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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Os Oráculos de Pítia

Pítia era uma sacerdotisa do templo de Apolo, famoso por suas previsões dúbias que acabavam por agradar todos os que consultavam os seus oráculos. Pois suas palavras ambíguas sempre poderiam ser interpretadas conforme o desejo do consultante.


Conta-se que o Rei Creso, monarca grego, antes do confronto com a Pérsia a consultou e obteve como resposta: "Se fores a guerra, destruirás um grande império." O rei ficou sobremaneira confiante e foi a guerra. Resultado: uma grande derrotado se abateu sobre ele. A profetiza defendeu seu oráculo afirmando que o reino a ser destruído era exatamente o dele.

Os oráculos do nosso Deus, no entanto, são diferentes do de Pítia em sua forma e eficácia. Eles são tão certeiros e claros que até mesmo quando os homens tentam burlá-los, ainda assim cumprem-se. Como por exemplo no caso do ímpio Rei Acabe, que ao consultar o profeta Miqueías recebeu a previsão da parte de Deus que a batalha contra os sírios seria perdida e ele seria morto. O rei disfarçou-se de soldado comum, mas uma flecha o atingiu no final da batalha e ele morreu (2 Crônicas 18). A palavra de Deus é direta e infalível naquilo que diz. A prova maior é a vinda, a morte e ressurreição de Cristo que permeiam todo o Antigo Testamento.

Ademais, o próprio apóstolo Pedro nos afirma que "Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. (2 Pedro 1:20), em oposição à liberdade interpretativa que a ambiguidade da profetisa Pítia permitia.

Diante de tudo isso, é com pesar que precisamos constatar que muito daquilo que é propagado hoje como profecia da parte de Deus, em regra nos cultos pentecostais, assemelham-se muito mais ao padrão genérico e impreciso encontrado nos templos de Apolo do que às profecias bíblicas. A palavra de Deus é certa, clara e cumpre-se sempre. Os que afirmam ter revelações da parte de Deus, deveriam atentar para isso com temor, sob pena de serem meros pagãos transvestidos com vestimentas cristãs.

Seguro mesmo somente as Escrituras inerrantes que nos guiam no caminho da verdade, e nos garante a vitória final, não de forma dúbia como Pítia, mas certa e induvidosa, por conta do nosso general: Cristo!

Presb. Rodrigo Ribeiro

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Independência e Morte!

Êxodo Capítulo 19.

            O dia 7 de setembro tem um grande significado para o povo brasileiro, ele marca o início de uma nova etapa na vida da nação. O país conquistou liberdade para trilhar seus próprios passos, livre para construir seu destino. Neste ano de 2013 as comemorações referentes à independência do Brasil misturaram sentimentos de patriotismo expressos nos desfiles cívicos realizados na maioria das grandes cidades do Brasil com sentimentos de revolta e indignação populares expressos nas diversas manifestações de protestos, também realizados em muitas cidades do País. Estes movimentos de protestos refletem a insatisfação do povo com aqueles que receberam a missão de conduzir o destino da nação.

            O livro de êxodo relata o início de uma nova etapa para a nação de Israel. Este povo que recebera a promessa de ser uma nação livre e viver debaixo da benção de Deus acabara de ser liberta da escravidão do Egito e estava dando início a sua caminhada sobre a face da terra como uma nação livre do julgo de outra nação e chamada para cumprir o propósito divino. Deus escolhe um homem para liderar esta nação rumo ao destino que Deus preparou para ela, este homem é Moisés, e sua liderança consistia em mediar a aliança entre Deus e a nação. Assim como aquela nação, a Igreja do Senhor é o cumprimento das promessas de Deus, os que fazem parte desta grande nação um dia estavam aprisionados pelo pecado e foram libertos para cumprir o propósito de Deus, e o próprio Deus elegeu um homem como cabeça e líder deste povo, este homem é Jesus, e a ele foi entregue a missão de conduzir como mediador a Igreja em uma relação de aliança com Deus.

             Baseado em êxodo 19 gostaria de meditar sobre os privilégios para o povo de Deus em ter Cristo como mediador:

     1. O conteúdo da sua revelação é de caráter celestial: Antes de apresentar ao povo o que estava proposto para a nação, Moisés dialogava diretamente com Deus, desta forma através da mediação de Moisés eles tinham o privilégio de tomar conhecimento dos planos de Deus da libertação do Egito até a posse da terra prometida. A comunhão de Moisés com Deus também proporcionou ao povo o recebimento de leis que revelavam atributos do caráter de Deus, entre eles o amor, a justiça, o perdão, a misericórdia e a fidelidade com o propósito de conduzir a nação a desfrutar destes valores celestiais na sua peregrinação diária rumo à terra prometida. O autor da carta aos Hebreus apresenta Jesus como mediador superior a Moisés, pois como filho de Deus, Jesus desfrutava de uma comunhão perfeita com o pai. O mesmo autor da carta aos hebreus relata que Jesus é a expressão exata do ser de Deus, revelando o caminho pavimentado por Deus, a ser seguido pela sua Igreja durante sua caminhada pela face da terra com destino ao lar celestial.

      2. Caminhar com a nação: O amor de Deus por Moisés não o impediu de entregá-lo para caminhar ao lado de um povo que continuamente reclamava, e alguma vez rebelava-se contra Moisés para mostrar sua insatisfação com Deus. A presença de Moisés como mediador no meio do povo era operosa, orientando-os na direção que deveriam seguir, alimentava e saciava a sede do povo, julgava sobre toda a nação, disciplinando-os com firmeza, preparava o povo para a batalha, intercedia pelo povo, clamando a Deus por misericórdia, encorajava o povo a caminhar rumo à terra prometida. O livro de apocalipse relata a presença de Jesus como mediador no centro da Igreja, Ele é o Senhor da Igreja e age de forma operosa nela e por meio dela, preservando-a dos ataques de satanás, fortalecendo-a em meio às adversidades, intercede junto ao pai por ela, conduzindo-a em santidade em sua caminhada triunfante rumo a Jerusalém celestial.


      3.    Reconcilia o homem com Deus: Como mediador Moisés recebeu a missão de libertar o povo do Egito, conduzir o povo pelo deserto e por fim introduzi-los na terra prometida. Para cumprir estes objetivos abriu mão da convivência dos palácios egípcios, suportou o fardo de caminhar ao lado de um povo rebelde. No cumprimento do último propósito sua morte foi significativa, visto que ela marcou a entrada da nação na terra que Deus preparou para eles. Para resgatar o seu povo do domínio do pecado, o filho de Deus como mediador, se esvaziou, abrindo mão de sua glória, tornando-se homem, habitou entre nós, manifestou o Reino de Deus na terra e por causa disto foi perseguido, caluniado e ultrajado. Ao morrer na cruz cumpriu eficazmente sua missão como mediador reconciliando o seu povo com Deus.

Conclusão: Cristo ocupa o centro na trajetória do povo de Deus. O plano de Deus foi feito por causa Dele, o cumprimento das promessas de Deus para o seu povo baseava-se em seus méritos e pôr fim a história do povo de Deus é o resultado da missão que Ele exerceu como mediador entre Deus e o homem. Deste modo se como nação celebramos a independência no 7 de Setembro, marcada pela frase notória de D. Pedro I, independência ou morte, e assim também como o povo de Israel celebrava a libertação do Egito, que possamos de forma muito mais profunda e constante festejar com o coração cheio de gratidão a nossa maior libertação, a do pecado, da morte e da condenação. Em Cristo temos a independência e morte. Através do sacrifício do perfeito mediador recebemos a carta de alforria que nos livra do cárcere do pecado, e hoje somos escravos de Cristo, vivendo para a glória de nosso Senhor.

Solus Christus!
Soli Deo Gloria!


Amauri Ribeiro

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O Espírito de Cristo nos levaria a ultrapassar os princípios da Palavra de Deus? Com a palavra João Calvino.


Ademais, aqueles que, repudiada a Escritura, imaginam não sei que via de acesso a Deus, devem ser considerados não só possuídos pelo erro, mas também exacerbados pela loucura. Ora, surgiram em tempos recentes certos desvairados que, arrogando-se, com extremada presunção, o magistério do Espírito, fazem pouco caso de toda leitura da Bíblia e se riem da simplicidade daqueles que ainda seguem, como eles próprios a chamam, a letra morta e que mata.

Eu, porém, gostaria de saber deles que Espírito é esse de cuja inspiração se transportam a alturas tão sublimadas que ousem desprezar como pueril e rasteiro o ensino da Escritura? Ora, se respondem que é o Espírito de Cristo, tal certeza é absurdamente ridícula, se na realidade concedem, segundo penso, que os apóstolos de Cristo, e os demais fiéis na Igreja primitiva, foram iluminados não por outro Espírito. O fato é que nenhum deles daí aprendeu o menosprezo pela Palavra de Deus; ao contrário, cada um foi antes imbuído de maior reverência, como seus escritos o atestam mui luminosamente. E, na verdade, assim fora predito pela boca de Isaías. Pois o povo antigo não cinge ao ensino externo como se lhe fosse uma cartilha de rudimentos, onde diz: “Meu Espírito que está em ti, e as palavras que te pus na boca, de tua boca não se apartarão, nem da boca de tua descendência, para sempre” [Is 59.21], senão que ensina, antes, haver de ter a nova Igreja, sob o reino de Cristo, esta verdadeira e plena felicidade: que seria regida pela voz de Deus, não menos que pelo Espírito. Do quê concluímos que, em nefando sacrilégio, estes dois elementos que o Profeta uniu por um vínculo inviolável são separados por esses biltres.

A isto acresce que Paulo, arrebatado que foi até ao terceiro céu [2Co 12.2], entretanto não deixou de aprofundar-se no ensino da lei e dos profetas, assim como também exorta a Timóteo, mestre de singular proeminência, a que se devotasse a sua leitura [1Tm 4.13]. E digno de ser lembrado é esse elogio com que adorna a Escritura: “é útil para ensinar, admoestar, redarguir, a fim de que os servos de Deus se tornem perfeitos” [2Tm 3.16]. De quão diabólica loucura é imaginar como se fosse transitório ou temporário o uso da Escritura que conduz os filhos de Deus até a meta final!

Em seguida, desejaria que também me respondessem isto: porventura beberam de outro Espírito além daquele que o Senhor prometia a seus discípulos? Ainda que se achem possuídos de extrema insânia, contudo não os julgo arrebatados de tão frenético desvario que ousem gabar-se disso. Mas, ao prometê-lo, de que natureza declarava haver de ser esse Espírito? Na verdade, um Espírito que não falaria por si próprio; ao contrário, que lhes sugeriria à mente, e nela instilaria o que ele próprio havia transmitido por meio da Palavra [Jo 16.13].

Logo, não é função do Espírito que nos foi prometido configurar novas e inauditas revelações ou forjar um novo gênero de doutrina, mediante a qual sejamos afastados do ensino do evangelho já recebido; ao contrário, sua função é selar-nos na mente aquela mesma doutrina que é recomendada através do evangelho.

CALVINO, João. As Institutas da Religião Cristã. I.ix. 1. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. pp. 99-100

Karlla Christina