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quarta-feira, 18 de junho de 2014

A Verdade Sempre

Num dos lances do jogo de hoje entre Brasil e México, pela segunda rodada do grupo A da Copa do Mundo, num chute do atacante mexicano, o goleiro brasileiro Julio Cesar desviou a bola para escanteio e o juiz marcou tiro de meta. Comentei numa rede social que ele deveria ter dito ao árbitro sobre o toque. Se mesmo assim, ele mantivesse a marcação, aí já seria por conta do homem do apito. Olhando com a lente cristã, ao fazer isto Julio Cesar cometeu o pecado da mentira. O fato nos traz algumas lições interessantes:

1) Até onde eu saiba, Julio Cesar não é cristão. Logo, um comportamento desse entre os ímpios não é novidade nem deveria nos espantar. Mas cristãos de verdade deveriam corar de vergonha, ao acharem bom o árbitro não ter agido corretamente, nem o próprio Julio. É compactuar com o pecado.

2) Quantas vezes, no nosso dia a dia, somos beneficiados indevidamente por erros dos outros, e não tomamos a atitude correta? Muitas vezes se diz. Eu não tenho nada a ver se o erro foi dos outros. Problema deles. Não. Problema nosso. Se somos beneficiados indevidamente, então estamos com o que não é (ou não deveria) ser nosso. É roubo e mentira. 

3) Se quisermos agir verdadeiramente como sal e luz nesse mundo corrompido, devemos buscar sempre a verdade (Ef 4.25) e se preciso for, nos disponhamos a sofrer as consequências da obediência a Deus 
(Dn 1.8). 

4) Por fim, Jesus Cristo afirmou ser Ele a verdade (Jo 14.6). Enfim, abrir mão da verdade é abrir mão do próprio Cristo. É dizer que podemos andar sozinhos, sem ele, e sem necessidade de seus ensinos, que revelam a verdade de Deus. E se nos afastamos da verdade, andamos de mãos dadas com o pecado, não fazendo nossa luz brilhar diante dos homens (Mt 5.16) e Deus seja glorificado.

Não quero aqui levantar nenhuma bandeira legalista, mas sim a a bandeira do Evangelho, que nos tira da escravidão do pecado para a liberdade em Cristo, das trevas para a luz, da mentira para a verdade.

Deus nos abençoe.

Cicero Pereira

sábado, 5 de abril de 2014

Pão e Circo

Dar pão e circo para as pessoas se contentarem com a condição em que se encontram foi uma tática inventada pelo antigo Império Romano. Depois de uma grande expansão urbana e a tomada de vários territórios, o povo de parte desse império começou a ter dificuldades em seus vilarejos e passou a migrar para as cidades, principalmente para Roma, a capital imperial. O imperador, com medo de acontecer uma revolta dos desempregados, começou a distribuir alimento e proporcionar diversão ao povo. Assim o povo esquecia-se das dificuldades, bem como de arquitetar rebeliões e se contentava com sua condição de vida.

Pois bem, vemos dias semelhantes. Há três princípios malignos, que são características da nossa sociedade, que por fim, influenciam nossas igrejas, ainda que não tão perceptivelmente. São eles: 1º Entretenimento. 2º Superficialidade. 3º Bem-estar. Esses três princípios de vida regem a nossa hermenêutica de vida; ou seja, passamos a interpretar tudo a partir desses princípios.

Entretenimento: para a nossa tristeza, igrejas inteiras estão assumindo a agenda pós-moderna e profundamente envolvidas com o espírito do modismo. Aferir a realidade, juntamente com o bom senso (bom senso é a capacidade espiritual para aplicar o ensino das Escrituras ao nosso contexto), está cada vez mais raro em nosso meio. A realidade tem sido medida pelo que entretêm, diverte, distrai. Verdadeiramente, o entretenimento tem tomado conta das igrejas.  

Como funciona esse entretenimento? Não são poucas as igrejas que têm verdadeiros shows de preleção de auto-ajuda, dança, teatro e música dentro do momento que eles chamam de culto. São cultos regadosa gelo seco, luzes de efeito, piadas, efeitos visuais e rompantes de espiritualidade teatral. Cheios de emocionalismo (pessoas chorando sem parar), movimentos repetitivos com o corpo e repetições místico-frenéticas da letra ou refrão da música. Criando um legitimo culto hinduista (religião mística dos indianos), eivado por mantras (é uma constante repetição de sílabas e palavras a fim receber energia ou poder divino). Produzindo sensações psicológicas que são chamadas de unção do Espírito Santo.  

Há também os casos em que pessoas procuram ou estão na igreja por causa das festas, da diversão, das viagens, dos passeios, das confraternizações, dos acampamentos, do convívio social com pessoas de nível social elevado e etc. Tornando-se, assim, num clube, num SPA, num shopping, num hotel, num resort ou numa loja ou num pouco de tudo isso. Nesses lugares o cliente tem sempre a razão, como se diz, e deve ser impressionado.

Essa mente entretida produzida pelas novelas, filmes, shows, internet e adulada em muitas igrejas é fruto da vontade de querer sempre o prazer a todo custo. As igrejas locais aprenderam erroneamente que esse é o caminho do crescimento.  

Superficialidade: quem gosta do entretenimento, com certeza gosta de uma igreja superficial, onde os pecados não são tratados, onde pessoas que não querem ter compromisso com o Reino de Deus podem ficar a vontade dentro dela e não serão incomodadas, onde a pregação não é bíblico-doutrinaria e não pode ser longa, pelo contrário, deve ser bem curta e não pode ser contrária ao que sempre se entendeu como certo. Em hipótese alguma as pessoas podem sair dos cultos convictas dos seus pecados! Deve ser um momento agradável, onde o compromisso com a verdade seja bem superficial.

A superficialidade é gerada normalmente pela antropocentricidade, isto é, pelo desejo de fazer da igreja uma expressão da humanidade, do conhecimento humano, da vontade humana, da busca humana, das impressões do homem e da forma como estes querem servir a Deus ou seja, o homem, o ser humano é o centro da igreja. E da mesma forma que a antropocentricidade na igreja é gerada pela superficialidade, a superficialidade é alimentada pela antropocentricidade, que acaba se constituindo num circulo vicioso e retroalimentado.

Esse traço ensimesmado gera nos corações, a despeito da superficialidade e da ignorância, uma falsa impressão de conhecimento, de vanguarda, de inovação, de diferencial, de superioridade e etc. Mas a superficialidade e a ignorância causam isso mesmo, pessoas com estes traços são assim e não notam por uma questão de conseqüência do que são superficiais e ignorantes. Um cego pode ver? O asno se vê asno? Da mesmíssima forma são os superficiais e ignorantes, não se veem assim! 

É importante explicar que a superficialidade está relacionada com o conhecimento bíblico-doutrinário. A Bíblia claramente nos diz: O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porque tu, sacerdote, rejeitaste o conhecimento também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei te teus filhos.(Os 4: 6). Pessoas que estão freqüentando igrejas, inclusive pessoas que são oficiais da igreja, podem estranhamente ser profundamente superficiais, reluzentemente ignorantes ou acentuadamente impermeáveis ao saber bíblico. Em outras palavras, preferem a inerte e a infrutífera superficialidade.

Bem-estar: ora, se o entretenimento e a superficialidade estão arraigados numa igreja, é porque o bem-estar está em primeiro lugar. O entretenimento faz com que as pessoas fiquem satisfeitas, não incomodadas, distraídas e sem o real senso de existência e de missão. Atrelado a isso, a superficialidade serve como um tapete que nunca se acaba, que sempre proporciona um bom, limpoe honradolugar para pisar e assim continuar a caminhar nas veredas do entretenimento. Ninguém é incomodado e ninguém incomoda ninguém, mesmo porque se sentir mal é “pecado. É isso mesmo, o bem-estar é a motivação de tudo isso (os fins justificando os meios). O maior mandamento da igreja dos últimos 200 anos é o bem-estar – “qualidade de vida.

A Igreja esqueceu que ela é coluna e baluarte da verdade: para que, se eu tardar, fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade.(1Tm 3:15). A responsabilidade da Igreja é apoiar, reforçar e assim salvaguardar o verdadeiro ensino. Ela esqueceu ainda que foi chamada para proclamar as virtudes de Cristo e o vício dos homens o pecado! Por isso, a igreja também foi chamada para sofrer, porque é piedosa e diferente do mundo. A Igreja deve viver para a verdade, pela verdade e com a finalidade última de glorificar a Deus por meio da verdade. Deus não é glorificado com a mentira do entretenimento, da superficialidade e do bem-estarisso é pão e circo.


Rev. Renan de Oliveira

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

A Arrogância Evangélica

A Igreja cristã protestante sempre foi conhecida por sua postura firme e convicções resolutas em relação a sua fé. As firmes convicções doutrinárias defendidas ao longo do tempo e a resistência à união com falsas crenças, culminaram por atrair a antipatia de muitos, se tornando alvo de críticas, com acusações de serem arrogantes, radicais, intolerantes, alienados, entre outros termos pejorativos. Críticas estas vindas por parte daqueles que não confessam a religião revelada nos Escritos sagrados e querem a todo custo promover a união de todos os credos num movimento da religião moderna conhecido por ecumenismo.

O ecumenismo nos moldes atuais nada mais é do que uma tentativa humana de unir todos os credos, pretendendo assim, abraçar todas as diferenças em nome da paz. Apontando a tolerância como elo de harmonia entre as diferenças, o movimento apresenta um aparente discurso inclusivista e livre de qualquer preconceito.

Agora atentemos para o seu significado bíblico. Ecumenismo vem de uma palavra grega que originalmente significa “todo o mundo habitado” (Mt 24.14; At 17.26; Hb 2.5). O ecumenismo bíblico, por sua vez, é totalmente diferente da união sincretista da religião moderna, pois trata da unidade de um grande povo formado não exclusivamente por uma linhagem segundo a carne, mas que abarca pessoas de diferentes raças, tribos e nações, e que tem em comum a semente da fé em Cristo Jesus. Escolhidos segundo a graça eletiva de Deus, revelada primeiramente em Abraão, mas estendida a todos os santos espalhados pela terra e que estarão diante do trono de Deus glorificando-o para sempre.

Fica evidente que o posicionamento reformado deve-se aquilo que as Escrituras apontam como a verdadeira unidade religiosa e nada tem haver com ódio e intolerância, como propagado pelos que defendem o pluralismo religioso. O Senhor Jesus orou para que todos fossem um, mas enfatizou que esta unidade só poderia ser possível se fincada na verdade. “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17.17); “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um [...]” (Jo 17.21,22). Portanto, fora deste princípio qualquer tentativa de comunhão será falsa e danosa para o povo de Deus.

A luta pela verdade sobrepõem-se a qualquer outra tentativa de unidade religiosa. Martinho Lutero sintetizou bem a condição bíblica de unidade quando considerou que deveríamos buscar a paz, se possível, mas a verdade a todo custo. Então, o que eles chamam de arrogância, é na verdade a firme convicção de fé reformada. Temos certeza sobre no que cremos e isto não nos foi revelado por homens, mas pelo próprio Deus através das Escrituras. Esta sociedade pós moderna rotula de arrogantes aos que tem certeza no que crêem, pois eles mesmo não sabem no que acreditam, crêem em tudo e em nada ao mesmo tempo, estão completamente perdidos, pois negam-se a glorificar a Deus (Rm 1.21).

Outra acusação leviana sofrida pelos protestantes é a de causarem divisão e discórdia na Igreja por motivos supérfluos. Mas este nunca foi o interesse dos reformados, aliás, vale ressaltar que nem foi esta também a intenção dos primeiros reformadores, que procuraram manter a unidade evangélica de forma coerente com as Escrituras, objetivo este impossível de ser alcançado por motivos históricos já bem conhecidos.

Em suma, não importa que sejamos falsamente tidos por arrogantes, e tachados por cristãos extremistas, lutemos juntos pela fé evangélica (Fl 1.27) com coragem e ousadia para denunciarmos o falso ecumenismo, disfarçado de tolerância e harmonia, mas que na verdade representa uma séria ameaça à unidade orgânica da Igreja do Senhor Jesus. Descansemos no que disse o Apóstolo Pedro inspirado por Deus: Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus (1 Pe 4.14).

Ericon Fábio

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Novos Desafios a Fé Evangélica

Vivemos em um contexto onde a Igreja de Deus tem enfrentado crises tremendas, por não perceber em que âmbito está inserida. A sociedade busca a satisfação no efêmero, no fragmentário e no caótico. Não há mais um interesse pelo conteúdo do que se prova e sim, uma busca desesperada por satisfazer os sentidos, sem que haja um sentimento de culpa. Essa sociedade apresenta novos desafios à fé evangélica.

Existe um abismo entre o movimento pós-moderno e o cristianismo, no que diz respeito a uma compreensão mais apurada do mesmo em relação ao movimento do tempo presente, o qual denominamos pós-modernismo. A igreja encontra-se de mãos atadas por não saber como ser “boca de Deus” em uma sociedade que não tem seus padrões pautados na verdade, pois a verdade é relativa no meio de um povo que odeia os absolutos. O que vale é o que “dá certo” e não aquilo que é certo. O entretenimento substituiu, em boa parte das nossas igrejas, a vocação daqueles aos quais Deus chamou. É triste perceber como a hermenêutica dos sentidos tem imperado no evangelicalismo brasileiro de forma surpreendente. Nisto percebemos a influência do pós-modernismo na atmosfera moral do povo evangélico brasileiro, onde tudo é feito sem uma real compreensão dos ritos.

A pós-modernidade tem se infiltrado de forma sutil no meio evangélico, através da filosofia, da arte, da musica, da cultura e por último, através da teologia. Não se sabe mais, à luz do campo visual, quem verdadeiramente é regenerado ou não, pois a grande marca dessa sociedade na qual estamos inseridos é a confusão daquilo que é verdade, a saber, a palavra de Deus. Chega até ser difícil, defender a fé cristã se não for baseada em uma apologética pressuposicional, e mais ainda, numa apologética relacional, onde os indivíduos são atraídos para o evangelho através de relacionamentos significativos entre crentes e não crentes. Desprezando solenemente o aviso bíblico. Isaías 5:20 Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo!

Enfim, é necessário que se tenha uma compreensão do momento em que se encontra a sociedade, para então, podermos atuar de forma significativa nesse contexto chamado pós-modernidade. Ou pagaremos o preço e seremos extintos.

Pr. Heliormar Dias

quarta-feira, 22 de maio de 2013

A Maior de Todas as “Heresias” Protestantes


Comecemos com uma pergunta de prova de história da igreja. O cardeal Roberto Belarmino (1542-1621) não foi uma figura para se desconsiderar. Ele era o teólogo pessoal do Papa Clemente VIII e uma das figuras mais capazes no movimento de Contra-Reforma no Catolicismo Romano do século dezesseis. Em uma ocasião, ele escreveu: “A maior de todas as heresias protestantes é ______________.” Complete, explique e discuta a afirmação de Berlarmino.

Como você responderia? Qual a maior de todas as heresias protestantes? Talvez a justificação pela fé? Talvez o Sola Scriptura, ou uma das palavras de ordem da Reforma?

Tais resposta fazem sentido lógico. Mas nenhuma delas completam a frase de Belarmino. O que ele escreveu foi: “A maior de todas as heresias protestantes é a certeza.”

Um momento de reflexão explica o motivo. Se a justificação não é apenas pela fé, apenas por Cristo, apenas pela graça — se a fé precisa ser completada por obras; se a obra de Cristo é de alguma maneira repetida; se a graça não é gratuita e soberana, então alguma coisa sempre precisa ser feita, ser “adicionada” para que a justificação final seja nossa. Este é exatamente o problema. Se a justificação final é dependente de algo que temos de completar, não é possível desfrutar da certeza de salvação. Pois então, teologicamente, a justificação final é contingente e incerta, e é impossível para qualquer um (à parte de uma revelação especial, concedida por Roma) ter certeza da salvação. Mas se Cristo fez tudo, se a justificação é pela graça, sem obras contributivas; é recebida pelas mãos vazias da fé — então a certeza, mesmo “certeza completa” é possível para todo crente.

Não me admira que Belarmino tenha pensado que a plena, gratuita e irrestrita graça era perigosa! Não me admira que os Reformadores tenham amado a carta aos Hebreus!

Eis o motivo. Conforme o autor de Hebreus pausa para respirar no clímax de sua exposição da obra de Cristo (Hebreus 10:18), ele continua seu argumento com um “pois” ao estilo de Paulo (Hebreus 10:19). Ele, então, nos urge a aproximarmo-nos “em plena certeza de fé” (Hebreus 10:22). Nós não precisamos reler toda a carta para ver o poder lógico de seu “pois”. Cristo é nosso Sumo Sacerdote; nossos corações foram purificados de uma má consciência assim como nossos corpos foram lavados com água pura (v.22).

Cristo se tornou de uma vez por todas o sacrifício por nossos pecados, e foi ressurreto e vindicado no poder de uma vida indestrutível como nosso sacerdote representativo. Pela fé nele, somos justos diante do trono de Deus como ele é justo. Por sermos justificados em sua justiça, sua justificação singular é nossa! E nós podemos perder essa justificação tanto quanto ele pode cair do céu. Assim, nossa justificação não precisa ser completada nada mais do que a justificação de Cristo precisa!

Com isso em vista, o autor diz: “com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados” (Hebreus 10:14). A razão pela qual podemos ficar de pé diante de Deus em plena certeza é porque agora experimentamos nossos corações “purificados de má consciência” os corpos “lavados com água pura” (Hebreus 10:22).

“Ah,” replicou a Roma do Cardeal Berlamino, “ensine isso e aqueles que creem nisso viverão em licença e antinomismo.” Mas ouça, então, à lógica de Hebreus. Desfrutar desta certeza leva a quatro coisas: Primeiro, uma firme fidelidade à nossa confissão de fé apenas em Jesus Cristo como nossa esperança (v.23); segundo, uma cuidadosa consideração de como podemos encorajar uns aos outros ao “amor e às boas obras” (v.24); terceiro, uma comunhão contínua com outros cristãos em adoração e todo aspecto de nossa amizade (v.25a); quarto, uma vida na qual exortamos uns aos outros para nos mantermos olhando para Cristo e sendo fieis a ele, conforme o tempo de sua volta se aproxima (25b).

Esta é a boa árvore que produz bons frutos, não o contrário. Nós não somos salvos pelas obras; somos salvos para as obras. De fato, nós somos o trabalho de Deus trabalhando (Efésios 2:9-10)! Assim, ao invés de levar a uma vida de indiferenças moral e espiritual, a obra definitiva de Jesus Cristo e a plena certeza da fé que ela produz, fornece aos crentes o mais poderoso ímpeto para viver para a glória e o prazer de Deus. Ademais, tal plena certeza é arraigada no fato de que o próprio Deus fez tudo isso por nós. Ele revelou seu coração a nós em Cristo. O Pai não requer a morte de Cristo para persuadi-lo a nos amar. Cristo morreu porque o Pai nos ama (João 3:16). Ele não está à espreita atrás de seu Filho com um intento sinistro desejando nos fazer mal se não fosse pelo sacrifício que seu Filho fez! Não, mil vezes não! — o próprio Pai nos ama no amor do Filho e no amor do Espírito.

Aqueles que desfrutam de tal certeza não vão aos santos ou a Maria. Aqueles que olham apenas para Jesus não precisam olhar para nenhum outro lugar. Nele nós desfrutamos a pena certeza da salvação. A maior de todas as heresias? Se for uma heresia, deixe-me desfrutar da mais bendita de todas as “heresias”! Pois ela é a verdade e a graça do próprio Deus!

Por Sinclair Ferguson. Extraído do site ligonier.org. © Ligonier Ministries. Original: What is the Greatest of All Protestant “Heresies”?
Tradução: Alan Cristie
Fonte: Editora Fiel

Autor: Sinclair Ferguson

Intercâmbio Feito por Walber Arruda

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

É proibido julgar? Com a Palavra Augustus Nicodemus

Ainda recentemente participei de uma discussão no Facebook com vários de meus amigos onde uma moça aborreceu-se com alguns comentários feitos a um terceiro (não por mim, garanto!) e retirou-se zangada, dizendo que Jesus havia ensinado que não se devia julgar os outros.


Eu sei que existem situações em que julgar é realmente errado, mas aquela não era uma destas situações. A pessoa que estava sendo "julgada" tinha feito declarações e expressado suas opiniões e os outros simplesmente estavam avaliando e rejeitando as mesmas. A atitude da mocinha, que ficou sentida, ofendida e magoada, é infelizmente comum demais no meio evangélico moderno, onde as pessoas usam as famosas palavras de Jesus de maneira errada como argumento em favor de que devemos aceitar tudo o que os outros dizem e fazem, sem pronunciarmos qualquer juízo de valor que seja contrário.

Mas, foi isto mesmo que Jesus ensinou? A passagem toda vai assim:

"Não julgueis, para que não sejais julgados.
Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também.
Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio?
Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu?
Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão.
Não deis o que é santo aos cães Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos dilacerem." (Mateus 7:1-6)

Alguns pontos ficam claros da passagem.

1) O que Jesus está proibindo é o julgamento hipócrita, que consiste em vermos os defeitos dos outros sem olharmos os nossos. O Senhor determina que primeiro nos examinemos e nos submetamos humildemente ao mesmo crivo que queremos usar para medir e avaliar o procedimento e as palavras dos outros. E que, então, removamos a trave do nosso olho,  isto é, que emendemos nossos caminhos e reformemos nossa conduta.

2) Em seguida, uma vez que enxerguemos com clareza, o próprio Senhor determina que tiremos o argueiro do olho do nosso irmão. O que ele quer evitar é que alguém quase cego com um tronco de árvore no olho tente tirar um cisco no olho de outro. Mas, uma vez que estejamos enxergando claramente, após termos removido o entrave da nossa compreensão e percepção, devemos proceder à remoção do cisco do olho de outrem.

3) Jesus faz ainda uma outra determinação no versículo final da passagem (verso 6) que só pode ser obedecida se de fato julgarmos. Pois, como poderemos evitar dar  nossas coisas preciosas aos cães e aos porcos sem primeiro chegarmos a uma conclusão sobre quem se enquadra nesta categoria? Visto que é evidente que Jesus se refere a pessoas que se comportam como porcos e cães, que não vêem qualquer valor no que temos de mais precioso, que são as coisas de Deus. Para que eu evite profanar as coisas de Deus preciso avaliar, analisar, examinar e decidir - ou seja, julgar - a vida, o comportamento e as declarações das pessoas ao meu redor.

Fica claro, então, que o Senhor nunca proibiu que julgássemos os outros, e sim que o fizéssemos de maneira hipócrita, maldosa e arrogante. Julgar faz parte essencial da vida cristã. Somos diariamente chamados a exercer o papel de juízes movidos por amor pelas pessoas e zelo pelas coisas de Deus. 

Quem nunca julga contribui para que o erro se propague, para que as pessoas continuem no erro. São pessoas sem convicções. Elas se tornam coniventes e cúmplices das mentiras, heresias e atos imorais e anti-éticos dos que estão ao seu redor. Paulo disse a Timóteo, "A ninguém imponhas precipitadamente as mãos. Não te tornes cúmplice de pecados de outrem. Conserva-te a ti mesmo puro" (1Tim 5:22). Não consigo imaginar de que maneira Timóteo poderia cumprir tal orientação sem exercer julgamento sobre outros.

Em resumo, julgar não é errado, cumpridas estas condições: a) que primeiro nos examinemos; b) que nos coloquemos sob o mesmo juízo e estejamos prontos para admitirmos que nós mesmos estamos sujeitos a errar, pecar e dizer bobagem; c) que nosso alvo seja ajudar os outros a acertar e consertar o que porventura fizeram ou disseram.

Augustus Nicodemus Lopes
Disponível em < http://tempora-mores.blogspot.com.br/2011/07/e-proibido-julgar.html >

Intercambio feito por:

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Conhecer a Verdade nos traz proteção

      Vivemos na era da informação, da internet, do imediatismo e da futilidade. Com muita facilidade as pessoas tem acesso a todo tipo e informação, mas o problema é saber qual a informação que é confiável, que é verdadeira ou até que é edificante. A internet é ótima, com ela essa era da informação acelerou anos luz de velocidade. O mundo está cada vez mais conectado, e a relação tempo e espaço se transformou, pois o que era longe se tornou tão perto. Mas a Internet como um canal informativo é como uma “faca de dois gumes”, tem o lado bom e o lado ruim. E esse mundo de informação via internet levou a entrar em cena o imediatismo, ou seja, não temos paciência com coisas demoradas, de ler textos longos (e espero que esse que escrevo seja curto para que você leia. rsrsrsrs). Mas vamos pensar um pouco, vivemos na era da informação e internet, então a população deve estar mais informada e inteligente, certo? É, infelizmente não, o que vemos é a valorização das futilidades, do banal, da proliferação do infrutífero. O que é lamentável. 
      Mas nem tudo estar perdido, pois a base do relacionamento com Deus vem pelo conhecimento. Quando o povo deixa de buscar esse conhecimento se perde: “Meu povo se perde por falta de conhecimento”. (Oséias 4:6). Essa observação feita por Deus nos chama a atenção para a busca de conhece-lo infinitamente, e esse conhecimento estar ligado ao relacionamento. Quando os saduceus interrogaram Jesus acerca da ressurreição, ele respondeu que eles erraram na sua doutrina porque não conheceram "as Escrituras, nem o poder de Deus"(Mateus 22:29). Para corrigi-los, ele começou dizendo: "Não tendes lido o que Deus vos declarou...?" (Mateus 22:31). Muitos alegam que a Bíblia é difícil demais para entender. Pensando assim, acabam errando da mesma maneira que os saduceus, seguindo suas próprias ideias e doutrinas de homens ao invés de dar à Bíblia a atenção e estudo honesto que Deus requer. Muitos hoje vivem pela doutrina do achismo, não têm convicções firmes, apenas acham isso ou aquilo. O fato de existirem muitas seitas, doutrinas e interpretações não deve nos desanimar em relação à verdade pura que se revela na palavra de Deus. O apóstolo Pedro avisa que como "surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres", e que "os ignorantes e instáveis deturpam...as...Escrituras, para a própria destruição deles" (2 Pedro 2:1, 3:16). Isto deve nos incentivar a sermos mais zelosos na leitura e estudo para entender a palavra de Deus, a fim de sermos por ele aprovados (veja 2 Timóteo 2:15). Meu pastor sempre fala que para diferenciarmos uma cédula falsa de uma verdadeira, é necessário que venhamos a conhecer a verdadeira, pois a partir daí saberemos identificar as falsas. Quanto mais valorizarmos a Verdade de Deus, nos protegeremos das falsas doutrinas. O Salmo 119 nos alerta a buscarmos o conhecimento na Palavra de Deus. Que venhamos a buscar a informação, usar a internet para o que realmente acrescenta em nossas vidas, tanto intelectual, quanto espiritual, e investir tempo no que edifica.

Tomai também o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus; (Efésios 6:17).

Graça e Paz a todos.
Vando Felix


Vando é professor de Geografia em 
Rio Tinto e Mataraca., cristão reformado e crítico com fundamento por nova natureza !