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sábado, 7 de junho de 2014

Onde o Espírito Santo está Atuando?

A importância do Espírito Santo e sua obra, assim como a sua divindade, a priori, são elementos comuns aos cristãos, sendo inclusive uma forma de identificar aqueles que destoam do pensamento ortodoxo. No entanto, na prática, a atuação do Espírito tem sido um elemento de contrastes entre as igrejas reformadas e as pentecostais, sendo aquelas acusadas de frias, por causas de seus cultos onde o Espírito não se faz presente, ou no mínimo, não tem o devido lugar ou espaço. Qual a razão desta afirmação por partes dos irmãos pentecostais? Eles estão corretos em seu entendimento?

De que forma podemos “medir” a presença do Espírito em um culto? O encontraremos somente onde há barulho e êxtase? O perceberemos tão somente quando presentes as cordas vocais estridentes e as manifestações extraordinárias? Infelizmente esse é um pensamento muito comum no evangelicalismo brasileiro, em que pese o fato de ser uma realidade também presente em todo o mundo, ao ponto do Anglicano John Stott, afirmar que para muitos a principal manifestação do Espírito é o barulho. Onde não há a presença dos dons extraordinários do Espírito, este está ausente para muitos. Mas esta é a maneira realmente bíblica de tratar o assunto? Vejamos o que o próprio Cristo nos ensina a respeito de onde podemos encontrar o Consolador:

1. O encontraremos onde a verdade for conhecida e proclamada:
Mas quando o Espírito da verdade vier, ele os guiará a toda a verdade.
João 16:13

Sempre que a palavra de Deus for pregada com fidelidade, esta ação deve-se ao labor do Espírito, que capacita o pregador e fala através Dele, e também prepara o coração dos ouvintes para compreender as verdades bíblicas. Sem esta ação sobrenatural do Espírito todos os esforços dos mestres e pastores são vãos. É o Espírito, mediante a Palavra que Ele mesmo inspirou, que instrui e alimenta a Igreja de Cristo.

2. O encontraremos onde pecadores se arrependem e creem em Cristo:
Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo.
João 16:8

O homem natural é cego para as coisas Espirituais, e jamais conseguirá por si só compreender seu estado de pecado, e assim arrepender-se e crer em Cristo para a vida eterna. A salvação só se dá mediante a ação do Espírito retirando as escamas de seus olhos, vivificando-o, operando a regeneração. Só herdará a vida eterna quem nascer de novo, e somente o Espírito pode efetuar esta obra no coração do homem. Não há conversão em a obra do Espírito, aplicando o evangelho aos corações dos homens.


3. Ele está onde CRISTO é reconhecido como Deus e exaltado:
"Quando vier o Conselheiro, que eu enviarei a vocês da parte do Pai, o Espírito da verdade que provém do Pai, ele testemunhará a meu respeito.
João 15:26

Como poder crer em Cristo e nas Escrituras? O testemunho interno do Espírito! Este é o ministério Dele, nos fazer cada vez mais firmes em Cristo. Sempre que crescemos na graça e no conhecimento, amando e confiando mais em Jesus, anelando que ele seja cada vez mais exaltado e glorificado em nossas vidas, podemos perceber, por excelência, a obra do Espírito. Sua missão é cristocêntrica. Ele é um farol que lança luz sobre a obra de Cristo. E certamente este é um parâmetro infalível para medir a validade de qualquer manifestação feita em nome do Espírito: Ele aponta para Cristo? Se aponta somente para homens, certamente não está de acordo com aquilo que a Escritura nos revela sobre o Espírito.

Este é o ministério do Consolador: Aplicar a verdade das Escrituras no coração de pecadores levando-os a amar a Cristo e odiar os seus pecados. Se você observa estas coisas em sua igreja, ali está o Espírito de Deus, ainda que não haja movimentos pirotécnicos. Quem afirmar o contrário, tem uma compreensão equivocada das Escrituras. Onde Cristo é honrado, o Espírito está presente. Sua presença não se mede pelo calor ou pelo barulho, mas sim pela reverência e amor ofertados a Cristo.

Rodrigo Ribeiro
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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Existe um Segundo Batismo?

A Bíblia é muito clara nesse sentido: "há um só Senhor, uma só fé, um só batismo" (Efésios 4:5)


Mas em alguns círculos evangélicos é ensinado uma dualidade de batismos, sendo o primeiro nas águas, e o segundo no espírito, uma experiência mais profunda. Tal doutrina encontra seu amparo no livro de Atos, o que em si já merece uma severa reflexão pois trata-se de um livro histórico, e a boa hermenêutica nos alerta ao perigoso fato de confundir narrativas históricas inspiradas com orientações diretas para a igreja e sua conduta.

Nos relatos do livro de Atos vemos a descida do Espírito (cap. 2), depois observamos em Atos 8 o Espírito descendo sobre os homens de Samaria que ainda não haviam o recebido, e por fim em Atos 10 presenciamos o Espírito descer sobre os gentios representados por Cornélio.

Estes textos apresentam a promessa do Espírito sendo manifesta, e a descida segue o exato percurso das Palavras de Cristo "Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra". (Atos 1:8).

Não se pode asseveram a veracidade de uma doutrina nestes textos, eles são específicos para uma época de transição da velha para a nova aliança, ainda existiam pessoas batizadas em Cristo mas que ainda não tinham recebido o Espírito (vide samaritanos), mas ISTO NÃO OCORRE MAIS. Quando nos batizamos nas águas, se aquilo de fato revela a realidade de nossos corações, também atestamos que já temos o Espírito Santo. Não há outro batismo, tão pouco uma segunda experiência.

E se assim fosse, como explicar o caso de Cornélio? Ele foi batizado primeiramente no Espírito e somente depois nas águas. Qual seria o segundo batismo? Se for na ordem cronológica temos aqui um imenso furo na doutrina do segundo batismo? Exato! Leias as Escrituras:

Enquanto Pedro ainda estava falando estas palavras, o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a mensagem.
Os judeus convertidos que vieram com Pedro ficaram admirados de que o dom do Espírito Santo fosse derramado até sobre os gentios,
pois os ouviam falando em línguas e exaltando a Deus. A seguir Pedro disse:
"Pode alguém negar a água, impedindo que estes sejam batizados? Eles receberam o Espírito Santo como nós! "
Então ordenou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo. Depois pediram a Pedro que ficasse com eles alguns dias.

Atos 10:44-48

Uma correta interpretação das Escrituras é o antídoto para esta concepção equivocada: só há um batismo e todos que são batizados em Jesus também o seu no Espírito. Eles andam em unidade. Não pretenda criar uma contenda ou partidarismo na trindade. 

Deus os abençoe.


Rodrigo Ribeiro
Facebook: https://www.facebook.com/rodrigo.ribeiro.14811


sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

O que é uma Igreja Tipicamente Presbiteriana? Com a Palavra Francisco Macena


Não poucas vezes sou perguntado sobre algumas incoerências que ocorrem em igrejas presbiterianas. Incansavelmente tenho que responder a mesma coisa sempre: 

De acordo com a nossa constituição, afirmamos que: 

Art.1 - A IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL é uma federação de Igrejas locais, que adota como única regra de fé e prática AS ESCRITURAS SAGRADAS DO VELHO E NOVO TESTAMENTO e como sistema expositivo de doutrina e prática a sua CONFISSÃO DE FÉ E OS CATECISMOS MAIOR E BREVE; rege-se pela presente CONSTITUIÇÃO; é pessoa jurídica, de acordo com as leis do Brasil, sempre representada civilmente pela sua Comissão Executiva e exerce o seu governo por meio de Concílios e indivíduos, regularmente instalados.

Art.2 - A Igreja Presbiteriana do Brasil tem por fim prestar culto a Deus, em espírito e verdade, pregar o Evangelho, batizar os conversos, seus filhos e menores sob sua guarda e “ENSINAR OS FIÉIS A GUARDAR A DOUTRINA E PRÁTICA DAS ESCRITURAS DO ANTIGO E NOVO TESTAMENTOS, NA SUA PUREZA E INTEGRIDADE, BEM COMO PROMOVER A APLICAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DE FRATERNIDADE CRISTÃ E O CRESCIMENTO DE SEUS MEMBROS NA GRAÇA E NO CONHECIMENTO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO”.

Dito isto, “se” algum pastor, presbítero, conselho, presbitério ou sínodo, age diferente dos termos acima citados, esses tais não representam a Igreja Presbiteriana do Brasil. Sendo assim, aqueles líderes presbiterianos que se declaram publicamente “pentecostais”, aqueles que adotam os moldes de igrejas “inclusivas”, aqueles que adotam um “universalimo prático”, aqueles que mantem comunhão pastoral com “seitas” como a IURD, aqueles usam de atrativos mundanos para atrair as pessoas e chamam isso de “relevância” para a cidade, aqueles que promovem e apoiam a marcha para Jesus, esses tais não representam a Igreja Presbiteriana do Brasil. Não olhem para eles com se fossem uma referencia típica de presbiterianismo. 

A verdadeira referencia de presbiterianismo está nas igrejas que tem a Escritura como regra infalível de fé e de prática, que expõe o sistema doutrinário da Confissão de Fé e dos Catecismos e que seguem as normas legais da Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil.

Pense nisso! Acorde! Faça sua parte por uma igreja presbiteriana tipicamente presbiteriana!


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Rodrigo Ribeiro

terça-feira, 7 de maio de 2013

A Guerra pelas Palavras


As palavras são essenciais na comunicação. Nem todos tem aflorado o dom da mímica, de modo que se fossemos depender da linguagem não-verbal, muitos seriam encerrados no cativeiro da ignorância e grandes ideias iriam se perder em meio a gestos não compreendidos. Mas o perigo da dissonância entre a mensagem falada e a recebida também afeta o mundo das palavras, e o problema muitas vezes começa no conceito delas próprias.

Na teologia isto também acontece e não é de hoje. Na época em que eclodiu a reforma protestante, houve uma questão inevitável: qual era a igreja verdadeira? A igreja católica ou as novas igrejas protestantes? Para responder esta pergunta ambos os grupos se valeram das mesmas palavras, fazendo referência aos antigos credos, indicando que teriam as marcas da verdadeira igreja: unidade, universalidade, apostolicidade e disciplina.

Ocorre que enquanto a Igreja Romana afirmava que era universal porque estava, como instituição, em expansão por todo o mundo, e era apostólica porque o papa era o sucessor direto de Pedro, a igreja reformada, afirmava que sua universalidade consistia no fato de que a igreja não se vincula a nenhuma nação ou povo, mas era composta pelos eleitos, de todos os povos, lugares e épocas, e que era apostólica porque tinha como fundamento a doutrina dos apóstolos.

Apesar da confusão semântica os reformadores entenderam a importância destas palavras e não abdicaram de usá-las, lutando para que ficasse revelado o seu correto significado. No entanto esta não é a postura de muitos em nossos dias, pois assim como em vários outros períodos na história da igreja, ensinamentos errados e heréticos tem invadido nossos templos e tem levado ao cativeiro palavras preciosas, mas a nossa postura tem sido diferente dos homens do passado. Temos perdido a partida por W.O. Consentimos com o rapto e assim nos tornamos cúmplices deste delito!

A doutrina da prosperidade se difunde no evangelicalismo brasileiro, e nós simplesmente, a fim de evitar qualquer associação com estes pensamentos, largamos mão desta palavra bíblica, fugindo dela ao máximo, entregando-a de mãos beijadas aos salteadores, esquecendo que ela faz parte da revelação de Deus nas suas escrituras, e por isso não podemos abandoná-la. A verdadeira prosperidade, que é a satisfação em Deus (Salmo 16:11), a alegria com contentamento (1 Tm .6-8), não pode desaparecer de nossos púlpitos. Devemos resgatá-la e proclamá-la sem medo, purificando o conceito e afastando de todo o materialismo mundano. Imagina o desastre que seria se em decorrência da extorsão provocada por homens impiedosos, excluíssemos do nosso meio o dízimo e as ofertas? O pecado de terceiros não nos dá permissão para omitir as verdades da palavra de Deus.

A mesma situação ocorre com palavras como vitória e promessas, que já tão desgastadas e violadas pelo discurso triunfalista barato, de um evangelho antropocêntrico, que visualiza Deus como um grande e poderoso amuleto para obter as benesses materiais e emocionais desejadas. Mas estes desvios não nos autorizam a expulsar de nossos arraiais estas palavras! O cristão é vitorioso em Cristo (1 Co 5:17), aliás é mais do que vencedor (Romanos 8:37), e a sua vitória é maior e melhor que qualquer situação existencial: nossa vitória é escatológica, no final de tudo, venceremos com Cristo ! Esta verdade não pode ser guardada ou evitada, assim como não podemos negligenciar as maravilhosas promessas de Deus que nada tem a ver com profetadas humanas, mas que são verdadeiros mananciais bíblicos de esperança e paz, como por exemplo a maravilhosa promessa que ele estaria conosco até a consumação dos séculos (Mateus 28:20), que todas as coisas cooperam para o nosso bem (Rm 8:28) e que se confessarmos o nosso pecado ele irá nos perdoar (1 João 1:9). Aqueles que desejam promessas menores que esta, feitas apenas por homens, que fiquem com elas, mas não privemos o povo de Deus de ouvir as promessas genuínas e inigualáveis da parte de Deus!

Existem outros casos que podem ser citados, como a equivocada aversão dos recém-convertidos ao calvinismo com a palavra escolha, não percebendo que esta doutrina não anula a decisão do homem, mas afirma que esta sempre será na direção oposta a Deus, se o Espírito não o vivificar. Esta é uma postura que é compreensível quando se trata de neófitos, mas é completamente descabida àqueles que já trilham há muito tempo no percurso das doutrinas da graça. Eis mais um exemplo de palavras que devem ser retirados do exílio.

Enfim, que possamos olhar para o exemplo dos reformadores e de tantos outros cristãos comprometidos com a ortodoxia ao longo da história, que combaterem as heresias, mas que não abandonaram as palavras que o próprio Deus usou, as deixando na boca dos lobos vorazes e dos tolos teológicos. As palavras são importantes, pois é a través dela que o evangelho é proclamado. Resgatemo-nos para Deus, restaurando seu significado real e glorificando nosso Pai sem perder a guerra que começa no dicionário e termina na vida espiritual.

Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Deus nas mãos de pecadores irados


O pastor congregacional e teólogo estadunidense Jonathan Edwards ficou mundialmente famoso nos âmbitos secular e religioso por ter pregado um dos sermões mais impactantes e conhecidos da história do Cristianismo. Após ter ficado três dias sem comer e dormir, pedindo a Deus que lhe desse a Nova Inglaterra, Edwards, de posse de um manuscrito segurado tão rente aos olhos que tapava seu rosto à multidão (ele era míope), começou a explanar aos seus ouvintes a real e aterrorizante situação dos“Pecadores nas mãos de um Deus irado”, baseando-se apenas em um trecho de Deuteronômio 32.35 (“... a seu tempo, quando resvalar o seu pé). Esse sermão foi proferido na noite de 8 de julho de 1741, na capela de Enfield, no estado de Connecticut (EUA), por ocasião do “Grande Despertamento” ocorrido naquela região.

Mais de dois séculos e meio se passaram, e o sermão de Edwards ainda é lembrado com alguma nostalgia por parte de muitos cristãos hodiernos. As alusões aos ouvintes agarrando-se aos bancos por pensarem que iam cair no fogo do inferno enquanto Edwards pregava são abundantes nos lábios dos pregadores e nas penas (ou teclas) dos escritores das épocas subsequentes. Entretanto, um grave erro aconteceu nessa transição de épocas. Os pregadores modernos presumiram que poderiam aperfeiçoar a abordagem de Edwards, e o resultado disso foi uma verdadeira tragédia para a sã doutrina. Começando por Charles Finney (1792-1895) até aos pregadores contemporâneos, a pregação declinou da centralidade em Deus para as necessidades do homem. A ira do Criador cedeu espaço aos caprichos da criatura nos discursos humanistas, inadequadamente chamados de pregação, fazendo com que a soberania de Deus fosse banida do ideário popular dito evangélico.

Isso resultou em um processo de descaracterização do evangelho. A força e firmeza doutrinária tão característica nos puritanos cedeu lugar a um novo tipo de “fé” que emergia dos ideais iluministas. O pragmatismo finneyano alterou radicalmente o modus operandi da igreja, que agora passou a existir unicamente para agradar aos homens. Os fins passaram a justificar os meios quando o assunto era ganhar os perdidos. “Não importa o método. Se deu certo, é porque é de Deus” – um arroubo triunfalista que sugere a ideia de um “pragmatismo consagrado”[1]. Isso fez com que os pregadores adequassem sua pregação e teologia a essa nova concepção de ser igreja no mundo, mesmo que tal adequação implicasse em flagrante contradição com ensinamentos claros das Escrituras. O sistema calvinista de doutrina foi rejeitado por se mostrar “opressivo” e por impedir a “manifestação da potencialidade humana”, com suas “ênfases na soberania de Deus, na depravação do homem, na escravidão da vontade e na conseqüente incapacidade humana para as grandes escolhas”[2]. A rejeição aos postulados dos reformadores foi deliberada.

Todo esse legado finneyano chegou intacto ao século XXI. Se na época de Finney o pecador era convidado a “aceitar” a Jesus, hoje ele não somente é conclamado a fazê-lo, mas também a “determinar” que seja por Deus abençoado, já que agora um “pacto” foi estabelecido. As pessoas são alimentadas com a ideia de que, agora que são crentes, tem o direito de ser abençoadas, e “ai” de Deus se alguma cláusula nesse “contrato” for violada. Nesse caso, Deus senta calado no banco dos réus para ser julgado pelo homem. Isso sem falar na aversão que os crentes modernos tem a palavras negativas como “ira”, “pecado”, “inferno” etc., palavras essas que foram abolidas do vocabulário de muitos pregadores contemporâneos (a não ser quando se fala da “infidelidade” financeira dos fieis). Para muitos cristãos da atualidade, falar em um Deus irado é uma ofensa grosseira aos ouvidos do cidadão pós-moderno. A própria noção de um Deus irado é incompatível com a sua natureza bondosa de Pai. O homem, pensam eles, não precisa conhecer um Deus irado, e sim, um Deus de amor, que está sempre de braços abertos. Toda essa ordem de coisas faz com que o título do sermão de Jonathan Edwards seja convertido para“Deus nas mãos de pecadores irados”, como bem observou R. C. Sproul, significando algo mais do que uma simples mudança na ordem das palavras.

Felizmente, Jonathan Edwards não viveu o suficiente para ver como os pregadores modernos torceram impiedosamente o seu sermão. Ele morreu de varíola em março de 1758, mas provavelmente morreria de infarto se porventura ainda lhe restasse uns séculos a mais de vida. Fico a refletir no que Edwards pensaria dos tele-evangelistas e “avivalistas” da atualidade, muitos dos quais se auto-intitulam “apóstolos” e “profetas”, que ficam querendo incutir na mente das ovelhas que elas agora podem tudo, inclusive inquirir a Deus, exigindo-lhe a sua parte no acordo. Não conheço nenhum pronunciamento de Edwards sobre esse particular, mas suponho que ele pregaria algo parecido com“Pregadores nas mãos de um Deus irado”. Nesse caso, seria bom que ele ainda estivesse vivo. A menos que novas vozes surjam no meio de todo esse escombro eclesiástico, para que Deus promova outro “Grande Despertamento” em nossos dias.
Soli Deo Gloria!!!

*Esta frase é do R. C. Sproul.
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[1] Termo cunhado por Peter Wagner. Ver PORTELA, Solano. Planejando os rumos da igreja: Pontos positivos e críticas de posições contemporâneas. Nota de rodapé nº 9, Fides Reformata, vol. I, nº 2 (julho-dezembro 1996), 84.
[2] SOUSA, Jadiel Martins. Charles Finney e a secularização da igreja. São Paulo. Edições Parakletos, 2002. Pág. 92.

Leonardo Bruno Galdino
Publicado em: http://opticareformata.blogspot.com.br/2009/09/deus-nas-maos-de-pecadores-irados.html

Intercâmbio feirt por Walber Arruda