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sexta-feira, 15 de junho de 2012

Quais as funções da ética reformada? Com a palavra, André Biéler


A ética reformada [...] possui três funções. A primeira e mais importante é a espiritual. A Lei divina deve ajudar cada individuo a descobrir que, sendo sua presente natureza desnaturada com referência a sua identidade primeira, ele está muito longe de conduzir-se naturalmente, na conformidade da vontade de Deus. Ele deve, por conseguinte, arrepender-se, pedir perdão, e converter-se para beneficiar-se da vida nova a qual Cristo o convida, na sua comunhão.

A ética tem, em seguida, uma função moral propriamente dita. A Lei de divina relembra incessantemente ao crente convertido, sempre propenso a esquecê-la, essa vontade de Deus que ele é convida a amar, tendo-a aceito como um dom consecutivo ao perdão, uma graça. Ele se torna obediente por reconhecimento e não mais por obrigação.

Enfim, ela tem uma função política. Graças à Lei de Deus, todos os cidadãos e magistrados sabem segundo quais critérios morais podem e devem elaborar as leis e conformar sua conduta na sociedade para obter ordem social, econômica e política viável e duradoura.

BIÉLER, André. In: A Força Oculta dos Protestantes. Traduzido por Paulo Manoel Protasio.  São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 1999. Capítulo II: Os combates pela democracia, pp. 75.

SOBRE O AUTOR: André Biéler, suíço, pastor e doutor em Ciências Econômicas.


Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Ampliando o Conceito de Serviço Cristão



         Qual o significado do Serviço Cristão? Essa palavra resume-se ao trabalho realizado no âmbito da igreja? Na verdade, estas indagações são muito importantes porque a resposta está intimamente ligada a nossa identidade de Igreja Reformada.

            Ao entendemos que serviço cristão está relacionado somente com atividades eclesiásticas, como o ministério que ocupo na igreja ou minha função na sociedade que sou membro (SAF, UMP e etc.), estamos aderindo a uma divisão entre o secular e o sagrado, que tem mais relação com o catolicismo medieval, do que com as doutrinas defendidas pela reforma protestante. A palavra de Deus nos mostra de maneira muito clara a supremacia de Cristo em todas as áreas de nossa vida (Cl 1 16; 17). Devemos ser cristãos por completo, em todos os lugares, e em todas as atividades, de maneira que tudo que fazemos deve ser entendido como Serviço Cristão.

            Nós fomos criados para glorificar a Deus e nos alegrarmos nele em todo tempo (primeira pergunta do Catecismo Maior de Wenstiminster) e devemos compreender nossa vocação como mais um meio dado por Deus para que possamos realizar este propósito. Tal concepção nos trará uma motivação revigorante posto que trabalharemos como forma de dar Glória ao nome Deus. Muito mais que uma mera forma de adquirir sustento, nosso trabalho será uma adoração. Essa é a ética calvinista.

            Esta compreensão é maravilhosa, pois nos revela a graça de um Deus que através de sua infinita sabedoria nos distribui dons e se alegra quando executamos as tarefas do dia a dia com zelo, tendo como fim maior a glória e exaltação do nome Dele e isto abarca todas as habilidades, seja a medicina, arquitetura, engenharia, o comércio, o trabalho manual, o magistério. Enfim, qualquer que seja a sua vocação, Deus se alegra em ver nos exercê-la com maestria e devoção.
  
            Todo o trabalho que realizamos e ofertamos a Cristo é trabalho cristão, seja qual for. Calvino dizia que “nenhuma trabalho é tão insignificante e sórdido que não tenha esplendor e valor aos olhos de Deus”.  Já Lutero, narrou a história de um sapateiro que o procurou, afirmando que havia se convertido, e gostaria de saber o que deveria fazer agora, qual era seu chamado. O reformador respondeu: faça o melhor sapato que puder e o venda pelo preço mais justo. Que este também seja nosso pensamento: trabalhemos para a Glória de Deus!

Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd