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terça-feira, 2 de setembro de 2014

Falando sobre “Homens-Meninos”

Ela era uma amiga cristã solteira (totalmente apenas amigos), destilando a sua frustração acerca dos homens imaturos. Isso era casual, porque esse tipo de desabafo é comum. O café havia acabado. E isso foi um corte profundo.
“Homens cristãos… ugh.”
Como um homem estudante universitário sem esposa, trabalho fixo, e sem independência financeira, eu me contorci com mal-estar e insegurança. Ela não estava me atacando; apenas emitindo uma queixa comum ao universo. As palavras fluíram sem esforço da sua boca como se ela as houvesse dito um milhão de vezes antes e eu estava despreparado para os adjetivos que seguiriam ao longo da conversa: “imaturo”, “infantil”, “fraco”, “patético”. Espere um pouco... “Homens-Meninos”
É entendível, mas eu posso por favor dizer isso? Isso não está bem. O termo “homens-meninos” (às vezes, “homens-crianças”, “homens-garotos”, etc.) é uma calúnia. Ele é usado para humilhar pessoalmente e rebaixar uma classe de cristãos. Ela expressa desprezo e arrogância exposições. E, pior de tudo, ele define o valor dos seres humanos à imagem de Deus de acordo com seu desempenho de gênero.

 

O problema não é preguiça


 “Mas”, você diz, “há um monte de homens cristãos que expressam comportamentos desapontadores.” Isso é verdade, mas eu não estou convencido de que categorias como pecaminosidade ou preguiça, explicações comuns, possam claramente explicar essa questão. Talvez preguiça aponte para além dela – talvez seja um sintoma de um problema mais sistemático. Vamos interpretar o clássico comportamento “homem-menino” através dês outras lentes que não a preguiça:
Adiar o casamento pode ajudar: evitar dividir espaço fisicamente, espiritualmente, emocionalmente e espiritualmente e se retirar a um espaço pessoal.
Negligenciar a Bíblia e igreja pode ajudar: evitar intimidade divina e se retirar em uma vida pessoal.
Flutuar sem ambições pode ajudar: evitar horas de trabalho e se retirar em tempo pessoal.
Jogar vídeo games cronicamente pode ajudar: evitar realidade externa e se retirar em uma vida virtual.
Viver em casa pode ajudar: evitar pressões externas e se retirar em confortos internos.

 

As folhas de figueira modernas

“Preguça” é uma descrição superficial. “Evitar” nos move além de uma explicação do coração. As Escrituras nos dizem que o coração é sempre ativo (Gênesis 6.5, Deuteronômio 11.6, Jeremias 17.5, 1 Pedro 1.22), então a nossa descrição do coração deveria sempre está na voz ativa (Eu não digo que evitar é o problema, mas isso nos ajuda a chegar um pouco mais fundo do que o conceito de preguiça”. “Evitar” abre portas para uma série de outras palavras ativas e hóspede de outras realidades do coração: medo (“E se eu falhar?”), ansiedade (“Eu não consigo lidar com isso!”), depressão (“Eu odeio a mim mesmo/minha vida), sentimentos de insuficiência (“Eu não sou suficiente”), auto-depreciação (“Eu sou estúpido/sujo/indesejável”), vergonha (“Deus e meu próximo tem nojo de mim”) e muitos outros. Eu preferiria escapar a ser publicamente envergonhado” (cf. Apocalipse 6.16).

Essas categorias nos dão uma nova perspectiva. “Homens-meninos” não são nem a primeira nem a última luta de ser homem, mas de ser um ser humano. Solteirice, solidão, video games e a casa da mamãe são as folhas de figueira modernas – coberturas feitas manualmente para homens despidos de competência e profundamente envergonhados de sua inabilidade de se engajar com as realidades da vida por causa de suas experiências com o Opressor (Isaías 14.4), que busca espalhar confusão e caos entre o povo de Deus (João 8.44, 2 João 7, Apocalipse 12.10).

 

A solução não é “tente duro”

A necessidade do dia não é para a igreja de Jesus Cristo arrancar as folhas, mas começar a vesti-los com as vestimentas do Evangelho feitas por Deus (Gênesis 3.21). A solução para a imaturidade entre os jovens garotos cristãos não é lembrá-los verdades ou instituir regulagens, mas uma Pessoa, que não evitou realidades, mas que as encarou por nossa causa: Jesus (Lucas 2.52, Filipenses 2.6-9) – Jesus, com sua intercessão, caridade e graça. O que as mulheres cristãs solteiras fazem acerca disso além de criar um nome para defini-los?  Aqui estão algumas formas que podem ajudar:

1.     Oração Intercessória
Ore por mais pais que seriamente assumam o seu papel de ensinar os seus filhos a como se engajar com o mundo, não evitá-lo. Ore para que homens em geral faça o mesmo por garotos sem pais. Ore para que os homens mudem, não apenas em um nível comportamental, mas em um nível do coração – se movam a Deus e ao próximo em meio ao pecado que habita e a opressão externa (Lucas 10.27).

2.     Caridade
Fale bem dos outros (Efésios 4.31). Trate os jovens homens imaturos da mesma forma que você trata qualquer outro assunto na igreja: com diligência, fidelidade e amor, os mesmos traços que Paulo inclui em seu imperativo de “serem homens” (1 Coríntios 16.13-14). Isso significa que as mulheres não reajam com cinismo ou usando o termo “homens-meninos” (Efésios 4.29).

3.     Fé
Deus está disciplinando homens imaturos a crescerem por eles mesmos (Hebreus 12.11). Ele não precisa dos seus comentários sarcásticos para ajudar (Provérbios 11.12). Confie que Deus não tem abandonado homens à imaturidade, mas está terminando a obra que Ele começou (Filipenses 1.6).

4.     Graça
Toda tentação é comum à humanidade (1 Coríntios 10.13). O medo de que existe no coração de um homem pode se manifestar por si mesmo de formas (específicas a cada gênero) diferentes em sua vida. Não importa quem você namore, ele será um homem pecador (Romanos 3.23) que é imaturo e medroso, e se ele é cristão, Deus está vencendo o mal que está contra ele e nele (Filipenses 2.13; Romanos 16.20). Eu não estou dizendo que Jesus quer que você namore um perdedor. Ele não quer. Tudo o que eu estou dizendo é isso: Não apenas namore um cristão centrado no Evangelho; namore como um Cristão centrado no Evangelho (1 Pedro 4.8).

Søren Kierkegaard disse que a natureza de uma mulher “tem afetuosamente equipado-a com um instinto sensível que em comparação a reflexão masculina mais superior é nada.” Irmãs, provem que Kierkegaard está certo. Superem-nos em oração, caridade, fé e graça e nós homens tentaremos superar vocês em disciplina piedosa e ambição. Então, talvez o temor daquele que “nos ajuda em nossa fraqueza” irá florescer em seu devido curso (Romanos 8.26).


Original: http://www.desiringgod.org/blog/posts/talking-about-man-boys


Traduzido por Igor Sabino

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Eu sou um Pastor Batista e amo outro Homem

Eu me sinto bem em finalmente poder tornar isso público – eu amo um homem. Eu sou um pastor batista da convenção do Sul dos Estados Unidos e isso é verdade. Permita-me lhe contar sobre isso.
Eu conheci esse homem na faculdade. Durante o curso de três anos, nós nos tornamos amigos muito próximos. Nós passávamos madrugadas juntos conversando – tanto assuntos sérios como ridículos. Nós celebramos vitórias juntos e apoiamos um ao outro em momentos difíceis, provas e relacionamentos. Eu gastei muitas noites adormecendo no carpete do seu quarto ou até mesmo em sua cama enquanto tentava quase que de coração estudar nas primeiras horas da manhã.
Depois da faculdade, ele se alegrou comigo e minha esposa, Mindy, em nosso casamento. Ele era tão exuberante quanto possível, realmente se alegrando com aqueles que se alegram. Quando eu me mudei para Lousville e ele para East Coast, poderíamos pensar que nosso relacionamento aos poucos iria acabar. Não acabou. Ao nos tornarmos maduros na fé e como homens, nosso amor um pelo outro apenas aumentou. Eu estava ocupado com o seminário, trabalhando com a igreja, casamento e depois filhos. Ele tinha um trabalho puxado e que lhe demandava muito tempo, contudo ele era fiel em manter a sua parte do nosso relacionamento através de cartões postais, telefonemas e visitas.
Ele celebrou o nosso primeiro filho conosco. Ele gastou o seu suado salário e precioso tempo para vir nos visitar diversas vezes nesses anos iniciais. Ele foi animado do mesmo jeito dar as boas vindas ao nosso segundo filho quando ele veio ao mundo. Ele tem sido um presente precioso para a nossa família, estimando nossos filhos e minha esposa. Suas visitas generosas geralmente eram acompanhadas pelos dons e sempre eram garantias de que os nossos corações seriam cheios da alegria do Senhor.
Nós gastamos incontáveis horas em conversas no telefone, no Skype e nos comunicando via e-mail. Geralmente nós falávamos por cerca de duas horas sobre dificuldades, eventos, estórias engraçadas e a graça do Senhor.
Quando eu e minha esposa nos mudamos para Newberry, South Carolina, suas visitas continuaram. De fato ele se voluntariou para pagar sua própria ida a fim de nos ajudar a nos mudar de Kentucky para South Carolina. Foi uma grande benção ter esse irmão conosco durante as dificuldades dos primeiros dias em Newberry.
Nós construímos coisas juntos. Nós corremos juntos. Nós aproveitamos a criação de Deus juntos.
Eu tive a benção de ver o Senhor mudando os seus desejos e o chamando para ser treinado para o ministério. Eu tive a maravilhosa oportunidade de escrever recomendações para esse homem a quem a minha alma ama. Eu tenho quietamente celebrado ao ver o Senhor liderando em um caminho que eu mesmo trilhei alguns anos atrás e tenho orado para que Deus proveja a ele uma fiel e amável esposa que o apóie.
Enquanto lutei durante o meu primeiro ano enquanto pastor, ele estava lá. Estava lá para chorar comigo. Estava lá para discutir pontos teológicos difíceis. Estava lá para orar por mim. Estava lá para me desafiar, encorajar e me amar. Ele, mais do que ninguém além da minha esposa, entende e está totalmente a par das minhas feridas mais profundas. Ele chorou comigo e Mindy durante o nosso aborto espontâneo. Ele se machucou junto com nossa família.
Por todas essas coisas e por um future cheio de mais esse tipo de amor, alegria e irmandade cristã, eu tenho que dizer: “Senhor, obrigado por esse homem que eu amo.”
A mentira
Dois grupos nos dizem que esse tipo de amor é impossível. Primeiro, o mundo. Se eu chegasse para alguém na rua e falasse que eu sinto isso por um homem, eles insistiriam que eu estava sentindo atração homossexual. Isso é mentira.
Segundo, a igreja. Muitas igrejas tem nos feito crer que o “amor de irmãos” que a Bíblia encoraja deve ser algo desenvolvido ao redor de uma partida de UFC. Isso também é uma mentira.
Nós como igreja temos cedido esse tipo de amor que eu divido com esse amigo à comunidade gay. Nós tememos. Temos medo de sermos mal interpretados pela nossa cultura, tememos a vulnerabilidade, tememos que isso seja antibíblico.
Isso é uma mentira do príncipe das trevas. Ele quer que irmãos em Cristo se sintam desconfortáveis ao verdadeiramente amarem uns aos outros. Ele tem pervertido a afeição de irmãos como homo-erotismo e o tornou totalmente inacessível para o crente. Nós como crentes não podemos conceber que esse tipo de amor que Pedro encoraja – um “amor fraternal, não fingido; amando-vos ardentemente uns aos outros com um coração puro” (1 Pe 1.22). Onde está o amor que é caracterizado por ser misericordioso e humilde (1 Pe 3.8)?
Satanás tem roubado os relacionamentos como o de Davi e Jonathan de nós, irmãos em Cristo. O que você fará quanto a isso? Amar outro homem como à sua própria alma (1 Sm 18.1) não é um amor homossexual; é o amor de Cristo. É realmente está disposto a dar sua própria vida pelos seus irmãos (1 Jo 3.16). Nós temos que construir esses tipos de relacionamentos uns com os outros: homens que realmente amam outros homens.
Irmãos, se nós demonstrarmos o amor de Cristo um pelo outro, nós podemos começar a estabelecer credibilidade com a comunidade gay. Eles não acreditam que nós podemos amar outros homens. Vamos provar que eles estão errados. Talvez, então, depois de ver a verdadeira luz do evangelho de Jesus, eles sejam atraídos das trevas nas quais Satanás os mantém cativos para a luz do maravilhoso amor auto-sacrifical de Cristo.

Original: http://thegospelcoalition.org/article/im-southern-baptist-and-i-love-a-man

Chad Ashby
Traduzido por Igor Sabino

sábado, 12 de abril de 2014

O que uma Esposa Espera de seu Marido? Com a Palavra Wanda Assumpção

Desde que Eva foi criada, muita coisa tem mudado na vida das mulheres, mas as coisas mais importantes, aquelas que nos trazem felicidade e realização, permanecem inalteradas por fazerem parte da essência da nossa feminilidade.
Ainda hoje, a esposa precisa que seu marido lhe dê três coisas que satisfarão as necessidades básicas do seu coração: segurança, liberdade e honra. E as três derivam do conceito do amor agape, o amor doador, sacrificial com que o marido é ordenado a amar sua esposa (Ef. 5:25).
O amor do marido traz segurança à esposa
É o amor que toma a iniciativa e o homem foi especialmente capacitado por Deus para ser o iniciador, o que busca, que corteja, que conquista, o que já faz parte da sua natureza. A mulher que é assim conquistada sente-se segura na sua feminilidade, na sua natureza mais responsiva.
O marido amoroso não apenas conquista o amor da esposa mas o alimenta através de atos carinhosos, como dar a mão a ela quando estão juntos; de palavras amorosas e elogiosas, pois sabe que a mulher é atraída pelo que ouve; de pequenos gestos e sacrifícios que para ele talvez nem façam muito sentido, como dar um presentinho, um ramalhete de flores, assistir a um filme romântico com ela ou planejar algum momento especial só para os dois; de respeito pela pessoa feminina que ela é, por sua maneira diferente de pensar e de se expressar.
O marido que trata a esposa como rainha terá uma rainha por esposa.
O amor do marido liberta a esposa
O amor doador nunca cerceia, antes visa a libertação da pessoa amada para ser tudo o que Deus a fez para ser. Ele não quer transformar a outra à sua própria imagem, mas se regozija na sua singularidade e beleza. “O amor edifica” (1 Cor. 8:1b), ajuda a esposa a crescer, a amadurecer, a revelar-se na sua essência. Reconhece seus dons particulares e encoraja-a a desenvolvê-los, provendo os meios para que ela possa fazê-lo, mesmo que isso envolva sacrifício pessoal. Ele não compele nem força, antes apoia, estende a mão, colabora.
O amor do marido honra a esposa
O amor do marido é como um manto sobre os ombros da esposa, símbolo de sua proteção e cuidado. Debaixo dele, ela sente-se valorizada, importante, respeitada por ser quem é, como é. Não precisa temer sua própria fragilidade nem o passar dos anos e a chegada das rugas e dos cabelos brancos, pois sabe que o marido vê nela a beleza que nunca diminui nem acaba mas que se renova e viceja a cada nova fase da vida.
O marido que ama a esposa como Cristo amou a igreja procura o aperfeiçoamento, o crescimento, o amadurecimento e a restauração da pessoa que sua esposa foi criada para ser, o que redundará em felicidade e gozo para ele próprio. Esse é o mistério do amor no relacionamento conjugal. Simbolizado pela redondeza contínua das alianças de ouro, ele dá início a um processo infindo de doação que conduz ao paradoxo de que é dando que se recebe, é doando a si mesmo que se cresce, é libertando que se liberta.

Fonte: Monergismo
http://www.monergismo.com/textos/familia_casamento/esposa_espera_esposo_wanda.htm

Rodrigo Ribeiro

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Um Herói para os Jovens Rapazes

O boxeador legendário Muhammad Ali famosamente afirmou: “Eu sou o maior de todos”. Além de Jesus Cristo (que é uma categoria em si mesmo), quem você diria que foi o maior homem que já existiu?
De acordo com Jesus, o maior de todos não foi ninguém mais do que o seu primo profeta caipira sangue nos olhos, João Batista. Em Mateus 11.11 Jesus afirma: “Digo-lhes a verdade: Entre os nascidos de mulher não surgiu ninguém maior do que João Batista.”
Como o maior homem que já existiu, João é o maior exemplo para todos os homens, e particularmente os jovens rapazes, já que ele morreu aos 30 anos.
O que significa ser “grande”? Aqui estão seis aspectos da grandeza de João


1. João tinha parentes cheios do espírito santo
No livro de Lucas, está escrito que a mãe de João, Isabel, “era cheia do Espírito Santo” e profetizou para Maria (Lucas 1.41-45). Do mesmo modo, seu pai, Zacarias “era cheio do Espírito Santo e profetizou” para o seu filho recém-nascido (Lucas 1.67-79).
Zacarias e Isabel amavam o Senhor, serviam fielmente no ministério e esperaram até uma idade para que Deus os abençoassem com um filho, sem se tornarem amargurados ou cometerem adultério.
Nós não podemos escolher os nossos pais, mas se nós temos parentes piedosos como os de João Batista, nós poderemos escolher seguir os seus passos fieis. Foi isso o que João fez, pela graça de Deus.

2. João era cheio do espírito
Antes do nascimento de João, o anjo Gabriel disse: “Ele será cheio do Espírito Santo desde o ventre materno” (Lucas 1.15). A Bíblia também diz, “A mão do Senhor estava sobre ele” (Lucas 1.66).
Em um dos maiores exemplos bíblicos de eleição soberana e um dos maiores argumentos bíblicos de que a vida humana se inicia antes do nascimento, nós vemos aqui que João Batista foi escolhido por Deus desde o ventre materno para ser regenerado pelo Espírito Santo e separado para uma vida dedicada ao ministério. João foi receptivo ao trabalhar do Espírito Santo através da sua vida, se submetendo ao poder interior de Deus.
Com relação ao que significa ser cheio do Espírito, Dr. Wayne Grudem escreve, “Um evento subsequente à conversão, no qual cada crente experimenta um enchimento fresco do Espírito Santo que pode resultar em uma variedade de consequências, incluindo maior amor por Deus, maior vitória sobre o pecado, maior poder para o ministério e as vezes o recebimento de novos dons espirituais.”

3. João humildemente preparou o caminho para Jesus
Quando João nasceu, o seu pai profetizou “E você, menino, será chamado profeta do Altíssimo, pois irá adiante do Senhor, para lhe preparar o caminho.” (Lucas 1.76).
João foi um tipo de estrela do rock dos seus dias apenas no primeiro dia em que o seu ministério público se iniciou. Não havia existido um profeta por cerca de 400 anos até que João abriu a boca e o Espírito ungiu a sua pregação. Ele era um tipo de cara maluco que cresceu no deserto e não se encaixava nos moldes religiosos da época. Ele era jovem, em seus 30 anos, forte e destemido. Multidões o seguia.
Contudo, João não tinha nada a ver com ele mesmo. Tudo nele girava em torno de Jesus.
“Depois de mim vem aquele que é maior do que eu”, dizia João, “cujas correias da sandália não digno nem de amarrar.” É como se ele estive em primeiro lugar nos assuntos mais comentados no Twitter ou permanecendo por semanas na lista dos 10 mais do iTunes, e ainda assim afirmar que não era digno nem de fazer o trabalho de um escravo de Cristo. Depois, quando a sua fama havia se espalhado mais do que nunca e ele poderia ter utilizado tudo isso para criar um grande ministério, mas ele deixou tudo isso de lado, mandou seus discípulos seguirem Jesus e disse: “Que Ele cresça e eu diminua” (João 3.30).

4. João era um evangelista
João cumpriu o seu ministério de “dar ao seu povo conhecimento da salvação através do perdão dos seus pecados, por causa da grande misericórdia do nosso Deus” (Lucas 1.77-78).
João não era um covarde. João sabia que pela pregação do arrependimento ele seria desprezado, odiado e sofreria oposição. Mas ele amava a Deus e ele amava as pessoas. Ele sabia que o pecado separava as pessoas de Deus e que as pessoas precisavam se arrepender dos seus pecados para serem salvas. Ele não se conformou apenas por fazer boas obras; ele continuou pregando as más notícias do pecado e as boas novas da salvação. Ele pregou essa mensagem abertamente aos religiosos que pensavam serem justos e muitos foram salvos.

5. JOÃO OBEDECEU AO CHAMADO DE DEUS PARA A SUA VIDA
Gabriel previu que João “iria diante do Senhor no espírito e poder de Elias, para converter os corações dos pais aos seus filhos, e os desobedientes à sabedoria, para separar um povo preparado para o Senhor” (Lucas 1.17).
O ministério público de João durou aproximadamente seis meses – menos do que o primeiro semestre de um seminário teológico. Ele pregou uma série de sermões sobre arrependimento, batizou centenas de pessoas, combateu os religiosos, entregou o seu ministério a Jesus, repreendeu Herodes publicamente por se casar com sua cunhada e teve sua cabeça decepada – tudo isso em seus 30 anos. Hoje os rapazes nessa faixa de idade estão se casando pela primeira vez depois de anos jogando vídeo game, baixando pornografia e perdendo tempo.

6. JOÃO EVITOU A ADOLESCÊNCIA
A Bíblia fala brevemente sobre a juventude de João: “E o menino crescia e se fortalecia no espírito; e viveu no deserto, até aparecer publicamente a Israel” (Lucas 1.80).
João nunca consumiu álcool, nem vacilou e abraçou o trabalho de toda a vida de um homem durante os breves 30 anos de vida, porque não quis desperdiçar nenhuma parte do seu tempo na Terra. Como um soldado que vai para a guerra, ele não fingiu que a vida era férias estendidas em um resort com tudo incluso. Ele era um homem de verdade.

Homens que aspiram ser grandes podem aprender muito com o exemplo de João. Ele é a definição de Jesus de um grande homem: um homem que honra o pai e a mãe, é cheio do Espírito Santo, humildemente leva outros a Jesus Cristo, evangeliza pessoas perdidas, obedece ao chamado de Deus para sua vida, evita a adolescência e não gasta seu tempo evitando ter mais responsabilidades.

Mark Discroll
Publicado em: https://theresurgence.com/2013/06/05/A-hero-for-young-men

Traduzido por Igor Sabino

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Prove seu Sexo

Meu marido e eu temos um filho jovem. Esse filho não é como os seus irmãos. Esse filho é emocional, empático. Ele gosta de canções, histórias e um abraço. Ele não se importa muito em ganhar e às vezes abandona o jogo de futebol do quintal antes mesmo do segundo tempo. Ele não é aventureiro nem barulhento. Ele, contudo, ainda assim é um garoto.
Quando ele crescer, é improvavél que ele seja o próximo Tim Tebow. Mas eu gostaria de pensar que ele pode ser o próximo C.S. Lewis. E espero que a comunidade cristã ainda tenha um lugar para ele.
Em sua biografia recente, A vida de C.S. Lewis: Do ateísmo às terras de Nárnia, Alister McGrath apresenta o jovem Lewis como um garoto bastante diferente dos demais. Enviado a uma escola interna inglesa aos 10 anos de idade, Lewis “parece não ter se encaixado na cultura da escola pública da era Edwardiana.” Ao invés de participar das competições atléticas, Lewis ouvia opera e lia poesia.

Essas diferenças lhes trouxeram alguns problemas. “Garotos que não eram bons em esportes” McGrath escreve, “eram ridicularizados e sofriam bullying por parte dos seus colegas. O atletismo desvalorizava conquistas artísticas e intelectuais e transformou muitas em escolas em pouco mais que campos de treinamento para a glorificação do corpo. Contudo, o cultivo da masculinidade era visto como integral aos desenvolvimento do caráter.”

O garoto poeta e a garota atleta

O nosso mundo após a Suprema Corte derrubar o Ato de Defesa do Casamento parece estar bem distante daqueles padrões Edwardianos de masculinidade baseados em partidas de rugby. Mas eu me preocupo que um padrão estreito similar esteja ganhando popularidade entre os Cristãos. Ao se levantarem contra a névoa que obscurece o gênero e a sexualidade, característica do nosso mundo hoje, cristãos podem inconscientemente requerer de nossos jovens que provem eles mesmos se são homens ou mulheres. Eu tenho medo que a comunidade conservadora cristã não tenha mais espaço para jovens que são diferentes, para o garoto poeta e a garota atleta. Isso seria uma grande perda.
Lewis, com certeza, se tornou um dos mais influentes teólogos da era moderna. Em junho de 2013, até mesmo o The New York Times, reconheceu isso com uma coluna intitulada “C.S. Lewis, Evangelical Rock Star” (C.S. Lewis, uma estrela evangélica do rock), uma manchete que certamente teria chocado os colegas de infância do Lewis. De um imaginativo e artístico garoto, Lewis cresceu para realizar grandes coisas no Reino de Deus. E existem hoje em nossas igrejas garotos e garotas com potencial semelhante. A normal e difundida aceitação da homossexualidade complica ainda mais a nossa posição. A comunidade cristã tem que se posicionar contra o pecado da homossexualidade (e dezenas de outros pecados) com um grau de foco e energia nunca antes preciso para tratar desse assunto. Contra a mudança do pano de fundo das normas culturais, cristãos conservadores tem que defender alguns padrões definitivos. A situação requer isso.
Mas essa necessidade de definições dá margem ao surgimento de uma série de problemas próprios. Em 2005, Anthony Esolen explanou a dificuldade dos jovens, em particular, rapazes:
“A proeminência da homossexualidade muda a linguagem para os garotos adolescentes. É absurdo e cruel dizer que os garotos podem ignorar isso. Mesmo que eles pudessem, os seus colegas de classe não os deixariam. Todos os garotos precisam provar que eles não são fracassados. Eles precisam provar que estão no caminho de se tornarem homens.”
Esolen argumenta que a cultura da homossexualidade força os jovens a se definirem aos seus colegas de uma forma notável; o que era desnecessário nas gerações anteriores.
Isso foi em 2005. Agora, em 2013, a situação mudou ainda mais. Em um mundo pós-DOMA onde um transexual do primeiro ano usa o banheiro das garotas, a cultura não está mais de forma óbvia forçando as pessoas a serem uma coisa ou outra. Gênero e sexualidade são conceitos fluídos no mundo de hoje. Eles estão em uma jornada pessoal de escolhas e preferências, sujeitas a mudanças a qualquer momento. De acordo com esse padrão do mundo, nossos jovens já não tem mais que definirem a si mesmos como alguma coisa.
Mas na comunidade cristã conservadora, nós ainda estamos nos posicionando firmemente. Nós estamos nos levantando contra a névoa ao proclamarmos o padrão da criação, a beleza e o complementarismo das diferenças de gênero e a necessidade dos jovens de abraçarem suas responsabilidades de gênero.
Tal ênfase incorre em erros para a Igreja como aqueles que Esolen previamente atribuiu à sociedade como um todo. Ao se posicionar contra a ambiguidade sexual e de gênero, nós corremos o risco de fazermos definições em excesso e assim forçar nossos jovens a provar aquilo que não precisa ser provado.
Nada a provar

Então novamente eu volto ao meu filho sensível, com sua preferência por brincadeiras imaginativas a brincadeiras competitivas. Eu reflito se ele em breve ele não mais se encaixará na comunidade cristã, pressionado a provar a si mesmo – não pelo seus colegas de vizinhança, que não vão ligar para o que ele é – mas por outros cristãos, que querem que ele se posicione por um certo tipo de masculinidade em extinção.
Em 2005, Esolen sugeriu que os jovens veem na fornicação heterossexual uma opção fácil para provar a sua identidade sexual. Nós ainda enfrentamos esse perigo. Atos sexuais, pensamentos e desejos são corretamente cultivados apenas no casamento (entre um homem e uma mulher). Eu não espero ver cristãos aceitando fornicação. Mas eu posso imaginar uma quase justificativa a expressões infantis ou adolescentes de atração pelo sexo oposto. Bom, pensaremos, pelo menos eles não são tentados à homossexualidade.

Os jovens também precisam aprender as habilidades necessárias para cumprir as suas responsabilidades de adulto. Garotos são aos poucos, treinados para serem cabeças do lar assim como Cristo é o cabeça da Igreja (Efésios 5.23). Garotas estão trabalhando para desenvolverem um caráter que eventualmente tome a responsabilidade de “trabalhar em casa... submissa aos seus próprios maridos” (Tito 2.5). Muita dessa atual ênfase nesse ensino contra cultural é valioso.

Mas essas habilidades, assim como qualquer outro santo dever, são mais duros para alguns indivíduos aprenderem do que para outros. É uma falta de amor e um ato anti-bíblico assumir que todo garoto cristão naturalmente irá tomar o seu papel de liderança ou que qualquer garota cristã irá imediatamente se satisfazer com os deveres domésticos. Assim como cada um de nós luta para cumprir alguns dos mandamentos do Senhor (digo, paciência e contentamento), a personalidade de alguns jovens fará com que administrar as suas responsabilidades de gênero seja uma tarefa difícil. Nós não deveríamos fazer da facilidade em assumir essas tarefas um teste da verdadeira piedade.
Finalmente, a comunidade crista deveria intencionalmente celebrar o maravilhoso espectro de personalidades e talentos que Deus criou. Nós temos sim que nos posicionarmos contra o pecado sexual. Mas que não declaremos um certo tipo de garota ou um certo tipo de garoto como mais piedoso do que outro.
Jovens cristãos – pensadores e sentimentais, músicos e montanhistas, lutadores e poetas – não tenham nada a provar.

Megan Hill vive em Mississipi. Ela é membro da St. Paul Presbyterian Church (PCA) e escreve sobre vida ministerial no Sunday Women.


Publicado em: http://thegospelcoalition.org/blogs/tgc/2013/09/04/prove-your-gender/

Edição e Tradução: Igor Sabino


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Eu Vos Escrevo, Jovens Rapazes

 “Dois terços dos missionários ativos são casais casados. Outro terço são mulheres solteiras. O resto são homens solteiros.”

Isso não é exatamente uma estatística, propriamente dita. É um sentimento, e algumas vezes uma brincadeira feita por líderes de agências missionárias, e mais recentemente, por um monte de solteiros de vinte e poucos anos em minha sala de estar. É um sentimento que revela uma verdade impressionante sobre o trabalho missionário hoje em dia: há muito poucos homens solteiros escolhendo ir.

A verdadeira estatística é essa: para AIM¹ e outras organizações similares, algo aproximadamente entre 80 e 85 por cento de todos os missionários solteiros são mulheres. Para cada 10 solteiros enviados, apenas 2 são homens. A disparidade é grande o suficiente a ponto de haver uma enorme lacuna em muitos campos missionários. Está faltando homens, e por isso um grupo de mulheres tem assumido o trabalho. Às vezes fazendo trabalhos em que a presença masculina seria mais recomendada.

Por que existe tão grande diferença entre homens e mulheres que escolhem fazer missões em seus anos de solteiros? E por que isso importa?

Estatísticas e dados demográficos são uma forma humana de mensurar algo. Talvez Deus esteja simplesmente dirigindo mais mulheres às missões do que homens – é como se Ele chamasse mais pessoas de Michigan do que de Nova Yorque (ou Ele chama mesmo?). Mas talvez haja algo por trás dessa tendência. Talvez haja algo diferente que nossas igrejas e agências missionárias possam fazer. E talvez haja alguns homens que precisem seres despertados e chamados.

A maioria dos solteiros se envolvendo com missões hoje em dia são muito novos, parte da geração conhecida como os “mileniaristas”. Eu não sou jovem, nem solteiro. Então, a fim de compreender melhor a questão, convidei à minha casa meia dúzia desses jovens com a promessa de uma refeição caseira e uma noite animada, possivelmente com uma conversa inquietante. O grupo consistia em três homens solteiros e três mulheres solteiras, cujas idades variavam de 22 a 30 anos. Todos missionários efetivos na África.

Muito tem sido dito acerca dessa geração e não sou o primeiro a refletir se algo está indo errado. Há uma vasta quantidade de escritos e até mesmo pregações lamentando a diminuição da participação de homens na sociedade moderna e na igreja. Mark Driscroll, pastor titular da Igreja Mars Hill em Seattle pontua isso abruptamente (como ele geralmente faz): “A pessoa menos provável de se ver na igreja é um jovem rapaz solteiro de vinte e poucos anos”. Por coincidência (ou seria por consequência?) essa é também a pessoal menos provável de se ver no campo missionário.

Uma Tendência Cultural

Distraído, cheio de si, sem motivação, apático. Se você fosse procurar adjetivos que descrevam a geração mileniarista, esses são algumas das descrições comuns que surgiriam. Eu coloquei isso, timidamente, em nosso grupo de discussão e perguntei se eles concordavam. Fiquei surpreso ao ouvir um alto “sim”.

Cada vez mais conectados, os mileniaristas tem o mundo ao alcance dos seus dedos, entretenimento em toda esquina e expectativas de que as coisas deveriam ser mais simples- tão simples quanto um click. Apesar dessa massiva conexão virtual, eles estão crescendo cada mais entediados, desconectados e apáticos. Os homens em particular estendem os seus desejos de adolescência, e tanto homens quanto mulheres atrasam o casamento. Eles trocam de empregos frequentemente, vão à igreja com menos fervor; contudo, “postam” de forma prolífica acerca do que está errado com o mundo.

Driscroll percebe isso na igreja da seguinte forma: “O pecado notório dos garotos cristãos hoje em dia é se preocupar mais acerca das coisas do que tentar fazer algo.”

Benjamin Brophy, em um artigo intitulado “My Generation’s Disease” (A Doença da Minha Geração), colocou a questão da seguinte forma: “Mileniaristas querem mudar o mundo, mas eles sentam e esperam que a oportunidade de mudar o mundo seja dada a eles. O clichê é: queremos salvar o mundo, mas queremos fazer isso por trás da tela de um computador”.

Nosso grupo em foco utilizou a recente campanha “Kony 2012” como uma ilustração. O vídeo documentário expondo o chefe de guerra Joseph Kony e as atrocidades que ele cometeu na África Central se tornou um viral massivo em 2012 – largamente devido ao ultraje moral dos mileniaristas.

 “Então muitos foram despertados” nosso grupo disse, “mas tudo o que eles fizeram foi compartilhar o vídeo. Eles não tinha ideia de que isso estava acontecendo por anos, e agora, ninguém fala mais sobre ele.”
 “Essa não é uma mudança duradoura”, uma das jovens mulheres acrescentou, “Isso apenas faz você se sentir melhor”.

Eu perguntei ao grupo se o mundo poderia realmente ser mudado com um click. Sim, eles disseram, como mileniaristas, tem testemunhado essas coisas em primeira mão durante o período de vida deles. Então eu os perguntei se discípulos poderiam ser feitos com um click.

 “Leva tempo para construir relacionamentos, estar na vida das pessoas, e entender uma cultura é muito mais difícil do que clicar um botão”, uma mulher argumentou. “Eu não conheço muitos jovens que estejam dispostos a se meterem em situações como essa. Isso é realmente muito difícil. Discipulado requer relacionamentos reais, compromisso e sacrifício.”

Isso poderia ser parte do que está afetando a participação dos mileniaristas em missões, e se for, isso é um fator maior para homens? Os homens são mais apáticos do que as mulheres? Até mesmo para tentar responder isso, nós teríamos primeiro que definir o que é masculinidade, ou de preferência, como ela é percebida.

A questão dos papéis de gênero tem mudado para essa geração e o nosso grupo tinha muito a dizer acerca dos efeitos em seus colegas de idade no que diz respeito ao que a cultura e a mídia ensinam sobre masculinidade.

Há 50 anos atrás, as mulheres no Ocidente fizeram grandes ganhos. Hoje, mais mulheres do que homens conseguem se formar na faculdade, com notas melhores e mais confiança do que os homens de suas classes. Elas são mais suscetíveis do que os homens a irem para faculdade e muitas ganham salários mais altos do que eles no mercado de trabalho. As mulheres estão sendo ditas que podem conquistar qualquer coisa e muitas tem perseguido essa promessa. Os homens, por outro lado, estão sendo ditos o contrário.

À medida que as mulheres tem ganho mais igualdade, os homens tem sido desvalorizados. Definido como a “efemização da cultura”, nós estamos vivendo em meio a uma mudança cultural em que os homens são vistos cada vez mais como menos importantes no esquema das coisas. A mídia toma essa percepção e a codifica. Assim, uma geração ensinada em massa através da mídia cresce acreditando nisso.

Como Owen Strachan escreveu no blog do The Gospel Coalition, “Os homens hoje estão em apuros. Os garotos tem sido ensinados por incontáveis fontes e mídias que eles são inerentemente mais débeis, tolos e inferiores às mulheres. Os garotos se envolvem com meninas, fogem de suas responsabilidades, não levam as coisas sérias a sério e geralmente negligenciam as grandes oportunidades que lhes são postas.”

É possível que esses homens mileniaristas estejam simplesmente fazendo jus às baixas expectativas que a cultura lhes tem imposto?

O nosso grupo de discussão foi rápido em culpar os lares sem pais. Antes uma anomalia, pais ausentes – como resultado de divórcio, negligência ou até mesmo trabalho demais – são hoje uma epidemia. Como resultado, inúmeras crianças crescem sem um modelo balanceado ou instrução acerca dos papéis de gênero. Os garotos aprendem sobre masculinidade com a mídia ou seus colegas, mas não dos seus pais.

Driscroll diz que isso leva a um certo tipo de “adolescência estendida”, na qual garotos continuam agindo como tais ao longo dos seus vinte anos. “Em uma cultura de consumo, masculinidade termina sendo definida pelo que você consome, não pelo que você produz. Os homens se tornam consumidores auto absorvidos de aparelhos eletrônicos, jogos e mulheres. O que mata os jovens rapazes é o pensamento de que a adolescência estendida é aceitável e inevitável.”

Inevitável. Essa é uma palavra curiosa. Será que os homens mileniaristas são vítimas involuntárias da tendência cultural contrária a eles? Eles estão sobrecarregados com uma angústia geracional, perda de modelos e a morte da masculinidade. Mas e a Igreja? Ela não está se posicionando em meio à lacuna, como uma força contra cultural?

Um Evangelho Tímido

Em um artigo da Revista Biola intitulado “The Feminization of the Church” (A Feminização da Igreja) nós aprendemos que as coisas não foram como a contracultura que você esperaria.

Pollster George Barna se refere às mulheres como “a coluna vertebral das congregações cristãs na América.” Majoritariamente 60% da igreja é constituída por mulheres, e os homens que a frequenta são menos ativos – menos prováveis de participar da escola dominical, pequenos grupos e cultos. Como resultado, a mensagem e os ministérios da igreja tendem a serem dirigidos às mulheres.

Os homens em nosso grupo concordaram, “A espiritualidade está ligada a sentimentos e emoções. Os garotos são distanciados por isso. Essas coisas não são vistas como viris e se um garoto não está na igreja, muito menos estará envolvido com missões.”

Mike Erre, um director de ministério para homens em uma grande igreja da Califórnia, argumenta que a mensagem da igreja não está mais ressoando aos homens. “O Evangelho que Jesus e Paulo pregou é revolucionário e é digno de darmos nossas vidas por ele. Mas parte das razões pelas quais os garotos não estão envolvidos é porque temos vendido um Evangelho tímido. Nós não o pintamos como grande o suficiente – ou Deus como maravilhoso o suficiente – a ponto de ser constrangedor.”

A feminização da igreja reflete a feminização da cultura maior e eu reflito até que ponto isso influencia em missões. Certamente a Grande Comissão é muito constrangedora, ousada e até mesmo revolucionária. Mas se a Igreja não apresenta a vida cristã em uma perspectiva balanceada – afirmando as forças de tanto homens quanto de mulheres – então como eles apresentarão um chamado a missões?

E quanto às agências de missões? Uma das mulheres em nosso grupo serve como a coordenadora de novos missionários em uma organização parceira da AIM. Ele argumenta que os homens não tem ideia das oportunidades diante deles, “Setenta por cento das nossas vagas são preenchidas por mulheres”, ela disse, “porque elas focam em mulheres, crianças, educação, enfermagem... a percepção em massa é que o que está disponível é para ser feito é relacionado a carinho.”

Embora muito do trabalho missionário seja carinho, como temos vistos, discipulado requer relacionamentos e até mesmo relacionamentos requerem carinho. Mas esses mesmos relacionamentos requerem um certo nível de risco, ousadia, e o mais importante, um cenário em comum sobre o qual será erguido. É difícil, senão impossível, para jovens mulheres ministrarem a homens em muitos contextos transculturais. Para incontáveis homens na África que precisam ouvir a Palavra e aprenderem a ser seguidores de Cristo, apenas outro homem pode lhes mostrar o caminho.

Há provavelmente centenas de buscas masculinas que podem oferecer acesso a esses tipos de oportunidades de discipulado. Os jovens rapazes vagando pelos bancos da Igreja do Ocidente já ouviram alguma vez falar sobre isso? Quanto deles já visitaram o site de alguma agência missionária?

Uma Estrada Difícil

Apesar da pressão negativa da cultura e a morna inspiração da Igreja, homens solteiros podem também estar em desvantagem ao realmente irem ao campo e possivelmente florescer enquanto estiverem lá.

Expectativas culturais desempenham um papel. Um dos homens em nosso grupo resumiu isso como uma simples questão de “dinheiro e orgulho”. Os homens carregam um fardo maior do que o das mulheres de serem provedores e membros autoconfiantes da sociedade. Contudo, ao seguirem o chamado para missões, eles são levados a abraçar uma vida de dependência e até mesmo a probabilidade do que alguns poderiam considerar “carreira suicida”; tudo por fazer um trabalho que muitos em casa poderiam não entender. Esse afastamento das expectativas culturais irá sem dúvidas desafias o orgulho de um homem e poderia também ser percebida como um risco colossal.

Relacionado ao orgulho está o medo de falhar, na vida ou ministério ou em ambos. Alguns tem sugerido que as mulheres solteiras são naturalmente melhor equipadas para lidar com as generalidades da vida no campo. O trabalho missionário tende a ser relacional e sem estrutura. É cheio de ambiguidades em que um rapaz poderia preferir um plano de ação e isso não os leva a soluções fáceis como fazer uma ida a Home Depot². Além disso, há a questão da pureza sexual, indiscutivelmente mais difícil para homens solteiros do que para mulheres.

Pode ser verdade que missões requer mais dos homens, mas como o Driscroll martela para fora do seu púlpito em um sermão sobre masculinidade bíblica, “Verdadeiros homens não estão procurando o caminho de menor resistência, mas o caminho de maior glória para Deus”.

Um Chamado à Ação

Enquanto muitos homens estão evitando o caminho quando ele requer uma volta inesperada em direção ao trabalho missionário, as mulheres estão muito mais prontas para seguir em frente. Elas também são rápidas em perceber que isso não é uma boa coisa. Não é bom para o desequilíbrio das necessidades ministeriais no campo. Não é bom para as muitas mulheres que servem solteiras durante toda vida, escolhendo um chamado ministerial ao invés de uma família devido à falta de homens que compartilhem a mesma visão que elas. Também não é bom para os homens a quem Deus tem chamado, que um dia poderão olhar atrás e perceberem ressentidos que perderam a maior oportunidade de suas vidas.

Igrejas e agências missionárias podem estar em falta com isso, e nós temos que reconsiderar a visão da qual estamos lançando mão (ou falhando em fazer) de jovens rapazes em nosso meio pela Grande Comissão. Há custo e perigo em seguir a Cristo e homens são trabalhados por Deus a responderem a tais coisas.

Eu sou lembrado da gentil, porém sóbria exortação na epístola de Primeira João que expõe o conflito do cristão com o mundo, a carne e o diabo. “Eu vos escrevo,” o autor desafia, “... pais, filhos, jovens rapazes.”³

Nós poderíamos facilmente carregar mais essa cobrança – a todos os envolvidos no movimento missionário moderno:

Eu vos escrevo, Igreja, porque você sustém uma mensagem revolucionário e só precisa expô-la.

Eu vos escrevo, agências missionárias, porque vocês conhecem a paisagem e precisam traçar um caminho.

E eu vos escrevo, jovens rapazes, porque nós precisamos de você.

Sim, isso pode ser mais difícil para você. Difícil de abandonar as mentiras e a apatia. Difícil de prover um sustento e ser autoconfiante na sociedade. Difícil de entrar em relações dirigidas de forma transcultural. Difícil de encontrar o seu ministério em sua vocação. Mas o Evangelho precisa de homens. A vida cristã pode ser uma batalha, tanto que a Bíblia nos manda vestirmos uma armadura. O campo missionário é um campo de batalha, onde as forças e paixões de um homem são chamadas para serem gastas pela maior causa que a criação já conheceu: a causa de Cristo e a sua obra redentora para salvar este mundo. Isso requer coragem – coragem para sair da sonolência e entrar na briga. Isso requer humildade – para estar disposto a falhar ou pelo menos ser considerado um fracasso pelos seus colegas. Por fim, isso requer coragem – mais do que você tem, mas não mais do que a que Deus lhe dará.

“Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e tendes vencido o Maligno.” (1 Jo 2.14)

1.    1   AIM é uma agência missionária americana que atua na África

2.   2    Home Depot é uma loja de departamentos americana


3.   3    Em todas as traduções da Bíblia para o inglês o termo “jovem” em 1 João 2 é “Young Man”, que pode ser traduzido como “jovem rapaz”, especificando que os destinatários não eram jovens em geral, mas jovens homens.

Mike Delorenzo

Texto traduzido por: Igor Sabino