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terça-feira, 3 de junho de 2014

Solteiro, sim. Livre? Nunca!

Em decorrência da proximidade das comemorações relativas ao dia dos namorados, o clima artificial de romantismo tem se intensificado sob as hostes comerciais da mídia, que milita contra os valores familiares nos outros dias do ano, mas que no mês de maio concede uma trégua oportuna. Neste período é comum que os solteiros sintam-se excluídos, mas esta é uma realidade que também não perdura, em regra, durante o restante do ano. Muitos se orgulham de sua "solteirice", e revelam uma grande aversão a relacionamentos sérios, que envolvam abnegação e sacrifício mútuo. A premissa básica destas pessoas é que sem relacionamentos, o que impera é a liberdade plena.

Segundo Tim Keller, em seu livro “O Significado do Casamento”, esta visão é fruto de uma mudança de paradigma no que diz respeito aos conceitos de casamento e família, que antes eram vistos como um dever, um compromisso a ser alcançados pelos homens que desejam se desenvolver como tais, mas que hoje é visto como um empecilho desnecessário aos novos alvos da sociedade pós-moderna: o prazer sem restrições e uma busca egoísta por autoafirmação e satisfação, conduzido a uma espécie de consumismo nos relacionamentos e uma a eterna adolescência.

 De fato, o casamento, e o namoro e noivado como relacionamentos que o prenunciam, exigem comprometimento e renúncia, palavras abominadas pelas pessoas de nossa sociedade. No entanto esta concepção de "solteirice", como uma fase da vida absolutamente livre, não tem o mínimo respaldo bíblico, pois o cristão é comissionado ao serviço, e isto irá acontecer indecentemente de status no facebook. A bem da verdade, todo cristão é um escravo:

Pois aquele que, sendo escravo, foi chamado pelo Senhor, é liberto e pertence ao Senhor; semelhantemente, aquele que era livre quando foi chamado, é escravo de Cristo.

1 Coríntios 7:22

Este mesmo princípio é reafirmado em diversas outras passagens, e inclusive colocada por Paulo explicitamente em Gálatas, quando ela nos intima a sermos servos uns dos outros (Gálatas 5:13). E esta é a grande verdade a ser compreendida: sempre seremos servos, por amor a Cristo. No casamento, esta sujeição mútua, conforme Efésios, se revela na submissão da esposa, no amor sacrificial do marido, e também na obediência dos filhos e na responsabilidade dos pais. Mas ainda que algum cristão não esteja vinculado a família alguma, ele está unido a outros irmãos pelos vínculos da cruz e assim também deve servir a esta família na fé.

Um jovem sente-se tentando a não se envolver com um alguém do sexo oposto, pois despreza a noção que terá de aprender sacrificar suas vontades em benefício de outro? Isso não é exclusividade de maridos, pois João se dirige a todos nós quando afirma: Nisto conhecemos o amor, em que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar a nossa vida pelos irmãos (I Jo 3:16). De igual modo pode uma jovem sentir-se inclinada a fugir de relacionamentos em virtude de uma resistência a qualquer noção de submissão que limite sua liberdade, mas não se apercebe que todos nós recebemos a seguinte limitação: Ninguém busque o seu próprio interesse; e, sim, o de outrem” (I Co 10:24).

Um cristão solteiro não pode jamais fugir de relacionamentos por causa de uma resistência em se sujeitar-se e sacrificar-se por outros, pois somos escravos de Cristo e uns dos outros. Os mandamentos para a família não são estranhos a nós, mas, na verdade, são apenas o mesmo princípio posto para todos, só que em uma intensidade muito maior, proporcional ao compromisso firmado na família da aliança. Aliás, Paulo, escrevendo aos coríntios, advoga inclusive que os que tem o dom, continuem solteiros e assim sirvam com ainda mais afinco causa de Cristo. Assim sendo, fica claro que a solteirice não implica em menos abnegação, pelo contrário, significa maiores possiblidade de serviço e entrega. 

Rejeite a noção mundana de liberdade. Ela só ecoa a antiga tentação da serpente. Sirva sempre, seja como solteiro ou casado. Somos todos escravos de um mesmo Senhor.

Rodrigo Ribeiro

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Em Busca de Serviço

Esta afirmação é digna de confiança: Se alguém deseja ser bispo , deseja uma nobre função. 1 Timóteo 3:1


Não é incomum que aqueles que são logo desde a juventude vocacionados ao sagrado ministério se vejam numa situação inquietante em relação às eleições dos cargos que Deus usa para comunicar Sua vontade em relação ao governo da igreja (1 Tm 4:12-16). O dilema parece ser, na maioria dos casos, entre a convicção interna do chamado e a relativa demora do reconhecimento dele pela comunidade através da ordenação do cargo.

Desejar o presbiterato é desejar uma nobre FUNÇÃO, que Deus designa a quem quer, conforme Sua vontade e edificação do corpo (Ef 4:11-17). É uma característica marcante dos falsos mestres o desejo do cargo pelo poder eclesiástico que se constitui ou a deferência da comunidade (3 João 1:9-12).

Esses, que pensam que o presbiterato é uma ascensão social, sempre acabam expostos como de fato são: carnais. Antes da eleição sempre disponível, ativo na obra, piedoso e exemplar. Porém ao ser eleito, ausenta-se sem motivo justo, não tem prioridade em estudar e ensinar as Escrituras ou muito menos viver uma vida comum com os irmãos para ser exemplar (2 Tm 2:1-8).

Para não incorrer nesse erro, jejue e ore sobre o assunto pedindo a Deus que lhe esclareça quais são as verdadeiras motivações que habitam seu coração. Arrependa-se de todas que não sejam iguais a de Jesus: servir em amor (Jo 13:12-18). Quem quer servir em amor:

  1. Não se ressente do resultado das eleições, pois sabe que o escrutínio é acima de tudo um instrumento de Deus para eleger aqueles que Ele mesmo já determinou pela sua livre  e soberana vontade (At 14:21-24).
  2. Não quer "mostrar serviço", para de alguma forma alcançar popularidade e aceitação necessárias para a eleição. Quem assim age é como Absalão que por muita conversa e bajulação quis usurpar o trono de Davi (2 Sm 15:1-7). Considere bem o fim dele, morto por causa de sua própria vaidade,  e não queira o mesmo pra si (2 Sm 18:9-18)
  3. Não quer provar quem é, não precisa ter seu "ponto de vista" imposto aos outros ao custo da verdade em amor que deve ser vivida na igreja. Quem quer ser inquestionável, não pode ser irrepreensível. O verdadeiro servo dá a outra face, anda a segunda milha. Ensina com doutrina e mansidão. (2 Tm 2:15-26).
  4. Deseja o bem da comunidade e não submetê-la a sua própria vontade. Esforça-se em por em prática o amor na disposição de servir a igreja com seus dons e talentos, ou seja, com a capacitação sobrenatural do Espírito Santo e com os recursos disponíveis que Deus lhe confiou para receber do Senhor a recompensa (1 Pe 5:1-5).

Se você deseja ser usado por Deus em sua fraqueza para o benefício da sua igreja e assim glorificar a Deus, não faltarão oportunidades no corpo para que você possa servir.


Presb. Gleidson Lacerda

terça-feira, 18 de junho de 2013

REFLEXÕES NO SALMO 134 - As Bençãos do Culto e uma Reflexão sobre nossa Peregrinação.

CONSIDERAÇÃO PRELIMINARES

Os Cânticos de Romagem eram salmos que eram entoados pelos peregrinos ao caminharem para o Templo de Jerusalém, para as festas religiosas. Era uma espécie de hinário para os viajantes saudosos dos pátios de Deus e fazem parte desse grupo os salmos 120 até 134, num total de quinze salmos.

Servos que assistiam na casa do Senhor – levitas, responsáveis pelo trabalho no templo.  (1 Cr 9.33)

Sião – Jerusalém

ANÁLISE DO TEXTO
As bênçãos do culto e uma reflexão sobre nossa peregrinação.

1 – A bênção de estar na casa do Senhor - Sl 122.1 (outro cântico de romagem) relata a alegria dos judeus em irem ao templo em Jerusalém. Não é momento de tristeza, nem de desânimo, mas de congraçamento, de louvor a Deus e de exultação na unção do Espírito Santo. Não é a toa que vários empecilhos se levantam para nos impedir de estarmos na casa do Senhor. Precisamos ser diligentes, disciplinados e estudiosos da palavra de Deus para entender a importância desse momento.

2 – A bênção do trabalho na casa do Senhor – Os cantores deste salmo lembram os levitas de exaltar e bendizer o nome do Senhor pelo fato de, por eles serem responsáveis pelos trabalhos na casa do Senhor, estavam constantemente no templo. E aqui temos um grande aprendizado para todos nós:

2.1 O privilégio de ser ministro na casa do Senhor – devemos nos alegrar com o chamado de Deus para nossas vidas e esmerarmo-nos para desenvolvermos nossos dons a fim de servir ao Pai e ao próximo. Cresça, desenvolva, estude, aprimore-se. Não enterre o seu talento. Devemos, porém, ter cuidado com esta expressão, pois muitas, senão na maioria das vezes, ela é interpretada de maneira errada. Não enterrar o talento significa você reconhecer seu talento, aprimorar seu talento, usar seu talento para a glória de Deus, aprimorar seu talento e assim vai num círculo virtuoso. Disso Deus se alegra, e não de fazermos as coisas de qualquer jeito, com a desculpa esfarrapada e sem-vergonha de que é para Deus. Ser ministro na casa de Deus é bênção, mas também é responsabilidade.

2.2 Um dos pontos levantados pela reforma é             O SACERDÓCIO UNIVERSAL DOS CRENTES. Isto é, todo crente é um sacerdote de Deus e deve fazer conhecido Seu Nome aonde for. Mt 5.18 diz “Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem ao Pai que está nos céus.” Este aspecto é chamado pelos calvinistas de mandato cultural. Ou seja, nossos talentos também nos foram dados por Deus para usarmos fora da igreja.

2.3 – Vemos outro fator importantíssimo aqui. Deus deve ser bendito. Deus deve ser louvado. Apenas então somente o Senhor Jesus. É o que chamamos de culto cristocêntrico. Hoje vemos cada vez mais o homem querer tomar o lugar de Cristo na adoração. São tantas coisas que cultos já são comparados a grandes shows. Opinando sobre um CD de um grupo ligado a uma igreja disse: A julgar por esse disco, um bom programa para se divertir no domingo a noite é ir à igreja ver o coral cantar. Enquanto isto, a Bíblia afirma: “Só a teu Deus adorarás e só a Ele darás culto”

3 – Derramamento de bênçãos por parte de Deus – De Sião (Jerusalém), isto é, do momento da reunião Deus conduz seu povo em bênção dali para todos os lugares em quer que eles façam. Isto se manifesta no culto de várias maneiras:

3.1 – A adoração comunitária privilegia e estimula a adoração individual, que se manifesta nas práticas devocionais.

O doutor James Houston, criticando o abandono da leitura devocional em nossos dias por uma literatura funcional e pragmática, afirma: “Os hábitos de leitura do chiqueiro não podem satisfazer a um filho e aos porcos ao mesmo tempo”. Ao usar a imagem da Parábola do Filho Pródigo, ele nos chama a atenção para o risco de nos acostumarmos com a vida do chiqueiro. Para Houston, as práticas devocionais nos ajudam a perceber que existe algo maior e mais excelente na vida de comunhão com o Pai.

O reverendo A. W. Tozer (1897-1963) escreveu um artigo afirmando que “Deus fala com o homem que mostra interesse”, e que “Deus nada tem a dizer ao indivíduo frívolo”. Mais do que cultivar o hábito de ler a Bíblia, orar e participar do culto, o que na verdade fazemos quando cultivamos estas práticas devocionais é demonstrar o interesse vivo que temos por Deus e por sua Palavra. 

3.2 - O alimentar-se da palavra de Deus nos dá ânimo, força, direção e condições de analisarmos tudo à sua luz e diminui consideravelmente o risco de sermos levados por qualquer vento de doutrina. Já não são ventos. São grandes tempestades. As pragas da teologia da prosperidade, do teísmo aberto. Já apareceram coisas como trízimo (fazendo referência a trindade, orienta os fiéis a ofertarem 30%). Acreditem vocês. E isto engana muita gente que não se alicerça na palavra de Deus, que deve emanar dos púlpitos ocupados por homens sérios.

Conclusão

Se levamos Deus a sério, levamos também o culto a sério, pois uma reunião não é um momento isolado. Um espaço de duas horas com começo, meio e fim. A reunião, o ajuntado de pessoas termina, mas o culto não. Este é feito com a nossa vida, em todos os momentos, em todos os instantes. E este é o motivo que nos alegra em estarmos juntos com os irmãos. Mostrarmos que nos esforçamos em fazer da nossa vida um culto de louvor e adoração a Deus todo-poderoso, pois já chegou o dia em que não adoramos apenas em Jerusalém ou em Samaria, como Cristo falou a mulher samaritana. O pai procura adoradores que o adorem em Espírito e em verdade.

Por fim, destacamos o aspecto escatológico. A peregrinação a Jerusalém também simboliza a nossa peregrinação à Jerusalém celestial. Portanto, independente das circunstâncias terrenas, sejam elas boas ou más, a alegria de sabermos para onde estamos indo deve preencher nosso coração e louvarmos a Deus, pois de Sião Ele nos abençoa, hoje e sempre.


Presb. Cícero da Silva Pereira

segunda-feira, 15 de abril de 2013

UMP INDICA: Como então viveremos? Davi Charles Gomes

            O livro de Eclesiastes, escrito pelo sábio Salomão e inspirado pelo Espírito Santo, é um incrivelmente profundo, mas as vezes não conseguimos absorver de forma clara seus ensinamentos, ficando perdidos em meio a sua densa linguagem poética. O vídeo que indicamos hoje é uma pregação do Pastor Davi Charles Gomes neste livro e que nos auxilia neste missão de compreender aquilo que Deus deseja nos revelar a través desta porção da escritura.

            Nela podemos responder uma indagação inadiável: como viveremos? A partir da exposição de Eclesiastes 9.1-10, as escrituras sagradas nos revelarão o caminho que nossos passos devem trilhar e a forma com que nosso coração deve percorrer a estrada da existência, em direção à eternidade.

            O resumo desta excelente mensagem é: Nem as incertezas, nem a transitoriedade da vida devem nos impedir de viver intensamente e ao mesmo tempo sem ansiedade, descansados no Deus que controla o nosso destino e sabedores de que não controlamos pessoas nem circunstâncias, gozando a vida e sabendo que a “vida debaixo do sol” não é o fim!

Veja o vídeo:


Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd


quarta-feira, 13 de março de 2013

A quem você serve com o "seu" dom?


A igreja é uma instituição muitas vezes complicada, difícil de lidar internamente. Isso porque são múltiplos os pecados que assolam os seus membros e que as vezes "parecem" não ter solução, dada a insistência dos mesmos em continuarem pecando e do desgaste emocional que eles causam aos outros irmãos. Geralmente, tais dificuldades estão mais relacionadas com o mal uso dos dons de liderança (pastores, presbíteros e diáconos) e dos dons musicais ligados à área de louvor. Por isso, acredito que muitos desses problemas podem ser melhor tratados se a igreja aprender a manter uma perspectiva correta sobre o uso dos dons do Espírito.

O texto abaixo sintetiza e expressa aquilo que é essencial para a boa administração da graça de Deus em suas múltiplas formas:

Cada um exerça o dom que recebeu para servir aos outros (1Pe 4.10a, NVI)

É importante notarmos 3 coisas nessa passagem:

1) O dom ou o talento que temos NÃO é nosso. Nós não produzimos o dom que temos e muito menos pastor ungido ou apóstolo de oração "forte" pode concedê-lo ao cristão. Recebemos os dons pelo Espírito, o qual soberanamente os distribui (1Co 12.11). Assim, o dom é dado e, portanto, o crente possui algo que pertence ao seu Senhor. Em vez de dizermos "Eu tenho o dom para isso ou aquilo", devemos corrigir essa idéia "servocêntrica" e então dizermos: "Deus me deu o dom de...". Essa linguagem é melhor e glorifica mais a Deus. Diante dessa primeira consideração, surge naturalmente a seguinte pergunta: para que eu ganhei o dom?

2) para servir, é o alvo ou o propósito do dom que Deus te deu, caro irmão. Antes da nossa conversão não possuíamos nenhum dom e apenas servíamos aos prazeres da nossa carne, do pecado (Rm 6.17ss). Libertos em Cristo Jesus e servos de sua justiça, passamos a ganhar dons e a servir não mais ao pecado, mas à Deus que nos diz como devemos usar os nossos dons: servindo! Servir significa se doar ou se entregar e a compreensão máxima que podemos adquirir sobre essa ação está no Senhor e Servo Jesus (Is 53 // Mc 10.45 // 1Pe 2.21ss). Pedro diz a igreja que os dons são por ela servidos. Com isso ele elimina toda e qualquer idéia de autoritarismo (os que só sabem mandar), estrelismo (os que querem se mostrar, aparecer de pop star) e inatividade (crente que não trabalha na igreja, descompromissado). O princípio é "receber para servir" e não "sirvo para receber". Mas se servimos, a quem servimos?

3) aos outros. A igreja é um conjunto de servos aos quais o seu Senhor diz: sirvam uns aos outros com aquilo que receberam de mim! Os cristãos devem se ajudar mutuamente, sendo dispenseiros da graça de Deus. Deus nos deu Cristo como Senhor e irmãos para serví-los. Somos assim levados a pensar mais no outro quando tocamos numa equipe de louvor ou ensinamos na escola dominical ou limpamos o banheiro da igreja ou exercemos o presbiterato. É aos outros e não a nós mesmos, e a igreja deve fazer tudo isso pensando unicamente na glória de Deus (1Pe 4.11). Isso exclui do servir motivos interesseiros, egoístas e políticos.

Portanto, a igreja necessita ser constantemente relembrada sobre o seu status de serva. Cristo é o cabeça da igreja e Ele é Senhor, e se Ele é Senhor, nós, os membros, somos servos, súditos. É interessante notar que é exatamente nessa qualidade de escravo que o apóstolo Pedro exorta os cristãos a usarem os seus dons. Mas infelizmente muitos dos problemas da igreja se servem dessa falta de entendimento sobre os dons ou talentos dados pelo Senhor.

Daniel Neves
Publicado em: http://umpcgyn.blogspot.com.br/2011/07/quem-voce-serve-com-o-seu-dom.html

Intercâmbio feito por Rafaelle Amado

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Evidências de um Crente Cheio do Espírito Santo


(Ef 5: 15-21)

Introdução
O Espírito nos capacita a testemunhar a Cristo de forma fiel e com poder (At 1:8). Desta maneira, a Igreja não se assombra diante dos obstáculos que muitas vezes tentam fazê-la calar ou mesmo desanimar. Ela vai no poder e sabedoria do Espírito, cumprindo a sua missão imperativa e incondicional de testemunha de Cristo. A Igreja, não pode deixar de dar testemunho, visto que ela “não pode fugir à vocação do seu próprio ser”.  (At 1:8; 4:8-13,31; 9:17-20; 11:21-25;13:9-12). Como Igreja, somos levados sob a direção do Espírito, de forma irreversível a testemunhar sobre a realidade de Cristo e do poder da Sua graça.
O trabalho que temos a realizar no reino de Deus só será possível mediante a capacitação do Espírito Santo. Alias, não existe vida cristã sem o Espírito Santo, pois essa vida começa com o novo nascimento e ninguém nasce de novo a não ser através do Espírito (Jo 3:5).
A doutrina do Espírito Santo é de importância fundamental para a Igreja, pois somos habitação do Espírito, e como vimos, sem Ele não há vida cristã, nem ministério, nem dons espirituais nem pregação genuína.
O conceito de Paulo, quanto à plenitude do Espírito Santo, consiste em seis pontos:

1-       Vê prudentemente como anda (Ef 5:15)
O apóstolo falou sobre os pecados da vida pagã (4:25; 5:14), que devem ser abandonados, e ao fazê-lo, referiu-se ao abandono da escuridão daquela velha vida e ao tornar-se luz no Senhor. Luz é um símbolo tanto de conhecimento como de pureza. Esses irmãos da igreja de Efeso tinham sido iluminando em Cristo. Por isso devem viver de modo digno (Ef 4:1).
Portanto observai (vigiar, olhar) atentamente como estais vivendo...
Sede estritamente cuidadosos acerca da vida que levais. A ideia de Paulo aqui, é que seus irmãos pudessem manter o controle dos princípios pelos quais governam suas vidas.
 A figura bíblica do “andar” é significativa, pois aponta para a nossa realidade diária de caminhar, nos deparando com novas e desafiadoras situações, para as quais o Espírito nos conduzirá de forma segura conforme as Escrituras.
O propósito de Paulo aqui é mostrar que necessariamente a maneira como se porta aqueles que foram iluminados pelo Espírito Santo é oposta ao homem natural. Não como imprudentes, mas como sábios.  A palavra prudência vem do latim “prudentia” que quer dizer: virtude que leva o Homem a prever e a evitar os erros e os perigos.



2-       Redime o tempo (Ef 5:16)
Mais uma vez ele é bastante prático. Andar em sabedoria diz respeito em particular ao uso adequado do tempo.
Um dos maiores desafios que temos na atualidade é em relação à administração e uso correto do nosso tempo. Há algumas expressões que são características do homem moderno:
 “A vida está muito corrida”. “Não tenho tempo para nada”. “A gente não vê o tempo passar”. “Parece que o tempo hoje passa mais depressa que antigamente”. Na realidade o problema não é o tempo, é o modo de vida. O que faz o tempo “passar” mais depressa são as inúmeras atividades com as quais nos envolvemos.
A Bíblia fala a respeito do tempo. O sábio Salomão, ao escrever Eclesiástes disse que há tempo para todo o propósito debaixo do céu. O apóstolo Paulo quando aqui desafia os membros da igreja com a seguinte expressão: “Remindo o tempo Porque os dias são maus.” Efésios 5:16. O que fica patente nestes textos bíblicos é que o tempo precisa ser corretamente administrado.
Paulo lembra que os dias são maus, como crentes não podemos relaxar, mas usar cada oportunidade para conduzir outros das trevas para luz.  Podemos também compreender que, os dias, sendo maus, estão sob o julgamento de Deus, e por esse motivo “o tempo se abrevia” (1 Co 7:29), e cada oportunidade deve, portanto, ser aproveitada antes que seja tarde demais.

3-         Procura compreender a vontade de Deus (Ef 5:17)             
O Rev. Augustus Nicodemus, em um de seus posts no Tempora, diz o seguinte:
O ponto central de Calvino era que o Espírito fala pelas Escrituras. Não que o Espírito estivesse restrito à Pregação da Palavra e aos sacramentos, mas sim que Ele não pode ser dissociado de ambos. O Espírito havia sido dado à Igreja, não para trazer novas revelações, mas para nos instruir nas palavras de Cristo e dos profetas. De acordo com Calvino, o Espírito sela nossas mentes quando ouvimos e recebemos com fé a palavra da verdade, o Evangelho da salvação (Ef 1:13). Ele limita-se a guiar os crentes e a iluminar seus entendimentos naquilo que ouviu e recebeu do Pai e do Filho, e não de Si mesmo (Jo 16:13). Como o ensino divino se encontra nas Escrituras, a obra do Espírito consiste em iluminá-las, fazendo com que esse ensino seja entendido pelos fiéis.
A vontade de Deus é revelada com beleza, graça e verdade nas paginas das Escrituras Sagradas.
"Um reavivamento", diz o Dr. Héber de Campos, "que é produto da obra do Espírito Santo na igreja, certamente tem sua ênfase naquilo que tem sido esquecido por muito tempo: a Palavra de Deus. A autoridade da Palavra de Deus passa ser algo extremamente forte num momento genuíno de reavivamento. A Bíblia passa novamente a ser honrada como a única Palavra inspirada de Deus".

 4-        Canta um novo Cântico (Ef 5: 19)
A Confissão de Westminster (1647) capta bem isso ao dizer: “... O modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por Ele mesmo e tão limitado pela sua vontade revelada, que não deve ser adorado segundo imaginações e invenções dos homens ou sugestões de Satanás nem sob qualquer outra maneira não prescrita na Santa Escritura.” Adorar a Deus de modo não prescrito em Sua Palavra é um ato idólatra, pois deste modo, adoramos na realidade a nossa própria vontade e gosto. Aqui há uma inversão total de valores: em nome de Deus buscamos satisfazer os nossos caprichos e desejos; Deus se tornou um mero instrumento para a expressão de nossa vontade; a lógica dessa atitude é a seguinte: desde que estejamos satisfeitos, descontraídos e leves, é isso o que importa. Quem assim procede, já recebeu a sua recompensa: A satisfação momentânea do seu desejo pecaminoso.

5-         Dá sempre graças por tudo a Deus (Ef 5:20)                
A expressão “dai graças” é a tradução do verbo grego Eu)xariste, que tem o sentido, conforme o traduzido, de “agradecer”. A sua raiz é a mesma do substantivo Eu)xaristi/a (Eucaristia), que pode ser traduzido por “gratidão” (Cf. At 24:3).
Paulo diz que devemos ser imitadores de Deus e, como tais, ao invés de vivermos com conversações torpes, deveram andar em ações de graça (Ef 5:1-4).
A nossa gratidão a Deus é o resultado da certeza de que Ele cuida de nós e que, de fato, não existem eventos casuais, sorte, azar ou fatalismo. Deus é Quem nos guarda! Portanto, em todas as circunstâncias, podemos encontrar motivos para agradecer a Deus, certos de que Ele é o Senhor da história e nada nos acontece sem a permissão governativa de Deus e que tudo o que nos ocorre tem um sentido proveitoso para a expressão de nossa vida: física, psíquica e espiritual. “Sabemos que todas as cousas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8:28). O “bem” dos filhos de Deus é tornar-se cada vez mais identificado com o seu Senhor (Rm 8:29-30).

6-         Sujeita aos outros (Ef 5:21)
   O crente cheio do Espírito revela esta realidade não apenas no seu relacionamento com Deus, mas, também, com o seu próximo. O crente cheio do Espírito está pronto para o serviço em humildade, sem pretensões de grandeza ou de honra, tendo como princípio orientador do seu comportamento, o “temor de Cristo”, sabendo que tudo o que somos e temos provém de Deus (1Co 4:7; 15:10; 2Co 3:5; 2Pe 1:3). Isto significa que uma Igreja cheia do Espírito não é regida pela disputa de cargos, honrarias, individualismo ou vanglória; isto porque há a consciência de que todos servem uns aos outros para a Glória de Deus e o aperfeiçoamento dos santos (Mt 18:1-4; 20.28; Rm 12:10; Ef 4:2,3,11-16; Fp 2:3; 1Pe 5:5).

Um exemplo negativo daqueles que se julgavam “espirituais”, encontramos em Corinto, onde grassava arrogância espiritual, facções, e imoralidade (1Co 1:11,12; 3:1-9; 11:17-22; 14:26-33). A alegação espiritual dos coríntios não correspondia à sua prática de vida; no entanto, revelava a fragilidade e imaturidade de sua fé.

Conclusão
Podemos interpretar o texto de (Ef 5:18), como que Paulo dizendo: “Sede constantemente, momento após momento, controlados pelo Espírito.”  Hoekema
O imperativo presente ensina-nos que ninguém pode, jamais, reivindicar ter sido cheio do Espírito de uma vez por todas. Estar sendo continuamente cheio do Espírito é, de fato, o desafio de uma vida toda e o desafio de cada dia.
 Enchei-vos do Espírito” –, não uma opção de vida cristã para alguns, que pode ser seguida ou não. A ordem bíblica é categórica e para todos os crentes em Cristo. O verbo está na voz passiva, indicando que o sujeito da ação é passivo; Deus é o autor do enchimento.
“O Espírito Santo não trabalha, portanto, independentemente da obra de Cristo, como pregam todos aqueles que enfatizam o culto ao Espírito Santo e acabam por desviar os olhos dos fiéis da pessoa de Cristo. O Espírito Santo não vem como “uma segunda bênção”, nem vem realizar fenômenos sem sentido ou fora do contexto revelador de Cristo, tais como curas espetaculares, risos santos, quedas, urros, dentes de ouro ou quaisquer outras maravilhas glorificadoras dos homens que as realizam. Ele vem selar o trabalho de Cristo na vida do crente, abrindo-lhe o coração à conversão, batizando-o com a abençoada regeneração, fazendo morada no coração de todos os salvos, promovendo a comunhão cristã, edificando o Corpo de Cristo, iluminando o entendimento e operando o crescimento em santificação.” (Pb. Solano Portela).

José Rafael
Pastor da Igreja Congregacional do Centenário em Campina Grande
Um valoroso irmão em Cristo que muito nos honrou com esta brilhante participação em nosso blog.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Ampliando o Conceito de Serviço Cristão



         Qual o significado do Serviço Cristão? Essa palavra resume-se ao trabalho realizado no âmbito da igreja? Na verdade, estas indagações são muito importantes porque a resposta está intimamente ligada a nossa identidade de Igreja Reformada.

            Ao entendemos que serviço cristão está relacionado somente com atividades eclesiásticas, como o ministério que ocupo na igreja ou minha função na sociedade que sou membro (SAF, UMP e etc.), estamos aderindo a uma divisão entre o secular e o sagrado, que tem mais relação com o catolicismo medieval, do que com as doutrinas defendidas pela reforma protestante. A palavra de Deus nos mostra de maneira muito clara a supremacia de Cristo em todas as áreas de nossa vida (Cl 1 16; 17). Devemos ser cristãos por completo, em todos os lugares, e em todas as atividades, de maneira que tudo que fazemos deve ser entendido como Serviço Cristão.

            Nós fomos criados para glorificar a Deus e nos alegrarmos nele em todo tempo (primeira pergunta do Catecismo Maior de Wenstiminster) e devemos compreender nossa vocação como mais um meio dado por Deus para que possamos realizar este propósito. Tal concepção nos trará uma motivação revigorante posto que trabalharemos como forma de dar Glória ao nome Deus. Muito mais que uma mera forma de adquirir sustento, nosso trabalho será uma adoração. Essa é a ética calvinista.

            Esta compreensão é maravilhosa, pois nos revela a graça de um Deus que através de sua infinita sabedoria nos distribui dons e se alegra quando executamos as tarefas do dia a dia com zelo, tendo como fim maior a glória e exaltação do nome Dele e isto abarca todas as habilidades, seja a medicina, arquitetura, engenharia, o comércio, o trabalho manual, o magistério. Enfim, qualquer que seja a sua vocação, Deus se alegra em ver nos exercê-la com maestria e devoção.
  
            Todo o trabalho que realizamos e ofertamos a Cristo é trabalho cristão, seja qual for. Calvino dizia que “nenhuma trabalho é tão insignificante e sórdido que não tenha esplendor e valor aos olhos de Deus”.  Já Lutero, narrou a história de um sapateiro que o procurou, afirmando que havia se convertido, e gostaria de saber o que deveria fazer agora, qual era seu chamado. O reformador respondeu: faça o melhor sapato que puder e o venda pelo preço mais justo. Que este também seja nosso pensamento: trabalhemos para a Glória de Deus!

Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd