quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Provérbios: Um Miniguia para a Vida

Em minha leitura bíblica diária do ano passado, li o capítulo 3 de Provérbios, uma passagem que preguei e estudei muitas vezes. Porém, durante essa leitura, percebi que, dos versos 3 a 12, temos todos os temas do resto do livro, e, portanto, um miniguia para uma vida de fidelidade. Existem cinco coisas que constituem uma vida sábia e piedosa. Elas funcionam tanto quanto meios para tornarmo-nos sábios e santos, quanto como sinais de que estamos crescendo nesta vida:
1. Coloque a mais profunda confiança de seu coração em Deus e em sua graça. Todos os dias lembre a si mesmo do amor incondicional e pactual de Deus por você. Não coloque suas esperanças em ídolos ou em seu próprio desempenho.
“Que o amor e a fidelidade jamais o abandonem; prenda-os ao redor do seu pescoço, escreva-os na tábua do seu coração. Então você terá o favor de Deus e dos homens, e boa reputação. Confie no Senhor de todo o seu coração.” (Provérbios 3.3-5a)
2. Submeta toda sua mente à Escritura. Não pense que você sabe mais que a Palavra de Deus. Coloque-a em prática em todas as áreas da vida. Torne-se uma pessoa sob autoridade.
“Não se apóie em seu próprio entendimento; reconheça o Senhor em todos os seus caminhos, e ele endireitará as suas veredas.” (Provérbios 3.5b-6)
3. Seja humilde e ensinável em relação aos outros. Seja perdoador e compreensivo quando você desejar criticá-los; esteja pronto a aprender dos outros quando eles vierem criticar você.
“Não seja sábio aos seus próprios olhos; tema o Senhor e evite o mal. Isso lhe dará saúde ao corpo e vigor aos ossos.” (Provérbios 3.7,8)
4. Seja generoso com todas as suas posses, e apaixonado pela justiça. Compartilhe seu tempo, talento e tesouros com aqueles que têm menos.
“Honre o Senhor com todos os seus recursos e com os primeiros frutos de todas as suas plantações; os seus celeiros ficarão plenamente cheios, e os seus barris transbordarão de vinho.” (Provérbios 3.9,10)
5. Aceite e aprenda a partir de dificuldades e sofrimento. Por meio do Evangelho, reconheça-as não como castigo, mas como uma maneira de te aperfeiçoar.
“Meu filho,não despreze a disciplina do Senhor nem se magoe com a sua repreensão, pois o Senhor disciplina a quem ama,assim como o pai faz ao filho de quem deseja o bem.” (Provérbios 3.11,12)
Enquanto meditava nesses cinco elementos – firmar-se em sua graça, obedecer e deleitar-se em sua Palavra, humilhar-se diante dos outros, sacrificar-se generosamente por nosso próximo, e perseverar nas provações – pensava em Jesus. O Novo Testamento nos conta que a “sabedoria divina” personificada do Antigo Testamento é, na realidade, Jesus (Mt 11.19). E eu percebi que: a) ele mostrou a fidelidade e confiança definitivas a Deus e a nós ao ir à cruz, b) ele era moldado e estava saturado pela Escritura, c) ele era manso e humilde de coração (Mt 11.28-30), d) ele, embora rico, se fez pobre por nós, e) ele aceitou seu sofrimento por nós, sem reclamar. Somente cresceremos nessas cinco áreas se soubermos que fomos salvos por uma graça valiosa. Isso te guarda dos ídolos, da autossuficiência e do orgulho, do egoísmo com suas coisas, e de desmoronar diante de problemas. Jesus é a sabedoria personificada, e crer em seu Evangelho traz essas qualidades à sua vida.
Por algumas semanas, tenho gasto meu tempo orando por essas cinco coisas para minha família e para os líderes de minha igreja. Não existe melhor maneira de instilar essas grandes coisas em seu próprio coração que orar intensamente por elas nas vidas daqueles a quem você ama.
Tim Keller
Traduzido por Josaías Jr | iPródigo | Texto original aqui

Intercâmbio feito por Rodrigo Ribeiro

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Gratidão e Egoísmo

             O assunto da gratidão é algo interessante. Parafraseando um narrador de futebol, “a ingratidão humana é quase um domínio público”. Realmente, a ingratidão é um dos piores aspectos da pecaminosidade humana (se é possível falar em pior se tratando de pecado). Outra mazela do ser humano é o egoísmo. O que tem a ver uma coisa com a outra? Vamos tecer algumas considerações.
          O ser humano sempre espera recompensa também humana pelas coisas que faz a algo ou a alguém. Então, quando vir alguém descascando os ingratos, possivelmente, mas muito possivelmente mesmo, alguém deixou de agradecer aquela pessoa por algo que ela fez, e espera ardentemente um ato de gratidão, expondo a todos o quanto  foi importante na vida da beneficiada. É uma tristeza só. Já pensou se Deus manifestasse sua graça para conosco pensando na relação causa-efeito (Rm 11. 35)? Ou seja, eu dou isso a ele, então ele me dá aquela outra coisa para manifestar sua gratidão. Tristes de nós. Deus nos abençoa por graça, misericórdia e para sua glória, pois tudo é dele (Rm 11.36). Por que nós agiríamos então assim com nossos semelhantes? Reclamar gratidão muitas vezes não passa de puro egoísmo.

               Em tudo daí graças, pois esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco (1 Ts 5.18). Muitas vezes nos esquecemos do significado da palavra tudo. Tudo é TUDO mesmo. Coisas boas e coisas ruins. Momentos alegres e também momentos tristes, pois há tempo para tudo (Ec 3). A gratidão pelos maus bocados da vida só vem (na maioria das vezes) quando estes passam, transmitindo a ideia de que não merecíamos passar pelo revés, e reside apenas no fato de ter passado, e não na compreensão da razão e propósito de termos passado tal tormenta. Jó compreendeu isto, quando entende que todo o processo doloroso a que foi submetido mostrava a soberania de Deus em sua vida (o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor. Jó 1.21). Jó é a personificação da ideia de Paulo colocada em Rm 8.28, pois tinha a consciência que Deus  faz todas as coisas (boas ou más) cooperarem para o bem daqueles que O amam. Entender isto nos faz realmente dar graças por tudo. Agradecer apenas momentos bons e agradecer os ruins apenas por terem passado não passa de puro egoísmo.

        Por tudo o que tens feito. Por tudo o que vais fazer. Ao cantarmos, estejamos realmente com um coração cheio de gratidão pelo amor de Deus para conosco que se manifesta desde antes da fundação o mundo até a eternidade. Bendito seja o nome do Senhor. Atendamos ao chamamento do salmista: Oh! Provai e vede que o Senhor é bom (Sl 34.8). E assim teremos muito que agradecer a Ele (e não a nós) que em tudo nos é suficiente. Entender as coisas assim é realmente gratidão.

DEUS NOS ABENÇOE
Presb.Cicero da Silva Pereira

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

UMP INDICA: Deus - Face a Face com Sua Majestade (John MacArthur)

No inicio das Institutas Calvino afirma que o verdadeiro conhecimento, sólido e confiável flui de uma correta compreensão acerca dos atributos de Deus e da nossa condição humana. E concordando com esta máxima a UMP indica este livro do Pr. John MacArthur que se revelou como uma ferramenta graciosa para conhecer um pouco mais daquilo que Deus revelou sobre si mesmo nas Sagradas Escrituras.

Pela providência de Deus, este foi o primeiro livro que estudamos no grupo de estudos da UMP da IV e fomos extremamente impacto pela verdades bíblias apresentadas nele, não somente acerca dos atributos de Deus mas também por causa da reflexão consequente ao contemplarmos nossas limitações. A leitura de cada capítulo nos constrange com a grandeza de Deus e nos humilha como pecadores que somos.

Mas tal conhecimento só ressalta a grandeza da graça de Cristo que nos torna filhos deste Deus tão maravilhoso que é Onipresente, Onisciente, Onipotente, Soberano, Misericordioso, Pai, Justo, que se Ira com o pecado e que é digno de ser Adorado.

Conheça mais o nosso Deus triuno com este livro extremamente bíblico, e que ainda dispõe de um excelente guia de estudos o que auxilia bastante aqueles que desejam estudar o material em grupo. Certamente será um tempo edificante.

Leia um trecho e adquira esta obra:
http://www.editorafiel.com.br/produto/5074997/Deus-Face-a-Face-com-Sua-Majestade
 

Rodrigo Ribeiro
Facebook: https://www.facebook.com/rodrigo.ribeiro.14811

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

O que é Fé? Com a Palavra, John Stott

      
Fé é uma confiança racional, uma confiança que, em profunda reflexão e certeza, conta com o fato de que Deus é digno de todo crédito. Por exemplo, quando Davi e seus homens voltaram a Ziclague, antes dos Filisteus terem matado Saul na batalha, um terrível espetáculo os aguardava. Na sua ausência, os amalequitas tinham saqueado a sua aldeia, incendiado as suas casas, e levado cativas as suas mulheres e crianças, Davi e seus homens choraram "até não terem mas forças para chorar" e então, na sua amargura, o povo cogitou de apedrejar a Davi. Era uma crise séria e Davi facilmente poderia ter-se deixado cair no desespero. Mas, em vez disso, lemos que "Davi se reanimou no Senhor seu Deus" (1 Sm 30.16). Esta era uma fé verdadeira. Ele não fechou seus olhos aos fatos. Nem tentou criar sua própria auto-confiança, ou dizer a si mesmo que se sentia muito bem. Não. Ele se lembrou do Senhor seu Deus, o Deus da criação, o Deus da aliança, o Deus que prometeu ser o seu Deus e colocá-lo no trono de Israel. E à medida que Davi se recordava das promessas e da fidelidade de Deus, sua fé crescia e se fortificava. Ele "se reanimou no Senhor seu Deus".

      Assim, pois, a fé e o pensamento caminham juntos, e é impossível crer sem pensar. CRER É TAMBÉM PENSAR.


Trecho do Livro CRER É TAMBÉM PENSAR (página 36), publicado pela Editora da ABU.

Mais que Vencedores

Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele
que nos amou. ( Rm 8.37)


Sabemos de muitas batalhas que perduraram durante anos. Temos por exemplo, a Guerra dos Cem Anos, como ficou conhecida a disputa entre Ingleses e Franceses no século XIV. Este é o combate mais duradouro relatado pela História. Nós cristãos também participamos de um prolongado conflito, só que espiritual. O seu tempo de duração se estende durante toda a vida do crente neste mundo. O seu objetivo não é outro, senão, vencer.

Diferentemente dos sangrentos conflitos que marcam as guerras entre os seres humanos, nossa luta não é contra o sangue nem a carne (Ef 6.12). Nossos inimigos são espirituais e não usam armas físicas ou químicas para guerrear. É preciso estarmos atentos para resistirmos às investidas dos opositores, que são muitos.

O mais sagaz de todos é o diabo. Ele anda ao derredor dos crentes, procurando tragá-los no momento oportuno. O astuto Satanás não descansa até que tenha alcançado seu propósito de tombar os seguidores de Cristo; a natureza pecaminosa também é um temível opositor do cristão. Na verdade esta é a única batalha em que o guerreiro luta contra si mesmo. Quão tenebroso é saber que o perigo vive mora dentro de nós; ainda existe o Mundo com seu sistema maldito que domina este século. Com seus muitos intentos, tenta abater a fé dos eleitos.  Que terríveis ataques tem de enfrentar os soldados de Cristo.

Os muitos inimigos e as diversas batalhas ora vencidas, ora perdidas trazem exaustão para o valente guerreiro. Nem sempre o crente está forte o suficiente para enfrentar a peleja. É provável que durante sua trajetória ocorra alguma derrota. Os valentes de Deus também podem experimentar momentos de fracasso, como de vários grandes homens da Bíblia: Noé, Abraão, Sansão, Davi... Tropeços, infelizmente acontecerão na caminhada, trazendo muitas angústias para o servo de Deus.

Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo. (1 Co 15.57)

Quem poderá ajudar este pobre aflito, fraco e debilitado, que não aguenta mais lutar? Como vencer esta guerra que não dá tréguas? Qual o cristão que por mais fiel que seja poderia vencer as investidas dos inimigos de sua alma? Será que há algum super crente, forte o bastante para resistir firme até o fim sem o auxílio do seu Senhor? Não há.

Se contássemos com a força do nosso braço, há muito que já teríamos sido totalmente destruídos. Mas graças a Deus, que por intermédio de Cristo nos socorre em tempo oportuno e não permite a nossa derrota. E quando o impiedoso oponente velozmente se aproxima para aplicar o último golpe de espada e sacramentar a nossa derrota, Cristo, o nosso General, intervêm e nos garante a vitória que Ele mesmo já conquistou na cruz do Calvário. Aleluia! Não há nada que possa ameaçar nosso triunfo.

Qual motivação maior precisamos para lutar, senão, esta maravilhosa garantia do Cordeiro:

Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no meu trono. (Ap 3.21)

Ele venceu! O Leão da Tribo de Judá destruiu todos os nossos adversários para que triunfássemos com ele na glória do Pai. Nenhum adversário foi páreo para o Filho de Deus. Não importa quão árdua esteja sendo esta batalha, perseveraremos firmes nesta carreira. Ao findar que logo se aproxima haveremos de receber as honras preparadas para os fiéis combatentes. Sigamos firmes porque já somos mais que vencedores, em Cristo Jesus.


Ericon Fábio

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Livre Arbítrio, Eleição e Oração

Os calvinistas muitas vezes se deparam com algumas questões que são aparentemente difíceis, e que acabam por inundar nossas mentes com várias dúvidas acerca das verdades bíblicas. Uma destas indagações que é comumente feita aos que advogam a predestinação é a seguinte: por que pregar a palavra e orar por conversões se os salvos já foram eleitos desde a eternidade? Pretendo nesta breve reflexão tratar da questão envolvendo a oração. É contraditório orar sabendo que Deus já escolheu os seus ou a contradição reside na oração feita por aqueles que acreditam no livre arbítrio?

Desde cedo somos apresentados à ideia de Livre Arbítrio, seja em pregações arminianas que ouvimos, ou por filmes e canções, dentro ou fora da igreja. Até mesmo os incrédulos acreditam nesta doutrina, exatamente por que ela dá mérito e poder ao homem, pois “Deus só me salvou por que eu aceitei”. No entanto esta concepção não é bíblica. Quando a bíblia nos fala que o homem está morto em seus delitos e pecados (Ef 2:1) ele não nos dá margem para concluir que o homem está adoentado, com indisposição ou uma mera virose. Ele está morto espiritualmente! Agora pense bem, que escolha tem um morto? A sua liberdade é usada somente para se deteriorar dentro do caixão.

Esta é a realidade do homem depois da queda. O que pecado nos trouxe a morte física e espiritual. Deste modo o pecador só usa de sua liberdade para pecar, assim como uma pedra atirada de um penhasco, a única coisa que pode fazer é continuar descendo até atingir o chão e se despedaçar. Mortos não tem livre arbítrio, é por isso que Jesus nos fala em nascer de novo (João 3:3), e só Deus pode fazer isso, arrancando nosso coração de pedra e nos dando um coração de carne (Ez 11.19-20). Nosso arbítrio não era livre e sim escravo do pecado, e se não fosse à intervenção do Espírito de Deus estaríamos perdidos escolhendo sempre a morte.

Diante de tudo isso que vimos, percebendo a necessidade da intervenção do Espírito Santo para que o homem seja salvo, só podemos concluir que nosso papel é pregar o evangelho, pois ele é poder de Deus para salvação (Rm 1.16), e orar para que Deus alcance o coração do pecador e derrube todas as barreiras, desvendando os seus olhos para que veja a glória de Cristo (2 Co 2.44), se arrependa de seus pecados e o siga pelos caminhos de vida eterna. É preciso orar pois só Deus pode salvar o nosso amigo ou familiar pecador. Só ele pode dar vida a um morto espiritual através do evangelho de Cristo.

          Não existe contradição entre eleição e oração. Oramos, pois sabemos que sem a ação do Espírito convencendo da justiça, do pecado e do juízo (João 16.8) não haveria salvação, todos seriam condenados, como de fato já estão. A verdadeira contradição existiria se acreditássemos no livre arbítrio do homem e que a decisão final estava nas mãos de um cadáver, e assim não haveria esperança alguma de conversão. Mas se cremos nas doutrinas da graça que preguemos o evangelho e oremos sem cessar!

Rodrigo Ribeiro
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quarta-feira, 11 de setembro de 2013

A Justiça de Deus em Romanos 9

Romanos 9: 14-24

Que diremos pois? que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma. Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece. Porque diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra. Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer. Dir-me-ás então: Por que se queixa ele ainda? Porquanto, quem tem resistido à sua vontade? Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição; Para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou, Os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?

Qualquer coisa que Deus faça deve ser justa. Daí que o feliz povo santo de Deus seja diferente dos outros. Simplesmente a graça de Deus os faz serem diferentes. Ele age como benfeitor nesta graça eficaz e previsora que distingue, porque sua graça é somente sua. Ninguém a mereceu, de modo que os que são salvos devem agradecer unicamente a Deus; e aqueles que perecem, devem somente culpar a si mesmos (Os 13.9). Deus não está obrigado além do que lhe pareça bem obrigar-se segundo sua aliança e promessa, que é sua vontade revelada. Esta é que receberá e não lançará fora os que vêm a Cristo; mas a eleição de almas, para que vão, é um favor antecipado e distintivo para os que Ele quer.

Por que ainda encontra faltas? Esta não é objeção que a criatura possa fazer a seu Criador, o homem contra Deus. A verdade, como acontece com Jesus, abate o homem, deixando-o como menos que nada, e estabelece a Deus como o soberano Senhor de tudo. Quem és tu, tão néscio, tão fraco, tão incapaz de julgar os conselhos divinos? Nos corresponde submeter-nos a Ele, não objetá-lo. Os homens não permitiriam ao infinito Deus o mesmo direito soberano para manejar os assuntos da criação, como o oleiro exerce seu direito a dispor de seu barro, quando do mesmo montão de barro faz um vaso para um uso honroso, e outro para uso mais vil? Deus não pode fazer injustiça por mais que assim o pareça aos homens. Deus fará evidente que odeia o pecado. Além disso, formou vasos cheios com misericórdia. A santificação é a preparação da alma para a glória. Esta é obra de Deus. Os pecadores se preparam para o inferno, mas Deus é quem prepara os santos para o céu; e a todos os que Deus destina para o céu no além, a esses prepara agora.

Queremos saber quem são esses vasos de misericórdia? Aos que Deus chamou, e esses não somente são dos judeus, senão dos gentios. Certamente que não pode haver injustiça em nenhuma destas dispensações divinas; não existe em Deus que exerce sua benignidade, paciência e tolerância para com os pecadores sujeitos à culpa crescente, antes de trazer-lhes sua destruição total. A falta está no mesmo pecador calejado. Enquanto a todos os que amam e temem a Deus, por mais que essas verdades pareçam estar além de seu entendimento, ainda assim guardam silêncio perante Ele. É somente o Senhor quem nos faz diferentes; devemos adorar sua misericórdia perdoadora e sua graça que recria, e sermos diligentes para assegurar nossa vocação e eleição.

MATTHEW HENRY

Fonte: Comentário Bíblico de Matthew henry, ed. CPAD

Intercâmbio feito por: Laryssa Lobo

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