação e da finitude humana e, ao mesmo tempo, da convicção da infinitude e Soberania do Deus criador do universo. Ao entender que dependiam em tudo de Deus e ao vislumbrar no idoso um acúmulo de sabedoria, baseada na palavra de Deus, os israelitas assumiam uma postura diferenciada diante da vida e do envelhecimento. Dessa forma, as pessoas não isolavam os seus idosos, pois não tinham  medo de identificar-se com eles, como o fazem a maioria dos homens que vivem na sociedade racionalizada. A confiança em Deus, dos israelitas, estava presente nas suas ações cotidianas, pois a ética teocêntrica, os estimulava a viver o sentido do amor e da vida entre os irmãos, que superava o preconceito e a solidão.

O Novo Testamento relata uma situação em que Isabel, mesmo estando na velhice, concebe o precursor do Mestre Jesus Cristo, João Batista, o que demonstra que os propósitos divinos perpassam todas as faixas etárias. O Senhor transformou o ventre estéril de uma mulher senil num manancial de vida, cujo fruto veio pregar o arrependimento e anunciar a esperança naquele que é a expressão maior do Amor de Deus para com a Humanidade, Jesus Cristo: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16).

Repensar a situação do velho na sociedade racionalizada, que deixou de lado a ética cristã, implica em perceber a velhice de forma mais ampliada, tendo a consciência de que todas as pessoas, caso consigam a longevidade, necessariamente, passarão pelo processo de envelhecimento, e esperarão o cuidado e o respeito dos próprios membros de sua comunidade. Tais atitudes são expressões do ser cristão, estando contidas no maior mandamento divino: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo” (Lucas 10:27).

Portanto, jovem, você já sentiu O CALOR DAS MÃOS DOS IDOSOS que frequentam a sua igreja, e principalmente, daqueles que dividem o seu convívio familiar? Lembre-se que você será o idoso do amanhã.

 
Profa. Dra. Silvana Eloisa da Silva Ribeiro
Profa. Me. Andrea Grace Souza de Almeida

@SilvanaEloisa
@andregrace_



REFERÊNCIAS
BIBLIA ONLINE. Disponível em: <http://www.bibliaonline.com.br/> . Acesso em: 09/09/2011.
ELIAS, Norbert. A solidão dos moribundos, seguido de envelhecer e morrer. Plínio Dentzien                    ( trad.). Jorge Zahar. Rio de Janeiro, 2001
HOFF, Paul. Os livros históricos. A poderosa ação de Deus no meio de seu povo. São Paulo,                 Editoria Vida, 1996 
MATOS, Alderi Souza de. O presbiterato – Panorama Bíblico e histórico. Disponível em:  
http://www.mackenzie.br/6925.html. Acesso em: 21/05/2009