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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Os Oráculos de Pítia

Pítia era uma sacerdotisa do templo de Apolo, famoso por suas previsões dúbias que acabavam por agradar todos os que consultavam os seus oráculos. Pois suas palavras ambíguas sempre poderiam ser interpretadas conforme o desejo do consultante.


Conta-se que o Rei Creso, monarca grego, antes do confronto com a Pérsia a consultou e obteve como resposta: "Se fores a guerra, destruirás um grande império." O rei ficou sobremaneira confiante e foi a guerra. Resultado: uma grande derrotado se abateu sobre ele. A profetiza defendeu seu oráculo afirmando que o reino a ser destruído era exatamente o dele.

Os oráculos do nosso Deus, no entanto, são diferentes do de Pítia em sua forma e eficácia. Eles são tão certeiros e claros que até mesmo quando os homens tentam burlá-los, ainda assim cumprem-se. Como por exemplo no caso do ímpio Rei Acabe, que ao consultar o profeta Miqueías recebeu a previsão da parte de Deus que a batalha contra os sírios seria perdida e ele seria morto. O rei disfarçou-se de soldado comum, mas uma flecha o atingiu no final da batalha e ele morreu (2 Crônicas 18). A palavra de Deus é direta e infalível naquilo que diz. A prova maior é a vinda, a morte e ressurreição de Cristo que permeiam todo o Antigo Testamento.

Ademais, o próprio apóstolo Pedro nos afirma que "Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. (2 Pedro 1:20), em oposição à liberdade interpretativa que a ambiguidade da profetisa Pítia permitia.

Diante de tudo isso, é com pesar que precisamos constatar que muito daquilo que é propagado hoje como profecia da parte de Deus, em regra nos cultos pentecostais, assemelham-se muito mais ao padrão genérico e impreciso encontrado nos templos de Apolo do que às profecias bíblicas. A palavra de Deus é certa, clara e cumpre-se sempre. Os que afirmam ter revelações da parte de Deus, deveriam atentar para isso com temor, sob pena de serem meros pagãos transvestidos com vestimentas cristãs.

Seguro mesmo somente as Escrituras inerrantes que nos guiam no caminho da verdade, e nos garante a vitória final, não de forma dúbia como Pítia, mas certa e induvidosa, por conta do nosso general: Cristo!

Presb. Rodrigo Ribeiro

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Independência e Morte!

Êxodo Capítulo 19.

            O dia 7 de setembro tem um grande significado para o povo brasileiro, ele marca o início de uma nova etapa na vida da nação. O país conquistou liberdade para trilhar seus próprios passos, livre para construir seu destino. Neste ano de 2013 as comemorações referentes à independência do Brasil misturaram sentimentos de patriotismo expressos nos desfiles cívicos realizados na maioria das grandes cidades do Brasil com sentimentos de revolta e indignação populares expressos nas diversas manifestações de protestos, também realizados em muitas cidades do País. Estes movimentos de protestos refletem a insatisfação do povo com aqueles que receberam a missão de conduzir o destino da nação.

            O livro de êxodo relata o início de uma nova etapa para a nação de Israel. Este povo que recebera a promessa de ser uma nação livre e viver debaixo da benção de Deus acabara de ser liberta da escravidão do Egito e estava dando início a sua caminhada sobre a face da terra como uma nação livre do julgo de outra nação e chamada para cumprir o propósito divino. Deus escolhe um homem para liderar esta nação rumo ao destino que Deus preparou para ela, este homem é Moisés, e sua liderança consistia em mediar a aliança entre Deus e a nação. Assim como aquela nação, a Igreja do Senhor é o cumprimento das promessas de Deus, os que fazem parte desta grande nação um dia estavam aprisionados pelo pecado e foram libertos para cumprir o propósito de Deus, e o próprio Deus elegeu um homem como cabeça e líder deste povo, este homem é Jesus, e a ele foi entregue a missão de conduzir como mediador a Igreja em uma relação de aliança com Deus.

             Baseado em êxodo 19 gostaria de meditar sobre os privilégios para o povo de Deus em ter Cristo como mediador:

     1. O conteúdo da sua revelação é de caráter celestial: Antes de apresentar ao povo o que estava proposto para a nação, Moisés dialogava diretamente com Deus, desta forma através da mediação de Moisés eles tinham o privilégio de tomar conhecimento dos planos de Deus da libertação do Egito até a posse da terra prometida. A comunhão de Moisés com Deus também proporcionou ao povo o recebimento de leis que revelavam atributos do caráter de Deus, entre eles o amor, a justiça, o perdão, a misericórdia e a fidelidade com o propósito de conduzir a nação a desfrutar destes valores celestiais na sua peregrinação diária rumo à terra prometida. O autor da carta aos Hebreus apresenta Jesus como mediador superior a Moisés, pois como filho de Deus, Jesus desfrutava de uma comunhão perfeita com o pai. O mesmo autor da carta aos hebreus relata que Jesus é a expressão exata do ser de Deus, revelando o caminho pavimentado por Deus, a ser seguido pela sua Igreja durante sua caminhada pela face da terra com destino ao lar celestial.

      2. Caminhar com a nação: O amor de Deus por Moisés não o impediu de entregá-lo para caminhar ao lado de um povo que continuamente reclamava, e alguma vez rebelava-se contra Moisés para mostrar sua insatisfação com Deus. A presença de Moisés como mediador no meio do povo era operosa, orientando-os na direção que deveriam seguir, alimentava e saciava a sede do povo, julgava sobre toda a nação, disciplinando-os com firmeza, preparava o povo para a batalha, intercedia pelo povo, clamando a Deus por misericórdia, encorajava o povo a caminhar rumo à terra prometida. O livro de apocalipse relata a presença de Jesus como mediador no centro da Igreja, Ele é o Senhor da Igreja e age de forma operosa nela e por meio dela, preservando-a dos ataques de satanás, fortalecendo-a em meio às adversidades, intercede junto ao pai por ela, conduzindo-a em santidade em sua caminhada triunfante rumo a Jerusalém celestial.


      3.    Reconcilia o homem com Deus: Como mediador Moisés recebeu a missão de libertar o povo do Egito, conduzir o povo pelo deserto e por fim introduzi-los na terra prometida. Para cumprir estes objetivos abriu mão da convivência dos palácios egípcios, suportou o fardo de caminhar ao lado de um povo rebelde. No cumprimento do último propósito sua morte foi significativa, visto que ela marcou a entrada da nação na terra que Deus preparou para eles. Para resgatar o seu povo do domínio do pecado, o filho de Deus como mediador, se esvaziou, abrindo mão de sua glória, tornando-se homem, habitou entre nós, manifestou o Reino de Deus na terra e por causa disto foi perseguido, caluniado e ultrajado. Ao morrer na cruz cumpriu eficazmente sua missão como mediador reconciliando o seu povo com Deus.

Conclusão: Cristo ocupa o centro na trajetória do povo de Deus. O plano de Deus foi feito por causa Dele, o cumprimento das promessas de Deus para o seu povo baseava-se em seus méritos e pôr fim a história do povo de Deus é o resultado da missão que Ele exerceu como mediador entre Deus e o homem. Deste modo se como nação celebramos a independência no 7 de Setembro, marcada pela frase notória de D. Pedro I, independência ou morte, e assim também como o povo de Israel celebrava a libertação do Egito, que possamos de forma muito mais profunda e constante festejar com o coração cheio de gratidão a nossa maior libertação, a do pecado, da morte e da condenação. Em Cristo temos a independência e morte. Através do sacrifício do perfeito mediador recebemos a carta de alforria que nos livra do cárcere do pecado, e hoje somos escravos de Cristo, vivendo para a glória de nosso Senhor.

Solus Christus!
Soli Deo Gloria!


Amauri Ribeiro

terça-feira, 2 de julho de 2013

E Vós, Quem Dizeis que Sou?

E ele lhes disse: Mas vós, quem dizeis que eu sou?
Marcos 8:29

Esta é uma pergunta chave para todo o Cristão, afinal até mesmo estas nomenclaturas herdaram por causa Dele. O nosso conceito de Jesus irá determinar quem somos: seguidores ou impostores; cristãos ou hereges; joio ou trigo; escravos de Cristo ou escravos do pecado. E neste sentido fujamos da reflexão óbvia, pois identificar o mundo que rejeita Cristo é bastante fácil. O mais complicado é rejeitar os que se escondem sob o mando do Cristianismo para denegrir a imagem do Logos Divino, o Deus encarnado, Jesus Cristo. Ao longo da história da igreja diversos debates foram travados para defender a concepção bíblica acerca da natureza de Jesus, e o mais destacado destes embates foram as controvérsias cristológicas da idade antiga.

O ambiente político do Século IV favoreceu a forma com que as discussões sobre a natureza de Cristo aconteceram, em virtude da possibilidade das realizações dos concílios ecumênicos, uma realidade inimaginável antes do Edito de Milão, no tempo em que o Cristianismo era marginalizado e perseguido. Aliás, a própria conjuntura política foi um grande fator externo que impulsionou o debate, pois o imperador Constantino via na religião cristã o elemento que seria o “cimento do império” e tomou providências para evitar que houvesse uma cisão dentro do movimento que era a sua esperança para agregar o Império.

No entanto, apesar da importância destes fatores externos, aquilo que impulsionou de forma mais significativa as reflexões teológicas acerca da natureza de Cristo foi à propagação das heresias, notadamente os ensinos de Ário que alcançaram em larga escala a população em geral e contaminou também algumas lideranças eclesiásticas. O pensamento deste presbítero consistia na concepção de que Jesus foi criado, não sendo pré-existente, de modo que Cristo não era eterno, mas era um ser intermediário entre Deus e a criação. Para combater esta heresia foi demandado um árduo e profícuo labor teológico, resultando no Concílio de Niceia (325) e o Concílio de Constantinopla (381) que deram origem ao Credo Niceno-Constantinopolitano.

O Concílio de Niceia condenou Ário como herege, e em sua redação oficial utilizou da expressão homoousios, afirmando assim que a posição oficial da igreja era que o Filho tinha a mesma substância que o Pai, e, portanto, tinha os mesmos atributos. Ocorre que a celeuma não foi completamente resolvida neste momento histórico, pois muitos Bispos ficaram insatisfeitos com o resultado do Concílio, pois criam que o Credo ao afirmar que Deus e Jesus tinham a mesma substância, poderiam induzir uma espécie de modalismo, heresia que afirmam a unidade absoluta de ambos, negando assim a trindade. Além disto, em momentos posteriores, o pensamento Ariano retornou com bastante força, ao ponto de um de seus mais ardorosos com batentes, Atanásio, ter sido exilado várias vezes, pois até mesmo o imperador inclinou-se aos arianos.

Depois de muitos anos de intenso debate, o Concílio de Constantinopla sedimentou a derrota do Arianismo, coroando o trabalho intenso de Atanásio e dos Pais Capadócios. O credo Niceno revisado trouxe mais claras as expressões que outrora eram ambíguas e ainda aprofundou as questões relativas à terceira pessoa da trindade: o Espírito Santo.  Foi neste contexto histórico que foram desenvolvidos os conceitos ortodoxos que fazem parte da doutrina cristã, como a concepção que há uma essência Divina, mas que se manifesta em três pessoas distintas, afastando assim as heresias unitárias e que diferenciavam a natureza do Filho e o Espírito a do Pai.

Apesar do rico legado deste período, ainda houve questão que carecem de um maior esclarecimento, como por exemplo, a forma com que a economia da trindade age na humanidade e as questões relativas à aparente subordinação entre as pessoas da trindade, um assunto que também envolve outro tema bastante complexo, a dupla natureza de Cristo. No entanto, é imprescindível perceber o quanto estas discussões agregaram um tesouro teológico inestimável para a história da igreja, pois afastaram as concepções que diminuam a pessoa de Cristo, o que afetava até mesmo a salvação das pessoas, visto que somente um Deus, verdadeiramente divino, poderia morrer por outros e salvá-los. Alcançar uma unidade, com profundidade, numa temática tão difícil é um mérito inegável dos homens do quarto século, pois solidificaram concepções bíblicas a respeito de Cristo e isto é de um valor inestimável.

Ao longo da história sempre percebemos este mesmo modus operandi herético: Cristo é sempre o alvo, ainda que mediato, das afrontas heréticas. Foi assim no período medieval onde a doutrina romana diminuía acintosamente o valor do sacrifício de Cristo ao limitar a salvação, dividindo seus méritos com os homens através das obras. Mas Deus levantou homens corajosos para bradar: Solus Christus!

Também verificamos isto em outros movimentos, como por exemplo, no liberalismo, que atacando o sobrenatural em prol de uma aceitação do Cristianismo aos ditames científicos, negou o nascimento virginal de Cristo. Isto pode parecer inofensivo, mas na prática aponta para um Jesus que nasce com a semente do pecado, sendo pecador e imperfeito, estando inabilitado para ser o sacrifício perfeito por nossos pecados. Ou seja, mais uma heresia que atinge algum atributo de Cristo e como consequência esfacela a esperança de nossa salvação.

Infelizmente, isto não está distante de nós, de modo que a pergunta feita aos discípulos continua e sempre será vital. Quem dizemos que Cristo é? Será que faremos coro com o neo-arianismo do “apóstolo” Valdomiro que afirmou que Jesus é um ser criado? Ou comungaremos com os asseclas de Kenneth Hagin que apregoam um Cristo que ao encarnar abdicou de sua divindade? O alvo dos hereges é sempre o mesmo: Cristo Jesus. O verniz muda, mas o veneno permanece, assim como os seus efeitos perniciosos.

Os ataques incessantes á Cristo revelam somente o espírito do Anticristo, e expõem o ímpeto do coração carnal que busca destronar o Filho de Deus, combater o Alfa e o Ômega, minar as bases de nossa salvação e destituir de toda a glória o Logos, o príncipe da Paz, o Deus conosco, o messias prometido, o Cristo glorioso de nossas almas.


De que lado você está nesta história? Você está no front junto com aqueles que, ainda que muitas vezes impopulares, levantam o estandarte de Cristo e combatem os ensinos heréticos? Ou você compartilha de uma visão distorcida e completamente distante da revelação bíblica acerca de Jesus? Saiba que os que se mantem silentes também estão em erro fatal, pois o mesmo Cristo que indagou os apóstolos, ainda perscruta sua igreja: E vós quem dizeis que sou? Calar não é uma opção. Proclame à Cristo e rejeite tudo que o ofende ou diminui sua divindade, humanidade, glória, poder e honra. Brade com toda a sua força: Solus Christus!

Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd

Este texto é uma adaptação da prova requerida no módulo HISTÓRIA DA TEOLOGIA da Especialização em Estudos Teológicos do Andrew Jumper, ministrado pelo Dr. Alderi de Sousa Matos, de modo que o material produzido por este professor para o curso supracitado foi uma referência largamente utilizada nesta reflexão.

segunda-feira, 18 de março de 2013

UMP INDICA: Comentário sobre a Renúncia do Papa (Rev. Alderi Sousa de Matos)

Por mais que o assunto já tenha sido debatido exaustivamente nas últimas semanas, ainda não foi esgotado e uma nova opinião abalizada sempre será edificante e útil, por isto, indicamos hoje um vídeo do Rev. Alderi Souza de Matos onde o mesmo faz alguns comentários sobre a Renuncia do Papa Bento XVI.

Neste curto vídeo, o historiador oficial da Igreja Presbiteriana do Brasil, Th.D., professor de Teologia Histórica, coordenador do STM e editor de Fides Reformata; faz uma análise sobre a renúncia do Papa, traz alguns dados históricos e faz uma crítica sobre o papado em relação ao pensamento reformado.

Recomendamos a todos que desejam compreender melhor o momento histórico em que vivemos, assim como a história da Igreja e deseja ter mais informações sobre assuntos como a sucessão apostólica e o primado de Pedro.

Aqui está o link do vídeo. Deus o abençoe:



Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

UMP INDICA: Mochila nas Costas e Diário na Mão - A fascinante história de Ashbel Green Simonton

Este livro, escrito pelo Rev. Elben Lenz César e publicado pela editora ultimato, apresenta a biografia do Rev. Ashbel Green Simonton, pioneiro do presbiterianismo no Brasil. De fácil e agradabilíssima leitura, Simonton nos é apresentando ainda na infância nos EUA, passando pelo seu chamado ministerial, sua firme decisão de pregar o evangelho em terras brasileiras e a sua vinda para cá em 18 de junho de 1859, a bordo do navio Banshee e desembarque na Baía da Guanabara em 12 de agosto do mesmo ano. Seguindo-se a isso, são apresentados momentos diversos na vida de Simonton, como morte da esposa, a luta contra a escravidão, a organização da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro, bem como do Presbitério de mesmo nome, a organização do primeiro jornal protestante da América do Sul (1864), o primeiro seminário (1867) e ordenação do primeiro pastor brasileiro, o Rev. José Manuel da Conceição, em 1865.

O autor também nos brinda com uma bela apresentação do contexto histórico do Brasil e do mundo. Em um dos casos, mostra como a abertura dos portos, promovida por D. João VI, abriu as portas para a evangelização em nossa terra.

Bom, agora é conhecer, ler e aprender mais com a vida desse homem que se dedicou a pregar o evangelho em terras tupiniquins.

Para adquirir e ver outros materiais acerca do livro , acesse o site http://ultimato.com.br/sites/simonton/

Presb, Cicero Pereira
@ciceroeiris


Uma conversa com o autor de Mochila nas Costas e Diário na Mão.
httpv://www.youtube.com/watch?v=4jH3Ctq5TOI 

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

O nascimento de Jesus, paganismo e a festa do natal






Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus.
E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e por-lhe-ás o nome de Jesus.
Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai;
E reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim. 
Lucas 1:30-33
E aconteceu que, estando eles ali, se cumpriram os dias em que ela havia de dar à luz.
E deu à luz a seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem. Ora, havia naquela mesma comarca pastores que estavam no campo, e guardavam, durante as vigílias da noite, o seu rebanho. E eis que o anjo do Senhor veio sobre eles, e a glória do Senhor os cercou de resplendor, e tiveram grande temor. E o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo:
Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor.
E isto vos será por sinal: Achareis o menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura. 
Lucas 2:6-12

                O dia 25 de dezembro de todos os anos é marcado pelas festividades do Natal, onde como todos sabemos, comemora-se o nascimento do menino Jesus, aquele que veio a ser a pedra fundamental da obra redentora de Deus. Para os cristãos do nosso século é uma festa tradicional e constitui importante celebração juntamente com a páscoa. Mesmo em meio aos ataques que vão desde o questionamento da divindade e até mesmo a existência de Cristo, a festa do Natal ainda é tida como importante não por seu significado e sentido em sim, mas pela tradição da festa.
                De início é bom saber que mais provavelmente Jesus não nasceu no mês de dezembro. Os motivos maias prováveis que circulam este fato são os seguinte: Quanto à época de pastoreio, no hemisfério norte, no mês de dezembro a estação vigente é o inverno. O que impossibilitaria a estadia dos pastores de rebanho (vers. 8) naquele local nesse mês; outro indicativo é que não se acredita que o decreto ao recenseamento feito por César Augusto tenha sido feito em uma época chuvosa ou fria.
                Ou ponto importante a se citar que a visita dos magos (ou sábios) a Jesus não se deu exatamente nos momentos que passou na manjedoura e nem se pode afirmar que eram três. Perceba que os magos vieram do oriente, ou seja, algum lugar mais ao leste da cidade onde Jesus nasceu. Só para que você lembre, as jornadas naquele época eram quase todas à pé mesmo ou com algum animal (jumentinho), ou seja, eram viagens demoradas. Acredita-se que a chagada deles se deu por volta de dois anos após o nascimento de Jesus. Acredita-se assim pelo fato de que Herodes (rei de Israel entre 37 a.C à 4 d.C) decretou a matança das crianças de até dois anos e isto depois da visita dos magos. É por isto que o presépio de natal traz consigo uma imprecisão história, pois os pastores visitaram Jesus em Belém já os magos em Nazaré.
               

Sobre a relação do paganismo com o Natal, têm-se duas vertentes sobre esta suposição:
 ● A primeira delas afirma que o Imperador Constantino ( ~ 306 d.C à 337 d.C.), que declarou o Cristianismo como religião oficialmente de Roma, substituiu uma das maiores festas da antiga religião (pagã) pela comemoração do nascimento de Cristo. Esta festa era em homenagem ao deus sol, pois entre os dias 22 e 25 de dezembro ocorre o solstício de inverno naquela região, onde temos o dia com menos horas de luz do ano. Acreditava-se que a este fenômeno estava associada simbolicamente a renascimento ou nascimento.
● A segunda proposição atesta que as origens do natal vem da politeísta Babilônia. Estabelecido por Nimrode, neto de Cam, o filho de Noé. Após a morte de Nimrode, a sua esposa (quem também era sua mãe) disseminou a idéia de que ele havia reencarnado em seu filho Tamuz e que em cada aniversário seu (natal) dever-se-ia depositar presentes em uma árvore para Nimrode, pois era desejo seu.

Assim, algumas pessoas preferem não comemorar o Natal pela sua origem pagã (puritano), ou porque os apóstolos sequer comemoram, após a morte de Cristo a sua morte.
Um fato importante a se salientar é que a importância da festa do Natal não é pela tradição ou por sua origem pagã. A importância do Natal está relacionada com o aniversariante em questão: Jesus! Quando festejamos o Natal, estamos comemorando o nascimento daquele que foi o próprio Deus encarnado como homem e que veio cumprir toda a lei que nenhum dos injustos e destituídos da glória de Deus era capaz de cumprir. Jesus não somente cumpriu toda a lei, como também sofreu a justiça de Deus pelos pecados daqueles por quem Ele morreu. Através dEle, Deus nos vê como justos. Independe do controverso da data, por que não comemorar o nascimento daquele que realizou tão importante obra na cruz? Independente das origens da Festa, os verdadeiros Cristãos celebram o nascimento daquele que trouxe luz a um mundo de trevas, ao que trouxe vida a um mundo de morte. Celebramos o nascimento do elo entre o verdadeiro Deus e os homens, celebramos o seu amor por aqueles que são verdadeiramente chamados seus filhos!

Felipe Alexandre Medeiros silva
felipe_seven7h@hotmail.com



segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

UMP INDICA: Charles Spurgeon, o pregador do povo.


Há homens que são usados por Deus de uma forma tão impressionante, que os reflexos de sua vida ultrapassam várias gerações, e Spurgeon é um destes homens. Este documentário, traduzido pelo site Projeto Spurgeon, nos aproxima da história deste grande servo de Deus, conhecido pelo seu amor às escrituras, sua ênfase evangelística e a defesa apaixonada das doutrinas da graça.

O documentário, que intercalada encenações e apresentações, percorre toda vida e o ministério do “príncipe dos pregadores”, mostrando o seu nascimento, sua conversão, o início do ministério, seu casamento, suas vitórias e fracassos, e por fim, sua morte e legado, ministerial, editorial e até mesmo social, numa faceta deste pastor esquecida e ignorada por muitos.

Dedicar algumas horas de seu dia para conhecer mais da vida de Spurgeon, certamente irá inspirá-lo a dedicar-se mais à obra do Senhor, com mais amor, entusiasmo e confiança no Deus misericordioso que conduziu aquele homem do interior porque caminhos que jamais imaginou, mas que redundaram em glória ao nome do Supremo Criador de todas as coisas.

Aqui está o link do documentário. Deus o abençoe:


Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd


terça-feira, 13 de novembro de 2012

Um Pouco de História da Igreja Presbiteriana [Parte 2]




No artigo anterior, foi tratada um pouco da história da Igreja Presbiteriana em um nível mundial e os seus primeiros passos na sua chegada no Brasil. Agora, continuando o segmento do artigo, mostrar-se-á o andamento após a consolidação das primeiras igrejas e o primeiro presbitério.
Com a organização das três primeiras igrejas Presbiterianas (Rio de Janeiro-RJ, São Paulo-SP e Brotas-SP), tornou-se possível a criação do primeiro concílio, o Presbitério do Rio de Janeiro, no dia 16 de Dezembro de 1865 na cidade de São Paulo. Os membros fundadores eram três missionários: Além de Simonton, Alexander L. Blackford e Francis J. C. Schneider. No mesmo mês, dia 17 de dezembro, seria ordenado o ex-padre José Manoel da Conceição (1822-1873), foi o primeiro brasileiro a ser ordenado ministro protestante, em 1865. Visitou incansavelmente dezenas de vilas e cidades no interior de São Paulo, Vale do Paraíba e sul de Minas, pregando e fundando comunidades., foi ordenado o Rev. José Manoel da Conceição, que ficou filiado ao Sínodo de Baltimore, da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos da América (Igreja do Norte ou PCUSA).1
O ano de 1869 é marcado pela chegada dos missionários da PCUS (Igreja Presbiteriana do Sul). A Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos nessa época, estava dividida em duas partes, por causa da questão da libertação dos escravos e conseqüente Guerra da Secessão. Isso significava que o Brasil era alvo do trabalho de duas Igrejas Presbiterianas do mesmo país.2
Nesse meio tempo, em 1870, foi fundada a Escola Americana, por George Chamberlain e sua esposa Mary Chamberlain. A Escola Americana, mais tarde, passaria a se chamar Mackenzie College, chegando a ser o conhecido Instituto Presbiteriano Mackenzie, que abriga, dentre outras instituições como a Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Passaram-se mais de vinte anos depois da fundação do primeiro presbitério, até que fossem organizados novos: o de Campinas e Oeste de Minas (14-04-1887) e o de Pernambuco (17-08-1888), ambos ligados à Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos (Igreja do Sul). Em 6 de setembro de 1888, os três presbitérios filiados às igrejas-mães norte-americanas uniram-se para formar um concílio autônomo, o Sínodo da Igreja Presbiteriana do Brasil. O Sínodo era composto de vinte missionários, doze pastores nacionais e mais de 50 igrejas. O Sínodo da Igreja Presbiteriana do Brasil no ano de 1907, aprovou a sua própria dissolução e a criação de dois novos sínodos, o do Norte e o do Sul, que reuniram-se pela primeira vez em janeiro de 1909, respectivamente em Salvador e Campinas. No dia 7 de janeiro de 1910, a Assembléia Geral foi solenemente instalada no templo na Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro, sendo o Rev. Álvaro Reis, pastor daquela igreja histórica (Rio de Janeiro), eleito moderador. Nessa época, a Igreja Presbiteriana do Brasil tinha cerca de dez mil membros comungantes, outro tanto de não comungantes e por volta de 150 igrejas em sete presbitérios.
Finalmente, a Assembléia Geral de 1936, reunida em Caxambu, Minas Gerais, convocou uma Assembléia Constituinte, que reuniu-se em dezembro do ano seguinte, no Rio de Janeiro. Essa Assembléia aprovou uma nova Constituição para a igreja, pela qual a Assembléia Geral passou a denominar-se Supremo Concílio. Apresentamos a seguir uma relação completa de todas as reuniões desses concílios maiores da IPB, bem como os nomes dos seus moderadores ou presidentes.
Após a Proclamação da República, nasceu um movimento nacionalista na  IPB, em que pastores brasileiros se manifestaram contrários à presença intesiva e intereferência de missionários americanos. Segundo o site da IPIB, nem sempre havia acordo pleno entre os dois grupos de missionários americanos ( PCUS e PCUSA) .Com o correr do tempo foi se formando um corpo de pastores brasileiros que nem sempre estavam de acordo com a forma de trabalho dos missionários estrangeiros. Esse impasse levou à fundação da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil. A IPIB não foi a única filha da IPB, segundo o site Wikipédia, em ordem cronológica, são as seguintes: Igr. Presb. Independente (1903), Igr. Presb. Conservadora (1940), Igr. Presb. Fundamentalista (1956) e Igr. Presb. Unida do Brasil (1978).
Igr. Presb. Conservadora surgiu da discórdia em questões doutrinárias que tangiam a condenação eterna dos ímpios. Semelhantemente, a Igr. Presb. Fundamentalista é uma dissidência de alguns pastores, (semelhante a movimento ocorrido nos EUA), que negavam as doutrinas fundamentais da IPB. Em um contexto mais pesado, a Igr. Presb. Unida do Brasil é dissidente por conta da influência da teologia liberal, onde existe um ecumenismo religioso tão fortemente presente, que esta igreja ordena como pastores mulheres e homens de orientação homossexual. Das igrejas dissidentes, IPIB é a única propriamente reformada e com doutrina mais próxima a IPB.
Por fim, A Igreja Presbiteriana do Brasil, ao ano de 2003, possuía aproximadamente 3.840 igrejas locais, excluindo-se as congregações, 263 presbitérios, 64 sínodos, 2.660 pastores, 503.500 adeptos - sendo 370.500 membros comungantes (que participam da Santa Ceia) e 133.000 membros não-comungantes, estando presente em todos os estados da federação. Segundo estimativa de 2008, a IPB possui 4.212 igrejas e 980.000 membros.3
A IPB tem como meios de comunicação oficiais o seu site oficial (http://www.ipb.org.br ) e o Jornal Brasil Presbiteriano.


Referencias

Principal fonte de referência:
MATOS, Alderi Souza; Histórico da Igreja Presbiteriana no Brasil. Disponível em < http://www.ipb.org.br/portal/artigos-e-estudos/417-historico-da-igreja-presbiteriana-do-brasil > Acesso dia 13/11/2012.

Demais referências
1 ________________________________________. Igreja Presbiteriana do Brasil. Disponível em < http://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_Presbiteriana_do_Brasil > . Acesso dia 13/11/2012

2  _______________ . história da igreja presbiteriana independente do brasil. Disponível em < http://www.ipib.org/index.php/nossa-historia?showall=1&limitstart= > Acesso dia 13/11/2012.

3 _____________________________________. O que é IPB. Disponível em < http://www.ipb.org.br/portal/historia/75-oqueeipb >





Felipe Medeiros



terça-feira, 11 de setembro de 2012

Um pouco da História da Igreja Presbiteriana [Parte 1]




“ E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.
Marcos 16:15

A Igreja Presbiteriana surgiu a partir da Reforma Protestante (Século XVI), é uma igreja histórica, porém nem todo presbiteriano conhece suas origens. Assim este artigo reúne informações históricas que buscam falar um pouco de como nossa denominação surgiu. Não por preciosismo nem por vanglória, mas para o resgate do contexto e importância nas quais surgiu a Igreja Presbiteriana.
No dia 31 de outubro de 1517, Lutero fixara as 95 teses que expunham os desvios da palavra por parte da Igreja Católica Apostólica Romana (doravante chamada de ICAR), mais precisamente nas portas da capela de Wittenberg (cidade da Alemanha, localizada no estado de Saxônia-Anhalt.)¹ com o intuito de fazer com que a Igreja passasse por uma reforma, porém foi excomungado pelo papa Leão X, forçando-o a romper com a ICAR. O movimento gerado por Lutero ficou conhecido como Luterianismo que desencadeou uma espécie de efeito dominó em outras regiões da Europa. Na Suíça, por exemplo, Zwinglio foi o antecessor de Calvino nesse movimento.
Calvino foi um dos reformadores mais importantes do Século XVI, nascido em Noyon (França)  no dia 27 de maio de 1564 e já aos 14 ano de idade ingressou na universidade de Paris e seis anos mais tarde, se formou em direito pela Universidade de Orleans. A importância de Calvino é ressaltada por uma das sistematizações bíblicas mais completas, As Institutas Cristãs (ou simplesmente As Institutas) constituem o sistema doutrinário conhecido hoje como Calvinismo. Enquanto Lutero queria reformar a ICAR, Calvino entendia que não era mais possível fazê-lo, então Calvino se viu na responsabilidade de organizar uma igreja que na doutrina, na liturgia e forma de governo fosse idêntica à Igreja Primitiva (pelo que se nota, a ICAR não pode ser considerada idêntica a Igreja de Atos, por muitos motivos, como por exemplo, as decisões na mão de um só homem, o papa, a forma de governo e principalmente a doutrina longe das Escrituras), surgindo assim a Igreja Presbiteriana, que como o próprio nome já remete, tem forma de governo através dos presbíteros.
A chegada do presbiterianismo no Brasil se deu no Século XVI. Em três tentativas fracassadas, a primeira pelos franceses que aqui chegaram em 1557, celebrando pela primeira vez a Ceia do Senhor, segundo o modelo bíblico calvinista, no Rio de Janeiro, porém eles foram expulsos do Brasil. A segunda tentativa e terceira tentativas feitas pelos holandeses, em 1624 e em  1630, mas anos mais tarde também foram expulsos do Brasil, e as comunidades presbiterianas que eles haviam implantado no nordeste, desapareceram. Um dos nomes mais conhecidos no Nordeste, Maurício de Nassau, era presbiteriano.  O presbiterianismo foi implementado definitivamente no Brasil com a chegada do missionário Rev. Ashbel Green Simonton, que chegou aqui no dia 12 de agosto de 1859 e ele tinha apenas 26 anos de idade, mas faleceu 8 anos depois em São Paulo, no dia 8 de dezembro de 1867. Contudo a Igreja Presbiteriana a essa altura já possuía um presbitério (Presbitério do Rio de Janeiro), um Seminário, cerca de cinco pastores e três igrejas organizadas. Essas igrejas ficavam na cidade do Rio de Janeiro, São Paulo e Brotas.




¹  ______________. Wittenberg. http://pt.wikipedia.org/wiki/Wittenberg .

                NASCIMENTO, Adão Carlos; A razão da nossa fé. Site Monergismo



Felipe Medeiros
           @felipe_ipb

segunda-feira, 30 de julho de 2012

UMP Indica: A força oculta dos protestantes


Em razão da falsa dicotomia entre os valores que regem as vidas dos homens na esfera particular e as que devem regê-los na vida pública, muitos acreditam que a religião deve ocupar somente este primeiro espaço, exclusivamente na esfera íntima de cada, e por isso não deve contribuir em nada com o espaço público, seja nas leis, nas ciências ou até mesmo nas artes.

Ocorre que este divisão não existe, e a cosmovisão bíblica tem muito a contribuir em todas as áreas da vida humana, sendo isto um imperativo para todos os homens regenerados por Cristo. Deste modo, a palavra de Deus estabelece os princípios para que o direito seja justo, para que a arte seja bela e digna, para que a ciência seja válida e assim por diante.

Tendo esta filosofia como pano de fundo, o pastor e doutor em economia pela universidade de Genebra, André Biléler, nos apresenta neste livro a forma com que a cosmovisão reformada, ultrapassou a esfera religiosa e influenciou os rumos da economia e das democracias ao redor do mundo.

Esta obra é recomendada a todos que desejam entender melhor a respeito da influência do cristianismo em áreas crucias de nossa sociedade contemporânea. E após sua leitura, somos desafiados a nos espelhar nos homens e mulheres do passado, a fim de influenciar mais uma vez a sociedade de acordo com os valores perfeitos e imutáveis das Santas Escrituras, e assim glorificar o nome de Deus.


Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Pare e olhe atentamente para trás


O nosso tema do mês é “surpreendidos pela graça na história”. Fiquei meditando numa questão intrigante: como algo que já passou, é apenas história, passado, pode nos surpreender? Costumamos idealizar como surpreendente algo que não esperamos (ou esperávamos) e que de forma inesperada surge ante nós. Uma das conclusões a que cheguei está num fato comum às pessoas do nosso tempo e, infelizmente, também da igreja: a quase inexistência do ato da contemplação, da reflexão. Hoje, pensar em usar um tempo para refletir, para análise ou para simples (que de simples não tem nada) contemplação dos atos de Deus em nossas vidas, é tomado como tempo perdido, jogado fora, visto podermos estar fazendo algo produtivo em vez de simplesmente pararmos, inertes. Pois bem, vamos analisar alguns pontos que considero importantes para confirmar a tese de que precisamos parar, refletir, para aí sim, sermos surpreendidos pela graça na história.

            A análise sincera, reflexão e contemplação são orientadas na Bíblia. No Salmo 139, versos 23 e 24, Davi clama que Deus seja o condutor desta reflexão.  Já no salmo 103, o mesmo Davi convoca o povo a enxergar, vislumbrar e louvar a Deus pelas maravilhas no meio do seu povo e pela maravilhosa ação de sua misericórdia. E é aqui o ponto principal. Ao fazermos esta viagem para trás, é impossível não nos maravilharmos com o agir de Deus em nossas vidas. Foram tantos os milagres, as correções, as manifestações de amor, livramento e tudo mais, que o único pensamento sincero e honesto de nossa parte é o de surpresa, pois vemos em meio a tanta bênção de Deus, muita incredulidade e ingratidão em nosso coração. E novamente surpresa: o perdão e a disciplina graciosos de um Deus que nos ama, nos adotou e tem cuidado de nós e vai sempre cuidar.

            Por fim, este processo nos surpreende pelo fato de, mesmo olhando para o que Deus fez, conseguimos, pela sua surpreendente graça, ter a certeza de que ele continuará executando a nossa história. História esta que ele mesmo já escreveu, antes que houvesse mundo (Sl 139.16). Neste ponto concordamos com Paulo, quando conclama os Filipenses a crer que Deus os conduzirá até o fim da carreira que Ele propôs (Fp 1.6).  Só nos resta abrirmos nossos lábios e proferirmos as palavras com as quais Davi iniciou e concluiu o salmo 103: “Bendize, ó minha alma ao Senhor”.

Presb. Cicero Pereira
 @ciceroeiris