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terça-feira, 30 de abril de 2013

Sinceros no Inferno

O “fenômeno” (ou desastre) Neopentecostal está cada vez mais firmando dentro de nossas igrejas, até mesmo nas mais tradicionais. Raras são as que relutam e posicionam-se contra tais princípios que a luz das Escrituras Sagradas são heréticos. Um dos principais ensinos que estes falsos mestres veem ensinando é que a “Doutrina”, a “ortodoxia”, o “Credo”, ou qualquer outra coisa que envolva o estudo de Teologia são danosos para o corpo de Cristo, fazendo-o enfraquecer e causando divisão. Eles utilizam o texto de 2 Coríntios 2:6 “A letra mata, mas o espírito que vivifica” para fundamentar seu argumento. Paulo nunca se colocaria contra o estudo da teologia, tendo em vista que Paulo fora um dos maiores estudiosos das escrituras que já existiu. Mas afinal, o que o apóstolo queria dizer com tal afirmação? Vou me utilizar de um comentário acerca desta passagem: “Acerca de Coríntios 2.6, Paulo estava falando sobre a superioridade da nova aliança sobre a antiga. A morte causada pela letra realmente é espiritual, porém, é bom salientar que se trata de uma alusão ao código escrito da lei mosaica. A lei mata porque demanda obediência irrestrita, mas não proporciona poder para isso. É representada pelas tábuas de pedra (3.3). Por outro lado, o espírito vivifica porque escreve a lei de Deus em nossos corações, trazendo-nos a vida em medida muito maior do que realizava sob a antiga aliança. É representado pelas tábuas da carne (3.3). Portanto, como podemos ver, o texto comentado não fundamenta, em qualquer instância, a rejeição aos estudos teológicos.” ¹

Afirmar que esta passagem está se referindo ao poder destrutivo da doutrina é se utilizar da mesma estratégia de satanás ao tentar Jesus usando a passagem de Salmos 91:11.

A verdade é que as igrejas evangélicas de hoje têm “comichão nos ouvidos” (2Tm.4-3) e  não querem aprender e se aprofundar no estudo da Palavra de Deus. As consequências de tal fato são catastróficas, pois as igrejas estão formando “Crentes carnais” que estão indo para o inferno achando que estão caminhando para o céu. Isso porque foram ensinados que a ortodoxia limita, a doutrina divide, e que em vez de estudar teologia ou se aplicar no estudo das escrituras elas devem seguir o próprio coração, pois o que importa é a intenção e a sinceridade com o que você faz qualquer coisa.

 Enquanto os pregadores ensinam dessa forma, a Bíblia defende totalmente o contrário, e aqui irei deixar claras as contradições do ensino Neopentecostal em relação às Escrituras Sagradas.


1. Não devemos confiar nas intenções do nosso coração.


 “O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa e sua doença é incurável. Quem é capaz de compreendê-lo? “ Jeremias 17:9


O profeta Jeremias não aliviou ao falar da corrupção coração humano. Desde a Queda de Adão o homem perde a capacidade de buscar a Deus (Rm 3), todas as inclinações do seu coração são pecaminosas, sua carne anseia pelo pecado e odeia a justiça. O ser-humano satisfaz exclusivamente a carne, sendo assim impossível agradar a Deus (Rm 8.5-8).

Após o novo nascimento, o homem que estava na carne, agora é nascido do espirito. E no lugar de seu coração de pedra (insensível a Deus) é lhe dado um coração de carne (Capaz de atender ao chamado de Deus). Então desta forma podemos crer que nosso coração posteriormente ao novo nascimento se torna integralmente confiável? A resposta é não!

É verdade que após a regeneração tempos condições de agradar a Deus, mas também é verdade que ainda não experimentamos a redenção por completo, e que ainda não estamos livres totalmente do pecado, pois ainda temos a nossa carne, que por sua vez milita contra o espirito, onde ganha quem for mais alimentado. (Gl 5.17). O fato é que algumas vezes que escutamos nossos corações estamos a escutar O Espirito Santo falando conosco, mas muitas das vezes quem está falando é nossa carne. 


Conclusão Bíblica

É válido confiar em nosso coração não regenerado? Não. É válido confiar em nosso coração regenerado? Sim, mas com o auxilio das Escrituras sagradas para saber se tal intenção ou sensação provém da carne ou se é ação do Espirito Santo.


2. Devemos ter a Palavra revelada de Deus como nossa única regra de Fé e Prática.

Uma das principais bandeiras levantadas pela reforma protestante foi o Sola Scriptura. Principio este que foi abandonado na modernidade pela maioria das instituições que se denominam evangélicas.

Vou citar alguns dos motivos pelos quais devemos estar sujeitos somente a Palavra revelada de Deus como nosso guia:

- Pelo testemunho que Cristo dava das escrituras.

Cristo tinha um zelo muito grande pelas escrituras, Jesus fazia questão de afirmar sempre que tudo que Ele fazia era para que se cumprisse “o que estava escrito.” A Bíblia dá testemunho a respeito do Messias, ao mesmo tempo em que Ele testemunhava á cerca das escrituras.

- Pelo testemunho que os escritores inspirados por Deus dava das escrituras.

O salmista Davi gastou muito tempo de sua vida escrevendo a respeito da perfeição, da importância e da imutabilidade da Palavra de Deus. Os profetas nos mostram a confiabilidade das profecias contidas neste livro, pois muitas se cumpriram, e algumas ainda se cumprirão. O apóstolo Pedro afirma que embora tudo passe, a Palavra de Deus é eterna. O apóstolo Paulo na sua carta a Timóteo, afirma a autoridade e suficiência das escrituras para toda boa obra.

Conclusão Bíblica

Á vista de que nossa carne muitas vezes quer nos enganar, e que quase sempre não sabemos discernir entre o que provém ou não de Deus, temos que nos apegar firmemente a Bíblia, assim como faziam os Bereanos, que se tornaram exemplos para todos os Cristãos por ter a plena convicção de que a Palavra de Deus, e somente ela é a verdade (At.17-11), pois este é o ensino da própria escritura e de Jesus Cristo, reafirmado pelos reformadores.


3. Nossas boas intenções, podem nos fazer pensar que corremos em direção ao céu, quando na verdade estamos a caminho do inferno.

Em Mateus capitulo 7 Jesus Cristo nos da um panorama assustador. Ele descreve a cena do Juízo final, onde o Deus mostrará toda sua justiça condenando os ímpios ao inferno. Essa já é uma verdade amedrontadora, pois como diria o autor de Hebreus: “Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo.” Mas a lição mais assustadora desta passagem de Mateus é que: “Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas?
E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade. ( Mt 7.22-23 )”
Percebe o que está acontecendo? As pessoas foram pegas de surpresa. Acharam que teriam a vida eterna, e que seriam absorvidas da condenação. Mas o veredicto de Jesus foi o pior que qualquer ser-humano poderia escutar: “APARTAI-VOS DE MIM!”. O messias acabara de condenar aquelas pessoas a uma eternidade longe da presença dEle, onde haverá choro e ranger de dentes, fogo consumidor, qualquer ausência de satisfação ou prazer. E aquelas pessoas não eram Ateístas, ou budistas, ou de qualquer outra religião. Elas pensavam que eram Cristãs, elas realmente pensavam que estavam indo para o céu, elas eram SINCERAS, mas estavam SINCERAMENTE erradas!

Conclusão Bíblica

Devemos ter muito cuidado, e sempre estarmos nos botando á prova, para sabermos se estamos realmente na fé (2 Co.13-5). E como faremos isto? Meditando na Lei de Deus, nas suas ordenanças e nos seus estatutos. Os livros de 1 e 2 João foram escritos para que os Crentes possam ter certeza Bíblica de salvação, devemos nos aplicar no estudo e compreensão de tais cartas. Pois não basta confessarmos á Jesus como Senhor, mas temos que fazer a vontade de Deus, que está expressa na sua Palavra.

“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.” 
Mateus 7:21


                                  

Como disse alguém:

   “Se tratarmos as escrituras de maneira errada, creremos no deus errado, embarcaremos na salvação errada e vamos parar no CÉU ERRADO.”


Citações:
¹
http://bereianos.blogspot.com.br/2007/11/letra-mata-marginalizao-do-estudo.html#.UX8P3qKmitY


Guilherme Barros

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

É proibido julgar? Com a Palavra Augustus Nicodemus

Ainda recentemente participei de uma discussão no Facebook com vários de meus amigos onde uma moça aborreceu-se com alguns comentários feitos a um terceiro (não por mim, garanto!) e retirou-se zangada, dizendo que Jesus havia ensinado que não se devia julgar os outros.


Eu sei que existem situações em que julgar é realmente errado, mas aquela não era uma destas situações. A pessoa que estava sendo "julgada" tinha feito declarações e expressado suas opiniões e os outros simplesmente estavam avaliando e rejeitando as mesmas. A atitude da mocinha, que ficou sentida, ofendida e magoada, é infelizmente comum demais no meio evangélico moderno, onde as pessoas usam as famosas palavras de Jesus de maneira errada como argumento em favor de que devemos aceitar tudo o que os outros dizem e fazem, sem pronunciarmos qualquer juízo de valor que seja contrário.

Mas, foi isto mesmo que Jesus ensinou? A passagem toda vai assim:

"Não julgueis, para que não sejais julgados.
Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também.
Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio?
Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu?
Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão.
Não deis o que é santo aos cães Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos dilacerem." (Mateus 7:1-6)

Alguns pontos ficam claros da passagem.

1) O que Jesus está proibindo é o julgamento hipócrita, que consiste em vermos os defeitos dos outros sem olharmos os nossos. O Senhor determina que primeiro nos examinemos e nos submetamos humildemente ao mesmo crivo que queremos usar para medir e avaliar o procedimento e as palavras dos outros. E que, então, removamos a trave do nosso olho,  isto é, que emendemos nossos caminhos e reformemos nossa conduta.

2) Em seguida, uma vez que enxerguemos com clareza, o próprio Senhor determina que tiremos o argueiro do olho do nosso irmão. O que ele quer evitar é que alguém quase cego com um tronco de árvore no olho tente tirar um cisco no olho de outro. Mas, uma vez que estejamos enxergando claramente, após termos removido o entrave da nossa compreensão e percepção, devemos proceder à remoção do cisco do olho de outrem.

3) Jesus faz ainda uma outra determinação no versículo final da passagem (verso 6) que só pode ser obedecida se de fato julgarmos. Pois, como poderemos evitar dar  nossas coisas preciosas aos cães e aos porcos sem primeiro chegarmos a uma conclusão sobre quem se enquadra nesta categoria? Visto que é evidente que Jesus se refere a pessoas que se comportam como porcos e cães, que não vêem qualquer valor no que temos de mais precioso, que são as coisas de Deus. Para que eu evite profanar as coisas de Deus preciso avaliar, analisar, examinar e decidir - ou seja, julgar - a vida, o comportamento e as declarações das pessoas ao meu redor.

Fica claro, então, que o Senhor nunca proibiu que julgássemos os outros, e sim que o fizéssemos de maneira hipócrita, maldosa e arrogante. Julgar faz parte essencial da vida cristã. Somos diariamente chamados a exercer o papel de juízes movidos por amor pelas pessoas e zelo pelas coisas de Deus. 

Quem nunca julga contribui para que o erro se propague, para que as pessoas continuem no erro. São pessoas sem convicções. Elas se tornam coniventes e cúmplices das mentiras, heresias e atos imorais e anti-éticos dos que estão ao seu redor. Paulo disse a Timóteo, "A ninguém imponhas precipitadamente as mãos. Não te tornes cúmplice de pecados de outrem. Conserva-te a ti mesmo puro" (1Tim 5:22). Não consigo imaginar de que maneira Timóteo poderia cumprir tal orientação sem exercer julgamento sobre outros.

Em resumo, julgar não é errado, cumpridas estas condições: a) que primeiro nos examinemos; b) que nos coloquemos sob o mesmo juízo e estejamos prontos para admitirmos que nós mesmos estamos sujeitos a errar, pecar e dizer bobagem; c) que nosso alvo seja ajudar os outros a acertar e consertar o que porventura fizeram ou disseram.

Augustus Nicodemus Lopes
Disponível em < http://tempora-mores.blogspot.com.br/2011/07/e-proibido-julgar.html >

Intercambio feito por: