terça-feira, 10 de setembro de 2013

Independência e Morte!

Êxodo Capítulo 19.

            O dia 7 de setembro tem um grande significado para o povo brasileiro, ele marca o início de uma nova etapa na vida da nação. O país conquistou liberdade para trilhar seus próprios passos, livre para construir seu destino. Neste ano de 2013 as comemorações referentes à independência do Brasil misturaram sentimentos de patriotismo expressos nos desfiles cívicos realizados na maioria das grandes cidades do Brasil com sentimentos de revolta e indignação populares expressos nas diversas manifestações de protestos, também realizados em muitas cidades do País. Estes movimentos de protestos refletem a insatisfação do povo com aqueles que receberam a missão de conduzir o destino da nação.

            O livro de êxodo relata o início de uma nova etapa para a nação de Israel. Este povo que recebera a promessa de ser uma nação livre e viver debaixo da benção de Deus acabara de ser liberta da escravidão do Egito e estava dando início a sua caminhada sobre a face da terra como uma nação livre do julgo de outra nação e chamada para cumprir o propósito divino. Deus escolhe um homem para liderar esta nação rumo ao destino que Deus preparou para ela, este homem é Moisés, e sua liderança consistia em mediar a aliança entre Deus e a nação. Assim como aquela nação, a Igreja do Senhor é o cumprimento das promessas de Deus, os que fazem parte desta grande nação um dia estavam aprisionados pelo pecado e foram libertos para cumprir o propósito de Deus, e o próprio Deus elegeu um homem como cabeça e líder deste povo, este homem é Jesus, e a ele foi entregue a missão de conduzir como mediador a Igreja em uma relação de aliança com Deus.

             Baseado em êxodo 19 gostaria de meditar sobre os privilégios para o povo de Deus em ter Cristo como mediador:

     1. O conteúdo da sua revelação é de caráter celestial: Antes de apresentar ao povo o que estava proposto para a nação, Moisés dialogava diretamente com Deus, desta forma através da mediação de Moisés eles tinham o privilégio de tomar conhecimento dos planos de Deus da libertação do Egito até a posse da terra prometida. A comunhão de Moisés com Deus também proporcionou ao povo o recebimento de leis que revelavam atributos do caráter de Deus, entre eles o amor, a justiça, o perdão, a misericórdia e a fidelidade com o propósito de conduzir a nação a desfrutar destes valores celestiais na sua peregrinação diária rumo à terra prometida. O autor da carta aos Hebreus apresenta Jesus como mediador superior a Moisés, pois como filho de Deus, Jesus desfrutava de uma comunhão perfeita com o pai. O mesmo autor da carta aos hebreus relata que Jesus é a expressão exata do ser de Deus, revelando o caminho pavimentado por Deus, a ser seguido pela sua Igreja durante sua caminhada pela face da terra com destino ao lar celestial.

      2. Caminhar com a nação: O amor de Deus por Moisés não o impediu de entregá-lo para caminhar ao lado de um povo que continuamente reclamava, e alguma vez rebelava-se contra Moisés para mostrar sua insatisfação com Deus. A presença de Moisés como mediador no meio do povo era operosa, orientando-os na direção que deveriam seguir, alimentava e saciava a sede do povo, julgava sobre toda a nação, disciplinando-os com firmeza, preparava o povo para a batalha, intercedia pelo povo, clamando a Deus por misericórdia, encorajava o povo a caminhar rumo à terra prometida. O livro de apocalipse relata a presença de Jesus como mediador no centro da Igreja, Ele é o Senhor da Igreja e age de forma operosa nela e por meio dela, preservando-a dos ataques de satanás, fortalecendo-a em meio às adversidades, intercede junto ao pai por ela, conduzindo-a em santidade em sua caminhada triunfante rumo a Jerusalém celestial.


      3.    Reconcilia o homem com Deus: Como mediador Moisés recebeu a missão de libertar o povo do Egito, conduzir o povo pelo deserto e por fim introduzi-los na terra prometida. Para cumprir estes objetivos abriu mão da convivência dos palácios egípcios, suportou o fardo de caminhar ao lado de um povo rebelde. No cumprimento do último propósito sua morte foi significativa, visto que ela marcou a entrada da nação na terra que Deus preparou para eles. Para resgatar o seu povo do domínio do pecado, o filho de Deus como mediador, se esvaziou, abrindo mão de sua glória, tornando-se homem, habitou entre nós, manifestou o Reino de Deus na terra e por causa disto foi perseguido, caluniado e ultrajado. Ao morrer na cruz cumpriu eficazmente sua missão como mediador reconciliando o seu povo com Deus.

Conclusão: Cristo ocupa o centro na trajetória do povo de Deus. O plano de Deus foi feito por causa Dele, o cumprimento das promessas de Deus para o seu povo baseava-se em seus méritos e pôr fim a história do povo de Deus é o resultado da missão que Ele exerceu como mediador entre Deus e o homem. Deste modo se como nação celebramos a independência no 7 de Setembro, marcada pela frase notória de D. Pedro I, independência ou morte, e assim também como o povo de Israel celebrava a libertação do Egito, que possamos de forma muito mais profunda e constante festejar com o coração cheio de gratidão a nossa maior libertação, a do pecado, da morte e da condenação. Em Cristo temos a independência e morte. Através do sacrifício do perfeito mediador recebemos a carta de alforria que nos livra do cárcere do pecado, e hoje somos escravos de Cristo, vivendo para a glória de nosso Senhor.

Solus Christus!
Soli Deo Gloria!


Amauri Ribeiro

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

UMP Indica: Não Banalize o Perdão!

Como temos tratado nossos pecados diante de Deus? A nossa confissão tem sido sincera ou simplesmente confessamos porque sabemos que ele derrama sua misericórdia sobre nós? Temos usado algo tão valioso como o perdão de Deus, para o simples fato de alivio de consciência, um sentimento de "fiz minha parte por ter pecado, vim pedir perdão" essa indicação vem falando sobre a banalização do pedido de perdão a Deus, será que realmente sabemos o peso do pecado sobre nossas vidas?

É com o intuito de nos ajudar nesta importante reflexão que a UMP Indica neste semana um vídeo do Pr. Josemar Bessa tratando sobre este assunto.

Assista o vídeo:

Fábio Araújo
Facebook: https://www.facebook.com/fabio.araujo.58173

sábado, 7 de setembro de 2013

Ecumenismo, Progresso ou Ameaça? Com a Palavra Hernandes Dias Lopes




A união de todas as religiões e de todas as crenças é um progresso ou uma ameaça à igreja de Cristo? Para responder a essa questão, precisamos perguntar: Existe verdade absoluta? Nossa resposta é um sonoro SIM. Portanto, podemos unir verdade e mentira, luz e trevas, salvação pelas obras e salvação pela fé? Nossa resposta é um sonoro NÃO. O que está por trás dessa tentativa de unir todas as crenças? É a heresia de que todo caminho leva a Deus. O ecumenismo é um engano. Não há comunhão entre luz e trevas. Não há união entre verdade e mentira. A ideia de que toda religião é boa e de que toda religião conduz o homem a Deus é um engano fatal. Nenhuma religião pode levar o homem a Deus. Somente Jesus é o caminho para Deus. Somente pela fé em Cristo o homem pode ser salvo. Portanto, afirmamos, à luz da Palavra de Deus, que o ecumenismo não é um progresso, mas uma ameaça à igreja de Cristo!

Facebook do Autor

Rodrigo Ribeiro

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Dias Melhores: Um anseio presente em Habacuque, Asafe e Jota Quest.

Todo dia ligamos a TV e vemos bandidos invadindo casas, adolescentes matando pessoas á sangue frio e políticos corruptos que roubam todo o dinheiro da nação e enriquecem suas contas bancárias, enquanto milhões de pessoas vivem em situação de pobreza extrema. E nos últimos dias estamos também sendo comovidos pela situação em que se encontra a Síria. Milhares de pessoas mortas, entre elas muitas crianças. É realmente um retrato horrível do nosso planeta. E é sempre em meio á essas situações que vem as perguntas: “Onde está Deus?” “Deus não está vendo isso?”.


Com certeza muito de nós já nos fizemos esta pergunta. Inclusive o “Ateu” as usa para negar a existência do mesmo! Mas, e qual a resposta? Por que um Deus tão justo e bom permite tanto sofrimento e injustiça no mundo? 


Para nos ajudar em meio á todos esses dilemas temos, é claro, a Bíblia Sagrada, que é apta para instruirmos em toda boa obra. Vou mostrar dois casos Bíblicos em que ao olhar para injustiça do mundo pessoas fizeram essas mesmas perguntas, e qual foi a reposta que receberam de Deus. Visto que Deus não muda, a resposta valerá para nós também!


O livro de Habacuque é o principal retrato dessa injustiça predominante no mundo, pois o período em que o profeta viveu foi marcado por grande degradação moral do povo de Israel. E no primeiro capítulo de seu livro Habacuque faz a seguinte pergunta a Deus: “Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! e não salvarás?” Habacuque 1:2

E a resposta do Senhor está no capítulo 2, quando Ele diz: “O justo viverá pela fé.” Deus estava dizendo para Habacuque esperar pela justiça de Deus, que com certeza virá! O profeta deve viver em meio ás injustiças confiante que o Seu Deus um dia porá tudo à vista, e não deixará nenhum mal impune! Isso é viver pela fé!


No Salmo 73, Asafe se encontra na mesma situação, e diz ter quase tropeçado na fé ao invejar a prosperidade dos ímpios. O Salmista via homens exploradores, que passavam por cima de tudo e de todos para ter o que eles queriam, que roubavam e matavam, mas ainda assim, conseguiam se dar bem na vida. Ele os via como os intocáveis, que nunca seriam castigados pelo que fizeram, pois via muitos deles chegarem ao final de suas vidas impunes. Mas a partir do versículo 17, um novo panorama surge, o músico afirma que ao entrar no santuário do Senhor entendeu qual seria o fim deles e qual seria o seu. Ai então ele se alegra no Senhor, pois ainda que sua carne desfalecesse o Senhor era sua porção que ele teria eternamente. Diferente dos ímpios que prosperaram na carne, mas vão desfrutar de uma terrível eternidade distantes de Deus, onde o sofrimento é para sempre! E no último verso ele diz: “Mas para mim, bom é aproximar-me de Deus; pus a minha confiança no Senhor DEUS, para anunciar todas as tuas obras.” Salmos 73:28

Asafe repetiu as palavras de Habacuque. Por nossa confiança no Senhor é viver por fé! Ou seja, o segredo de enfrentarmos esse mundo, com todas as suas maldades e injustiças é um só: Viver por fé!
  

A verdade é que Deus não responde essas perguntas. Sabemos que ele permite tudo o que acontece, e que até mesmos a injustiça coopera para nosso bem! (Rm 8.28) Mas ele não nos deixa sem norte, ele nos ensina como enfrentar essas situações. Não devemos contestar a Deus e seus propósitos. Mas viver por fé!

Assim como Habacuque, também vivemos dias de grande depravação moral em nossa sociedade, que por acaso parece ficar pior a cada hora que se passa. Da mesma forma que acontecia na época de Asafe, os ímpios ainda prosperam à custa dos pobres, e na maioria das vezes são vistos como intocáveis, que nunca serão punidos. Temos por exemplo o mensalão. Muitos são condenados, declarados publicamente culpados de roubar á nação, mas nenhum vai preso. E não chegam nem a perderem seus mandatos. Enquanto isso nós pensamos: “Eles nunca vão ser punidos!” Eu não tenho mais esperança que eles paguem pelo que fizeram!” Mas esse não deve ser o pensamento Cristão. Nós devemos entender que embora eles possam prosperar nessa vida, e nunca serem punidos enquanto vivos, o grande julgamento os aguarda, onde todas as suas obras más serão expostas e a Ira de Deus de manifestará contra toda impiedade e injustiça.

Mas onde entra Jota Quest nessa história? Essa banda de pop rock nacional entendeu bem qual é o nosso lado da moeda. E como devemos nos portar em meio a um mundo tão cruel e desigual. Em uma música maravilhosa composta por eles, podemos ver a esperança no coração humano de que um dia toda injustiça acabará e teremos dias melhores para sempre. Isso é viver por fé! Exemplo claro que de Graça comum de Deus presente na letra desta linda canção. 


Então façamos coro a Jota Quest, fitemos nossos olhos em Cristo, prosseguindo em nossa carreira Cristã, e cantando alegre e confiadamente: “Vivemos esperando, o dia em que seremos para sempre. Vivemos esperando: Dias melhores para sempre!”. 

Vivemos esperando
Dias melhores
Dias de paz, dias a mais
Dias que não deixaremos
Para trás
Oh! Oh! Oh! Oh!...

Vivemos esperando
O dia em que
Seremos melhores
(Melhores! Melhores!)
Melhores no amor
Melhores na dor
Melhores em tudo
Oh! Oh! Oh!...

Vivemos esperando
O dia em que seremos
Para sempre
Vivemos esperando
Oh! Oh! Oh!
Dias melhores prá sempre
Dias melhores prá sempre
(Prá sempre!)...



Guilherme Barros
Facebook: https://www.facebook.com/GuilhermeBarroos

Por Que os Cristãos Precisam de Confissões

Ao contrário do que se diz, o mundo cristão não é dividido entre aqueles que têm credos e confissões e aqueles que têm apenas a Bíblia. É, na verdade, dividido entre aqueles que têm credos e confissões e as tornam públicas, abertas ao escrutínio público e à correção, e aqueles que os têm porém não os tornam públicos. A razão é simples: toda igreja (e, na verdade, todo cristão) acredita que a Bíblia significa algo, e aquilo que se crê que a Bíblia significa é seu credo e sua confissão, quer escolha escrever e formalizar suas crenças ou não.

É claro que aqueles que afirmam não ter credo algum a não ser Cristo e livro algum a não ser a Bíblia estão, geralmente, tentando proteger algo importante e bíblico: a suprema autoridade das Escrituras em todos os assuntos de fé e prática cristãs. Há um temor correto em relação a permitir que ideias e tradições não bíblicas impactem a substância daquilo em que a igreja crê. Mas mesmo com todas as boas intenções que eles provavelmente têm, eu acredito que o que querem proteger – o status único das Escrituras – é, na verdade, melhor protegido por meio de documentos confessionais explícitos, conectados à uma forma cuidadosamente pensada de governo da igreja.

De fato, e até ironicamente, são aqueles que não expressam sua confissão em forma de um documento escrito que estão em perigo de elevar sua tradição acima das Escrituras de maneira que a primeira pode nunca ser controlada pela segunda. Se uma igreja tem um documento dizendo que é dispensacionalista em relação à escatologia, então todos nós sabemos qual é a posição dela em relação ao fim dos tempos, e podemos fazer como os crentes de Beréia e testar a posição dessa igreja de acordo com as Escrituras e ver se é isso mesmo. A igreja que simplesmente fala que a posição dela em relação ao fim dos tempos é a mesma que é ensinada na Bíblia parece estar falando tudo, mas, na verdade, não está falando nada.

Em resumo, credos e confissões, ligados à política eclesiástica bíblica, são uma parte vital da manutenção da vida saudável da igreja do Novo Testamento. Aqui estão sete razões pelas quais toda igreja deveria tê-los.

1) Confissões delimitam o poder da igreja

Numa era em que as palavras, especialmente palavras de afirmações reivindicando a verdade, sempre são tidas como suspeitas de fazerem parte de algum jogo manipulador de poder, então é contraintuitivo pensar que confissões delimitam o poder da igreja. Porém, um pouco de reflexão torna claro que é exatamente isso que elas fazem. Os oficiais da igreja têm autoridade apenas em relação aos assuntos que a confissão define. Dessa forma, se alguém na igreja declara que a trindade é uma bobagem ou comete adultério, os oficiais tem tanto o direito quanto o dever de intervir. Os dois pontos são tratados nos Padrões de Westminster. Porém, se alguém quiser aparecer na igreja com um terno amarelo fluorescente ou decidir se tornar vegetariano, os oficiais não têm o direito de intervir. Eles talvez tenham reservas pessoais quanto à forma apropriada das pessoas se vestirem ou podem se questionar como alguém poderia viver sem um hambúrguer de vez em quando, mas não é dever da igreja abordar nenhuma dessas questões. De fato, isso é o que impede a igreja de se tornar seita: afirmações claras e abertas sobre onde a autoridade da igreja começa e termina, conectada à processos transparentes de exercitar essa autoridade.

2) Confissões oferecem resumos sucintos da fé


Se você tem em sua estante ou em seu bolso uma cópia dos Padrões de Westminster, então você tem mais teologia de qualidade por página do que qualquer outra coisa a não ser a Bíblia. Tomos teológicos parecem muitas vezes vastos e hostis, e poucos tem tempo para lê-los. O Breve Catecismo de Westminster, entretanto, pode ser carregado no seu bolso, lido em poucos minutos, e facilmente memorizado. É todo um currículo teológico numa forma de fácil digestão. É claro que existem outros livros por aí que fazem a mesma coisa. Mas existe algum que faça isso de forma tão eficiente e de fácil digestão? A igreja que possui uma boa confissão e um bom catecismo já tem uma ferramenta de ensino pronta para ensinar pouco a pouco a verdade para seu povo.

A história provou isso várias vezes. Aqui temos, por exemplo, a afirmação de B. B. Warfield em 1909:


Qual é “a marca indelével do Breve Catecismo”? Nós temos a seguir fragmentos da experiência pessoal de um general oficial do exército dos EUA. Ele estava em uma grande cidade do ocidente num tempo de muita excitação e de revoltas violentas. As ruas eram invadidas diariamente por uma multidão perigosa. Um dia, ele observou que se aproximava dele um homem com uma singular combinação de calma e firmeza no semblante, cujo comportamento inspirava confiança. Ele estava tão impressionado com o porte desse homem em meio ao alvoroço que, quando o homem passou por ele, ele se virou para olhá-lo, apenas para ver que o estranho fez a mesma coisa. Por observar que ele se virou, o estranho veio ao seu encontro, e tocou o seu peito com o dedo indicador, exigiu uma resposta, sem precedentes: “Qual o fim principal do homem?”,e  ao perceber o código, o oficial respondeu: “O fim principal do homem é glorificar a Deus, e gozá-lo para sempre.” – “Ah!”, o homem disse, “eu sabia que você era um garoto do Breve Catecismo só pelo seu olhar!”, “Uau! Isso era justamente o que eu estava pensando de você!”, foi a resposta.  (Selecionado de “Shorter Writings”, vol. 1, 383-84).

E o comentário lacônico de Warfield posterior a essa história é: “Vale a pena ser um garoto do Breve Catecismo. Eles crescem para ser homens. E melhor do que isso, eles estão extremamente aptos a crescerem para ser homens de Deus”. A razão, claro, é que o Breve Catecismo é, indiscutivelmente, uma excelente e concisa declaração de todo o conselho de Deus.

3) Confissões permitem uma distinção apropriada entre membros e oficiais da igreja

Há um debate dentro dos círculos reformados sobre qual deve ser exatamente a quantidade de conhecimento doutrinário exigida para se tornar membro de uma igreja. Para mim, acredito que Romanos 10 indica que o limite deve ser ajustado de acordo com o padrão mais baixo e não o mais alto do espectro.  Uma confissão básica, a medida que é combinada com espírito humilde e que aceita a repreensão, é o bastante.

Mesmo que alguns discordem que o limite deve ser baixo, todos devem concordar que deve haver diferença entre o nível de conhecimento requerido de um oficial da igreja e de um novo membro. O nível em que alguém começa sua vida cristã não pode ser o mesmo daquele em que se estará no fim dessa vida. Deve haver crescimento em maturidade, e um aspecto disso é o crescimento do conhecimento doutrinário, e os documentos confessionais de uma igreja oferecem um roteiro ou uma lista de requerimentos daquilo que dá densidade e estrutura a esse crescimento. A igreja sem confissão, ou apenas com o mínimo de afirmações sobre sua doutrina, tem a desvantagem de não ser capaz de, perante  o povo, estabelecer qualquer visão bíblica do que a teologia de um cristão maduro deve ser.

4) Confissões enfatizam o que é mais importante

Talvez fosse possível expressar esse ponto de forma negativa: se não estiver na confissão, vai ser difícil defender que é um ponto de muita importância. Essa é uma das razões pelas quais as confissões devem ser um tanto elaboradas. Se, por exemplo, uma igreja tem uma base doutrinária ou uma confissão de 10 pontos, o problema que os oficiais terão que enfrentar é como convencer o povo de que um décimo primeiro ponto doutrinário é realmente importante. Se algo não está na confissão, então a igreja está funcionalmente permitindo a liberdade de consciência nesse ponto. Por exemplo, se a confissão não faz referência ao batismo, permitem que tanto pedobatistas quanto credobatistas ocupem o cargo de oficial, então o batismo é  transformado em um assunto de indiferença prática. O mesmo se aplica para qualquer doutrina – perseverança, santificação, escatologia: se não é mencionado, então a igreja não tem uma posição oficial nisso e é relegado a ser um assunto de menor importância.

Novamente, para voltar ao ponto anterior: o novo convertido ou novo membro não saberá, necessariamente, no momento em que se junta à igreja, o que é importante e o que é indiferente. Uma boa e elaborada confissão provê à igreja não só um ótimo mapa pedagógico, mas também uma boa fonte de ensino para as pessoas sobre aquilo que realmente importa e sobre o porquê.

5) Confissões relativizam o presente e nos conectam ao passado

Todos sabemos que o cristianismo não é reinventado a cada domingo. Todos nós nos firmamos em uma base que foi construída para nós por muito irmãos e irmãs em Cristo que se foram antes de nós. Entretanto, frequentemente somos tentados a viver como se isso não fosse verdade. Isso dificilmente é surpresa, já que vivemos numa era onde as forças anti-históricas da cultura geral são poderosas e invasivas. Seja um comercial nos dizendo que a próxima aquisição irá nos trazer felicidade ou a ciência prometendo algum avanço que irá tornar nossas vidas mais fáceis, tudo a nossa volta aponta para o futuro como o que é mais importante e, certamente, vastamente superior ao passado.

Em contraste, o cristianismo é uma religião enraizada na história. Ele é constituído pelas ações históricas de Deus culminando em Cristo, e ele vem a nós pela articulação fiel e preservação de sua mensagem pela igreja de Deus durante os séculos. Isso é profundamente contracultural e algo do qual precisamos ser constantemente relembrados. Ironicamente, pode ser que aqueles que afirmam não ter credo algum a não ser a bíblia estejam, na verdade, meramente refletindo o espírito da nossa geração com todo o seu triunfalismo anti-histórico.

Nesse contexto, o uso dos credos e confissões é um dos meios intencionais para nos conectarmos com o passado, nos identificarmos com a igreja das gerações passadas, e, assim, relativizar nosso próprio significado no grande propósito de tudo que existe. Recitar os antigos credos no culto é um exemplo prático disso. A afirmação dos documentos confessionais históricos, como uma expressão dos compromissos dos oficiais da igreja e o conteúdo das ambições pedagógicas da igreja para sua membresia é outro exemplo prático.

6) Confissões refletem a essência da nossa adoração

Quando eu ministro minha disciplina de Igreja Primitiva, sempre enfatizo que a dinâmica dos debates trinitarianos e cristológicos primitivos era doxológica e intrinsicamente conectada à adoração cristã. De forma simples, a afirmação da igreja primitiva “Jesus é o Senhor!” e a conjunção do Pai, do Filho e do Espírito Santo nos dizeres do batismo apontam diretamente para uma fundação de teologia profunda. Eles proveram o contexto para as discussões que acabariam por constituir o Credo Niceno e a Definição de Fé de Calcedônia. A tradição confessional da igreja começou com a reflexão a cerca do significado dos atos de adoração.

Por dois milênios, a adoração da igreja não mudou em seus pontos fundamentais – isto é, a declaração que Jesus é o Senhor e que a salvação é uma ação do Deus triúno: Pai, Filho e Espírito Santo – e nossas confissões explicam o conteúdo desses pontos.

Portanto, não devemos pensar que as confissões e doutrinas são contrárias à  adoração vibrante. A posse de uma confissão, é claro, não se igualará à adoração vibrante, nem mesmo a garante, tanto quanto a mera existência de um código legal garante uma sociedade civilizada. Entretanto, as confissões são pré-requisitos para a adoração vibrante e consciente, são o sentido do que fazemos como cristãos.

Essa função confessional provavelmente se tornará mais visivelmente importante nos anos que estão por vir. À medida que outras religiões colidem com o cristianismo e, especialmente, algumas dessas religiões usam o mesmo tipo de vocabulário bíblico que usamos, será mais e mais crucial que entendamos não apenas as palavras que usamos, mas também o que essas palavras realmente significam. O seu amigável vizinho mórmon poderá muito bem concordar com você que Jesus é o Senhor e pode até cantar alguns dos mesmos hinos que você no culto. Assim, você terá que saber exatamente o que sua igreja quer dizer com “Jesus é o Senhor” ou com o batismo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Boas confissões te possibilitam fazer isso com mais facilidade do que qualquer outra coisa.

7) Confissões são uma parte vital do plano de Paulo para a igreja pós-apostólica

Quando Paulo escreveu, quando estava preso, para seu aprendiz, Timóteo, sua mente estava focada em como a igreja iria se virar quando ele e os outros apóstolos saíssem de cena. A resposta dele é composta por duas partes: uma estrutura na qual o governo da igreja fosse colocado nas mãos de homens ordinários, porém fiéis, e a forma de sãs palavras. Ambas eram necessárias. Sem a estrutura, a igreja não teria liderança; sem a forma de sãs palavras, ela iria se desviar por ventos de doutrina, perdendo contato com seu passado e com outras congregações no presente. Uma forma de sãs palavras, uma confissão, era crucial para manter tanto a continuidade com os apóstolos quanto a unidade entre os cristãos do presente. E isso é o que nossos documentos confessionais fazem hoje: eles nos ligam aos nossos irmãos e irmãs crentes do passado e aos do presente.

A exclamação “Nenhum credo, exceto Cristo, e nenhum livro, exceto a Bíblia!” tem uma aparência ilusoriamente piedosa e bíblica, mas não deveríamos nos envergonhar de sermos cristãos confessionais, pois as confissões nos capacitam a manter determinadas prioridades bíblicas. Nós deveríamos ser gratos por isso e, da mesma forma, tentar mostrar aos nossos irmãos e irmãs não confessionais um caminho melhor para preservar as coisas que são valiosas para todos os cristãos.

Carl Trueman

Traduzido por Fernanda Vilela | iPródigo.com | Original aqui
Publicado em: http://iprodigo.com/traducoes/por-que-cristaos-precisam-de-confissoes.html

Intercâmbio feiro por Rodrigo Ribeiro

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Cosmovisão Cristã: Um Breve Resumo

Cosmovisão significa basicamente “visão ou concepção de mundo” o que seria uma das possíveis traduções da palavra alemã weltanchauun. Inicialmente a cosmovisão era entendida como a capacidade humana de perceber a realidade sensível (definição de Immanuel Kant), e estava vinculada unicamente a grande sistemas metafísicos e construções teóricas da cultura, mas o significado de weltanchauun foi sendo ampliado, ao ponto de reconhecer-se hoje nos estudos da sociologia do conhecimento que a cosmovisão não somente precede a reflexão teórica mas também a condiciona. Em resumo, a nossa cosmovisão é um conjunto de valores pré-teóricos, a fonte primária de todas as nossas reflexões, a origem de todos os pressupostos científicos, artísticos e culturais. É nesta perspectiva que diversos pensadores protestantes desenvolveram seus estudos, como por exemplo, Abraham Kuyper, James Orr e Dooyeweerd.

Kuyper foi inclusive o mentor do movimento neocalvinista, exercendo de forma prática e admirável suas ideias de cosmovisão, sendo parlamentar, fundando um partido, assim como uma universidade, um jornal e chegando até mesmo ao cargo de primeiro ministro da Holanda, além de ser ministro da Igreja Reformada da Holanda. Este homem notável desenvolveu brilhantemente a concepção de que o Cristianismo nos moldes da doutrina calvinista se revela como um verdadeiro sistema completo de vida, assim como também esposou outras questões bastante interessantes como a noção de que todo homem é fundamentalmente religioso e que a criação deve ser regida mediante as esferas de soberania.

A cultura, entendida como tudo aquilo que é produzido e partilhado pelos homens de uma determinada sociedade, é reflexo das cosmovisões subjacentes no contexto em que é gerada. As crenças fundamentais do indivíduo serão delineadas em todas as suas manifestações culturais, sendo revelada basicamente através de algumas questões essenciais que dizem muito a respeito de sua cosmovisão, como por exemplo: qual a origem da vida ou a finalidade desta, ou ainda, como podemos saber o que é certo ou errado?

A título de exemplificação, Fabiano de Almeida Oliveira cita algumas ilustrações para auxiliar na visualização da relação entre a cosmovisão e a cultura, dentre elas a figura de uma construção onde a cosmovisão é um alicerce, contendo os compromissos de fé, as crenças e os valores, e a imagem de um iceberg, onde se identifica uma pequena camada de gelo visível (cultura, moralidade, ciência, artes), mas no fundo, de modo submerso encontra-se a dimensão tácita da cosmovisão (nossas percepções pré-teóricas).

Esta “camada submersa” em nosso interior é divida em duas partes: a mais profunda, que é a dimensão sócio religiosa central ou espiritual e a segunda, mais próxima da superfície, a dimensão psíquico-social. A camada mais profunda é identificada nas escrituras como o coração do homem, de onde provem todos os seus impulsos (Pv 4.23), e partindo de pressupostos bíblicos é preciso compreender que não existe neutralidade nesta dimensão: o coração do homem é sempre religioso, a grande questão é se ele está voltado para Deus ou se ainda está afetado pelos efeitos pecaminosos da queda em franca rebelião, entregue a desejos apostatas e idólatras. A segunda camada é resultante das experiências psíquicas e sociais acumulados ao longo da vida, desde as menores idades no seio familiar até a relação com agrupamentos sociais mais complexos ao longo da vida. Desta forma a uma soma de duas dimensões no ser humanos, uma mais básica que envolve os impulsos religiosos mais primários de seu coração e outro construída socialmente.

No entanto nossas cosmovisões não ficam estagnadas ou isoladas em nosso interior, muito pelo contrário, elas são constantemente compartilhadas com outros, assim como também somos influenciados por terceiros, em um processo de síntese. Este intercâmbio de valores e informações se inicia nos agrupamentos mais básicos e próximos, mas como numa reação em cadeia, este compartilhamento alcança níveis locais, regionais e até mesmo globais, formando assim o que denomina de espírito de uma época ou Zeitgest. E este é um processo de retroalimentação, os indivíduos influenciam a criação da cosmovisão global e também são influenciados por elas.

Ocorre que este movimento dinâmico de formação e propagação de cosmovisões não se dá de forma aleatória e desinteressada. O fluxo contínuo de percepções e valores de uma sociedade é direcionado por uma rede de interesses através de vários mecanismos que vão desde a educação familiar até mesmo a legislação e produções culturais. E nesta perspectiva é importante ressaltar que algumas cosmovisões são alijadas do processo de compartilhamento, por não se enquadrarem nos critérios daquilo que a sociológica chama de estrutura de plausibilidade, ou seja, os valores escolhidos e defendidos pelos interesses sociais majoritários.

Neste sentido importa elencar os mecanismos utilizados para anular as cosmovisões rejeitadas pela estrutura de plausibilidade: a absorção, que consiste na síntese da cosmovisão minoritária que tem seus valores diluídos e por fim completamente absorvidos; a cristalização que ocorre quando há um isolamento daqueles valores, que passam a ser consideradas peças de um museu, e ainda que continuem a existir são nulas em influência; e por fim a marginalização através de um comportamento ostensivo e hostil contra esta cosmovisão.

A cosmovisão cristã é fundada nos pressupostos bíblicos e é revelada inicialmente em um coração regenerado que não mais está em rebelião contra Deus, mas direciona todos os seus esforços na glorificação de nome, propósito de nossa existência. Assim há uma transformação completa neste individuo, que passa moldar-se a imagem de Cristo e guardar a palavra no coração para não pecar contra Deus (Salmo 119:11), que significa moldar toda a sua cosmovisão de acordo com os princípios bíblicos, resumidamente compreendidos através do tripé Criação-Queda-Redenção.

Em termos gerais, a cosmovisão cristã percebe que tudo que Deus criou é bom e foi criado com o propósito de glorificar a Deus , sendo ele a fonte de toda a vida, além de mantedor de todas as coisas e única fonte de todo o conhecimento. No entanto a queda trouxe efeitos catastróficos para os nossos corações assim como para toda a criação, de modo que em toda produção cultural há um direção apostata, idolatra, que revela rebelião contra o Criador. Mas a história não termina ai. Através da redenção em Cristo Jesus o cristão deve continuar a exercer o seu mandato cultural, “redimindo” a cultura ao seu redor, combatendo os reflexos de pecado e reforçado aquilo que é fruto da graça comum de Deus que ainda permanece no mundo caído, sempre na certeza que Cristo, e somente ele, irá concluir esta obra na sua volta.

Compreendendo que não pode se abster de sua tarefa, pois o mandato cultural é uma ordem cosmológica, ou seja, quer queira ou não o homem sempre vai desenvolver uma cultura, o cristão deve empenhar-se em ter uma boa base bíblica, a fim de ter uma cosmovisão sadia, e posteriormente um conhecimento sólido também em sua área de atuação, com o objetivo de compreender as cosmovisões presentes no seu oficio, arte ou ciência, e assim combater os valores contrários á palavra de Deus e labutar no sentido de solidificar os pontos de uma graça comum e fortalecer os princípios de uma cosmovisão biblicamente orientados. Esta é uma tarefa de todos: o biólogo, o químico, o artista, o jurista, o técnico em informática, o pais na educação dos filhos, o professor, etc.

Por fim, com base em tudo que foi visto, é necessário combater também uma falácia de nosso tempo que nos induz a ter uma fé privada que não tem implicações públicas, um mero sentimento religioso. Isto é impossível de se realizar, haja visto que todo homem é religioso, ainda que este impulso se revele na forma de rebelião. A religião neste caso não é compreendida apenas como uma manifestação socialmente determinada, como a liturgia, o culto, mas sim como a nossa confiança última, o alvo mais profundo de nossa devoção, o alvo de nosso mais firme e resoluto envolvimento e entrega. O incrédulo que não tem Deus como foco e alvo de sua devoção se coloca como seu próprio ídolo, e utiliza sub-ídolos para auxiliar seu culto auto-centrado (ideologia, dinheiro, poder, sexo, amor), no entanto até o mais convicto ateu tem em si uma motivação fundamental religiosa em seu coração, que direciona toda a sua cosmovisão.


Deste modo, devemos rejeitar o isolamento de nossa fé, pois não existe posição de neutralidade religiosa, e nossa cosmovisão deve ter espaço nas discussões públicas e produção cultural. Precisamos resistir às formas com que a estrutura de plausibilidade de nossa sociedade decaída tem usado para eliminar a cosmovisão bíblica, como a secularização e a confrontação ostensiva de nossos valores, através dos meios de comunicações e até dos movimentos acadêmicos e culturais. Isto é uma tarefa de todos nós. Que Deus nos dê graça para cumprir nossos mandatos culturais!

Rodrigo Ribeiro

Este texto é um resumo do módulo COSMOVISÃO CRISTÃ da Especialização em Estudos Teológicos do Andrew Jumper, ministrado pelo Prof. FABIANO DE ALMEIDA OLIVEIRA, de modo que o material produzido por este professor para o curso supracitado foi a base deste reflexão.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

UMP INDICA: Maravilhosa Graça

Amazing Grace é, sem dúvida, um dos grandes hinos cristãos. Seu autor, o pastor inglês John Newton (1725-1807) resumiu sua vida na citação:  John  Newton. “Uma vez um infiel e libertino, Um servo de escravos na África, Foi pela misericórdia de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo Preservado, restaurado, perdoado, E nomeado para pregar a fé que  ele Tinha se esforçado muito para destruir...”

Provavelmente Newton escreveu Amazing Grace entre 1760 e 1770. Baseado em I-Crônicas 17:16-17, passagem em que o rei Davi rememora a misericórdia de Deus para com um homem tão insignificante e pecador como ele. Foi escrita para ilustrar um sermão no dia de ano novo de 1773 e fez parte dos "Hinos Olney", hinário de músicas compostas por John Newton e seu amigo, o poeta William Cowper. A melodia talvez seja de uma música entoada pelos negros escravos que viajavam nos navios ingleses.

Assista um vídeo com uma das versões deste clássico:


Walber Arruda
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