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terça-feira, 21 de abril de 2015

A falta de confessionalidade como razão do caos teológico contemporâneo



Organizar a fé em sistematizações ou resumi-la em credos não é algo somente dos séculos XVI em diante, os judeus usavam a Shema (duas primeiras seções da Torá) para professar a sua fé (exemplo encontrado em Deuteronômio 6:4-9). As varias declarações de fé encontradas no Novo Testamento (João 4:42 , 6:14, 6:69) além do Credo Apostólico datado dos primeiros séculos da igreja cristã que tinha função pedagógica para o batismo dos novos na fé e para combater as heresias da época.
Após o marco da Reforma Protestante, em 31 de Outubro de 1517, o cristianismo teria a sua principal divisão em função dos abusos encontrados em diversos pontos da doutrina da Igreja Católica Romana e embora Lutero inicialmente não tivesse a intenção se fundar uma nova religião, mas sim purificar a igreja de tais desvios e para que ficassem claras as intenções de Lutero, as 95 teses constituíam a exposição publica e escrita dos desvios. Contudo, a resposta protestante aos abusos da ICAR gradualmente foram copilados nos Cinco Solas e também no moto Ecclesia Reformata et Semper Reformanda Est. Posteriormente as confissões de fé Belga (1561), Catecismo de Heidenberg (1563), Segunda Confissão Helvética (1566), Cânones de Dort (1618-1619), Confissão de Fé de Westminster (1647) e seus Catecismos Maior e Menor (1648).
Augustus Nicodemus fala que comumente alguns dos lemas reformados são usados e entendidos de maneira diferente em nossos dias, por exemplo o moto Ecclesia Reformata et Semper Reformanda Est (A Igreja é reformada e está sempre se reformando). Nicodemus diz que o holandês calvinista Gisbertus Voetius (1589-1676), que escreveu tal moto na época do Sinodo de Dort, dificilmente estava se referindo a ‘igreja estar sempre mudando’, de forma que a voz passiva do “Ecclesia Reformata” lembra que o agente da reforma não é a igreja, mas sim o Espírito Santo, que leva os cristãos às Escrituras, entendendo que a verdade não muda [1] . Mas em nossos dias não é bem assim que acontece. Evocando para si a justificativa de que a igreja “está sempre se reformando”, as mais variadas aberrações entraram na igreja com a interpretação errônea que isto significava novas interpretações que não tem nenhum comprometimento com as Escrituras.
Toda falsa doutrina tem como principal argumento o recebimento de novas revelações da parte de Deus, ou seja, começam então a negar o Só a Escritura e assim ao contrário do que pensam ser o progresso da igreja, voltam as práticas da ICAR e regressam a uma situação de obscuridade da qual contrasta fortemente com a iluminação do Verdadeiro Espírito que nos chama a Palavra e somente a ela. A falta de apego confessional deságua na livre interpretação pessoal dos textos bíblicos e não na livre consulta (CFW cap. 1. V), porém é necessário não menosprezar a história da Igreja, onde os Pais da Igreja se esmeraram para explicar passagens e fundamentar a fé cristã, inclusive não rejeitando a doutrina apostólica, mas se apoiando nela.
É obvio que a subscrever uma confissão não é incoerente, a Bíblia é infalível, as confissões não. A autoridade das confissões é vinda da própria Bíblia, por isso ser confessional significa entender que tal confissão é a interpretação mais harmoniosa do Sagrado Texto e isto não coloca a confissão acima das Escrituras nem deixa de lado o lema Só a Escritura. Joel Beeke cita que os primeiros reformadores reconheciam o serviço que as confissões prestavam à igreja na adoração (tarefa doxológica), o testemunho (tarefa proclamadora), o ensino (tarefa didática) e a defesa da fé (a tarefa disciplinadora), ou seja, nas confissões a igreja declara no que ela crê [2].
Sérios desvios doutrinários como o arminianismo, adventismo, mormonismo, liberalismo, neopentecostalismo e etc. tem aparecido pela falta de apego às confissões reformadas. Os Cânones de Dort, por exemplo, foram os cinco artigos escrito contra os seguidores dos ensinos de Armínio. Eles foram elaborados em 154 sessões durante sete meses, rejeitado os ensinos dos remonstrantes. Uma volta no arminianismo, em função do pentecostalismo, não teria ocorrido se fosse levado em conta o trabalho do Sínodo de Dort. Talvez fosse possível evitar a força que neopentecostalismo tem desde Charles Finney. Não obstante Ellen G. White não teria influenciado com seus escritos a volta às praticas da lei cerimonial e civil de Israel por parte do adventismo, quem sabe Joseph Smith Jr tivesse suas duvidas sanadas antes das mesmas o levar a fundar a religião mórmon ou mais talvez ainda mais importante nos nossos dias, o liberalismo teológico fosse apenas uma clara blasfêmia contra Deus.
Claramente o abandono das confissões da época da reforma constitui um perigo que nos fez chegar até o atual quadro de caos no meio evangélico. Somos filhos de um retorno efetivo às Escrituras, principalmente com Lutero e Calvino, mas claramente a ausência literal ou funcional do apego as confissões reformadas como o trabalho da vida dos reformadores e dos Pais da Igreja, nos tem feito perceber a necessidade da ‘igreja ser reformada e sempre se reformar’. Não nesse sentido em que a Palavra é diluída nos achismos das seitas, mas no sentido de volta às Escrituras guiada pelo Espírito Santo.
É importante frisar que não se trata de tornar qualquer confissão um ídolo, mas sim tentar abandonar o ídolo da interpretação particular das escrituras, ou seja, o ídolo do “eu”. Não há duvidas que o espírito deste século tem usado de estratégias que se valem do argumento da comparação das confissões com a tradição romana, para diminuir obra do Espírito ao longo da história da igreja. Confissão alguma tem caráter igual ou superior às Escrituras, inclusive as próprias confissões claramente expressam a inerrância bíblica, algo que tanto a tradição católica nega (igualando-se a Palavra) quanto os líderes carismáticos que negam efetivamente com suas novas revelações e interpretações, a autoridade bíblica.
Um cristianismo confessional sem dúvida expõe mais do que um credo aos de fora da comunhão, o cristianismo confessional tem contribuído para que os próprios cristãos sejam mais conhecedores da Palavra e não sejam levados por qualquer vento de doutrina que se proliferam aos montes à medida que a volta de Cristo se aproxima. Que Deus nos dê a graça de poder encontrar na Sua Palavra a verdadeira espada do Espírito!


[2] BEEKE, Joel R. Vivendo para a glória de Deus. Capítulo 2: pág. 35. Editora Fiel, 2010.


Felipe Medeiros

felipealexandremedeiros@outlook.com

terça-feira, 24 de março de 2015

Eis que estou convosco: O ensinamento da Páscoa na última ceia



Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.
João 16:33

e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.
Mateus 28:20 b

            Desde o capítulo 13 até o 17, existe um longo discurso de Cristo que tem por objetivo preparar os discípulos para a sua partida eminente, sendo necessário consola-los e prometer um outro consolador, uma parte do Pai que estaria com eles a ensina-los, fazendo lembrar de tudo o que Ele os havia ensinado (cap. 14:26). É interessante, como a presença de Jesus por todo aquele tempo, todas as suas palavras e ensinamentos de maneira repentina seria tomada e os discípulos de repente se viram às vésperas da partida daquele que significava tudo para eles.
É imaginável que o sentimento solidão os inundava ao entenderem a notícia da partida de Jesus. Eles estariam órfãos e não somente isto, além de se verem numa situação da predição da morte do Mestre, ainda são informados que passariam por aflições enquanto estivessem nesse mundo. Embora tenha sido mais uma notícia que provavelmente os entristeceu, antes disto Cristo havia ensinado várias lições que os ajudariam em sua nova caminhada cristã.
No capítulo 13, Cristo deu exemplo de humildade ao cumprir uma tarefa que era dever dos empregados do cenáculo: lavar os pés dos discípulos. John MacArthur comentando um texto da última ceia[1], diz que lavar os pés dos discípulos foi além de um exemplo de humildade, foi também um exemplo da verdadeira santidade, de forma que:
A lavagem externa nada vale o coração estiver contaminado. E o orgulho é uma prova segura da necessidade de uma limpeza do coração. Cristo tinha feito uma observação semelhante para os fariseus em Mateus 23.25-28. Agora ele lavou os pés dos discípulos, ilustrando que até mesmo crentes com corações regenerados precisam ser lavados periodicamente da corrupção externa do mundo.
            Na intensificação da preparação para os discípulos para a sua ida, Cristo os lembra que as aflições do mundo podem ser superadas com humildade e santificação. Nesse processo de santificação, era necessário vigiar e estar periodicamente se lavando de todo o pecado. Porque o que é o pecado se nada mais do que considerar que a minha forma de fazer algo é melhor que a de Deus? Isto é de longe humildade. A santificação passa por um processo de cotidianamente negar a si mesmo. Cristo afirma que mesmo sendo Mestre e Senhor (cap. 13:14-15) lavou os pés para que ele fosse tomado como exemplo. Cristo é Senhor, mas foi o menor servo, negando a si mesmo como exemplo. Em sua partida, todos os seus não estariam órfãos desse exemplo, pois o Consolador estaria com eles para os lembrar disto tudo.
            Após o lava-pés os discípulos voltam a ceiar e Jesus indica que será traído por um dos próprios discípulos. O verso 22 conta que os discípulos olharam uns para os outros, como quem analisa, mas não foram capazes de saber sobre quem Jesus se referia. Porém a lição aqui talvez fosse mais pessoal, semelhante ao que Paulo escreve na primeira carta aos Coríntios (11:28-32), Cristo estava promovendo um exame introspectivo, um julgamento que cada um deveria fazer de si mesmo sobre seus pecados ao lembrar que o Salvador de suas vidas houvera deixado aquele sacramento como lembrança de que ele voltaria para buscar os que são realmente seus. Essa análise deve ser diária, contudo sabemos que ela ganha mais intensidade quando nos lembramos do sacrifício do nosso Senhor na cruz.
Na continuação do discurso, Cristo enfatiza o escrito de Levítico 19.18 sobre o amor ao próximo. Algumas bíblias tem o título dessa passagem como “o novo mandamento”, mas aqui não há nada de novo, o texto de Levítico é bem claro: Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor”. Aqui é ensinado que os que amam uns aos outros são reconhecidos como discípulos de Cristo, porém não é qualquer amar com qualquer amor, talvez o sentido de “novo mandamento” seja no sentido de amar “assim como eu vos amei” (verso 34). O padrão aqui se torna mais elevado, pois o vinculo do amor é uma obrigação aos que fazem parte do Corpo de Cristo, a prova desse elevado padrão pode ser melhor entendida quando consola os seus discípulos no capítulo 15:13, Ele diz que ninguém tem amor maior do que dar a própria vida pelos seus amigos. Isso é magnífico, pois a comunhão com o irmão é um meio de graça para que as aflições do mundo possam ser vencidas. Cristo está conosco através de todos que são juntamente Corpo!
Chegando no capítulo 16, há um conforto para todos os cristãos, prometendo o Espírito Santo, o consolador, aquele que convenceria o mundo do pecado, da justiça e do juízo (verso 8). Era necessário que Ele morresse para que sua presença fosse oferecida a todos que cressem na Sua justiça. Para que muitos de todas as tribos, povos e raças pudessem partilhar das mesmas bênçãos que os apóstolos desfrutaram durante a presença de Cristo encarnado. Agora, era necessário que Ele fosse para que todos os salvos fossem confortados com a promessa “eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos” (Mt 28:20b). Seu corpo físico seria morto, mas Ele mesmo estaria com cada cristão até a sua volta triunfal, mesmo em meio às garantidas aflições que todos, sem exceção, haverão de viver. Contudo veja, mesmo no caminho de sua morte, Jesus já sabia que a sua vitória estava garantida. Que esplêndido! Era a morte da morte na morte de Cristo!
Ele esteve conosco, está e sempre estará como prometeu. Ele é digno de toda honra e poder, venceu a morte e virá para nos buscar. É este Cristo que ensinou tudo isto para que tenhamos paz nele, nós nunca passamos por aflições sozinhos porque Deus está sempre em ação, e mesmo que pareça que Ele não está respondendo, Ele está ao seu lado dando força nas mais diversas situações, através da sua Palavra, da comunhão dos santos, do seu Espírito. Ele está vivo, Ele ressuscitou!

[1] MACARTHUR, John. A morte de Jesus. Cultura Cristã, p. 36-53.

Felipe Medeiros

felipealexandremedeiros@outlook.com

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Criacionismo, Evolucionismo e Evolucionismo Teísta: Algumas Considerações sobre suas Cosmovisões, suas Implicações e seus Perigos

Introdução
Uma pesquisa feita no ano de 2010, pelo instituto Datafolha e publicado na Folha de São Paulo, indica que uma quantidade expressiva de brasileiros acredita na evolução e, ao mesmo tempo, creem na existência de Deus. A pesquisa diz que 59% dos entrevistados acreditam que o ser humano é resultado de uma evolução guiada por Deus e outros 8% não acreditam na interferência divina. Por mais incrível que isto pareça a qualquer cristão um pouco mais atento às escrituras, essa ideia não é nova, até o Papa João Paulo II proclamou em uma entrevista ao jornal Chicago Tribune que “a evolução é mais do que uma hipótese”. No meio evangélico, um dos defensores do evolucionismo teísta foi John Stott (1921-2011). Existem alguns relatos que certos judeus não faziam leitura literal da criação na Torá.
Assim, não é estranho que essa ideia tenha chegado aos arraiais evangélicos de nosso país, mesmo que a noção de que Deus criou o universo tenha sido ensinada desde criança, fazendo parte do conjunto de ensinamentos mais básicos da fé cristã. Assim como a queda e o pecado original e o sacrifício de Cristo, a literalidade da criação descrita em Genesis capítulo 1. Por tanto, a cosmovisão cristã assume, em seus pressupostos, que crer na evolução é um verdadeiro ‘tiro no pé’ e no que se refere ao debate das origens, tudo é uma questão de qual cosmovisão nós temos.
Este artigo consiste em explicar de maneira simples e sucinta cada maneira de pensar e expor argumentos seus argumentos no que tange a fé cristã.
 O que é criacionismo
O criacionismo é a crença em que o universo foi criado, por uma mente inteligente, de maneira pronta, funcionai e em perfeito acabamento. O criacionismo contudo pode ainda ter vertentes de cunho científico, onde são expostas evidências cientificas que apontam para a criação,  de cunho religioso, onde uma religião explica a origem da vida a partir de alguma cosmogonia, de cunho bíblico, onde a cosmovisão está baseada na Bíblia, tornando-a seu padrão final.
Este ultimo, faz a leitura da ciência de acordo com os óculos da cosmovisão cristã, crendo que um Deus todo poderoso (Mt 19.26), onisciente (Cl 2.3) e triuno (Is 45.5; Jo 8.18) criou o universo em seis dias comuns (Ex 20.11), somente a milhares (e não bilhões) de anos atrás, terminando sua obra no sétimo dia (Gn 2.2).
O que é evolucionismo
De acordo com o site Wikipédia, “evolução, no ramo da biologia, é a mudança das características hereditárias de uma população de uma geração para outra. Este processo faz com que as populações de organismos mudem e se diversifiquem ao longo do tempo”. Na prática, os evolucionistas tem suas raízes no naturalismo (a natureza é tudo o que existe de fato) e no empirismo (tudo o que se conhece é adquirido pela observação). Tais aspectos fazem um resumo da cosmovisão evolucionista, que ainda crê na bilionária idade do universo, que se originou nobig bang e teve seu desenvolvimento no esfriamento de toda a energia liberada nesse evento, formando galáxias e repletas de estrelas, sendo que essas ultimas deram origem a alguns dos planetas. O sistema solar que vivemos teria uma idade de 4,5 bilhões de anos, ou seja, nesse mesmo contexto na nossa Terra recém formada, certos elementos químicos inorgânicos deram origem, por meio de processos naturais, ao primeiro ser orgânico com capacidade de se reproduzir, as sucessivas reproduções com alguns erros de ‘cópia’, produziram variação. Algumas das variações que foram benéficas a vida desses seres foram passadas as gerações futura, constituindo em nossa época, a grande variedade na natureza. Nesse processo, não há a necessidade se que evocar Deus (ou um deus) na explicação da origem da vida.
Que fique claro que existem vários outros detalhes não citados e várias correntes de pensamentos dentro do evolucionismo, este resumo é um esboço do que a maioria dos evolucionistas creem.
 O que é evolucionismo teísta
Ainda segundo o Wikipédia, evolucionismo teísta, ou evolução teísta  é uma ideia filosófica, surgida a partir de criacionistas que buscam conciliar a ideia de Deus e a teoria da evolução. Creem que a vida surgiu tal qual o evolucionismo neodarwinista descreve, que o universo foi formado tal qual a teoria do big bang afirma, contudo todo esse processo foi guiado por Deus. Digamos, seria um terreno neutro, mas constituem um grupo que não é bem aceito por nenhum dos dois lados do debate das origens.
 As cosmovisões
Como nos exemplos citados acima, não é difícil que cientistas com a mesma formação, diante de uma mesma evidência cientifica, cheguem a conclusões diferentes sobre o significado dessa evidência. Isto se deve ao fato da cosmovisão que cada um deles tem. Cosmovisão é como as lentes de um óculos e assim como quem usa lentes amarelas, verá o mundo amarelado, quem usa as lentes do evolucionismo verá de acordo como tal, assim como os que aderem à cosmovisão cristã, verão o mundo de uma perspectiva. Como bem sabemos, o mundo não é de fato como um todo amarelo, assim como também não há evolução por toda parte – A cosmovisão afeta nossa forma de ver o mundo. A correção da visão de mundo irá nos mostrar que crer na evolução, na criação ou no evolucionismo teísta não depende da natureza das evidências encontradas, mas como as interpretamos, de forma que o debate das origens é em parte resolvido no âmbito da visão de mundo adotada.
Uma cosmovisão correta nos previne do erro de enxergar a questão da criação com conclusões equivocadas tal qual uma pessoa de óculos coloridos enxerga cores distintas das cores reais. Assim, pode-se concluir que qualquer leitura de mundo feita por nós seres humanos ocorre não pela natureza do evento em questão, mas pela cosmovisão arraigada ao ser humano que fez a leitura. Criacionistas possuem pressupostos filosóficos em seus pensamentos, mas evolucionistas também, assim o pensamento de ambos não é puramente científico, é influenciado por sua cosmovisão.
 O evolucionismo e seu fracasso
                Como é conhecido de muitos, o evolucionismo tem seus perigos à fé cristã pelo fato de que muitas vezes tem iludido os jovens estudantes ou calouros universitários a ideia fatalista de que o mundo foi criado ao acaso, assim como todas as coisas tem ocorrido ao longo da história. Vejamos alguns exemplos onde o evolucionismo peca, tornando-o cientificamente pouco provável:
  • O pensamento naturalista vem historicamente tentando provar que a vida surgiu ao acaso, uma das primeiras ideias chamada geração espontânea foi derrubada por Louis Pasteur, mostrando que nenhum organismo orgânico surgiu sem ter um tipo de “pai” (ou mãe, como queiram).
  • Os experimentos do dr. Stanley Miller e dr. Sidney Fox, que projetaram um aparelho de pyrex contendo metano, amônia, e vapor d’água, mas sem oxigênio. Por essa mistura eles passaram descargas elétricas para simular choques de relâmpagos na tentativa de recriar a vida tal qual sugera a biologia. Os resultado foram inconclusivos por vários aspectos.
Sobre isto opinam dois importantes cientistas:
O admirável cientista Dr. Wilder-Smith, com três doutorados e muito bem informado sobre biologia moderna e bioquímica, dando opinião sobre a formação do DNA a a partir de processos naturais:
“Como um cientista, eu estou convencido de que a pura química de uma célula não é suficiente para explicar o funcionamento de uma célula, embora o funcionamento seja químico. As operações químicas das células são controladas por informações que não residem nos átomos e moléculas da célula.
Há um autor que transcende o material e a matéria de que esses filamentos são feitos. O autor primeiramente concebeu a informação necessária para fazer uma célula, então a escreveu e depois a fixou em um mecanismo que a lesse e pusesse em prática – assim as células constroem-se sozinhas a partir da informação…”
O famoso pesquisador Sir Fred Hoyle afirmou que supor que a primeira célula tenha se originado pelo acaso é como acreditar que:
“um tornado varrendo um ferro-velho possa montar um Boeing 747 a partir dos materiais presentes ali.”
E ainda: 
“A noção de que… o programa operando em uma célula viva possa ter surgido pelo acaso em uma sopa primordial aqui na Terra é evidentemente uma falta de senso do maior grau.”
                Estes são apenas alguns dos vários argumentos com os quais podemos pelo menos começar a entender que algumas evidências mostram o evolucionismo como um fracasso, tanto dentro de sua própria cosmovisão naturalista-empirista, quando, obviamente de uma perspectiva bíblica.
 O perigo do evolucionismo teísta
A ideia da intervenção de Deus no processo da evolução surgiu no meio criacionista, Contudo a visão que se oferece como mais perigosa, é justamente aquela que tenta conciliar dois pensamentos que não fazem parte de uma mesma cosmovisão: o evolucionismo teísta. Ela constitui, como dito acima, uma tentativa de ser neutro e conciliar a cosmovisão bíblica cristã a cosmovisão naturalista-empirista.
Em uma análise mais acurada, vemos que uma abordagem como esta que tenta unificar duas cosmovisões distintas não pode funcionar, pois é por definição mais falha que cada uma das linhas de pensamento separadas, e logicamente não é bíblica. Nenhum texto na Bíblia de maneira alguma dá base para se defender isto. É Logicamente capcioso e fundamentalmente falho, pois cada uma das cosmovisões envolvidas nessa conciliação admite ser o modo correto de interpretar as evidências que a natureza oferece, fornecendo assim uma interpretação diferente das cosmovisões criacionista e evolucionista.
Desse modo, se uma interpretação neutra não é verdadeira, por que alguém deveria confiar nela? E como uma cosmovisão falha pode conduzir para uma cosmovisão correta? Se a interpretação neutra for verdadeira, então as cosmovisões que a compõem são por consequência lógica, erradas! Se observarmos isso de maneira calma, nenhumas das três seriam corretas dessa forma.
O perigo dessa visão é que ela conduz a um distanciamento da verdade ainda mais profundo, pois é uma forma alternativa de causar o mesmo efeito de cegueira do evolucionismo. Ela não somente reúne adeptos da religião ou cientistas, ela alista para si uma tropa de cosmovisão ainda mais confusa e difícil de se lidar, pois além dos pressupostos de filosofia naturalista, tem uma carga de teologia feita a partir de interpretações alegóricas da Bíblia.
A conclusão é obvia: Não há como conciliar o evolucionismo com a crença em Deus. Essa visão é tola do ponto de vista criacionista, é inaceitável do ponto de vista evolucionista e acima de tudo, é antibíblica.
 Felipe Medeiros

sexta-feira, 21 de março de 2014

Qual a importância e natureza da fé polarizada em Cristo? Com a palavra João Calvino


Com efeito, estas coisas todas serão fáceis de ser entendidas onde for proposta uma definição mais clara da fé, para que os leitores aprendam sua força e sua natureza. É conveniente, porém, recordar as coisas que foram previamente expostas, a saber, em primeiro lugar, como Deus, através da lei, nos prescreve o que se tenha de fazer e, se em alguma parte lhe tenhamos falhado, sobre nós paira aquela terrível sentença de morte eterna que ela pronuncia. Em segundo lugar, porque é não somente árduo, mas também acima de nossas forças, e além de toda nossa capacidade, cumprir a Lei como ele o exige, se miramos apenas a nós mesmos e ponderamos que condição seja condigna de nossos merecimentos, nada de boa esperança é deixado; pelo contrário, rejeitados por Deus, jazemos sob a perdição eterna. Em terceiro lugar, foi isto explicado, que um só é o meio de libertação que nos possa livrar de tão mísera calamidade: onde aparece Cristo o Redentor, através de cuja mão o Pai Celestial, compadecido de nós por sua imensa bondade e clemência, nos quis socorrer, se deveras não só abraçamos a esta misericórdia com firme fé, mas também nela descansamos com esperança constante. Mas, isto nos convém agora examinar: de que natureza deva ser esta fé, mercê da qual entram na posse do Reino Celestial todos quantos foram por Deus dotados por filhos. Claramente se compreende que não é suficiente em um assunto de tanta importância uma opinião ou convicção qualquer. E de tanto maior cuidado e zelo se nos deve perscrutar e investigar a verdadeira natureza da fé, quanto mais pernicioso é hoje neste aspecto o engano de muitos. Com efeito, a maioria dos homens, ao ouvir falar de fé, nada mais profundo concebe que certo assentimento comum à história do evangelho. De fato, quando nas escolas discutem a respeito da fé, afirmando simplesmente que Deus lhe é o objeto, mercê de efêmera especulação,  como dissemos em outro lugar, transviam as míseras almas em vez de as dirigirem ao seu destino. Ora, visto que “Deus habita a luz inacessível” [1Tm 6.16], faz-se necessário que Cristo se apresente como intermediário. Donde também se diz “a luz do mundo” [Jo 8.12] e, em outro lugar, “o caminho, a verdade e a vida, porque ninguém vem ao Pai”, que é “a fonte da vida” [Sl 36.9], “senão por ele” [Jo 14.6], porquanto só ele conhece o Pai, então, depois dele, os fiéis a quem o quis revelar [Lc 10.22]. 


Conforme esta maneira de ver, Paulo declara nada considerar digno de conhecer-se mais do que Cristo [1Co 2.2] e, no capítulo vigésimo de Atos, afirma haver pregado “a fé em Cristo” [At 20.21]. E, em outro lugar, introduz a Cristo assim a falar: Enviar-te-ei entre os gentios, para que recebam remissão de pecados e sorte entre os santos, mediante a “fé que está em mim” [At 26.17, 18]. E Paulo atesta que em sua pessoa nos é visível a glória de Deus, ou, o que equivale ao mesmo, que “a iluminação do conhecimento da glória de Deus resplandece em sua face” [2Co 4.6]. Verdadeiro é, de fato, que a fé atenta para o Deus único. Tem-se, porém, de aduzir também que ela “conhece a Jesus Cristo, a quem aquele enviou” [Jo 17.3], pois Deus mesmo jazeria oculto, ao longe, se o fulgor de Cristo não nos iluminasse. Para este fim, o Pai depositou com o Unigênito tudo quanto tinha, para que nele se revelasse, e assim, pela própria comunicação das benesses do Pai, expressasse Cristo a verdadeira imagem de sua glória. Se na verdade, como foi dito, impõe-se-nos ser tomados pelo Espírito para que sejamos impelidos a buscar a Cristo, assim, por nossa vez, devemos estar alertados de que o Pai Invisível não deve ser buscado em outro lugar senão nesta imagem. Em relação a essa matéria, brilhantemente falou Agostinho que, discorrendo acerca do escopo da fé, ensina que se deve saber para onde e por onde se tenha de ir. Então, imediatamente após, conclui que o caminho mais guarnecido contra todos os erros é aquele mesmo que é Deus e homem – pois, como Deus, é para onde nos dirigimos; e, como homem, é por onde  amos; ambos, porém, só se acham em Cristo. Tampouco tem Paulo em mente, enquanto prega a fé para com Deus, confundir o que tantas vezes inculca a respeito da fé: que toda sua estabilidade se encontra em Cristo. Pedro, ademais, mui adequadamente a ambos correlaciona, dizendo que por meio dele cremos em Deus [1Pe 1.21]

CALVINO, João. As Institutas da Religião Cristã (edição clássica, e-book): Capítulo II, Livro III, pag. 23-25. 



Felipe Medeiros

terça-feira, 11 de março de 2014

Examinando os espíritos: do docetismo ao neopentecostalismo





1
 Amados, não creiam em qualquer espírito, mas examinem os espíritos para ver se eles procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo.
2 Vocês podem reconhecer o Espírito de Deus deste modo: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne procede de Deus;
3 mas todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus. Esse é o espírito do anticristo, acerca do qual vocês ouviram que está vindo, e agora já está no mundo.
4 Filhinhos, vocês são de Deus e os venceram, porque aquele que está em vocês é maior do que aquele que está no mundo.
5 Eles vêm do mundo. Por isso o que falam procede do mundo, e o mundo os ouve.
6 Nós viemos de Deus, e todo aquele que conhece a Deus nos ouve; mas quem não vem de Deus não nos ouve. Dessa forma reconhecemos o Espírito da verdade e o espírito do erro.
7 Amados, amemo-nos uns aos outros, pois o amor procede de Deus. Aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus.
8 Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor.
9 Foi assim que Deus manifestou o seu amor entre nós: enviou o seu Filho Unigênito ao mundo, para que pudéssemos viver por meio dele.
10 Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.

( 1ª João, capítulo 4.1-10)

A primeira carta do Apóstolo João foi provavelmente escrita em algum ponto das últimas décadas do século I (85 – 95 d.C.), possivelmente antes do exílio na Ilha de Patmos (Apocalipse 1.9), mas em um contexto onde Jerusalém já havia sido destruída (70 d.C.), os cristãos estavam espalhados por quase todo o Império Romano e provavelmente todos os outros apóstolos e Paulo já estavam mortos, ou seja, toda uma geração tinha se passado. O público original da carta é desconhecido, provavelmente seriam cristãos com quem João tinha relação próxima e em termos gerais, 1ª João foi escrita para transmitir os frutos do trabalho da vida dos apóstolos e advertir e instruir sobre falsos ensinos. [1]
No capítulo 4 de 1ª João estão presentes as advertências e instruções acerca de alguns dos falsos mestres no meio dos cristãos do século I. Observe o que diz no verso 1 “examinem os espíritos para ver se eles procedem de Deus”. A palavra espíritos tem significado de ‘pessoas’ e não almas vagantes e a palavra examinar (do grego dokimazō , palavra sinônima de provar’ ou ‘testar’) tem relação com um termo usado na metalurgia para avaliar a pureza do metal. Isto faz referencia o fato de que não devemos acreditar em tudo o que ouvimos  de alguém como palavra inspirada por Deus. João tenta expor a ideia que podemos associar aos bereanos (Atos 17.11), que examinavam, nas escrituras, tudo o que os apóstolos pregavam e também esta associada à ideia contida no texto Não tratem com desprezo as profecias, mas ponham à prova [dokimazo] todas as coisas e fiquem com o que é bom” (1ª Ts 5.20 e 21).
Tais advertências e fazem referencia ao ensino chamado de “docetismo”, uma crença afirmava de várias vertentes, uma delas dizia que uma divindade passou a habitar em Jesus após seu batismo e o deixou momentos antes da crucificação. Outro ramo dessa crença afirma que Jesus era um espírito que parecia um ser humano, passando por experiências humanas (sofrimento e morte). Após uma geração de apóstolos e outros seguidores que andaram literalmente com o Deus Filho, chamado Jesus, este geração a qual João escreve mais ou menos aos 100 anos de idade é “nova” e havia se envolvido com esses falsos ensinamentos a cerca da divindade de Jesus. A preocupação com tais ensinos é simples: constituem Heresia. João sabia disto e argumenta, com a autoridade que possui como apostolo ensinado diretamente por Cristo, nos versos 2 e 3 do capítulo 4, que os cristãos podem discernir entre aqueles falam pelo Espírito de Deus e aqueles que não falam de maneira simples e direta: todos os que professam fé que Jesus Cristo veio como carne fala pelo Espírito de Deus, mas os que negam falam pelo espírito do anticristo.
Nos versos 4 e 5, João confirma que aqueles que creem na verdade do Evangelho de Cristo, assim o fazem por possuírem o maior dos espíritos, contudo aqueles que estavam sendo guiados pelo mundo, ouviam as coisas do mundo. Aqueles que eram de Deus acreditariam nas palavras de João e dos demais verdadeiros cristãos acerca desse ensino. Vejam o verso 6: “Nós viemos de Deus, e todo aquele que conhece a Deus nos ouve, mas quem não vem de Deus não nos ouve” . A seguir, nos versos 7, 8, e 9,  João fala a respeito do amor de uns para com os outros e fecha reafirmando o amor de Deus para com os homens no final do verso 10  “... enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” . João queria novamente enfatizar que Cristo não somente veio como homem, mas também morreu como homem, pelos nossos pecados. A crença do docetismo punha em xeque não somente a encarnação, mas também validade do sacrifício e da ressurreição. Lembremos do que Paulo diz em 1ª Corintios 15.14 se Cristo não ressuscitou, é inútil a nossa pregação, como também é inútil a fé que vocês têm .
Para que o leitor entenda onde quero chegar e entenda a gravidade deste assunto, Segundo Franklin Ferreira,
Para os docetas [...] Cristo não foi plenamente encarnado na carne, pois a matéria é intrinsecamente má. As epístolas de Colossenses e João argumentam contra esta noção pré-gnóstica. Esta posição tem reaparecido atualmente no ensino dos evangelistas da prosperidade.[2]
               
                O atual pseudoevangelho da prosperidade não somente tem maculado a igreja no que se refere às bênçãos materiais, financeiras e relativas à cura, mas os pregadores neopentecostais tem negado a divindade de Cristo. Esses tais têm adequado a verdadeira Palavra às suas palavras e não às de Deus. Eles vem construindo discursos a seu gosto corrupto, pois eles não são de Deus. Fujamos destes, eles não falam em nome de Deus!


[1] Bíblia de Estudo de Genebra. 2. ed. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil; São Paulo: Cultura Cristã, 2009. pág. 1696.
[2] FERREIRA. Franklin, MYATT. Alan, Teologia Sistemática: uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual. São Paulo: Vida Nova. 2008. P. 487.



Felipe Medeiros

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terça-feira, 14 de janeiro de 2014

O Porquê de não Cantar Música Católica em Culto Evangélico


Assim como os evangélicos, os católicos há muito tempo cantam. Na verdade, a música sacra sempre fez parte da ICAR em sua liturgia. Paulo, em Efésios 5.19 e em Colossenses 3.16, já encorajava os cristãos a usarem salmos, hinos e cânticos espirituais como forma de ensino e de gratidão. Então vemos que o uso da música é antigo, bem mais antigo do que a ICAR ou o Protestantismo, era também bastante presente no meio Judaico.

A música no meio cristão sempre foi uma forma de proclamação da fé e embora a música sacra católica fosse proferida em latim, ela nunca esteve ausente, embora não fosse popular. No meio evangélico, a música foi popularizada no início do século XIX, nos EUA, tendo origens no blues e jazz, a chamada música gospel, crescendo e ganhando espaço até hoje. Já a música católica, se popularizou em meados do século XIX, após o concílio do Vaticano II, solidificando o movimento carismático. A música popular católica, surgiu como resposta ao mercado predominantemente protestante.

A popularização e o fortalecimento da música de cunho religioso, proporcionou a chegada de maior quantidade e qualidade nos lares de nosso país. Nesse sentido, católicos, por suas poucas composições, usavam em suas liturgias muitas músicas protestantes, mas a recíproca não era verdadeira. A música protestante, por seu maior volume, não perdia seu lugar, até a chegada mais enfática da música popular católica em 1998, com o Padre Marcelo Rossi. Pela crescente qualidade, as músicas produzidas pela renovação carismática tem alcançado não apenas a sua religião, mas também tem chegado aos templos evangélicas. Disto surgem os debates sobre fato de ser lícito ou não, inserir algumas das músicas católicas em suas liturgias de culto.

Mas realmente é aconselhável o uso dessas músicas em cultos evangélicos? A resposta é não! Vejamos alguns porquês:

● O primeiro problema com a música católica reside na cosmovisão que possui a religião do compositor. A música é um influente meio para qualquer se expressar a ideologia e por consequência, atrair a atenção. Em uma geração que é mais guiada pelo que ouve do que pelo que lê na Bíblia é importante proteger a comunidade local de tais músicas e de sua possível influência.

● Os autores não deixaram de ser católicos, por isso defender os dogmas do catolicismo, que bem sabemos, estão demasiadamente distantes das verdades bíblicas. Alguns dos dogmas (decisão ou opinião absoluta) antibíblicos não são claramente expostos, mas estão presentes. Por exemplo, a divindade, a permanência da virgindade e assunção ao céu em corpo e alma de Maria, presente na música “linda menina” da banda Rosa de Saron.

● O fato das músicas serem compostas e gravadas por grupo católicas, tais músicas representam o segmento católico, logo, quando os protestantes cantam em seus cultos músicas católicas, faz-se uma associação de forma que em muitos casos, cria-se a ideia de que não existe nenhuma diferença entre catolicismo e o protestantismo. O ecumenismo é uma mácula que deve ser evitada e combatida.

Embora alguns dos cânticos e hinos entoados pelo segmento católico, como salmos, por exemplo, sejam verdades bíblicas, “Nem todo o que me diz: Senhor! Senhor! entrará no reino dos céus” (Mateus 7. 21). É necessário por todos esses pontos citados acima (e alguns outros não citados), tomar cuidado e levar em consideração que nem toda piedade é sincera e agradável a Deus, pois “tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te” (2 Timóteo 3.5).

Por fim, mesmo que a música seja boa, contenha passagens e verdades bíblicas, creio que o meio protestante não precisa de nenhuma música católica. Embora estejamos em uma época que temos de analisar tudo, mesmo aqueles compositores que se dizem protestantes, ainda temos boa música, bíblica e centrada na palavra de Deus. Temos de considerar que até certas músicas ditas evangélicas (gospel) não cabem em um culto, por conterem desvios bíblicos sérios, quanto mais músicas de uma outra religião, como a música católica. Os fins não justificam os meios.


Felipe Medeiros

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Conhecendo um pouco do Satanismo


 
E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados,
Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência;
Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também.
Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou,
Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos),
E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus;
Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus.

Efésios 2:1-7


Introdução

Em Efésios 2.2, o diabo – ou satanás, é apresentado como o príncipe da potestade do ar, governante do mundo que alimenta os desejos corrompidos dos homens e incentiva toda e qualquer manifestação e/ou rebeldia contra a vontade de Deus. Toledo (2013) [1]  indica que o significado da palavra mundo no verso 2 é o equivalente negativo ao reino de Deus, de forma que Satanás exerce influência na cultura, ideologias, aspectos sociais, guerras e até na religiosidade.
Na medida em que existem os que não creem na existência do diabo, existem também os que professam ‘fé’ e até frequentam igrejas devotadas ao inimigo. Porém o dito “satanismo” é muito diversificado e possui muitas vertentes e múltiplas visões acerca de quem é a deidade adorada. Uma das possíveis definições, por exemplo, é fornecida pelo site Wikipédia:

 “o satanismo é um grupo de religiões composto por muitas crenças ideológicas e filosóficas e fenômenos sociais. As características comuns entre elas incluem associação simbólica com, admiração pelo personagem de e até veneração de Satanás ou de outras figuras rebeldes similares, como Prometeu, e figuras libertadoras.”[2]

Breve Histórico

Embora o satanismo não seja facilmente entendido, maioria daqueles que se intitulam satanistas, diabolistas, luciferianos ou membros de “igrejas de Satanás” tem origem no satanismo fundado por Anton Szandorf LaVey (imagem acima), que é o autor da Bíblia Satânica e fundador da Igreja de Satã (ou Satanic Church, 1966). Os adeptos dessa igreja não creem em Satanás como pessoa ou ser existente, mas sim como um símbolo (ou ideia) de rebeldia e orgulho a ser seguido, Satã seria um arquétipo. Ele seria um indivíduo que age sem se importar com o que os outros (a maioria) dizem, pensam e praticam, ou seja, seus seguidores devem ser hedonistas e individualistas. O Satanismo de Lavey é praticado predominantemente por ateus e por não crer na existência literal do diabo, é considerado por muitos como uma filosofia de vida e não uma religião.
Outra vertente de maior número de adeptos é o Tempo de Set (1975), fundada pelo tenente-coronel Michael Aquino, também nos EUA. Esta igreja foi fundada por descontentamento de membros da Igreja de Satã de LaVey. Além do aborrecimento com suas origens, a filosofia do Tempo de Set é teísta, pois crê numa divindade chamada Set, que seria a mais antiga forma conhecida do Princípe das Trevas denotada no deus egípcio Set, que possui imagens datadas de antes de 3200 a.C.
                        Alguns outros templos surgiram durante a vida ou após a morte de LaVey. Ainda em vida, nos anos 80, a igreja de LaVey fundou uma sede aqui no Brasil, mais precisamente em São Paulo. A chamada Igreja Satânica do Brasil [3] atualmente está desvinculada de sua ‘mãe’. A outra notória igreja dedicada às praticas satânicas é a Primeira Igreja Satânica (ou First Satanic Church, 1999), fundada pela filha de Anton LaVey, chamada Karla LaVey. Esta igreja foi fundada porque segunda Karla, a igreja (Satanic Church) se distanciou dos propósitos originais, tornando-se uma instituição com fins comerciais.

Crença, mandamentos e bíblia satânica

                Como o satanismo prega, em essência, a revolta contra as massas, ele não está firmado em preceitos a serem seguidos. Não existem mandamentos específicos do que fazer, contudo existem pontos norteadores para o “credo” satanista. A bíblia satânica, por exemplo, foi escrita em 1969 por Anton LaVey e Contêm uma coleção de ensaios, observações e rituais mágicos que formam a base do Satanismo de LaVey que enfatiza Satã como uma força da Natureza.
                Existem ainda os “nove mandamentos satânicos” [4]  :

1-Satã representa indulgencia, em vez de abstinência!
2-Satã representa existência vital, em vez de sonhos espirituais!
3-Satã representa pura sabedoria, em vez de auto ilusão hipócrita!
4-Satã representa bondade para quem a merece, em vez de amor desperdiçado aos ingratos!
5-Satã representa vingança, em vez de mostrar a outra face!
6-Satã representa responsabilidade para o responsável, em vez de se ligar a vampiros espirituais!
7-Satã representa o homem simplesmente como qualquer outro animal, muitas vezes melhor, mas outras vezes pior do que aqueles que caminham de quatro, por causa de sua espiritualidade divina e progresso intelectual se tornou o mais cruel de todos!
8-Satã representa todos os chamados pecados que se direcionam a gratificação física, mental e emocional!
9-Satã se tornou o melhor amigo que a igreja ja teve, pois ele cuidou dos seus negócios todos esses anos!


Lições a se extrair

Em suma, o Satanismo pode envolver ou não a adoração a Satanás, contudo constitui um esforço deliberado e consciente de rebeldia contra o verdadeiro Deus. Embora o satanismo tenha um histórico e até uma bíblia, ele compõe um sistema com fundamentação ilógica e irracional. O mais miserável dos seres humanos é aquele que Deus simplesmente deixou ser o que bem quis ser, por assim dizer, ou seja, os que estão sem repreensão, que é exatamente o que o satanismo prega “podemos fazer o que quisermos com as nossas vidas e os nossos corpos” [5]. Viver para si mesmo é viver com a certeza de que ao final de tudo, estaremos separados eternamente do único Deus. Crendo ou não, Deus existe, Ele é.

Por fim, este é o aviso aos que desejam seguir o satanismo e suas vertentes:

"Estes são fontes sem água, névoas levadas por uma tempestade, para os quais está reservado o negrume das trevas. Porque, falando palavras arrogantes de vaidade, nas concupiscências da carne engodam com dissoluções aqueles que mal estão escapando aos que vivem no erro; prometendo-lhes liberdade, quando eles mesmos são escravos da corrupção; porque de quem um homem é vencido, do mesmo é feito escravo" (2ª Pedro 2.17-19).


 

Referências:
  [1]  TOLEDO, Valéria. Território teen: cada um na sua. Pag. 49. Editora Cultura Cristã, São Paulo-SP, 2013.
 [2] ___________ . Satanismo. Disponível em < http://pt.wikipedia.org/wiki/Satanismo >  Acesso dia 10/12/2013.
  [3]  Site oficial: http://igrejasatanica.blogspot.com.br
[4]____________________ . Nove mandamentos satânicos.  Disponível em <http://igrejadesatan.blogspot.com.br/2005/01/os-nove-mandamentos-satanicos.html > Acesso dia 10/12/2013.
[5]  _____________ . Em que acreditamos: Disponível em < http://igrejasatanica.blogspot.com.br/p/em-que-acreditamos.html > Acesso dia 10/12/2013. 


Felipe Medeiros