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sexta-feira, 27 de junho de 2014

O Homem é Capaz, por si mesmo, de Conhecer a Deus ou Agradá-lo? Com a Palavra, Martinho Lutero.

Precisamos permitir que Paulo explique o seu próprio ensinamento. Diz ele em Romanos 3.9: "Que se conclui? Temos nós [os judeus] qualquer vantagem [sobre os gentios]? não, de forma nenhuma; pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado". 
Não somente são todos os homens, sem qualquer exceção, considerados culpados à vista de Deus, como também são escravos desse mesmo pecado que os torna culpados. Isso inclui os judeus, os quais pensavam que não eram servos do pecado porque possuíam a lei de Deus. Mas, visto que nem judeus nem gentios têm-se mostrado capazes de desvencilharem-se dessa servidão, torna-se evidente que no homem não há poder que o capacite a praticar o bem. 
Essa escravidão universal ao pecado inclui até mesmo aqueles que parecem ser os melhores e mais retos. Não importa o grau de bondade que um homem possa alcançar; isso não é a mesma coisa que possuir o conhecimento de Deus. O mais admirável que há nos homens é sua razão e sua vontade, todavia, é forçoso reconhecer que essa mais nobre porção dos homens está corrompida. Diz Paulo, em Romanos 3.10-12: "Não há justo, nem sequer um, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer". O significado dessas palavras é perfeitamente claro. Deus é conhecido através da razão e da vontade humanas. Porém, nenhum ser humano, somente por sua natureza, conhece a Deus. Precisamos concluir, por conseguinte, que a vontade humana está corrompida e que o homem é totalmente incapaz, por si mesmo, de conhecer a Deus ou de agradá-Lo. 
Talvez alguma pessoa audaciosa atreva-se a dizer que somos capazes de fazer mais do que de fato fazemos; porém, o que aqui nos interessa é o que somos capazes de fazer, e não o que estamos ou não estamos fazendo. O trecho das Escrituras citado por Paulo, em Romanos 3.10-12, não nos autoriza a fazer tal distinção. Deus condena tanto a incapacidade pecaminosa dos homens quanto os seus atos corruptos. Se os homens fossem capazes, ainda que o mínimo possível, de movimentarem-se na direção de Deus, não haveria mais qualquer necessidade de Deus salvá-los. Deus permitiria que os homens salvassem-se a si mesmos. Porém, nenhum deles está apto nem ao menos a fazer a tentativa. 
No trecho de Romanos 3.19, Paulo declara que toda boca se calará diante de Deus, porque ninguém poderá argumentar contra o julgamento divino, visto que nada existe, em pessoa alguma, digno de ser elogiado pelo Senhor — nem ao menos um arbítrio livre para voltar-se espontaneamente para Ele. Se alguém disser: "Tenho uma capacidade própria, ainda que pequena, de voltar-me para Deus", esse alguém deve estar querendo dizer que pensa que nele há alguma coisa a qual Deus possa elogiar e não condenar. Sua boca não está calada, mas tal ideia contradiz as Escrituras. 

Deus ordenou que toda boca ficasse calada. Não é apenas certos grupos de pessoas que são culpados diante de Deus. Não apenas os fariseus, dentre o povo israelita, estão condenados. Se isso fosse verdade, então os demais judeus teriam tido alguma capacidade própria para guardar a lei e evitar de tornarem-se culpados. Porém, até mesmo os melhores dentre os homens estão condenados por sua impiedade. Estão espiritualmente mortos, da mesma forma que aqueles que de maneira alguma procuram guardar a lei de Deus. Todos os homens são ímpios e culpados, e merecem ser punidos por Deus. Essas coisas são tão evidentes que ninguém pode nem mesmo sussurrar uma palavra contra elas!
Com a palavra feito por Jhonatas Araujo
Livro: Nascido Escravo Martinho Lutero Paginas: 21 e 22 Editora: Fiel


terça-feira, 3 de junho de 2014

Solteiro, sim. Livre? Nunca!

Em decorrência da proximidade das comemorações relativas ao dia dos namorados, o clima artificial de romantismo tem se intensificado sob as hostes comerciais da mídia, que milita contra os valores familiares nos outros dias do ano, mas que no mês de maio concede uma trégua oportuna. Neste período é comum que os solteiros sintam-se excluídos, mas esta é uma realidade que também não perdura, em regra, durante o restante do ano. Muitos se orgulham de sua "solteirice", e revelam uma grande aversão a relacionamentos sérios, que envolvam abnegação e sacrifício mútuo. A premissa básica destas pessoas é que sem relacionamentos, o que impera é a liberdade plena.

Segundo Tim Keller, em seu livro “O Significado do Casamento”, esta visão é fruto de uma mudança de paradigma no que diz respeito aos conceitos de casamento e família, que antes eram vistos como um dever, um compromisso a ser alcançados pelos homens que desejam se desenvolver como tais, mas que hoje é visto como um empecilho desnecessário aos novos alvos da sociedade pós-moderna: o prazer sem restrições e uma busca egoísta por autoafirmação e satisfação, conduzido a uma espécie de consumismo nos relacionamentos e uma a eterna adolescência.

 De fato, o casamento, e o namoro e noivado como relacionamentos que o prenunciam, exigem comprometimento e renúncia, palavras abominadas pelas pessoas de nossa sociedade. No entanto esta concepção de "solteirice", como uma fase da vida absolutamente livre, não tem o mínimo respaldo bíblico, pois o cristão é comissionado ao serviço, e isto irá acontecer indecentemente de status no facebook. A bem da verdade, todo cristão é um escravo:

Pois aquele que, sendo escravo, foi chamado pelo Senhor, é liberto e pertence ao Senhor; semelhantemente, aquele que era livre quando foi chamado, é escravo de Cristo.

1 Coríntios 7:22

Este mesmo princípio é reafirmado em diversas outras passagens, e inclusive colocada por Paulo explicitamente em Gálatas, quando ela nos intima a sermos servos uns dos outros (Gálatas 5:13). E esta é a grande verdade a ser compreendida: sempre seremos servos, por amor a Cristo. No casamento, esta sujeição mútua, conforme Efésios, se revela na submissão da esposa, no amor sacrificial do marido, e também na obediência dos filhos e na responsabilidade dos pais. Mas ainda que algum cristão não esteja vinculado a família alguma, ele está unido a outros irmãos pelos vínculos da cruz e assim também deve servir a esta família na fé.

Um jovem sente-se tentando a não se envolver com um alguém do sexo oposto, pois despreza a noção que terá de aprender sacrificar suas vontades em benefício de outro? Isso não é exclusividade de maridos, pois João se dirige a todos nós quando afirma: Nisto conhecemos o amor, em que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar a nossa vida pelos irmãos (I Jo 3:16). De igual modo pode uma jovem sentir-se inclinada a fugir de relacionamentos em virtude de uma resistência a qualquer noção de submissão que limite sua liberdade, mas não se apercebe que todos nós recebemos a seguinte limitação: Ninguém busque o seu próprio interesse; e, sim, o de outrem” (I Co 10:24).

Um cristão solteiro não pode jamais fugir de relacionamentos por causa de uma resistência em se sujeitar-se e sacrificar-se por outros, pois somos escravos de Cristo e uns dos outros. Os mandamentos para a família não são estranhos a nós, mas, na verdade, são apenas o mesmo princípio posto para todos, só que em uma intensidade muito maior, proporcional ao compromisso firmado na família da aliança. Aliás, Paulo, escrevendo aos coríntios, advoga inclusive que os que tem o dom, continuem solteiros e assim sirvam com ainda mais afinco causa de Cristo. Assim sendo, fica claro que a solteirice não implica em menos abnegação, pelo contrário, significa maiores possiblidade de serviço e entrega. 

Rejeite a noção mundana de liberdade. Ela só ecoa a antiga tentação da serpente. Sirva sempre, seja como solteiro ou casado. Somos todos escravos de um mesmo Senhor.

Rodrigo Ribeiro

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Somos Escravos de Cristo?

Todos nós temos uma imagem muito negativa sobre a escravatura, principalmente nos moldes praticados na história do Brasil. Paulo e Timóteo, no primeiro versículo de Filipenses se apresentam como servos (escravos) de Cristo. Na verdade, no original grego a palavra utilizada é doulos (pronuncia-se dulos) e significa escravo.

No Antigo Testamento, as pessoas com um relacionamento mais íntimo e obediente a Deus eram chamadas de servas do Senhor, em uma conotação positiva na medida em que coloca o serviço a Deus em posição de destaque. Moisés, nesse sentido, era um verdadeiro servo do Senhor. Um dos objetivos da vida cristã é de chegar, no final da jornada, e escutar do nosso Senhor: “Servo bom e fiel, foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei. Entra no gozo do teu Senhor”.

No tempo de Paulo, sob a dominação do império romano, a pessoa poderia ser escravizada por quatro razões principais: por dívida, por conquista militar, por livre vontade e por ser filho de escravos. Por que Paulo e Timóteo afirmavam serem escravos de Cristo?

Se Cristo pagou a nossa dívida na cruz, somos sua legítima propriedade, assim somos: escravos por dívida. Se, de fato, Deus nos conquistou e nos libertou do Império das Trevas para o Reino do Filho do seu amor, somos agora escravos por conquista militar. Também não somos obrigados a servir, fomos conquistados pelo seu grande amor, somos, portanto, escravos por livre vontade, a partir da obra regeneradora do Espírito. Como no ritual prescrito no Antigo Testamento, esse tipo de servo tinha as orelhas furadas, representando que desejava servir por toda a vida ao seu Senhor. .

Compreender que somos servos (escravos) honrados por servir a um Deus grande, bom e verdadeiro, ao mesmo tempo, não tendo direito algum em rebelar-se contra o nosso Senhor, pois dele somos propriedade, implica em uma disposição de em tudo honrar o seu santo nome: em nossas ações e reações, em nossas atitudes e pensamentos.

Fiquemos com o exemplo de Cristo, que sendo Deus a si mesmo se esvaziou tomando a forma de SERVO/ESCRAVO, sendo obediente até a morte e morte de Cruz . Sigamos o exemplo de Timóteo que buscou não priorizar os seus próprios interesses (Fp. 2). Sigamos também o exemplo de Paulo para o qual o viver era Cristo (Fp. 1:21). Que Deus nos ajude nesse santo, mas difícil e honroso propósito.

Pb. André Augusto Diniz Lira

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Regeneração: A Carta de Alforria da Alma


Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados. (Ef 2:1)

A carta de alforria era o documento que garantia o direito de liberdade a um escravo, concedida por seu proprietário. A Bíblia descreve o homem comum como um servo do pecado, inclinado às práticas de desobediência a Deus. (Rm 6.16). E o mesmo também permanece subjugado até que lhe seja concedido o atestado de soltura espiritual, concedido exclusivamente pelo Espírito Santo, através da Obra de Cristo (Tt 3:4-6).
A ação atribuída a este ato do Espírito é chamada de Regeneração, ou Novo Nascimento: o meio pelo qual o homem abandona o terrível estado de escravidão que se encontra, tornando-se nova criatura (Jo 3:3-6). Essa transformação não ocorre por livre escolha e desejo do escravizado, pois o mesmo se encontra totalmente incapaz de tomar qualquer decisão desta ordem. Pois a Bíblia é enfática ao afirmar que o homem natural é servo do pecado (Rm 6:17). A raça humana está terrivelmente depravada. Não importa quem sejam, nem o que façam, todos estão aprisionados à sua natureza corrompida (Rm 3.23).

O fato mais curioso é que, diferentemente do escravo comum que deseja adquirir sua liberdade a todo custo. O homem natural não demonstra a mínima insatisfação com sua vida iníqua. Sente-se confortável com as práticas que comete e vive em declarada e espontânea afronta ao Criador (Cl 1:21; Rm 5:10). Ele é como um servo que ao receber Carta de Alforria do seu senhor, ver os portões abertos das senzalas, mas nega-se a ir embora, preferindo permanecer sujeito àquele que lhe aprisionou. Da mesma forma, porta-se o ímpio com relação a sua permanente condição de pecador.

Sendo assim, o homem nem quer, nem pode deixar de ser escravo. Seu estado espiritual é de morte. Portanto, ainda que as portas da prisão estejam escancaradas e suas algemas destrancadas, ele permaneceria inalteravelmente inerte, como todo ser sem vida.

Em meio a tudo isto, surge-nos uma pergunta: Como um indivíduo nesta situação pode de forma autônoma, e espontaneamente, buscar uma mudança, à parte do Espírito, ou mesmo de forma sinérgica? Os defensores do livre-arbítrio cometem um terrível equívoco ao presumir que a criatura pode optar pela liberdade ou não de sua alma. Algo impossível para alguém que está morto, portanto, totalmente incapaz de esboçar alguma atitude que altere sua condição. O mesmo depende indubitavelmente dAquele que sopra onde quer (Jo 3.8).

Portanto, a transformação do homem é obra particular e exclusiva do Espírito Santo. Apenas por seu intermédio o pecador é regenerado, e a partir daí todos os seus atos de arrependimento surgirão em conseqüência à ação realizada pelo Espírito de Deus em seu coração.  Somente através deste agir sobrenatural, o homem pode gozar de plena liberdade espiritual. Por meio privativo do Regenerador, o servo do pecado poderá ver-se livre uma vez por todas da escravidão que assolava sua alma. A carta de alforria é definitiva e quem a concede é Poderoso para libertar o pobre pecador das enegrecidas e sujas prisões da perdição e transportá-lo para o Reino de Deus em total segurança (Cl 1:13) .

Ericon Fábio