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sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Fabiano, o Soldados Amarelo e o Governo Perfeito (ou o Antídoto para nossas Vidas Secas)

Por Rodrigo Ribeiro

Fabiano é um personagem clássico da nossa literatura, oriundo das páginas do livro Vidas Secas do alagoano Graciliano Ramos, escrito em 1938, mas que permanece extremamente atual. A trama gira em torno de Fabiano e sua família lutando pela sobrevivência no sertão, propiciando um relato da saga dos retirantes e sua luta contra a seca.

O personagem é marcado pelo dilema com suas próprias limitações: ele julga-se limitado por sua falta de educação. Considera-se um bicho, alguém só pode utilizar sua força, visto que tem extrema dificuldade em pensar e se comunicar. Não se acha digno de ser chamado de homem, parece mais com os animais com os quais se relaciona com maior facilidade. Com relação aos homens, limita-se a obedecer.

Em determinado momento do livro, o vaqueiro envolve-se em uma confusão e acaba injustamente sendo especando e preso por um “soldado amarelo”. Neste momento sua cosmovisão acanhada entra em crise. Ele sempre se postou a favor do governo, afirmando até em certas ocasiões que apanhar do governo não era desfeita. Visualiza o governo como algo distante e perfeito. Mas diante dele estava um soldado amarelo que o oprimia injustamente. Como conciliar a idealização do governo com o homem que o representava de maneira tão falha e arbitrária?

E é aqui Fabiano se assemelha a muitos de nós, até mesmo os mais intelectuais que escondem seus pressupostos primitivos por detrás de toda a pompa acadêmica. Mas em essenciais nos assemelhamos muitos a esse vaqueiro. De que maneira? Sempre lidamos com as idealizações dos distantes. A messianização. Depositamos nossas esperanças em governos, ideologias, denominações e homens idealizados. E não percebemos que todos os governos são compostos de soldados amarelos injustos. O mesmo se aplica até mesmo às igrejas. Onde há homens, não cabe idealização.

É precisamente isto que acontece com o intelectual de esquerda que mira todas as suas esperanças em um estado idealizado que combaterá as injustiças do mercado cruel. O problema é que o estado é composto por homens. E homens são sempre cruéis a parte da graça de Deus. O mesmo se aplica aos que idolatram o mercado. Este também tem seus soldados. Diante disso tudo, somos todos “Fabianos”.

Mas reconhecer isso é o inicio da reação. Precisamos direcionar nossas esperanças para o lugar onde serão plenamente saciadas: JESUS CRISTO. Ele não tem falhas morais, nem promove injustiça alguma. Ele não é um soldado amarelo, mas sofreu a injustiça por parte dos soldados romanos em nosso favor. Ele sim é perfeito e sem mácula. Seu governo não tem fim. Somente Ele saciará nossa sede. Com ele não haverá mais vidas secas!

Rodrigo Ribeiro

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Neo pentecostalismo ou Neo messianismo?


Em meio à miséria do povo, surgiram homens que se intitulam enviados de Deus, e através de milagres, envolviam as multidões de miseráveis, os conduzindo a segui-lo de maneira cega, em busca do fim da injustiça, das desigualdades, das secas, enfermidades. Este fenômeno do século passado foi chamado de Messianismo, tendo marcas tão profundas na história do Brasil que se tornou um elemento da cultura nordestina, juntamente com o cangaço e outras manifestações culturais.

O discurso dos profetas do sertão se disseminou em meio à pobreza e o abandono, nos lugares onde o estado não chegava, tão pouco a igreja oficial da época, católica romana. De forma bastante carismática, estes andarilhos, embebeciam as multidões com demonstrações de poder e promessas de subversão da ordem social, implantando o reino de Deus em definitivos com todas as benesses materiais, acabado com o sofrimento daquele povo.

Alguns destes homens implantaram verdadeiros Estados paralelos, como no caso de Antônio Conselheiro, um dos mais célebres representantes do messianismo, mas outros protagonizaram matanças em rituais sanguinários, como no caso da Pedra Bonita. Mas a reação do poder político estabelecido quase sempre foi bastante hostil a estes grupos, citando como exemplo mais notórios o massacre de Canudos, onde nem crianças, mulheres e idosos foram poupados.

Ocorre que este movimento está longe de ser uma página virada em nossa história, e também não se trata de uma inovação brasileira. Os messias transloucados do sertão são os reflexos de uma situação espiritual muito mais antiga: Os falsos mestres. E no repertório destes lobos, frequentemente há uso de sinais miraculosos (Mateus 24:23-26). Os pregadores de falsos Cristos estão presentes desde sempre, mas assumem feições diferentes em contextos específicos.

Neste sentido, uma indagação torna-se inevitável: qualquer semelhança do discurso destes messias do passado com os atuais pregadores neo pentecostais é mera coincidência? A resposta sincera é não! São tão falsos mestres quanto os outros. Alimentam-se da pobreza, da ignorância e da cegueira espirituais tais quais os seus precursores. E ainda fazem usos de milagres e prodígios para validarem seus discursos carismáticos de poder, com uma forte carga mística, prometendo benefícios materiais a uma multidão faminta.

Bem que poderíamos chamá-los de PRÉ-NEO PENTECOSTALISMO, não é?

A mesma cegueira espiritual que brotava no castigado sertão, ainda tem alcançado a muitos de nosso país, e os falsos mestres, falsos apóstolos e bispos, tem se alimentando dos desvalidos espirituais para construir impérios. E esta é uma das grandes diferenças entre os antigos messias e os atuais: os da nova geração não perseguidos pelo poder político, alguns deles têm até aliança espúrias com os governantes, e também não vivem uma peregrinação miserável pelo sertão, mas gozam de bastante recursos e privilégio, sendo muitos destes milionários.

Diante destas contestações, acredito que a nomenclatura neo messiânicos faz mais jus a estes modernos pregadores de um falso evangelho do que o termo neo pentecostal, visto que apesar das discordâncias com os pentecostais, tal nomenclatura é ofensiva a estes, visto que não podem ser colocados junto com os charlatões da fé.

O Messianismo não morreu, e está presente aos nossos olhos, nos esperando em nossa televisão e na esquina da nossa casa. Talvez não haja mais um fim sangrento para seus seguidores, no entanto, caso persistam neste engano, um destino bem pior e terno os aguarda. Devemos denunciar as heresias destes falsos mestres, a fim de resgatar de suas mãos aqueles que pertencem ao Pai, afinal, só existe um Messias: Jesus Cristo, o Filho de Deus, que vive e reina para todo o sempre! Amém!

Que Deus ilumine o entendimento dos que depositam sua fé nesse homens, e nos dê a coragem e amor necessário para lutar contra o engano, proclamando o evangelho que salva tanto o sertanejo, como o sulista, ou o europeu. Salva todo o que Nele crê!


Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd