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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

“Me Ama” (How He Loves): Um Hino à Graça

Tem ciúmes de mim
O Seu amor é como um furacão
E eu me rendo ao vento de Sua misericórdia
Então de repente não vejo mais minhas aflições
Eu só vejo a glória
E percebo o quanto maravilhoso Ele é
E o tanto que Ele me quer

Oh, Ele me amou
Oh, Ele me ama
Ele me amou

Somos Sua herança e Ele o nosso galardão
Seu olhar de graça nos atrai à redenção
Se a graça é um oceano, estamos afogando
O céu se une a terra como um beijo apaixonado
Meu coração dispara em meu peito acelerado
Não tenho tempo pra perder com ressentimentos
Quando penso que Ele

Me ama,
Ele me ama
Ele me ama
Ele me ama

Como o Marcos Almeida do Palavrantiga sempre costuma dizer, cada música tem o significado que a pessoa que a escuta lhe atribui e foi pensando nisso que decidi escrever esse texto sobre a música “Me Ama” (How He Loves), principalmente após a polêmica envolvendo meu texto sobre o Diante do Trono. Assim, decidi explicar porque essa música que ficou tão popular por causa do DT, é tão importante para mim e me lembra grandes verdades do Evangelho.

Essa canção foi escrita por um músico cristão americano chamado John Mark Mcmillan após a morte de um grande amigo seu que era pastor de jovens e certo dia orou a Deus dizendo que estava disposto a dar a sua própria vida para que Deus avivasse a juventude americana. No dia seguinte, ele morreu de forma brutal em um acidente automobilístico. O John Mark fala que a música surgiu a partir desse momento de dor e reflete exatamente o que ele estava vivendo no momento, por isso relutou muito antes de decidir mostra-la ao público ou sequer gravar. O fato é que anos depois, em uma conferência de jovens ele não tinha o que tocar e decidiu cantar “How He Loves” pela primeira vez. Desde então, milhares de jovens americanos foram de certa forma sendo tocados pela música que logo se transformou em uma música de “adoração”, mesmo não sendo, como o John Mark sempre ressalta.

Lembro-me de ter ouvido essa música pela primeira vez em 2010, na versão da Kim Walker, do Jesus Culture e confesso que fiquei extasiado! A intensidade e a paixão da Kim ao cantá-la me impressiona até hoje, mas ainda assim, não compreendi a grandeza dessa música logo de primeira. Por mais irônico que pareça, isso só se deu no ano seguinte, durante a gravação do Diante do Trono 14 em Natal, na Praia do Meio. Quando a Ana fez uma excelente tradução, bastante fiel ao sentido original, por isso, quando ela começou a cantar a música foi que percebi as verdades bíblicas aparentemente escondidas entre as metáforas da canção. Foi aí que me dei conta da profunda carga emocional que essa poesia contém, e não pude mais permanecer indiferente à ela. Logo a música deixou de ser para mim mais um simples hit gospel de auto ajuda e se tornou um lembrete constante das minhas fraquezas e depravação frente à imensa graça de Deus.

A música pode até parecer estranha à primeira vista por começar afirmando que Deus tem ciúmes de nós. Entretanto, essa é uma verdade bastante bíblica. É isso o que Deus diz ao longo de todo o Antigo Testamento. Tanto na Lei de Moisés, como através dos profetas, fica claro que Deus é um Deus zeloso e que tem ciúmes do Seu povo. Sei que a palavra “ciúmes” tem uma conotação muito ruim para nós e por isso podemos ter dificuldades em imaginar um Deus ciumento, mas vale ressaltar que o ciúme que Deus sente por Seu povo é diferente do nosso ciúme pecaminoso. É interessante que na versão original dessa música em inglês, a palavra utilizada “jealous” é exatamente a mesma utilizada em praticamente todas as traduções da Bíblia para o inglês para se referir a Deus como zeloso. Exemplo disso é Deuteronômio 4.24  na ESV, “For the Lord your God is a consuming fire, a jealous God.”. O que é reiterado no Novo Testamento em Tiago 4.5, inclusive em todas as traduções para o Português: “Ou supondes em vão que afirma a Escritura: É com ciúme que por nós anseia o Espírito, que ele fez habitar em nós?” (ARA). Ou seja, isso me lembra que Deus tem ciúmes de mim e por isso não admite que nada além dEle mesmo tinha a primazia em meu coração, nem mesmo a “adoração” como já compartilhei.

A seguir, o autor utiliza a metáfora de um furacão para descrever o amor de Deus e a nossa completa rendição a Ele. Na versão em inglês o autor vai além e se descreve como uma árvore diante desse furacão. O que quer dizer que o amor de Deus por Seus eleitos é tão grande, que eles não conseguem resisti-lo e logo se rendem, como uma árvore levada por um furacão. Nossa, como essa metáfora me humilha! Ela me lembra que em mim mesmo eu não tenho nenhum mérito em minha salvação e que pela minha própria condição pecaminosa eu nunca poderia ter escolhido a Deus, é por isso que não pude resisti-lo quando Ele decidiu me alcançar com Sua graça. Logo após constatar essa verdade, a música expressa a reação do autor diante desse amor, mesmo em meio aos seus sofrimentos, no caso, a morte de um querido amigo fiel ao Senhor. Mas ainda assim, ele se lembra das palavras do apóstolo Paulo: “Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós.” Romanos 8.18 (ARA). Diante da visão de tamanho amor e glória, realmente não há como não “abraçar” o sofrimento, como diz o John Piper.

Após o refrão bastante simples que apenas reafirma esse amor de Deus por nós, mais precisamente na figura de Cristo ao se referir mesmo que modo subjetivo à cruz, vem a segunda e última estrofe. A qual contém ainda mais significado para mim. “Somos Sua herança e Ele é o nosso galardão.” Isso para mim exalta de maneira explícita o sacrífico e a obra de Cristo na cruz. Quando me penso como sendo “herança” de Cristo, logo me vem à mente o texto de Isaías 53 em que o sofrimento de Cristo é profetizado e logo em seguida, já no final do capítulo, o profeta afirma com toda certeza de que Cristo veria o fruto do Seu penoso trabalho e se alegraria. Apocalipse 5 complementa dizendo que foi por causa desse sacrifício que Jesus comprou para Deus povos de todas as tribos, línguas e nações. Essa é a herança do Senhor. Os eleitos são Sua herança; aqueles a quem Deus lhes deu antes mesmo da fundação do mundo. Se realmente somos regenerados, somos parte da herança de Cristo. Isso significa que o Seu sofrimento foi por nós e a consequência clara disso, é que imediatamente, Cristo passa a ser o nosso galardão; a nossa recompensa; a nossa pérola de maior valor como diz em Mateus 13; o nosso troféu, segundo a versão original da música (“prize”). Cristo se torna o único capaz de nos satisfazer por completo.

Por isso, “se a graça é um oceano estamos afogando”. Como eu tenho compreendido essa metáfora ultimamente! Para mim, afirmar que a graça é como um oceano na qual eu estou me afogando, me lembra a grandiosidade da graça e sua extensão maior do que os meus pecados; maior do que a minha depravação; maior do que as minhas fraquezas; maior do que os meus sujos “atos de justiça”. É por isso que não há nada que me faça “boiar” nela. A graça é tão maior do que eu, que eu não posso fazer nada por mim mesmo para obtê-la. Não tenho outra saída senão me afogar nela, senão me dar a Cristo por completo e viver a nova vida que Ele conquistou para mim; não pecando para que a graça “aumente”, como Paulo não nos aconselha a fazer em Romanos. Mas, ao contrário, uma vida de arrependimento e santidade. A perseverança dos santos.

“O céu se une a terra como um beijo apaixonado. Meu coração dispara em meu peito acelerado.” Somente em Jesus o céu se une à terra. Somente através dEle e de Seu sacrifício podemos ser salvos, podemos ter acesso ao Pai. Não consigo pensar nessa metáfora e não visualizar o sofrimento de Cristo, ali no Calvário ao carregar sobre si a ira de um Deus santo a fim de salvar pecadores tão indignos como eu. Realmente, diante de tamanha imagem, não consigo não ter meu coração batendo acelerado. Ou como diz na tradução do Juliano Son, “tomado em grande furor”, se remexendo violentamente dentro de mim, me lembrando que eu sou e ao mesmo tempo, apontando pra Cristo. É aí que a música, em minha opinião chega ao seu ápice e termina, resumindo toda a reação de uma pessoa regenerada diante de tamanho amor demonstrado por Cristo: “Não tenho tempo pra perder com ressentimentos quando penso que Ele me ama.”

Acho muito forte a palavra utilizada em inglês nessa frase: “regrets” que significa também lamentos, pesares, remorsos, mágoas, desgostos... É isso! Quando compreendemos verdadeiramente o significado do amor de Cristo por nós não conseguimos ficar indiferentes. Não podemos mais gastar tempo com bobagens. Toda a nossa vida passa a girar em torno da realidade de Cristo. Ele se torna o nosso tudo, a nossa razão.

É por isso que gosto tanto dessa canção. Ela me humilha, ao mesmo tempo me enche de esperança, de alegria. Ela me lembra Cristo! Mesmo tendo sido escrita em um contexto de grande sofrimento em dor, ela não está centralizada em nós mesmos, mas na supremacia de Cristo acima de todas as coisas. Entretanto, é triste perceber que verdades tão gloriosas e profundas como essas tenham passado despercebidas e que essa música não passe hoje de apenas mais um hit gospel de auto ajuda centrado no homem. Creio que não era esse o objetivo do John Mark Mcmillan ao escrevê-la. Afirmo isso com base não apenas em suas entrevistas, mas em seu trabalho e carreira. O John está à margem da indústria do gospel americana. Suas músicas, assim como essa, nem sempre são feitas para serem entoadas em momentos de culto congregacional. Ao contrário, pretendem glorificar a Deus através da arte. O John Mark Mcmillan está mais para o Palavrantiga e até mesmo o Livres Para Adorar do que para o Diante do Trono e sua legião de fãs. Não é à toa, que ao estar no Brasil em 2011 ele mesmo disse à Ana Paula Valadão que sua música não era uma canção de “adoração”, tampouco para ser cantada na Igreja.


Bom, é essa a interpretação que faço dessa canção. Como vocês podem perceber é sim uma análise calvinista e é exatamente por isso que me entristeço ao ver o que tem sido feito aqui no Brasil como uma canção tão linda como essa.

Igor Sabino

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Música na Igreja

 Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração. (Colossenses 3.16)

A discussão sobre a música na igreja e no culto é algo que sempre esteve nos debates da igreja. Não quero aqui bater o martelo sobre o assunto, pois há muitas variáveis envolvidas, mas podemos sim, iniciar um bom e saudável diálogo sobre o tema. Meu interesse aqui é partir de uma breve meditação sobre o texto acima a fim de aprendermos um pouco mais.

1) Paulo usa três termos distintos para falar sobre música entre os irmãos;

1.1) O termo SALMOS (Psalmos) deriva de uma palavra que significa tocar corda com os dedos . Indica os Salmos do Antigo Testamento (At 1.20; 13.33) (1 Co 14.26)

1.2) HINOS (Humnos) Um cântico de exaltação religiosa

1.3) CÂNTICOS (Ode) Poderia ser uma música sacra ou secular. Por isso a ênfase de Paulo em cânticos espirituais.

A ideia por trás dos três termos (SALMOS, HINOS E CÂNTICOS) enfatizam a diversidade de sons, ritmos e letras que podemos ter na igreja. Não há nenhuma referência bíblica que dê margem para se interpretar que apenas um tipo de música deva ser executada nos trabalhos da igreja. 

2) Paulo enfatiza o caráter pedagógico da música (INSTRUÍ-VOS)

Eis o papel fundamental da música. Não é de entreter, nem de amaciar o ego das pessoas, mas instruir as pessoas. Mas instruir em que? Ora, nós cristãos precisamos ser instruídos na verdade, que é a Palavra de Deus, para nossa santificação (Jo 17.17). Aí vem o papel daquilo que cantamos. As letras devem falar da verdade do evangelho. O que passar disso é fogo estranho. Ou seja, quem trabalha com a música na igreja deve buscar a sabedoria de Deus, instruir-se cada vez mais na Palavra de Deus. Quando Davi orientou os chefes dos levitas, para que estes escolhessem os músicos para o templo, estes escolheram homens sábios  e capazes, entre eles Asafe e Hemã (1 Cr 15.19). Sendo assim, cantar ou tocar na igreja não é para quem quer ou para quem acha isto bonito. Mas para quem Deus chama para este trabalho, vocaciona e para quem demonstra vontade  e zelo de servir ao Senhor com zelo e excelência, buscando aprimorar os dons dados pelo Espírito Santo. Vale ressaltar que esta orientação é válida para qualquer trabalho para o qual Deus vocacionar o crente, não apenas para a área de música na igreja. Tudo isto com o fim de glorificar a Deus, instruindo-nos mutuamente. 

3) A mensagem da música é muito forte

Não há ser humano que fique inerte ao ouvir uma música. Ela sempre gera as mais variadas emoções e sentimentos em nós. Desde a alegria extrema a uma euforia profunda, a música nos leva para dentro de um turbilhão de sensações incríveis. Pense num filme sem a sua trilha sonora. A gente quase sempre associa o filme á trilha e não o contrário. Paulo exorta os colossenses  a cantarem com gratidão em nossos corações. Gratidão a que? Ou a quem? Gratidão pelo que Ele é, pelo que faz, pela sua graça e misericórdia em nossas vidas. Assim, precisamos, para conhecer a este Deus, conhecer a sua Palavra, as Santas Escrituras. Quando agregamos a esta mensagem a força da música, estamos exaltando a Deus e colocando a música a serviço da Palavra. 

4) Enfim, para termos um norte, um direcionamento, devemos pensar na música sob os seguintes pontos:

1.A música deve ser centralizada em Deus. (Ex 20.3)
2.Deve promover uma visão elevada de Deus. (Ex 3.14)
3.Com ordem ( sob o controle do Espírito) (Jo 4.23) (1Co 14.40)
4. Conteúdo biblicamente saudável (2 Tm 3.16-17)
5. Promover a unidade da congregação (Sl 111.1)
6. Executada com excelência ( 1 Cr 15.22)
7. Prepara para a pregação do evangelho. (Cl 3.16)



Oremos pelos chamados por Deus para a música na igreja. 
Deus nos abençoe

Presb. Cícero da Silva Pereira




segunda-feira, 25 de novembro de 2013

UMP INDICA: Nelson Bomilcar - Caminhos do Coração


No último fim de semana tive a oportunidade de participar, no sábado dia 23, das comemorações do aniversário da Igreja Presbiteriana do Catolé, em Campina Grande. Na oportunidade, esteve pregando e cantando Nelson Bomilcar, cantor, pastor, escritor, produtor musical , etc. Já conhecia o trabalho Caminhos do Coração, mas não tinha o CD ainda. Então o fiz nesta ocasião. Ao ouví-lo, fiquei surpreso em perceber que na verdade trata-se de um tratado sobre 30 anos (1975-2005) da música cristã brasileira, vista através das lentes deste maravilhoso músico, que consegue passar em suas músicas, com muita brasilidade, o seu amor por Deus, sua obra e sua palavra. Nas suas 15 faixas, um passeio por compositores como o próprio Nelson, Sérgio Pimenta (um dos  maiores músicos de toda história da música brasileira), Guilherme Kerr, Daniel Maia, Jorge Rehder e  Edy Chagas. Em cada faixa, uma pequena nota com a história daquela música. De qualidade técnica impecável, a obra destaca-se como um todo. Desde a qualidade das letras e da música até o belo projeto gráfico. Destaque para a já consagrada interpretação do Salmo 96 em duas belas versões e Chamados a pregar, adaptação do texto de Is 61. Em cada letra, um chamado à adoração em toda nossa vida. Eis a nossa indicação de hoje. Uma riqueza que deveria estar no repertório de todas as igrejas. Edificação em alto nível.

Para adquirir o trabalho, acesse
http://www.vpc.com.br/commerce/website/loja_detalhes.asp?loja_cat=&loja_sub=&loja_item=972


Alguns vídeos de canções que estão neste álbum.

Permanecer
http://www.youtube.com/watch?v=WYYH6ZyyNXA

Quando se está só
http://www.youtube.com/watch?v=WYYH6ZyyNXA

Cantai ao Senhor
http://www.youtube.com/watch?v=mG-tE3Y7xKc




segunda-feira, 7 de outubro de 2013

UMP Indica: Paulo César Baruk – Discografia




Tentei... mas não deu...
Tentei escolher uma ou algumas músicas de Paulo César Baruk, talvez até um album pra indicar aqui, mas são tantas músicas boas. E uma trajetória de belíssimas letras, que é o mais importante.


Sua carreira conta com trabalhos desde 1996 e seu album mais recente, que tem por título “ENTRE” foi lançado este ano(2013), com a participação de alguns convidados. Dois de seus álbuns mais conhecidos lhe renderam indicações ao Grammy Latino,  em 2010 e 2012 com os títulos Multiforme e Eletro Acústico 3, respectivamente.




Entre músicas próprias e interpretações aí vão algumas das mais belas:

O Meu Querer
Eu Corro Para Ti
Quando Entro em Tua Presença
Quanto Amor
Reina em Mim
Mais Que Uma Voz
Jardim da Inocência
Pois é... não consegui ser mais restrita na seleção das músicas, nenhuma dessas podia ficar de fora... e garanto que tem muita música linda além dessas.

Conheça no site oficial os seus trabalhos:


Karlla Christina






segunda-feira, 23 de setembro de 2013

UMP Indica: Está Consumado (Stênius Marcius)

Depois de Estima, Canções À Meia Noite, O Tapeceiro e A Beleza do Rei, o músico Stênio Marcius lançou, este ano, o seu trabalho intitulado Está Consumado. Como o próprio nome informa, em 13 lindas canções, é cantada e contada a História da Redenção. Não há como destacar uma em particular, pois trata-se de uma obra completa, mas confesso que toca-me profundamente a canção "Quem é que não chora?", que descreve, numa linda e singela poesia, a partida de Cristo dos céus para viver entre nós e sua volta apresentando ao Pai um povo resgatado por amor. Isto sem falar no passeio por vários ritmos, sem nunca abandonar a brasilidade de sua música. Em outro momento extremamente feliz, é contada a história de Agostinho, na bela faixa "Tarde te amei". Um destaque a parte é o belo trabalho gráfico de Anderson Nogueira no encarte. Espetacular. É parar, ouvir e louvar a Deus por tão grande salvação.

Para adquirir, envie e-mail para sdeoliveiranogueira@gmail.com. Falar com Selma.

Aqui a faixa título. Está Consumado.


E aqui um vídeo de divulgação do Álbum

Presb. Cícero da Silva Pereira

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

UMP INDICA: Maravilhosa Graça

Amazing Grace é, sem dúvida, um dos grandes hinos cristãos. Seu autor, o pastor inglês John Newton (1725-1807) resumiu sua vida na citação:  John  Newton. “Uma vez um infiel e libertino, Um servo de escravos na África, Foi pela misericórdia de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo Preservado, restaurado, perdoado, E nomeado para pregar a fé que  ele Tinha se esforçado muito para destruir...”

Provavelmente Newton escreveu Amazing Grace entre 1760 e 1770. Baseado em I-Crônicas 17:16-17, passagem em que o rei Davi rememora a misericórdia de Deus para com um homem tão insignificante e pecador como ele. Foi escrita para ilustrar um sermão no dia de ano novo de 1773 e fez parte dos "Hinos Olney", hinário de músicas compostas por John Newton e seu amigo, o poeta William Cowper. A melodia talvez seja de uma música entoada pelos negros escravos que viajavam nos navios ingleses.

Assista um vídeo com uma das versões deste clássico:


Walber Arruda
Facebook: https://www.facebook.com/walber.arruda.73

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Música Viciada e Mantra Traduzido: É Isso que Chamam de Boa Música Cristã?

Faz tempo que não ouço a música denominada Gospel. Muito embora o meu repertório seja bastante eclético, passeando do Tango ao Reggae, do Samba ao Jazz, confesso que quando o assunto é música cristã (ou para muitos, Música Gospel) eu continuo a me deleitar dos mesmos discos de antigamente, com exceção de algumas novidades que por meio de pesquisa acabo descobrindo.

Como ainda trabalho na área musical na comunidade em que congrego, e esporadicamente tenho visitado algumas igrejas no Estado em que vivo, percebo o quanto os repertórios musicais são praticamente iguais quando se chega ao tal momento de louvor.

Ultimamente visitei várias igrejas, dentre elas batistas, presbiterianas, pentecostais, congregacionais e assisti até cultos “On Line” em tempo real, de igrejas neopentecostais. Com raras exceções de momentos específicos onde se cantava uma canção do “Hinário antigo” o restante da parte musical foi bastante recheada daquelas canções que tem o incrível poder de: ou encharcar o irmão da fumaça e o levá-lo ao “Santo dos Santos” em delírios, embora pessoais, mas esquisitos; ou perfurar a mente alheia com notas musicais que se repetem eternamente a ponto de a letra cantada ser o que menos chama atenção diante do tamanho incômodo – mantra melódico “apelacional”.

Para um leigo musical, tudo bem. Ele pode até adorar ao ouvir aquele mantra, e pode até compreender o conteúdo da canção, caso esta não objetive apenas tirar o pé do chão. Mas, pra quem não pretende viver na mediocridade, e que há anos vem acompanhando esta ‘involução’ musical midiática, não é tão simples ver tamanha pobreza musical e achar tudo normal.

Nas minhas impressões, suposições, ou coisa do tipo, imagino que alguns grupos musicais, após levarem puxões de orelhas de suas lideranças quanto ao conteúdo teológico das canções, têm sido mais prudentes em relação a este item. Mas, venhamos e convenhamos, ainda acho que apenas observar a qualidade do conteúdo não quer dizer que a coisa está resolvida.

Os grandes estudiosos da música elencam que é necessário que haja uma relação equilibrada entre forma e conteúdo – como por exemplo, cantar uma letra que fala de alegria numa base harmônica tensa, com ritmo down deixa a coisa contraditória não é? Veja aonde quero chegar: a forma em muitos casos tem suprimido o conteúdo, acredite! Sabe aquela história que, de ‘tanto ouvir ruído do ventilador, nem o percebi enquanto lia um livro’, ou ‘de tanto gritarem ininterruptamente nem entendi o que diziam’? – João Alexandre chamou isso que tentei discorrer de “Meras Repetições”.

Talvez você discorde de tudo que escrevi, ou a trate como irrelevante, tudo bem, esse é um direito seu, já que tratamos com um pouco de subjetividade, no entanto, enquanto músico, micro-pesquisador, e com sinceras motivações para a área musical e artística cristãs, sonho ainda que os nossos ajuntamentos comunitários sejam repletos de autenticidade, simplicidade e criatividade – com equilibrio entre forma e conteúdo.

Diante deste tema, o que tenho notado é um certo despercebimento da Verdade cantada em virtude desta estar atrelada a uma relação pobre (quando viciada) entre forma e conteúdo. Diretamente ligado a esta problemática, diagnosticamos como uma das causas, a “febre” das canções traduzidas (de preferências originadas do grupo Hillsong – que não tenho nada contra) e “estouradas” nos repertórios das estrelas do Gospel.

Traduzindo, o que discorri em termos mais práticos vejamos abaixo:

- Faça o seguinte, pegue aquela sequencia de quatro acordes: D | A | Bm | G | + um “Loop melódico” (de preferência do Hillsong) + letra traduzida e com repetição de poucas palavras no refrão + Compasso 4/4 + metrônomo 70 + Ritmo de Balada + Voz genérica + frases introdutórias sobre qualquer besteirol + uma guitarra rotativa com 123 repetições de notas agudas e…Booommm.

Olha só, esta forma tem feito mais gente chorar e se arrepiar do que as verdades eternas de Deus lidas e pregadas. Numa outra direção, esta forma também tem desacostumado a igreja local a se relacionar com outras concepções musicais.

Meu discurso não é segmentador. Não tenho nada contra uma canção que contenha os elementos citados acima, mas tenho tudo contra o vício da forma. Ou não foi o que ocorreu quando surgiram milhares de “Anas Valadetes” ministrando louvores nos domingos a noite pelo Brasil? Não tem como discordar que o encantamento pela forma, modelo (na maioria das vezes assediada pela mídia), muitas vezes arranca de nossa comunidades a autenticidade e liberdade musical e artística.

Não quero ser generalizador. Mas, diante dos desencontros que mencionei entre forma e conteúdo, da mediocridade musical e do vício da forma, somos nós que temos o dever de tentar mudar, pelo menos a nível local esta situação.

Líderes de igrejas:

- Estimulem seus músicos a estudarem música

- Sugiram repertórios ecléticos que abarquem toda uma diversidade de estilos e ritmos

- Ensinem sobre o as utilidades da música no culto: contrição, exaltação, comunhão, celebração, descrição, etc.

- Apresentem um panorama da música cristã brasileira

- “Des-viciem” a ideia da Gospel midiático

- Digam sobre a importância da consciência teológica na canção cristã

- “Des-levitem” o efetivo de músico e esclareçam o que de fato significa adorador

- Conscientizem para se faça arte com excelência

São algumas breves  sugestões que faço, com amor e temor.

Antognoni Misael
Publicado Originalmente em: http://www.artedechocar.com/2013/08/musica-viciada-mantra-raduzido-e-isso-que-chamam-de-boa-musica-crista/#comment-3750

Intercâmbio feito por Rodrigo Ribeiro

segunda-feira, 22 de abril de 2013

UMP INDICA: A Poesia Caminha, Histórias de Viagens por Cidades e Sonhos (Gladir Cabral e Jorge Camargo)


Estava me segurando pra fazer essa indicação mais tarde, mas não consegui. Este é o novo trabalho em parceria de Gladir Cabral e Jorge Camargo. A POESIA CAMINHA, HISTÓRIAS DE VIAGENS POR CIDADES E SONHOS, faz um percurso maravilhoso pela história, pelos ritmos de cidades muito conhecidas como Rio, Londres, Havana, e até uma passagem pelas famosas Pasárgada, em citação a Manuel Bandeira e a maravilhosa  Nárnia de C.S. Lewis. Boa música e poesia em alto nível de dois dos maiores músicos brasileiros da atualidade. 

A obra está disponível na livraria cultura, através do link

Veja a capa do disco:
Assista ao Teaser do trabalho

Não custa nada lembrar que em Agosto, Gladir estará conosco na comemoração dos 20 anos da UMP da IV. Todos mais que convidados.

Presb. Cícero da Silva Pereira


segunda-feira, 4 de março de 2013

UMP Indica: Dominic Balli


Dominic Balli é uma banda de Santa Bárbara / Los Angeles, EUA. E desde o lançamento do seu primeiro EP em 2006 têm sido sucesso no gênero. Dominic Balli procura fazer uma fusão do reggae, rock e hip hop. Trazendo uma roupagem inovadora e interessante. Essa fusão de gêneros trás a musicalidade dele mais pra perto da nossa brasilidade. Pois, assim como a música brasileira, o Dominic trás uma proposta dessa mescla de estilos.

O que mais chama atenção nas cansões do Dominic, apesar de toda qualidade artística e musical, são as suas letras voltadas para a reconciliação e louvor a Deus. Tendo uma cosmovisão cristocêntrica e que remetem o pensamento à cruz.

"Por todo o mundo você pode senti-lo mover
Agitando fundações, acordando nações
Escute o som, você pode ouvi-lo chamando
Não importa os gravetos e pedras
O amor é mais forte"

Em uma de suas canções há a participação de Nengo Vieira, que já tocou juntamente com nomes como Tribo de Jah, Edson Gomes, Lazzo, dentre outros. E que, na década de 80, tornou-se usuário de maconha e conheceu Bob Marley.
Tendo sido convertido ao cristianismo no ano de 1994. Trata-se da canção “Favela”

“Por que choras favela
Porque falta o pão
Se te faltou a água
Não te falta o perdão
Como a luz da criança
Tua esperança chegou
Vem brilhar sol da liberdade do amor”

Para quem gosta de uma boa música cristã, é uma boa pedida. Uma arte voltada para a glória somente a Deus e que vem restaurando vidas com a palavra de Deus contida em suas letras.
“A musica para mim é uma expressão, um suporte, uma maneira de viver, um retrato do que esta acontecendo dentro do meu coração, mente, e de minha vida.” Dominic Balli.

Walisson Alves


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Ainda não é Agora


Meu lar (Palavrantiga)
“Meu lar está pronto
Mas ainda não é agora
Mas tenho que esperar
No amor, meu bem, espero.
Meu lar não está tão longe
Caminho sempre querendo encontrar
No tempo um lugar de eternidade
Meu lar já foi o beijo da noite
O abraço quente de uma bela estranha
Um tanto vulgar de um gosto sem paz
Na casa do tempo e fez pra acabar
Foi sem pai nem mãe
Foi sem irmão
Foi à rua, foi o medo.
Meu lar não está tão longe
Caminho certo que vou encontrar
Meu doce lugar na eternidade
Meu lar é feito sobre a rocha
É casa aberta pra gente ficar
É canto que eu vi bem antes de estar
É perto do Pai
Meu rumo, meu lugar.
Meu lar está pronto
Mas ainda não é agora
Mas tenho que esperar
No amor, meu bem, espero”.
É. O CD mais recente do Palavrantiga continua tocando na minha cabeça. A playlist é a mesma, os arranjos insistem em tocar e as letras estão na ponta da língua. Não fosse apenas isso, as letras continuam a me tocar com sua sutileza em verbalizar aquilo que o coração do cristão genuíno sente. Colocações de palavras muito bem feitas para expressar a nossa corrida na maratona cristã.
A música Meu Lar (faixa 10) consegue dizer muito bem aquilo que é meu e que é íntimo de todo o Cristão: a obra em andamento feita durante toda a vida do homem. "Meu lar está pronto Mas ainda não". 
Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo; (Filipenses 1:6)
 Lembro-me rapidamente de outra canção do grupo. É quase enfático. "Estou em obras e essa morada um dia será perfeição" (Casa). Fazendo-me lembrar de quem eu sou e do estado em que me encontro na carreira. E o interessante é que é inevitável não traçar um caminho nos álbuns da banda atrelando as letras a estados da vida cristã. Pois sei que sou Feito de Barro. Inclusive, do mesmo barro que os ímpios. O pó da terra que é matéria-prima da minha existência é também dos usuários de droga que neste momento estão dilacerando suas vidas nas calçadas da cracolândia; o mesmo barro da menina que vende o seu corpo como uma mercadoria banalizada, desvalorizada.

"Eu olhei o meu dia". Logo percebi o que me difere dos outros criados do mesmo barro. Eu sei que tudo o que faço, o que canto, o que escrevo, o que falo é apenas vontade de agradar e conhecer mais a Deus. É um clamor em alta voz, chamando o nome de Jesus na noite escura. É um estágio da obra redentora de Cristo onde se abrem os olhos para que o homem reconheça que se necessita de um salvador.

Isso tudo também Fe faz lembrar mais uma outra canção do Marcos Almeida que fala que todos nós estávamos anteriormente sobre o mesmo chão esquecidos “do lado de lá”, cercados. Mas que uma esperança saltou o muro e nos abordou deste lado. E que agora amamos essa esperança que nos alcança. É a Boa Nova.

Depois disto, andamos olhando o andar de Cristo. Prestando atenção na ‘imagem mais perfeita da verdade’. Pois é como ele e para ele que vivemos. A carreira, que não sabemos bem onde começou, passa nesse momento a ter uma base sólida. A carreira para chegar em um lar que está pronto, mas que não estamos prontos para ele. É a obra da santificação.

Há muito para dizer de tudo isso. Mas o homem não consegue, ele não pode mensurar tamanha obra. Para ele basta viver a Boa Nova, repetir a Palavra viva e completa em si. Andar de forma que um dia possa dizer palavras semelhantes as de Paulo: Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé (2 Timóteo 4:7).

E com a volta de Cristo sim. A hora de triunfar, a hora de habitar numa eternidade junto de Deus. Sem dor, sem choro, sem erro ou falha alguma, na plenitude da perfeição. Recebendo as prometidas recompensas e desfrutando do desfecho da graça de Deus. Cantando ao Rei das Nações.
Louvado e engrandecido seja o nome do nosso Deus!

Ainda estamos na carreira. Não importa em que estágio do caminho. Ainda não é a hora. Mas às vezes o que é sagrado se torna hilário. E algumas pessoas têm a triste tendência de proclamar os galardões antes do tempo. Aqui. Prematuros e imperfeitos que são não podem vir do Ser Perfeito. Presentes que nascem e morrem na carnalidade do homem, sem plenitude, cheios de máculas.

Assim, o cristão deve estar firmado apenas na esperança que nos dá a Boa Nova. Sem se deslumbrar com aquilo que parece sagrado, mas que é profano; carnal. Deve perceber que ‘esperar é caminhar’ e que caminhando, ‘seguro vai’ nas mãos de Deus. Até que chegue a hora certa onde desaguará esse rio, essa carreira.

Walisson Alves

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

UMP Indica: Carol Gualberto


Carol Gualberto é uma artista no sentido da palavra. Cantora, compositora e coreógrafa, tem uma voz suave, mas firme e que com passeio em vários ritmos e sonoridades, nos encanta e nos prende em sua teia de poesia. Com dois álbuns lançados (DAS COISAS BOAS DA VIDA, 2011 e LÁ VEM ELA, 2009), celebra a Deus, a vida e a boa música brasileira.

Para escutar e conhecer o trabalho de Carol, acesse:
Blog: http://www.carol-gualberto.blogspot.com.br/

Myspace: http://www.myspace.com/carolgualberto

Escute a bela canção Rotina em:


E para conhecer a trajetória e influências de Carol, veja o podcat Novos acordes do Carlinhos Veiga, que destacou o Cd Das coisas boas da vida.
Boa música:

Prebítero Cícero da Silva Pereira

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

UMP Indica: Tanlan


A UMPdaQuarta hoje traz uma banda gaúcha que como tantas aqui já citadas vêm caminhando na contra mão do "tudo previsível." Essa é a Banda Tanlan.

Uma levada inteligente e digna de comparação ao bom pop rock britânicas, com letras que tentam mostrar um Cristianismo poético e profundo, coisa rara no cenário brasileiro.

Tanlan vem lançando seu mais novo trabalho intitulado "Um Dia a Mais", e é assim que o seu vocalista define esse novo trabalho:
“'Um dia a mais' é uma nova chance de recomeçar. De perdoar. De ter esperança. De fazer tudo certo. E assim a gente vai vivendo o melhor da vida que Deus criou para ser vivida, um dia de cada vez. Também nada acontece na vida como que por mágica. Tudo é reflexo de uma caminhada, em que tropeçamos, caímos, mas sempre nos levantamos. Um dia após o outro, buscando sermos melhores. Porque o nosso alvo é um ser perfeito."

Ouvindo a banda conseguimos notar uma nítida aparência na poesia cantada pelo a Banda mineira Palavra antiga. Que não fica só na subjetividade já que a ultima canção, vaidade, traz a participação de marcos Almeida.

O vocalista Zé Bruno, da banda resgate, assim publicou sobre a Banda Tanlan:
"Parabéns aos novos diferentes que mantém a alegria de sentir que o vinho pode ser novo todo dia em todos os sentidos."

Fica a Dica:


Walber Arruda

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

UMP Indica: Há Tempo (Grupo Kiltt)


No UMP indica de hoje, quero apresentar pra vocês o trabalho do grupo Kiltt, HÁ TEMPO. Grupo campinense e capitaneado pelo Vandilson Morais, músico de primeira linha, passeia por todos os ritmos com uma sonoridade muito agradável e letras de profunda sensibilidade e sabedoria. Yes, nós temos música cristã de qualidade na serra da Borborema.
Escute o programa sons do coração, de Nelson Bomilcar, na rádio Transmundial, que destacou o trabalho do KILTT.



Indicação feita pelo Presb. Cícero da Silva Pereira


quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Gospel de Rapina


Soube hoje que as Igrejas Cristãs Nova Vida, da qual sou o Bispo Primaz, foram notificadas de que teriam de pagar direitos autorais pela execução de músicas de “louvor” nos seus cultos. Cada uma de nossas igrejas ficaria, assim, responsável por declarar o número de membros e a frequência aos seus cultos, para que fosse avaliado o imposto a ser pago ao Christian Copyright Licensing International (CCLI), sociedade que realiza a arrecadação e a distribuição de direitos autorais decorrentes da execução pública de músicas nacionais e estrangeiras. Por sua vez, o CCLI repassaria o valor devido aos compositores cujas músicas estão cadastradas.

São poucas as vezes em que me vejo sequestrado por um assunto do momento aqui no blog. Tenho como norma pessoal não me deixar levar pelas “últimas”.  Já há bastante alvoroço em torno de assuntos efêmeros e não precisam da minha voz para somar à confusão instaurada por “notícias” e controvérsias. Não obstante essa regra que tento seguir, não posso me calar ante esse fato. Já deixei passar algumas horas até que a minha revolta se acalmasse, para que, no seu lugar, pudesse me expressar com clareza e me reportar às Escrituras como regra. Pois, em meio ao transtorno, ninguém se contém e acaba por pecar pelo excesso. Isso não quer dizer que me sinta menos convicto sobre o que tenho a dizer, mas quero realmente trazer uma perspectiva lúcida.

Comecemos pelo que constitui o direito autoral e o porquê da sua existência. Seria justo que alguém lucrasse pelo trabalho, a inspiração e a arte de outro sem que o autor da obra participasse dos lucros? Certamente que não. Cada emissora de rádio, show ou outro tipo de empreendimento com fins lucrativos deve prestar a devida parcela do seu lucro a quem ajudou a produzir essa arte.

Por outro lado, a Igreja é um empreendimento com fins lucrativos? Não – segundo a definição do próprio Estado brasileiro. Ela goza de certos privilégios, na compreensão de que a sua atividade é religiosa, devota e piedosa e, sendo assim, sem fins lucrativos. Que muitos “lucram” em nome da Igreja ninguém duvida. Mas, em termos estritamente definidos pela legislação, não é um empreendimento que tenha como finalidade o lucro.

Louvar a Deus é uma atividade que gera rentabilidade? Também não. Quando cantamos ao Senhor, estamos nos expressando a Deus em sacrifício santo e agradável a Ele (se bem que não caem nesta categoria muitas das músicas que doravante serão objeto de taxação, por decreto-lei). Mas, para manter o fio da meada desta reflexão, suponhamos que as músicas adocicadas, sem fundamento em qualquer real princípio cristão, emotivas e, em alguns casos, passionais (para não dizer sensuais) sejam realmente louvor (algo que tenho tentado ensinar a nossa denominação que não são).  Cantar essas músicas traz lucro para a igreja? A resposta énão. A igreja não lucra. Não há um centavo a mais caindo nas salvas porque cantamos uma música de uma dessas cantoras gospel da moda em vez de Castelo Forte. É possível fazer um culto fundamentado apenas nas músicas riquíssimas do Cantor Cristão e da Harpa Cristã (para não falar nos Vencedores por Cristo, cuja maioria das canções não recai sobre este novo decreto-lei).

Esses cantores e essas cantoras têm o apoio de empresários da fé. Homens que também lucram absurdamente às custas da boa-fé de pessoas a quem prometem uma vida de lucro pelo seu envolvimento. Não me surpreende ver a lista de “notáveis” que apoiam essa iniciativa.

Agora, esses cantores que se venderam para emissoras de televisão, que ganham fortunas nas suas turnês “gospel” e pela venda de incontáveis CDs e DVDs, não estão satisfeitos. Querem mais. Querem “enterrar os ossos”. Tornaram-se mercadores da fé, e com essa última cartada, suas máscaras caem por terra. Que máscaras? As que fazem com que acreditemos que eles realmente creem que o culto é para Deus somente. Para eles, a igreja não passa de fonte de lucro. A igreja não passa de um negócio. Sim, porque, por essa ação, afirmam não acreditar que a igreja seja uma assembleia de sacrifício. Para eles, a igreja é uma máquina de dinheiro. Sua eclesiologia é clara. Suas lágrimas de comoção são teatro. Seus gestos de mãos erguidas não passam de encenação.

A despeito do meu repúdio por esse grupo de músicos “cristãos”, fico grato a eles por uma razão. Tenho tentado ensinar a denominação que lidero a ser mais criteriosa na escolha das músicas cantadas nos cultos. Por força da popularidade desses “superastros do louvor” a pressão da juventude e dos músicos da igreja tem sido quase insuportável. Então cantam as músicas sem devocionalidade real deles e delas para o enlevo de pessoas que nem precisavam confessar Jesus para cantá-las com comoção. Graças ao mercantilismo dos tais, vou emitir uma circular para as nossas igrejas em que instruirei todas a pagar os direitos autorais devidos caso queiram insistir em usar as referidas músicas da moda em seus cultos.

Os que não querem fazer parte desse mercado de rapina receberão uma lista compreensiva de músicas que continuam sendo de domínio público, inclusive as que compus e pelas quais nunca recebi nem quero receber um centavo. Graças a Deus, são os bons e velhos hinos que têm conteúdo e substância, confissão e verdadeiro testemunho do Evangelho. Há centenas de hinos antigos que vamos tirar das prateleiras e redescobrir. Podemos aprendê-los e retrabalhá-los para torná-los atuais aos nossos dias, com arranjos interessantes. Músicas escritas por santos e não por crianças. Músicas escritas para a glória de Deus e não para lucro sórdido. Sim, falei sórdido. Pois os atuais já lucraram com o que é legítimo. Agora vão atrás do resto. É um gospel de rapina. Sinto-me na necessidade de tomar um banho, pois essa história me forçou a passear pelo lamaçal onde esses chafurdam para encher a própria barriga – que é o seu deus, afinal.

Que bom que já me acalmei, pois realmente tinha vontade de dizer muito mais.

Na paz,
+W

Bispo Walter MacAlister

Intercâmbio feito por Guilherme Barros