quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Criacionismo, Evolucionismo e Evolucionismo Teísta: Algumas Considerações sobre suas Cosmovisões, suas Implicações e seus Perigos

Introdução
Uma pesquisa feita no ano de 2010, pelo instituto Datafolha e publicado na Folha de São Paulo, indica que uma quantidade expressiva de brasileiros acredita na evolução e, ao mesmo tempo, creem na existência de Deus. A pesquisa diz que 59% dos entrevistados acreditam que o ser humano é resultado de uma evolução guiada por Deus e outros 8% não acreditam na interferência divina. Por mais incrível que isto pareça a qualquer cristão um pouco mais atento às escrituras, essa ideia não é nova, até o Papa João Paulo II proclamou em uma entrevista ao jornal Chicago Tribune que “a evolução é mais do que uma hipótese”. No meio evangélico, um dos defensores do evolucionismo teísta foi John Stott (1921-2011). Existem alguns relatos que certos judeus não faziam leitura literal da criação na Torá.
Assim, não é estranho que essa ideia tenha chegado aos arraiais evangélicos de nosso país, mesmo que a noção de que Deus criou o universo tenha sido ensinada desde criança, fazendo parte do conjunto de ensinamentos mais básicos da fé cristã. Assim como a queda e o pecado original e o sacrifício de Cristo, a literalidade da criação descrita em Genesis capítulo 1. Por tanto, a cosmovisão cristã assume, em seus pressupostos, que crer na evolução é um verdadeiro ‘tiro no pé’ e no que se refere ao debate das origens, tudo é uma questão de qual cosmovisão nós temos.
Este artigo consiste em explicar de maneira simples e sucinta cada maneira de pensar e expor argumentos seus argumentos no que tange a fé cristã.
 O que é criacionismo
O criacionismo é a crença em que o universo foi criado, por uma mente inteligente, de maneira pronta, funcionai e em perfeito acabamento. O criacionismo contudo pode ainda ter vertentes de cunho científico, onde são expostas evidências cientificas que apontam para a criação,  de cunho religioso, onde uma religião explica a origem da vida a partir de alguma cosmogonia, de cunho bíblico, onde a cosmovisão está baseada na Bíblia, tornando-a seu padrão final.
Este ultimo, faz a leitura da ciência de acordo com os óculos da cosmovisão cristã, crendo que um Deus todo poderoso (Mt 19.26), onisciente (Cl 2.3) e triuno (Is 45.5; Jo 8.18) criou o universo em seis dias comuns (Ex 20.11), somente a milhares (e não bilhões) de anos atrás, terminando sua obra no sétimo dia (Gn 2.2).
O que é evolucionismo
De acordo com o site Wikipédia, “evolução, no ramo da biologia, é a mudança das características hereditárias de uma população de uma geração para outra. Este processo faz com que as populações de organismos mudem e se diversifiquem ao longo do tempo”. Na prática, os evolucionistas tem suas raízes no naturalismo (a natureza é tudo o que existe de fato) e no empirismo (tudo o que se conhece é adquirido pela observação). Tais aspectos fazem um resumo da cosmovisão evolucionista, que ainda crê na bilionária idade do universo, que se originou nobig bang e teve seu desenvolvimento no esfriamento de toda a energia liberada nesse evento, formando galáxias e repletas de estrelas, sendo que essas ultimas deram origem a alguns dos planetas. O sistema solar que vivemos teria uma idade de 4,5 bilhões de anos, ou seja, nesse mesmo contexto na nossa Terra recém formada, certos elementos químicos inorgânicos deram origem, por meio de processos naturais, ao primeiro ser orgânico com capacidade de se reproduzir, as sucessivas reproduções com alguns erros de ‘cópia’, produziram variação. Algumas das variações que foram benéficas a vida desses seres foram passadas as gerações futura, constituindo em nossa época, a grande variedade na natureza. Nesse processo, não há a necessidade se que evocar Deus (ou um deus) na explicação da origem da vida.
Que fique claro que existem vários outros detalhes não citados e várias correntes de pensamentos dentro do evolucionismo, este resumo é um esboço do que a maioria dos evolucionistas creem.
 O que é evolucionismo teísta
Ainda segundo o Wikipédia, evolucionismo teísta, ou evolução teísta  é uma ideia filosófica, surgida a partir de criacionistas que buscam conciliar a ideia de Deus e a teoria da evolução. Creem que a vida surgiu tal qual o evolucionismo neodarwinista descreve, que o universo foi formado tal qual a teoria do big bang afirma, contudo todo esse processo foi guiado por Deus. Digamos, seria um terreno neutro, mas constituem um grupo que não é bem aceito por nenhum dos dois lados do debate das origens.
 As cosmovisões
Como nos exemplos citados acima, não é difícil que cientistas com a mesma formação, diante de uma mesma evidência cientifica, cheguem a conclusões diferentes sobre o significado dessa evidência. Isto se deve ao fato da cosmovisão que cada um deles tem. Cosmovisão é como as lentes de um óculos e assim como quem usa lentes amarelas, verá o mundo amarelado, quem usa as lentes do evolucionismo verá de acordo como tal, assim como os que aderem à cosmovisão cristã, verão o mundo de uma perspectiva. Como bem sabemos, o mundo não é de fato como um todo amarelo, assim como também não há evolução por toda parte – A cosmovisão afeta nossa forma de ver o mundo. A correção da visão de mundo irá nos mostrar que crer na evolução, na criação ou no evolucionismo teísta não depende da natureza das evidências encontradas, mas como as interpretamos, de forma que o debate das origens é em parte resolvido no âmbito da visão de mundo adotada.
Uma cosmovisão correta nos previne do erro de enxergar a questão da criação com conclusões equivocadas tal qual uma pessoa de óculos coloridos enxerga cores distintas das cores reais. Assim, pode-se concluir que qualquer leitura de mundo feita por nós seres humanos ocorre não pela natureza do evento em questão, mas pela cosmovisão arraigada ao ser humano que fez a leitura. Criacionistas possuem pressupostos filosóficos em seus pensamentos, mas evolucionistas também, assim o pensamento de ambos não é puramente científico, é influenciado por sua cosmovisão.
 O evolucionismo e seu fracasso
                Como é conhecido de muitos, o evolucionismo tem seus perigos à fé cristã pelo fato de que muitas vezes tem iludido os jovens estudantes ou calouros universitários a ideia fatalista de que o mundo foi criado ao acaso, assim como todas as coisas tem ocorrido ao longo da história. Vejamos alguns exemplos onde o evolucionismo peca, tornando-o cientificamente pouco provável:
  • O pensamento naturalista vem historicamente tentando provar que a vida surgiu ao acaso, uma das primeiras ideias chamada geração espontânea foi derrubada por Louis Pasteur, mostrando que nenhum organismo orgânico surgiu sem ter um tipo de “pai” (ou mãe, como queiram).
  • Os experimentos do dr. Stanley Miller e dr. Sidney Fox, que projetaram um aparelho de pyrex contendo metano, amônia, e vapor d’água, mas sem oxigênio. Por essa mistura eles passaram descargas elétricas para simular choques de relâmpagos na tentativa de recriar a vida tal qual sugera a biologia. Os resultado foram inconclusivos por vários aspectos.
Sobre isto opinam dois importantes cientistas:
O admirável cientista Dr. Wilder-Smith, com três doutorados e muito bem informado sobre biologia moderna e bioquímica, dando opinião sobre a formação do DNA a a partir de processos naturais:
“Como um cientista, eu estou convencido de que a pura química de uma célula não é suficiente para explicar o funcionamento de uma célula, embora o funcionamento seja químico. As operações químicas das células são controladas por informações que não residem nos átomos e moléculas da célula.
Há um autor que transcende o material e a matéria de que esses filamentos são feitos. O autor primeiramente concebeu a informação necessária para fazer uma célula, então a escreveu e depois a fixou em um mecanismo que a lesse e pusesse em prática – assim as células constroem-se sozinhas a partir da informação…”
O famoso pesquisador Sir Fred Hoyle afirmou que supor que a primeira célula tenha se originado pelo acaso é como acreditar que:
“um tornado varrendo um ferro-velho possa montar um Boeing 747 a partir dos materiais presentes ali.”
E ainda: 
“A noção de que… o programa operando em uma célula viva possa ter surgido pelo acaso em uma sopa primordial aqui na Terra é evidentemente uma falta de senso do maior grau.”
                Estes são apenas alguns dos vários argumentos com os quais podemos pelo menos começar a entender que algumas evidências mostram o evolucionismo como um fracasso, tanto dentro de sua própria cosmovisão naturalista-empirista, quando, obviamente de uma perspectiva bíblica.
 O perigo do evolucionismo teísta
A ideia da intervenção de Deus no processo da evolução surgiu no meio criacionista, Contudo a visão que se oferece como mais perigosa, é justamente aquela que tenta conciliar dois pensamentos que não fazem parte de uma mesma cosmovisão: o evolucionismo teísta. Ela constitui, como dito acima, uma tentativa de ser neutro e conciliar a cosmovisão bíblica cristã a cosmovisão naturalista-empirista.
Em uma análise mais acurada, vemos que uma abordagem como esta que tenta unificar duas cosmovisões distintas não pode funcionar, pois é por definição mais falha que cada uma das linhas de pensamento separadas, e logicamente não é bíblica. Nenhum texto na Bíblia de maneira alguma dá base para se defender isto. É Logicamente capcioso e fundamentalmente falho, pois cada uma das cosmovisões envolvidas nessa conciliação admite ser o modo correto de interpretar as evidências que a natureza oferece, fornecendo assim uma interpretação diferente das cosmovisões criacionista e evolucionista.
Desse modo, se uma interpretação neutra não é verdadeira, por que alguém deveria confiar nela? E como uma cosmovisão falha pode conduzir para uma cosmovisão correta? Se a interpretação neutra for verdadeira, então as cosmovisões que a compõem são por consequência lógica, erradas! Se observarmos isso de maneira calma, nenhumas das três seriam corretas dessa forma.
O perigo dessa visão é que ela conduz a um distanciamento da verdade ainda mais profundo, pois é uma forma alternativa de causar o mesmo efeito de cegueira do evolucionismo. Ela não somente reúne adeptos da religião ou cientistas, ela alista para si uma tropa de cosmovisão ainda mais confusa e difícil de se lidar, pois além dos pressupostos de filosofia naturalista, tem uma carga de teologia feita a partir de interpretações alegóricas da Bíblia.
A conclusão é obvia: Não há como conciliar o evolucionismo com a crença em Deus. Essa visão é tola do ponto de vista criacionista, é inaceitável do ponto de vista evolucionista e acima de tudo, é antibíblica.
 Felipe Medeiros

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

3 Formas de Orar por seu Inimigo

"Vocês ouviram o que foi dito: 'Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo”. Disse Jesus em seu famoso sermão do monte,” Mas eu digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem” (Mateus 45:13-14)

Se você já se perguntou por que muitas pessoas se recusaram a seguir Jesus durante a sua vida, você acabou de ler um desses motivos.

Em nossos dias, temos usado tanto o termo "inimigo", que esta palavra perdeu muito do seu valor impactante. Hoje, "inimigo" é usado principalmente em referência a pessoas que são rudes conosco ou que nos tratam com grosserias. Nós até mesmo usamos a expressão "inimiga" para se referir a uma pessoa que finge ser amiga ou para alguém que realmente é um amigo, mas que também se caracteriza como rival.

Mas nos dias de Jesus, os judeus em Israel tinham inimigos reais. Durante toda a sua jornada de existência como um povo, eles tinham germinado muitos inimigos - da escravidão no Egito para o estado de ocupação por seu mais recente inimigo, o Império Romano.  Dizer-lhes para amar e orar pelos inimigos era semelhante a dizer aos cristãos no Iraque para amar e orar pelo Estado Islâmico.

No entanto, é exatamente o que Jesus estava dizendo. Quando Jesus deu o mandamento de amar e orar por nossos inimigos Ele sabia que um dia iria exigir oração por grupos extremistas islâmicos como o ISIS e Al-Qaeda que assassinam sua Noiva.  Jesus estava dizendo que quando pensamos dessas pessoas, já nem sequer deemos vê-los como inimigos. Como John MacArthur explica, "não devemos ser inimigos daqueles que podem ser inimigos para nós. Da perspectiva deles, nós somos inimigos; mas a partir de nossa perspectiva, eles devem ser nossos vizinhos. "

Mas como podemos fazer isso? Como devemos orar por esses vizinhos que querem assassinar membros de nossa família? Essa tarefa é difícil, mas existem três maneiras específicas de orar por aqueles que estão envolvidos na perseguição contra os cristãos:

1. Orar por sua conversão

Há duas razões principais para que não oremos pela conversão dos extremistas islâmicos. A primeira razão é que nós acreditamos que é absurdo pensar que eles vão se tornar cristãos. A segunda razão é que temos medo de que eles possam realmente se converter.

A primeira razão é mais comum, uma vez que orar para terroristas se converterem parece ser um apelo inútil. Reconhecemos a verdade teológica de que Deus pode fazer por eles o que ele fez por nós: proporcionar o dom da graça para que eles possam ser salvos (Efésios 2: 8). Mas olhamos para a situação "realista" e nos dizemos que a probabilidade de conversão genuína é tão perto de zero que seria um desperdício do nosso tempo (e do de Deus) se preocupar em pedir. 

Sem dúvida, tais conversões são improváveis ​​e raras. No entanto, devemos orar por elas de qualquer maneira. Se realmente amamos o nosso inimigo, como poderíamos não, pelo menos, rogar a Deus em seu nome?

Outra, menos freqüente, razão pela qual não oramos pela sua conversão é porque nós tememos que eles possam realmente se arrepender. Como Jonas em Nínive, queremos que os nossos inimigos recebam suas justas penas, não misericórdia e perdão. Considere todos os cristãos que obedientemente oraram pelos nazistas. Como eles se sentiriam se eles descobrissem que Hitler, nos momentos antes de sua morte, tinha realmente se arrependido de seus pecados e foi perdoado por Deus? Muitos desses cristãos teriam se sentido enganado, como se fosse injusto de Deus perdoar esses crimes horríveis. Eles provavelmente iriam querer reclamar, como Jonas fez quando Deus poupou os ninivitas, "Eu sabia que tu és Deus misericordioso e compassivo, muito paciente, cheio de amor e que prometes castigar, mas depois te arrependes." (Jonas 4: 2)?

Mas é exatamente porque ele é um Deus clemente e compassivo que devemos orar pela conversão dos nossos inimigos. Como poderíamos fazer algo além do que pedir a Deus para mostrar-lhes a mesma graça que nos foi mostrado?

2. Ore para que o mal que eles fazem seja contido

Não há dicotomia em orar para o bem de nosso inimigo e orar para que suas más ações sejam contidas. É para o seu benefício, bem como o nosso, que eles sejam impedidos de cometer mais maldade. Para aqueles que endureceram seu coração contra Deus, seria melhor que a sua vida fosse encurtada do que se continuasse a perseguir seus filhos.

A proteção de inocentes de serem mortos pode exigir que os governos humanos  tomem uma ação militar contra os extremistas islâmicos. Estamos autorizados a apoiar o uso da força apenas para restringir esse mal. Mas devemos lembrar que, enquanto a morte dos terroristas pode ser a única forma eficaz de coibir suas ações, não devemos regozijar-nos o seu sofrimento ou morte (Provérbios 24:17).

3. Ore para que eles recebam a justiça divina

Assim como buscamos a justiça na terra das autoridades governamentais devidamente estabelecidas, podemos buscar a justiça divina de nosso Deus santo. Como John N. Day diz: "ao passo que amor e bênçãos são a ética característica dos crentes de ambos os Testamentos, julgar e pedir vingança divina são de extrema ética e podem ser expressos em circunstâncias extremas, contra endurecido, enganosidade, violência, imoralidade e pecadores injustos”.

Ao pedir que a justiça divina seja feita, devemos ter o cuidado de proteger os nossos motivos. Orar por justiça divina pode ser uma maneira de contornar o nosso dever de amar o nosso inimigo. É certo que devemos deixar a vingança para Deus, não devemos esquecer o que é ordenado de nós. Como Paulo escreve em Romanos 12: 19-21 :.

Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor.
Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça.
Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.

Em nossas orações, o pedido de justiça divina deve ser incluído como última opção, um apelo, para que se faça o necessário para aqueles que nem se voltarão para Deus, nem se afastarão da prática do mal.


Como ex-inimigos de Deus, devemos ser gentis e agradecidos por estarmos autorizados a orar por nossos inimigos atuais, com a certeza de que Jesus vai nos ouvir. Nós deveríamos ser gratos o suficiente pela graça de Deus, que nós deveramos deseja-la para os nossos inimigos também. Mas se eles se recusam e endurecem seus corações contra aquele que iria poupá-los, então devemos pedir que recebam o castigo divino, devido a todos para além da justiça de Cristo. 

Joe Carter
Publicado em: http://thegospelcoalition.org/article/3-ways-to-pray-for-our-enemies

Traduzido por Thiago Barros

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Quem é Deus? Com a Palavra, Agostinho de Hipona

O que sei, Senhor, sem sombra de dúvida, é que te amo. Feriste meu coração com tua  palavra, e te amei. O céu, a terra e tudo quanto neles existe, de todas as partes me dizem que te  ame; nem cessam de repeti-lo a todos os homens, para que não tenham desculpas. Terás compaixão mais profunda de quem já te compadeceste; e usarás de misericórdia com quem já foste misericordioso. De outro modo, o céu e a terra cantariam teus louvores a surdos.

Mas, que amo eu, quando te amo? Não amo a beleza do corpo, nem o esplendor fugaz, nem a claridade da luz, tão cara a estes meus olhos, nem as doces melodias das mais diversas canções, nem a fragrância de flores, de unguentos e de aromas, nem o maná, nem o mel, nem os membros tão afeitos aos amplexos da carne. Nada disto amo quando amo o meu Deus. E, contudo, amo uma luz, uma voz, um perfume, um alimento, um abraço de meu homem interior, onde brilha para minha alma uma luz sem limites, onde ressoam melodias que o tempo não arrebata, onde exalam perfumes que o vento não dissipa, onde se provam iguarias que o apetite não diminui, onde se sentem abraços que a saciedade não desfaz. Eis o que amo quando amo o meu Deus!

Então, o que é Deus? Perguntei à terra, e ela me disse: “Eu não sou Deus”. E tudo o que nela existe me respondeu o mesmo. Perguntei ao mar, aos abismos e aos répteis viventes, e eles me responderam: “Não somos teu Deus; busca-o acima de nós”. Perguntei aos ventos que sopram; e todo o ar, com seus habitantes, me disse: “Anaxímenes está enganado eu não sou Deus”. Perguntei ao céu, ao sol, à luz e às estrelas. “Tampouco somos o Deus a quem procuras” – me responderam.

 Disse então à todas as coisas que meu corpo percebe: “Dizei-me algo de meu Deus, já que não sois Deus; dizei-me alguma coisa dele” – e todas exclamaram em coro: “Ele nos criou” – Minha pergunta era meu olhar, e sua resposta a sua beleza.

Dirigi-me, então, a mim mesmo, e perguntei: “E tu, quem és?” – e respondi: “Um homem”. Para me servirem, tenho um corpo e uma alma: aquele exterior, esta interior. Por qual deles deverei perguntar pelo meu Deus, a quem já havia procurado com o corpo desde a terra até o céu, até onde pude enviar os raios de meu olhar como mensageiros? Melhor, sem dúvida, é a parte interior de mim mesmo. É a ela que dirigem suas respostas todos os mensageiros de meu corpo, como a um presidente ou juiz, respostas do céu, da terra, e de tudo o que existe, e que proclamam: “Não somos Deus” – e ainda – “Ele nos criou”. O homem interior conhece essas coisas por meio do homem exterior; mas o homem interior, que é a alma, também conhece essas coisas por meio dos sentidos do corpo.

 Interroguei a imensidão do universo acerca de meu Deus, e ele me respondeu: “Não sou eu, mas foi ele quem me criou”.

Mas essa beleza não se manifesta a quantos têm sentidos perfeitos? E por que não fala a todos a mesma linguagem?

Os animais, pequenos ou grandes, a vêem; mas não podem interrogá-la, porque não receberam a razão que, como juiz, interprete as mensagens dos sentidos. Os homens, porém, podem interrogá-la, para que as perfeições invisíveis de Deus se manifestem pelas suas obras. Mas o amor às coisas criadas os escraviza, e assim os torna incapazes de julga-las. Ora, elas só respondem aos que podem julgar-lhes as respostas. Elas não mudam sua linguagem, isto é, sua beleza, quando um só as vê, e outro as interroga; elas não lhes aparecem diferentes mas, para uns ficam mudas, enquanto falam a outros. Ou melhor: eles falam a todos, mas apenas se entendem os que comparam sua expressão exterior com a verdade interior. De fato a verdade me diz: “Teu Deus não é nem o céu, nem a terra, nem corpo algum. A natureza das coisas o diz para quem sabe ver; a matéria é menor em seus elementos que em seu todo. Por isso, minha alma, digo-te que és superior ao corpo, pois vivificas sua matéria, dando-lhe vida, como nenhum corpo pode dar a outro corpo. Mas teu Deus é também para ti a vida de tua vida. 

Confissões  - Santo Agostinho, Livro X, Capítulo VI

Presb. Cícero da Silva Pereira

Fabiano, o Soldados Amarelo e o Governo Perfeito (ou o Antídoto para nossas Vidas Secas)

Por Rodrigo Ribeiro

Fabiano é um personagem clássico da nossa literatura, oriundo das páginas do livro Vidas Secas do alagoano Graciliano Ramos, escrito em 1938, mas que permanece extremamente atual. A trama gira em torno de Fabiano e sua família lutando pela sobrevivência no sertão, propiciando um relato da saga dos retirantes e sua luta contra a seca.

O personagem é marcado pelo dilema com suas próprias limitações: ele julga-se limitado por sua falta de educação. Considera-se um bicho, alguém só pode utilizar sua força, visto que tem extrema dificuldade em pensar e se comunicar. Não se acha digno de ser chamado de homem, parece mais com os animais com os quais se relaciona com maior facilidade. Com relação aos homens, limita-se a obedecer.

Em determinado momento do livro, o vaqueiro envolve-se em uma confusão e acaba injustamente sendo especando e preso por um “soldado amarelo”. Neste momento sua cosmovisão acanhada entra em crise. Ele sempre se postou a favor do governo, afirmando até em certas ocasiões que apanhar do governo não era desfeita. Visualiza o governo como algo distante e perfeito. Mas diante dele estava um soldado amarelo que o oprimia injustamente. Como conciliar a idealização do governo com o homem que o representava de maneira tão falha e arbitrária?

E é aqui Fabiano se assemelha a muitos de nós, até mesmo os mais intelectuais que escondem seus pressupostos primitivos por detrás de toda a pompa acadêmica. Mas em essenciais nos assemelhamos muitos a esse vaqueiro. De que maneira? Sempre lidamos com as idealizações dos distantes. A messianização. Depositamos nossas esperanças em governos, ideologias, denominações e homens idealizados. E não percebemos que todos os governos são compostos de soldados amarelos injustos. O mesmo se aplica até mesmo às igrejas. Onde há homens, não cabe idealização.

É precisamente isto que acontece com o intelectual de esquerda que mira todas as suas esperanças em um estado idealizado que combaterá as injustiças do mercado cruel. O problema é que o estado é composto por homens. E homens são sempre cruéis a parte da graça de Deus. O mesmo se aplica aos que idolatram o mercado. Este também tem seus soldados. Diante disso tudo, somos todos “Fabianos”.

Mas reconhecer isso é o inicio da reação. Precisamos direcionar nossas esperanças para o lugar onde serão plenamente saciadas: JESUS CRISTO. Ele não tem falhas morais, nem promove injustiça alguma. Ele não é um soldado amarelo, mas sofreu a injustiça por parte dos soldados romanos em nosso favor. Ele sim é perfeito e sem mácula. Seu governo não tem fim. Somente Ele saciará nossa sede. Com ele não haverá mais vidas secas!

Rodrigo Ribeiro

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

O Senhorio de Cristo no Contexto Universitário

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NOTA: O que se segue é um sermão pregado pelo pastor Jonas Madureira no dia o2/08/14 no culto de abertura da Aliança Bíblica Universitária de São Paulo, na Igreja Batista de Vila Mariana. Não se trata de uma transcrição integral do sermão, embora grande parte dele tenha sido transcrito. Alguns trechos foram adaptados para a linguagem formal e a essência da mensagem não foi alterada.
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Como lidar com a questão de alguém que está na universidade, deseja ser um profissional, e sofre pressões de um contexto cultural secular?
Poderíamos pensar o senhorio de Cristo em termos de um Ser que tem controle sobre tudo, que controla até mesmo a quantidade de fios de cabelo, ou como um governo extremamente meticuloso e rigoroso que nos leva a uma espécie de preparação militar para entrar na universidade em uma campanha e vencer todos os principados. Porém, precisamos repensar o senhorio de Cristo a partir das implicações de todas as esferas da existência.
Uma visão equivocada sobre o senhorio de Cristo
Quero iniciar a partir de um equívoco que cometemos. Em uma apreensão equivocada, acabamos não reconhecendo Seu senhorio. Por que temos um entendimento equivocado, acabamos perdendo de vista a dimensão do significado e o valor do Senhorio de Cristo. Não são poucos que entendem a obra de Cristo como uma espécie de plano B de Deus, como uma espécie de “jeitinho brasileiro”. O plano A de Deus seria Adão. Essas pessoas dizem que o plano de Deus só seria perfeito se Adão tivesse sido “aprovado na prova”, ou seja, não tivesse pecado. Como Adão errou, o plano B de Deus entra em ação. Deus, então, “inventa Jesus” para resolver o problema do pecado.
Não há nada mais anticristão do que esse pensamento. Jesus não é o plano B. Ele sempre existiu, ele é Deus e não uma invenção. O fato de a Bíblia dizer que Jesus foi gerado, não significa que ele não seja Deus. Há uma diferença entre gerar e criar, como explica C. S. Lewis. Eu posso criar uma estátua a partir de uma matéria bruta, criar uma música, uma teoria, um espetáculo, uma máquina etc., mas não posso criar filhos, somente posso gerá-los. A geração é sempre uma espécie daquilo que a gera. A Bíblia usa a palavra monogenés (μονογενής) para se referir a Jesus, ou seja, ele é o único gerado. Se ele foi gerado, não podemos entender isso do ponto de vista temporal. Significa que ele foi gerado por Deus. João 1.1 diz: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” Tudo que existe foi criado por intermédio de Jesus. Ele é o intermediador da criação. Estamos, em primeira instância, diante de Deus. Não se trata de um plano B para resolver o pecado do homem. Independentemente de o homem pecar, Jesus já existia.
Quando falamos do senhorio de Cristo, portanto, falamos dele como o criador do universo, que fez tudo. Não existe absolutamente nada que não seja fruto da obra criadora de Jesus. Abraham Kuyper disse: “Não há um único centímetro quadrado de todos os domínios da existência humana sobre o qual Cristo, que é soberano sobre tudo, não clame ‘é meu!’.” Aquela divisão entre sagrado e profano não existe. Até mesmo um ateu glorifica a Deus porque sempre que usa a inteligência dele para negar a Deus, ele está se valendo de algo que foi dado por Deus. Não há como olharmos para todas as dimensões da cultura e não concluir que Deus pode ser glorificado lá.
Glorificando a Deus no contexto universitário
Neste sentido, Jesus é o criador, o mediador, de todas as esferas do mundo. Deste modo, Jesus não será Senhor nas diversas disciplinas de uma universidade só porque você coloca o nome de Deus em sua teoria. O fato de algo ter o nome de Deus, não significa que honre a Deus. As coisas à nossa volta podem glorificar a Deus na medida em que realizam em si mesmas as coisas pelas quais elas foram feitas. É por isso que não existe jazz gospel. Há coisas em que não vamos conseguir colocar o nome de Deus.
A pergunta então é: isso não é para Deus? O nome de Deus será glorificado quando o seu trabalho for o melhor. Você não precisa colocar o nome de Deus nele. De alguma forma, precisamos repensar nossa maneira de servir a Deus. Enquanto pensarmos nosso serviço a Cristo apenas em termos dualistas, ou seja, somente posso servir a Deus tocando um instrumento ou pregando, iremos servi-lo apenas dessa maneira. Se você estuda química, matemática, zootecnia etc., e não consegue imaginar usar essas coisas na igreja, você deve se conscientizar que o senhorio de Cristo não está preso às quatro paredes da igreja.
Quando falamos do senhorio de Cristo no contexto universitário, estamos chamando atenção para uma cegueira. Isso envolve sabedoria. Quando fazemos um estudo sobre o nascimento das universidades, vemos que elas surgem a partir do contexto eclesiástico. É incrível como perdemos essa ligação entre Deus e a universidade.
Como ver o senhorio de Cristo na universidade? A ideia mais grosseira seria transformar-se em professor para evangelizar. É como uma emboscada. O aluno vai assistir a uma aula de introdução a algum pensamento, acredita que realmente vai estudar isso, mas você apresenta Jesus. O maior folheto evangelístico que você tem é você mesmo.
Quando estava na PUC, uma das minhas maiores dificuldades era que, quando explicava o evangelho a alguém e a pessoa gostava, chegava um professor ateu inteligente e então aquela pessoa queria ser como esse professor. Eu olhava para o meu contexto universitário e não tinha nenhum professor evangélico. Havia a ideia de que ou você é inteligente ou é evangélico. Precisamos fazer ciência na universidade. E precisamos fazer isso pra valer. As pessoas irão olhar então para você e perguntar sobre aquilo em que você acredita, porque você está contribuindo para a universidade. Quando você entende o senhorio de Cristo, você não pensa: “Meu Deus estou estudando teoria geral do processo enquanto muitas almas estão morrendo!”
A igreja e a universidade
Infelizmente, a relação da igreja com a universidade é “menos zero”. A igreja consegue preparar um missionário para um país não alcançando, completamente radical em relação à sua crítica ao evangelho, para que possa fazer um trabalho suado, mas não consegue preparar um missionário para o campo universitário. A igreja tem medo da universidade. Eles têm medo de que o jovem entre na universidade. Ficam desesperados. Os pastores têm medo de perguntas. “Pastor, será que a criação foi em sete dias mesmo?” Não dá pra ter uma conversa franca. A igreja não sabe lidar com a universidade e o nome dessa igreja são os pastores. Os pastores não amam a universidade. Enquanto não derem “um beijo” na universidade, continuarão a perder universitários cristãos.
Qual igreja você conhece que consegue investir em um jovem para que possa fazer pós-graduação, doutorado em biologia? Vão pensar, “por que a igreja precisa de biólogo?”. A biologia é um saber que pode glorificar a Deus. Quando fazemos da melhor maneira, Deus é glorificado. Por que você não consegue usar sua ciência para glorificar a Deus, para servir a Deus? Estamos vendo o senhorio de uma maneira muito equivocada.
O filósofo Georg Hegel era protestante e a igreja pagou todos os estudos dele. Se ele foi reconhecido por aquilo que ele fez, foi porque a igreja fez isso. Quantas de nossas igrejas estão investindo pesado nos universitários?
Enquanto os pastores não entenderem que podemos glorificar a Deus e servi-lo em outros campos, não conseguiremos ter um contexto universitário em que podemos vislumbrar o senhorio de Cristo sendo glorificado por cristãos e que são chamados.
Como disse Bruce Nichols, “O evangelho nunca é hóspede da cultura, mas sempre seu juiz e redentor”. Neste sentido, o evangelho nunca é o hospede de uma universidade, porque ele é sempre o juiz.
A doutrina da encarnação
Para que isso possa acontecer, precisamos ter conhecimento da doutrina da encarnação. E ela ensina duas coisas:
1. Deus é Senhor: Quando Deus quis revelar algo de si sobre a humanidade de uma maneira mais sublime, Ele o fez por meio da encarnação. Deus se tornou homem. Tornou-se carne. Isto significa que Deus participou de nossa realidade. Precisamos nos inspirar na doutrina da encarnação. Se queremos influenciar a universidade, não podemos vê-la como inimiga da fé. Precisamos participar, nos engajar. Em outras palavras, estou dizendo que aproveite o que você esta fazendo e seja o melhor juiz, o melhor biólogo. Faça o melhor curso. O que mais precisamos hoje é de referências na universidade. Enquanto não tivermos, seremos sempre considerados uma subclasse.
2. Não apenas devemos participar, mas também comunicar o evangelho: Jesus comunicou o evangelho em nossa linguagem. Você acha que o evangelho chegaria até nós se Ele não assumisse a humanidade? Ele precisou ser como nós para que pudéssemos, a partir de sua humanidade, entendermos o que Ele queria comunicar a nós. Existem varias linguagens. Filosófica, biológica, psicológica, e podemos comunicar através dessas linguagens. O maior desafio, então, é como podemos usar essa linguagem e comunicar com ela essa visão de mundo que o evangelho nos dá.
…………………..
Talvez a maior dificuldade seja, no fundo, o seu pastor. Precisamos encontrar pessoas que entendam nosso dilema, a tensão que enfrentamos em todas as áreas do saber, e que possam nos tutorear. Qualquer ministério que, de alguma forma, esteja presente na universidade, tem condições de fazer isso.
Que a mensagem de hoje te anime a mergulhar nos seus estudos, sabendo que eles podem glorificar a Deus ainda que eles sejam um monte de números.
Publicado em: http://tuporem.org.br/o-senhorio-de-cristo-no-contexto-universitario/
Intercâmbio feito por Walber Arruda

terça-feira, 2 de setembro de 2014

O Cachorro e o Espelho

Uma das características marcantes do fundamentalismo é a criação de "eixos do mal". Tal postura maniqueísta consiste em simplificar a leitura da realidade, elegendo inimigos a serem a abatidos a fim de que a paz ou prosperidade seja mantida/conquistada. Neste quadro podemos enxergar diversos segmentos religiosos e ideológicos.

No entanto não é somente a religião strito sensu que utiliza-se deste expediente. Até mesmos os anti-religiosos o fazem, pelo menos uma boa parte deles, os denominados neo-ateístas, filhos híbridos de Richard Dawkins e leitores de Dan Brow. No livro "Deus, um delírio", o primeiro citado, afirma que a origem dos males de nossa sociedade repousa na religião, e esta manifestação nociva deve ser combatida e extirpada.

O que muitos não percebem é que Dawkins é um fundamentalista, e seus seguidores também aderem ao seu maniqueísmo primitivo. O que somente comprova que os homens se comportam como cachorros latindo em frente do espelho, vociferando contra aquilo que eles mesmo são: religiosos. Não existe ninguém que escape do senso de divindade inerente a cada homem, conforme Calvino afirmava em sua Insitutas. A diferença é somente que alguns o aceitam e buscam a divindade, outros se rebelam e entregam de forma explícita ao combate. Ambos são idolatras quando não direcionam sua devoção ao Deus revelado nas Escrituras Sagradas, mesmo que seja uma idolatria direcionada à razão.

Diante de sábios que demostram sua loucura, só me resta faz coro a Bíblia, fonte da verdadeira religião: Diz o tolo em seu coração: "Deus não existe! " Corromperam-se e cometeram injustiças detestáveis; não há ninguém que faça o bem. (Salmos 53:1).

Rodrigo Ribeiro

Falando sobre “Homens-Meninos”

Ela era uma amiga cristã solteira (totalmente apenas amigos), destilando a sua frustração acerca dos homens imaturos. Isso era casual, porque esse tipo de desabafo é comum. O café havia acabado. E isso foi um corte profundo.
“Homens cristãos… ugh.”
Como um homem estudante universitário sem esposa, trabalho fixo, e sem independência financeira, eu me contorci com mal-estar e insegurança. Ela não estava me atacando; apenas emitindo uma queixa comum ao universo. As palavras fluíram sem esforço da sua boca como se ela as houvesse dito um milhão de vezes antes e eu estava despreparado para os adjetivos que seguiriam ao longo da conversa: “imaturo”, “infantil”, “fraco”, “patético”. Espere um pouco... “Homens-Meninos”
É entendível, mas eu posso por favor dizer isso? Isso não está bem. O termo “homens-meninos” (às vezes, “homens-crianças”, “homens-garotos”, etc.) é uma calúnia. Ele é usado para humilhar pessoalmente e rebaixar uma classe de cristãos. Ela expressa desprezo e arrogância exposições. E, pior de tudo, ele define o valor dos seres humanos à imagem de Deus de acordo com seu desempenho de gênero.

 

O problema não é preguiça


 “Mas”, você diz, “há um monte de homens cristãos que expressam comportamentos desapontadores.” Isso é verdade, mas eu não estou convencido de que categorias como pecaminosidade ou preguiça, explicações comuns, possam claramente explicar essa questão. Talvez preguiça aponte para além dela – talvez seja um sintoma de um problema mais sistemático. Vamos interpretar o clássico comportamento “homem-menino” através dês outras lentes que não a preguiça:
Adiar o casamento pode ajudar: evitar dividir espaço fisicamente, espiritualmente, emocionalmente e espiritualmente e se retirar a um espaço pessoal.
Negligenciar a Bíblia e igreja pode ajudar: evitar intimidade divina e se retirar em uma vida pessoal.
Flutuar sem ambições pode ajudar: evitar horas de trabalho e se retirar em tempo pessoal.
Jogar vídeo games cronicamente pode ajudar: evitar realidade externa e se retirar em uma vida virtual.
Viver em casa pode ajudar: evitar pressões externas e se retirar em confortos internos.

 

As folhas de figueira modernas

“Preguça” é uma descrição superficial. “Evitar” nos move além de uma explicação do coração. As Escrituras nos dizem que o coração é sempre ativo (Gênesis 6.5, Deuteronômio 11.6, Jeremias 17.5, 1 Pedro 1.22), então a nossa descrição do coração deveria sempre está na voz ativa (Eu não digo que evitar é o problema, mas isso nos ajuda a chegar um pouco mais fundo do que o conceito de preguiça”. “Evitar” abre portas para uma série de outras palavras ativas e hóspede de outras realidades do coração: medo (“E se eu falhar?”), ansiedade (“Eu não consigo lidar com isso!”), depressão (“Eu odeio a mim mesmo/minha vida), sentimentos de insuficiência (“Eu não sou suficiente”), auto-depreciação (“Eu sou estúpido/sujo/indesejável”), vergonha (“Deus e meu próximo tem nojo de mim”) e muitos outros. Eu preferiria escapar a ser publicamente envergonhado” (cf. Apocalipse 6.16).

Essas categorias nos dão uma nova perspectiva. “Homens-meninos” não são nem a primeira nem a última luta de ser homem, mas de ser um ser humano. Solteirice, solidão, video games e a casa da mamãe são as folhas de figueira modernas – coberturas feitas manualmente para homens despidos de competência e profundamente envergonhados de sua inabilidade de se engajar com as realidades da vida por causa de suas experiências com o Opressor (Isaías 14.4), que busca espalhar confusão e caos entre o povo de Deus (João 8.44, 2 João 7, Apocalipse 12.10).

 

A solução não é “tente duro”

A necessidade do dia não é para a igreja de Jesus Cristo arrancar as folhas, mas começar a vesti-los com as vestimentas do Evangelho feitas por Deus (Gênesis 3.21). A solução para a imaturidade entre os jovens garotos cristãos não é lembrá-los verdades ou instituir regulagens, mas uma Pessoa, que não evitou realidades, mas que as encarou por nossa causa: Jesus (Lucas 2.52, Filipenses 2.6-9) – Jesus, com sua intercessão, caridade e graça. O que as mulheres cristãs solteiras fazem acerca disso além de criar um nome para defini-los?  Aqui estão algumas formas que podem ajudar:

1.     Oração Intercessória
Ore por mais pais que seriamente assumam o seu papel de ensinar os seus filhos a como se engajar com o mundo, não evitá-lo. Ore para que homens em geral faça o mesmo por garotos sem pais. Ore para que os homens mudem, não apenas em um nível comportamental, mas em um nível do coração – se movam a Deus e ao próximo em meio ao pecado que habita e a opressão externa (Lucas 10.27).

2.     Caridade
Fale bem dos outros (Efésios 4.31). Trate os jovens homens imaturos da mesma forma que você trata qualquer outro assunto na igreja: com diligência, fidelidade e amor, os mesmos traços que Paulo inclui em seu imperativo de “serem homens” (1 Coríntios 16.13-14). Isso significa que as mulheres não reajam com cinismo ou usando o termo “homens-meninos” (Efésios 4.29).

3.     Fé
Deus está disciplinando homens imaturos a crescerem por eles mesmos (Hebreus 12.11). Ele não precisa dos seus comentários sarcásticos para ajudar (Provérbios 11.12). Confie que Deus não tem abandonado homens à imaturidade, mas está terminando a obra que Ele começou (Filipenses 1.6).

4.     Graça
Toda tentação é comum à humanidade (1 Coríntios 10.13). O medo de que existe no coração de um homem pode se manifestar por si mesmo de formas (específicas a cada gênero) diferentes em sua vida. Não importa quem você namore, ele será um homem pecador (Romanos 3.23) que é imaturo e medroso, e se ele é cristão, Deus está vencendo o mal que está contra ele e nele (Filipenses 2.13; Romanos 16.20). Eu não estou dizendo que Jesus quer que você namore um perdedor. Ele não quer. Tudo o que eu estou dizendo é isso: Não apenas namore um cristão centrado no Evangelho; namore como um Cristão centrado no Evangelho (1 Pedro 4.8).

Søren Kierkegaard disse que a natureza de uma mulher “tem afetuosamente equipado-a com um instinto sensível que em comparação a reflexão masculina mais superior é nada.” Irmãs, provem que Kierkegaard está certo. Superem-nos em oração, caridade, fé e graça e nós homens tentaremos superar vocês em disciplina piedosa e ambição. Então, talvez o temor daquele que “nos ajuda em nossa fraqueza” irá florescer em seu devido curso (Romanos 8.26).


Original: http://www.desiringgod.org/blog/posts/talking-about-man-boys


Traduzido por Igor Sabino