quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Nascendo do Espírito



“Se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus”
(João 03: 03)


O versículo, transcrito acima, encontra-se no capítulo 03 do livro de João, no qual encontramos o relato do encontro entre Jesus e o fariseu Nicodemos. Muitas pessoas têm abordado esse versículo considerando o ato de nascer de novo, referido por Jesus, como sendo a ação de proferir a aceitação de Jesus Cristo como Salvador. Entretanto, se observarmos essa passagem com mais profundidade, percebemos que ela vai muito além das palavras de homens. 

O ato de nascer de novo implica em uma mudança na forma de pensar e agir. Nascer de novo, “da água e do espírito”, como lemos no versículo 5, requer uma renúncia dos impulsos da natureza humana que nos afastam de Deus. Isso fica mais claro quando, no versículo 06, Jesus esclarece que “o que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito”.  O verbo “nascer” é concebido como “vir à luz”. Ao nascermos, pela primeira vez nos é possível abrir os olhos e contemplar a luz. Quando nascemos da carne, contemplamos a matéria que nos rodeia. No momento em que saímos do ventre, fomos imersos em uma sociedade de valores distorcidos e que exalta o dinheiro, o poder, a fama, a violência, valores que se chocam com aqueles pregados por Jesus, e lembrados pelo apóstolo Paulo em Gálatas 5: 22-23: “Mas  o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio”.
Quando Jesus falou em nascimento do espírito, Ele fez menção ao ato de contemplar a vida pelos olhos espirituais, a partir do renascer de uma nova natureza, proveniente do agir do Espírito Santo, que gera um processo de santificação e de intimidade com as coisas que vem do Alto.  O ato de proferir a aceitação de Cristo, sem nenhuma mudança de atitude, não manifesta verdadeira conversão, pois como se lê em Mateus 7: 21-23:
 “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. / Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? / E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade”.

            É necessário muito mais que palavras. Para nascer do espírito é necessário viver no mundo, situando a nossa vida no centro da vontade de Deus. O homem nascido de novo tem a convicção plena de que as coisas que devem ser valorizadas e buscadas são aquelas que nos aproximam de Deus.  Em Mateus 7: 24 -25 Jesus afirma que:
 “Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha.”

            As adversidades da vida só podem ser superadas quando a base de nossa fé está na palavra de Deus, ou seja, quando conseguimos viver uma vida santificada, a tal ponto que o alicerce dela é o próprio Jesus. E esse processo de santificação somente é possível com o agir do Espírito Santo em nossa vida. Como lê-se em Gálatas 5:17:

“Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer”.

O mundo é muito atrativo, tanto quanto ilusório. As alegrias por ele oferecidas são tão volúveis quanto volúvel é o tempo, mas muitos, malogrados por tantas facilidades, entram em caminhos tortuosos. O caminho que leva ao Senhor, ao contrário, é um caminho de abnegação: de si, de seus desejos, de suas vontades. Nascer do espírito é colocar-se inteiramente e incondicionalmente nas mãos de Jesus, como vemos em Lucas 9: 23-24:

“Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me. / Porque, qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida, a salvará”.


            Nascer do espírito, muito além de palavras, consiste em abrir os olhos e enxergar o mundo como ele é: transitório. Também é compreender que fomos criados para “
as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Efésios 2:10). Fomos criados para termos vida e vida em abundância que só é possível em Jesus, nascendo do espírito.

Andrea Grace
@andreagrace_

domingo, 27 de novembro de 2011

Congresso da Federação de UMPs da Borborema


O grande dia está chegando! O Congresso das UMPs é um momento muito importante de confraternização, comunhão, análise das atividades das sociedades locais e a formação da nova diretoria da federação para o ano de 2012. Então, não perca esta grande oportunidade. No culto de abertura e encerramento, na sexta e no sábado a noite, todos podem participar como visitantes, mas para participar do congresso todo é preciso se inscrever. Para fazê-lo entre em contato com @rodrigolgd.

Informações:

Data: Dias 02 e 03 de Dezembro, sexta e sábado
Local: IV Igreja Presbiteriana em Campina Grande

Visualizar R. José Gomes Filho em um mapa maior
  
Valor da Inscrição: R$ 15,00
Mais informações: @rodrigolgd ou rodrigo_b50@hotmail.com


Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

UMP Entrevista: Banda Resistência

Banda de Campina Grande, composta por alguns jovens da UMP da Quarta e de outras denominações, a Banda Resistência vem desenvolvendo um trabalho que apesar do pouco tempo já tem obtido bons frutos. Conversamos com ele sobre a história da banda, projetos futuros e outras coisas mais. Leia:

01. Primeiro, como começou a banda e porque o nome RESISTÊNCIA?
Marco Júnior - A banda surgiu de um desejo em comum de todos os participantes, o de levar o evangelho de Cristo através da música. Dessa forma nós estaríamos realizando do ide de Jesus e realizando nossos sonhos. Um grupo de jovens, com talentos musicais e com um propósito firmado no coração, então por que não nos juntarmos, não é verdade? O próprio Jesus se dirige a nós como fortes que já venceram o maligno. Sendo assim, no dia 04 de fevereiro do ano de 2011 ocorreu a primeira reunião da nossa banda que até então era sem nome. E o que nós pudemos ver foi o mover de Deus em nosso favor. Porque bem do nada, nós já tínhamos um convite e ver o nosso sonho se concretizando fez com que a nossa vontade aumentasse, na mesma medida em que o nosso coração se enchia de esperança e de alegria.

Nós passamos um bom tempo como “A Banda que não pode dizer o nome”, será marketing? Não, era a falta de um nome que nos chamasse atenção.  Até que um de nossos integrantes sugeriu ‘Resistência’ e teve a aprovação de todos. O nome da banda trata de uma situação comum na vida de um cristão, a bíblia diz: “resisti ao Diabo, e ele fugirá de vós”, e ser um jovem cristão, requer muita perseverança e resistência. Dessa forma o nome proposto condizia com a nossa postura como banda, nós nos unimos para na andar ou estar contra mão do mundo, ir em direção ao nosso alvo que é Cristo. Nós somos testados por várias situações diariamente, e diante de nós sempre se põe dois caminhos: resistir ou se entregar. Nós estamos resistindo com a graça de Deus, e mostrando ao mundo a força que tem a união firmada Nele.

02. A RESISTÊNCIA tem um conhecimento mais expressivo a nível local hoje. Esse é o público alvo da banda ou almeja vôos mais altos?
Walisson Alves - Graças a Deus, a banda tem atingido um bom público na cidade e na circunvizinhança desde que gravamos um CD ao vivo em uma de nossas ministrações. São pessoas que têm nos acompanhado nas ministrações, redes sociais e sempre estão dando força para novos trabalhos desse grupo que tem sido tão bem aceito. Chegamos a ser o assunto mais falado em Campina Grande no Twitter pela repercussão desse trabalho. 

Porém, a banda tem um propósito evangelístico. Recentemente estivemos ministrando na cidade de Sossego – PB e tivemos a oportunidade de levar a palavra de Deus não só através de música, mas também de estudos bíblicos com Rodrigo Ribeiro (teclado) e Guilherme Barros (baixo). Nossa meta é, então, levar a palavra de Deus até onde Ele nos permitir que cheguemos. Através dos nossos dons e talentos procurando pregar a genuína palavra de Deus com a música, com ministrações, estudos.
Seguimos, pois, firmes na certeza de que, na intenção de glorificar o nome de Deus e louvá-lo, Ele nos ajudará nessa jornada com misericórdia e alargando as nossas fronteiras para que possamos levar o seu nome, sua história e seus ensinamentos para um povo cada vez mais sedento de sua palavra.


03. O repertório do ministério é formado basicamente por músicas de outros cantores e grupos conhecidos nacionalmente. A banda tem em algum desses artistas sua grande influência? E se a banda já tem alguma ou algumas músicas próprias em andamento.
Guilherme Barros - Especificamente não temos um cantor (a) que nos influencie de modo direto, apesar de termos várias pessoas e bandas, que gostamos de ouvir e admiramos. Cantamos musicas de vários cantores como Fernandinho, André Valadão, PC Baruk e etc. Mas nós gostamos muito de pegar músicas antigas e reformula-las, pois elas contem letras maravilhosas e com muito conteúdo, diferente da maioria das músicas "gospel" de hoje em dia. E sim, nós estamos trabalhando nas nossas músicas e em breve estaremos as divulgando, querermos caprichar o máximo nas melodias e letras para que o nome de Deus possa ser glorificado!

04. Essa tem sido uma pergunta frequente quando tratamos de música em nossas entrevistas. Por se tratar de um tema muito abrangente e que, inclusive, pode gerar opiniões divergentes. Como vocês vêem o crescimento do movimento e da música intitulada gospel hoje no Brasil? Há diferenças ou é tudo pra Deus e pronto?
Rodrigo Ribeiro - O crescimento da música gospel apesar de parecer algo muito bom, tem trazido mais prejuízos do que benefícios ao cristianismo. Essa afirmação é dura, mas é também um desabafo. O nome de Deus não é glorificado quanto notamos a criação de canções cada vez mais baseadas em formulas mágicas de sucesso, sem a mínima criatividade ou intenção de fazer arte. O que é belo glorifica a Deus; O que é falso e superficial, pode até vender muito, mas não o faz. Essa é uma realidade.

Mas a questão crucial é que a música gospel não é mais sinônimo de evangelho. Por isso não há progresso para o reino de Deus quando milhares de lares cantam canções que não falam dos atributos de Deus, do pecado e a incapacidade do homem de salvar-se, da condenação e da irá que está sobre os pecadores e da graça maravilhosa revelada na cruz. Isso é evangelho, mas você encontra muito pouco desta mensagem nas músicas de hoje.

Não podemos ser injustos. Existem exceções, músicos cristãos que fazem arte de qualidade e que tem letras onde o evangelho é o centro. Mas o fato destes serem minoria, e muitas vezes nem simpatizarem com o “mercado gospel” só confirma esta análise. Por isso que nós temos resgatado canções antigas no nosso repertório, pois encontramos verdades bíblicas e uma devoção que está cada vez mais difícil de encontrar. Na música gospel nem tudo é pra Deus. Muitos agradam os mercados e seus fãs, já outros direcionam canções a um Deus que não é o que a bíblia nos revela.

Entretanto também existem aspectos positivos, por causa do maior espaço concedido em lugares que outrora eram inacessíveis. Ainda que isto ocorra por interesses comerciais, poderia ser muito bem aproveitado para proclamar a loucura da pregação através da música. O grande problema é que os têm estas oportunidades, não transmitem esta mensagem de modo digno. Por fim, é importante refletir: será que os músicos cristãos tem desperdiçado uma bela oportunidade, ou está oportunidade só existe por causa da ausência do evangelho em boa fatia do mercado gospel?

              
05. Apesar do não muito tempo, a Resistência desde sua formação tem feito várias “apresentações” em igrejas e esse ano de 2011 também pela primeira vez no cantinho da bênção. O que a banda tem colhido dessas grandes oportunidades que Deus tem dado que possa deixar de aprendizado para o futuro do grupo?
Wellison Anacleto - Bem, creio que Primeiramente estar dependente de Deus tem sido o nosso maior aprendizado. Quando queremos fazer algo de nós mesmos, não flui, mas quando buscamos saber o que Deus quer tudo ocorre de forma sobrenatural. Outro aprendizado tem sido a amizade do grupo, pois mesmo com falta de tempo, temos um carinho e respeito muito forte por cada um. São dois aprendizados que se levarmos conosco a banda será sempre uma ferramenta nas mãos de Deus.

06. Já agradecido pela participação no UMP DA QUARTA e desejando que Deus guie cada passo da banda, usando-a como instrumento para alcançar vidas para Ele, quero pedir que deixem uma mensagem para os acompanhantes do nosso blog.
Agradecemos a oportunidade de participar deste espaço, e a mensagem que nos deixamos para os jovens que lerão essa entrevista é a mesma que Paulo deixou a igreja de Corinto: Façam tudo para a glória de Deus. Se nós colocarmos isso como meta em nossa vida, poderemos resistir ao pecado, ao diabo, proclamar o evangelho, a salvação que só há em Cristo e assim crescer na graça e no conhecimento para que o nome de nosso Senhor possa ser glorificado em nossas vidas. Que o espírito santo de Deus nos ajude nessa missão!

Banda Resistência
Twitter: @resistenciaband
Assista alguns de nossos vídeos neste canal: http://www.youtube.com/user/Guilherme8x

Entrevista feita por Everson Franklin
@eversonekarlla

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Perseverança dos Santos


“Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao dia de Cristo Jesus”
Filipenses 1.6

“Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora.
João 6.37

                Estamos submergidos em uma geração cristã que têm conjecturas nas mais variadas áreas, posicionam-se das mais diversas formas, criticam segundo as mais diversas ópticas e terminam por optar por um padrão de vida cada vez mais pragmático. O nosso olhar bíblico muitas vezes é colocado de lado e assim cada vez mais enxergamos (ou pelos menos alguns de nós) que os caminhos apresentados pelo cristianismo pós-moderno estão totalmente desvinculados de um caráter, digamos formal, da bíblia, relativizando tudo e postulando axiomas (sem ser repetitivo) cada vez mais emblemáticos.

Da mesma forma que é impossível decidir, por julgamento próprio, escolher o caminho da cruz (ver 3º parágrafo do artigo Vocação Eficaz) é impossível atribuir, ao homem, a capacidade de obter, por capacidade intrínseca, o dom da fé salvadora [1]. Do contrário poderíamos supor que o homem possuí papel decisivo na obra redentora de Cristo e assim estaríamos sendo incoerentes com as claras doutrinas bíblicas expressas em Efésios 1.4-6. E de uma forma geral, somos autores de nossa fé e arquitetos da própria salvação, correto? ERRADO!

Pasme, mas há uma explicação bem aceitável: Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens [2]. Pasme outra vez, mas muito se prega em uma salvação pela graça que pode ser abandonada, obtida e abandonada ... Assim, ora estamos andando segundo Jesus, ora segundo Satanás. E quando ainda restam duvidas sobre isto, vemos que a eleição de Deus é incondicional. Logo a salvação vem pela graça e esta mesma é derramada no coração dos que foram eleitos e estes são chamados eficazmente a uma vida santa, santificados e se santificando estes procedem de forma que perseveram.

A perseverança dos santos, não é, portanto um processo deduzido ou imaginado pelos calvinistas ou por outros, mas sim uma doutrina cristã. Tal afirmativa seria considerada bastante ingênua do ponto de vista arminiano, que por vezes é limitado e bastante superficial. Limitado porque a perseverança não depende de um livre arbítrio, mas sim da imutabilidade de um decreto de Deus: Salvação!

Spencer [3] afirma que “
Portanto, Deus, que é o Autor da "boa obra" (que ele começou no eleito, e não o homem), "quer realizá-la (tempo verbal contínuo, ou manter em realização a obra no santo) até ao dia de Cristo Jesus", quando os eleitos receberão corpo ressurreto e sem pecado! Portanto, a “boa obra” é dEle e não nossa!”

                Todavia não há aqui uma intenção de afirmar categoricamente que alguns estão certos e outros errados ou que as doutrinas calvinistas são as mais corretas e as arminianas não, pelo contrário, possuímos uma cosmovisão calvinista por que ela aponta para os ensinos mais coerentes com a bíblia, pois como expõe Augustos Nicodemus[4]

“... Calvino desejava apresen­tar um critério pelo qual a Igreja pudesse discernir de forma segura, no âmbito da experiência religi­osa, o que realmente procedia da parte do Espírito de Deus, ou de espíritos enganadores. Para ele, havia somente um critério seguro e infalível: o Espírito falando nas Escrituras. Assim, não haveria qualquer diminuição do poder e da glória do Espírito Santo ao concordar com elas, já que Ele as havia inspirado.

            Pregamos a perseverança e outros pontos da visão calvinista não somente porque crescemos em uma educação religiosa proveniente dela, mas porque Calvino simplesmente apóia-se da palavra e por seus ensinos contemplarem um Deus que não lança um homem fora do plano de salvação por seus pecados (embora antes do chamado eficaz, causasse distanciamento), mas que é justo para o punir e misericordioso remidor de pecados e sustentador da vida.

Soli Deo Gloria

[1] Entende-se por fé salvadora àquela que tem proporciona ao homem lugar com Deus na plenitude dos tempos. Diferente da fé momentânea, por exemplo, para conseguir um bem terreno ou confiança em uma pessoa (fé na mesma);
[2]  PAULO: In: A Bíblia de Estudo de Genebra. 2. ed. Barueri, São Paulo: Cultura Cristã, 2009. O livro de Tito, cap. 2, vers. 11. 
[3] SPENSER, Duane Edward. A perseverança dos Santos. Disponível em http://www.eleitosdedeus.org . Acesso 22 nov. 2011
[4] LOPES, Augustus Nicodemos. Calvino o teólogo do Espírito Santo. 1ª ed. São Paulo – SP: PES.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

UMP Indica: Torturado por amor a Cristo


Minha indicação é o livro Torturado por amor a Cristo, escrito pelo pastor romeno Richard Wurmbrand, um importante líder da Igreja subterrânea do século passado. Ele narra as suas muitas experiências vividas durante os quatorze anos em que foi mantido preso pelos comunistas.

O livro mistura relatos do terrível sofrimento dos prisioneiros cristãos com belíssimos testemunhos de conversões dos soldados russos. Seu conteúdo é tão real que é impossível não se emocionar a cada nova página lida.  Fiquei impressionado com a coragem dos crentes perseguidos. “As coisas que relato aqui não são excepcionais. O sobrenatural tornou-se natural para os crentes da Igreja Subterrânea.” Escreveu Richard.

Creio que para nós que não sofremos aberta perseguição por causa do Evangelho, esta leitura é de fundamental importância, pois nos faz refletir sobre a maneira como temos aproveitado esta liberdade de adorar a Deus e pregar a Sua Palavra.

Ler um livro como este leva-nos à conclusão de que aqueles que estão presos sentem-se mais livres do que nós para anunciar a Salvação. 

Você pode adquirir este material através do site da editora www.editorarw.com.br ou em livrarias evangélicas.
Boa leitura!

Miss. Ericon Fábio
@ericonfabio

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

UMP Entrevista: Missionária Do Carmo


Membro da IV IPCG, missionária ligada a Missão Novas Tribos do Brasil, prega o evangelho entre os Indios Kanamari, no Amazonas. Formada pelo Seminário Betel Brasileiro, em João Pessoa. Nesta entrevista a Missionária Du Carmo fala sobre sua conversão, o chamado para missões transculturais, a Missão Novas Tribos do Brasil, Indios Kanamari e muitos outros assuntos.

1 – Conte-nos um pouco sobre sua conversão e como se deu o chamado para missões transculturais?
Bem, quando completei dez anos de idade meu pai deixou a casa e foi morar com outra mulher. Assim, minha mãe ficou sozinha com seis filhos para cuidar. Desde então, tudo em nossas vidas mudou, mas em meio a tudo isso, minha avó por parte de mãe e uma tia já haviam conhecido o Senhor e nos levava pra igreja.  Eu não gostava, pois eu era muito envolvida com a igreja católica, mas lá na igreja congregacional eu conheci a missionária Dione e achava muito bonito ela falando, e lá eu tive a oportunidade de ter uma boa instrução na escola dominical. Mas depois disto eu comecei a me rebelar e me envolver com álcool e não queria ir pra igreja de jeito nenhum. Mas já morando nas Malvinas, eu conheci a congregação da igreja presbiteriana central, a qual hoje é a IV Igreja, e fui convidada a conhecer. Nesta época era bem pequena e não tinha nenhum adolescente ou jovem. E na escola eu evangelizava algumas amigas que foram se convertendo e indo para IV igreja, mas eu mesmo não queria nada com Jesus. Então, uma dessas minhas amigas me convidou pra ir ao batismo dela e eu nem acreditei, mas era época de são João e eu queria ir para o parque do povo. E realmente fui. Depois de um tempo lá ouvi uma voz que me dizia aqui não é seu lugar. Eu não entendi, pensei que já estava embriagada, mas eu não tinha bebido naquele dia, e aquilo se repetiu. Então resolvi visitar o cantinho da paz, o qual eu havia participado da fundação, e lá eu percebi que precisava mudar de vida. Eu resolvi ir para o batismo da Sandra e da Josenilda e foi assim que ao vê-las se batizando eu pensei que poderia ser o meu. Não contei conversa, procurei o Rev. José Alves e lhe falei que queria entregar minha vida pra Jesus. Eu não lembro mais o dia, mas já tinha 15 anos.  Desde então, sirvo ao Senhor e depois todos da minha casa foram entregando suas vidas pra Jesus.

QUANTO AO CHAMADO:
Deu-se logo depois que me converti. Eu tinha um desejo muito grande de fazer mais pela igreja, pois na época sofríamos muito sem um pastor fixo e eu queria saber mais para poder ajudar mais. Um dia eu tive sonho colhendo trigo e muitas frutas, mas o caminho pra isso era bastante difícil e eu sofria muito e me machucava bastante, mas eu não entendi nada do sonho e para mim era apenas um sonho. Mas um dia, indo para uma visita junto com Elizângela, uma irmã da Assembleia de Deus que eu nunca tinha visto nos parou no caminho e me disse: - Deus mandou eu te dar este verso da palavra dele. É uma confirmação pra você era o verso de Isaias 43:6. Nessa época eu estava de namorado e estávamos orando pra casarmos.  Então pensei: é a confirmação do meu casamento. Mas que nada. Quando li o verso não entendi nada. Procurei no domingo o seminarista, hoje Rev.Fabio Brasileiro pra conversar e ele me falou que Deus estava me chamando pra obra missionária. Eu não entendia nada sobre missões, mas eu disse pra Deus que eu estava disposta a dar a minha vida em sua obra e assim começou o processo de renuncias. Terminar o namoro, sair de casa, deixar a igreja, os meus planos pessoais. Mas tudo valeu a pena e eu faria tudo de novo se preciso fosse. Em seguida começou o processo de avaliação junto ao conselho da igreja mãe, a IPB CENTRAL. Fui aprovada e no ano de 1994 fui pra o Seminário Betel Brasileiro com o apoio da mesma. Lá no Seminário eu ouvi a necessidade de tradução de Bíblia entre os povos tribais quando eu dava uma aula sobre a Guatemala.  Lá havia apenas um casal da Sil trabalhando com os descendentes dos Ikas e Maias. Diante desta situação, eu falei pra Deus que estava me dispondo para esta obra. Assim deu-se meu chamado transcultural quando eu ainda fazia meu segundo ano de seminário. E não esquecendo: meu pai voltou pra casa depois de 16 anos fora, chegou no dia da minha formatura do seminário e se converteu em 2004. O nosso Deus é fiel ele sempre cuida dos seus.

2 – Qual o grande desafio da Igreja hoje no tocante a missões?
Eu acredito que a igreja precisa atentar para sua tarefa suprema que é a realização de missões. Ela precisa cumprir o que está escrito em Mt.28:18-20, Mc.16:15, e isto se dá quando ela conscientiza a cada salvo da sua responsabilidade de falar de Jesus aonde ele estiver, pois lá é o seu campo missionário. Outro desafio é que a igreja precisa tirar os olhos de dentro de si mesma e olhar pra os campos, que estão brancos pra ceifa. Hoje a preocupação está em construções monumentais, grandes reformas, placas denominacionais e na aparência da igreja. Não que essas coisas não sejam importantes.  Os membros precisam de conforto, um lugar agradável. Mas deixar missões por isto é onde está o erro de muitas igrejas hoje. Precisamos lembrar que o rebanho precisa ser pastoreado de todas as maneiras e a necessidade de alimento espiritual genuíno está gritante em nossas igrejas. Precisamos primeiro cuidar dos nossos e desenvolver neles a visão missionária. Isto também é realizar missões. Outro desafio da igreja hoje é preparar a próxima geração para dar continuidade a visão e execução no que diz respeito à realização de missões. Como será o futuro de missões se esta geração não for preparada e se a mesma não tem a visão correta de missões?  Outro desafio que a igreja tem é de enxergar o trabalho dos missionários de base, pois pra que haja um retorno do missionário que está no campo, é preciso que outros estejam na cidade trabalhando para eles, fazendo suas compras, pagando suas contas, sendo a ponte entre seus familiares e igrejas e etc. Eles são tão missionários e precisam de apoio quanto os que estão no campo. Outro desafio da igreja hoje está em realizar missões de maneira simultânea. Ela precisa despertar para esta realidade, e que ele pode sim fazer isto de forma responsável. Jerusalém, Judéia, Samaria e até os confins da terra podem sim ser alcançado pela igreja hoje através das orações, contribuições e no envio daqueles que recebem um chamado específico. Eu sempre falo que não é difícil fazermos missões. O que nos falta é a visão das coisas do alto. Enxergarmos a necessidade das almas perdidas, o anseio pela volta de Cristo e a motivação correta em nossos corações para obedecermos ao IDE. A igreja tem a ordem, ela tem a mensagem, ela tem os chamados e ela conta com Aquele que arregimentou. Outro desafio em minha opinião que é um dos principais é a igreja ter a visão que, investindo em missões, ela está investindo no Reino de Deus. E a igreja que não realiza missões é uma igreja morta, pois ela está fora da visão de Deus, que é todas as etnias diante do trono e do cordeiro.


3 – Conte-nos sobre as angústias e alegrias de ser uma missionária longe da família, de amigos, da igreja local.
A alegria é de ser privilegiada por Deus de fazer parte daqueles que estão indo em busca dos perdidos e poder vê-los se rendendo a Cristo. O estar longe da família, amigos e irmãos é muito doloroso, mas com isto aprendemos a depender do nosso Deus em tudo e termos a consciência que faz parte do nosso trabalho a renúncia. Mas não é fácil não. E tudo é superado quando você traz à memoria o objetivo de estar lá entre o povo. A solidão e o isolamento são muito difíceis de encarar, mas a GRAÇA do nosso Deus é bem maior e é presença constante conosco. Sou grata a Deus por tudo que tenho aprendido durante estes quatro anos aqui.

4 – Você é ligada a Missão Novas Tribos do Brasil (MNTB) e atua junto aos índios Kanamari. Fale-nos um pouco sobre o trabalho que você realiza.
O trabalho entre o povo Kanamari existe há mais de 40 anos e já houve uma igreja forte entre eles. Hoje não mais. Por isso estamos começando tudo do zero no que diz respeito ao aprendizado da língua e cultura do povo para, assim, podermos ensinar a palavra de Deus na língua que lhes fala ao coração. Meu trabalho é no estudo da língua e cultura, mas auxilio dando aulas de português e trabalho com a saúde também. Eu precisei me preparar melhor nesta área, por termos uma região endêmica de malária. Então hoje eu sou microscopista lá entre o povo também. Como é do conhecimento dos irmãos, a situação lá na área de saúde é bem precária e nós missionários é quem damos assistência quando a CASAI OU FUNASA não estão presentes. Eu trabalho junto ao Erick e Marita, um casal de alemães. Graças a Deus são ótimos colegas e juntos estamos desenvolvendo um bom relacionamento com o povo, visando cumprir o nosso alvo de vê-los salvos, pois cremos que o nosso Deus tem os seus em meio aos Kanamari. Também trabalho ajudando ao povo na construção das suas roças e quando fazem farinha. Ensino as mulheres a fazerem pão e bolo com aquilo que elas têm na roça. Sempre estamos ensinando como manter a higiene pessoal e coletiva na aldeia, e no ano passado nós os incentivamos a fazer roçados comunitários. Foi muito bom ver o resultado. E quando estamos na cidade, os ajudamos com documentação, aposentadorias, compras e até nos médicos, servindo de interpretes às vezes.

5 – Muitos dos nossos leitores são membros da IV Igreja Presbiteriana de Campina Grande que não te conhecem, pois vieram para a igreja após sua ida pro Amazonas. Deixe então uma mensagem para estes, e para os leitores em geral do nosso blog. Desde já, agradecemos a tua participação.
 Minha mensagem é que eles amem ao Senhor e busquem ser fiéis a Ele e viver uma vida de acordo com o que a palavra nos ensina, lembrando sempre de quem são em Cristo: mais que vencedores. E que em meio aos desafios da vida busquem olhar pra Jesus, pois no final tudo dará certo.
A saudade de vocês é grande, mas ameniza quando lembro que vocês estão juntos comigo através das orações e apoio.
Continuem firmes no Senhor, pois vale apena servi-lo.
Eu agradeço a oportunidade e o privilegio da entrevista e espero que ajude a muitos que se sentem desafiados para obra missionária.

Miss. Du Carmo.

Entrevista feita pelo Presb. Cícero Pereira
@ciceroeiris

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

And The Oscar Goes To


Em dezembro, um dos especiais de fim de ano da Rede Globo de televisão será voltado ao público “evangélico”. Será o Troféu Promessas, que se trata de uma premiação aos melhores da música gospel. Talvez haja quem comemore tal evento como uma conquista do evangelho, ao conquistar espaço tão nobre. Mas vou numa corrente contrária a esta e acho que temos mais a lamentar do que comemorar numa hora como esta.

Os dons dados por Deus para a edificação do seu povo não deve servir como fonte de disputa. Agora os ministros do Senhor vão disputar entre si para ver de quem o povo gosta mais. Tenha a santa paciência. Já imaginou Davi e Asafe concorrendo na categoria melhor salmista? E Mateus, Marcos, Lucas e João, uma eletrizante disputa pelo troféu de melhor evangelista? E na categoria missionário, acho que teria até documento pedindo pra Paulo ser excluído do certame, pois aí seria covardia. Meu Deus, aonde chegaremos? Somos membros do corpo de Cristo, não para disputa, mas para complementaridade. Somos sua igreja que ele fez santa e imaculada para Si e não para disputa de prêmios e prestígio popular.
Antes de sentar em frente à TV para ver tal coisa, sugiro uma análise séria das escrituras, da razão pela qual Deus derrama dons e talentos no meio do seu povo e de como Ele requer toda glória e honra para Si. Ou seja, não há lugar para espetáculo, não há lugar para a centralidade do homem e muito menos para fazer negociata com as coisas de Deus.

Por fim, atente para a maioria dos músicos envolvidos no Troféu Promessas e analise a qualidade de suas músicas. Na maioria são letras centradas no homem, na teologia da prosperidade e numa musicalidade pobre e sem essência nenhuma. Por isso mesmo, são descartáveis. Se fizermos uma pesquisa, a maioria das pessoas não consegue dizer uma música desses “grandes cantores” com mais de 5 anos.
Há saída? Há. Muitos músicos cristãos buscam fazer sua arte com cuidado, esmero, qualidade e fidelidade às Santas Escrituras, e entendem que seu dom não é comércio, não é fonte de disputa e procuram glorificar a Deus. Aqui mesmo no UMP Indica já mostramos exemplos desses servos. Não vou citar nomes, mas você já ouviu falar em canções como “Essência de Deus”, “Situações”, “Portas Abertas”, “Rei das Nações” e outras tantas? Pois é. Basta procurar que a gente encontra.

Vamos em frente, na graça do Pai.


Presb. Cícero Pereira
@ciceroeiris