Mostrando postagens com marcador Justificação pela Fé. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Justificação pela Fé. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Em que Crê um Cristão Reformado?

Muitos irmãos em Cristo devem ter percebido que me identifico sempre como um "cristão reformado", apesar de, logicamente, ser um evangélico. Talvez alguns já indagaram a si próprios sobre o que significa essa expressão, porém nunca tiveram coragem de perguntar. Escrevo este artigo com o objetivo de satisfazer a curiosidade de todos aqueles que ficam com um nó na cabeça sempre que ouvem ou lêem essa expressão de minha parte.

Um cristão reformado é alguém que crê na doutrina bíblica conforme expressa pela Teologia Reformada, elaborada no tempo da Reforma Protestante. Como já foi dito anteriormente, a Reforma foi o maior avivamento da história da igreja, tendo como marco inicial a publicação das 95 Teses contra a venda de indulgências, por Martinho Lutero, em 31 de outubro de 1517. Depois de Lutero surgiram muitos outros reformadores, entre eles João Calvino. Enquanto Lutero foi o responsável pela recuperação da doutrina da justificação pela fé, Calvino recuperou a doutrina da soberania de Deus. E foi sobre essas doutrinas que se construiu a chamada Teologia Reformada, que nada mais é do que uma sistematização da doutrina bíblica.

Para que a Teologia Reformada fique mais clara a todos, gostaria de fazer uma breve confissão de fé sobre o que creio como cristão reformado. Não tenho a pretensão de ser exaustivo nesta confissão, pois para isso já existem as confissões de fé históricas. Desejo apenas apresentar a fé reformada de forma resumida para aqueles que ainda não a conhecem.

Em primeiro lugar, creio como reformado que a Bíblia deve ser interpretada seguindo o modelo histórico-gramatical. Isto significa que, por ser um livro inspirado pelo Espírito Santo (II Tm.3.16), a Bíblia deve ser interpretada em espírito de oração e na total dependência do Espírito, que ilumina nossa mente para que possamos compreender seu verdadeiro significado (I Co.2.10-16). Porém, como a Bíblia também é um livro humano, no sentido de que foi escrita por seres humanos usados por Deus (II Pe.1.21), devemos interpretá-la usando regras de interpretação, a que damos o nome de Hermenêutica Bíblica. Essa interpretação é histórico-gramatical porque deve levar em consideração o contexto histórico em que a passagem analisada foi escrita (autor, destinarários, etc) e também o contexto gramatical no qual está inserida (tipo de literatura, versículos anteriores e posteriores, etc).

Neste ponto discordo dos neo-pentecostais, que muitas vezes interpretam a Bíblia alegoricamente, atribuindo um significado simbólico ou espiritual diferente do significado pretendido pelo escritor original do texto. Também discordo dos dispensacionalistas que, sob o pretexto de interpretarem a Bíblia literalmente, acabam pegando as passagens em seu sentido literal mesmo em escritos poéticos e proféticos, cheios de símbolos e figuras, chegando a interpretações precipitadas sobre o texto bíblico.

Em segundo lugar, creio como reformado na justificação pela fé. A justificação é um ato legal, no qual Deus declara que o pecador é justo (Rm.3.22-26; 4.5), não por alguma obediência ou boa obra dele próprio (Ef.2.8), nem por algo operado nele pelo próprio Deus, mas somente por causa da obediência perfeita de Cristo à lei (Rm.5.18-19). Essa justificação é composta de dois processos: o negativo, que consiste no perdão de pecados (Rm.4.6-8), e o positivo, que consiste na imputação da justiça de Cristo (II Co.5.21). O pecador é justificado somente pela fé (Rm.3.28).

Neste ponto discordo de diversas visões sobre a justificação pela fé. Discordo dos católicos, que crêem que a justificação é uma mudança moral do pecador, uma infusão de justiça (e não imputação), confundindo justificação com santificação, e fazendo, assim, com que ela dependa não apenas da fé, mas também das boas obras (Rm.4.1-5). Discordo de muitos dispensacionalistas, que freqüentemente negam que a justificação consista também da imputação da justiça de Cristo, fazendo ela consistir apenas em perdão de pecados, e considerando a fé como sendo, ela própria, a justiça que vem de Deus. Discordo também daqueles que ensinam que no Antigo Testamento a justificação era pela obediência à lei, pois as Escrituras são muito claras em afirmar que o homem nunca foi justificado pela lei (Rm.3.20), e a fé sempre foi a condição para justificação, mesmo no Antigo Testamento (Rm.4.3).

Em terceiro lugar, creio como reformado na soberania de Deus. Por soberania de Deus deseja-se mostrar o controle absoluto de Deus sobre toda Sua criação (Mt.6.26; 10.29), e todos os acontecimentos passados, presentes e futuros, sendo Ele o Senhor da história (Dn.4.35). Deus não é somente o Criador, é também o Preservador do Universo, sustentando todas as coisas pela Palavra do Seu poder (Hb.1.3). Ele é quem determina tudo o que acontece, Sua vontade é totalmente soberana (Is.46.10), inclusive sobre nossas vontades (Fp.2.13). Logo, não existe, como muitos dizem, um livre-arbítrio. Existe sim uma liberdade e responsabilidade humana, mas que é limitada pela vontade soberana de Deus.

Nisto discordo de diversos ramos cristãos, em diversos aspectos. Discordo daqueles que crêem que a oração pode mudar a vontade de Deus, fazendo orações "determinatórias", pois em Deus não há mudança, nem sombra de variação (Tg.1.17); nossas orações são respondidas quando feitas segundo Sua vontade (Mt.6.10; I Jo.5.14) e mudam apenas acontecimentos. Discordo daqueles que pensam que certas coisas acontecem fora do controle de Deus, como catástrofes naturais, guerras ou o problema do mal no mundo, pois tudo isso está em Seus planos e foi por Ele determinado, como demonstram diversas passagens do Antigo e Novo Testamento (Gn.50.20; Rm.8.28). Discordo também daqueles que pensam poder determinar o seu próprio destino, como se o poder da vida ou da morte estivesse em suas próprias mãos (Dt.32.39).

Em quarto lugar, creio como reformado na soberania de Deus especificamente em relação à salvação(Rm.8.29-30). Isso foi perfeitamente expresso num documento chamado Cânones de Dort, elaborado entre 1618 e 1619, onde a salvação é apresentada em 5 pontos: depravação total, eleição incondicional, expiação limitada, chamada eficaz e perseverança dos santos.

Depravação total significa que o homem foi de tal forma afetado pelo pecado que é totalmente incapaz de se salvar sozinho ou mesmo contribuir, por pouco que seja, nessa salvação (Rm.3.9-20). A depravação total mostra que "todos pecaram e carecem da glória de Deus" (Rm.3.23), que os pecadores estão "mortos em delitos e pecados" (Ef.2.1) e que "todo aquele que comete pecado é escravo do pecado" (Jo.8.34). Um morto espiritual não pode fazer nada para viver, e um escravo não tem vontade própria. O poder para ressuscitá-lo espiritualmente tem que vir de fora, e para ser livre precisa antes ser liberto pelo Filho (Jo.8.36) . Por isso, ninguém pode escolher a Jesus por si próprio para ser salvo, nem fazer uso de um tipo de livre-arbítrio para aceitar ou rejeitar a salvação alcançada por Cristo.

Eleição incondicional significa que Deus, somente pela Sua soberana vontade, escolheu desde toda a eternidade (Ef.1.4) uma multidão de "todos os povos, tribos, línguas e nações" (Ap.7.9) para serem salvos de seus pecados e herdarem a vida eterna. Porém, Ele não escolheu a todos (Rm.9.13). Essa escolha não se baseou em nada de bom ou que agradasse a Deus presente nos próprios pecadores , ou alguma fé que Ele tivesse previsto pela Sua presciência (Rm.9.11); pelo contrário, foi totalmente pela Sua maravilhosa graça que Ele os escolheu soberanamente, para o louvor da Sua glória (Rm.9.14-18; Ef.1.5,6,11,12). Aqueles que não foram escolhidos estão destinados à condenação eterna no inferno, sem que Deus seja culpado pelo seu destino ou pelos seus pecados. Deus salva uns para demonstrar a Sua graça, e condena outros para demonstrar Sua justiça (Rm.9.19-24). Outra coisa interessante a se observar é que Deus não era obrigado a salvar ninguém de seus pecados, nem deixaria de ser um Deus amoroso se não o fizesse. Logo, o fato de Deus salvar uma multidão da humanidade por pura graça já é uma demonstração infinita de amor e misericórdia, acima de toda comparação.

Expiação limitada significa que o valor da morte de Cristo é absolutamente infinito e poderoso para perdoar todos os pecados daqueles que Deus escolheu, e apenas desses (Is.53.11-12). Dizer que Cristo morreu pelo mundo não significa que Ele morreu por todas as pessoas do mundo, mas por pessoas de todas as partes do mundo (Jo.3.16; I Jo.2.2). Logo, Cristo não morreu por todos os homens literalmente; apenas pelos escolhidos de Deus, que são Suas ovelhas e Sua Igreja (Jo.10.11,15; 17.9; Ef.5.5-27). Porém, essa expiação dá aos eleitos uma salvação eterna, pois, perdoados de todos os seus pecados pelo sacrifício de Cristo, e tendo sido imputada a eles a justiça de Cristo, eles já não podem ser condenados; eles tem, agora, a vida eterna (Jo.5.24).

Chamada eficaz nos fala sobre como Deus salva os Seus escolhidos. Deus usa a pregação do evangelho como meio de chamar os eleitos para Si mesmo (Rm.10.14-17). O evangelho deve ser pregado a todas as pessoas (Mc.16.15), pois não sabemos quem Deus escolheu, e a Palavra se tornará eficaz na vida daqueles que foram eleitos antes da fundação do mundo (At.13.48). O Espírito Santo irá agir na vida dos eleitos, operando a regeneração (ou novo nascimento- Jo.3.3-8) pela Palavra (I Pe.1.23), tornando-os dispostos a responderem positivamente ao convite do evangelho (At.16.14). É nesse momento que os eleitos recebem a capacidade de "escolher a Deus" e receber a Cristo (Jo.6.65), arrependendo-se de seus pecados e tendo fé em Cristo para salvação. Tanto o arrependimento como a fé são dons de Deus, dados no momento da regeneração (At.5.31; 11.18; Ef.2.8; Fp.1.29; II Tm.2.25). Por isso, ninguém deve se achar melhor que os outros por ter se arrependido ou ter tido fé, porque essa capacidade é algo sobrenatural dado por Deus. Dizer que essa chamada aos eleitos é eficaz significa que é impossível a um eleito resistir ao convite do Espírito Santo, pelo evangelho, no seu coração (Is.43.13).

Perseverança dos santos significa que aqueles que foram eleitos por Deus, desde o dia em que foram salvos, não poderão mais perder essa salvação (Jo.6.39; Rm.8.30; Fp.1.6). Como Cristo morreu por todos os seus pecados - passados, presentes e futuros - nenhum pecado pode, agora, levá-los à condenação: "Nenhuma condenação há para aqueles que estão em Cristo" (Rm.8.1). Uma vez salvo, salvo para sempre. Eles têm a vida eterna e, se é eterna, não pode acabar um dia (Jo.10.28-29). Nada, agora, pode separá-los do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor (Rm.8.35-39). Porém, isso não significa que os eleitos nunca mais pecarão, porque isso certamente irá acontecer (I Jo.1.8-10). Mas como eles foram regenerados, seu prazer agora não é mais o pecado, mas a santidade (I Jo.3:6-10). Uma pessoa que viva em pecado e alegue ter sido salva deve ter sua salvação seriamente questionada. Um cristão pode até cometer um pecado terrível, porém, esse pecado certamente requererá uma disciplina da parte de Deus, não com o objetivo de fazê-lo pagar pelo seu pecado, que ja foi pago na cruz por Cristo, mas com a finalidade de aperfeiçoá-lo, para que seja participante da santidade de Deus (Hb.12.5-13). Davi foi um exemplo dessa disciplina de Deus, no caso de Bate-Seba (II Sm.11 e 12).

Em quinto lugar, creio como reformado que o "fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre", como diz o Breve Catecismo de Westminster. Logo, um reformado tenta viver uma vida que glorifique a Deus em todos os aspectos, e entende que Deus é adorado e glorificado em todas as áreas de sua vida: no trabalho, na família, na sociedade, no lazer, na igreja, etc. "Quer comais, quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus" (I Co.10.31), como diz o apóstolo Paulo. A busca da glória de Deus e a adoração cheia de amor que brota do coração de um cristão reformado é a aplicação prática e conseqüência da doutrina da soberania de Deus. Pode-se perceber isso no próprio Paulo que, depois de discorrer sobre o assunto da soberania de Deus dos capítulos 9 a 11 de Romanos, encerra o assunto com adoração: "Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem deu primeiro a ele, para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém." (Rm.11.33-36).

Este é um pequeno resumo do que eu creio como reformado. Digo com segurança e convicção que essa é a doutrina original dos evangélicos, mas que, infelizmente, foi abandonada com o tempo. Tenho buscado um retorno ao evangelho bíblico conforme ensinado pelos reformadores, nossos pais na fé, e creio que esse é o único caminho para um verdadeiro avivamento na igreja evangélica moderna. O segredo do avivamento não é inovar, mas olhar para o passado e restaurar o que se perdeu: "Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas." (Jr.6.16).


Minha sincera oração é que Deus utilize este artigo para abrir os olhos de muitos irmãos em Cristo às verdades esquecidas da Palavra de Deus, e que assim, despertos para o evangelho eterno, possam ter seus corações em chamas por essas mesmas verdades que custaram o sangue de nossos pais!

André Aloísio 
Publicado em: http://teologia-vida.blogspot.com.br/2006/10/em-que-cr-um-cristo-reform_116136941580431401.html

Intercâmbio feito por Walisson Arruda

segunda-feira, 31 de março de 2014

Quando Tiramos Proveito da Palavra em Relação as Boas Obras? Com a Palavra, A. W. Pink

1.Tiramos proveito da Palavra quando aprendemos ali qual é o verdadeiro lugar das boas obras.

Muitas pessoas, em seu afã de dar apoio à ortodoxia como um sistema, falam sobre a salvação mediante a graça e a fé de tal maneira que subestimam a santidade e a vida consagrada a Deus. Mas as próprias Sagradas Escrituras não dão margem a isso. O mesmo evangelho que declara que a salvação vem pela gratuita graça de Deus, através da fé no sangue de Cristo, e que nos termos mais fortes possíveis assevera que os pecadores são justificados pela justiça do Salvador, lançada na conta daqueles que nEle confiam, independentemente das obras, também nos asseguram que, sem a santificação nenhum homem jamais verá a Deus.

Também ensinam que os crentes são purificados pelo sangue expiatório de Cristo; que os seus corações são limpos pela fé, a qual opera por intermédio do amor, a qual também vence o mundo; e que a graça divina que oferece a salvação a todos os homens também ensina que aqueles que a recebem devem negar a impiedade e as paixões mundanas, a fim de que vivam sóbria, justa e piedosamente neste mundo.

E qualquer temor de que a doutrina da graça sofrerá alguma perda, devido a saliência dada às boas obras, com base bíblica, deixa transparecer o conhecimento inadequado e grandemente defeituoso da verdade divina; e qualquer manuseio das verdades bíblicas, a fim de silenciar o testemunho das Escrituras em favor dos frutos da justiça, como algo absolutamente necessário para o crente, é tão-somente uma perversão e uma idéia forjada no tocante à Palavra de Deus" (Alexander Carson).

Mas alguns indagam: "Que força tem essa ordenação ou mandamento de Deus, que nos recomenda as boas obras, se, apesar de não aplicarmos diligentemente nossos esforços para obedecer-lhe, ainda assim formos justificados devido à imputação da justiça de Cristo, e desse modo sermos salvos?" Uma objeção tão sem sentido procede da total ignorância sobre o presente estado e das presentes relações do crente para com Deus. Supor que os corações dos homens regenerados não são tão profunda e eficazmente influenciados pela autoridade e pelos mandamentos divinos, para que se inclinem à obediência, tanto quanto tivessem sido dados para sua justificação, é ignorar a verdadeira natureza da fé, bem como os argumentos e os motivos que afetam e constrangem principalmente aos crentes. Além disso, fazer tal objeção é perder de vista a conexão inseparável que Deus estabeleceu entre a nossa justificação e a nossa santificação. Supor que uma dessas duas verdades pode existir sem a outra é desfazer o evangelho inteiro. O apóstolo Paulo trata exatamente dessa objeção, em Romanos 6:1-3.

EXTRAÍDO DO LIVRO: Enriquecendo-se com a Bíblia. Editora Fiel.

Iris Bernardo

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Nova Ordem Mundial

 A história da humanidade tem sido marcada por acontecimentos que modificaram, drasticamente, os comportamentos dos seres humanos, afetando diretamente as dimensões políticas, econômicas, éticas e sociais. Geralmente, estas mudanças ocorreram após grandes tragédias, a exemplo do atentado terrorista ocorrido em 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos.

Após superar o impacto dos primeiros momentos de uma tragédia que assumiu grandes proporções procuram-se, imediatamente, explicações para as causas dos incidentes. Em seguida, a tragédia provoca mudanças de rumo que afetam a sobrevivência dos homens no planeta, verificou-se tal fenômeno após as I e II guerras mundiais. Em muitos momentos dramáticos da história da humanidade foi necessário estabelecer uma NOVA ORDEM MUNDIAL, como necessidade de adaptar-se a uma nova realidade.

Esta reflexão nos conduz aos primórdios da vida humana, expresso na literatura bíblica:
 
“E conheceu Adão a Eva, sua mulher, e ela concebeu e deu à luz a Caim, e disse: Alcancei do SENHOR um homem. E deu à luz mais a seu irmão Abel; e Abel foi pastor de ovelhas, e Caim foi lavrador da terra. E aconteceu ao cabo de dias que Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao SENHOR. E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura; e atentou o SENHOR para Abel e para a sua oferta. Mas para Caim e para a sua oferta não atentou. E irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o semblante. E o SENHOR disse a Caim: Por que te iraste? E por que descaiu o teu semblante? Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar” (GÊNESIS 4.1-7).

Este livro relata o início da criação e a parte mencionada descreve o momento posterior à queda do homem. A criação depara-se com uma situação caótica, a queda do homem do seu estado original alterou, terrivelmente, as condições de sobrevivência na Terra, estabelecendo uma NOVA ORDEM MUNDIAL. O capítulo acima apresenta um resumo sobre os principais aspectos desta tragédia que afetaram diretamente a vida do homem e de todo o planeta.

E A VIDA CONTINUA...

            Os quatro primeiros versículos do texto narram à vida cotidiana no contexto familiar, no ambiente de trabalho e no culto religioso. Estes três aspectos da vida humana estão relacionados ao evento da criação, citados em Gênesis no capítulo 1 a partir do versículo 26 até o capítulo 2:3.

O capítulo 4 apresenta o registro trágico do homicídio ocorrido entre irmãos, no local de trabalho como desfecho dos efeitos do culto. Neste relato sobre o início da vida a partir da queda do homem reafirma-se o propósito da criação relativo a família, ao trabalho e ao culto religioso.

A família é vista como uma instituição divina formada por pessoas criadas a imagem e semelhança de Deus, refletindo tal imagem no relacionamento entre seus membros. Adão e Eva, ao gerarem filhos, cumpriram um decreto divino. No relato referente ao trabalho, Abel e Caim desempenharam atividades decretadas pelo Criador, demonstrando capacidades peculiares aos seres racionais, criados com condições propícias ao desenvolvimento intelectual, bem como de produzir para a sobrevivência.

 Ao concluir a criação, Deus abençoou o sétimo dia, decretando que este seria separado para Sua adoração. Caim e Abel pretenderam obedecê-Lo, por meio de ofertas e sacrifícios em forma de culto religioso. O culto de Caim reprovado por Deus e, o assassinato do irmão no local de trabalho foram evidências do início da NOVA ORDEM estabelecida para a criação. No entanto, a queda não alterou os planos de Deus para a vida no planeta, pois a família, o trabalho e o culto prosseguiram, mas, estas atividades foram contaminadas pela presença do pecado no mundo.

Aplicação: Ser pais e filhos exemplares, agir com ética no lugar de trabalho e cumprir com zelo os deveres religiosos evidenciam a imagem de Deus refletida no homem. No entanto, o envolvimento ativo no cumprimento dos decretos de Deus para a criação (família, trabalho e igreja) não anula a sentença divina proveniente da desobediência.

SOB O REGIME DA LEI

         O desenvolvimento do drama, exposto anteriormente, apresenta distinções claras entre seus principais personagens. Caim, o primeiro filho foi lavrador, oferecendo uma oferta do fruto da terra ao Senhor, teve sua oferta rejeitada. Abel, o segundo filho foi pastor de ovelhas, oferecendo um animal como oferta ao Senhor, teve a sua oferta aceita. A parte b do versículo 4 apresenta o motivo da rejeição de Caim e da aceitação de Abel: “...atentou o SENHOR para Abel e para a sua oferta. Mas para Caim e para a sua oferta não atentou.”

 O texto prossegue narrando a indignação de Caim e, o pronunciamento de Deus decretando a NOVA ORDEM sobre a vida de Caim. Os versículos 6 e 7 destacam o pronunciamento de Deus e seus efeitos sobre a vida deste homem. Deus revela a Caim a base do relacionamento entre eles, sendo uma ratificação da aliança firmada entre Deus e Adão, “E tomou o SENHOR Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar. E ordenou o SENHOR Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás’ (GENESIS 2:15-17).

Eis um relato estarrecedor para Caim e todos os seres humanos. Ao infringir a lei de Deus, o homem tornou-se réu, cuja sentença divina foi à morte, atingindo toda a humanidade. O Senhor, ao aceitar Abel e sua oferta revela uma aliança entre Ele e o homem diferente daquela firmada no jardim do Èden.

Aplicação: O pecado instaurou uma NOVA ORDEM MUNDIAL, tornando o homem réu dos seus próprios atos, afetando diretamente a sua relação com Deus.

O JUSTO VIVERÁ PELA FÉ

            Concluímos a reflexão anterior afirmando que ao aceitar Abel e sua oferta. Deus revelou uma aliança entre Ele e os homens, diferente daquela firmada com Adão. A oferta de Abel está diretamente ligada à NOVA ORDEM estabelecida por meio da nova aliança. Conforme Gênesis, Caim reconhecia a existência de Deus, prestando-lhe culto em forma de sacrifício. Ao ofertar do fruto da terra, ele acreditava que o produto proveniente do esforço humano poderia agradar à Deus, agindo assim desprezou as palavras que Deus havia proferido aos seus pais sobre sua justiça contida na aliança revelada em Gênesis 2:15-17. Ao oferecer das primícias do rebanho, e da gordura, Abel agiu de acordo com a palavra de Deus “E fez o SENHOR Deus a Adão e à sua mulher túnicas de peles, e os vestiu” (GÊNESIS 3:21). Abel ofereceu sacrifício de um animal ao Senhor, pois foi com a pele de um animal que Deus cobriu a nudez de seus pais, portanto, ele atentou para a lei de Deus e para seus efeitos sobre os seres humanos com o evento da queda. A oferta de Abel expressava confiança na providência de Deus que segundo a sua palavra proveria um meio para libertar o homem do estado caótico em que se encontrava, assim “...pela fé, Abel ofereceu a Deus mais excelente sacrifício do que Caim; pelo qual obteve testemunho de ser justo” (HEBREUS 11.4). 

Aplicação: Não valorizar os preceitos contidos na palavra de Deus, leva todas as atividades realizadas pelo homem, inclusive o nosso culto, uma afronta à santidade de Deus. O único meio eficaz para sermos aceitos por Deus é agirmos de acordo com a sua palavra.

CONCLUSÃO


            A cosmovisão cristã reformada entende que, a família, o trabalho e a religião são frutos dos decretos de Deus desde o início da criação, revelada no livro do Gênesis. Entende, assim, que todas as esferas da vida encontram-se contaminadas pelo pecado, devido a quebra da lei que Deus estabeleceu na aliança feita com o homem. Deus proveu um meio para restaurar o homem, transferindo as exigências previstas na lei para seu filho Jesus Cristo, revelando em seu sacrifício uma NOVA E ETERNA ORDEM, a ser adquirida, exclusivamente, pela fé. 

Presb. Amauri Ribeiro

sábado, 7 de setembro de 2013

Ecumenismo, Progresso ou Ameaça? Com a Palavra Hernandes Dias Lopes




A união de todas as religiões e de todas as crenças é um progresso ou uma ameaça à igreja de Cristo? Para responder a essa questão, precisamos perguntar: Existe verdade absoluta? Nossa resposta é um sonoro SIM. Portanto, podemos unir verdade e mentira, luz e trevas, salvação pelas obras e salvação pela fé? Nossa resposta é um sonoro NÃO. O que está por trás dessa tentativa de unir todas as crenças? É a heresia de que todo caminho leva a Deus. O ecumenismo é um engano. Não há comunhão entre luz e trevas. Não há união entre verdade e mentira. A ideia de que toda religião é boa e de que toda religião conduz o homem a Deus é um engano fatal. Nenhuma religião pode levar o homem a Deus. Somente Jesus é o caminho para Deus. Somente pela fé em Cristo o homem pode ser salvo. Portanto, afirmamos, à luz da Palavra de Deus, que o ecumenismo não é um progresso, mas uma ameaça à igreja de Cristo!

Facebook do Autor

Rodrigo Ribeiro

terça-feira, 30 de julho de 2013

O Justo pelos Injustos

“Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio Dele como propiciação pelos nossos pecados.” I João 4.9-10

            O homem foi criado a imagem e semelhança de Deus: justo, bom e santo, tendo livre acesso a vontade de Deus. Por sua própria vontade o homem desobedeceu ao mandamento da vida, quebrando a aliança com o Pai e corrompendo sua natureza perfeita, perdendo assim o privilegio e o livre acesso a Deus, juntamente com a incapacidade de fazer o bem, recebendo sobre si a maldição do pecado e a morte corporal e espiritual.

“Porque todos pecaram e destituídos estão da gloria de Deus.” Rm 3:23

            O homem estava incapaz de buscar a Deus, “como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda, não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só.” Rm 3.10-12. Sua inclinação era para as coisas da carne, não agradando ao Senhor trazendo assim inimizade contra Ele, condenação e morte eterna.

            Fomos criados perfeitos
, porém pecamos e desagradamos a Deus com isso estamos destituídos da gloria Dele. Merecíamos através do justo julgamento o castigo e de maneira nenhuma poderíamos pagar esta divida, pois somos criaturas e não suportaríamos o peso da ira de Deus contra o pecado. Mas o próprio Senhor em seu eterno plano de redenção nos enviou o seu Filho, que seria o grande Salvador e justificador de muitos. “O próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos”. Mc10.45

            Deus precisaria de um mediador que ao mesmo tempo fosse totalmente homem, porém perfeito e justo, e totalmente Deus, santo. Mediador esse que imaculado levou sobre si os pecados da humanidade, pois ninguém maculado pelo pecado pagaria o pecado dos outros homens, ”Visto que a morte veio por meio de um só homem,também a ressurreição dos mortos veio por meio de um só homem.” (I co 15.21), e ao mesmo tempo ser um Deus, porque somente um verdadeiro Deus poderia cumprir fielmente a lei, sem pecado.

            E sendo Jesus Cristo o próprio Deus Santo, justo e imaculado, pois “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.”Joao1.1, foi enviado ao mundo como foi anunciado pelos profetas,onde se fez carne e habitou entre nós assumindo a natureza humana, porém sem pecado, “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade”.
Jo1.14.

            O Senhor Jesus, pela sua perfeita obediência ao Pai, pagou perfeitamente a dívida de todos aqueles a quem o Pai escolheu, sendo justificados através da morte na cruz e da ressurreição de Cristo, por qualquer coisa feita por nós, mas imputando em nós, mediante a fé, os méritos de Cristo, satisfação e a obediência, tornando Deus propício a nós, fazendo a propiciação dos nossos pecados de uma vez por todas sendo Ele o Filho de Deus.    

“Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito.”
1Pedro 3.18

              Que possamos ter um coração grato diante desse Deus justo e misericordioso. Que o nosso coração se regozije diante desse maravilhoso Evangelho da graça e que tenhamos a consciência de que o fim supremo do evangelho é unicamente a Glória de Deus, o que torna em Boas-novas todos os acontecimentos do evangelho.

Ruan Medeiros


segunda-feira, 6 de maio de 2013

UMP INDICA: Escândalo (D. A. Carson)

D.A. Carson é professor pesquisador do Novo Testamento na Trinity Evangelical Divinity School, em Deerfield, IL, é doutor pela Universidade de Cambridge e um dos mais importantes biblistas e teólogos evangélicos da atualidade.



Em seu livro “Escândalo” publicado pela Editora Fiel, Carson traz cinco sermões expositivos dos textos que ele julga serem os mais proeminentes da Bíblia. Mensagens que giram em torno da Cruz de Cristo e suas consequências, fazendo-nos meditar em como tais verdades podem ser aplicadas em nossas vidas.




Meu destaque vai para o Capítulo dois, onde Carson expôs o texto de Romanos 3.21-26, o qual ao longo da história da igreja vem sendo nomeado por grandes teólogos ( Lutero, Calvino e etc. ) como “O centro de toda a Bíblia”, que é o próprio nome do capítulo. Esses versículos maravilhosos de Romanos são muito difíceis de se compreender, mas a mensagem que tal texto trás é arrebatadora. E o teólogo consegue de forma muito simples e profunda extrair a mensagem principal e trazer aplicações extremamente edificadoras desse trecho das escrituras que fala sobre a Justificação pela Fé.




Todos os capítulos do livro são ótimos, e recomendo a todos que buscam se deleitar nas verdades confrontadoras, confortadoras e arrebatadoras do Escândalo da Cruz de Cristo.

Guilherme Barros